Opinião do Consumidor: Tucher
Quando fiz minha listinha top ten de cervejas européias da viagem de 2008 (link no final do texto), e coloquei apenas uma cerveja alemã entre as dez escolhidas, um alemão chamado Wolfgang questionou nos comentários: “Sou alemão e fiquei um pouco assustado. Na Alemanha tem mais de 2500 fábricas de cerveja. Da próxima vez que você for a Europa, vá à Bavária e experimente as cervejas de lá (mais aqui)”. Não fui a Bavária, mas a Bavária veio até mim através da Tucher.
Fundada em 1672, a cervejaria Städtisches Weizenbrauhaus (Cervejaria de Trigo Municipal) foi a primeira a produzir cerveja de trigo em Nüremberg. Em 1806, o Reino da Bavária anexou o território de Nüremberg, e a cervejaria passou a se chamar Königliches Weizenbrauhaus (Cervejaria de Trigo Real). 50 anos depois, a família von Tucher comprou a cervejaria, mudando em definitivo seu nome, que passou a ser: Freiherrlich von Tucher’sche Brauerei (Cervejaria do Barão von Tucher).
Hoje em dia, a cervejaria do Barão von Tucher continua se dedicando as cervejas de trigo (que eles fazem desde o século 17) de baixa (Tucher Übersee Export e Tucher Bajuvator) e alta fermentação (Tucher Dunkles Hefe Weizen e Tucher Helles Hefe Weizen). Essas duas últimas podem ser encontradas com certa facilidade no Brasil (entre R$ 9 e R$ 14), mas não mantém o mesmo padrão. Enquanto a Helles (clara) é uma delicia, a Dunkles (escura) deixa bastante a desejar.
A Dunkles é uma cerveja de trigo da Bavária elaborada com malte de cevada pálido e tostado e malte de trigo. A Helles é feita com malte de cevada e malte de trigo. Ambas trazem o sabor característico de uma Weiss: notas de banana, cravo e na escura, um pouco de café e chocolate. Porém, a Dunkel é muito aguada, o que acaba prejudicando seu conjunto. Já a Helles é bastante saborosa, se destacando com uma das melhores cervejas de trigo que já provei. Pouco amargor, sabor delicioso e uma suavidade que não é característica principal das Weiss credenciam a Tucher Helles. Deixe a morena de lado e se concentre na loira.
Teste de Qualidade: Tucher
– Produto: Weiss
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,3% (a Dunkles), 5,2% (a Helles)
– Nota: 3,8/5 para a Helles (clara)
– Nota: 1,2/5 para a Dunkles (escura)
Leia também:
– Top Ten de cervejas européias, tour 2008 (aqui)
maio 10, 2010 Encha o copo
Sobre o amor, a música e outras bobagens
Dias atrás o cansaço bateu tão forte que a inevitável vontade de jogar tudo para o alto fez aquela visita corriqueira. Os amigos apareceram, deixaram comentários especiais, tão especiais que me sinto até envergonhado de agradecer. Estamos todos no mesmo barco, afundando, e por mais que essa vontade feladaputa de mandar tudo a merda seja tentadora, ainda não é hora.
Mesmo assim, devo e preciso agradecer ao Murilo, ao Carlos, ao Márcio, ao Júnior, à Cris, ao André, à Erika, ao Daniel, ao Giancarlo, ao Ivan e ao Samuel por dividirem impressões com seus comentários e fazer este espaço tão impessoal parecer uma mesa de bar, e vocês todos grandes amigos. Coisas do século 21. E tem gente que ainda tem medo da internet. Eu só posso agradecer pelos amigos que tenho.
Na sexta realizamos a terceira edição da Festa Scream & Yell, na Casa Dissenso, e em algum momento ali pelo meio do show, enquanto eu filmava a apresentação de Romulo Fróes que estava sendo transmitida via web, alguma ficha caiu. O cansaço dos dias anteriores foi deixado de lado por uma alegria imensa, que tem uma explicação muito simples, mas que se perde na correria do mundo moderno: o amor por algo.
No meu caso, eu amo a música de uma maneira tão intensa que seria tolo tentar traduzir em palavras. Eu não toco nenhum instrumento, mas a música exerce um poder sobre mim que influenciou alguns dos principais passos da minha vida. Eu não estaria aqui se não fosse a música. E não estaria só não conversando com você agora, mas o Scream & Yell não existiria, e eu não conheceria todos os meus amigos. Minha vida seria outra.
Se essa outra vida seria melhor ou pior, quem vai saber. Não tenho base nenhuma para falar dela, apenas algumas suposições que indicam que escolhi o caminho certo. No fim das contas, amo a pessoa que sou hoje, e a música tem boa parte na construção da personalidade desse cara que conversa com você agora. Já escrevi dezenas de vezes: minha alma está realizada faz tempo, o que não quer dizer que vou desistir do mundo.
E foi ali, sei lá, entre “Do Ponto do Cão”, “Qualquer Coisa em Você Mulher”, “Ela Me Quer Bem” e “Para Fazer Sucesso” (entre tantas outras canções brilhantes) que percebi que faço tudo que faço porque amo a música. Porque ali, com uma câmera na mão aos pés de uma grande banda, me emociono. O som que sai dos altos falantes invade o meu coração e me faz ser uma pessoa melhor. Em “O Chão Que Ela Pisa”, Salman Rushdie descreveu com soberba isso que estou sentindo.
“É um mistério tão alquímico quanto a matemática, ou o vinho, ou o amor. Talvez os pássaros tenham nos ensinado. Talvez não. Talvez sejamos, simplesmente, criaturas em busca de exaltação. Coisa que não temos muito. Nossas vidas não são o que merecemos. De muitas dolorosas maneiras elas são, temos de admitir, deficientes. A música as transforma em outra coisa. A música nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se fôssemos dignos do mundo”.
No entanto, o momento de sublimação acontece quando um mero espectador do mundo como eu consegue dividir esse amor pela música com outras pessoas. Então lá estou, sentado com uma câmera na mão quando percebo que no mesmo lugar existem dezenas de outros amigos aproveitando esse momento mágico de felicidade sonora. E tenho participação nisso. É um sentimento que poderia ser descrito como o nirvana para os budistas, um estado de calma, paz, pureza de pensamentos, elevação espiritual.
E tudo isso por causa da música, por causa de um show.
No palco, o trio afiado que acompanha Romulo Fróes soube usar com excelência a qualidade de som magnífica da Casa Dissenso. Era possível ouvir os mínimos detalhes do som do grupo. Do baixo afiado de Marcelo Cabral à levada de bateria singular de Pedro Ito até os devaneios enlouquecedores da guitarra de Guilherme Held, tudo flutuava no ar com uma qualidade raramente vista na noite paulistana, em que os detalhes das canções são sufocados pelo tilintar de garrafas vazias de cerveja arremessadas ao lixo.
À frente do grupo, Romulo Fróes dedicou-se a embaralhar as músicas de seu álbum duplo, “No Chão Sem o Chão”, e entregá-las ao público alguns quilômetros à frente das versões registradas em disco. O som amadureceu no palco, e a banda soa à vontade, brindando os presentes com “Nada Disso É Pra Você” (canção de Romulo e Clima gravada no segundo disco de Mariana Aydar) e dois belos números inéditos, que contam com a participação de Rodrigo Campos: “Onde Foi Que Nunca Vem” e “O Filho de Deus”.
Lili, que estava fazendo as fotos que ilustram esse post, em certo momento me disse ao pé do ouvido. “Esse é o melhor show que eu vi do Romulo”, corroborando minha própria opinião. A apresentação termina com “A Anti-Musa”, um fragmento de espaço/tempo que marca o encontro improvável de Nelson Cavaquinho com Sonic Youth. O noise tomou conta do ambiente, em quase dez minutos de delírios musicais.
Grandes shows podem ocorrer em qualquer cantinho do planeta, porém, muitas vezes, não estamos na vibe para assisti-los. Sabe aquele ditado que diz que o apaixonado percebe com mais facilidade as belezas do mundo? Isso. Um show não depende só de quem está no palco, mas sim de toda uma constelação de acontecimentos que leva cada pessoa a estar naquele lugar no mesmo momento. E o sentimento que nasce desse encontro pode gerar mil e uma interpretações.
A minha sobre a noite de sexta-feira é a seguinte: o melhor lugar do mundo para se estar entre 22h de sexta e 3h do sábado era a Casa Dissenso, na Rua dos Pinheiros, 747. Eu não queria estar à beira da Torre Eiffel, em Paris, na Piazza San Marco, em Veneza, no melhor restaurante do mundo, em qualquer outro show que fosse. Se eu tivesse que voltar no tempo, agora, quereria estar ali, no mesmo lugar, sentindo aquilo novamente.
E isso tem muito a ver com a presença de dezenas de amigos (e o Eric, a Muriel, a Lita, o João e o Elson, da Casa Dissenso, já se incluem nessa categoria), que não só foram para ver o show, como também para apoiar o trabalho que eu e o Tiago Agostini estamos fazendo. A vibe do lugar era tão boa, mas tão boa, que até deu vontade de fazer como Marcel Duchamp, e condensar “50 Miligramas do Ar da Casa Dissenso” num vidrinho, para guardar.
Uma das coisas que tiro dessa noite especialíssima é que nesse processo todo que estamos vivendo no cenário brasileiro, amar a música é essencial. Ultimamente a música tem sido deixada em segundo, terceiro plano enquanto a política e os desejos pessoais tomam a frente. Não tem como dar certo, pois é um sentimento oco, falso, sem alma. Pensa-se o formato, organiza-se o movimento, mas o mais importante é deixado de lado, como se a música fosse um mero adereço.
“Gosto de não ter de ouvir música porque tenho que ouvir música, mas ouvir música porque sem ela não consigo conceber a própria vida”, escreveu certa vez Ana Maria Bahiana, uma apaixonada. O show foda do Romulo Fróes na Casa Dissenso me trouxe de volta essa sensação que a Ana descreve, e encerrou de maneira brilhante o primeiro semestre de atividades do Scream & Yell. Agora é se concentrar na viagem e ir matutando um monte de novidades legais que vão pintar em junho.
O site não para nesse período de viagem. Além do diário de férias (que você poderá acompanhar aqui pelo blog) teremos as entrevistas, os textos de cinema, música, cobertura de shows e tudo aquilo que movimento o site normalmente. Scream & Yell 10 anos amando a música. E viagem na bota. Obrigado de coração pela paciência, pela leitura e pelos pensamentos positivos. É hora de seguir em frente.
maio 9, 2010 Encha o copo
Da Austria, Edelweiss
Um dos carros chefes da cervejaria Hofbräu Kaltenhausen, a Edelweiss Weissbier é a cerveja de trigo número 1 da Áustria e a terceira (e melhor) cerveja austríaca a integrar este espaço (a saber, as outras são a densa double bock Eggenberg e a ótima scoth ale Mac Queens Nessie – links no final). A Hofbräu foi fundada em 1475 em Kaltenhausen, uma pequena vila perto de Salzburgo, e a Edelweiss Weissbier começou a ser fabricada em 1986.
Seu nome foi inspirado na flor Edelweiss, que cresce no alto dos Alpes, cuja coleta é proibida por lei. Assim, dizem os austríacos, ao invés de dar uma flor, você pode presentear sua amada com uma taça de Edelweiss (boa, vai). A cerveja é feita com água de um reservatório próprio nos Alpes, e, dizem, entre as especiarias que integram o rótulo está a tal flor proibida. O processo todo pode ser conferido no site oficial da cervejaria (aqui).
De cara, é uma das melhores cervejas de trigo que já experimentei. Não tirou a apaixonante Hoegaarden do topo da lista, mas está ali. A comparação não é à toa: a Edelweiss lembra muito as witbier belgas (que acrescentam especiarias na fórmula). O aroma doce característico de banana que marca uma boa Weiss está presente. O sabor é marcante, refrescante, uma delicia. Tem um pouco de banana, especiarias, malte de trigo. A long neck pode ser encontrada por ai em torno de R$ 8 enquanto a garrafa de 500 ml sai por R$ 13. Belo investimento.
Teste de Qualidade: Edelweiss Weissbier
– Produto: Weiss
– Nacionalidade: Austríaca
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3,87/5
Leia também:
– Eggenberg, “a cerveja mais forte do mundo” (aqui)
– Mac Queens Nessie, feita com malte de uísque escocês (aqui)
maio 5, 2010 Encha o copo
Quatro shows
Jonathan Richman, no Sesc Pompéia
Difícil escrever algo desse show. Ou seria um anti-show? Fiquei longos minutos caraminholando uma teoria sobre vibe, que versa mais ou menos sobre a pessoa que está assistindo ao show estar na mesma vibe do artista. Quem estava na vibe de Jonathan Richman se divertiu horrores no Sesc Pompéia. O tempo que fiquei em frente ao palco foi bem cool, mas bastou sair pra comprar uma cerveja, e a vibe se foi. Fiquei de longe, com dois amigos, conversando enquanto Jonathan Richman divertia (ou enganava, escolha sua alternativa) o público lá na frente, já que o violão, não microfonado, parava nas primeiras fileiras. Jonathan Richman iria ganhar um dinheirão se fizesse shows em lual de beira de praia. No Sesc Pompéia, meia casa, ficou parecendo esforçado. E meio tolo, desculpa dizer.
Guizado, no CB
Gostei pacas do álbum “Punx”, mas ao vivo acho um desperdício Guizado deixar o trompete como coadjuvante. No palco, as músicas do “Punx” ficam punks, pesadas e o trompete fica ali escondidinho debaixo de bases eletrônicas. Vez em quando aparece, dá um olá, encanta a alma, e se recolhe. Porém, o show não foi só de “Punx”. Guizado abriu a caixinha de novidades e apresentou várias canções novas, inéditas, que trazem como diferencial sua voz. Isso mesmo: Guizado vai cantar no próximo disco. Ao vivo as novas canções pareceram bem legais, e prometem um bom álbum. Resta esperar que entre encaixar voz, guitarras e programações, Guizado não se esqueça do trompete.
Sapatos Bicolores, na Casa Dissenso
Não esperava muito desse show, mas o trio surpreendeu. “Quando o Tesão Bater”, disco novo dos caras, está lacradinho aqui em casa, muito pelo fato de que “Clube Quente dos Sapatos Bicolores”, o disco anterior, me soou certinho demais, jovem guarda demais para quem parece gostar do inferno. O show na Casa Dissenso, festa dos amigos do Urbanaque, porém, foi altos. Bons riffs de guitarra, bateria e baixo na medida certa e um tesão danado pelo rock and roll. Vou ouvir o disco novo para tirar a prova, mas os Sapatos Bicolores parecem o tipo de banda cujo palco é seu principal tradutor. Showzão.
Karina Burh, no CB
Não é toda artista que consegue colocar no mesmo palco dois ícones da guitarra brasileira: Edgard Scandurra e Fernando Catatau. Eles dão um temperinho perfeito ao som da moça, que ainda ganha reforço com o trompete e as programações os efeitos de Guizado. As canções ficam mais pesadas ao vivo, e só fui perceber ali no CB entre cervejas a quantidade de baladas e canções lentas que compõe “Eu Menti Pra Você”, disco de estréia da ex-Comadre Fulozinha. A faixa título foi um dos destaques da noite acompanhada da divertidíssima “Plástico Bolha” e também de “Ciranda do Incentivo”, que eu filmei e coloquei aqui. Não sei se dá para perceber pelo vídeo, mas alguma produtora de moda podia ajudar a Karina na hora de se vestir, hein. Roupa terrível, mas show bom.
Fotos 1, 2 e 4: Marcelo Costa / Foto 3: Liliane Callegari
maio 5, 2010 Encha o copo
Sei lá
Sabe aquele fase em que a gente tem vontade de apertar o delete e começar tudo de novo? Todo mundo já deve ter passado por isso, acho. Eu vivo isso em turnos cíclicos, mas as coisas todas parecem estar mais densas agora, o que sempre é uma bobagem: as dificuldades que estamos vivendo sempre são as mais difíceis, embora se tivéssemos a visão do todo talvez observássemos que o probleminha de agora não é nada perto a outro que a gente já viveu.
No fundo, sei lá. Acho que tem um pouco de 11 meses trabalhando direto, e a cabeça está a mil pedindo férias. Nos últimos três meses vários projetos legais se acotovelaram pedindo espaço, e o coração grande vai tentando abraçar o mundo, em vão. Ele tenta, ele se esforça, ele se transforma em dois, três, às vezes quatro, mas chega uma hora em que a água cai fora do copo, e isso é inevitável. A gente respira fundo, toma um par de Dorflex pra amaciar a dor no corpo e tenta sonhar com anjos.
Olho pra esse blog e fico pensando que eu deveria escrever mais coisas assim. Aliás, quando ele surgiu, tinha esse propósito mais pessoal, mas o site acaba ocupando mais espaço, o social encobre o pessoal, e a vida segue, sabe-se lá até onde. O botão delete é tentador, mas fazer o que quando a gente não sabe exatamente o que fazer. O que quer. A vida é deveras complicada. É bonita, é bonita e é bonita, mas é deveras complicada. Fico pensando na sorte, se ela vai sorrir pra mim, quem sabe uma piscadela.
Em outubro o Scream & Yell completa 10 anos. Tenho medo de colocar no papel quanto tempo da minha vida dediquei para este site, seguramente mais tempo do que para qualquer outra coisa que tenha passado pelo meu caminho. Imagina que tudo que entrou no ar no Scream & Yell – absolutamente tudo – de outubro de 2000 até hoje passou por mim. Fui eu a apertar o botão “publicar” desde sempre. Assusta.
Um amigo querido se refere a mim como um cara tão concentrado quanto extrato de tomate, mas ando querendo fazer outras coisas, sentir outros sons, outros ritmos, outras pulsações. O horizonte é infinito e o futuro é repleto de possibilidades. Se eu pudesse escolher agora, talvez abandonasse tudo por um refugio em Barcelona, Veneza ou Paris. Ou em alguma vilinha de pescador no nordeste. Eu, Lili e um laptop sem conexão, quem sabe um livro pudesse nascer.
O mundo tem me esgotado. São Paulo tem me esgotado. E eu queria paz. Querer um mundo melhor e lutar por isso nem sempre resulta em um mundo melhor. A honestidade, meu amigo, é um fardo danado pra se carregar nas costas. Mas não nos restam muitas saídas. A gente segue vivo, brigando e respirando. Acreditando nas nossas convicções. Argumentando. E eu ando cansado de argumentar.
No fim, ando um pouco cansado de tudo. Talvez seja o acumulo de trabalho que faz um dia de folga virar um dia de stress total. Talvez seja a chegada dos 40 anos. Talvez seja a vontade de ser ermitão, de comprar uma casinha branca com varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer. A vida é simples, dizem. Agora explica isso pro meu coração apaixonado, pra minha querida gastrite e pros meus pensamentos que não cessam.
No fundo, sei lá.
maio 3, 2010 Encha o copo
O bagaço de cada dia e alguns links
Tô um bagaço. E o mundo não para. Não vejo a hora das férias chegaram (faltam 16 dias) e esse espaço ser tomado por relatos do diário de bordo da viagem a Europa. Por enquanto, a gente descansa trabalhando e salivando projetos bacanas. Na semana que vem devemos estrear o programa Scream & Yell On The Radio, na Rádio Levis, e ouvir músicas novas de Romulo Fróes na Festa Scream & Yell #3. Ele prometeu. \o/
E ainda tem o entrevistão do mês, que não consegui me organizar para decupar, mas se tudo der certo (e vai dar), bate papo com Lulina e Stela Campos no ar na segunda-feira. Aliás, falando em tudo dar certo, “Whatever Works”, de Woody Allen, finalmente estréia no Brasil. Vou escrever sobre ele, nem que seja as três da manhã. Assisti na Mostra Woody Allen e vale a pena, mas exploro isso melhor depois.
O fim de semana promete, a partir de hoje. No momento que digito essas linhas, a queridíssima Lulina se apresenta no Sesc Consolação (sorry, @lulins, mas eu tinha que ficar em casa pra decupar a entrevista). Mais à noite, precisamente às zero hora em ponto, Karina Burh vai mostrar a sua ciranda do incentivo no CB, na festa Versão Brasileira, de Romulo Fróes, com Catatau na guitarra e Guizado Man nos sopros. Foda.
Nesta sexta, o chapa Thadeu Meneguini (ex-Banzé) sobe ao palco da choperia do Sesc Pompéia com uma penca de convidados legais para lançar o seu projeto Conjunto Vazio. Já confirmaram presença Alexandre Fontanetti, Tatá Aeroplano, Lobão, Genival Lacerda, Chuck Hipolitho e Tulipa Ruiz, entre muitos outros. O disquinho tem uma versão de “Síndrome de Brega”, do Lobão, que é uma música foda.
Mais à noite, na sexta mesmo, o Vanguart volta ao palco do Studio SP. To afinzão de aparecer, mas não sei se tenho pique. E ainda tem Wander Wildner no CB. No sábado, Nevilton e Aerocirco prometem um festão na sua, na minha, na nossa Casa Dissenso. Enquanto isso, na Funhouse, o pessoal do Apanhador Só mostra as músicas de seu excelente álbum de estréia (já baixou? Aqui). Como já vi o Nevilton ao vivo, vou garantir o meu lugar na Funha.
Além disso, tinha uma porrada de links que era pra eu ir despejando aqui durante a semana, mas quem diz que consegui me organizar. Então, alguns que eu lembro seguem abaixo. Coisa fina, hein.
– O futuro da música brasileira está sendo discutido intensamente e apaixonadamente nos comentários da Carta Aberta aos Músicos, que o João Parayba liberou para postarmos no Scream & Yell. O tema vale uma monografia. Leia aqui.
– Os 20 momentos chocantes do rock brasileiro. Leia aqui
– Saiu a programação da Virada Cultural 2010 (fracote, aliás). Veja aqui
– Ouça a música 220V do Cérebro Eletrônico em troca de um twitt. Aqui
– E a versão de “No Surprises“, com a Regina Spektor, já ouviu? Aqui
– A poesia completa de Vinicius está liberada na web. Imperdível. Aqui
– Como se ouve música hoje no Brasil, por Marco Tomazzoni. Aqui
abril 29, 2010 Encha o copo
Opinião do Consumidor: Harp
Harp, a cerveja lager número 1 da Irlanda, começou a ser produzida em 1960, na cervejaria The Great Northern, fundada em 1896 em Dundalk, cidade que fica a duas horas de Belfast. A idéia da cervejaria era suprir a demanda de britânicos e irlandeses pela lager, que começava a ter uma grande procura no mercado. A aposta deu certo, e a Harp lidera o mercado irlandês tendo vivido sua melhor fase nos anos 80, quando ganhou cinco medalhas de ouro consecutivas no concurso Monde Selection Beer Tasting (1986, 1987, 1988, 1989 e 1990).
Em 2008, o consórcio português Diageo (que ainda mantém no mesmo catálogo a Guiness e a Kilkenny) decidiu fechar a cervejaria de Dundalk para reformas em um projeto com duração prevista de cinco anos. Assim, a fabricação da Harp saiu da Irlanda sendo dividida entre o Canadá e a Grã-Bretanha, o que deve ter alterado o sabor (a água canadense não deve ser igual à irlandesa), mas nada que atrapalhado a história de sucesso da cerveja na Irlanda (que com certeza deve consumir a Harp britânica, e não a canadense).
A primeira coisa a se perceber na Harp é a forte presença de malte, que predomina tanto no aroma quanto no sabor. O adocicado do lúpulo pode ser percebido no começo, mas o amargor – que está ali, mas não é forte – caracteriza o final, tornando o conjunto um tanto equilibrado e delicioso. A Harp se destaca como uma cerveja leve e bem gostosa, de graduação alcoólica moderada (5%) para ser bebida sem compromisso como uma lager comum do dia a dia. Ou seja: ela não vai mudar o seu paladar cervejeiro, mas também não vai ofendê-lo. Já é um mérito.
Teste de Qualidade: Harp
– Produto: Premium Lager
– Nacionalidade: Irlanda
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,4/5
abril 28, 2010 Encha o copo
Festa Scream & Yell #3 com Romulo Fróes
A Lili ficou encarregada dos cartazes das duas primeiras festas (aqui e aqui), e agora o Cleber Machado assina o belíssimo cartaz dessa terceira festa, que você pode ver em melhor definição clicando na imagem acima. Pode copiar, colocar no seu blog e nos ajudar na divulgação da Festa Scream & Yell #3, que além de show do Romulo Fróes irá contar com os amigos Rodrigo Levino (do Corpo de Berenice) e Dani Arrais (do don’t touch my moleskine) nas pick-ups junto comigo e com o Tiago Agostini. A festança promete. O serviço está abaixo.
Festa Scream & Yell #3
Sexta: 07/04
Abertura da casa: 22h
Show: Romulo Fróes às 00h (transmitido via web)
Discotecagem: DJ Set ScreamYell (Marcelo Costa e Tiago Agostini) + Dani Arrais e Rodrigo Levino
$15
Local: Casa Dissenso, Rua dos Pinheiros, 747, São Paulo, SP
Informações: www.screamyell.com.br
abril 28, 2010 Encha o copo
Calma, esse blog não morreu
Eu só estou extremamente enrolado com mil e uma picuinhas. Volto logo para contar a nova confusão sobre o apartamento.
abril 26, 2010 Encha o copo
Opinião do Consumidor: Amstel Pulse
A cervejaria holandesa Amstel Brewery foi aberta em 1870, em Amsterdã, e leva o nome do rio que corta a cidade, cuja água era usada na refrigeração das caves para o armazenamento da cerveja. Ela divide o mercado holandês com a Heineken, que comprou a cervejaria em 1968 e fechou a fábrica original em 1982, transportando toda a fabricação de Amstel de Amsterdã para Zoeterwoude, na província de Holanda do Sul.
A Amstel Pulse tem como origem o processo de micro-filtragem e é uma aposta da cervejaria para o público das baladas – e chega ao Brasil importada pela Femsa. A tampinha, que pode ser arrancada puxando um lacre, atesta isso (dispensando o abridor). Sem contar que ela é ainda mais leve que a versão tradicional da Amstel, de um litro, menos encorpada e com teor alcoólico um pouco menor (4,7% com 5% da tradicional). Ou seja: é para beber litros (mas de premium não tem nada).
Pessoalmente fiquei um pouco decepcionado com essa versão Pulse. A Amstel original é mais saborosa, enquanto essa é mais aguada. No entanto, não se engane: as duas são as típicas cervejas refrescantes para se beber muito debaixo de um solarão de 30 e poucos graus, o que as aproximam bastante das nossas cervejas tradicionais (além do sabor, também facilmente reconhecível, tanto que a Amstel original me acompanhou debaixo do solarão de verão em Benicassim).
Nesta versão Pulse, o malte e o lúpulo têm presença tímida, o que a deixa muito suave (ainda mais do que a nossa Bohemia tradicional), sem tanto amargor. É bem provável que o brasileiro aprove essa holandesa, desde que o custo caia. Uma long neck sai por R$ 5, o que não ajuda. A Femsa poderia importar a Amstel tradicional, de um litro, brigando pelo mercado conquistado pelas boas uruguaias Nortenha e Patrícia. Eu ficaria com a holandesa… já essa versão Pulse… quem sabe numa balada.
Teste de Qualidade: Amstel Pulse
– Produto: Premium Lager
– Nacionalidade: Holandesa
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 2/5
Leia também:
– Amstel, nono lugar no Top Cerveja Tour Europa 2008 (aqui)
– König Ludwig, 1795 Dark, Czechvar, Jenlain e outras cervejas, (aqui)
Amstel na praia em Benicassim, Espanha, 2008. Foto: Mac
abril 21, 2010 2 Brindes














