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Category — Música

Os 25 discos que mais ouvi em 2019!

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:

2019

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2018

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2017

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2016

janeiro 2, 2020   No Comments

Dylan com café, dia 86: The 1966 Live

Em 2016, às vésperas de entrarem legalmente em domínio público (como um vasto material anterior), a Columbia Legacy Records colocou nas lojas “The 1966 Live Recordings”, um box com 36 CDs que registram 23 dos 47 shows que Bob Dylan fez em sua turnê mundial daquele ano. Não era qualquer turnê. A turnê mundial de 1966 (precedida pela turnê acústica de 1965 capturada no documentário “Don’t Look Back”) era o rito de passagem do Dylan acústico (no primeiro set) para o Dylan elétrico (no segundo set), e noite após noite uma plateia enfurecida pagava ingressos para xingar Bob e sua banda, a The Hawks, futura The Band.

Dos 36 discos, cinco saíram diretamente de bootlegs gravados em meio ao público, de maneira tosca que só tem serventia como registro. Outros sete discos foram gravados em estéreo com equipamento profissional da gravadora. Há, ainda, dois discos retirados de másters gravadas por uma TV australiana. Os 22 discos “restantes” foram gravados pelo técnico de som de Dylan diretamente da mesa (em mono), para que a banda ouvisse nos dias seguintes ao concerto e avaliasse o caos em que havia se metido, um cenário de guerra que culminou num grito de “Judas!” em Manchester, Inglaterra, disco número 20 do pacote.

Essencialmente, Bob Dylan executa o mesmo repertório toda noite (com variações e trocas de canções conforme a turnê prosseguia), com poucas variações no set, mas interessantes inflexões de silabas aqui e ali, no calor do momento, como ele quisesse destacar algo na letra para aquele público especifico. Item óbvio destinado a Dylanólogos, a melhor dica para encarar esse monumento histórico que é “The 1966 Live Recordings” foi dada pela bacanuda revista Uncut: “Ouça os 36 discos como se estivesse assistindo a uma série de TV, acompanhando o drama do artista episódio por episódio”. É certeiro, pois o Dylan da metade do box para frente está exausto, e vai ficando cada vez mais exausto conforme a turnê se desenrola.

O prenúncio do caos havia sido no festival de Newport, 1965, e apenas se agravou com essa turnê mundial, com Dylan pouco se fodendo para o que desejavam pra ele, mostrando-se muito mais interessado em arriscar e provocar – uma tarefa árdua que culminaria em um acidente pós turnê que o deixaria 8 anos afastado das turnês. O clímax dessa turnê de 1966 é o icônico show em Manchester, onde Dylan é chamado de “Judas” por um fã na plateia, vira-se para a banda e pede: “Toquem fudidamente alto!” (flagra registrado no excelente documentário “No Direction Home”, de Martin Scorsese).

Um dos pontos interessantes de “The 1966 Live Recordings” é perceber que esse clímax, lendário pelas cópias piratas do álbum que circularam durante anos e anos, é antecipado três dias antes em Liverpool, onde em meio a gritos de “traidor” e pedidos de “volte pra casa”, uma voz salta em meio ao zumzumzum: “O que aconteceu com sua consciência?”, e Bob arremata “Oh. Tem um cara lá na plateia procurando o Salvador … ”. Dois dias depois de Manchester, Dylan e banda aportam em Glasgow, e a ira da plateia é tamanha que é difícil não imaginar como não descambou pra violência física. Bob, no entanto, só provoca: “Bob Dylan está nos bastidores. Ele não conseguiu voltar para o segundo set. Ele ficou muito doente – e eu estou aqui para substituí-lo”, sarreia.

Ele ainda tocaria em Edimburgo, Newcastle, Paris (onde confessa “Eu quero sair daqui tanto quanto você…”) e encerraria (precocemente) a turnê com duas noites no Royal Albert Hall, em Londres, com os Beatles e os Stones na plateia. Pacote extenso, a equipe de Dylan destaca os shows de Cardiff e Leicester como dois dos melhores, enquanto o técnico de som que registrou todos os shows, Richard Alderson, sente que Dublin e Liverpool são os destaques.

O set list de 15 canções foi mudando durante a turnê. “To Ramona”, “Gates of Eden” e “Love Minus Zero/No Limit” cederam seus lugares no set acústico para “4th Time Around”, “Visions of Johanna” e “Just Like a Woman”. No set elétrico, “Tombstone Blues”, “From a Buick 6”, “Maggie’s Farm” e “It Ain’t Me Babe” caíram para a entrada de “Tell Me, Momma”, “Baby, Let Me Follow You Down”, “Leopard-Skin Pill-Box Hat” e “One Too Many Mornings”. Para o final, sempre a dobradinha “Ballad of a Thin Man” e “Like a Rolling Stone”.

Uma turnê que se tornou um clássico de Bob Dylan, mas que não seria a única. Isso, no entanto, é assunto para outro café.

Especial Bob Dylan com Café

dezembro 31, 2019   No Comments

Os Melhores de 2019 do Estadão

Pelo sexto ano consecutivo participo da enquete promovida pelo Divirta-se, do jornal O Estado de São Paulo, elencando os três melhores shows internacionais que vi no ano. Esse primeiro ano intenso de paternidade me tirou do páreo de muitos shows nacionais, mas fiquei feliz com a minha listinha gringa (que ainda deixou de fora Weezer, Paul McCartney, Kamasi Washington e Ride, três baita shows) focando em… Patti Smith, Jesus and Mary Chain e Courtney Barnett. Me representa. Lá no Divirta-se você confere os vencedores em todas as categorias.

Leia também:
– Os Melhores de 2018 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2017 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2016 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2016 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2015 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2015 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2014 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2013 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2012 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2011 do Guia da Folha (aqui)

dezembro 30, 2019   No Comments

Meus mais ouvidos no Spotify

O Spotify não é, de longe, a maneira que mais ouço música – ainda sou fiel aos CDs (muitos deles ausentes do Spotify) e aos MP3 (também com muita coisa que não está na plataforma). Por isso, essa retrospectiva é apenas uma curiosidade. Porque balanço mesmo é o da minha LastFm – ali você pode confiar, pois 99% de tudo que ouço está mapeado ali. Mas fica a curiosidade.

dezembro 8, 2019   No Comments

Lagunitas aposta na cena indie em SP

Aberto ao público paulistano desde o dia 13 de novembro, o Lagunitas Pop Up TapRoom, bar temporário da mítica cervejaria californiana, tem promovido um incrível painel de shows de artistas independentes nacionais todos gratuitos, honrando um dos pilares da marca, a música (a saber, os outros são cachorros, marijuana e, claro, cerveja). Como contou Laura Muckenhoupt, Senior Music Marketing Manager da Lagunitas, em entrevista ao Scream & Yell, “música sempre fez parte do DNA da Lagunitas. Nosso fundador, Tony Magee, é músico e sempre falou sobre as semelhanças entre fazer cerveja e fazer música”.

O espaço do Lagunitas Pop Up TapRoom é amplo, comporta até 250 pessoas e transporta a identidade da marca de cerveja californiana para a capital paulista com uma área externa repleta de grafites, tendas, mesas e cadeiras. Com toda estrutura do palco na parte interna, o espaço também conta com um bar central, onde os taps (torneiras de cervejas) estarão expostos e oferecerão os melhores estilos Lagunitas na forma como todos desejam: saborosas e muito geladas!

Em novembro, o palco do Lagunitas Pop Up TapRoom recebeu de Holger, Merda, BRVNKS e Garotas Suecas a Giovani Cidreira e Pin Ups, entre outros, com discotecagens de nomes como Lucio Ribeiro, Laja Records, Adam Stokinger, DJ Guarizo e DJ Bezzi, sempre com entrada gratuita, reforçando o ideal da marca em apoiar a música. A casa segue aberta de quarta a domingo até 22 de dezembro, quando o bar temporário fará a festa de encerramento (com show de E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante + DJ Set Marcelo Costa / Scream & Yell), e fechará as portas. Confira o que vem por ai:

Domingo 01/12: Red Fox

Quarta-feira, 04/12: Jack Fahner
Quinta-feira, 05/12: Rodrigo Haddad
Sexta-feira, 06/12: Ema Stoned + Guilherme Silva
Sábado, 07/12: Bruno Bruni + DJ Glaucia
Domingo, 08/12: Santa Jam

Quarta-feira, 11/12: Hillbilly
Quinta-feira, 12/12: The Baggios
Sexta-feira, 13/12: ÀIYÉ + DJ Dago
Sábado, 14/12: The Raulis + DJ Deborah Babilônia
Domingo, 15/12: Big Chic

Quarta-feira, 18/12: Metá Metá + DJs Isabela Yu e Helô Cleave
Quinta-feira, 19/12: Raça + DJ Claudia Assef
Sexta-feira, 20/12: Sugar Kane
Sábado, 21/12: Glue Trip + Pelegrino DJset
Domingo, 22/12: E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante + DJ Set Scream & Yell Marcelo Costa

Lagunitas Pop Up TapRoom
De 13/11 à 22/12 – de quarta à domingo;

End: Rua Fernão Dias, 624/640
Em frente ao Largo da Batata

Qua e Qui – das 18h às 23h. Shows às 20h
Sex – das 16h às 00h. Shows às 21h
Sáb – das 12h às 00h. Shows às 21h
Domingos – das 12h às 21h. Shows às 19h

novembro 30, 2019   1 Comment

Sesc Pompeia anuncia Prata da Casa 20 anos

No ano em que celebra os 20 anos do seu surgimento, o Prata da Casa volta ao palco do Sesc Pompeia para abrir espaço a novos talentos musicais. Nesta nova temporada, os artistas interessados poderão inscrever pelo site sescsp.org.br/pratadacasa, entre os dias 26 de setembro e 03 de outubro, que serão avaliados por uma comissão curatorial do projeto. Após análise e aprovação, os selecionados se apresentam no palco da Comedoria do Sesc Pompeia, em São Paulo, com shows gratuitos sempre nas noites de terça. Tudo será custeado pelo Sesc, que também oferece orientações para as montagens das apresentações, previstas para começarem nos próximos meses.

Poderão inscrever-se, gratuitamente, artistas, bandas ou grupos brasileiros em início de carreira que tenham trabalhos autorais, contemporâneos e urbanos. Com isso, o Sesc acredita que possam surgir propostas inéditas, com questionamentos estéticos pessoais, influências regionais visíveis e soluções artísticas renovadoras e reveladoras. Ao valorizar a autoria, um novo cenário musical começa a ganhar os palcos e ecoar Brasil afora, com novos nomes, como aconteceu com Barro, Carne Doce, Don L, Felipe Catto e Lucas Santtana.

Fui curador do Prata da Casa em 2014 (aqui fotos e vídeos de todos os shows), e foi uma das experiências mais gratificantes no meu trabalho com curadoria, jornalismo e música. Fico feliz com a volta do Prata, um projeto de enorme importância para a música brasileira, e honrado de estar nessa lista de curadores: Mauro Dias (nos anos de 1999,2000, 2001 e 2002), Carlos Calado (2000/2003), Israel do Vale (2002/2003), Lauro Lisboa (2004/2005), Pedro Alexandre Sanches (2006/2008), Carlos Bozzo (2005/2006), Patrícia Palumbo (2008/2009), Marcus Preto (2009/2010), José Flávio Júnior (2010/2011), Alexandre Matias (2012), Beto Vilares (2013), Marcelo Costa (2014), Carlos Eduardo Miranda (2015 e Ricardo Alexandre (2016).

Seja bem-vindo de volta, Prata da Casa. <3

setembro 25, 2019   No Comments

“The Opposite of Hallelujah”, Jens Lekman

Certa vez escrevi no Scream & Yell: “Ele é sueco, tem jeito de galã e ostenta um ar de canalha embebido em tristeza que casa a perfeição com suas canções que narram romances de uma forma tão cool que chegam a emocionar. “Night Falls Over Kortedala” é seu segundo álbum (descontando uma coletânea de singles) e traz histórias do bairro que Jens vive em Gotemburgo. A simplicidade e a ironia dão o tom e destacam pérolas pop como “The Opposite of Hallelujah”, “A Postcar To Nina” e “Kanske Ar Jag Kar I Dig” (com sampler de Jorge Ben). Para ouvir e rir do amor”. Isso foi em 2007 e minha canção favorita de Jens Lekman, desde que a baixei em 2004 do site da Secretly Canadian, era justamente “Opposite”, que foi finalmente registrada em álbum em “Night”, e só existia até então fisicamente neste belo single de 2004, que cruzei na Sensorial Discos umas semanas atrás… <3

setembro 19, 2019   No Comments

Liefmans Goudenban e Burt Bacharah

Da Bélgica, a elegante Liefmans Goudenband versão 2018, uma Flanders Oud Bruin fermentada em cubas abertas e maturada até 12 meses antes de ser blendada com uma cerveja jovem e continuar refermentando na garrafa. Muita sugestão de fruta (figo, uva passa, damasco), leve caramelo, madeira sutil, discreto avinagrado e 8% de álcool domados. A cervejaria recomenda a guarda por até 10 anos. Uma delícia!

Pruma cerveja elegante, um artista elegante: o box triplo “The Look of Love – The Burt Bacharah Collection” foi lançado em 1998 é uma das maiores reuniões de pepitas de ouro pop por metro quadrado que se tem notícia. De “I Say A Little Prayer” (Dionne Warwick), “This Guy’s Love With You” (Herb Alpert) e “Raindrops Keep Fallin’ On My Head” (B. J. Thomas) a “The Look of Love” (Dusty Springfield), “Close To You” (Carpenters) a “God Give Me Strength” (do próprio com Elvis Costello) são 75 canções para cantar,.dançar e assoviar. Essencial!

setembro 18, 2019   No Comments

Brasil com S 4 e Biquini Cavadão

Mais uma da linha Brasil com S da Cervejaria Colorado, essa é a Summer Ale com Goiaba exibindo um conjunto bastante leve e refrescante, perfeito para esses dias acima dos 30 graus que estamos vivendo. A goiaba não rouba a cena (e olha que numa Summer Ale era difícil não roubar), mas colabora para um conjunto agradável.

Acho até que já comentei no blog que sofro um bullying danado por gostar de Biquíni Cavadão (e algumas outras bandas), mas esse box que reúne os quatro ótimos primeiros discos deste grupo carioca me conforta. Gosto de bastante coisa dos dois primeiros (“No Mundo da Lua”, ‘Inseguro da Vida”, “1/4”, “Tormenta”, “Inocências”, “Ida e Volta”), mas meu favorito é o terceiro, “Zé”, que traz “Teoria”, “Meu Reino”, “Direto Pro Inferno” e “Brincando com Fogo”, entre outras. São três discos que merecem atenção!

setembro 18, 2019   No Comments

Children of Nuggets e 4 Islands

A 4 Islands é uma cigana holandesa, de Roterdã, comandada por três brasileiros, que agora começam a investir no mercado brasileiro. Essa Briói é uma New England IPA produzida na fábrica da Dádiva, no interior de São Paulo, e ainda que não exiba o Juicy característico do estilo, surpreende positivamente.

Acompanhando, “Children of Nuggets: Original Artyfacts from the Second Psychedelic Era, 1976–1995”, que, como o nome avisa, é a continuação do primeiro box focando em nomes como The Cramps, Teenage Fanclub, Primal Scream, ScreamingTrees, The La’s , The Smithereens, The Church, The Posies e muito mais espalhados em quatro CDs e 100 faixas!

setembro 17, 2019   No Comments