Werchter, Day 3

July 5th, 2008

Ou “o dia em que o Sigur Ros roubou a festa do Radiohead”… já volto para contar. Enquanto isso, vá vendo as fotos no link abaixo:

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Werchter, Day 2

July 4th, 2008

Sol, sorvete de chocolate belga e duas horas de Neil Young. O segundo dia do Werchter comecou com uma ótima noticia: sai a chuva, volta o sol. A área de fora do segundo palco parecia uma praia sem mar nem areia: belgas de biquíni, Stela gelada e Ben Folds na versao trio para animar a festa com direito ao maestro Ben comandando um coro de vozes em “Annie Waits” e arrasando em “Army” e “Bastard”. No outro palco, o Slayer quebrava tudo com o riff clássico de `”Angel of Death”.

O dia prometia muito, e uma das principais promessas se cumpriu: o Tim Maia britanico deu cano no Werchter. Foi o terceiro show consecutivo que Pete Doherty deixou passar batido. Pena, eu queria muito ver o Babyshambles. No palco secundário, o pessoal do My Morning Jacket pagava tributo aos anos 70. Eu sempre relutei em dizer isso, ainda mais depois que o mundo babou os caras após o bom álbum “Z”, mas eles sao chatinhos. Um Wilco que nao deu certo… vi tres músicas e me mandei para o palco principal.

Jay-Z foi recebido com festa por lá. Encontrei a comitiva brasileira e como eu havia decidido sair da frente do palco, onde estávamos, para comprar cerveja e só voltar quando o rap acabasse, fiquei encarregado de trazer cerveja pra todos no retorno. O show acabou, peguei cinco cervejas e fui atrás dos caras. Quem disse que os achei? Alemaes, ingleses, holandeses e até belgas de olho na bandeja de ouro, ops, cerveja, e nao resolvi desperdicar: encostei num canto e quando um dos brasileiros me achou eu já estava terminando o terceiro copo…

The Verve no palco. Richard Ashcroft comanda a galera em um coro que canta os hinos urbanos da banda: “Sonnet”, “The Drugs Dont Work”, “Lucky Man” e “Bitter Sweet Symphony”, que me fez derrubar uma lágrima de emocao. Fechando a noite, duas horas com o mestre Neil Young e seu show de guitarradas e clássicos como “Love and Only Love”,  ”Hey Hey, My My”, “Everybody Knows This Is Nowhere”, “The Needle & The Damage Done”, ”Unknown Legend” e “Heart of Gold”.

Num total de 17 cancoes emblemáticas, Neil Young trascendeu mesmo em duas covers: uma para a sua já famosa versao para “All Along The Whatchtower”, de Bob Dylan, tao tempestuosa quanto a imortalizada por Hendrix, e a outra no bis, surpreendendo com “A Day In The Life”, dos Beatles, em versao consagradora. No palco principal ainda havia Moby DJ Set, mas melhor guardar energias comendo sorvete de chocolate belga, afinal, neste sábado, Radiohead. Preciso me preparar espiritualmente…

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Werchter, Day 1

July 3rd, 2008

Rock, lama e por-do-sol às dez da noite. Também teve muita cerveja, comida gordurosa e bons shows, claro. Comentários rápidos pois o dia amanheceu ensolarado e tem Ben Folds e Babyshambles (se o Pete Doherty aparecer) abrindo a programacao. No primeiro dia, após caminharmos e almocarmos no centro de Leuven (cerveja Orval, boa, pero mui forte - acompanhado de um omelet de stek) fomos descobrir em que raios de lugar era o festival. E é longe.

Ok, o lugar é longe, mas existem vários onibus fazendo o translado da estacao de trem em Leuven e o festival. Chegando lá, a primeira coisa que impressiona é a quantidade de áreas de camping e toda a estrutura que as cerca, com barracas de roupas, produtos de limpeza, comida e, obviamente, muita cerveja. Como o mundo é pequeno, na hora de entrar, um carioca trabalhando no evento nos cumprimentou. Vai Brasil.

Lá dentro a coisa impressiona ainda mais. Estrutura mega, dá fácil para viver lá dentro. O Modern Skirts abriu a programacao no palco secundário, e chegou carregando a responsa de ser a banda atual preferida de Mike Mills, do R.E.M., que viu o show da frente do palco. Mills já produziu a banda, que também é de Athens, e busca suas referencias nos anos 60. O tecladista parece um Jack Black ensandecido e o vocalista lembra o Mark Lanegan moleque. O show, a partir da terceira cancao, foi muito bom. Um nome para ficar atento.

Os badalados moleques do Vampire Weekend fizeram do palco secundário uma festa cigana. O vocalista e guitarrista Ezra Koenig comanda o ritmo da banda ao lado do batera Chris Tomson e o som lembra um Police mais roqueiro nas partes rock e mais suingado nas partes suingadas. Bebendo na fonte dos africanos, o Vampire Weekend fez um show divertido com os hits “A-Punk” e “Cape Cod Kwassa Kwassa” cantadas em coro, mas o público pulou o show todo.  

O The National veio em seguida para mostrar como se faz barulho com violino e metais. O show ignorou completamente os dois primeiros álbuns e concentrou-se nos excelentes “Alligator” e “Boxer”. O vocalista Matt Berninger é ensandecido e comanda a banda com maestria, deixando o microfone cair, derrubando o pedestal e bebendo vinho, cerveja e o que tiver pela frente. “Apartment Story” e “Fake Empire” vieram em versoes arrasadoras.

Pelo caminho teve Lenny Kravitz tocando no por-do-sol às dez da noite, chuva que fez o festival se transformar em um grande lamacal, brasileira que estuda na Bélgica perdida no meio das mais de 100 mil pessoas e, claro, R.E.M., que fez o penúltimo show do palco principal (Chemical Brothers estava escalado para encerrar a primeira noite, mas como já os tinha visto em Sao Paulo, achei por bem dar um descanso para as pernas e sai após o R.E.M.).

A primeira coisa boa a se falar deste show novo do R.E.M. é que o repertório abriga várias coisas que eles nao tocaram no Rio, em 2001, dito melhor show da minha vida (leia aqui), e só por isso já valeu estar aqui. Entraram no repertório “Ignoreland”, “Drive”, “Electrolite”, “Pretty Persuasion”, “Driver 8″ e “Let Me In” em versao rancheira. Os hits, claro, nao podiam faltar, entao da-lhe “One I Love”, “Losing My Religion”, “Imitation of Life”, “Fall On Me”, “Supernatural Superserious” (uma das mais festejadas) e “Man On The Moon” fechando uma noite memorável.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Em Leuven

July 2nd, 2008

Foi ,qis dqcil do aue eu imqginqvq. Traduzindo: as teclas do teclado são uma zona, não acho os acentos, e o q esta invertido com o a. É o seguinte: cheguei em Leuven, terra do Rock Werchter, e foi mais fácil do que eu imaginava. Vôo de duas horas de Madrid para Bruxelas, e de lá encontrei um trem que vinha direto do aeroporto para Leuven. Uhu. O Carlos, amigo que vem da Alemanha, chega em duas horas, então aproveitei para passear pelo centro da cidade: pânico! Está tudo escrito em flamengo, uma variacão do holandes!!!!! Mas deu para reconhecer o logo da Stela Artois em todos os bares, afinal, a cerveja é feita aqui. Bebi uma para refrescar - está um calor dos diabos - e tentei caminhar, mas levar 12 quilos de bagagem nas costas não é facil não. Mas o que importa e que estou aqui e amanhã tem… Vampire Weekend, The National, Chemical Brothers e… R.E.M.

Em Madrid

July 2nd, 2008

O teclado é péssimo, mas o aeroporto é algo. Estou a caminho de Bruxelas após um vôo longo e cansativo. O cara da imigracao nem olhou direito pra mim, carimbo no passaporte e vamos lá. Anota a primeira cerveza da viagem: a madrilenha Mahou, leve e deliciosa, apesar do teor alcóolico de 5,5%.  Foi no “jantar” de ontem no aviao, que ainda contou com pasta, salada e um bolo de chocolate com uma camada de creme de framboesa no meio e outra de creme de maracujá no final. Até me lembrei do maxi goiabinha (hehe). Agora, hora de ir. Já já de Bruxelas ou Leuven. :-)

Malas prontas

July 1st, 2008

Bem, estou terminando de abastecer os MP3 Players para a viagem. As malas já estão prontas, passaporte na mão, alguns euros já devidamente separados para a chegada e, espero, o próximo post será escrito de Bruxelas ou Leuven, na Bélgica, amanhã à tarde, se eu conseguir encontrar a rua onde devo ficar: Naamsesteenweg. Imagina se eu tivesse que falar o nome dessa rua para alguém? Bem, para a minha sorte, o Carlos (amigo que mora na Alemanha) também vai ao Werchter. Mas Naamsesteenweg é só o começo da viagem… vem mais por ai. A gente se vê. (hehe)

Trem que cruza a Naamsesteenweg, foto de Jakkes (veja mais aqui)

Motomix 2008

June 29th, 2008

Eu nem ia no Motomix. Na verdade, nem estava sabendo direito do festival, um pouco por estar cuidando dos planos da viagem, outro tanto devido ao fato de nenhuma banda do Motomix chamar tanto a minha atenção. Meio sonado após almoçar chopps e bolinhos de bacalhau no Bar do Léo, e tirar uma siesta no meio da tarde, acordei com amigos mandando mensagem avisando que já estavam no Ibirapuera. Consegui chegar em tempo de ver a ótima apresentação do The Go Team!, grupo que nunca me convenceu em CD, mas que ao vivo me surpreendeu.

Já o Metric, banda canadense responsável pelo encerramento da noite, foi uma decepção. Existem 5637 bandas iguais a eles no mundo, e desse número, umas 3 mil são bem melhores. Cerys, do Catatonia, devia processar a vocalista Emily Haines por tamanho disparate em copiar seu tom de voz e seu jeito de cantar. E Emily devia processar o grupo por fazer um show tão insosso. O Metric é o tipo de banda que permite a você sair no meio do show para comer um lanche e voltar uns vinte minutos depois torcendo para que a tortura tenha acabado. Infelizmente, não. Eles até fizeram bis de três músicas. Grande engodo.

Fora a indi(e)gestão com o Metric e a boa apresentação do The Go Team!, o Motomix ainda impressionou pelo bom público que foi ao Ibirapuera conferir o festival, apesar do line-up mediano. Como comentou um amigo, se a organização do evento tivesse colocado ingressos à venda por R$ 15, nem 200 pessoas teriam aparecido no Ibira, mas como o festival foi de graça, tudo bem. Ok, o som estava bom, me disseram que Fujiya & Miyagi foi bem legal, mas o Motomix deveria pagar ao público para assistir ao Metric. A banda conseguiu ser menos empolgante que o show do Kasabian no Planeta Terra. E parece que eles nem se esforçaram para isso…

Quatro cervejas e Del Rey

June 27th, 2008

Foram só quatro cervejas (ao menos é o que estava anotado na comanda) e acordei com uma leve ressaca. Como cantaria Wander Wildner, eu não bebo mais como eu bebia. Já o show do Del Rey foi… um pouquinho de vergonha alheia. Não sei, mas acho que criei muita expectativa de ver a banda e tal, e me decepcionei. A idéia de perverter o repertório do Rei é ótima, mas me falta humor suficiente para agüentar “Emoções”. O grande momento do show é um medley que une “Detalhes” a “Como é Grande o Meu Amor Por Você”, e mesmo aqui o grupo esbarra na pieguice. Vale muito como diversão, mas eu esperava mais. Só mais uma coisa: “Ilegal, Imoral ou Engorda” é foooooda.

Já sobre o novo espaço do Studio SP, na rua Augusta, uns dois minutos do meu apartamento,  me dividi. Ele ganha em localização (nada contra a Vila Madalena, mas a Mada já era no quesito balada), o espaço é maior, a pista é muito melhor, mas o pessoal precisa limitar o número de pessoas que entram na casa, pois senão fica intransitável fazendo com que o ato de pegar uma cerveja se transforme em uma tarefa árdua e cansativa (e vamos combinar: pegar cerveja tem que ser um prazer - hehe). No mais, o “novo” público da casa é interessante. E o que dizer de sair na balada e ver o Pereio alugando um cara no meio da pista. Sensacional, vai.

Ps. Último dia de trabalho. No fim da tarde, férias. Volto apenas 11 de agosto (ao iG). Na terça, Europa. Espero que a ressaca passe até lá (não a ressaca de ontem, mas a de hoje – Superguidis no CB – e a de amanhã – Autoramas no Inferno e/ou Curumin no Studio SP). 

Podcast Frequência Damata #7

June 25th, 2008

Está no ar a sétima edição do podcast Frequência Damata, comandado por Allan Lito e Jean Felipe, e com participação especial deste que vos escreve falando sobre o Scream & Yell, “Control” e “I’m Not There”. Na trilha, Unsane, Death cabie For Cutie, Lucio Maia, Jose Gonzalez, The Wombats, Santogold, Stephen Makmus, Cat Power e Jeff Tweedy. Ouça online ou baixo o arquivo em MP3 aqui: http://www.gcast.com/u/frequencia/main

Sobre sebos e Dawson’s Creek

June 24th, 2008

Eu adoro sebos. Na verdade, sou viciado. Tenho amigos que não gostam de livros, CDs ou filmes usados. Eu não ligo. Se estiver em boas condições, e o preço estiver ok, não penso duas vezes. Há, em São Paulo, ao menos uns dez sebos que vivo batendo cartão. Quando pinta uma folga, como hoje, faça um pequeno roteiro atrás de algumas preciosidades. Existem uns bons sebos em Pinheiros, alguns ótimos na Teodoro Sampaio, na Augusta e no Centro da cidade. Hoje, pela correria, só consegui passar na Disconexus, uma loja bacana na Consolação quase com a Paulista (número 2682). Dá para perder umas boas duas horas lá (ainda mais que agora eles colocaram uma bancada enorme de DVDs), mas hoje deixei a passagem por todas as bancadas por uma olhada rápida.

Uma das partes da loja que sempre me atrai, e que sempre me faz sair com algo bom nas mãos, é a bancada de R$ 2,99 (quatro por R$ 10). Já encontrei ali em dias iluminados o “Wild Swing Tremolo”, do Son Volt, e o “Feast of Wire”, do Calexico. Hoje sai com o Thou (”Put us In Tune”, um CD que a Ju Alencar gravou num CDR pra mim anos e anos atrás), o “Disqueria”, do Radiola Santa Rosa (que o Azenha já entrevistou pro Scream), o Caesars (”Paper Tigers”, que o André sempre elogia) e o Josh Rouse que saiu no Brasil (”Home”), e que um amigo não acreditava ser possível achar mais. Presente pra ele. E tudo deu R$10.

Porém, quando estava no balcão, para pagar, olhei nas bancadas de entrada um box de DVD: a primeira temporada completa de Dawson’s Creek. Senti um deja vu. No Scream & Yell On Paper número 2, de janeiro de 1999, está cravado no editorial: “Textos, melancolia e paixão pela Joey: Marcelo Costa”. Sério. Passei uns dois ou três anos apaixonado pela Joey, personagem da Sra. Tom Cruise e mãe da fofinha Suri, Katie Homes, na época. A título de info, Dawson’s Creek foi uma série exibida originalmente entre 20 de Janeiro de 1998 à 14 de Maio de 2003 pela Warner Channel.

No Brasil, Dawson’s Creek passava na Sony, e em uma época que não havia TV paga em casa, e não tinha como baixar os episódios na web como acontece hoje. Resultado: um amigo gravava os episódios inéditos em VHS na segunda, e me levava na faculdade na terça. As duas primeiras temporadas da série são sensacionais, mas o clima cai da terceira em diante, quando o criador Kevin Williamson abandona o barco para arriscar um outro projeto, e só retorna para fechar a tampa da série, em 2003, com o episódio final.

Que eu me lembre, só assisti às três primeiras temporadas. Ao final da terceira, que já não tinha o mesmo brilho das duas primeiras comandadas por Williamson, desencanei e me separei da Joey – e, obviamente, da ex-Sra Heath Ledger, Michelle Williams, e também da (suspiro) Meredith Monroe, que fazia o papel da Andie. Não sei nada do que aconteceu nas temporadas seguintes (vi um outro episódio esparso zapeando pela TV) e nunca me deu vontade de descobrir, mas sempre quis, ao menos ter as duas primeiras temporadas em casa, para matar saudade. Agora tenho a primeira. Não resisti.

Ps. Uma das lembranças mais divertidas que tenho da série, porém, não é da série. No VMA de 98, apresentado por Samuel Jackson, numa das brincadeiras aparecem Dawson e Joey. Ela vira pra ele e diz: “Dawson, cansei dessa enrolação toda. Vamos nos beijar”. O drama da série era exatamente esse: Joey e Dawson demoram anos para ficarem juntos (tipo Jack e Katie em Lost). Na piada armada pela MTV, porém, a câmera faz o close de um personagem, olhos fechados e biquinho esperando o beijo, e em seguida do outro. Quando a cena abre, está cada um de lado do quarto, e pelo jeito vai demorar anos para esse beijo sair.

Eis que, então, entra pela janela Samuel Jackson, taco de beisebol na mão. Joey, desde criança, sempre entrou no quatro de Dawson pela mesma janela, nunca com um taco de beisebol. Está tocando a música tema da série, o casal sem ser casal naquele lenga lenga que sabemos que não vai dar em nada, e Samuel Jackson estraçalha o toca-fitas com o tema da série. Dawson e Joey param imediatamente. Samuel pergunta: “Eu odeio essa música. Podem continuar”. Eles ficam estáticos. Samuel, então, improvisa e começa a cantar o tema da série. Eles voltam ao beijo. É sensacional (procurei no Youtube, mas não achei).

Hoje em dia, Dawson’s Creek não entraria num Top 5 de séries que mais gostei de assistir, e olha que eu nem devo ter assistido dez séries inteiras. Um pouco pela irregularidade do roteiro pós saída de Kevin Williamson, outro pouco devido ao fato de que Friends, Simpsons e Seinfeld tem lugares garantidos no podium, e são imbatíveis. Mesmo assim, eu acho que devia aquele cara de dez anos atrás esse fragmento de felicidade de cultura pop. Talvez, assistindo agora, eu não ache essas duas primeiras temporadas tão boas quanto as achava na época, mas com certeza devo passar alguns meses apaixonado pela Joey… novamente.