10 álbuns favoritos em 10 dias: Dia 4

um texto de 12 anos atrás

Qual o prazer em ainda ouvir um disco novo? O prazer é esbarrar com uma pequena obra prima de delicadeza e lirismo como este “My Secret Is My Silence”, estreia solo de Roddy Woomble, vocalista e guitarrista da banda escocesa Idlewild. Formado na segunda metade dos anos 90, o Idlewild soava – nos primeiros discos – como um Smiths passado pelo furacão grunge, nada que chamasse tanta atenção até o quarteto parir o terceiro disco, “The Remote Part”, sinal de maturidade dos escoceses. O single “American English” dava o recado: “The good songs weren’t written for you, they’ll never be about you”.

Então o peso da idade bateu. Roddy chegou aos 30 anos, achou que era hora de ser pessoal e pariu um conjunto de canções que não caberiam no Idlewild, mas são parte dele. O resultado é um que versa sobre “os espaços entre as palavras, a língua do silêncio, que é algo que se vê muito na Escócia, particularmente com os povos mais velhos nas montanhas”, explica Roddy. É sobre o que nós não dizemos. Sonoridades celtas, melodias de fazendeiros, o country que se junta ao alternativo. Para quem não se lembra, um dos grandes discos deste século, “Yankee Hotel Foxtrot” do Wilco, também versava sobre a comunicação entre as pessoas. Saudável coincidência.

“I Came From The Mountain” abre o álbum escorrendo lirismo. A acelerada “As Still As I Watch Your Grave” é comandada por flauta, acordeom e violino. A belíssima faixa título fala de prédios que foram construídos com sangue e chuva além de tristeza com gosto de uísque enquanto “If I Could Name Any Name” praticamente resume todo o pensamento de Roddy transformado num maravilhoso dueto com a cantora folk Kate Rusby. Em “Waverley Steps” quem brilha é Karine Polwart, outra folk singer. Um dos motivos deste álbum soar mágico é a boa companhia de que se cercou o líder do Idlewild, gravando o disco em duas semanas acompanhado dos conterrâneos do Sons and Daughters (o baterista David Gow e a baixista Ailidh Lennon, sua esposa) e do violino de John McCusker (produtor do álbum, e marido de Kate Rusby), entre outros. O resultado: um disco atemporal para ser ouvido… eternamente.

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