10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 5

Dentre tudo que ouço e gosto, algumas bandas rendem alguns momentos de bullying de amigos que, por exemplo, dizem que “é fácil ter 10 mil discos quando se tem a coleção completa do Biquíni Cavadão e do Nenhum de Nós” – aliás, me falta o “Cardume” (1989) em CD, e descobri dia desses que está sendo vendido a R$ 999,99 no Mercado Livre e por R$ 2.174,25 no Discogs (assustou? “Tomate”, do Kid Abelha, em CD tá R$ 160 o mais barato, R$ 300 o mais caro; e “Lulu”, do Lulu Santos, variando de R$ 185 a R$ 450). Bem, aproveitando essa onda de discos favoritos decidi recuperar a primeira fase da discografia do Biquíni, uma improvável banda pop carioca, para eleger um favorito e, assim, lançar milhos aos pombos do bullying.

Apesar da masterização precária do vinil da época, “Cidades em Torrente” (1985) traz três baita big hits (“No Mundo da Lua”, “Timidez” e “Tédio”, com a batidinha deliciosamente safada da guitarra de Herbert Vianna, três canções que são a cara dos anos 80, e que são ótimas) e uma faixa que passou batido na época (a ótima “Múmias”, com Renato Russo no dueto vocal com Bruno Gouveia), mas que foi abusada e virada do avesso pós morte do legionário. Uma pena. Minha favorita: a divertidíssima “Inseguro da Vida”, mas gosto também de “Hotel”, “Caso” e “Reco”. No disco seguinte, “A Era da Incerteza” (1987), a banda começou um processo de amadurecimento, que não rendeu tantos hits (“Ida e Volta” tocou, mas nem tanto), mas ouvi esse disco quase até furar, principalmente o lado A do vinil (com “1/4”, “Tormenta”, “Inocências” e mais a faixa 1 do lado B, “Catedral”, que iria incomodar muita gente hoje em dia). Ainda tenho ele em vinil aqui…

Dai veio o terceiro disco, “Zé” (1989), meu favorito, porque soa um rompimento com os sonhos de sucesso ainda que “Teoria” tenha tocado nas rádios e tanto “Meu Reino” quanto “Bem-Vindo ao Mundo Adulto” ganhado sobrevida no quarto álbum, “Descivilização” (de 1991, que traz as bonitas faixa título, “Arcos” e “Vesúvio” além dos mega-hits “Impossível” e “Vento Ventania”). O tédio que era tema dos discos anteriores aqui se transforma em raiva e turbina canções como “Brincando com Fogo” e “Certas Pessoas”, ganha força irônica em “Samba de Branco” e na rancheira “Meus Dois Amores” e pinta de clássico torto no bluezaço “Direto Pro Inferno” (que, inclusive, já inclui em mixtape).

Dai em diante, perdi conexão com a banda. O disco de covers “80” é terrível (conforme resenha no Scream & Yell em 2001), “Escuta Aqui” (2000) é bacaninha, mas não me lembro de nada dos discos “Agora” (1994) e “biquini.com.br” (1998) – na verdade, eu já estava em outra, e o rock nacional havia ficado nos anos 80. A banda segue na ativa com público cativo e discos novos, mas mesmo esses quatro primeiros, que saíram num box com edições caprichadas em 2001, pouco retornam ao meu som (como pouco retornam os quatro primeiros da Legião), ainda que façam parte da minha história com a música. Bora aproveitar e mandar um #nowplaying para matar saudade.

10 discos favoritos

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