Category — Causos
Entrevistando Fernanda Young

Não lembro ao certo que mês de 2001 foi, mas acho que era novembro ou dezembro. Desci a rua Albuquerque Lins, no bairro de Higienópolis com meu gravador e duas fitas cassete de 60 minutos para entrevistar Fernanda Young em seu apartamento. Ela estava lançando um livro (mediano), “Efeito Urano”, até hoje o único que li dela (por causa da entrevista), e me aguardava com os dois pés atrás.
Assim que entrei em seu apartamento, notei uma certa insegurança por parte dela, que gesticulava muito tentando soar à vontade. “Você é o repórter da Reuters, certo. O Alexandre (Carvalho, marido) me disse que a Reuters é muito importante. E eu ficava falando pra mim mesma. ‘Reuters, Reuters, Reuters, está tudo bem”. Ela chamou a empregada, me ofereceu algo para beber e ficou feliz de eu ter escolhido coca-cola ao invés de água. Sinais, sabe.
Cerca de quarenta minutos depois, no meio de uma resposta, ela solta: “Puxa, eu nunca falei tanto como eu estou falando agora (risos) e eu nem queria dar entrevista, né”. A tarde passou voando e quando vimos, as duas fitas cassete de 60 minutos estavam abarrotadas de conversa. Então surgiram Estela May e Cecília Madonna, suas duas filhas, e aproveitei o momento família para me despedir e subir a Albuquerque Lins em direção a Teodoro Sampaio, local em que eu morava na época.
Fernanda Young foi bem interessante nas duas horas que conversamos. Me pareceu se desarmar da persona que criou para provocar o mundo e a conversa rendeu uma longa entrevista de 14 páginas que ficou reduzida a 3 mil toques para a Reuters. Isso era 2001 e cortamos para 2009. Ela é capa da edição de novembro da revista masculina mais famosa do país, e parece ter incomodado muito gente com isso. Mais: homens agem como se fosse proíbido ela ter feito o ensaio. Bobagem.
Alguns dizem que ela é feia, no que discordo, embora também não a ache um exemplo de beleza. Na verdade, beleza não tem a ver com ela. Fernanda Young é falastrona, provocadora e irritante. E isso a sociedade (principalmente a ala masculina) não suporta. É o inverso da sensação de paixão que faz com que homens enxerguem suas mulheres como a mais bela do mundo. Pouca gente parece amar Fernanda Young, e isso a torna feia, burra e chata. Copo meio vazio, eu sei, mas é assim.
Particularmente, gostei de algumas fotos prévias do ensaio. Essa edição vai ser (fácil) mais interessante do que qualquer uma das tão “amadas” Mulheres Frutas. No entanto, fotos de nudez a parte, acho que essa entrevista que fiz com Fernanda Young em 2001 é uma das minhas prediletas junto com o bate papo com Ian McCulloch e também uma longa troca de e-mails com o amigo André Takeda. Recentemente, fiquei feliz com o resultado da conversa com Wado aqui em casa.
Destas quatro citadas (linkadas abaixo) e entre todas as outras que fiz, a minha preferida é a da Fernanda Young. Acho que o politicamente incorreto é extremamente necessário (nunca sonhei em viver no paraiso do bom mocismo), e a liberdade de expressão é um bem valioso demais para todos, mas fica feio quando descamba para a hipocrisia. São gestos não pensados e idiotas de machos que pensam apenas com a cabeça debaixo que acabam desancadeando fatos como o da moça da Uniban.
Fernanda Young muitas vezes me irrita, mas se ela quer ficar pelada, eu não vou reclamar. Pelo contrário. Como diria o sábio Roger Rocha Moreira no hino “Eu Gosto de Mulher”: “mulher faz bem pra vista”. Sua nudez é benvinda e não deveria ser castigada. Em um mundo em que Gilberto Kassab é um péssimo prefeito, José Serra candidato forte à presidência e Caetano Veloso é consultado (e levado à sério) sobre tudo que acontece, Fernanda Young é dos males (se for), o menor. E não quero nem imaginar Kassab, Serra e Caê nus. Prefiro a Fernanda Young.
Leia mais:
- Marcelo Costa entrevista Fernanda Young (aqui)
- Marcelo Costa entrevista Ian McCulloch (aqui)
- Marcelo Costa entrevista André Takeda (aqui)
- Marcelo Costa entrevista Wado (aqui)
Novembro 7, 2009 14 Comments
Um fim de semana bastante agitado
Ok, ok, essa última semana foi um pequeno caos de coisas legais acontecendo, e a fuga da rotina fez com que o corpo clamasse por descanso (que só vai acontecer no domingo), que a alma sonhasse e que as atualizações no blog e no site dessem uma capengada, mas coisas bacanas vêm por ai.
Ainda tenho que preparar um texto sobre o passeio pela Chapada dos Guimarães (as fotos já estão no flickr – aqui) e outro sobre a palestra excelente do Paul D. Miller, o DJ Spooky, na quinta-feira em Belo Horizonte. O recital foi cansativo, mas a correria SP/BH e o champagne colaboraram.
Para esta sexta-feira tem cerveja com pessoas queridas à noite e Ludov no Studio SP na compania de vários amigos. A família S&Y bate cartão em peso no local com Adriano vindo de Belém e Murilo saindo de Curitiba mais a presença do chapa Tiago Agostini. Sábado de manhã gravo participação no programa de rádio Sonzera, da FAAP, e depois encontro o grande Marco Antônio Bart para cerveja e churrascos.
O sábado “termina” com um passeio no Playcenter na compania de Thurston Moore, Iggy Pop, Bobby GIllespie e dezenas de amigos. Para qualquer hora do (sábado ou) domingo tenho que gravar um depoimento para o projeto Quinta no Bloco, de Juiz de Fora, que me recebe no fim do mês para um bate papo sobre o cenário independente e intercambio musical.
E ainda tem repescagem da Mostra e estréia de “500 Dias com Ela” e “Alto Volume”. Um fim de semana agitado para uma semana agitadíssima…
Novembro 6, 2009 2 Comments
Um fim de semana em Taubaté

Não lembro a última vez que eu tinha ido pra Taubaté, mas fazia um bom tempo. Uns cinco anos. Por ai. Desde que minha mãe passou a vir me ver em São Paulo, perdi o laço que tinha com Taubaté. Ok, tenho grandes amigos lá, pessoas de que sinto uma saudade imensa várias vezes, mas não consigo me organizar a ponto de reservar um fim de semana completo e correr atrás de todos. Estou ficando cada vez mais caseiro, e minha casa é o meu reino, o lugar em que mais me sinto bem em São Paulo.
Mesmo assim, a viagem deste fim de semana teve um q de nostalgia imenso. Talvez por Lili ter ido comigo, e eu ter sentido a minha personalidade despida, afinal, apesar de ter nascido em São Paulo e ido para Taubaté com cinco anos, foi lá que aprendi a ser quem eu sou. Eu cresci e me transformei nessa confusão de idéias sem sentido passando mais de vinte anos de minha vida em Taubaté. Não tem como não ter sido influenciado. Felizmente, a influência foi boa. Acho.
Aqui cabe um trecho de “Primeiro o Amor, Depois o Desencanto”, de Douglas Coupland: “Eu sempre me orgulhei de não ter sotaque algum, mas então percebi que o meu sotaque era o sotaque de lugar nenhum. É por isso que eu nunca senti realmente que eu era de algum lugar”. Mais ou menos isso. São Paulo sempre correu nas minhas veias, e eu sempre soube que voltaria para cá, mas mesmo hoje em dia, vivendo aqui faz 10 anos, não me sinto nascido aqui. E já começo fazer planos sonhadores de ir embora.
Então caminho longamente por algumas ruas de Taubaté. Passo por lugares que presenciaram primeiros beijos e começos de namoro. O passado esbarra em mim, e mancha de saudade a minha alma. Eu vivi tudo isso. Eu vivi essa cidade. Observo lugares em que trabalhei, outros em que estudei, e ainda outros em que bebi e comi. Encontro amigos. Não resisto e fujo à noite procurando o gosto de um sanduíche familiar. E fico feliz de descobrir que o gosto permanece o mesmo.
A cidade não para. Não me lembro quem me deu essa foto acima. Nem a data dela. Deve ser anos 40. Ou 50. Quando mudamos para Taubaté, nos anos 70, a praça Dom Epaminondas já era bem diferente, mas ainda não tinha o calçadão, que surgiu no final dos anos 80, se não me engano. É uma imagem poética, ao menos para mim. Agora tudo soou mais triste. As lojas em que comprei tantos vinis se fecharam. A praça está diferente. Me lembro punk, de calças detonadas, vivendo histórias engraçadas ali. Foi.
A sessão nostalgia terminou num fim de tarde no Sítio do Pica-Pau Amarelo. Morei alguns anos na Rua Pedrinho, que termina na Rua Pica-Pau Amarelo, que cruza a Rua Emília e se transforma em Rua Visconde de Sabugosa, que segue até o sítio. Adorava ir ao local jogar futebol. Hoje fiquei olhando minha sobrinha brincar com personagens de Monteiro Lobato enquanto uma menininha de uns dois anos tentava pular corda –fofíssima sem tirar os pés de chão.
Na casa antiga, de tinta descascando e falta de reboco em alguns ambientes, em que se transformou meu coração, Taubaté tem um canto especial no quarto das minhas memórias mais queridas. Eu abro uma gaveta e dezenas de histórias se jogam em meu colo, tentando se ajeitar diante da fragilidade da organização das minhas lembranças. Não posso fazer muito por elas, além de carregá-las comigo pelo resto de meus dias. Acho que ambos ficamos felizes por isso. E a vida continua.
Outubro 4, 2009 8 Comments
Eu também tenho sangue português
Nessa confusão de genes que me formaram, descobri que também tenho sangue português. O alemão vem por parte do pai da minha avó materna. O índio é da mãe dela. O espanhol, até onde sei, é coisa da minha avó paterna. E do meu avô paterno é sangue português, segundo ele, uma união dos Toledo com os Costa (e eu nem sabia que tinha Toledo na família).
O seu Sérgio, meu avô, passou esta manhã em casa atualizando as histórias de família com uma memória excelente para os seus 82 anos. Ainda não sei se essa novidade lusitana explica a confusão de idéias que me formam, mas achei interessante. Ainda quero saber mais, mas fica para outra visita do seu Sérgio. Afinal, quem sabe não desco para Lisboa ou Porto numa próxima viagem, né mesmo.
Setembro 28, 2009 4 Comments
Das coisas que me explicam, parte 2
“Sou um homem sossegado. Tenho tendência a pensar bastante e tentar não falar demais. Mas aqui estou, talvez falando demais. Existem, porém, esses sentimentos dentro de mim que precisam muito escapar, acho. E isso me faz sentir aliviado, porque uma das minhas maiores preocupações nesses últimos anos é que eu tenho perdido minha capacidade de sentir as coisas com a mesma intensidade - da maneira que eu sentia quando era mais jovem. É assustador - sentir as suas emoções fluindo para longe e não dar a menor importância”.
Trecho de “Primeiro o Amor, Depois o Desencanto”, de Douglas Copland
Leia também:
- Das coisas que me explicam, parte 1 (aqui)
Setembro 21, 2009 2 Comments
Meus cinco botecos preferidos em São Paulo

A primeira coisa que me disseram quando comentei que iria listar os meus botecos preferidos em São Paulo foi: “Que coisa de alcoólatra, hein”. A idéia, na verdade, era falar de alguns lugares legais que eu gostaria muito que outras pessoas – principalmente de fora – conhecessem. Por fim, acabei descobrindo que vou sempre aos mesmos lugares. Quase sempre (risos). Pra mim, a idéia de boteco vai muito além de um lugar para beber, beber e beber. Tem que ter comida boa também.
Na verdade, o Kebabel (de boas cervejas importadas e nacionais) na Fernando de Albuquerque poderia entrar na lista. Já tive ótimas (e péssimas) experiências no BH, na quadra de cima do Espaço Unibanco na Augusta, e é uma pena eles só terem cerveja long-neck. O Salve Jorge, com a melhor porção de polenta frita acompanhada de molho bolonhesa da cidade, merece uma citação assim como o The Pub, na Augusta, o Filial e o São Cristovão na Vila Madalena, e mesmo o Ibotirama, na esquina da Fernando de Albuquerque com a Augusta. O Leblon (desde que você não beba cerveja de garrafa que custa o dobro de um boteco comum) na Bela Cintra e o Bar do Léo, na rua dos Andradas, no centrão (sábado é dia de bolinho de bacalhau), merecem uma visita. No entanto, os meus preferidos são…
Veloso
É um botecão pé limpo com jeito de botecão pé sujo (o que traz um certo charme). Tem uma camisa do Juventus (da Rua Javari mesmo, não o italiano) na parede, as mesas de madeira bem próximas e quase sempre na lotação máxima. A cerveja é leve e você bebe como se fosse água, mas os carros chefes da casa são a melhor caipirinha da cidade (Souza, o responsável, foi eleito o melhor barman de São Paulo nos últimos três anos pelo seleto júri da Veja São Paulo) e as sensacionais porções de coxinha (foto acima) e bolinho de arroz com toque de calabresa.
As caipirinhas são algo. Tem de saque, vodka (nacional e Absolut) e cachaça (Velho Barreiro, mesmo). Opto sempre por esta última, e vou devorando o cardápio começando quase sempre por Tangerina, depois Frutas Vermelhas, Jabuticaba, Frutas Amarelas, Abacaxi e Carambola. As coxinhas são reverenciadas por muitos. Eu, por exemplo, passei dois anos ouvindo Lili dizer que nenhuma coxinha poderia ser melhor que a do Balbec, em Uberaba, até ela provar a do Veloso. Virou fã. Se vou com ela, é a primeira coisa que ela pede. Se vou sem ela, tenho que trazer uma porção pra casa.
Depois de freqüentar o bar durante um bom tempo (já faz uns três anos), passei da coxinha para o bolinho de arroz com toque de calabresa, com recheio que derrete na boca. O Veloso fica em uma rua de paralelepípedos na Vila Mariana, atrás da caixa d’agua entre as estações de metrô Ana Rosa e Vila Mariana. Paralelo a ele, e dividindo a mesma cozinha (ou seja, a mesma coxinha e o mesmo bolinho de arroz, mas não o mesmo barman) tem o Brasa Mora, uma versão ajeitada do Veloso. O cardápio é quase o mesmo que o do vizinho, com a vantagem que nele há um item especial: o sensacional bife de tira de picanha, meu prato preferido nessa cidade maluca. Aos sábados, tanto Veloso quanto Brasa Mora oferecem feijoada. Vale.
Rua Conceição Veloso, 56, Vila Mariana
http://www.velosobar.com.br/
Exquisito
Não lembro a primeira vez que fui ao Exquisito, mas foi nas primeiras semanas após a inauguração. Hoje em dia, quando algum amigo inventa de aparecer e quer beber em algum lugar, sempre indico o Exquisito. Encontrei a Helena (que me ensinou a fazer risoto), Camilinha (e o Carlos) e vários outros amigos diversas vezes ali. Por ficar na rua em que eu moro, por ter um dos melhores chopps escuros da cidade, por ser o primeiro bar de São Paulo a servir Patricia e Nortenha e também pela magnífica porção de bolinho caipira, algo que me faz suspirar e me leva direto para as festas juninas de infância em Taubaté. Eles também tem um cardápio de responsa de comidas latinas (com destaque para o chilli com carne) e a decoração do local é bem cool.
Rua Bela Cintra, 532, Consolação
http://www.exquisito.com.br
Esquinão do Fuad
Já faz uns seis ou sete anos que fui apresentado á picanha no saralho (eu escrevi saralho), e me apaixonei (por “culpa” da Karina, que me levou para conhecer seus amigos, que ficaram meus amigos, e até hoje batem cartão no lugar - nós todos). A especialidade da casa são as carnes, e esqueça bebidas especiais: o que funciona no Fuad são as cervejas de garrafa. Na minha última ida ao local, mês passado, quando fui cambaleante olhar a conta da mesa para deixar uma grana já estávamos em 39 cervejas. “Só faltam nove para esvaziarmos dois engradados”, pensei, mas não cedi a tentação e fui pra casa. Com certeza, o pessoal da mesa alcançou a marca. Hehe. A decoração é de botecão com uma infinidade de placas oferecendo as diversas especialidades da casa. Tempos atrás eles lançaram a Picanha a La Ronaldo, que vem acompanhada de mandioca e agrião. Apesar de ser corintiano, preferi continuar com a picanha no saralho. Ligelena é fã do lugar.
Rua Martin Francisco, 244, Santa Cecilia
http://www.esquinagrill.com.br
Bar do Zé
Eu morei seis anos na Rua Maria Antonia. Ok, três na esquina da Maria Antônia com a Dr. Vila Nova, e três na própria Maria Antônia. Não tem como deixar o Bar do Zé de fora de uma lista dos meus botecos prediletos de São Paulo. Cansei de beber sozinho no balcão observando a rua movimentada (geralmente por gente do Mackensie) assim como almocei diversas vezes em mesinha na rua (uma vez, inclusive, com o casal Stereo Total na mesa ao lado folheando uma cópia xerox do livro dos Mutantes). Fiquei completamente viciado no pão com mortadela e vinagrete e recomendo várias vezes o Monalisa, um delicioso sanduiche de quatro queijos. Aqui o negócio todo também gira em torno da cerveja de garrafa. Lembra muito um bar de bairro de cidade do interior. E ainda tem um porém: o pessoal dos Festivais (Chico, Paulinho da Viola) bebia aqui naquela época. Mais histórias? É só bater “Bar do Zé + Maria Antônia” no Google. hehe
Rua Maria Antonia, 216, Vila Buarque
Charm
A única coisa boa do Charm é a… localização. A única. Ele fica na esquina da Rua Antonio Carlos com a Rua Augusta, quase em frente ao Espaço Unibanco, e é um ótimo lugar para se esbarrar em amigos. Ou seja: é uma autêntica curva de rio. Mesmo que eu tentasse nunca saberia quantas vezes fui lá. Dezenas de porres homéricos começaram ali. Várias noites do ano em que morei na Rua Antônio Carlos começaram ali. Eu conheci Lili, inclusive, numa roda de cerveja que fizemos na calçada, “o” lugar para se ficar no Charm. Para você sentir o nível da coisa, já participei da comunidade do bar no Orkut discutindo coisas tão edificantes quanto a identidade do Tio de Pijama. Papo de boteco, claro. Os lanches são toscos, mas a cerveja está sempre gelada. Tente sempre conseguir uma mesa na calçada. 90% do legal deste bar é ficar na calçada. Mas também não sei quantas vezes bebi no porão… risos
Rua Augusta, 1448, Consolação

Junho 4, 2009 16 Comments
Das coisas que me explicam
>De resto, tudo bem. Eh impressionante como essa poluição toda me faz >bem para alma.
Meu Deus, os paulistas realmente nao sao deste planeta, isso eh pq vc nao mora no Rio, eu vejo o mar e o sol e a lagoa e a montanha todos os dias… todos os dias Deus me lembra que estou viva
> Hoje vou ver “Dali” no Masp. E eh isso. A tristeza esta me pegando sei >la porque e isso tem me arrebentado…
A tristeza esta te pegando pq vc gosta disso. Vc eh meu companheiro “ludico”, vc eh o elemento de insanidade e irrealidade do meu cotidiano. Vc pra mim nao existe, certo? Vc eh palavras bonitas e poemas no meu dia; vc eh a magica que eu nao tenho normalmente. E por ser assim, vc eh tristeza e alegria (mesmo que melancolica), pq eh so sentimento puro; e mesmo que voce me fale do sanduiche de cebola, nozes e repolho que comeu, mesmo assim sera belo pq eh um contexto de conto-de-fadas, nao eh simplesmente a narracao de uma refeicao, e sim algo bem mais profundo, uma constatacao paradoxal da sua existencia - eu nao *imagino voce, voce *eh*, apesar de nao existir.
Fragmento de correspondência pessoal SP/RJ, 1999
Maio 18, 2009 4 Comments
Quando eu penso na infância
A primeira escola que estudei foi a Cel. José Benedito Marcondes de Matos, no Bosque da Saúde, em Taubaté. Não lembro tanta coisa a respeito dessa fase de primeiro grau além de que eu precisava caminhar uns quinze ou vinte minutos a pé para chegar ao colégio. Eu atravessava a Av. Oswaldo Aranha, passava por uma praça e descia uma ladeira até chegar à porta da escola num ritual que hoje em dia me lembra correria, avental branco e poeira.
Minha mãe diz que me comportei bem na primeira aula. Enquanto outros meninos choravam assim que seus pais deixaram a sala, fiquei ali observando o mundo. Entrei no primeiro ano sabendo ler e escrever, o que me ajudou muito, mas não me lembro de estudar. Nada. Gostava de História e Geografia, não dava à mínima para Ciência e enganava em Língua Português e Matemática. Acho que fui bem nestes primeiros anos, pois segui na classe A até a quarta-série.
Tento me esforçar, mas não me lembro de professores. Das coisas que me lembro: a Márcia, que pode ser descrita como a minha primeira e inocente paixão. E a Elaine, meu par nas quadrilhas de festa junina. Não me lembro de nenhuma das duas dentro da sala de aula. Acho que esse ambiente está em algum canto apagado da minha memória. A lembrança que tenho das duas é totalmente externa, e mesmo assim não consigo desenhar todos os detalhes. São fragmentos.
Não me lembro direito do rosto da Márcia, mas tínhamos um ritual de brincarmos todos os recreios. Hoje em dia, quando escrevo todos os recreios, não me passa pela cabeça que mesmo no período em que estive com catapora, sarampo, ou algo que o seja que tenha me deixado em casa de cama, tenha me impedido de passar aqueles eternos quinze minutos correndo de lá pra cá, daqui pra lá, ao lado dela. Parece que, simplesmente, todas aquelas manhãs foram divididas com ela.
Já da Elaine eu consigo lembrar nitidamente. Fizemos par nas quatro quadrilhas, da primeira até a quarta-série. Noivo e noiva. Ela tinha um rostinho fofo, algumas sardinhas mínimas, pele clarinha e era bem magricela. Minha lembrança mais clara da Elaine é um registro com eu e minha mãe subindo a ladeira de volta pra casa após um ensaio de quadrilha, e ela fazendo muito gosto na minha noivinha julina que nos acompanhava morro acima. Penso nela e me lembro de flores, primavera.
Meu romance inocente com a Márcia terminou abruptamente quando retornei para a 4ºA e ela não estava na sala. Segundo descobri com meus amigos, sua família mudou de bairro e ela foi transferida de escola. Foi um ano difícil, a começar pela perda dela, depois pela separação dos meus pais, e toda mudança na rotina familiar com a saída de casa do meu pai, e a ida de minha mãe para o mercado de trabalho. No ano seguinte mudei de escola, não me lembro qual o motivo, e também não tive par de quadrilha…
Ps. Também lembro de uma briga no meio da praça, mas não sei o que causou…
Maio 18, 2009 No Comments
Uma semana sem câmera digital

Deixei minha câmera digital na assistência técnica ontem. A príncipio era só para uma limpeza, mas como acontece toda vez que vamos ao médico, descobriram mais alguns problemas, o principal com relação ao motor do zoom, que já estava batendo as botas mesmo. Fiquei horas pensando se deixava ou não ela no conserto, se valia continuar com ela assim e já investir em uma nova. Porém, pesou o fato de estarmos às vésperas de uma viagem. Não quero uma câmera pifando no meio de Paris.
Mas então fui beber com uns amigos no Esquinão do Fuad (de novo) e o Douglas me mostrou a Canon Powershot G9 com que ele bateu boa parte das fotos que fez em Cuba, e fiquei apaixonado pela danada. Leve, com ótimo zoom (melhor do que a minha CanonS2) e algumas outras vantagens. Vou procura-la por ai, mas ainda devo continuar com a S2 um bom tempo… Uma semana sem câmera digital e na próxima quinta tem Pullovers, na sexta Móveis e no sábado Ludov…

Maio 16, 2009 4 Comments
Eu uso óculos e perco chaves
Não, eu não uso óculos. Ainda. Passei esta manhã fazendo exames periódicos sob recomendação do iG, o que me fez parar um boooom tempo para ler na sala de espera do consultório (Veja, Caras e a Folha de hoje), passar na audiometria (minha audição está ok, acreditem) e tropeçar na oftalmologia. Segundo o doutor, estou com dificuldades para ler a longa distância. Ainda acho que eu estava sonado de tanta espera. Mesmo assim ele insistiu para que eu fizesse um exame cuidadoso em outro oftalmo. Se as meninas do Leblon pararem de olhar pra mim, você já sabe…
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Isso você também já sabe: existe um mundo paralelo, um buraco negro, um universo para todas as canetas, guarda-chuvas, clipes e grampos perdidos vão parar. Perder uma caneta ou um guarda-chuva é tão normal quanto pegar um ônibus. Eu, porém, tenho uma especialidade: chaves. Não lembro quando adquiri diploma nessa categoria, mas nos últimos anos isso tem acontecido com bastante freqüência. Vejamos. Hoje perdi a chaves. Acho que pode ter sido no taxi na ida, em algum dos exames do consultório ou provavelmente no ônibus na volta. Cheguei em frente ao prédio, bati a mão no bolso, era uma vez.
A última vez tinha sido alguns meses atrás. Eu e Lili tínhamos ido ver um show no Sesc Vila Mariana. Coloquei chaves e documentos em um bolso interno da jaqueta. Chegando lá, sentindo o provável calor da caminhada, tirei e coloquei o jaquetão embaixo do banco. O show terminou, peguei o capote, vimos de taxi e quando chegamos em casa… era uma vez. A vantagem de perder a chave de dia é que o serviço para abri-la é 50% mais barato. Pagamos R$ 80 da outra vez. Hoje foi R$ 40. Teve uma vez que foi R$ 50, era um domingão, mas já faz uns três anos. Passei o dia inteiro com a afilhada no Playcenter, deixei ela e a comadre na rodoviária, cheguei em casa (ainda na Maria Antonia) numa garoa e… era uma vez.
Se você é meu amigo, tome cuidado. Eu também perco chaves de amigos. Em Londres, no ano passado, perdi a chave da casa do Daniel, mas dei sorte, pois eu também tinha perdido o passaporte. Foi na porta da Rough Trade, e me levaram o passaporte na mesa em que eu e a Luciana estávamos tomando café. A chave… era uma vez. A outra foi em Curitiba. Eu estava na casa do Dary, do Terminal Guadalupe, para o Curitiba Rock Festival. Cheguei, ele me deu às chaves, chamamos um taxi e fui beber com uns amigos no centro da cidade. Não foi nem uma hora e eu perdi a chave. Mas dei sorte de novo. Lembrei que havia pedido o taxi em uma central. Liguei lá, eles tinha o número do taxista, entraram em contato, e ele deixou a chave conosco horas depois. Ufa.
Em Buenos Aires também aconteceu, mas foi por um motivo extra. Quatro caras me cercaram em La Boca, eu resisti ao assalto e depois de alguns segundos eternos eles me derrubaram no chão e só me deixaram quando pegaram a carteira e a mochila. Dei sorte de novo, pois o prejuízo foi muito menor do que poderia ter sido. Perdemos a mochila, o guia de viagem, algumas frutas e uns 200 pesos, mas eu permaneci consegui segurar a nossa máquina digital e proteger todo o dinheiro da viagem, que estava comigo (nunca saia com todo o dinheiro, nunca). Conto em detalhes aqui, mas o fato é que na briga acabei perdendo a chave do apartamento em que estávamos em San Telmo. Tudo bem, nada que 5 pesos não pudessem resolver. Agora estou pensamento seriamente em acorrentar a chave na carteira. Ou algo assim. Estou me cansando de mandar chaves para o universo paralelo das chaves perdidas. Será que vai demorar para os prédios de classe média terem identificação por meio da digital? ![]()
Maio 13, 2009 6 Comments
Mundo Livre S/A e um fim de semana gostoso

Fred Zero Quatro baixa com o Mundo Livre S/A no CB para shows na terça (12/05) e quarta-feira (13/05). Vou na quarta, mas a vontade seria ir nos dois shows. Ingressos: R$ 25 na lista (via site) e R$ 35 na porta. E sexta tem Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro no Studio SP…******

Parece que o inverno chegou, né. O que não atrapalhou o fim de semana gostoso dessa cidade maluca em que as quatro estações do ano dão as caras no mesmo dia. Sexta à noite foi dia de Picanha no Saralho (eu escrevi saralho!) no Esquinão do Fuad com uma turma boa de amigos. Fiquei na Bohemia com a Ju enquanto Tiago, Ligelena, Osório, Tari e cia apreciavam a Serra Malte (e a Capitu tomava coca-cola). Trinta e nove cervejas depois achei por bem voltar pra casa.
Acordei no sábado (sem ressaca) para acompanhar o treino da F1, e depois eu e Lili (que fazia aniversário) passamos na Velvet para dar um abraço em alguns amigos e almoçarmos no Salve Jorge da São João, no centrão, uma básica porção de polenta frita com molho bolonhesa (dá água na boca de lembrar), três caipirinhas (Lima da Persia com saque pra Lili, Tangerina com Manjericão e cachaça pra mim, e uma extra de Rúcula com Uva Thompson e vodka, bem boa). De almoço, um ótimo bife de ancho.
No fim da tarde, um cochilo, e à noite show do Oasis, que você vai já sabendo como vai ser: burocrático, mas com alguns momentos reluzentes. Domingo fomos ao Museu da Língua Portuguesa, que começa nesta semana uma exposição sobre a França (se você for ao Museu, não perca a sala interativa no terceiro andar). O passeio valeu bastantee acabamos indo almoçar no Acrópoles (foto acima), um restaurante grego bem aconchegante no Bom Retiro que está completando 50 anos em 2009, e optamos por carne de cordeiro ao molho de alcachofras (você escolhe diretamente na cozinha).
Depois fomos ao Asterix, um bar na Joaquim Eugênio de Lima (depois do Prainha e quase em frente ao Black Dog da Paulista) especializado em cervejas importadas. Lili foi de Germana enquanto eu e Kátia optamos por cervejas alemãs (as belgas estavam bem caras): abrimos com uma Weihenstephaner Vitus (uma bock feita com malte de trigo e cevada) que não me impressionou, e seguimos com uma Scheneider Weisse (boa cerveja de trigo que tem um aroma de banana - isso mesmo) e fechamos com uma Baden-Baden especial bock. Já em casa pós 18h, após um banho quente, “South Park” no DVD e pipoca no colo. Era uma vez um fim de semana beeem legal.
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O Douglas acabou de voltar de dez dias em Cuba e eu curti muito as fotos dele. Veja no flickr aqui.
Maio 11, 2009 4 Comments
A perna mecânica do Rei
Você já descobriu o jornal “Sensacionalista”? Divirta-se.
“Amigos dizem que o cantor é tão supersticioso que se jogou debaixo de um trem e deixou a perna esquerda ser decepada só para acordar todo dia com o pé direito.” Leia mais aqui!
Maio 4, 2009 1 Comment
Seis meses sem receber da Símbolo
A revista UM de outubro do ano passado foi às bancas com uma reportagem minha de cinco páginas e mais de 20 fotos com base na viagem que fiz à Europa em julho/agosto daquele ano. O pessoal da revista foi extremamente bacana comigo, e a reportagem ficou interessante, porém veio a crise, a editora Símbolo atrasou o salário dos funcionários, jornalistas entraram em greve em fevereiro, e o Sindicato pressionou a editora. Não sei se as coisas se normalizaram por lá de fevereiro para cá, mas sei que estou tomando um chá de cadeira para receber o freela que, dia 02 de maio, completa seis meses de atraso.
Se o atraso em si já não fosse um problema, o pior é o desrespeito da editora para com quem colabora/colaborou com alguma de suas revistas. Após dois meses de atraso foi me dado um número de telefone e um e-mail para contatar a pessoa do contas a pagar, que deveria efetuar o pagamento que estava agendado para 02 de dezembro. Primeiro escrevi um, dois, três e-mails. Depois liguei e falei com o tal cara do contas a pagar. O que ele me disse? “Me manda um e-mail com seus dados, por favor”. Para o mesmo e-mail que eu havia enviado perguntas sobre o pagamento antes.
Enviei o e-mail e, desde então, sigo uma rotina de ligar duas ou três vezes por semana, enviar e-mails, e nunca ser respondido nem contatado por telefone. Ele me atende quando ligo, às vezes pede meus dados (o que é uma bobagem, afinal minha RPA assinada com dados bancários está no contas a pagar, e ele já viu que meu nome consta da relação daqueles à que a Editora Símbolo deve dinheiro), diz que irá me retornar, e nada. É sempre o mesmo jogo, que abro aqui não apenas para preparar quem pensa em fazer um freela para a Símbolo, mas também para registrar a partir de agora todos os contatos e a maneira que a editora trata os seus colaboradores.
Abril 27, 2009 11 Comments
Um dia de folga na vida
Acordei as 8h e pouco da manhã hoje. Depois de um plantão de feriado de quatro dias, nada como ficar em casa sozinho. Lili saiu para trabalhar e eu vim para o computador escrever, editar algumas coisas e pesquisar dados para a viagem de julho. Às 12h30, após ter publicado uma 500 Toques com The Who, Llyod Cole e Pearl Jam (o link está ai do lado no feed do Scream & Yell 2.0), decidi beber uma Primator para escrever sobre ela. E ela não foi só o meu almoço. Foi o café da manhã também, a minha primeira refeição do dia.
Costumo fazer isso sempre. Não beber (ok, isso também), mas esquecer de comer quando estou fazendo algo de que gosto. Imagina que a cerveja de 7.5% de grau alcoólico subiu que era uma beleza. Assisti um trechinho de “Stardust Memories”, do Woody Allen, e sai para caminhar, almocei numa churrascaria de terceira da rua 24 de Maio (e a alcatra estava mó boa), passei na Velvet CDs (sabia que o primeiro do Beirut vai ser lançado no Brasil?) para dar um abraço no amigo André, e voltei pra casa pra dormir.
A idéia inicial para o dia era pegar uma sessão dupla da Mostra de Melhores do Ano do Sesc, mas acabei cabulando o primeiro (”O Mistério do Samba”) para um cochilo. Antes dele, amigos me avisaram que os convites para o show do Heavy Trash (o projeto do Jon Spencer) haviam esgotado e que não haveria lista de desconto na porta do Studio SP. O bom de morar do lado das baladas é que você coloca uma bermuda, um chinelo e uma camiseta qualquer nota e vai lá averiguar. Eram 450 ingressos numerados. Comprei o 449 (e ainda liguei para três amigos para ver se eles queriam o 450. Ninguém quis).
Voltei pra casa feliz com o ingresso na mão e nem deu tempo de tirar um cochilo. O chapa Carlos Freitas atendeu meu pedido de socorro e veio me dar umas dicas para eu arrumar um problema recorrente do lay-out do Scream & Yell 2.0, e quando vi já estava na hora do segundo filme do dia. Sai correndo, literalmente. Subi a Augusta a 30 por hora (se o Ronalducho corre 46, eu acho que garanto 30) e cheguei na sessão em tempo de tomar um café e pegar uma quiche de bacon.
O filme era uma bobagem… francesa. Chama-se “Uma Garota Dividida em Dois”, e é do respeitado Claude Chabrol. A protagonista nem era tão gatinha assim para uma francesa é uma graça* (Ludivine Sagnier), e a história é tudo aquilo que a gente já viu tanto: ela se apaixona por um escritor quarentão, mas um moleque rico e mimado está no pé dela, e ela nem ai com ele. O escritor dá um pé na bunda dela, para o bem dela (claro), e ela - numa atitude tipicamente feminina e francesa - decide casar com o primeiro que aparece. Quem, quem, quem? Uma bala Juquinha para quem disse o moleque rico e mimado.
Não é difícil descobrir o que acontece adiante, certo? Lembre-se: é um filme francês. Ela se casa com o riquinho, ele fica com ciúmes do passado dela com o escritor, e decide dar cabo ao oponente no meio de uma festa de caridade da mãe. Dois tiros, babau. A mãe, canastrona, pede que a nora - que ela odeia - testemunhe a favor do filho contando as atrocidades que o escritor havia feito com ela, que na verdade foi introduzi-la numa suruba de granfinos. Lembre-se: é um filme francês. O testemunho da moça serve como atenuante no caso, e o rapaz que matou um escritor famoso pega só sete anos de cana.
O dramalhão não acabou, afinal estamos em um filme francês, certo. Ela vai visita-lo no xilindró, e ele não quer saber mais dela. Ela vai visitar a sogra, que a avisa que no dia seguinte ela receberá uma carta com o pedido de divórcio do filho, e ela sairá do casório como entrou: sem um euro furado. Ela sai batendo o pé dizendo que vai ficar com o carro conversível, pois precisa dele, encontra o tio, que até então não tinha desvendado sua profissão na trama, e o filme acaba com o mesmo serrando a sobrinha ao meio em uma apresentação em um circo. Ah, a menina era apresentora de TV. Esses franceses, viu.
Fui tomar uma Guiness com uma amiga depois da sessão e cá estou, de volta pro meu aconchego, por alguns minutos. Já havia fila na porta do Studio SP, mas eu juro que preciso dormir alguns minutos. E vou beber água a noite toda. Ok, duas Stellas e não falamos mais nisso. Não sei o que vim fazer aqui nesse post. Eu queria dizer que preciso achar um lugar pra Viena no final da viagem, que o chapa Giancarlo Ruffato disponibilizou a primeira música de seu novo EP “Machismo” no My Space (ela se chama “Oquei” e você pode baixar aqui - aliás, o ótimo álbum dele, “14 Canções”, está com link rapidshare no blog dele. Baixe aqui, ouça e depois me agradeça) e… não sei mais o que.
Acho que ainda estou sobre efeito da Primator…
*Protestos nos comentários devidamente acatados (hehe)
Abril 22, 2009 6 Comments
Quando uma banda que você ama acaba
Se não fosse a música, eu não estaria vivo. É uma frase de efeito, mas é também a mais pura verdade. Foi a paixão pela música que me deu senso de direção em uma época da minha vida cujo futuro era incerto e o fim parecia estar sempre próximo. Sobrevivi, mas envelheci. E envelhecer é deixar de ser inocente para ser cínico.
Por isso, quando amigos me falaram do fim do Terminal Guadalupe, não me abalei. Já enterrei amigos queridos (três deles segurando uma das alças do caixão), já perdi familiares, e já vi pessoas que me inspiravam partirem sem motivo. Acontece. A vida é assim, uma grande e total merda, e já faz muito tempo que deixei de chorar pelo uisque derramado.
Isso não quer dizer que o fim de uma banda que eu admirava não tenha causado nenhum efeito em mim. Imagina. Fui “parceiro” de Dary em uma música e acreditava piamente que eles eram o futuro do rock nacional (principalmente após o grande álbum “A Marcha dos Invisíveis”), título que escrevi em um texto e que acabou se transformando em release do disco.
O anúncio do fim é marcante, diz um pouco sobre a ineficácia do cenário musical brasileiro atual, mas o lance é que hoje sei que você não pode colocar a sua vida nas mãos de ninguém (seja uma banda de rock and roll, seja um partido político, seja o seu primeiro amor). Como eu disse antes, envelhecer é tornar-se cínico, o que não nos impede de sofrer, sonhar e planejar. Apenas sofremos com menos transparência, sonhamos comedidamente e planejamos com mais cuidado.
Sem o TG, Curitiba fica semi-orfã de uma banda de ponta. Charme Chulo, Poléxia e Anacrônica tem tudo para representar bem a cidade, porém o grande problema de Curitiba nunca foi a qualidade de suas bandas, mas sim as diversas panelas que nunca souberam lidar umas com as outras. Há espaço em rádio, jornais e casas noturnas. Há espaço em veículos fora da cidade até, mas Curitiba luta ferozmente contra a vontade de crescer. Morre-se no parto.
Logo que foi anunciado o fim da banda, um e-mail de um amigo chegou. Num primeiro momento lembrei-me do texto que o André Forastieri escreveu após o suícidio de Kurt Cobain. Lembrei também da última parte da entrevista que a Legião concedeu à Bizz (dividida em três edições), um momento em que um Renato Russo descrente agarra o gravador e diz que uma banda de rock não vai mudar o mundo.
Por fim, lembrei de um garoto que, um dia, começou a rabiscar coisas em casa. Ele queria falar sobre música, queria descobrir as razões das coisas, queria entender a loucura da vida. Queria muito. Um dia ele fez um fanzine. E se a banda que ele amasse tivesse terminado, ele teria escrito um texto como este abaixo. Como eu disse na abertura deste texto, a música me salvou. Ela pode sim mudar o mundo.
Fiquei a tarde toda ouvindo Terminal tentando aceitar que acabou, entende? E estava indo tudo tranqüilo até agora pouco quando fui deitar e comecei a ouvir o Burocracia Romântica antes de pegar do sono. Mas o efeito foi justamente o oposto. Na boa, como eles podem fazer isso? Como eu - e mais uma dúzia de pessoas ficamos?
E Curitiba, como fica? Ainda temos bandas boas aqui, mas nenhuma chega se quer perto da carga emocional que a TG passava. E em termos de representatividade então? E que outra banda, no Brasil, consegue fazer músicas como De Turim a Acapulco? Pernambuco Chorou? Ou Burocracia Romântica?
Agora, até Lorena Foi Embora - no começo eu até torcia um pouquinho o nariz pra ela - me emociona. Na verdade, era como se eles falassem por você. Diziam o que você sempre quis dizer e nunca teve coragem - ou capacidade, que seja. E era tão reconfortante saber que você não precisava se expor, que existia alguém que fazia isso por você.
Burocracia já me fez ter vontade de chorar algumas vezes e isso não é pouco não. Está longe de ser algo efêmero - e é muuuuito diferente dos fãs chorarem em uma música do Nx Zero ou algo que o valha. Uma música é algo extremamente pessoal e é sim capaz de mudar uma vida - você, melhor do que ninguém deve saber disso
- e poucos conseguem fazer isso. Sério, é muito egoísmo isso… parece que quem você cresceu admirando, de repente, não se importa mais com você. Te derruba e quer que você continue andando. Como? Vai se lascar.
Egos inflados me deprimem. E tudo bem, logo logo eu vou aceitar. E eu sei que eles podem até não estar mentindo, mas com certeza, estão bem longe de dizer a verdade. E eu merecia isso - quer dizer, pelo menos achava.
ps: Tudo bem, agora tô vendo que eu também fui extremamente egoísta - hehe
ps2: Tudo bem, eu sei que você está pensando “pobre cirança ingênua”, eu não ligo - haha
ps3: Desculpa, eu precisava vomitar essas idéias inúties que me atormentavam - hehe
Abril 17, 2009 11 Comments
Uma ex-banda indie nacional
O Raimundos, vocês sabem por aqui, cobra R$ 6 mil por apresentação e faz outras exigências. Uma ex-banda indie “prestes a estourar” já está cobrando R$ 15 mil, e dentre as exigências para tocar em certo festival pede para que a produção mande as infos do hotel em que eles vão ficar, caso contrário nada feito. É interessante observar o que os decantados 15 minutos de fama podem fazer com as pessoas. Tudo bem, alguém vai argumentar que é assim mesmo que funciona, que para poder exigir qual hotel quer ficar, a banda durmiu em muito muquifo e tal, mas é nesse instante em que a coisa toda deixa de ser música e se transforma em negócio. É bom tomar cuidado.
Abril 6, 2009 17 Comments
Amorica 6 x 2 Anorak

Debaixo de uma clássica garoa paulistana, o Amorica bateu o Anorak pelo placar de 6 x 2 em uma batalha campal que deixou muitos feridos (dois durante o jogo, e o restante depois, mais precisamente no dia seguinte). O melhor jogador da peleja foi Sérgio Martins, que faltou, por isso não teve seu futebol avaliado. O restante, bem, foi divertido. Mac (olha eu falando em terceira pessoa) foi o artilheiro com três gols (e cumpriu o prometido deixando dois nas redes de Regis Tadeu). Osório e Cirilo anotaram dois, e podia ter sido mais se os goleiros Murilo e Regis não honrassem a camisa número 1 com belas defesas.
Zé Flávio abandonou o campo aos cinco minutos de jogo após dar um “drible da vaca” em Leandro, o que lhe custou uma torção no tornozelo. Leonardo foi o próximo a sentir o peso da camisa 9 do Corinthians, do Ronaldo, e deixou a partida próximo aos 20 minutos de peleja. Os boleiros Hansen (?) e Fernando (??) sairam do banco de reservas para o campo, sendo que Hansen entrava em um campo de futebol pela primeira vez na vida. Filipe e Bruno desfilaram com classe suas camisas do Timão, e o palmeirense Tiago Agostini abriu o placar do jogo com uma bela cabeçada. O primeiro jogo durou mais ou menos 1h15, com um intervalo de 15 minutos para cervejas e balões de oxigênio.
A segunda partida foi mais curta, 50 minutos, e Mac trocou de camisa para jogar pelo Anorak, que desta vez foi a forra e bateu o Amorica por 5 x 1, sendo que um gol legítimo de Fabio Bianchini foi anulado pela arbitragem (mas foi devolvido na seqüência por Victor, que jogou contra o próprio patrimônio e marcou contra). Com os refletores desligados, o goleiro Regis recusou-se a continuar jogando (”Não consigo ver a bola! Ou acende a luz, ou vamos parar por aqui”, fuzilou o goleirão), e a peleja deu-se por encerrada. Os dois placares (uma vitória para cada time) não contam o que foi o jogo. Nem o quanto foi divertido. Muito menos o quanto estou detonado agora. As pernas estão um caco e sinto mais as costas do que o gosto do Trident de Melancia que estou mascando. Mas valeu a pena. Agora é passar o domingo deitado no colchão na sala. \o/
Março 22, 2009 5 Comments
Rumo ao bola murcha do Fantástico
Quem acha que o grande clássico do fim de semana será Corinthians e Santos no Pacaembu está completamente por fora. O grande jogo do fim de semana acontece na Pompéia, neste sábado, um desafio entre a Associação Atlética Anorak contra o Amorica Football Club. \o/ No campo, quadra ou sei lá o que foi reservado, um rachão de duas facções da temida comunidade da Bizz no Orkut. (hehe)
Jogo pelo Amorica ao lado de José Flávio Jr (Qualquer Coisa), Cirilo Dias (Urbanaque), Leonardo Dias (Rolling Stone), Fernando Loyola, Victor e o grande e temido artilheiro Osório. O Anorak está escalado com Regis Tadeu (Yahoo), Tiago Agostini (Balada do Louco), Murilo Basso (Scream & Yell), Sergio Martins (Veja/Tudo Que Sobra), Leandro Saueia (Vagalume), Bruno Dias (Abril) e o mito Fabio Bianchini (Superbug).
Prometi dois gols no Régis (pra começar), e ele adiantou que vai agarrar com apenas uma das mãos, e garantiu: “Se eu tocar na bola com a mão direita é gol de vocês”. Como se ele fosse chegar a tocar na bola, né. Fortes candidatos a bola cheia e, principalmente, bola murcha devem sair deste clássico das multidões no sábado. Aguarde.
Março 20, 2009 No Comments
Um blog que eu gosto de ler
Eu leio muito poucos blogs. Mesmo. E não é por falta de vontade, mas por absoluta e total falta de tempo. Entenda: eu tenho dezenas (quase centenas) de coisas que gostaria de falar, escrever, dizer sobre o mundo, e com muita força de vontade consigo me expressar sobre umas três, quatro, no máximo cinco coisas. O mundo vai se acumulando dentro de mim, as idéias se esparramam pela alma e são atropeladas impiedosamente por outras idéias, novidades que surgem a toda hora, as quais não podemos de forma alguma impedir que continuem surgindo.
Muitos leitores e jovens jornalistas me escrevem pedindo para que eu passe para dar uma olhada no trabalho que eles estão fazendo, e eu guardo os e-mails na minha caixa de entrada esperando um momento de folga para olhar com a calma que eu acredito que eles mereçam, mas o momento de folga não surge, as coisas se acumulam, eu me perco em devaneios e em meio a idéias que, muitas vezes, não se concretizam. Sonhar, sonhar, sonhar. Não lembro onde, mas já escrevi certa vez que vivemos em um mundo sustentado pelo irrealizado (humm, acho que foi sobre “Magnolia” - e foi).
Um exemplo prático: essa semana fui rever “Não Sobre Amor”, a adaptação da Sutil Companhia de Teatro para o texto do escritor russo Victor Shklovsky. Desta vez, sentei na primeira fila. E fiquei completamente arrebentado. Revi a peça na terça, hoje é quinta, e meu estômago ainda sente pontadas de alguns momentos cruéis (e belíssimos) da encenação. Senti saudade de falar de amor, senti saudade do passado.
Não me entenda mal: sou futurista. Deixo as coisas para trás como cadernos do colegial. Parece cruel, eu sei, mas quero cadernos novos. O passado é um instante que se foi, e ama-lo, e quere-lo, é deixar de viver o presente. É viver em uma jaula. É estar infeliz. E estou feliz. Acordo todos os dias e olho a mulher que amo dormindo do meu lado, mas é tão difícil falar de amor quando se esta feliz.
É claro que essa dificuldade é fruto de tudo que li quando era um adolescente. Quando você devora os primeiros anos de Vinicius de Moraes ou decora a primeira página das “Elegias de Duíno”, de Rainer Maria Rilke, o mundo feliz não é a coisa mais esperada do mundo. Como diria espertamente Rob Fleming: “Eu sou triste porque ouço música pop ou ouço música pop porque estou triste?”. Eis a questão, mas na verdade ela é secundária. A tristeza tem sua beleza assim como os dias cinzas são muito mais charmosos que os dias de 40 graus de calor. Como os domingos. Everyday is lyke sunday.
“Não Sobre Amor” me levou para um tempo remoto em que eu escrevia cartas, poemas, discursos, teses e o escambau. Em guardanapos, cadernos do colegial e em uma velha máquina de escrever que minha memória desleixada me impede de lembrar onde foi parar. Foi uma viagem boa, mas estranha. É muito complicado para uma pessoa acostumada a viver pensando nos próximos dez segundos ter que lidar com o próprio passado. E, nada contra, eu amo todos os detalhes do meu passado - até os momentos de vergonha alheia -, mas o lugar do passado é em álbuns de fotografia, caixas com cartas e outros esconderijos (risos). Não posso negar, no entanto, que é um passeio interessante de se fazer, de vez em quando.
Bem, eu comecei esse post escrevendo no título sobre um blog que eu gosto de ler (embora leia bem de vez em quando) e, no fim, acabei falando sobre os blogs que eu gostaria de ler, mas não consigo, sobre coisas que eu gostaria de falar, mas não falo, sobre idéias e sonhos que eu gostaria de realizar, mas por algum motivo não realizo. Típico de mim. Minhas idéias são uma bagunça, mas é para isso - entre outras coisas - que serve um amontoado de letrinhas que se transformam em palavras e, de vez em quando, em idéias: para descarregar a alma quando as nuvens cinzas se dissipam. E se desculpar por qualquer coisa.
Março 19, 2009 5 Comments
Quer contratar o Raimundos?
O jornalista vai e escreve para o e-mail de contato no My Space da banda propondo uma pauta, e recebe uma resposta automática com o preço do show…
Obrigado por seu interesse em contratar a banda Raimundos,
Para contactar diretamente o responsável pelo agendamento:
Rodrigo
tel : *******
msn: *********
O cachê da banda é de R$6,000.00 (líquido), cujo pagamento se dará da seguinte forma:
1) R$1000,00 no momento da reserva de data, no máximo duas semanas antes do evento.
2) R$2,500.00 pelo menos 48 horas antes do evento.
3) R$2,500.00 no dia do evento com antecedência mínima de 4 horas ao showtime.
Em caso de bilheteria (mínimo de 50%) a banda estabelece um piso mínimo de R$3,000.00 (que serão descontados dos 50% da bilheteria final referentes a Banda RAIMUNDOS após o término do show) a ser pago da mesma forma que o cachê acima e apenas se houver outros shows coligados a este (a banda não se desloca para realizar apenas um show de bilheteria). Como alternativa a bilheteria sugerimos solicitar às bandas de abertura que vendam cotas de ingressos para participar do show.
O contratante arcará com as despesas de transporte aéreo + excesso de bagagem no caso de levarmos nossa bateria, Transporte terrestre e local (Van até 400 KM, acima disso deverá ser contratado um ônibus leito) alojamento e alimentação em hotéis e restaurantes de bom nível para 4 Integrantes com origem em Brasília e um Integrante com origem em São Paulo (sempre aeroporto de Congonhas).
Atenciosamente!
–
Produção Raimundos
www.myspace.com/raimundos
Março 17, 2009 12 Comments






















