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Nashville está em débito com Dylan

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Sábado em Nashville. Você vai, faz planos, se arruma direitinho, pega sua câmera e quando chega à porta do hostel está ventando muito e despencando um tremendo toró. Mas poderia ser pior: imagine se você estivesse participando da maratona que aconteceu neste sábado de manhã na cidade… O máximo que conseguimos fazer foi chegar ao Riverfront Tavern, pub do lado do hostel, onde pretendíamos tomar café da manhã, que foi trocado por tacos apimentados para Lili e uma pizza (estilo Sadia) de peperoni para mim. Ainda assim, valeu: o pint de Turtle Anarcky Rye IPA, de Franklin, Tennessee, é sensacional.

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Após comprarmos um guarda-chuva e alguns posters de época numa lojinha bacana da Broadway, nos encaminhamos para o Country Music Hall of Fame Museum. O passeio normal sai por US$ 24, mas recomendo o de US$ 35, que inclui um tour especial pelo Studio B, da RCA, que é fora do complexo do museu. Responsável por criar o “som de Nashville”, o Studio B registrou mais de 35 mil canções, sendo que mil delas foram grandes hits nos Estados Unidos, e muitas delas, sucessos mundiais. Elvis Presley gravou 200 canções neste estúdio, que hoje é utilizado por alunos em aprendizagem de técnicas básicas de gravação analógica.

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Debbie, a senhora simpática que foi nossa guia, contou animadamente dúzias de histórias sobre o Studio – e, em conseguinte, sobre Nashville. Já na antessala do estúdio, ao lado de posters de artistas que gravaram na casa, Debbie mostra alguns hits produzidos no Studio B, e a voz emocional de Roy Orbinson rompe o silêncio cantando “Crying”. Seguem-se Don Gilson (“Oh Lonesome Me”), Dolly Parton (“I Will Always Love You”, mas poderia ter sido “Jolene”, também gravada aqui) e The Everly Brother (“All I Have to Do Is Dream”), com o grupo de turistas acompanhando o vocal da canção. Bonito.

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Na sequencia entramos no estúdio, que ainda mantém a mesma configuração de época, e exibindo o piano preferido de Elvis Presley (que gravou muitas canções gospel aqui). Mais uma sessão de canções em alto e bom som, com Debbie fechando os olhos e acompanhando emocionada o registro feito na metade do século passado neste mesmo estúdio. Quem teme fantasmas pode até se assustar, afinal, soa estranho ouvir pessoas cantando canções no mesmo lugar em que elas foram gravadas pela primeira vez, mas 40 e tantos anos atrás, mas o momento traz certa dose de lirismo, e o passeio, apesar de simples, vale a pena.

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De volta ao Country Music Hall of Fame Museum, um passeio pelo desconhecido. Criado em 2001, o museu é uma aula que nos coloca frente a frente com centenas de artistas que nunca ouvimos falar – no Brasil. Claro, os mais famosos estão lá, gente como Hank Williams, Dolly Parton, Johnny Cash, Patsy Cline, Merle Haggard e Willie Nelson marcam presença em trajes doados, violões e imagens de época. Elvis Presley também marca presença com seu imenso Cadillac e seu piano de ouro, mas gostei mesmo de ver os sapatos de camurça azuis, de Carl Perkins, e a roupa bordada de Gram Parsons.

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O que nos deixou encucados, no entanto, é a forma como o museu em particular, e a cidade como um todo, ignora Bob Dylan, o maior artista norte-americano vivo (grifo meu). Ok, Dylan sempre foi mais folk que country (embora podemos discutir sobre Elvis), mas tem lá seus flertes com o estilo além de ter gravado na cidade um álbum fundamental, “Blonde on Blonde” (1966), e os outros dois seguintes: “John Wesley Harding” (1967) e “Nashville Skyline” (1969), este último o único disco de Dylan encontrado nas lojas da cidade (em CD e vinil). Talvez seja difícil lutar contra a força dos mortos, mas Nashville está em grande débito com Bob.

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Já é domingo no Tennessee, e esse é nosso último dia em Nashville. Inicialmente eu iria tentar esticar até Lynchburg para conhecer a velha destilaria de Jack Daniels, há cerca de uma hora e meia daqui, mas vai ficar para a próxima. Nos planos atuais estão uma visita a um brewpub muito bem recomendado pelo Ratebeer além de uma conferida numa loja de discos recomendada por amigos. Isso sem contar o tour pelo mítico Ryman Auditorium, e o show do Band of Horses que iremos assistir lá mesmo no começo da noite. Isso tudo, claro, se não estiver ventando e chovendo muito…

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Leia mais: Diário de Viagem Estados Unidos 2013 (aqui)

abril 27, 2013   1 Brinde

EUA 2013: Quatro cervejas em Nashville

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1) Turtle Anarcky Rye IPA, de Franklin, Tennessee

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2) Rock Bottom Speacility Dark, de Nashville, Tennessee *

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3) Shock Top Belgian White, de St Louis, Missouri

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4) May Day ‘Boro Blond, de Murfreesboro, Tennessee

Ps. A Rock Bottom tem mais de 30 pubs espalhados pelo país, e cada um produz a cerveja que é consumida na casa.

abril 27, 2013   Encha o copo

Dia 1: na capital da música country

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“Parece uma cidade cenográfica”, diz Lili assim que descemos a Second Avenue em direção a Broadway. São pouco mais de 10h de sexta-feira, acabamos de chegar de viagem e nosso check-in só será liberado às 13h. A arquitetura com resquícios de Velho Oeste, mas muito bem cuidada, e a praticamente não existência de pessoas na rua faz com Nashville pareça uma cidade fantasma, mas ali pelas 11 e pouco da manhã já começam a soar, em alguns dos diversos pubs do centro, a batida country que é marca registrada  da cidade (e movimenta seu turismo), deixando a certeza: Nashville é uma cidade noturna, e acorda tarde.

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Fundada em 1779, Nashville mudou seu rumo na história quando, em 1927, uma emissora de rádio tirou o programa diário que tinha sobre ópera colocando no lugar algo mais popular, uma música então chamada de Barn Dance, que nada mais é do que a música country, estilo facilmente identificável na cidade, seja na voz das garotas que lotam as calçadas sonhando em ser a próxima Taylor Swift, seja nas dezenas de lojas de botas de couro ou nas imagens de velhos ícones como Elvis Presley e Johnny Cash.

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Impressionantemente bem cuidado, o centro da cidade reflete a renovação urbana e econômica proposta nos anos 90 pelo então prefeito (e depois governador) Phil Bredesen. É ele o responsável pela construção do Country Music Hall of Fame and Museum (de desenho piegas em forma de piano, cujo “anexo”, em forma de violão, é quase três vezes maior que ele e deve ser inaugurado em 2014), da Nashville Public Library e da enorme Bridgestone Arena (que no próximo dia 03 de maio receberá Black Keys e Flaming Lips em show conjunto).

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Após nos entregarmos aos prazeres das sodas (há uma loja sensacional de refrigerantes na esquina do hostel), decidimos enrolar no Hard Rock Café (“Eu devo isso para aquela Lili de 13 anos”, justifica ela). Logo em frente há um Rock Bottom, uns dos pubs mais bacanas que conheci na viagem anterior (e que irei bater ponto novamente logo logo), e a movimentada Broadway Avenue ainda traz, em suas esquinas, um Johnny Cash Museum (esqueceram do museu e só trouxeram o gift shop) e uma sensacional loja de doces especializada em… maçã caramelada.

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Após fazer o check in e tentar colocar o sono levemente em dia por cerca de duas horas, partimos para o primeiro destino turistico da cidade: a Third Man Records, a loja que Jack White abriu em Nashville em 2009, e vende compactos e vinis de sua gravadora além de farto material de badulaques. Menos de 20 minutos caminhando e cá estamos em frente a um prédio nas cores preta, vermelha e amarela. É preciso tocar a campainha para que Jenna, uma ruiva de meias arrastão e muita simpatia, abra a porta. A loja é pequena, mas seus dois ambientes são impecavelmente decorados, e é possível deixar uma boa grana aqui!

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Consigo resistir a comprar a vitrolinha portátil do selo (US$ 160 dólares – acho que encontro uma melhor e mais em conta em Nova York), e fico frustrado ao saber que a cabine individual para gravar compactos não está disponível, mas enquanto rola o vinil branco de “Elephant”, do White Stripes, no som, separo camisetas, um vinil de uma session do Cold War Kids nos estúdios da Third Man (US$ 15), um single do Raconteurs e namoro o exemplar em vinil azul transparente do disco ao vivo recente que Jack White prensou para os sócios do fã clube da loja, que não está à venda.

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Num corredor todo vermelho há discos de ouro do White Stripes na parede (namoro também o box “Under Great White Northern Lights”, que está US$ 175 enquanto tento entender um “revolucionário” novo toca discos da casa – veja aqui). O registro de um show de Jerry Lee Lewis na frente da loja custa US$ 16 em CD e US$ 15 em vinil, e uma estampa de camiseta à venda no mostruário avisa: “Vinyl Is Killing the MP3 Industry”. Cerca de seis pessoas superlotam a lojinha, e duas mulheres conversam com Jenna: “Como é o Jack White?”, elas querem saber. “Amazing”, responde a vendedora.

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É fim de tarde e começa a garoar insistentemente. Decidimos nos recolher para aguardar o horário do show que Cory Chisel and the Wandering Sons. O local é o Mercy Lounge, um prédio com dois palcos e vários bares temáticos. Quem toca hoje no palco maior, The Cannery Ballroom, com ingressos sold out é o The Weeks, banda de southern rock de Jackson, Mississipi. Cory Chisel irá se apresentar no palco menor, The High Watt, e pouco mais de 100 pessoas (com média de idade de 30 anos) estão no local bebendo Brooklyn Lager e Fatwire Amber Ale (US$ 4,50 a lata, preço de balada). O local lembra o Studio SP, apesar do palco estar (corretamente) no fundo da casa, e não no meio, e da infra e som serem muito melhores.

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Um trio comandado por Derek Hoke abre a noite repetindo de forma competente algo que Elvis fez em 1957 (ainda assim, a boa cover de “Houses of The Holy”, do Led, merece registro). Cory Chisel é figurinha fácil por ali. Conversa com todo mundo, fica na lojinha (que, na verdade, é uma mala com vinis, CDs e camisetas – US$ 15 os vinis, US$ 10 os CDs) e bebe as três primeiras doses de uísque Jameson da noite. De repente, Brendan Benson aparece e se porta como “gente como a gente”. Conversa a animadamente com amigos, abraça Cory Chisel e assiste ao show sossegadamente do nosso lado.

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No palco, as canções de “Old Believers” causam alvoroço (antes deste há outros cinco álbuns – desde 2004), e o suporte da loirinha Adriel Harris (a Laura Lavieri dele) se destaca. No momento mais inusitado da noite, Cory diz que irá tocar uma canção em homenagem ao cara que estampa a porta do banheiro masculino da casa (no feminino está Debbie Harry), o que parece deixar uma interrogação na testa de alguns, que por fim pedem um cover de Bruce Springsteen. Cory bate o pé e manda uma boa versão de “Guns of Brixton”, do Clash. “I’ve Been Accused”, “Born Again” e um reggae safado (“Brendan me disse que eu nunca mais voltaria o mesmo de lá: não sei se ele estava dizendo da Jamaica ou de Nashville”, brincou) renderam alguns dos grandes momentos da noite.

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Na saída, a chuva aperta, mas o Mercy Lounge fica numa bocadinha e de difícil aceso. Decidimos arriscar até a avenida, e conseguimos arranjar um taxi. O motorista nos pergunta de onde somos e assim que digo que somos do Brasil, ele emenda: “Nas últimas três horas peguei um cara de Israel e depois um da Finlândia. E agora vocês do Brasil. Neste taxi!”, se surpreende. Não há melhor maneira de dizer que Nashville é uma cidade turística, não é mesmo.

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Leia mais: Diário de Viagem Estados Unidos 2013 (aqui)

abril 27, 2013   1 Brinde

EUA 2013: Em Nashville…

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Cá estamos na capital do country. Viagem muito boa de São Paulo para Atlanta, e serviço de imigração super rápido (Castillo, o policial tatuado e com cara de poucos amigos, só perguntou destino, quanto dinheiro tínhamos em cash e quando voltaríamos, e bye bye). O voo de Atlanta para Nashville também foi numa paz e a vida segue. Já demos uma boa volta no centro da cidade (a Broadway Street é muito legal), e era quase 11 da manhã quando os violões começaram a ecoar nos pubs. O fim de semana promete…

abril 26, 2013   Encha o copo

Trilogia das Cores, de Kieslowski

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Escrevi este texto em 1998, e deve ter sido um dos primeiros textos sobre cinema que publiquei, ainda na terceira edição da versão on paper do fanzine Scream & Yell. Eu havia rabiscado algumas coisas antes, e publicado aqui e ali (havia um site em Taubaté na segunda metade dos anos 90 que aceitava colaborações, mas guardei pouca coisa do que publiquei lá). Logo que o Scream & Yell veio para a internet, em 2000, puxei ele do jeito que estava na versão em papel, e republiquei. Ontem à noite, vasculhando vídeos do Youtube, encontrei os três filmes na integra e legendados (assista abaixo), e resolvi recuperar o texto (do jeito que escrevi 15 anos atrás – com direito a erros, vícios, inocência, desconhecimento e utopias).

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Importante dizer: a “Trilogia das Cores”, de Krzystof Kieslowski, é bastante acessível em DVD. Primeiramente saiu uma edição caprichadíssima da Versátil em 2006, com um box contendo os três filmes e extras interessantíssimos (como o quarto vídeo deste post). Questão de dois ou três anos depois, os três filmes apareceram em edições mais simples (e mais em conta) via Spectra Nova, e você pode encontrar as duas edições em sites como Submarino e Mercado Livre (com preços entre R$ 10 e R$ 15 cada DVD no relançamento da Spectra, e R$ 30 e R$ 40 no da Versátil). Ainda que você opte por vê-los nos links abaixo, recomendo fortemente ter os DVDs em casa, pois estes três filmes são obras primas que merecem serem vistas e revistas. Sempre.

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Trilogia das Cores, de Krzystof Kieslowski
por Marcelo Costa
1998/1999

Talvez você, assim como muita gente, não goste do cinema europeu por achá-lo chato demais. E, na maioria das vezes, é chato mesmo. Mas, se toda regra tem uma exceção, Krzystof Kieslowski, cineasta polonês, é a exceção desse caso. Kieslowski filmou um total de 23 filmes, dentre os quais se destacam “Amator” (1979) – que conta a história de um cineasta abandonado pela mulher – e o “Decálogo” (1988 – feito para tv), dividido em dez partes contando cada uma, um mandamento bíblico. O destaque é o sexto mandamento, “Não Amarás”, que conta a história de um jovem (”Entre o amor platônico e a violência do desejo”, conforme anuncia o cartaz) que corta os pulsos ao ser rejeitado por uma mulher mais velha.

Mas sua obra-prima ainda estava por vir. Morando em Paris e desiludido com a política, Krzystof resolveu filmar as dores do mundo. A Trilogia das Cores, inspirada nas cores da bandeira francesa, e em seus significados, é um dos momentos mais poéticos do cinema nessa década.

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“Bleu, A Liberdade é Azul” (1993) é o primeiro e é um drama. Julie (a bela Juliette Binoche de “O Paciente Inglês”) perde o marido (famoso compositor) e a filha pequena em um acidente de carro. Tenta se matar, mas não consegue, pois se acha fraca até para fazer isso. Fica só. Livre. E ser livre é, muitas vezes, difícil. Um flautista de rua lhe diz que é preciso se agarrar a algo, mas ela já não quer mais nada, pois bens, recordações, amigos, vínculos são tudo armadilha. Gostaria mesmo é de pular no espaço, no céu azul, mas no fundo sabe que não se pode renunciar a tudo. Kieslowski transforma dor em sublimação. “Bleu” é um filme silencioso, mas todos os sentimentos são para qualquer um tocar. Cada um é livre para fazer o que quiser embora a liberdade maior seja estar vivo. A fotografia é linda e a trilha sonora, do inseparável Zbigniew Preisner, sinfônica e imponente.

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“Blanc, A Igualdade é Branca” (1993) é o segundo e o mais perto que Kieslowski chega de uma comédia. Para Karol Karol (Zbigniew Zamachowski), estar vivo não é nada fácil. Polonês de Varsóvia, ela vai à Paris e é humilhado. Sua mulher, Dominique (a linda Julie Delpy de “Antes do Amanhecer”), pede o divorcio, pois diz que Karol Karol não “consumou” o casamento – o que já é comédia demais, afinal, imagina ser impotente com uma mulher linda como Julie, que, diz em francês algo tipo “Se digo que te amo, você não entende”. Em Paris, tudo dá errado, desde seu cartão de crédito ser cancelado até ser alvo de um tiro certeiro de um pombo. Acaba sem dinheiro, sem passaporte e sem esposa. Consegue voltar para a Polônia dentro de uma mala, mas, ao chegar lá, a mala é roubada (sujeito de sorte). Quando, enfim, consegue chegar a sua casa, está todo arrebentado. Volta a trabalhar normalmente e com o tempo arquiteta um plano para montar uma fortuna que o possibilite aplicar as mesmas peças na ex-esposa, afinal, a igualdade é branca, como um véu de noiva, como a neve, como pombos voando e como um orgasmo. “Blanc” é cômico, mas não chega a ser uma comédia. Kieslowski fez um belo filme que, se não fica a altura de “Bleu” e “Rouge”, com certeza alegra coração e alma. A trilha de Preisner é pontuada por tons melancólicos extraídos de clarinete com suavidade e, ás vezes, silêncios. Ah, já ia me esquecendo. A profissão de Karol Karol no inicio do filme era cabelereiro…

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“Rouge, A Fraternidade é Vermelha” (1994) é o terceiro e último e é simplesmente sublime. Parece mais uma poesia sem palavras amparada em uma fotografia magistral e no rosto de Irene Jacob (musa de Kieslowski que havia feito com ele, dois anos antes, o misterioso “A Dupla Vida de Verónique”) flutuando em tons vermelhos de carros, sinais fechados, bolas de boliche, outdoors, cerejas e sangue. Irene é Valentine, modelo suíça vivendo em Paris, longe do namorado ciumento. Sua história é interligada a de um jovem que estuda para ser juiz. Certa noite, Valentine atropela uma cadela e ao leva-la ao endereço da coleira, conhece um estranho senhor que passa seus dias ouvindo ligações telefônicas dos vizinhos. Desse encontro surge uma amizade iniciada em repulsa, mas que, aos poucos, modifica a vida dos dois personagens. Kieslowski brinca e se diverte com os acasos, com destinos marcados para se cruzar, pois a inevitabilidade existe, embora cada um tenha que viver a sua própria vida. Para ele não é difícil adivinhar os caminhos da vida. Basta se comunicar. Olhar nos olhos. “Rouge” é arrepiante e sua cena final, uma pequena surpresa, mas só para quem assistiu aos outros dois. Ravel passeia com seu Bolero em várias cenas e é a base da excelente trilha sonora de Preisner. “Rouge” transborda poesia e possibilidades, em silêncios comoventes, mesmo quando caí um cinzeiro, mesmo quando vidraças se quebram, mesmo quando um alarme de carro dispara. É tudo como se incendiássemos gelo. Água que escorre entre os dedos e deixa, por fim, as mãos molhadas…

Consagrado internacionalmente após a trilogia, em 1995, Kieslowski abandonou as câmeras dizendo que estava achando tudo muito chato e preferia viver ao invés de fazer cinema. E não fez mesmo. Não teve mais tempo. Morreu de enfarto, aos 55 anos, em março de 1996. “A Liberdade é Azul” ganhou o Leão de Ouro em Veneza como melhor filme e melhor fotografia, tendo ainda Juliette Binoche como melhor atriz. Binoche também ganhou o Cesar que também foi concedido ao filme nas categorias melhor montagem e melhor som. Para fechar, três indicações ao Globo de Ouro: Melhor filme estrangeiro, melhor música e melhor atriz. “A Igualdade é Branca” deu o Urso de Prata em Berlim para Kieslowski como melhor diretor. “A Fraternidade é Vermelha” ganhou Cannes como melhor filme, o Cesar por melhor trilha sonora e foi indicado ao Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro e ao Oscar como melhor direção, melhor roteiro e melhor fotografia.

abril 24, 2013   Encha o copo

EUA 2013: Peter Murphy no Webster Hall

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Quase véspera de viagem e mais um show entra na agenda: por 35 doletas, bora ver Peter Murphy relembrar 35 anos de Bauhaus no Webster Hall, em Nova York. Esse é outro caso de show que vale pela música e pelo local: o Webster Hall data de 1886, e é um complexo em Manhatan com uma discoteca, boate, sala de concertos, centro de eventos corporativos, bar e estúdio de gravação. Sua capacidade, incluindo o clube (famoso por suas festas – olha as fotos), é de 2500 pessoas (1400 no palco principal, onde os góticos e eu irão ver Peter Murphy).

Antes ainda de ter um disco seu, Bob Dylan gravou gaita num disco de Harry Belafonte em 1962 nos estúdios da casa, que viu, no começo dos anos 80, o surgimento de um novo espaço de shows no prédio: o salão passou a atender pelo nome de The Ritz, recebendo Eric Clapton, Prince, Metallica, U2, KISS e Guns N’ Roses, entre outros. Quando o Ritz mudou de endereço no final dos anos 90,a casa sofreu uma reforma e voltou a atender pelo nome de Webster Hal em 1992. Hoje o prédio é protegido pela prefeitura, e reconhecido como um marco cultural de Nova York.

25/04 – São Paulo
26/04 – Nashville (Cory Chisel And The Wandering Sons)
27/04 – Nashville
28/04 – Nashville (Band of Horses)
29/04 – Memphis
30/04 – Memphis
01/05 – Memphis
02/05 – New Orleans (Patti Smith, Roy Ayers e…)
03/05 – New Orleans (Willie Nelson, Jimmy Cliff e…)
04/05 – New Orleans (Fleetwood Mac, Phoenix, Frank Ocean e…)
05/05 – New Orleans (Black Keys e…) + Frank Black
06/05 – Nova York
07/05 – Nova York (Peter Murphy)
08/05 – Nova York
09/05 – Nova York (Palma Violets)
10/05 – Nova York
11/05 – Nova York
12/05 – Nova York
13/05 – São Paulo

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Foto do Facebook do Webster Hall. Por favor, olhe!

abril 23, 2013   Encha o copo

Dez links

– Turismo: 40 lugares famosos do rock n’ roll para conhecer (aqui)
– Podcast: uma seleção de música clássica por Arthur Dapieve (aqui)
– Mixtape: uma seleção de canções da Motown, por El País (aqui)
– Globo: O samba inusitado, impuro e esquisito de São Paulo (aqui)
– No Flogase: A gente somos corruptos (aqui)
– Rolling Stone Ar: 10 clássicos destroçados sem dó (aqui)
– Turismo Cervejeiro em Nova York: onde comprar cervejas (aqui)
– Alison Brie (Mad Men e Community) expõe seus gostos (aqui)
– Dias de Luta: Marcos Bragatto entrevista Ricardo Alexandre (aqui)
– Jack White recupera cabine para gravar compactos (aqui)

abril 19, 2013   Encha o copo

EUA 2013: Frank Black em New Orleans

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Mais um show acrescido ao roteiro de viagem: Frank Black acústico no Music At The Mint, essa salinha na foto acima. Neste show, Black Francis dividirá o palco com Reid Paley, com quem gravou um bom álbum em 2010. O show será no último dia do New Orleans Jazz Festival, que acontece das 11h até às 19h, exatamente para não prejudicar a rotina das casas de shows da cidade. Ou seja: após um dia inteiro de shows, bora ver Frank Black.

Em Nova York, o show do Breeders tocando o “Last Splash” no Webster Hall já está sold out.  Fora isso, estou tentado a ver Ronnie Spector ou James Blake no dia 07, e Mudhoney no dia 11. Há mais coisas, mas a ideia é não superlotar a agenda de shows. Os detalhes técnicos da viagem já estão todos resolvidos: hotéis reservados e passagens internas compradas. Agora é torcer para que tudo se ajeite por lá. Força, Obama! Estamos chegando.

25/04 – São Paulo
26/04 – Nashville (Cory Chisel And The Wandering Sons)
27/04 – Nashville
28/04 – Nashville (Band of Horses)
29/04 – Memphis
30/04 – Memphis
01/05 – Memphis
02/05 – New Orleans (Patti Smith, Roy Ayers e…)
03/05 – New Orleans (Willie Nelson, Jimmy Cliff e…)
04/05 – New Orleans (Fleetwood Mac, Phoenix, Frank Ocean e…)
05/05 – New Orleans (Black Keys e…) + Frank Black
06/05 – Nova York
07/05 – Nova York
08/05 – Nova York
09/05 – Nova York (Palma Violets)
10/05 – Nova York
11/05 – Nova York
12/05 – Nova York
13/05 – São Paulo

abril 18, 2013   Encha o copo

Download: Bizz Especial The Cure 1987

Edição especial que acompanha os bastidores da turnê brasileira do Cure em 1987. Para ler online ou mesmo baixar, basta clicar na imagem.

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Leia também:
– The Cure no Brasil em 2013: grande show, por Marcelo Costa (aqui)

abril 10, 2013   Encha o copo

Europa 2013: 1º rascunho de viagem


Fotos: Marcelo Costa

Sim, eu sei: nem fechei os últimos detalhes da viagem para os Estados Unidos em abril/maio e já estou rascunhando a seguinte, mas, se quiser fazer economia, é preciso pensar com antecedência (e as passagens, divididas em n vezes, já estão sendo descontadas no cartão de crédito).

Desta forma, abaixo está o primeiro rascunho da viagem para a Europa em junho, mas pouca coisa está fechada: na verdade, só o Elvis Costello em Londres e os dois festivais seguintes. Berlim está quase certa no roteiro, e estes dias em Londres podem ser transferidos para Bruxelas.

Tenho que pensar com calma em algum lugar pra ir após a saída de Oslo, mas talvez fique mais um dia livre na cidade e depois vá para a Alemanha (Estrasburgo ou Stuttgart, próximas ao festival South Side) ou mesmo Bélgica, para rodar atrás de mosteiros trapistas. Viagem aberta ainda…

06/06 – Londres (Elvis Costello no Royal Albert Hall)
07/06 – Londres
08/06 – Londres
09/06 – Berlim
10/06 – Berlim
11/06 – Berlim
12/06 – Berlim
13/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
14/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
15/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
16/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
17/06 – ?
18/06 – ?
19/06 – ?
20/06 – ?
21/06 – Tuttlingen, Alemanha – South Side
22/06 – Tuttlingen, Alemanha – South Side
23/06 – Tuttlingen, Alemanha – South Side
24/06 – Bruxelas
25/06 – Bruxelas
26/06 – Bruxelas / São Paulo

abril 8, 2013   Encha o copo