EUA 2013: New Orleans e o Katrina

Deve ser problema comigo, mas me apaixono por cidades condenadas (o que talvez explique eu morar em São Paulo). Um dos meus maiores sonhos é me mudar para Veneza, uma cidade que a qualquer momento pode desaparecer inteira (Santorini é outro sonho). New Orleans, minha nova paixão, corre sérios riscos, e não sei se me mudaria para cá, mas nem sai daqui e já estou planejando uma volta. Porém, a cidade que foi devastada pelo furação Katrina em 2005 (veja uma imagem para ter uma ideia da área alagada) é séria concorrente a desaparecer com o aquecimento global ou mesmo com futuros furacões.
Claro, não é tão simples e radical assim, mas New Orleans já sofreu com mais tempestades e furacões do que nós, brasileiros, podemos supor. Ao menos foi isso que tirei do Tour Katrina, passeio educativo que fiz hoje pelas áreas que foram tomadas pela água naquele verão de 2005 (”O dia do furacão estava lindo”, conta em certo momento a nossa guia”). Não sou a favor de esmiuçar tragédias, ainda mais turisticamente (nunca farei as por campos de concentração, nunca), mas, principalmente nesta cidade apaixonante, achei interessante conhecer esse outro lado de New Orleans até para entender este momento atual da cidade.

Carol, a guia da agência Gray Line, uma senhora de cabelos grisalhos que não poupa críticas ao governo, aos políticos e aos turistas que acreditam que New Orleans é só jazz, dá uma aula no passeio que dura cerca de três horas, e passa por diversas regiões que foram afetadas pelo furacão, a maioria reconstruída, mas com histórias interessantes sobre a tragédia. “A região do Cassino ficou ilesa”, ela conta em certo momento. “A polícia se transferiu pra lá. Consta que não houve trapaças durante esse tempo”, sarreia.
80% da cidade de New Orleans ficou submersa. “Eu e minha família fomos para Jackson, no Mississippi, e mesmo lá sentimos os efeitos do furacão”, conta Carol. “Quando voltei, 21 dias depois, a única coisa que se ouvia era silêncio. Não havia pássaros nem bichos. Só silêncio”. Carol foi uma das centenas de milhares de pessoas que atendeu o chamado de evacuação proposto pelo governo federal, que avisou: “Quem ficar será por sua própria conta e risco”.

São quase oito anos desde o furacão, e o tour, que já foi citado pelo New York Times, é interessante para observar a maneira com a cidade se reconstruiu. “A Prefeitura ofereceu 150 mil dólares para cada morador que quisesse reconstruir sua casa”, ela explica. “Quem quisesse se mudar poderia doar o terreno para uma instituição”. Nas áreas mais afetadas é possível ver dezenas de novas casas assim como dezenas de lotes vazios aguardando novos compradores. Muitos moradores, como o da foto acima, decidiram elevar suas antigas casas a uma altura inalcançável por uma futura tempestade.
Ao passar por uma região de classe média alta, Carol explica: “Gosto de passar por aqui porque muita gente acredita que só as áreas pobres foram afetadas, mas não, para o furacão todos são iguais”, completa com ar de sarcasmo. As histórias se multiplicam conforme o ônibus segue: “O que vocês fariam com essa casa?”, ela pergunta ao mostrar um imóvel condenado. “Aqui moravam um casal de velhinhos. Eles conseguiram o dinheiro para reconstruir a casa e contrataram uma pessoa para fazer isso, mas essa pessoa fugiu com a grana”, conta, completando que o marido morreu logo depois, mas a senhora ainda vive ali. “Eles não foram os únicos a serem enganados”, ela conta.

Em certo momento, o tour passa pela casa de Fats Domino. “Ele se recusou a deixar a casa”, ela conta. “E a água levou tudo: discos de ouro, memorabilia, seu piano. Ele se mudou depois, mas fez questão de reformar a casa e mantê-la aqui”. Entre os destaques da região estão as novas casas feitas com a ajuda de gente com o pianista Ellis Marsallis Jr. (pai dos também jazzistas Brandford e Wynton), o dono das Barnes & Nobles e Brad Pitt, cujo projeto Make it Right permitiu a construção e doação de 90 casas futuristas (desenhadas por Frank Gehry) na região.
Ainda assim, com ajuda da prefeitura e de pessoas famosas, uma questão vem à cabeça: como as pessoas continuam morando aqui? O que faz alguém continuar vivendo em uma área de risco? Freud deve explicar, mas acredito que temos ligação com algumas cidades que coisa nenhuma consegue desafiar. Me lembro menino, numa cidade do interior, sonhando em voltar a morar em São Paulo (também uma cidade de risco por vários outros motivos), e hoje, cidade paulistano, me pego emocionado toda vez que o avião sobrevoa a cidade e aqueles milhões de luzes infinitas mostram que estou em casa.

Talvez seja essa força que mantenha as pessoas aqui, e é impossível não pensar no quanto o mundo iria perder sem New Orleans. Ou, como diz a camiseta do atendente de um bar: “Os EUA tem apenas três cidades: Nova York, São Francisco e Nova Orléans. Todas as demais são Cleveland”. Fato é que, pela primeira vez na vida, me arrependi dos meus 40 e tantos anos. Eu queria ter 20 anos, virar madrugadas aqui todos os dias e passar um tempo ouvindo música boa e vivendo enquanto fosse possível viver.
Se você ama música (tocando ou ouvindo) recomendo de peito aberto uma visita a New Orleans. Desde um passeio básico na turística Bourbon Street (estique até a Skully’z Recordz, lojinha bacana de vinis e CDs no número 907) até uma ou várias noitadas na Frenchmen Street, onde os melhores bares de jazz da região estão instalados: The Maple Leaf, Snug Harbor, DBA e outros. Ainda há chance de beber uma cerveja no Royal Street Inn, bar de Greg Dulli, do Afghan Whigs (do ladinho da Frenchmen Street) – se quiser dormir por lá, tem umas suítes.

Quem acompanhou o meu tour anterior pelos Estados Unidos, em 2011, deve se lembrar de que fui (e sou) bastante critico ao “american way of life” (principalmente em comparação com a Europa), mas New Orleans tem pouca coisa a ver com aqueles Estados Unidos. Isso talvez se deva um pouco a colonização francesa (1718 a 1762) e espanhola (1762 a 1803), e outro tanto pela proximidade do Golfo do México e dos países da América Central, o que influenciou não só a culinária (creole e cajun) e a bebida, mas como também a música. Como não se cansa de repetir Lili, essa cidade é um “caldeirão de influências”.
Antes do furacão, que matou mais de 1500 pessoas em toda a Louisiana, New Orleans tinha mais de 500 mil habitantes. O censo seguinte ao Katrina contabilizou 223 mil pessoas na cidade. Atualmente, a população da cidade voltou a crescer e já passa das 350 mil pessoas. Se eu tivesse grana, quem sabe, afinal, uma casa pré-fabricada custa cerca de 75 mil dólares, mas ainda preciso me preocupar com a fatura do cartão de crédito e com a conta bancaria no vermelho. Ainda assim, uma coisa é certa: tenho mais dois dias em New Orleans, mas espero voltar pra cá o mais rápido possível assim que sair daqui.

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maio 3, 2013 Encha o copo
EUA 2013: A encantadora New Orleans

Dia absurdamente cansativo. Acordamos às 5h45 em Memphis para fechar as malas, fazer check-out e partir de carro para New Orleans, mais de 600 e tantos quilômetros (pra você ter uma ideia, nas seis horas e meia de viagem atravessamos o Estado do Mississipi inteiro) de reta e mais reta. Ao menos agora já posso falar da experiência de viajar de carro por três Estados norte-americanos: é chato. A estrada não muda e a paisagem, bonita pela presença de muito verde, acaba tornando-se excessivamente bucólica. Sorte que tivemos quase 50 minutos de uma ponte semelhante a Rio/Niterói, mas sobre o mangue que separa(va) New Orleans da civilização.

O cansaço tomou conta de tal forma que decidimos abrir mão do primeiro dia da segunda semana do No Jazz, em que o destaque principal seria Patti Smith. Optamos por um descanso rápido, e depois uma esticada na Bourbon Street, a Rua Augusta deles, mas com muito jazz (enquanto nós temos indies e emos) e suingue, partimos para a Frenchmen Street, ruas com dezenas de pubs com uma programação de jazz para deixar maluco quem ama o estilo. Optamos por jantar no Snug Harbor, da família Marsalis, um pub que em sua parte de cima promove shows intimistas (hoje era show do Dr. Lonnie Smith, amanhã tem Ellis Marsalis Quartet, depois Allen Tousaint e Terence Blanchard). Simplesmente foda.

Nesta sexta também deixaremos o No Jazz passar por nós, mas a ideia é dormir bem, recuperar as forças da viagem (e do cansaço de andar tanto pra lá e pra cá) e encarar uma noitada de jazz. O passeio deste primeiro dia na cidade foi encantador a ponto de New Orleans tomar o posto de Chicago como cidade preferida número 1 dos Estados Unidos. Um trio de jazz com uma senhora soltando a voz no meio da rua quase colocou as emoções para fora na forma de lágrimas, e a comida, ótima, só faz aumentar a empatia por essa cidade, que é um choque imenso de culturas (musicais, gastronômicas e o que você mais quiser). New Orleans tem apenas 350 mil habitantes, e ainda assim é a cidade mais populosa do Louisiana. E uma das cidades mais interessantes dos Estados Unidos.

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maio 3, 2013 Encha o copo
Escreverei com calma depois, mas…

Vamos acordar às 5h30 da manhã para pegar a estrada de carro para ir a New Orleans, então nada de textos longos hoje, mas algumas coisinhas que é melhor dizer antes de esquecer…
– Esqueça Elvis em Memphis, esqueça. O passeio obrigatório na cidade é o National Civil Rights Museum, um peso sobre os ombros para carregar pelas escadas do Lorraine Motel, que levam ao quarto em que Martin Luther King Jr. foi assassinado. Há uma parte CSI no museu que diz muito sobre os Estados Unidos (a loucura pelo traçado do crime), mas a força deste momento cristalizado no tempo/espaço é intensa, comovente e necessária. Simplesmente foda. Um dos lugares mais emblemáticos em que já estive.
– O Museu da Stax é muito, mas muito bacana. Vale demais a visita. Derramei lágrimas ouvindo Otis Redding cantar “Try a Little Tenderness”. E comprei um vinil do Booker T. & the M.G.’s…
– Dois gastropubs que recomendo, os dois na Main Street: South of Beale (SOB), no número 361 (logo após a Beale Street e uma quadra e meia antes do National Civil Rights Museum) e o Local Gastro Pub, número 95 da Main Street. Os dois são ótimos para comer e com cervejas muito boas no cardápio. Mas o pub número 1 da cidade é o Flying Saucer Draught Emporium, na 130 Peabody Pl. Se você for lá recomendo pegar um dos tours de cerveja que custam 10 dólares (especialmente o de cervejas locais).
– Fiquei no Holiday Inn Medical Center Midtown, e gostei muito. Se você for alugar carro tem a vantagem de não pagar pelo estacionamento ali. Se quiser ir pra Downtown, tem ponto de ônibus na frente e de tróleis na rua de trás (Madison). Se quiser ir ver Elvis de busão, o número 43 irá te levar e te deixar em frente a Graceland.

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maio 2, 2013 Encha o copo
Um poster do Big Star
maio 1, 2013 Encha o copo
EUA 2013: Feliz em Memphis

Chegamos a Memphis na segunda-feira, e a cidade pareceu logo de cara mais real. Na verdade, Lili matou a charada logo assim que começamos a caminhar pelas ruas de Nashville: “Ela parece uma cidade cenográfica”. E parece mesmo. As coisas devem funcionar em Nashville como na Galeria do Rock, como diz um amigo: você entra normal pela Rua 24 de Maio e sai na Avenida São João roqueiro com piercing, tatuagem, All Star, jaqueta de couro, calça surrada e o escambau. Em Nashville, basta entrar em algumas lojas da Broadway para se transformar em um autêntico fã de country. Em Memphis, no entanto, a coisa parece diferente.

Para começar, blues e rock são muito mais interessantes que o country de boutique que é praticado por gente que ser o novo Garth Brooks ou a nova Taylor Swift. Mas, além disso, o clima na cidade que viu Martin Luther King Jr. ser assassinado é, inevitavelmente, pesado (e assistir ao episódio de Mad Men desta semana antes de ir ao Museu dos Direitos Civis não poderia ter sido mais perfeito para nos colocar no clima). Além, Lili acha uma tremenda injustiça ver o povo que criou tudo que conhecemos em termos de r&b e rock and roll tocar por uns trocados na Beale Street enquanto os plagiadores estão por ai garfando milhões.

No entanto, essa é América. Ok, estou olhando o lado do copo meio vazio, eu sei, mas estou gostando tanto das pessoas nesta viagem que é complicado aceitar a forma com que o país mais rico do mundo trata seus filhos com base em uma igualdade que não funciona. Primeira emenda? Sei. A crise que atinge Donald Trump não é a mesma que atinge uma pessoa de classe média baixa. Muito menos as oportunidades. Porém, como disse uma senhora num ponto de ônibus assim que falamos que o Brasil era um país ótimo, mas cheio de problemas: “A América também tem muitos problemas”.

Sentir a América viva em Memphis já me fez admirar a cidade, que também tem seus momentos de cidade fantasma. Você já ouviu isso 10 mil vezes, e agora irá ouvir mais uma: sem carro, a vida por aqui é bem mais complicada. Os quatro pneus são uma extensão do ser-humano por estes lados, e basta alguns dias para perceber porque o Oriente Médio é o tendão de Aquiles dos presidentes norte-americanos: se faltar ouro negro esse país para. E são só as pessoas mais comuns, os homeless e turistas, como eu, que tem tanta vontade de tirar carteira de motorista quanto de tirar um dente, que andam de transporte público.

Memphis tem Bondinhos que fazem o trajeto central, e uma linha que se estende até um pouco além da Rodovia, mas esta longe da periferia. Pra lá e pra Graceland, se você não tiver carro, ou alugar um, só ônibus ou morrer uma grana com taxi. Optamos em encarar o busão num trajeto de meia hora, e fomos os únicos dois turistas daquele ônibus lotado a descer na mansão que foi de Elvis Aaron Presley – e olha que o complexo, hoje museu e um pequeno shopping de bugigangas relacionadas ao mito, estava completamente lotado por vovôs e vovós que deviam ter 15 anos quando Elvis cravou “Heartbreak Hotel” nas paradas.

Graceland, a residência oficial de Elvis em Memphis, é bem menor do que a expectativa supõe. E tão brega quanto você pode imaginar (no estilo “dê um monte de dinheiro para uma pessoa, e observe o mau-gosto tomando forma”). Ok, não é tãooo assim, só um pouco. A mansão tem espelhos para todo canto fortalecendo a ideia de que ídolos precisam constantemente se olhar no espelho para reafirmar poder (Freud deve explicar), algumas salas com cortinas no teto, objetos africanos, carpete na cozinha e muito mais. Mas tem também um corredor com discos de ouro para deixar Jay-Z (que escreveu “10 número 1 em seguida, quem pode ser melhor do que eu? Só os Beatles. Eu esmago Elvis Presley em seu sapato de camurça azul”) corado.

A casa não é tão grande, mas a propriedade é imensa e abriga outras exposições como uma que exibe os carrões de Elvis e seus dois aviões e outra com os filmes do ex-caminhoneiro. Além da sala de discos de ouro, outro destaque é a sala que exibe as roupas da fase Elvis Gordo e mais discos de ouro (referentes à venda dos álbuns do Rei em CD e cassete) e o trecho final, com o túmulo da família – embora teorias conspiratórias insistam que Elvis vive na Argentina, vê jogos do Boca Júniors e come parrilada semana sim, semana não. No gift shop há desde compactos 7 polegadas por 5 dólares até reedições lindas em CD de cada álbum. Ainda assim, deixei o local de mãos abanando (felizmente! A conta agradece).

Antes disso, na manhã, batemos ponto no mítico Sun Studio, e ali, confesso, não teve como segurar as lágrimas. Quando, após descobrir algumas curiosidades no salão superior (como a história do The Prisonaires, quinteto que gravou um hit pelo selo em 1953 – numa história bastante semelhante a do filme dos Irmãos Coen “E Ai Meu Irmão, Cade Você?”: eles gravaram algemados, com bolas de chumbo presas aos pés e acompanhados por policiais do Estado), a guia (de cabelo azul) dirige os turistas para a sala de gravação que ecoou Elvis cantando “That’s All Right”, Johnny Cash tinindo com “Cry, Cry, Cry”, “Folsom Prison Blues” e “Walk The Line”, Jerry Lee Lewis quebrando tudo com “Great Balls of Fire”, a emoção toma conta.

Ainda temos mais um dia para admirar Memphis, mas a cidade já nos conquistou, embora nos assuste. Diferente do parque de diversões sertanejas que é Nashville, Memphis te olha nos olhos e quer resposta. Acredito que New Orleans também deva ser assim, mas estou feliz de estar numa das cidades que foram berços do rock and roll, um estilo de música grisalho, como as centenas de pessoas que fazem esse mesmo roteiro turístico que estou fazendo, e que também deve ter mudado a vida delas como mudou a minha. Se eu devo alguma coisa à música (e devo muito), Memphis era um lugar que eu precisava realmente conhecer. E não há como escrever isso sem estampar um sorriso por estar aqui.

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maio 1, 2013 Encha o copo
EUA 2013: Em Memphis, Tennessee

Olhando o por-do-sol no Mississipi…
abril 30, 2013 Encha o copo
EUA 2013: Quatro refrigerantes em Nashville

The Wizard of Oz Cherry Cola

Zombie Brain Juice

Bacon Soda

Cream My People
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abril 29, 2013 Encha o copo
EUA 2013: Algumas coisas sobre Nashville

– Fiquei no Nashville Downtown Hostel, dica especialíssima do Tiago Agostini. É um hostel bom, sem luxo, mas ok. Tem quartos para casal, mas os banheiros são compartilhados. No entanto, o melhor: na esquina há um pub (Riverfront Tavern) com cerveja boa e comida enlatada (pizza Sadia e suco de caixinha), do lado há outro pub com mais de 150 cervejas e, do lado, na esquina da Second Avenue com a Church Street, um Hooters. Quase do lado do Hooters há uma churrascaria brasileira…
– Ainda assim, o melhor local ao lado do hostel foi, disparado, a filial do Rocket Fizz Soda Pop and Candy Shops (201 2nd Ave N, Nashville). Centenas de refrigerantes sensacionais, incluindo esse Bacon Soda (que tem gosto de baunilha com… areia. Aprovado)…
– Se você for ao Country Music Hall of Fame Museum não esqueça de pegar o passeio pelo Studio B. Vale.
– Se você fazer o Tour Ryman, não esqueça de agendar o tour pelos camarins.
– Antes de ir a Third Man Records, de uma passada na Grimey’s New & Preloved Music (1604 8th Ave S Nashville), dica imperdível do Paulo Terron. Muita coisa da TMR está mais em conta aqui. Além das oooutras coisas da loja. Ela é, muito provavelmente, a melhor loja de vinis e CDs deste lado cá da América.
– Vá ao Blackstone Restaurant & Brewery. Ótima comida (falo pelo Fish & Chips e pelo Cajun Pasta, mas você pode conferir os cardápios aqui e aqui) e ótima cerveja. Peça o sampler com as seis cervejas da casa. E entra na fila para paquerar a hostess.
– Sorvete no Mike’s, na Broadway.
– Café da manhã 417 Union Street. O nome é esse mesmo. Decorado com fotos de combatentes, o café traz um cardápio de café da manhã excelente.

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abril 29, 2013 Encha o copo
Três vídeos: Band of Horses no Ryman
abril 29, 2013 Encha o copo
EUA 2013: Ryman, Blackstone e Grimey’s

Tudo indicava que o domingão em Nashville seria mais um dia nublado e com pancadas ocasionais de chuva, mas logo de manhã fizemos um pedido encarecido à Obama, e ele nos atendeu: o sol saiu lindo e quente nos fazendo carregar os casacos pelas longas caminhadas. E coloca longa nisso, mas tudo bem, estamos queimando as calorias do episódio Super Size Me que estamos encenando. Vale tudo (até pedalar por cerveja!).

Após um café básico no Starbucks com bolo de abóbora (ótimo), ainda na parte fria do dia, descemos para o tour pelo Ryman Auditorium (anteriormente conhecido como Grand Ole Opry House e Union Gospel Tabernacle, e hoje apelidado de The Mother Church of Country Music), que tinha tudo para se tornar um dos melhores lugares em que já assisti a um show na vida. E, curioso, os dois melhores lugares, Ryman e Paradiso, em Amsterdã, eram duas ex-igrejas…

O tour pelo Ryman Auditorium é básico, mas muito interessante. Neste dia, pela presença do Band of Horses na casa, a visita aos camarins estava proibida (“Vem amanhã”, orientou um dos diversos senhores grisalhos que trabalha na casa), mas só o tour pelo espaço frontal já fez sentir a força do lugar. Inaugurado como casa de sermões gospel em 1891, o Ryman foi utilizado entre 1943 e 1974 para gravação do programa Grand Ole Opry, que disseminou a música country pelo país.

Após a Grand Ole Opry criar um parque temático fora da área central de Nashville e deixar o Ryman, o prédio passou 18 anos abandonado. Em 1994, após uma série de shows de Emmylou Harris, o local começou a ser recuperado até ser restaurando e aberto ao público como museu e casa de shows. Foi aqui que Neil Young gravou seu DVD “Heart of Gold”, em 2005, e a lista de cartazes serigrafados e autografados pelos artistas no saguão superior faz o queixo cair várias vezes (confira alguns aqui).

Após o tour, uma visita ao ótimo Blackstone Restaurant & Brewery para almoçar e experimentar as seis cervejas da casa (minha preferida foi a American Pale Ale, mas as premiadas Nut Brown Ale e Chaser Pale entram no páreo pela briga do primeiro lugar) e, depois, uma esticada até o Grimey’s New & Preloved Music, lojinha bacana (grande dica do Paulo Terron) repleta de vinis em bons preços e lançamentos de deixar as mãos coçando e a conta no vermelho. Peguei alguns vinis lá.

Curiosidades: na ida, caminhando sozinho pela 8ª avenida debaixo de um sol de meu Deus, um senhor parou o carro e me ofereceu carona. Estávamos no 1100 e a loja ficava no 1604. Papo básico de desconhecidos em qualquer lugar do mundo: “Vem chuva ai”, ele disse. Na volta, com uma penca de vinis debaixo do braço, decidi esperar um ônibus, que passou cerca de 50 minutos depois. Coloquei um dólar, completei com 60 cents de uma ficha que eu tinha e, na falta de 10 cents, a própria motorista sacou sua carteirinha de moedas, e completou minha viagem. : D

Após uma passada rápida no hotel para um descanso, bora pro show do Band of Horses. Cambistas superlotavam a porta, e pela muvuca dentro da casa ninguém morreu com ingressos na mão. Mais de 2.200 pessoas lotaram o Ryman para ver a segunda noite dos caipiras na casa. O show começo bonito, acústico, com Ben Bridwell sozinho ao violão tocando (e errando) uma canção, mas “No One’s Gonna Love You”, na sequencia, colocou as coisas no lugar. A banda foi entrando aos poucos, mas se reduziu a um trio vocal e piano na emocional versão de “Neighbor”, faixa que encerra “Infinite Arms”, de 2010.

Após cerca de nove músicas acústicas e 15 minutos de intervalo, aquela banda calminha agora estava deixando todo mundo surdo no Ryman com um som potente e cristalino berrando nas caixas de som. Tanto que bastou a primeira pancada na bateria para toda audiência se levantar, e permanecer em pé durante todo o restante da apresentação. “Funeral”, que surgiu no set acústico, retornou elétrica para encerrar um grande show que teve números como “The First Song” e “Knock Knock” cantadas em coro. No bis, o ponto final foi uma versão de “Am I a Good Man”, do Them.

Após o show, com a fome pedindo atenção, ainda deu tempo de conhecer o Hooters (pub com meninas de blusinhas decotadas e shorts) a título de experiência. Não tinha como não se lembrar de Jerry Seinfeld explicando que olhar diretamente para um decote de uma mulher é como olhar para o sol: você precisa virar o rosto na hora. É estranho (assim como o topless é estranho), mas não é ruim. É só… infantil. Mas a ruivinha Red Hook Audible Ale, de Seattle, desceu tinindo e trincando. Hora de dormir. Amanhã (ou melhor, hoje!), Memphis.

Ps. O grande show do dia, na verdade, foi esse abaixo. Na esquina da Broadway com a Second Avenue, o bando de caipiras do Free Dirt mandava ver um hillbilly de altíssima qualidade em instrumentos improvisados (olha só o “baixo”). Preste atenção também na moça bancando castanholas com garfo e colher! Foda!
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abril 29, 2013 Encha o copo


