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Category — Música

Qual o melhor álbum de Neil Young?

Não é uma pergunta fácil de responder, e a resposta muitas vezes vai dizer mais sobre quem responde do que, necessariamente, sobre o disco escolhido. Isso não só porque Neil Young tem uma discografia extensa (são mais de 40 álbuns de estúdio e incontáveis discos ao vivo), mas, principalmente, porque ele tem diversos melhores álbuns.

A Rolling Stone USA crava “Harvest” (1972) na 1ª posição, o disco que deu um single número 1 para o homem (“Heart of Gold”) e fez com que muitos fixassem na mente aquele visual violão e gaita, meio que aprisionando Neil no formato, o que fez com que ele passasse as décadas seguintes desesperadamente tentando destruir essa imagem. Clássico!

A Rate Your Music vai de “Everybody Knows This Is Nowhere” (1969), o segundo disco de Neil Young, que (como acontece com Lou Reed) soa com sua verdadeira estreia, não apenas pelo fato de Neil elevar sua banda de estúdio e shows, a Crazy Horse, a posição de destaque, mas por encapsular crueza, emoção e entrega.

Para a Ultimate Classic Rock (para mim e Thom Yorke), o número 1 é “After The Gold Rush” (1970), terceiro disco de Neil, em que ele tenta chocar a sonoridade que havia conseguido com a Crazy Horse com aquela que ele tinha com o supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young (ainda em atividade) – com a Crazy Horse recebendo o acréscimo de Nils Lofgren, Jack Nitzsche e Stephen Stills – enquanto tenta entender a década que passou e sonhar com que a que virá.

Para mim, tudo que Neil irá fazer de 1973 em diante tem um pouco desses três discos, e ainda que “On the Beach” (74), “Tonight’s the Night” (75), “Zuma” (75) e “American Stars ‘n Bars” (77), sejam obras primas incontestes, apenas desenvolvem ideias antecipadas naqueles três discos.

O Guardian (ahh, sempre os ingleses), por sua vez, coloca “Rust Never Sleeps” (1979) no topo, o disco que constrói (com influência do movimento punk – sempre ele) a persona Neil Young que conhecemos hoje. Decididamente um ponto marcante na carreira do homem.

Daí que se você quer saber qual é o melhor disco de Neil Young, qualquer um dos 8 citados aqui honram a posição com justiça. A dica: comece do início e vem descendo…

fevereiro 3, 2022   No Comments

Top 25 discos mais ouvidos Jan 22

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:

TOP 25 de Janeiro de 2022

01) Feel Flows – The Sunflower & Surf’s Up Sessions 1969-1971, The Beach Boys (Super Deluxe)
02) The Beach Boys On Tour: 1968 (Live)
03) The Beach Boys 1967 – Live Sunshine
04) Plastic Ono Band: The Ultimate Mixes, John Lennon
05) Carnegie Hall 1970, Neil Young
06) Imagine: The Ultimate Collection, John Lennon
07) Directions, Miles Davis
08) Queen (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen
09) A Paixão De V Segundo Ele Próprio, Vitor Ramil
10) Zuma, Neil Young
11) SOUR, Olivia Rodrigo
12) Parklife (Special Edition), Blur
13) Delta Estácio Blues, Juçara Marçal
14) Transformer, Lou Reed
15) Os Afro-Sambas, Baden Powell e Vinícius de Moraes
16) Vespertine (Live), Björk
17) The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars. David Bowie
18) A Night At The Opera (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen
19) Love Songs For Patriots, American Music Club
20) Mighty Joe Moon, Grant Lee Buffalo
21) João Gilberto (1973), João Gilberto
22) Tambong (em Espanhol), Vitor Ramil
23) Sheer Heart Attack (Deluxe Edition 2011 Remaster)
24) The Colour and the Shape (Deluxe Edition), Foo Fighters
25) Queen II (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen

fevereiro 1, 2022   No Comments

“Times Square” e “Freedom”, Neil Young

Em sua carreira, Neil Young desistiu de lançar vários discos que já estavam prontos (uma descoberta recente foi o maravilhoso “Homegrown“, de 1975, que depois de gravado e mixado foi arquivado por Neil que só o lançou em 2020!). Daí que após cumprir seu contrato com a Geffen em 1987 lançando (o bom) “Life” (com um aceno ao pré-grunge que ele viria a abraçar), Neil gravou o álbum “Times Square” (1988) com uma formação que ele apelidou de The Restless (Chad Cromwell, Rick Rosas e Frank Sampedro) somando duas sobras do álbum de blues “This Note’s For You”. O disquinho de nove faixas chegou a ser distribuído para algumas rádios quando Neil decidiu engavetar o álbum.

Das nove faixas de “Times Square” (que começou a circular em versão bootleg nos anos 90), cinco foram parar no EP “Eldorado”, que só saiu oficialmente em abril de 1989 pela Reprise na Austrália e no Japão (a poderosa e densa “Heavy Love” e tb “Cocaine Eyes” só existem nesse EP), e seis se juntaram (levemente alteradas) a outras seis faixas em “Freedom”, que saiu em outubro do mesmo ano no mundo todo (Brasil em vinil incluso). Uma única faixa de “Times Square” ficou inédita, “Box Car”, que apareceria em um lançamento futuro (“Chrome Dreams II”, de 2007).

“Freedom” é aberto e encerrado com “Rockin’ in the Free World” (em versões acústica e elétrica), que se transformaria em um dos últimos grandes sucessos da carreira de Neil e um dos grandes momentos de seus shows (e dos shows do Pearl Jam), mas a alma do disco é o coração batendo do álbum “Times Square” com as estupendas “Eldorado” (sonho em ouvir essa ao vivo) e “Crime in the City” mais as tempestades sônicas de “On Broadway” e “Don’t Cry” (quando uma guitarra soa como a turbina de um Boeing).

O discaço “Freedom” seria sucedido por outro discaço, “Ragged Glory” (1990), e pelo complemento sônico triplo ao vivo “Weld” / “Arc” – o primeiro é um tradicional disco duplo de rock barulhento de Neil (com “Like a Hurricane”, “Cortez the Killer”, “Cinnamon Girl”, “Powderfinger”, “Hey, Hey, My My”, cover de Bob Dylan e faixas então recentes) e o segundo é uma colagem de 35 minutos de microfonia, noise e feedback captados durante a turnê. Que fase!

janeiro 30, 2022   No Comments

“Mirrorball” / “Merkinball”, Neil Young e Pearl Jam

A discografia de Neil Percival Young é tão maravilhosamente errática que quando David Geffen o tirou da Reprise Records para sua companhia, no começo dos anos 80, se achou no direito de processar Neil após dois discos (de um contrato de cinco!) alegando que havia contratado Neil Young, mas os discos que ele tinha lançado (o kraftwerkiano “Trans” e o rockabilly “Everbody’s Rockin”, de 1982 e 1983, respectivamente) não eram “comerciais” e não “pareciam Neil Young”. Em contrapartida, Neil processou a Geffen (em US$ 21 milhões!) pq seu contrato trazia uma cláusula que lhe dava total liberdade criativa – David, então, teve que se desculpar pessoalmente com Young, que ganhou o processo e fez um acordo!

Neil Young sempre se sentiu livre criativamente tendo uma banda para momentos acústicos (a Stray Gators), uma para momentos noise (a Crazy Horse) e o desejo de gravar com quem quiser, a hora que quiser, quando quiser. “Trans”, o disco “eletrônico” de Neil, é a tentativa de um pai de se comunicar (via vocoder) com um filho que tinha paralisia cerebral, já que a tecnologia vinha sendo bastante usada na terapia da criança. Para “Everbody’s Rockin”, Neil montou uma banda de rockabilly, passou gel no topete e foi emular Elvis e o rock dos anos 50 – o disco seguinte na Geffen, “Old Ways”, é country rural…

Neil voltaria para a Reprise em 1988 com um disco de blues, “This Note’s for You”, em que ele acrescentaria metais na Crazy Horse e a batizaria de The Bluenotes, e um EP, o maravilhoso “Eldorado”, que seria o embrião de “Freedom” (1989), o álbum que colocaria sua carreira nos eixos e o aproximaria da cena grunge. Seis anos depois, ele iria entrar em um estúdio em Seattle tendo o Pearl Jam como banda de apoio acompanhado do produtor Brendan O’Brien para compor “Mirrorball”, seu 21º álbum de estúdio! Young escreveu todas as faixas do álbum, exceto “Peace and Love”, co-escrita por Young e Eddie Vedder – duas faixas de Vedder (“I Got Id” e “Long Road”) saíriam no EP “Merkinball”, do Pearl Jam (com Neil na guitarra e nos backings).

Gosto bastante de “Mirrorball”, e minha faixa favorita é o single de maior sucesso do álbum, “Downtown” (“Jimi’s playin’ in the back room / Led Zeppelin on stage”). “Esse álbum é um comentário das diferenças entre a minha geração paz e amor dos anos 60 e a geração mais cínica dos anos 90”, comentou Neil na época.

Detalhe: com exceção de Eddie, o Pearl Jam e o produtor Brendan O’Brien seguiram Neil como banda de apoio para uma turnê de 11 datas na Europa e Oriente Médio tocando o repertório do álbum e clássicos da carreira de Young. “Foi um sonho tornando-se realidade”, disse Mike McCready. “Nós tocamos um monte de músicas de Neil Young com o próprio Neil Young”. Canções como “Rockin’ in the Free World” e “Fuckin’ Up” passaram a fazer parte do repertório de shows do Pearl Jam…

Ps. Um documentário sobre essa turnê do Pearl Jam com Neil Young em 1995 estava prometido para ser lançado em 2021, e deve ser lançado em 2022…

janeiro 30, 2022   No Comments

Um vídeo sobre três livros

Gravei um vídeo falando sobre três livros que chegaram por aqui e que recomendo fortemente:

– “Deixa Queimar”, biografia de Negro Leo assinada por Bernardo Oliveira, um lançamento da Numa Editora

– “Memórias – Sing Backwards and Weep”, biografia de Mark Lanegan lançada pela Editora Terreno Estranho

– “Mordaça – Histórias de música e censura em tempos autoritários”, de João Pimentel e Zé McGill lançada pela Sonora Editora

janeiro 5, 2022   No Comments

Os favoritos do Wilco em 2021

Jeff Tweedy odeia listas de fim de ano porque sempre acha que está esquecendo algo…. mas todo ano o Wilco lança a sua listinha de favoritos dos membros da banda. Abaixo, a listinha de 2021 com direito a playlist aqui!

janeiro 3, 2022   No Comments

As metas de Woody Guthrie para 1943

“Você pode ouvir as músicas de Woody Guthrie e realmente aprender a viver”, disse Bob Dylan certa vez. O homem que tocava com um violão que trazia um adesivo “This machine kills fascists” (Esta máquina mata fascistas) publicou sua lista de pedidos e resoluções de ano novo no primeiro dia de 1943 a pedido de um jornal. O rascunho dos pedidos é esse aqui abaixo.

A gente não vence o fascismo sozinho (na verdade, não fazemos nada sozinhos), mas tudo começa com cada um querendo “ajudar a vencer o fascismo”. E nesse ano que vai surgir vamos precisar lutar muito juntos. Que muitos dos desejos de Woody Guthrie para 1943 sejam os nossos para 2022!

01. Trabalhar mais e melhor
02. Seguir o cronograma de trabalho
03. Escovar os dentes
04. Fazer a barba
05. Tomar banho
06. Comer bem – frutas – vegetais – leite
07. Beber muito
08. Fazer uma música por dia
09. Usar roupas limpas – de boa aparência
10. Engraxar os sapatos
11. Mudar de meias
12. Trocar a roupa de cama
13. Ler muitos bons livros
14. Ouvir muito rádio
15. Conhecer melhor as pessoas
16. Manter o rancho limpo
17. Não deixar ninguém solitário
18. Ficar feliz
19. Manter a máquina funcionando
20. Sonhar
21. Ter dinheiro extra
22. Guardar comida
23. Tenha um emprego, mas não gaste todo seu tempo nele
24. Enviar dinheiro a Mary e as crianças
25. Tocar e cantar bem
26. Dançar melhor
27. Ajudar a vencer a guerra – vencer o fascismo
28. Amar Mamãe
29. Amar Papai
30. Amar Pete
31. Amar todos
32. Decida-se
33. Acorde e lute

janeiro 1, 2022   No Comments

Top 25 discos mais ouvidos em 2021

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:

TOP 25 de 2021

01) Summerteeth (Deluxe Edition), Wilco
02) 1970, Bob Dylan
03) Home Video, Lucy Dacus
04) R.E.M. At The BBC, R.E.M.
05) Delta Estácio Blues, Juçara Marçal
06) The White Album [50th Anniversary Super Deluxe Edition], The Beatles
07) Abbey Road (Super Deluxe Edition), The Beatles
08) Daddy’s Home, St. Vincent
09) Springsteen On Broadway, Bruce Springsteen
10) Monster (25th Anniversary Edition), R.E.M.
11) Odelay (Deluxe Edition), Beck
12) Benvenuti, Selton
13) The Jimi Hendrix Experience (Deluxe Reissue), Jimi Hendrix
14) Hitchhiker, Neil Young
15) Neil Young Archives Vol. II (1972 – 1976), Neil Young
16) Rock ‘n’ Roll Music Live & Rare 1962-1966, The Beatles
17) Clube Da Esquina, Milton Nascimento
18) Meu Coco, Caetano Veloso
19) Just Another Band from East L.A.: A Collection, Los Lobos
20) OxeAxeExu, BaianaSystem
21) Let It Be (Super Deluxe), The Beatles
22) Olho de Vidro, Jadsa
23) The Bootleg Series, Vol. 15: Travelin’ Thru, 1967 – 1969, Bob Dylan
24) Drama, Rodrigo Amarante
25) Joni Mitchell Archives – Vol. 1: The Early Years (1963-1967), Joni Mitchell

dezembro 31, 2021   1 Comment

Top 25 discos mais ouvidos: Dez 21

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:

TOP 25 do mês de Dezembro

01) Rock ‘n’ Roll Music Live & Rare 1962-1966, The Beatles
02) Let It Be (Super Deluxe), The Beatles
03) Delta Estácio Blues, Juçara Marçal
04) Roteiro Pra Aïnouz (Vol. 2), Don L
05) Um, Pedro Sá
06) Tattoo You (Super Deluxe), The Rolling Stones
07) Johnny Cash Sings the Ballads of the True West, Johnny Cash
08) A Bigger Bang (live), The Rolling Stones
09) Collapsed in Sunbeams, Arlo Parks
10) The Path of The Clouds, Marissa Nadler
11) You Know Who I Am, Leonard Cohen
12) Live at Fillmore West, Aretha Franklin
13) Brasil, Ratos De Porão
14) Miami Pop Festival, Jimi Hendrix
15) Song Of The Lark And Other Far Memories, Angel Olsen
16) Encarnado, Juçara Marçal
17) Come On Die Young (15th Anniversary Deluxe), Mogwai
18) Arde, Carolina Donati
19) Home Video, Lucy Dacus
20) Anarkophobia, Ratos De Porão
21) Malandro 5 Estrelas, Índio da Cuíca
22) Springtime in New York: The Bootleg Series, Vol. 16 / 1980-1985, Bob Dylan
23) Caco de Vidro, Duda Brack
24) Tupã-Rá, The Baggios
25) Spirit In The Dark, Aretha Franklin

dezembro 31, 2021   No Comments

Top 25 discos mais ouvidos: Novembro 21

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:

TOP 25 do mês de Novembro

01) “Meu Coco”, Caetano Veloso
02) “Jorge Benjor (Ao Vivo no Rio)”, Jorge Benjor
03) “How I Quit Smoking”, Lambchop
04) “Shanu”, Monoswezi
05) “Red Hot + Riot”, Various Artists
06) “Margerine Eclipse”, Stereolab
07) “Diplomacia”, Batatinha
08) “Home Video”, Lucy Dacus
09) “Skeleton Tree”, Nick Cave & the Bad Seeds
10) “Sou Suspeita Estou Sujeita Não Sou Santa”, Anelis Assumpção
11) “Conexão Latina – Volume II”
12) “The Width of a Circle”, David Bowie
13) “Make A Jazz Noise Here”, Frank Zappa
14) “Live At Berkeley”, Jimi Hendrix
15) “No Burden”, Lucy Dacus
16) “Avalon Sunset”, Van Morrison
17) “Além da Curta Imaginação”, Ana Bacalhau
18) “Rock Jr.”, eliminadorzinho
19) “OK Human”, Weezer
20) “Masterpiece”, Big Thief
21) “Verona”, Lucas Gonçalves
22) “Exit … Stage Left”, Rush
23) “Reviver”, Wry
24) “Liberation Afro Beat Vol.1”, Antibalas Afrobeat Orchestra
25) “O Negócio É o Seguinte”, Charme Chulo

dezembro 1, 2021   No Comments