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Category — Música

Top 25 discos mais ouvidos: 1º semestre 20

Segundo minha Last.FM:

01) “Songs from the Movies”, Frank Sinatra
02) “Scary Monsters”, David Bowie
03) “Cabeça Dinossauro”, Titãs
04) “Broadway Songs”, Frank Sinatra
05) “Re:Call 3”, David Bowie
06) “MPB Especial 1972”, Jackson do Pandeiro
07) “Pra Toda Superquadra Ouvir (Parte 1)”, Beto Só
08) “MPB Especial 1973”, Cartola
09) “Never Let Me Down”, David Bowie
10) “Voto de Silêncio / Horror Vacui”, Dolores Fantasma
11) “Copo de Espuma”, Isaar França
12) “Never Let Me Down 2018”, David Bowie
13) “Glass Spider”, David Bowie
14) “Rough and Rowdy Ways”, Bob Dylan
15) “Pet Sounds”, The Beach Boys
16) “Trashland”, As Mercenárias
17) “Só”, Adriana Calcanhotto
18) “Rated R”, Queens of the Stone Age
19) “A Maré Nenhuma”, Nuda
20) “Velvet Goldmine”, Various Artists
21) “Tente Enxergar”, Ultramen
22) “Ninguém”, Arnaldo Antunes
23) “Maritmo”, Adriana Calcanhotto
24) “Combustível Para o Fogo”, Sexo Explícito
25) “O Disco dos Mistérios…”, Sexo Explícito

julho 2, 2020   No Comments

Top 25 discos mais ouvidos: Junho 20

Segundo minha Last.FM:

01) “Songs from the Movies”, Frank Sinatra
02) “Scary Monsters”, David Bowie
03) “On Air”, The Rolling Stones
04) “The Complete BBC Sessions”, Led Zeppelin
05) “Abaixo de Zero: Hello Hell”, Black Alien
06) “Sukierae”, Tweedy
07) “Gratitrevas”, ÀIYÉ
08) “Postumos”, Devotos
09) “David Live”, David Bowie
10) “Cabeça Dinossauro”, Titãs
11) “Broadway Songs”, Frank Sinatra
12) “Tio Gê – o Samba Paulista de Geraldo Filme”, Vários intérpretes
13) ‘Rente”, Jair Naves
14) “Sings The Songs Of Sammy Cahn And Julie Styne”, Frank Sinatra
15) “Egypt Station (Traveller’s Edition)”, Paul McCartney
16) “Re:Call 3”, David Bowie
17) “With Tommy Dorsey And His Orchestra”, Frank Sinatra
18) “Margem”, Adriana Calcanhotto
19) “The Minus 5”, The Minus 5
20) “Stray Cats”, The Rolling Stones
21) “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars”, David Bowie
22) “Out of Our Heads”, The Rolling Stones
23) “Stage”, David Bowie
24) “Night & Day – Blue Skies”, Frank Sinatra
25) “Básico”, Os the Darma Lóvers

julho 2, 2020   No Comments

“¡Estamos!” na Espanha

“¡Estamos! – Canções da Quarentena” ganhou uma bela resenha no site espanhol Zona de Obras. Você pode ouvir e baixar o disco aqui e ler a resenha no site espanhol aqui.

junho 22, 2020   No Comments

Bootlegs favoritos: Radiohead (01)

A Kiss The Stone Records (KTS) é considerada por muitos o melhor selo de bootlegs de todos os tempos. Nos anos 90, os caras aproveitaram uma brecha da lei italiana, que permitia que a empresa comercializasse gravações ao vivo, desde que colocasse royalties para os artistas em uma conta de garantia, e lançaram quase 600 discos durante o tempo que o selo existiu. Apesar de muita gente acreditar que e empresa, inclusive, era pirata, a KTS era parceira de diversões órgãos e agências da indústria, incluindo ASCAP, GEMA e IMC, e prensava seus CDs na fábrica da Polygram, em Milão. Por vários anos, a KTS publicou anúncios na revistas Rolling Stone e Spin. O rótulo era sinônimo de qualidade (se os artistas receberam realmente a grana é outro assunto).

Eu tenho diversos KTS em casa, e um dos meus favoritos para abrir essa série é “Planet Acoustic”, do Radiohead. Lançado em 1997, “Planet Acoustic” (ao contrário do que o título antecipa) tem como principal destaque 14 faixas de um show absolutamente matador da turma de Thom Yorke no T In The Park, na Escócia, em 1996 (esse foi um dos motivos de pesou no desejo de ir ao festival na minha primeira vez na Europa em 2008 – claro que R.E.M. no line-up pesou mais), com a banda ao vivo já ultrapassando a fronteira que separaria “The Bends” de “Ok Computer” nos arranjos. Além das 14 há duas faixas acústicas (desde que ouvi “Black Star” pela primeira vez nessa versão nervosa, nunca mais ouvi a versão de estúdio) e um cover delicioso para “Nobody Does It Better”, de Carly Simon, de uma session perdida em 1995.

Nunca tive esse KTS original. Porém, da metade dos anos 90 para frente, havia em Taubaté (ali pertinho da Faculdade de Medicina, caminho para a minha Faculdade de Comunicação) uma… locadora de CDs. Sim, isso existiu. E vou dizer que aluguei diversos CDs deles, e fiz uma cópia caprichada em CDR pra mim dessa preciosidade do Radiohead. Foi assim que esse “Planet Acoustic” veio parar em casa, mas ainda guardo os MP3 ripados daquele KTS original (acabei de ver um anúncio de venda desse disco no Ebay por 500 Queiroz) e, sempre que a saudade bate, retorno em pensamento para o meu quartinho em Taubaté ouvindo esse discaço que inexiste na discografia oficial da turma de Thom Yorke.

junho 22, 2020   No Comments

Robert Pollard fala de “Alien Lanes”

A Matador Records anunciou uma edição em vinil festejando 25 anos do álbum “Alien Lanes”, do Guided By Voices, lançado originalmente em 1995. Inspirada na caixa de bateria colorida que aparece na arte do álbum, essa nova edição tem a prensagem em vinil colorido azul, verde e vermelho. Uma edição limitada com chaveiro/abridor de garrafas do Guided By Voices, com base no design original de 1995, estará disponível no pacote com o LP do 25º aniversário de Alien Lanes exclusivamente na webstore da Matador, enquanto durarem os estoques. Com apenas 2.500 cópias, a pré-venda para a edição exclusiva está disponível na loja Matador AQUI. A Matador também lançou uma versão atualizada do raro documentário de 1996 do Guided by Voices, Watch Me Jumpstart, dirigido por Banks Tarver, que pode ser assistido no final do post.

Originalmente lançado em 4 de abril de 1995, “Alien Lanes” foi o primeiro álbum do Guided by Voices lançado na Matador Records. Com 28 faixas em 41 minutos, o álbum alteraria fundamentalmente o conceito de como seria um disco de rock and roll. Rompendo os limites do rock clássico (“Game of Pricks”, “Closer You Are”), o power pop (“My Valuable Hunting Knife”, “Motor Away”), punk (“Pimple Zoo”, “My Son Cool”) , experimentalismo psicodélico (“ Ex-Supermodel“, ”Alright“) e baladas (“King And Caroline“, ”Blimps Go 90“, ”Chicken Blows“), “Alien Lanes” mergulha entre gêneros e sentimentos com eficiência e notável intelectualização da poesia abstrata do compositor e vocalista Bob Pollard.

Em uma declaração rara, Bob Pollard escreveu um pequeno ensaio refletindo sobre a criação e o legado desse álbum.

“Nós éramos destemidos no momento em que gravamos ‘Alien Lanes’. É por isso que ele acena a uma energia e confiança insana. Ainda estávamos aproveitando a crítica positiva em ‘Bee Thousand’ e provavelmente teríamos sucumbido à pressão de um sucessor a altura do anterior. Em vez disso, em nossa visão megalomaníaca, tínhamos dominado a 4-track faixas e começamos a gravar música após música com títulos como “Cuddling Bozo’s Octopus”, “My Valuable Hunting Knife”, “Pimple Zoo” e “After the Quake (Let’s Bake a Cake)”.

A porta estava aberta para lançarmos o máximo de ideias esquisitas que éramos capazes, e fizemos. Nós até pensamos que estávamos começando a parecer mais descolados e decidimos que a contracapa fosse uma fotografia nossa no porão, parecendo meio pseudo-intelectual de uma forma relaxada, de cabelos longos, allstars e uma caixa de Tide ao fundo.

Nossa amiga Kim achou o álbum muito bombástico. Muito frenético e difícil de digerir. Eu concordei. Estávamos orgulhosos de lançar nosso primeiro álbum na Matador e ele pareceu se encaixar ali. Nos custou US$ 10 para fazer. E vale um milhão. Pessoalmente, acho que é melhor que o ‘B-1000’ (mas não muito). São dois temas diferentes para os fãs do GBV discutir e debater.

Que Deus abençoe 1995 e os selos com o coração aberto como a Matador (e Scat antes dela) por permitir que bandas como nós, com os recursos limitado, arranquem as restrições e as noções pré-concebidas da arte voltados para a indústria que prefeririam muito que nós destruíssemos o cassetes de Alien Lanes, em prol do interesse da manufatura do som e do que é mais consumível nessa indústria. É melhor sair da fazenda do que continuar vasculhando a merda das vacas.”

Robert Pollard, 2020

abril 6, 2020   No Comments

(Quase) 17 minutos de Bob Dylan

[Verse 1]
It was a dark day in Dallas, November ’63
A day that will live on in infamy
President Kennedy was a-ridin’ high
Good day to be livin’ and a good day to die
Being led to the slaughter like a sacrificial lamb
He said, “Wait a minute, boys, you know who I am?”
“Of course we do, we know who you are!”
Then they blew off his head while he was still in the car
Shot down like a dog in broad daylight
Was a matter of timing and the timing was right
You got unpaid debts, we’ve come to collect
We’re gonna kill you with hatred, without any respect
We’ll mock you and shock you and we’ll put it in your face
We’ve already got someone here to take your place
The day they blew out the brains of the king
Thousands were watching, no one saw a thing
It happened so quickly, so quick, by surprise
Right there in front of everyone’s eyes
Greatest magic trick ever under the sun
Perfectly executed, skillfully done
Wolfman, oh Wolfman, oh Wolfman, howl
Rub-a-dub-dub, it’s a murder most foul

[Verse 2]
Hush, little children, you’ll understand
The Beatles are comin’, they’re gonna hold your hand
Slide down the banister, go get your coat
Ferry ‘cross the Mersey and go for the throat
There’s three bums comin’ all dressed in rags
Pick up the pieces and lower the flags
I’m goin’ to Woodstock, it’s the Aquarian Age
Then I’ll go over to Altamont and sit near the stage
Put your head out the window, let the good times roll
There’s a party going on behind the Grassy Knoll
Stack up the bricks, pour the cement
Don’t say Dallas don’t love you, Mr. President
Put your foot in the tank and then step on the gas
Try to make it to the triple underpass
Blackface singer, whiteface clown
Better not show your faces after the sun goes down
Up in the red light district, they’ve got cop on the beat
Living in a nightmare on Elm Street
When you’re down on Deep Ellum, put your money in your shoe
Don’t ask what your country can do for you
Cash on the barrelhead, money to burn
Dealey Plaza, make a left-hand turn
I’m going down to the crossroads, gonna flag a ride
The place where faith, hope, and charity died
Shoot him while he runs, boy, shoot him while you can
See if you can shoot the invisible man
Goodbye, Charlie! Goodbye, Uncle Sam!
Frankly, Miss Scarlett, I don’t give a damn
What is the truth, and where did it go?
Ask Oswald and Ruby, they oughta know
“Shut your mouth,” said a wise old owl
Business is business, and it’s a murder most foul

[Verse 3]
Tommy, can you hear me? I’m the Acid Queen
I’m riding in a long, black Lincoln limousine
Ridin’ in the back seat next to my wife
Headed straight on in to the afterlife
I’m leaning to the left, I got my head in her lap
Hold on, I’ve been led into some kind of a trap
Where we ask no quarter, and no quarter do we give
We’re right down the street, from the street where you live
They mutilated his body and they took out his brain
What more could they do? They piled on the pain
But his soul was not there where it was supposed to be at
For the last fifty years they’ve been searchin’ for that
Freedom, oh freedom, freedom over me
I hate to tell you, mister, but only dead men are free
Send me some lovin’, then tell me no lie
Throw the gun in the gutter and walk on by
Wake up, little Susie, let’s go for a drive
Cross the Trinity River, let’s keep hope alive
Turn the radio on, don’t touch the dials
Parkland Hospital, only six more miles
You got me dizzy, Miss Lizzy, you filled me with lead
That magic bullet of yours has gone to my head
I’m just a patsy like Patsy Cline
Never shot anyone from in front or behind
I’ve blood in my eye, got blood in my ear
I’m never gonna make it to the new frontier
Zapruder’s film I seen night before
Seen it thirty-three times, maybe more
It’s vile and deceitful, it’s cruel and it’s mean
Ugliest thing that you ever have seen
They killed him once and they killed him twice
Killed him like a human sacrifice
The day that they killed him, someone said to me, “Son
The age of the Antichrist has just only begun”
Air Force One comin’ in through the gate
Johnson sworn in at 2:38
Let me know when you decide to throw in the towel
It is what it is, and it’s murder most foul

[Verse 4]
What’s new, pussycat? What’d I say?
I said the soul of a nation been torn away
And it’s beginning to go into a slow decay
And that it’s thirty-six hours past Judgment Day
Wolfman Jack, he’s speaking in tongues
He’s going on and on at the top of his lungs
Play me a song, Mr. Wolfman Jack
Play it for me in my long Cadillac
Play me that “Only the Good Die Young”
Take me to the place Tom Dooley was hung
Play “St. James Infirmary” and the Court of King James
If you want to remember, you better write down the names
Play Etta James, too, play “I’d Rather Go Blind”
Play it for the man with the telepathic mind
Play John Lee Hooker, play “Scratch My Back”
Play it for that strip club owner named Jack
Guitar Slim going down slow
Play it for me and for Marilyn Monroe

[Verse 5]
Play “Please Don’t Let Me Be Misunderstood”
Play it for the First Lady, she ain’t feeling any good
Play Don Henley, play Glenn Frey
Take it to the limit and let it go by
Play it for Carl Wilson, too
Looking far, far away down Gower Avenue
Play “Tragedy”, play “Twilight Time”
Take me back to Tulsa to the scene of the crime
Play another one and “Another One Bites the Dust”
Play “The Old Rugged Cross” and “In God We Trust”
Ride the pink horse down that long, lonesome road
Stand there and wait for his head to explode
Play “Mystery Train” for Mr. Mystery
The man who fell down dead like a rootless tree
Play it for the reverend, play it for the pastor
Play it for the dog that got no master
Play Oscar Peterson, play Stan Getz
Play “Blue Sky,” play Dickey Betts
Play Art Pepper, Thelonious Monk
Charlie Parker and all that junk
All that junk and “All That Jazz”
Play something for the Birdman of Alcatraz
Play Buster Keaton, play Harold Lloyd
Play Bugsy Siegel, play Pretty Boy Floyd
Play the numbers, play the odds
Play “Cry Me a River” for the Lord of the gods
Play Number nine, play Number six
Play it for Lindsey and Stevie Nicks
Play Nat King Cole, play “Nature Boy”
Play “Down in the Boondocks” for Terry Malloy
Play “It Happened One Night” and “One Night of Sin”
There’s twelve million souls that are listening in
Play “Merchant of Venice”, play “Merchants of Death”
Play “Stella by Starlight” for Lady Macbeth
Don’t worry, Mr. President, help’s on the way
Your brothers are comin’, there’ll be hell to pay
Brothers? What brothers? What’s this about hell?
Tell them, “We’re waiting, keep coming,” we’ll get them as well
Love Field is where his plane touched down
But it never did get back up off the ground
Was a hard act to follow, second to none
They killed him on the altar of the rising sun
Play “Misty” for me and “That Old Devil Moon”
Play “Anything Goes” and “Memphis in June”
Play “Lonely at the Top” and “Lonely Are the Brave”
Play it for Houdini spinning around in his grave
Play Jelly Roll Morton, play “Lucille”
Play “Deep in a Dream”, and play “Driving Wheel”
Play “Moonlight Sonata” in F-sharp
And “A Key to the Highway” for the king on the harp
Play “Marching Through Georgia” and “Dumbarton’s Drums”
Play darkness and death will come when it comes
Play “Love Me or Leave Me” by the great Bud Powell
Play “The Blood-Stained Banner”, play “Murder Most Foul”

março 29, 2020   No Comments

Os 25 discos que mais ouvi em 2019!

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:

2019

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2018

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2017

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2016

janeiro 2, 2020   No Comments

Dylan com café, dia 86: The 1966 Live

Em 2016, às vésperas de entrarem legalmente em domínio público (como um vasto material anterior), a Columbia Legacy Records colocou nas lojas “The 1966 Live Recordings”, um box com 36 CDs que registram 23 dos 47 shows que Bob Dylan fez em sua turnê mundial daquele ano. Não era qualquer turnê. A turnê mundial de 1966 (precedida pela turnê acústica de 1965 capturada no documentário “Don’t Look Back”) era o rito de passagem do Dylan acústico (no primeiro set) para o Dylan elétrico (no segundo set), e noite após noite uma plateia enfurecida pagava ingressos para xingar Bob e sua banda, a The Hawks, futura The Band.

Dos 36 discos, cinco saíram diretamente de bootlegs gravados em meio ao público, de maneira tosca que só tem serventia como registro. Outros sete discos foram gravados em estéreo com equipamento profissional da gravadora. Há, ainda, dois discos retirados de másters gravadas por uma TV australiana. Os 22 discos “restantes” foram gravados pelo técnico de som de Dylan diretamente da mesa (em mono), para que a banda ouvisse nos dias seguintes ao concerto e avaliasse o caos em que havia se metido, um cenário de guerra que culminou num grito de “Judas!” em Manchester, Inglaterra, disco número 20 do pacote.

Essencialmente, Bob Dylan executa o mesmo repertório toda noite (com variações e trocas de canções conforme a turnê prosseguia), com poucas variações no set, mas interessantes inflexões de silabas aqui e ali, no calor do momento, como ele quisesse destacar algo na letra para aquele público especifico. Item óbvio destinado a Dylanólogos, a melhor dica para encarar esse monumento histórico que é “The 1966 Live Recordings” foi dada pela bacanuda revista Uncut: “Ouça os 36 discos como se estivesse assistindo a uma série de TV, acompanhando o drama do artista episódio por episódio”. É certeiro, pois o Dylan da metade do box para frente está exausto, e vai ficando cada vez mais exausto conforme a turnê se desenrola.

O prenúncio do caos havia sido no festival de Newport, 1965, e apenas se agravou com essa turnê mundial, com Dylan pouco se fodendo para o que desejavam pra ele, mostrando-se muito mais interessado em arriscar e provocar – uma tarefa árdua que culminaria em um acidente pós turnê que o deixaria 8 anos afastado das turnês. O clímax dessa turnê de 1966 é o icônico show em Manchester, onde Dylan é chamado de “Judas” por um fã na plateia, vira-se para a banda e pede: “Toquem fudidamente alto!” (flagra registrado no excelente documentário “No Direction Home”, de Martin Scorsese).

Um dos pontos interessantes de “The 1966 Live Recordings” é perceber que esse clímax, lendário pelas cópias piratas do álbum que circularam durante anos e anos, é antecipado três dias antes em Liverpool, onde em meio a gritos de “traidor” e pedidos de “volte pra casa”, uma voz salta em meio ao zumzumzum: “O que aconteceu com sua consciência?”, e Bob arremata “Oh. Tem um cara lá na plateia procurando o Salvador … ”. Dois dias depois de Manchester, Dylan e banda aportam em Glasgow, e a ira da plateia é tamanha que é difícil não imaginar como não descambou pra violência física. Bob, no entanto, só provoca: “Bob Dylan está nos bastidores. Ele não conseguiu voltar para o segundo set. Ele ficou muito doente – e eu estou aqui para substituí-lo”, sarreia.

Ele ainda tocaria em Edimburgo, Newcastle, Paris (onde confessa “Eu quero sair daqui tanto quanto você…”) e encerraria (precocemente) a turnê com duas noites no Royal Albert Hall, em Londres, com os Beatles e os Stones na plateia. Pacote extenso, a equipe de Dylan destaca os shows de Cardiff e Leicester como dois dos melhores, enquanto o técnico de som que registrou todos os shows, Richard Alderson, sente que Dublin e Liverpool são os destaques.

O set list de 15 canções foi mudando durante a turnê. “To Ramona”, “Gates of Eden” e “Love Minus Zero/No Limit” cederam seus lugares no set acústico para “4th Time Around”, “Visions of Johanna” e “Just Like a Woman”. No set elétrico, “Tombstone Blues”, “From a Buick 6”, “Maggie’s Farm” e “It Ain’t Me Babe” caíram para a entrada de “Tell Me, Momma”, “Baby, Let Me Follow You Down”, “Leopard-Skin Pill-Box Hat” e “One Too Many Mornings”. Para o final, sempre a dobradinha “Ballad of a Thin Man” e “Like a Rolling Stone”.

Uma turnê que se tornou um clássico de Bob Dylan, mas que não seria a única. Isso, no entanto, é assunto para outro café.

Especial Bob Dylan com Café

dezembro 31, 2019   No Comments

Os Melhores de 2019 do Estadão

Pelo sexto ano consecutivo participo da enquete promovida pelo Divirta-se, do jornal O Estado de São Paulo, elencando os três melhores shows internacionais que vi no ano. Esse primeiro ano intenso de paternidade me tirou do páreo de muitos shows nacionais, mas fiquei feliz com a minha listinha gringa (que ainda deixou de fora Weezer, Paul McCartney, Kamasi Washington e Ride, três baita shows) focando em… Patti Smith, Jesus and Mary Chain e Courtney Barnett. Me representa. Lá no Divirta-se você confere os vencedores em todas as categorias.

Leia também:
– Os Melhores de 2018 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2017 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2016 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2016 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2015 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2015 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2014 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2013 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2012 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2011 do Guia da Folha (aqui)

dezembro 30, 2019   No Comments

Meus mais ouvidos no Spotify

O Spotify não é, de longe, a maneira que mais ouço música – ainda sou fiel aos CDs (muitos deles ausentes do Spotify) e aos MP3 (também com muita coisa que não está na plataforma). Por isso, essa retrospectiva é apenas uma curiosidade. Porque balanço mesmo é o da minha LastFm – ali você pode confiar, pois 99% de tudo que ouço está mapeado ali. Mas fica a curiosidade.

dezembro 8, 2019   No Comments