Category — Causos
Último dia de trabalho do ano
Eu gosto do meu trabalho. Quando me indicaram para a vaga balancei pensando se ia dar conta. Sofri um pouco nos três primeiros meses para criar uma metodologia de trabalho e, por fim, aprendi que editar uma capa de um grande portal é dançar conforme a música que está tocando. Melhorou pacas a minha vida (risos). Porém, não é segredo para ninguém: assim como Wander Wildner, se eu pudesse não faria nada, “nem essa canção”.
Ok, exagerei. Imagino Lili lendo isso acima e pensando na quantidade de noites em que fui pra cama às 2 ou 3 da manhã, pois fiquei atualizando o Scream, a Calmantes e escrevendo uma ou outra bobagem por puro prazer de escrever. Quem estou querendo enganar, né. Sou quaaaaaase um workalholic, mas sou um cara legal. Eu acho. O lance é que o que eu mais queria na vida era ficar fazendo isso: escrevendo, escrevendo, escrevendo. E escrevendo. Mas as contas chegam todos os meses, inevitavelmente.
Desta forma, a gente segue dançando enquanto a música não termina – do jeito que dá e sem saber dançar. Não dá para reclamar muito. 2008 foi um ano… sensacional. Olho para trás, para os posts que escrevi, para as coisas que aconteceram, para a viagem que fiz, e às vezes não acredito que eu vivi realmente tudo aquilo. Nem nos meus sonhos mais complexos poderia ter sido tão perfeito (ok, sempre pode, a gente sempre quer mais, muito mais, mas do jeitinho que aconteceu foi bastante especial).
Queria agradecer imensamente a todos que passaram por este espaço em algum momento. Queria agradecer muito a todos aqueles que deram dicas de CDs, filmes, albergues, lojas, HTML, textos, cervejas e o escambau. Queria agradecer a confiança, a amizade e o carinho que muitas vezes acredito não merecer, mas que recebo de coração aberto e tento – do meu jeito tosco – transformar em algo especial. Ainda estou tentando trilhar o caminho do bem, quem sabe chegamos a algum lugar.
Deixo a redação às 15h, corro pra casa para arrumar a mala (que Lili já está adiantando), parto ás 17h para o aeroporto e às 20h espero pousar em Belo Horizonte para um passeio de 14 dias por cidades históricas em busca de arte, memórias, cachaças, passeios de trem, comida mineira e pão de queijo. 2008 está quase dormindo, 2009 pode acordar a qualquer momento. E com seu despertar várias coisas boas hão de surgir. Que eu me lembre, nunca fiz tantos planos para um ano que se inicia, nunca criei tanta expectativa, e estou feliz por isso.
Feliz, pois apesar de tanta cacetada tomada da vida em anos e anos de janela, o sonhar ainda não me abandonou. E você sabe: é preciso sonhar para viver. Não só sonhar, claro. É preciso desejar, querer, e batalhar para que as coisas aconteçam. É preciso mirar um pontinho no horizonte e dizer “é lá que eu quero chegar”. Pode não ser fácil e pode até não dar certo, mas basta levantar e tentar de novo. Nunca é fácil, e quem disse que era mentiu. Mas não desanime, pois sonhar deve ser divertido. Sempre. Sonhe. E lute para que estes sonhos se transformem em realidade. Um bom 2009 para todos nós. Não se esqueça: força sempre.
Dezembro 29, 2008 9 Comments
As duas “melhores” manchetes do ano

2) “Natal Gordo Para a Fiel”

1) “Fábio Assunção dá um tempo na carreira”
O “poderoso” Diarinho que se cuide…
Dezembro 10, 2008 9 Comments
Caminhando na Paulista
Foto: Marcelo Costa
Domingo de café da manhã na Bela Paulista, caminhada na Paulsta, cinema no Espaço Unibanco e sono no fim de tarde. Bati umas fotos, nada tanto assim, aqui.
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A Rachael fez uma listinha do que seis meses de São Paulo ensinaram para ela. Gostei bastante. Leia aqui.
Dezembro 1, 2008 No Comments
Diálogos Impertinentes
- Quantos anos você ter daqui cinco anos, quando a Júlia nascer?
- 43…
- Então quando ela tiver 20 você vai estar com… 63.
- É, eu vou estar bem velhinho…
- Tudo bem, você vai ser um velhinho tipo o Gabeira.
- ?
- Jovem.
- ???
- Ah, você entendeu.
- ?????
Novembro 10, 2008 1 Comment
Tim Maia do Brasil
Ri muito durante as 385 páginas de “O Som e a Fúria de Tim Maia” (até devo ter ficado chapado em alguns momentos pela quantidade de baurets falada no livro), mas vou dizer que assim que cheguei no portão de casa, e entrei na última página, meus olhos marejaram. Sebastião merecia muito mais. Muito mais tudo.
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Próximo livro: “Bill Graham apresenta: Minha vida dentro e fora do rock” (Ed. Barracuda)
Outubro 30, 2008 4 Comments
Sobre a palestra na Sercom
Lembra que eu tinha dito que iria palestrar na segunda passada na Sercom da UniRadial? Bem, foi. O pessoal adorou, mas preciso melhorar muito com palestrante. Mesmo. A palestra que dei em Araraquara, ano passado, foi melhor. Nessa da Sercom eu tentei seguir por temas e acabei me confundindo um pouco, mas a própria turma me ajudou com ótimas perguntas que permitiram que eu voltasse a falar de coisas que eu tinha pulado durante o bate-papo. Meta pessoal agora: montar uma boa palestra para uma próxima oportunidade. Seguem links do site do evento e uma entrevistinha que fizeram comigo (”mestre” é um tremendo exagero, mas tudo bem - risos):
- Sercom 2008 (aqui)
- Entrevista (aqui)
Outubro 24, 2008 1 Comment
A velocidade do mundo moderno me atropela
Um dos grandes problemas de Mostras de Cinema em geral, e da de São Paulo em particular, é que são muitos filmes para serem devorados num curto espaço de tempo. E o bom cinema não é algo como um chiclete, que você masca, masca, masca e joga fora. Ele te acompanha por alguns dias. Na Mostra, porém, você sai de uma sala e em outra em outra e quando vê aquilo que você estava sentindo no primeiro passa a ser ocupado pelo segundo. E é tão… angustiante.
Por exemplo: hoje assisti na sessão das 19h uma comédia romântica alemã fofíssima, daquelas de sair sorrindo da sala de cinema. Chama-se “Monogamia para Principiantes”, tem um trilha sonora ótima, começa em Paris (num ângulo da Torre Eiffel que eu cheguei a enquadrar para uma foto) e desenvolve-se em Berlim. Sai nas nuvens sorrindo à toa (escrevo mais sobre ela na sequência) para encontrar uns amigos e encarar uma sessão de “Segurando as Pontas”, uma comédia hilária na linha “Corra Que a Polícia Vem Ai”. Acho que eu não ria tanto dentro de uma sala de cinema deste “Quem Vai Ficar com Mary?”.
Estou indo dormir agora (depois de três Xingu entre as sessões) e os dois filmes ficam rodeando a minha mente e muito embora a idiotia do segundo devesse ser esquecida em detretimento da teorização do primeiro, ambos dançam de mãos dadas sob minha alma de cinéfilo. O problema é que se não for assim, se atropelando, as coisas vão passando pela gente. E só tende a piorar. Eu acordo nesta quarta para ir ver a cabine de “Vicky Cristina Barcelona”, o novo de Woody Allen, sem ter me entregue totalmente a desgustação dos dois filmes que vi hoje. E não existe culpado… é só um desabafo… sem começo, meio e fim.
Ps. Acho que vou ver o show do Kanye West…
Outubro 22, 2008 2 Comments
Quadro de medalhas

Participei neste domingo da 5ª Corrida Santos Dumont, em São Paulo. Eram dois trechos e, totalmente fora de forma, aceitei o convite de Lili - que vem treinando faz alguns meses - para encarar a corrida de 5 quilomêtros. Acordamos às 6 e pouco da manhã (fui dormir quase às 4h após assistir o excelente GP do Japão - que corrida!), Lili tomou um rápido café, encarei um leite frio - que sempre ajuda a diminuir a força da gastrite - e lá fomos nós para o Campo de Marte.
Não lembro a última vez que havia corrido uma prova dessas, mesmo descompromissadamente. Faz um tempo que estou buscando uma atividade para fazer amparado naquela velha máxima de que é melhor cuidar do corpo, já que a alma já era (risos). Pensei no futebol, mas é preciso uma boa turma, sem panela, que não faça você correr a toa na quadra, e isso é difícil. A natação sempre foi vista com carinho por estes lados, e ainda devo encarar uma piscina. Só preciso encontrar um bom lugar, perto e… barato.
Ainda tem o squash, inspirado no começo de “Annie Hall”, do Woody Allen. Já acertei com um amigo, já vimos o preço da quadra, mas - putz - as raquetes são caríssimas. Ainda não dispensei a idéia. Nessa vontade danada de praticar um esporte diferente de levantamento de copo e arremesso de tampinha de garrafa, correr voltou a parecer uma boa solução. Isso de manhã. Agora, com a virilha detonada e o dedão inchado, começo a pensar duas vezes (hehehe).
A corrida fluiu super bem. Acompanhei Lili, e não quis forçar muito exatamente por não ter a mínima idéia do quanto meu corpo pode aguentar depois de tanto tempo sem fazer nada (e bebendo razoavelmente). Terminamos o trecho estipulado (ainda havia uma turma de 10 quilomêtros) em pouco mais de 35 minutos (fiquei em 177 na minha categoria, Lili em 78 na dela), o que pareceu bastante razoável, mesmo com o fato do vencedor da meia maratona do Rio de Janeiro, hoje, ter feito o mesmo trecho em 14 minutos. Como lembrança da prova a organização presentou os participantes com medalhas e, então, comecei a relembrar quantas medalhas já ganhei, e foram bem poucas, viu.
Tenho uma de bronze pelo terceiro lugar nos jogos escolares de Taubaté, mil novencentos e oitenta e pouco. Eu era goleiro do time de futebol de salão, e nossa sorte poderia ter sido diferente se não tivéssemos pegado o time do Industrial (colégio famoso de Taubaté, em que vários jogadores do time treinavam no time do Taubaté num ano em que o Taubaté ainda estava na primeira divisão do Paulistão). Seguramos a pressão até os 6 minutos, quando tomamos o primeiro gol e uma avalanche na sequência: 9 a 1. Fomos disputar o terceiro lugar, e vencemos.
Outra medalha, de prata, foi de uma gincana municipal muito bacana, daquelas que movimentam a cidade e tal. Ficamos em segundo, e nunca mais me devolveram um guia de todas as Copas do Mundo que emprestei para a equipe em um quesito que dizia que tinhámos que levar uma foto da Seleção Brasileira campeã em 1970. Fora isso, tem um quarto lugar em tênis de mesa em dos jogos universitários (mas nem conta muito pois eu era reserva e joguei só uma partida), e um quinto lugar em xadrez, também nos jogos universitários.
Na verdade, meu “grande prêmio” é um pequeno troféu que ganhei na Semana de Comunicação de 1996, o de dupla campeã do 1º Campeonato de Truco da Comunicação Social. \o/. É sério. E foi muito legal ter vencido. Primeiro que as oito duplas que passaram para as oitavas de final eram duplas do curso matutino, o que permitiu muita tiração de sarro com o noturno. Segundo que joguei com um japonês do terceiro ano, pois meus dois principais parceiros - Pinda e Dadá - jogaram juntos.
A final fomos nós dois contra o Pinda e o Dadá, e mesmo eu conhecendo todos os sinais, truques e manhas dos dois, sabia que vence-los em uma melhor de três seria muuuuuito difícil. Mas o legal do truco é que você pode derrubar favoritos com blefes e, principalmente, com um casal preto. A jogada que nos deu o título é histórica na turma, por um fato inusitado. Pelo vidro da sala de aula, o Pinda conseguia ver minhas cartas, mas só foi perceber isso na última mão. Ele viu que eu estava com casal preto, e percebeu o que eu estava armando, mas não podia fazer muita coisa.
Ou melhor, podia: torcer para que o Dadá não viesse me trucando no fecha da segunda passagem. E ele veio. O Pinda quase levantou do seu lugar para tapar a boca do Dadá, que se empolgou e gritou nove após o meu seis, que já garantia o título, mas não impediu de berrar “doze, vice”. Saímos, se não engano, com algumas caixas de cerveja - que foram distribuidas para a turma - e o troféu de Campeão, o único troféu pessoal que tenho guardado em casa. Nem sei mais onde foram parar as medalhas, mas sei que, sábado que vem - se a dor na virilha deixar - vou correr no Ibirapuera de manhã. À tarde, uma cervejinha, pois ninguém é de ferro…
Outubro 12, 2008 3 Comments
Um dia de silêncio
Minha avó morreu. Quando meu pai me ligou, na terça-feira, avisando que a vozinha estava internada, uma crise de dor de estômago se instalou. Eu nunca soube como iria lidar com isso, com a perda de algum familiar próximo, e cá estava agora enfrentando. Foram duas noites em claro esperando o inevitável. A Dona Lourdes tinha 78 anos, e seu coração - de ouro, como ela costumava falar das outras pessoas - não aguentou.
É meio difícil falar da importância da Dona Lourdes na minha vida. No velôrio, conversando com meu avô (eles se separaram ainda bem jovens - hoje ele tem 80 anos), ele me confidenciava que, “apesar de tudo, ela tinha sido muito importante por ter me dado seu pai e seu tio”. E eu brinquei: “É, vô, se não fossem vocês dois, essas trinta e poucas pessoas que estão aqui não existiriam”. Rimos juntos.
A Dona Lourdes tinha um lado sério, estourado, que sempre ficou visível na personalidade do meu pai e de minha irmã. Eu sempre me desculpei dizendo que havia herdado toda doçura e força guerreira da minha mãe, mas preciso assumir que a cada ano que passa me vejo parecido cada vez mais com seu Carlos, e consequentemente com a Dona Lourdes. Chega a ser engraçado - e instrutivo - como somos cópias (melhoradas ou pioradas, a avaliação é de cada um) de nossos pais e avôs.
O lado que mais se pronunciava em vovó, porém, era o lado bondoso. Dona Lourdes tinha um sorriso largo quando estava feliz, e soltava gargalhadas deliciosas assim como tinha uma face serena quando estava triste ou emocionada - os olhos abaixavam, o sorriso se escondia e a bochecha, enrugada, completava um delicado quadro lírico de doçura. Duas coisas são eternamente ligadas a imagem da Dona Lourdes: a vassoura e as sacolinhas.
Vovó limpava a casa por prazer e dever. Nada podia estar fora do lugar, nenhuma sujeira poderia ser vista. Quando você menos esperava, lá estava ela arrumando algo. Eu sei que é clichê, mas o feijão da Dona Lourdes foi o melhor feijão que comi na minha vida. Ela ainda fazia um filézinho de pescada a milanesa que só de lembrar minha boca se enche de água. Sem contar os bolos, variados, que sempre estavam lá quando eu e minha irmã chegávamos de Taubaté para passar férias em São Paulo.
Não me lembro da rua em que ela morava na Môoca, a primeira casa, apesar de visualizar com perfeição a escadinha, os sofás do lado direito e meu vô Chico nos esperando com um chocolate Alpino. A segunda casa, que mais frequentamos, era na Tóbias Barreto, e passamos anos e anos de férias ali. Ela nos levava a vários lugares, nos apresentava São Paulo, a São Paulo que ela conhecia tão bem. Um pouco da minha paixão por esta cidade eu devo a ela. Andamos muito juntos por aqui.
Sobre as sacolinhas, uma visão recorrente. Vovó sempre aparecia, do nada, em Taubaté com suas sacolinhas milgrosas que levavam roupas, brinquedos e comida. E não só em Taubaté. Na casa de meu pai, meu tio e alguns primos também. Ela chegava com os pulsos marcados pelo peso, um sorriso largo, reclamava do calor terrível da cidade, e se divertia com a nossa felicidade diante dos presentes.
Uma de minhas primas contava, no velório, que o bom foi que ela não sofreu. Ela foi internada no sábado, com principio de pneumonia, que se complicou devido ao fato dela ter deixado de tomar os remédios para sua arritmia. Os batimentos do coração aceleraram, e na velocidade o orgão não conseguia mais bombear sangue para irrigar o corpo. Ainda na semana passada ela tinha feito uma dessas viagens de sacolinha e estava reclamona e sorridente. Poder ajudar alguém - mesmo que não fosse da família - era algo que fazia seus olhos brilharem.
A Dona Lourdes é a primeira pessoa realmente importante de minha vida que se vai. Tenho, em meu coração esburacado, a lembrança de amigos fiéis, queridos e eternos, que se foram - cedo demais - mas vão sempre me acompanhar por todos os dias de minha vida até o momento de eu mesmo virar pó. Porém, perder alguém totalmente responsável por sua existência é algo maior, e faz a gente parar e pensar.
Toda vez que minha mãe, corujona, elogia aspectos da minha personalidade, digo a ela que além de ter aprendido a ser o que sou convivendo com ela, vendo ela lidar com o mundo, tenho o sangue dela correndo no meu. É inevitável. Tenho traços de personalidade claríssimos que me aproximam de meus pais. E de meus avôs. Sou uma versão atualizada - e, espero, melhorada, risos - deles. O sangue de minha avó corre por minhas veias. Ela descansou desse mundo doido, mas será eternamente a minha vozinha amada.
Outubro 11, 2008 16 Comments
Você já tomou Na Bunda?
Calma minha gente, eu tô falando da cachaça. Com todo respeito, por favor. A picante aguardente de cana grossa envelhecida em tonéis de pau barbado e produzida no município de Cacete Armado de pai para filho desde 1924 (clique nas fotos abaixo para ler mais detalhes do hilário rótulo da cachaça) é apenas uma das várias vedetes que circulam nos balcões do Porto da Pinga, cachaçaria de Paraty (endereço no fim do post). Neste caso, porém, a piada é mais importante que a cachaça (de terceira linha), por isso, deixe-a para o final da noite.
Antes, prove nomes como Canarinha, Boazinha, Lua Cheia, Seleta, Prosa e Viola (todas de Salinas, MG), Claudionor e Januária Centenária (Januária, MG), Germana (Nova União, MG), Benvinda (Patos de Minas, MG), Paratiana (Paraty, RJ), Maria Izabel (Paraty, RJ), entre outros, apreciando o sabor, degustando mesmo. Tome uma Providência (Buenópolis, MG) e, se a grana estiver sobrando, pense em encarar uma dose da mítica Anízio Santiago (Salinas, MG), que pode custar entre R$ 20 e R$ 30 (a dose, não a garrafa).
Curta o cardápio escolhendo as pingas pelas madeiras dos tonéis e, quando estiver preparado, tente encarar a botija com aguardente Pirahy (Volta Redonda, RJ) envelhecida com cobra. Você não tem nem tempo de pensar. O barman coloca o jarro na sua mesa e antes de você perguntar algo, ele mesmo enche o copo e vira a dita. Se ele não cair nos próximos dez segundos, não perca o brio: encha o copo, vire de uma vez e bata na mesa. Apenas tenha cuidado quando sair. Caminhar no Centro Histórico de Paraty pode ser uma aventura. Aqueles paralelepípedos…
Ps. Este blogueiro não tomou Na Bunda… apenas deu uma bicadinha nela!
Post escrito especialmente para o blog Bebidinhas (aqui)
Restaurante e Cachaçaria Porto da Pinga
Rua Matriz, 12, Centro Histórico, Paraty-RJ
(24) 99074370 / (24) 99580121
Agosto 20, 2008 1 Comment
Um puta clichê
Dia desses eu conversei com a Talita, que está se encaminhando para o projeto de conclusão da faculdade de Jornalismo, e está centrando o foco de seu estudo nos sites de cultura. No meio do papo, a pergunta:
- O que te levou a fazer jornalismo?
A resposta aqui
Ps. Tô pensando sobre a vida. Já volto.
Maio 25, 2008 3 Comments
Atualizando histórias

Na quinta-feira, enquanto o Intensom com Hurtmold e Mamelo Sound System esgotava os ingressos da choperia, me abasteci de dois chopps escuros para assistir ao Wado no teatro do Sesc Pompéia. Uma seleta platéia acompanhou o músico num passeio por seus quatro álbuns, privilegiando o repertório do recém lançado “Terceiro Mundo Festivo” (baixe aqui).
Centrado em programações, teclados, baixo e bateria (com uma guitarra, tocada pelo próprio Wado, eventual), o show destacou canções mais antigas como “Alagou As”, “Uma Raíz, Uma Flor”, “Ontem Eu Sambei” (do “Manifesto da Arte Periférica”) e “Sotaque” (”Cinema Auditivo”). “Tarja Preta” surgiu em uma versão sinuosa, contagiante.
De “A Farsa do Samba Nublado” marcaram presença “Tormenta”, “Grande Poder”, “Alguma Coisa Mais Pra Frente”, “Se Vacilar o Jacaré Abraça” e “Carteiro de Favela” (faltaram – sempre faltam – “Amor e Restos Humanos” e “Deserto de Sal”). Das canções novas, destaque para a pungente “Melhor”, a poderosa “Fita Bruta” e o sambinha “Fortalece Ai”. De extra, um excelente funk proibidão sobre o 11 de setembro. Classe. (mais fotos aqui)
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Na sexta, aniversário de Lili no Veloso. Tomei um banho de caipirinha de frutas vermelhas (acho que a camiseta do Ash não irá sobreviver), mas a turma toda se deliciou com as melhores caipirinhas e coxinhas da cidade (ainda volto para experimentar com calma o bife de tira).
Na volta pra casa pegamos um taxi com Luiz, o equivalente nacional de Jerry Fletcher, o motorista interpretado por Mel Gibson no filme “Teoria da Conspiração”. Se eu tivesse guardado ao menos umas duas ou três previsões que ele nos falou no carro, teria escrito um “cenas da vida em São Paulo”. Coisas assim: O mundo vai acabar em 2022. Na verdade, os Estados Unidos vão acabar, e o Brasil será a maior potência da Terra. Sério.
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Eu planejava ver uns filmes no cinema no fim de semana, mas não rolou. No sábado, só Lost. No domingo, uma amiga ligou convidando para um almoço no Consulado Mineiro, na praça Benedito Calixto. Depois de uma bela refeição (bisteca, torresmo, feijão tropeiro, tutu, couve, farofa de banana – estou ficando com fome de novo) e algumas doses da excelente cachaça Germana, não teve como resistir a voltar para casa e desmaiar na cama. Vontade de ficar a semana inteira debaixo do edredom, mas a gente tem que trabalhar, né mesmo. :/

Maio 12, 2008 4 Comments
Do humor
O humor é algo bem interessante. Constantemente me pego fazendo coisas que não faria em determinadas situações, tipo, comprar coisas que em uma situação normal não compraria, ou gostar disso ou daquilo, e depois perceber que aquele filme, CD ou coisa que o valha não era aquela coca-cola toda. Acontece. Tem dias que fico lendo meus próprios textos e demoro a achar um que preste. Em outros dias, porém, até dos meus poemas eu gosto. Vá entender.
Pensei nisso tudo, pois hoje na hora do almoço passei nas Lojas Americanas do Shopping Iguatemi e, diante das promos de DVDs, comprei um filme que eu nunca compraria em uma situação normal. Peguei primeiramente o “Despedida em Las Vegas”, do Mike Figgs, que baixou de R$ 19,90 pra R$ 12,90, e eu vou querer rever esse filme uma outra vez com certeza (o filme definitivo sobre o vício em alcoolismo, já que o clássico “Farrapo Humano” derrapa nos últimos cinco minutos).
Peguei também “O Ilusionista”, com Edwart Norton, que perdi no cinema e queria ter muito visto. Na época, entre ele e “O Grande Truque”, do Christopher Nolan, fiquei com o segundo (e não me arrependi – filmão!). Como o DVD estava custando R$ 9,90, não pensei duas vezes. Por último, antes de devolver o DVD de “Os Outros” (uma ótima cópia de segunda categoria de “O Sexto Sentido”) peguei… “O Código Da Vinci”, edição dupla, caprichada, com 25 minutos a mais de filme.
Dois anos atrás escrevi o seguinte: “Não deixe se enganar pelos números de bilheteria do filme e nem pela vendagem astronômica do livro. O Código Da Vinci é um simulacro de literatura e de cinema (texto na integra)”. Catzo, o que me fez pegar o DVD então? Ok, ele estava baratinho (R$12,90), tem os extras e fiquei realmente com vontade de conferir se a versão estendida consegue tapar os buracos deixados no cinema, mas… bem, eu estava bem humorado. Só pode ser isso. Não sei como não peguei o clássico “Curtindo a Vida Adoidado” e “Quem Vai Ficar com Mary?” também…
Se um dia você me ver comprando “Olga”, por favor, evite.
Ps: Apareceram nas Lojas Americanas os três filmes da Trilogia das Cores, do Kieslowiski. Não é a mesma edição bacana do box da Versátil (que você até encontra separado por ai, nunca abaixo dos R$ 25), com extras, entrevistas e outras coisas legais, e sim uma edição mais simples, que vale os R$ 12,90 cada filme (pela excelência da trilogia), mas a edição especial é tãooooooo melhor.

Lili me deu de presente de natal no ano retrasado :o)
Abril 24, 2008 12 Comments
A última compra

Eu já tinha decidido que não ia mais passar na Nuvem Nove. Economia é palavra de ordem aqui em casa neste momento pré-viagem de férias. Mas então o Jonas pediu para que eu fosse com ele a loja (e não precisava pressionar tanto, vai), e eu acabei levando o Guto e a Marcela juntos. Tudo 50%. Lá se foram R$ 99 em onze CDs…
É bem provável que nunca na minha vida eu fosse comprar o “Metal Machine Music”, do Lou Reed. Não importa que fosse a edição remasterizada em comemoração aos 25 anos do álbum completados em 2000 (remasterizar microfonia de guitarra, sei). Não importa que David Fricke, da Rolling Stone, estivesse gastando adjetivos no encarte. Não importa nem que o texto original do próprio Lou estivesse transcrito. Nada disso importava.
Porém, você vai e olha o CD na prateleira. Ele olha para você. O preço da etiqueta diz que ele deveria custar R$ 40, o que quer dizer que, neste momento, ele está custando R$ 20. Está lacrado. É uma edição especial numerada (esta é a de número 5.132, o que faz imaginar que mais de 5 mil loucos no mundo têm esse disco em casa) “There is no other álbum in rock & roll like ‘Metal Machine Music’”, avisa a contra-capa. Era uma vez R$ 20…
Mas para dizer que sou forte (tsc tsc tsc), deixei um da Françoise Hardy, anos 60, que estava de R$ 60 por R$ 30, e a versão remaster do segundo álbum do Blondie, com cinco bônus tracks, de R$ 40 por R$ 20. Eu só devia ter pego os dois da Carmen Miranda, que estavam R$ 9 cada um. Minha última compra na Nuvem Nove acabou ficando assim:
R$ 20 - “Metal Machine Music – Limited Edition”, Lou Reed
R$ 11 - “Recuerdos de Asunción 443″, Jorge Ben Jor
R$ 11 - “Acústico MTV”, Paulinho da Viola
R$ 10 - “Bongo Fury”, Frank Zappa
R$ 10 - “Baby Snakes”, Frank Zappa
R$ 09 - “Gung Ho”, Patti Smith
R$ 07 – Songbook de Dorival Caymmi Volume 3
R$ 05 - “Eliana Pittman”, Eliana Pittman (série Odeon 100 Anos)
R$ 05 - “Doris Monteiro”, Doris Monteiro (série Odeon 100 Anos)
R$ 05 - “Dory Caymmi”, Dory Caymmi (série Odeon 100 Anos)
R$ 05 - “O Último dos Moicanos”, Moreira da Silva (série Odeon 100 Anos)
Ps. escrevi mais sobre a Nuvem Nove na Revoluttion. Leia aqui.
Abril 18, 2008 3 Comments
Nuvem Nove e Pasolini
A Nuvem Nove, uma das lojas de CDs mais bacanas de São Paulo, fechará às portas no dia 26 de abril. A primeira vez que fui à loja foi em 2000. Recém mudado para São Paulo, e trabalhando no iG (na primeira das minhas três passagens pelo portal), fui convidado a conhecer o local por dois Fábios, Sooner e Bianchini, com mais alguns outros amigos. Tratava-se da Confraria da Sacola Azul, uma turma de jornalistas que baixava na loja todo dia 15 e 30 (vale e pagamento) para se abastecer dos bons itens que a loja oferecia. A Confraria não durou muito tempo, mas a loja permaneceu firme até o mês passado, quando o Zé, dono da loja, anunciou o fechamento.
Passei por lá hoje, e as prateleiras já estão bem vazias, mas há ainda como encontrar boas coisas por bons preços. Dentre os achados de hoje estão o “Peace and Noise” da Patti Smith, o “1999″ do Prince, “Lê Danger” da Françoise Hardy, o volume 2 do songbook do Ary Barroso, e o grande achado dos últimos meses: o box “A Trilogia da Vida”, de Píer Paolo Pasolini, com “Decameron” (1971), “Os Contos de Canterbury” (1973) e “As Mil e Uma Noites” (1974). Dos três, assisti apenas ao último em uma sessão no CCBB, anos atrás.
Fiquei tão apaixonado pelo cinema do cineasta italiano que comentei com um amigo, Márcio, cinéfilo de longa data, que relembrou como tinha sido assistir ao polêmico “Saló” em uma das primeiras edições da Mostra Internacional de São Paulo, em 1979. “Estava uma bagunça na sala, falação e piadinhas, coisa de quem não estava acostumado com um evento como a Mostra. Parecia uma sala de aula, e ficou assim até uns dez minutos de filme, quando começaram a sair pessoas da sala assustadas com Pasolini”. Sensacional.
Este reencontro com Pasolini e as lembranças de vários amigos nesse post servem para mostrar o quanto uma loja interessante quanto a Nuvem Nove pode fazer parte da vida afetiva de qualquer pessoa. Boas lojas de CDs, sebos, livrarias, cinemas e shows são lugares ótimos para se encontrar pessoas legais. Na Nuvem Nove (assim como na Sensorial e na Velvet CDs, estas duas na Galeria Presidente, no centro de São Paulo), porém, o interessante não era só comprar música, mas conversar sobre ela. Não à toa, vários encontros de participantes da comunidade da revista Bizz no Orkut foram marcados ali.
Com o fechamento das portas da Nuvem Nove, São Paulo não perde apenas mais uma loja de CDs, mas perde sim um ponto de encontro de pessoas apaixonadas por boa música, algo que pode soar tolamente romântico, mas é a mais pura verdade. Uma grande perda, sem dúvida.
Abril 15, 2008 4 Comments
Dez coisas

- Hoje faz 14 anos que o cara que inspirou o nome desse blog se foi.
- Estão ótimos os comentários da coluna “Você trocaria todos os seus CDs por MP3?” (leia e comente aqui) Vou tentar escrever uma nova coluna refletindo os comments.
- Os discos novos do Bazar Pamplona (”À Espera de Nuvens Carregadas”) e do OAEOZ (”Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada”) estão fazendo bonito aqui em casa.
- Ando viciado na caixa “Ensaio Geral”, do Gil, que cobre o período dele na Phillips (1967/1977). Primeiro foi “Viramundo” (ao vivo com coisas dele pós exílio) e agora é “Cidade de Salvador” quem disputa espaço na correria do dia-a-dia.
- Queria dormir ouvindo o novo do Spiritualized por dias e dias e dias…
- Listei sete filmes em cartaz no sábado passado para tentar ver um por dia. Assisti a “Shine a Light” no sábado mesmo, ‘matei a aula’ no domingo (mas vi “Era Uma vez no Oeste” - ah, a Claudia Cardinale - Zé Ricardo, foi só um suspiro), e preguicei ontem. Hoje eu ia tentar fazer uma rodada dupla. A idéia era ver “A Famíla Savage”, “O Banheiro do Papa” ou “Irina Palm” ás 19h e pouco e emendar com “Antes de Partir” ás 22h. Ainda na lista: “A Culpa é do Fidel” e “Senhores do Crime”. Porém, apesar de ter chegado em casa com tempo de sobra para pegar as duas sessões, uma chuva forte me fez perder a primeira, e no horário da segunda eu já estava me divertindo com um pacote de CDs importados que chegou em casa. Ou seja, nada de cinema.
- Isso tudo sem contar que começou o Ciclo Melhores Filmes de 2007 do CineSesc (programação completa aqui). Ou seja: mais filmes para se ver. Quinta vou assistir ao “Em Paris” e tentar pegar algum da listinha… :/
- E para você ver como sou um dos caras mais enrolados do mundo, hoje que decidi falar da exposição Magnum 60 anos, descobri que a exposição acabou anteontem. Catzo. Vi a exposição umas semanas atrás, e fiquei tão emocionado com algumas fotos, de encher os olhos mesmo (disfarçando pra Lili não perceber), que tinha que comentar aqui. Hoje, que devido a desistência de dois filmes, sobrou um tempo, a exposição já saiu da Paulista. O mínimo que posso fazer e linkar uma galeria com várias das fotos que estavam lá expostas (veja aqui) e abrir e fechar este post com as minhas duas preferidas.
A primeira, que abre esse post, é de Marc Riboud, e data de 21 de outubro de 1967. Milhares de manifestantes estavam na frente do Pentágono, em Washington, para protestar contra a guerra no Vietnam. O fotógrafo, que trabalhava para a agência Magnum, seguiu uma determinada jovem que parecia querer colocar uma flor na arma de um soldado da Guarda Nacional. Diz se não é uma foto de chorar? A segunda tem um viés mais cômico, característica do fotógrafo Elliott Erwitt. A foto em questão, “Felix, Gladys and Rover” mexeu comigo de tal forma que, se pudesse, eu teria arrancado a moldura da exposição e levado pra casa. Olha a expressão do Chihuahua!!!! Linda demais. Bah, chorei de novo. A propósito, a Magnum é uma agência cooperativa fundada em 1947 por Robert Capa junto a David Seymour, Henri Cartier Bresson e George Rodger…
- Pego meu passaporte nesta quarta. Tenho que marcar dentista e marcar aulas de inglês com alguém que ainda não sei.
- Vou esquentar o caldo verde de ontem e me enrolar no edredom. Baixou uma melancolia por aqui e ela precisa de atenção…

Abril 8, 2008 5 Comments
Você descobre que está…
trabalhando demais quando, depois de cinco dias intensos de cobertura de carnaval, acorda às 10h30 da quarta-feira de cinzas em meio a um “grande pesadelo”:
Estou na redação, aquela correria, quando alguém chega:
- Pessoa 1: Marcelo, Marcelo, o MSN vendeu todas as suas ações para um conglomerado asiático que está tirando do ar todo o seu conteúdo…
- Pessoa 2: Não consigo entrar no MSN, não consigo entrar no MSN…
No meu computador, tento acessar o MSN em vão. Vou para a página deles, e sou encaminhado para outra, cuja paisagem remete ao Himalaia. É algo assustador (no sonho; terrivelmente engraçado agora), pois cada clique que dou, a página do MSN começa a carregar e, em seguida, aparece a paisagem do Himalia com palavras e frases em uma língua que não consigo entender.
A redação está uma balburdia, penso no iCQ como alternativa (ao mesmo tempo me pergunto: o ICQ ainda existe?) e no meio da piração lembro que o MSN também detém o Hotmail, e a essa altura todos os meus e-mails foram para o espaço sideral virtual. Começo a teclar calmamente o endereço quando… o telefone toca e eu acordo.
Acho que preciso de uma folga.
Fevereiro 6, 2008 4 Comments
Alguém ainda ouve fitas cassete?

Nesta semana, após soltar um spam básico divulgando a publicação dos Melhores do Ano do Scream & Yell, uma amiga retornou o e-mail dizendo que tinha ido parar, através daquele spam, em uma coluna antiga minha na Revoluttion, que versava sobre fitas cassete e tinha o sugestivo título de “Qual música te define?“. Entre papos sobre fitas cassete e seleções de canções para pretês (isso é tão 02 Neurônio, né), lembrei que tenho sei lá quantas dezenas de fitas cassete em casa.~São duas maletinhas cheias delas, a maioria seleções de canções que eu fazia para eu mesmo ouvir, outro tanto de demos, e uma pequena parte de seleções feitas por amigos.
Muito tempo atrás, revirando essas fitas, tive a idéia tosca de sortear uma coleção do R.E.M. e mais algumas outras, e foi bem legal. Aí eu tava pensando se não deveria fazer o mesmo com essas, afinal, é muito melhor que elas sejam ouvidas do que ficarem guardadas eternamente em uma maletinha no quarto escuro. Mas então me pergunto: alguém ouve fitas hoje em dia? Não sei. Eu, até um ano atrás, de vez em quando pegava uma daquelas seleções e colocava pra ouvir, mas agora, na casa nova, meu Tape Deck nem está na sala, o que dificulta.
Dentre as dezenas de seleções que fiz tem algumas que considero especiais tipo a “Sobremesa” (a capa é uma torta de morango), que além de Nação Zumbi (a faixa título), tem R.E.M. (”So, Central Rain, I’m Sorry”), U2 (”Wake Up Dead Man”), Arnaldo Baptista (”Será Que Eu Vou Virar Bolor?”), Neil Young (”Changing Highways”), Engenheiros (”Sob o Tapete”) e Mundo Livre S/A (”Homero, o Junkie”), entre outras. Tem que ter um gosto bem amplo para curtir uma seleção dessas. Já a “Golden Lights” (inspirada em uma canção dos Smiths) traz Blues Etílicos (”Terceiro Uisque”), Soul Asylum (”Somebody To Shove”), Herbert Vianna (”Lição de Astronômia”), Lou Reed (”Trade In”), Legião Urbana (”A Tempestade”) e Radiohead (”No Surprises”), entre outras. Só estas duas já servem de paralelo para as outras cento e tantas. Será que um dia vou ouvir isso? Será que alguém quer ouvir isso? Será que alguém ainda ouve fitas cassete?
Janeiro 19, 2008 15 Comments
Sonhar é permitido, viver é permitdo
O processo que eu havia iniciado em 2006 persistiu por todo o 2007: meu amadurecimento. Ou, como escreveu o amigo Takeda um dia, o descongelamento. Passamos anos de nossas vidas congelados em um tempo que se foi, mas que não queremos deixar partir. Recusamos o amadurecimento em pró da eterna adolescência. Mas, quer queiramos ou não, a maturidade bate a nossa porta. E quando percebemos estamos descongelando. Dois mil e sete foi um dos anos mais importantes da minha história pessoal. E também da nossa história social, Brasil, saca. Como diria Marlon Brando, muitas coisas que pareciam ser relevantes, hoje não são mais. Posso creditar meu principio de descongelamento ao fato de ter expandido minhas fronteiras: posso dizer que cheguei perto da fronteira do Chile com a Bolívia e, quer saber, é uma experiência e tanto.
Posso creditar também ao fato de que, desde julho, sou um homem casado. Quase casado, ok. Dividir a vida com uma pessoa é algo extraordinariamente revigorante. E por mais que você se julgue mestre em relacionamentos, acredite, há um mundo de diferenças entre namorar uma pessoa e viver com ela. A gente aprende tropeçando, não tem jeito. E talvez essa seja a graça de tudo, e esse é um dos segredos para se manter uma história de amor: humor. Rir nos momentos bons… e nos ruins também.
Conceitualmente, porém, o que mais mexeu com meus pensamentos em 2007 foram dois fatos isolados acontecidos no meu poderoso inferno astral: o assalto em Buenos Aires e o atropelamento na rua da Consolação, dois minutos da porta de casa. É clichê pra caralho, mas não tem jeito: sentir a morte caminhando por perto mexe com a gente. E o atropelamento nem foi algo assim, violento. Mas depois que recebi o impacto, senti a escuridão, e abri os olhos sentindo um gosto de sangue nos lábios e a mão toda arrebentada, impossível não pensar no que poderia ter sido.
Passei algumas semanas pensando nisso, e o estranho é que, entre o mil anos a dez ou o dez anos a mil, sou partidário do mil anos a mil. Eu nunca quis pouca coisa, mas assim que o pessoal do Resgate me imobilizou e me transferiu para a ambulância, eu só conseguia pensar na quantidade de coisas que ainda não tinha feito, que seria uma grande bobagem divina alguém me aprontar uma peça. Era impossível não caraminholar isso: um dos meus grandes amigos sofreu um acidente de carro, foi transferido para o hospital, acordou no outro dia e falou com a família, tudo ótimo, mas quando foram transferi-lo da cama para uma maca, uma hemorragia interna o levou. Ele tinha 21 anos. Eu também. Melhor não arriscar.
O assalto me balançou de outra forma. Deu tudo errado naquele dia. Pior: os sinais eram evidentes, mas mesmo assim demos bobeira. Lili queria conhecer La Boca. Seus livros de arquitetura rendiam elogios ao lugar, porém, La Boca é um dos bairros mais pobres de Buenos Aires. Não dava pra marcar bobeira. A sucessão de erros começou no hotel: inseguro em relação ao dinheiro (R$ 4 mil no total), coloquei R$ 2 mil num bolso inferior perto do joelho esquerdo e outros R$ 2 mil foram guardados numa bolsinha por dentro da calça. Como tínhamos uma encomenda (uma camisa do Boca para o sogro), decidi levar R$ 200 em reais mesmo, para aproveitar a valorização da moeda. E mais 100 pesos para comprar outras coisas, almoçar e tal. Ou seja, eu estava portando aproximadamente R$ 4.500, e não se leva uma quantia dessas em um bairro barra pesada, ok.
Além do dinheiro (que era tudo que tínhamos para seguir viagem – Buenos Aires era o começo), eu levava uma Canon S215 (deve estar uns R$ 1500 por ai) na mochila, além de frutas e nosso guia de viagens, que tinha servido de base para todo o planejamento da viagem. Minha idéia era pegar um ônibus na avenida 09 de Julio (havíamos visto vários no dia anterior) e seguir até La Boca. Encostei numa banca de flores e perguntei para um garoto como chegar a La Boca. Ele respondeu?
- La Boca? Não vá a La Boca.
Eu ri, e insisti, mas ele continuou com o mesmo discurso, repetindo mais duas vezes:
- Não vá a La Boca.
Deixamos o menino e seguimos uma quadra. A idéia do ônibus já não parecia tão boa, então paramos um táxi. Assim que disse ao motorista que queríamos ir para La Boca, ele praguejou algo e nos deixou estatelados na calçada. O táxi seguinte, porém, parou e nos recebeu, mas o motorista não abriu a boca um segundo sequer nos 15 minutos de trajeto. Ele nos deixou logo na entrada do bairro pelo lado do porto, e a primeira coisa que me chamou a atenção foi uma pixação em um conjunto velho de prédios: “Nos precisamos de água quente”. Poucos dias depois que partimos para Santiago, nevou em Buenos Aires. E moradores de La Boca não tinham água quente…
Fizemos o trajeto turístico, com vários seguranças contratados pelos comerciantes locais, e saímos por uma rua em direção ao estádio de La Bombonera, do Boca Juniors, casa que viu Diego Maradona nascer para o mundo. Eu não havia conseguido entrar no estádio nas duas vezes anteriores que eu o tinha visitado, mas desta vez demos sorte, e passeamos pela arquibancada, tiramos fotos, nos divertimos. Coloquei a máquina digital (que é de média pra grande) no bolso da jaqueta e partimos em busca do almoço.
O guia que levávamos falava muito bem de um restaurante italiano em La Boca, e depois de alguns dias devorando bifes de chouriço, experimentar uma boa massa nos pareceu uma grande oportunidade. Nosso erro, porém, foi nos desligarmos completamente do lugar em que estávamos. Olhávamos os prédios, as casas, eu questionava coisas sobre arquitetura, Lili me explicava, até que chegamos a uma grande igreja (duas quadras fora do centro turístico) e bateu um frio na barriga sem motivo. O motivo, na verdade, se revelou na esquina seguinte.
Assim que entramos na rua do restaurante, a Nepuchea, cinco caras nos cercaram. Um deles tirou Lili de lado, e depois de fuçar nos bolsos de sua jaqueta, e ela dizer que não tinha nada, apenas pediu para que ela ficasse em silêncio. Os outros quatro partiram para cima de mim, me jogando ao chão e tentando me atacar como urubus em busca de carne fresca. Não se deve, nunca, reagir a um assalto, mas tem coisas que são mais fortes que a razão. Colei minha perna esquerda no asfalto (no bolso próximo ao joelho havia R$ 2 mil) oferecendo o bolso da direita, que trazia apenas um caderno de anotações. Com uma mão eu segurava a máquina digital, e com a outra tentava atrapalhar o máximo possível a ação dos quatro rapazes. Passava um pouco do meio-dia.
A grande maioria dos assaltos não dura mais do que um minuto ( e existe uma grande porção que dura segundos, e você só descobre que foi assaltado horas depois), mas este deve ter batido os 120 segundos. Quando, finalmente, eles conseguiram retirar minha carteira (e ver os 100 pesos lá dentro) e minha mochila, saíram correndo deixando eu e Lili para trás. A primeira coisa que me veio à cabeça: documentos. Me levantei na hora e sai correndo atrás deles gritando “documentos, documentos”. O rapaz que estava correndo com a carteira a abriu e foi jogando RGs (meu e de Lili), vistos de entrada no país, cartões de crédito e de débito e outros. Resgatamos tudo e fomos acolhidos por uma família dona de um restaurante. Eles chamaram a polícia (que não veio), nos deram alguns pesos para a passagem do ônibus, e nos acompanharam até o ponto.
Tenho certeza que, assim que sai do restaurante, um dos assaltantes me aguardava na porta. Minha intenção era chutar-lhe o saco com toda força e arremessa-lo no meio da rua, mas seria uma grande idiotice. Eu estava com a máquina (que eles devem ter sentido falta na mochila, já que só a capa dela estava lá) e com R$ 4 mil. Não dava para cometer mais um erro. O dono do estabelecimento bateu boca com o cara, o clima ameaçou esquentar, mas fomos levados em segurança até o ponto de ônibus. O senhor se desculpava pelo acontecido como se ele tivesse culpa, e dizia que atrás do porto havia uma grande favela. Lili passou boa parte da viagem acordando assustada, e minha função – além de protege-la – era dar-lhe segurança e calma. Após alguns dias as coisas voltaram ao normal.
Apesar de toda violência (que, na verdade, me rendeu apenas um roxo no lado esquerdo do rosto, que sumiu no dia seguinte), não foi o fato em si que mexeu comigo, mas os pensamentos que dele decorreram. Primeiramente, não tiro a razão daqueles caras. Eu e Lili éramos dois turistas “esbanjando” enquanto eles estavam ali passando fome. É algo como aquela piada que diz “que a sociedade me deve a sua carteira, saco, mano”. Não estou querendo dizer, de forma alguma, que aprovo. Não, não aprovo. Eu sei o quanto Lili e eu ralamos para juntar aquele dinheiro, o quanto planejamos aquela viagem, mas se os assaltantes fossem se preocupar com isso, não teríamos crimes no mundo, não é mesmo. Na verdade, acho que os motivos são mais importantes que o fato.
Caraminholando incessantemente sobre tudo isso, e caminhando os meses seguintes pelas ruas cheias de pobreza de São Paulo, cheguei a conclusão (óbvia) de que se queremos um mundo melhor, precisamos dar o exemplo. Não ria. Eu sei que é piegas, mas numa entrevista que concedi ao amigo Carlos William, da revista Bula, ano passado, respondi assim a seguinte pergunta:
“E o PT?”
“Um sonho que nos apresentou a realidade: não existem sonhos!”
Não quero descambar para o partidarismo (na verdade, quero ficar cada vez mais longe deles), pois sempre votei em pessoas, não em partidos. O que estou querendo dizer é que se já sabemos que não podemos confiar em ninguém, que não existem sonhos quando o assunto é política, dinheiro e poder, então está na hora de fazermos as coisas nós mesmos. E, mais do que nunca, deixarmos o social de lado e agirmos no pessoal. Sim, mudarmos as coisas ao nosso redor primeiro. Sempre fomos acomodados demais, mas precisamos mostrar que se as coisas podem dar certo, elas tem que começar a dar certo dentro da nossa própria casa, do nosso próprio ambiente de trabalho, da nossa família, do nosso bairro. Sempre acreditei que fazer o bem é a melhor coisa que uma pessoa pode fazer para mudar o mundo, e apesar de parecer a coisa mais piegas do mundo, é no que eu acredito realmente.
Não estou fazendo, de forma alguma, uma apologia da cegueira do tipo “feche os olhos para as coisas feias do mundo, para as pessoas que te xingam no sinal de transito, para aqueles que roubam o seu dinheiro, para os políticos que fazem da nossa capital federal um grande e nada engraçado circo”. Precisamos acreditar na Justiça, evitarmos a tolice (pois, como escreveu Blake, “se os outros não forem tolos, nós teremos que ser”) e buscarmos um mundo melhor. Quero chegar aos 100 anos, como Niemeyer, de preferência em um mundo muito melhor do que este que vivemos agora. Por mais que as grandes empresas nos queiram longe das decisões importantes (já leu o poderoso “Sem Logo – A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido”, de Naomi Klein?), a força está em cada um de nós. E nós podemos construir um mundo melhor a partir da nossa história pessoal, das coisas que vivemos, das pessoas que conversamos, das idéias que trocamos, da camiseta que vestimos. Tenho pensado muito nisso. E acho que essa é uma boa maneira de começar 2008: acreditando em um mundo melhor, apesar de assaltos, atropelamentos e partidos políticos. Apesar de tudo.
Feliz ano novo para todos nós. E força sempre.
Ps. Não esqueça: sonhar é permitido, viver é permitido. Sonhe. Viva.
Feliz 2008.
Dezembro 28, 2007 9 Comments
Açai com vodka

Após uma dúzia de cervejas, papeando sobre misturas alcoólicas, contei que quando meu pai teve uma sorveteria em uma cidadezinha do interior, anos e anos atrás, uma das metas de minhas férias escolares era descobrir qual sorvete combinava melhor com uísque.
Morango e limão foram reprovados, mas chocolate e creme passaram com louvor. A Ligelena, que estava na mesa, contou que adora sorvete com vodka. Eu tinha comentado na mesa algo sobre minha vontade de comer açaí, foi quando deu o estalo na mesa: o que será que vai dar misturarmos vodka com açaí?
A Juliana não quis nem saber (depois, aprovou). O Guto protestou contra o uso de banana e granola. Eu, Jonas, Renata e Ligelena nem ligamos e aprovamos a mistureba toda. Depois que “bebemos” a primeira cumbuca na colher (com uma senhora dose de vodka), pedimos outra, que atendendo aos pedidos do Guto, veio sem granola, mas com banana. Desceu tão bem que já virou um dos pratos especiais do reveillon da turma.
Dezembro 18, 2007 2 Comments

























