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Category — Música

10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 5

Dentre tudo que ouço e gosto, algumas bandas rendem alguns momentos de bullying de amigos que, por exemplo, dizem que “é fácil ter 10 mil discos quando se tem a coleção completa do Biquíni Cavadão e do Nenhum de Nós” – aliás, me falta o “Cardume” (1989) em CD, e descobri dia desses que está sendo vendido a R$ 999,99 no Mercado Livre e por R$ 2.174,25 no Discogs (assustou? “Tomate”, do Kid Abelha, em CD tá R$ 160 o mais barato, R$ 300 o mais caro; e “Lulu”, do Lulu Santos, variando de R$ 185 a R$ 450). Bem, aproveitando essa onda de discos favoritos decidi recuperar a primeira fase da discografia do Biquíni, uma improvável banda pop carioca, para eleger um favorito e, assim, lançar milhos aos pombos do bullying.

Apesar da masterização precária do vinil da época, “Cidades em Torrente” (1985) traz três baita big hits (“No Mundo da Lua”, “Timidez” e “Tédio”, com a batidinha deliciosamente safada da guitarra de Herbert Vianna, três canções que são a cara dos anos 80, e que são ótimas) e uma faixa que passou batido na época (a ótima “Múmias”, com Renato Russo no dueto vocal com Bruno Gouveia), mas que foi abusada e virada do avesso pós morte do legionário. Uma pena. Minha favorita: a divertidíssima “Inseguro da Vida”, mas gosto também de “Hotel”, “Caso” e “Reco”. No disco seguinte, “A Era da Incerteza” (1987), a banda começou um processo de amadurecimento, que não rendeu tantos hits (“Ida e Volta” tocou, mas nem tanto), mas ouvi esse disco quase até furar, principalmente o lado A do vinil (com “1/4”, “Tormenta”, “Inocências” e mais a faixa 1 do lado B, “Catedral”, que iria incomodar muita gente hoje em dia). Ainda tenho ele em vinil aqui…

Dai veio o terceiro disco, “Zé” (1989), meu favorito, porque soa um rompimento com os sonhos de sucesso ainda que “Teoria” tenha tocado nas rádios e tanto “Meu Reino” quanto “Bem-Vindo ao Mundo Adulto” ganhado sobrevida no quarto álbum, “Descivilização” (de 1991, que traz as bonitas faixa título, “Arcos” e “Vesúvio” além dos mega-hits “Impossível” e “Vento Ventania”). O tédio que era tema dos discos anteriores aqui se transforma em raiva e turbina canções como “Brincando com Fogo” e “Certas Pessoas”, ganha força irônica em “Samba de Branco” e na rancheira “Meus Dois Amores” e pinta de clássico torto no bluezaço “Direto Pro Inferno” (que, inclusive, já inclui em mixtape).

Dai em diante, perdi conexão com a banda. O disco de covers “80” é terrível (conforme resenha no Scream & Yell em 2001), “Escuta Aqui” (2000) é bacaninha, mas não me lembro de nada dos discos “Agora” (1994) e “biquini.com.br” (1998) – na verdade, eu já estava em outra, e o rock nacional havia ficado nos anos 80. A banda segue na ativa com público cativo e discos novos, mas mesmo esses quatro primeiros, que saíram num box com edições caprichadas em 2001, pouco retornam ao meu som (como pouco retornam os quatro primeiros da Legião), ainda que façam parte da minha história com a música. Bora aproveitar e mandar um #nowplaying para matar saudade.

10 discos favoritos

agosto 8, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 75: Alex Ross

Em 1998, ou seja, quase 10 anos antes de publicar sua obra prima finalista do Pulitzer Prize, “O Resto é Ruído – Escutando o Século XX” (2007), o jornalista Alex Ross assistiu a 10 shows de Bob Dylan, que havia renascido (mais uma vez) das trevas com “Time Out of Mind” um ano antes. A maratona (entre setembro e novembro de 1998) serviu de base para um longo ensaio publicado na revista The New Yorker em maio de 1999 com o título “The Wanderer” e recuperado nessa coletânea de textos, “Escuta Só”, lançada em 2011. Talvez um dos melhores textos já escritos sobre Bob Dylan, “The Wanderer” tenta entender a magia deste pobre homem destruindo quase tudo o que já foi falado sobre ele. De forma delirante e divertida, Alex Ross abre seu ensaio mostrando os dentes: “Os Estados Unidos não são um país para homens velhos. A cultura pop é o deleite dos pedófilos. O que fazer com um compositor de meia-idade, muito rodado, que tende para a melancolia e o absurdo? Se examinarmos o que foi escrito sobre Bob Dylan em décadas recentes, notaremos um desejo persistente de que o sujeito morra, para que seu eu mais jovem possa assumir seu lugar mítico”. Dai pra frente, Alex enumera exemplos do “desejo persistente”, e conta cômicas passagens nos shows que presenciou: “Estou na Feira de Puyallup, 1998, neste subúrbio agrícola de Tacoma, e entre outras atrações estão presentes a vaca de uma tonelada Elmer, uma casa assombrada em miniatura montada engenhosamente na carroceria de um caminhão, bingo com aspiradores como prêmio e Bob Dylan. (…) Quando eu disse que iria seguir Dylan na estrada, obtive várias reações divertidas. (…) Alguns ficaram surpresos ao saber que ele ainda tocava em público (e ele faz mais de 100 shows por ano). As plateias foram mais diversificadas do que eu esperava: jovens urbanos do tipo que coleciona discos, pirados grisalhos, ex-hippies bem-vestidos, garotada do colégio com camisetas do Grateful Dead”.

As entrevistas com o público são divertidas, mas a análise é bem mais profunda. Pelo caminho da turnê, Alex visita Greil Marcus para depois questionar a defesa do velho jornalista sobre o exagerado elogio ao material qualquer nota das Basement Tapes (de maneira correta, mas falaremos disso no próximo café) e sua leitura “exagerada” do show de Manchester, ou o show do “Judas” (discordo de Alex). Ele sacaneia o trabalho do biógrafo Clinton Heylin (“Um documento que se anula astutamente no sentido de que cada item de informação aponta para uma falta maior de informação”), recupera uma baita citação de Lester Bangs em 1981 (“Se as pessoas vão rejeitar, ou, na melhor das hipóteses, rir de Dylan agora do mesmo modo como outrora se ajoelhavam automaticamente diante dele, então ninguém vai saber se ele fizer um bom disco de novo. Elas não estão ouvindo agora, o que talvez possa significar que também não estavam realmente ouvindo antes”), analisa letras, estruturas de canções e opina: “Desde Wagner, nenhum músico havia sido submetido a pressões contraditórias e irracionais desse tipo (na fase em que Bob eletrificou seu som e foi criticado pelos fãs). Não surpreende que Dylan tenha caído fora depois do acidente de moto”. Uma das conclusões de Alex é de que as respostas, as emoções e tudo mais está… nas canções. “Ele sempre retira sua personalidade de cena… e deixa a música emergir”. Ou seja, esqueça o homem, concentre-se na arte. E Alex escreve isso logo depois de se arrepiar com a oportunidade de um encontro não planejado com Dylan num estacionamento. Como separar? Eis a questão. Um texto genial presente no livro, mas que traz um apêndice no site de Alex (aqui) e que você pode ser lido na integra, em inglês, por assinantes da The New Yorker aqui.

Especial Bob Dylan com Café

agosto 7, 2018   No Comments

10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 4

um texto de 12 anos atrás

Qual o prazer em ainda ouvir um disco novo? O prazer é esbarrar com uma pequena obra prima de delicadeza e lirismo como este “My Secret Is My Silence”, estreia solo de Roddy Woomble, vocalista e guitarrista da banda escocesa Idlewild. Formado na segunda metade dos anos 90, o Idlewild soava – nos primeiros discos – como um Smiths passado pelo furacão grunge, nada que chamasse tanta atenção até o quarteto parir o terceiro disco, “The Remote Part”, sinal de maturidade dos escoceses. O single “American English” dava o recado: “The good songs weren’t written for you, they’ll never be about you”.

Então o peso da idade bateu. Roddy chegou aos 30 anos, achou que era hora de ser pessoal e pariu um conjunto de canções que não caberiam no Idlewild, mas são parte dele. O resultado é um que versa sobre “os espaços entre as palavras, a língua do silêncio, que é algo que se vê muito na Escócia, particularmente com os povos mais velhos nas montanhas”, explica Roddy. É sobre o que nós não dizemos. Sonoridades celtas, melodias de fazendeiros, o country que se junta ao alternativo. Para quem não se lembra, um dos grandes discos deste século, “Yankee Hotel Foxtrot” do Wilco, também versava sobre a comunicação entre as pessoas. Saudável coincidência.

“I Came From The Mountain” abre o álbum escorrendo lirismo. A acelerada “As Still As I Watch Your Grave” é comandada por flauta, acordeom e violino. A belíssima faixa título fala de prédios que foram construídos com sangue e chuva além de tristeza com gosto de uísque enquanto “If I Could Name Any Name” praticamente resume todo o pensamento de Roddy transformado num maravilhoso dueto com a cantora folk Kate Rusby. Em “Waverley Steps” quem brilha é Karine Polwart, outra folk singer. Um dos motivos deste álbum soar mágico é a boa companhia de que se cercou o líder do Idlewild, gravando o disco em duas semanas acompanhado dos conterrâneos do Sons and Daughters (o baterista David Gow e a baixista Ailidh Lennon, sua esposa) e do violino de John McCusker (produtor do álbum, e marido de Kate Rusby), entre outros. O resultado: um disco atemporal para ser ouvido… eternamente.

10 discos favoritos

agosto 6, 2018   No Comments

10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 3

Entre outras coisas (sequestro da liberdade, tortura, assassinatos, corrupção), a Ditadura Militar Brasileira enfraqueceu a MPB com censura, extradições e ameaças. No fim do regime, já nos anos 80, a MPB não tinha forças nem para jogar uma pá de cal numa Ditadura moribunda, e coube ao rock, notadamente anglo-saxão (e “inspirado” em Smiths, U2, Gang of Four, The Jam, The Police, Buzzcocks), cantar que a gente era inútil para escolher presidente (e parece que ainda somos), mandar coelhinhos peludos se foderem enquanto a questão central permanecia sem resposta: que país é este? Em 1988, porém, um disco reconectou o Brasil com seu passado mirando um futuro carnavalesco e psicodélico ao juntar Jimi Hendrix e Noel Rosa, o Gil de “Pega a Voga, Cabeludo” (1968), o Led Zeppelin de “Whole Lotta Love” e a batida suingante de Jorge Ben, estandartes em plena avenida, pierrots apaixonados, Wolverine e navegantes aflitos, tudo isso de uma maneira… “Supercarioca”.

Uma obra prima daqueles anos em que “enquanto perdíamos tudo, a tragédia vira festa de um calor quente e tropical”, o segundo disco dos Picassos Falsos soava muito, mas muito à frente de seu tempo ao tentar reconectar um Brasil que os anos de chumbo haviam soterrado utilizando o mantra de um pós punk que encontra um samba torto perto do Cristo Redentor e o entorpece de riffs de guitarra, batidas nervosas de violão e microfonia decorando-o com a mais bela poesia das ruas. Ouvindo hoje, “Supercarioca” é praticamente um retrato de um Rio, em primeiro plano, e de um novo Brasil que desembocaria, anos depois, nos saques a supermercados do triste final do governo de Fernando Collor, e no Brasil que vemos hoje. “Chamam de pátria nossa miséria, tanta folia”, canta Humberto Effe em “Fevereiro 2”. Já em “Fevereiro 1”, ele avisa: “Um navegante pronunciou aflito com seus escritos e só / Que uma cidade julgada a mais bela em poucos dias viraria pó”.

Um clássico subestimado, “Supercarioca” é um disco de hinos carnavalescos roqueiros. Mais do que “Bora Bora” (apesar de “Sanfona” <3), mais do que Mauro e Quitéria em “Miséria”, mais do que “O Estrangeiro”, esse é o disco que me reconectou com o Brasil numa época em que todo mundo queria soar inglês para, talvez, esquecer um país que, durante anos, havia nos maltratado, com paus de arara, choques elétricos e afogamentos, um Brasil que havia nos traído. “Estou feliz por quem já não existe”, define a letra de “Bolero”, uma das grandes canções de um álbum repleto de grandes canções. Pode parecer estranho que um paulistano morador da Moóca e nascido no bairro do Belenzinho, que viveu quase duas décadas no interior paulista tenha sido tão tocado por um disco supercarioca, mas aconteceu. Felizmente.

10 discos favoritos

agosto 5, 2018   No Comments

10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 2

Não me lembro direito como o Cinerama entrou na minha vida, mas suspeito que foi através da indicação de algum fanzine bacana do final do século passado (provavelmente o da Velvet, do seu André Fiori). Eu tinha alguns CDs do Wedding Present, e gostava (sem tanta emoção), mas não sabia o que esperar de David Gedge quando ele decidiu dar uma pausa na banda e se dedicar a este novo projeto com sua então namorada, Sally Murrel. “Va Va Voom”, o disco de estreia do Cinerama, bateu forte e rodou durante meses em 1998/1999 em casa com a baladaça “Hard, Fast and Beautiful” se transformando em hino passional. Em um informativo do Scream & Yell impresso de julho de 1999, eu contava que a paixão por este disco tinha me tomado (leia aqui) e não tinha mais volta: hoje na minha estante repousam “Va Va Voom” e outros seis álbuns do Cinerama, e ainda um single. Amor define. Em 2004, David e Sally se separaram e quando ele começou a gravar o novo disco, percebeu que as canções haviam se distanciado da sonoridade Cinerama e se aproximado do guitar indie passional do Wedding Present, e decidiu retomar sua primeira banda (com o discaço “Take Fountain”, de 2005). Por essa época, o Cinerama já havia me feito fazer uma reavaliação do Wedding Present, e eles se tornaram uma das bandas favoritas aqui de casa (felizmente os vi em 2012, no Arco do Triunfo, em Barcelona, tocando o clássico “Seamonsters” na integra) com cada novo disco, desde então, sendo aguardado com a ansiedade. E tudo isso é culpa de “Va va Voom”…

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agosto 3, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 74: Crônicas

Bob Dylan com café, dia 74: O melhor livro escrito sobre Bob Dylan foi escrito por… Bob Dylan. Na verdade, esse livro ainda está sendo escrito. Planejado para ser lançado em três volumes, “Crônicas” só teve o volume 1 editado em um já distante 2004 (ficou 19 semanas na lista de best-sellers do The New York Times de livros de não-ficção), mas bastou para provocar tanto o leitor neófito quanto o fã de primeira hora, que se surpreendeu ao ver o homem abrindo o baú empoeirado da memória para relembrar momentos de seus obscuros primeiros anos (um quebra-cabeça geralmente montando no escuro por biógrafos) tanto quanto iluminar momentos escolhidos a dedo em uma carreira vasta e repleta de mudanças. “Crônicas” é um livro de Dylan a lá Dylan: não há uma sequencia cronológica, mas sim cinco longos (e deliciosos) textos divididos em 304 páginas, que mapeiam momentos particulares da carreira escolhidos a dedo por Dylan.

Na crônica de abertura, “Abrindo o Placar” (22 páginas), Bob relembra como era a cena do Greenwich Village quando chegou a Nova York (“O inverno estava de matar”) e pouco antes de gravar seu disco de estreia: ele conhece o estúdio em que foi gravada “Rock Around The Clock”, conta que John Hammond tinha ouvido duas canções originais suas e “teve a premonição que haveria mais”, relembra o ambiente do Café Wha?, do Café Bizarre e do Gaslight além de até falar um pouco de sua família. Mais longo, com quase 90 páginas, “A Terra Perdida” foca em literatura (“Havia romances de Gogol e Balzac, Maupassant, Hugo e Dickens. Geralmente eu abria um livro no meio, lia algumas páginas e, se gostasse, voltava ao começo”), música, formação cultural (com memórias da família e da vida escolar) e suas impressões de novo morador de Nova York, ou seja, é outro texto que permite ao leitor tatear o que fomentou a mente criativa do homem – num dos momentos mais interessantes ele relembra artistas que, como ele, não seguiam as regras, gente como Miles Davis (“Repudiado pela comunidade do jazz pelo álbum ‘Bitches Brew’) e João Gilberto, Roberto Menescal e Carlos Lyra (“Que estavam se libertando do samba infestado de percussão”).

A terceira história salta para o período de gravação do álbum “New Morning”, na virada dos anos 60 para os 70, enquanto a quarta crônica relembra as gravações do grande álbum “Oh Mercy”, de 1989 (desde o dia em que Bono, do U2, apareceu na sua casa e bebedeira noite adentro, o convenceu a mostrar músicas novas o conectando com Daniel Lanois, que seria importantíssimo na vida de Dylan nos anos 90). O conto final, “Rio de Gelo”, retorna no tempo e rememora artistas que o influenciaram assim como o dia da assinatura de seu primeiro contrato com uma gravadora: “John Hammond colocou um contrato na minha frente (…) e eu disse: ‘Onde eu assino?’. Eu confiava nele. Havia no mundo uns mil reis talvez, e ele era um deles. Antes de ir embora naquele dia, ele me deu dois discos que ainda não estavam disponíveis para o público, e que achou que poderiam me interessar. Um deles era ‘King of the Delta Blues’, de um cantor chamado Robert Johnson, que eu jamais tinha ouvido falar. Ele me mostrou a capa, um desenho incomum no qual o desenhista olha do teto da sala e vê aquele cantor e violinista furiosamente intenso. Que capa eletrizante. Quem quer que fosse o cantor da imagem, ele já havia me possuído”. Dai pra frente, Bob relembra como foi ouvir Robert Johnson pela primeira vez em mais um momento especial entre tantos de um grande livro. Essencial.

Especial Bob Dylan com Café

agosto 2, 2018   No Comments

10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 1

Se CDs “gastassem” com o uso continuo, esse daqui já estaria no osso. Lançado em 1995 pelo selo Rock It, criado pelos músicos Dado Villa-Lobos (Legião) e André X (Plebe Rude), “Mondo Passionale”, o segundo álbum do Sex Beatles, me conquistou logo nas duas primeiras músicas: “Essa é a Sua Vida” é uma parceria do baita letrista e guitarrista Alvin L (que eu já admirava por salvar o Capital Inicial a partir do disco “Todos os Lados”, de 1989) com Leoni Oficial, e principalmente por “Péssima”, um rock glam acelerado delicioso, com a voz de Cris Braun valorizando a grande letra de Alvin, cujo refrão entrega: “Pode ser bem pior, quando eu sou péssima eu sou muito melhor”. O jogo já estava ganho, mas esse disco ainda traz “Stromboli” (“O mundo se divide nos bons, nos maus e nos 10 mais elegantes”, provoca Alvin), a baladaça acústica “Cary Grant”, a noise guitar faixa título e, claro, “Viva Miami” e “Eu Nunca Te Amei Idiota” (que já entrou em tantas mixtapes que perdi a conta). Eu ainda morava em Taubaté numa época pré-Internet, MP3 e P2P, por isso passei anos sonhando em encontrar o primeiro álbum do Sex Beatles depois de ter me apaixonado por “Mondo Passionale”, o que só foi acontecer quando eu já morava em São Paulo, neste novo século, e a Sensorial Discos abriu, em sua primeira encarnação, na Galeria Presidente, e pude encontra-lo. O coração deu um salto, afinal, nove entre dez maus elementos preferem as más companhias.

10 discos favoritos

agosto 2, 2018   No Comments

Textos mais lidos: Julho de 2018

                       Patti Smith lançou o álbum “Easter” em 1978

TOP 10 MAIO 2018
01) 40 discos que completam 40 anos em 2018, por Mac (aqui)
02) Essas São As Américas: Childish Gambino, Beyoncé, Jay-Z e Elza, de Felipe Ferreira (aqui)
03) Carne Doce ao vivo no CCSP, por Renan Guerra (aqui)
04) Três filmes: “Som, Sol & Surf – Saquarema”, “Onde Está Você, João Gilberto?” e “Eu Sou o Rio”, por Mac (aqui)
05) “Ofertório”, de Caetano, Moreno, Zeca e Tom Veloso, por Renan (aqui)
06) Letrux ao vivo em São Paulo, por Renan Guerra (aqui)
07) Tributo a Walter Franco: Seleção dos Convidados (aqui)
08) Balanço: Paraiso do Rock Festival, por Leo Vinhas (aqui)
09) Gomo, um cometa na música indie portuguesa, por Hebert  (aqui)
10) Três discos: Lobão, Humberto Gessinger, Titãs, por Mac (aqui)

DOWNLOAD
01) Download: “Dois Lados”, tributo ao Skank -> 11º link (aqui)
02) Download: Tributo a Belchior -> 35º link (aqui)
03) Download: Milton Nascimento -> 58º link (aqui)

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VIA GOOGLE
01) Discografia comentada: Ramones, por Leonardo Vinhas (aqui)
02) Original vs Versão: “The Passenger”, por Mac (aqui)
03) Três documentários: “Sepultura”, “Time Will Burn” e “Dorsal Atlântica”, por Mac (aqui)

TOP 10 2018 – PARCIAL (SETE MESES)
01) Melhores de 2017: Votação Scream & Yell (aqui)
02) Radiohead ao vivo em SP, por Mac (aqui)
03) Balanço: Festival Psicodália 2018, por Rafael Donadio (aqui)
04) Top 5: Discos produzidos por Carlos Eduardo Miranda (aqui)
05) Download: “Dois Lados”, tributo ao Skank  (aqui)
06) Melhores Músicas do Radiohead, por Bruno Capelas (aqui)
07) Balanção Lollapalooza 2018, por Mac (aqui)
08) Download: “Um Grito Que Se Espalha”, Tributo a Walter Franco (aqui)
09) 11 points de cerveja artesanal em Buenos Aires, por Mac (aqui)
10) Três discos: Lobão, Humberto Gessinger, Titãs, por Mac (aqui)

O EDITOR RECOMENDA
01) Cinema: Jonas Mekas: O poeta das imagens, por Caio Bosco (aqui)
02) Entrevista: Moons, por Thiago Sobrinho (aqui)
03) Entrevista: Thrice, por Bruno Lisboa (aqui)

           Elvis Costello lançou o álbum “This Years Model” em 1978

Confira os textos mais lidos no Scream & Yell nos meses anteriores

agosto 1, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 73: Robert Shelton

Bob Dylan com café, dia 73: O que fazer quando você é um jornalista a noticiar pela primeira vez o potencial de um jovem com futuro promissor que você assistiu em uma pequena espelunca, e observa que, nos anos seguintes, esse jovem virá a tornar-se uma das cabeças pensantes mais revolucionárias do universo artístico mundial? Robert Shelton não teve dúvidas: após publicar a resenha “Bob Dylan: A Distinctive Folk Song Stylist” em 29 de setembro de 1961 no jornal New York Times (provavelmente chamando a atenção do caçador de talentos John Hammond, que contrataria Bob em outubro) e observar o artista subir correndo os degraus na escadaria da fama pop, Shelton colou em Dylan, transformando-se em amigo e confidente, e começou a escrever uma biografia autorizada ainda nos anos 60, que seria terminada apenas em 1986, 25 anos depois daquela primeira resenha.

Tido por muitos fãs como a principal biografia de Bob, “No Direction Home: A Vida e a Música de Bob Dylan” (que voltou ao mercado numa edição atualizada em 2011 pelos editores – Shelton faleceu em 1995 – marcando os 50 anos da primeira resenha numa edição “Director’s Cut”) tem tanto pontos positivos quanto negativos. Do lado positivo, a proximidade de Dylan permitiu a Shelton acompanhar muito eventos in loco, o que traz a narrativa (ainda que muitas vezes romantizada) para a primeira pessoa: ou seja, é algo que ele viu, não que algum entrevistado (com possibilidade de distorção) lhe contou; do lado negativo, o fato de ser uma biografia escrita por um jornalista que se tornou grande amigo de seu objeto de estudo coloca o texto na defensiva ao focar muitas vezes no homem em detrimento da obra.

                    Robert Shelton (centro) com Dylan nos anos 60

Isso fica bastante nítido no trecho dedicado ao álbum “Blood on The Tracks” (e levanta “suspeitas” sobre todo o compêndio), em que o jornalista sai em defesa do homem contra todos aqueles que vangloriaram o disco por ele ter nascido de uma tragédia pessoal (o começo do fim do casamento com Sara). No faixa a faixa que faz sobre este álbum no livro, Shelton esvazia o tema polêmico universalizando o tema das letras sem falar no drama do casal (que ele presenciou) em nenhum momento. Isso não invalida a obra, mas é preciso estar atento tanto aos possíveis momentos de manipulação de Dylan (e ele sempre foi um exímio manipulador) quanto aos que Shelton protege o amigo. No saldo final, um compêndio dedicado, caprichado e repleto de informações, mas que precisa de mais uma ou duas visões (uma delas, a de Howard Sounes, e a outra o livro “Crônicas”, o café de amanhã) para que o leitor tenha uma visão menos embaçada de quem poderia vir a ser Bob Dylan (algo que talvez nem ele mesmo saiba).

Especial Bob Dylan com Café

julho 31, 2018   No Comments

Disco do dia: Damon & Naomi

Disco da noite: Num bate papo com o Lúcio, capo da Sensorial Discos, confessei minha paixão pela melancolia encharcada de lirismo do duo Damon & Naomi, romance que teve início no show que eles fizeram em São Paulo, 2002. Resenha da época (disponível no Scream & Yell):

“Nós vamos tocar ‘The Navigator’. Ela fez parte da trilha sonora de um filme. O filme era muito divertido. Já a música é miseravelmente triste”. Palavras de Damon Krukowski, parceiro de Naomi Yang, mais conhecidos como Damon & Naomi, o duo que seguiu junto após o termino do Galaxie 500 (o outro membro, Dean Warehan, montou o Luna). Mais do que explicar uma canção, a frase de Damon serve para explicar todas as canções do duo, pequenas elegias musicais em que dois, no máximo três acordes menores (dó, ré e lá, eventualmente um fá) constroem paisagens sonoras soturnas e delicadas. Se em álbum a música funciona como nostalgia de um tempo que sabe se lá se vivemos, ao vivo a simplicidade ganha forma e contornos especiais. A iluminação é simples. O palco, idem. De um lado, Damon e seu violão. No meio, Naomi dividindo-se entre o harmonium (um primo distante da nossa sanfona) e o contrabaixo e do outro lado, o guitarrista Michio Kurihara. A leveza paira no ar. Damon explica todas as canções, faz brincadeiras e conta “oneeeeee. twooooooooooo. threeeeeeeee” de um forma tão pesarosa que parece que não vai chegar ao “fouuuuuuuuuur”. Melancolia tocante e bonita.”

Desse show em diante passei a ir atrás de tudo que o duo lançou, como o maravilhoso “Within These Walls”, de 2007, resenha no site também: “Se alguém um dia lhe perguntar qual a definição da palavra melancolia, dispense o dicionário, pegue este maravilhoso disco e coloque pra tocar. Damon e Naomi (auxiliados pela guitarra charmosa de Michio Kurihara e, pela primeira vez, por cordas, sax e trompete) criam elegias sonoras que acolhem a alma, embalam sonhos e são capazes de fazer até o Capitão Nascimento pedir um lenço. Cuidado: ‘Red Flower’, ‘Cruel Queen’ e a faixa título podem derreter o seu coração.”

E tem a resenha de “Damon & Naomi With Ghost”. Ela se chama… “você já se apaixonou por um disco?” <3

 

julho 30, 2018   No Comments