O ano poderia acabar…
Cansaço mega. Muita, mas muita coisa pra falar, mas cade tempo? Bem, vou refletir melhor o bate papo no III Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural, o qual participei nesta quinta. Acho que falei rápido demais (ainda mais vendo depois as outras apresentações – ou vai ver que a minha sensação na bancada foi acelerada, e assistindo foi mais lenta – coisas assim) para tentar fazer um resumo. Mas agradeço antecipadamente, e muito, o carinho do pessoal do Itaú Cultural, que fez me sentir bastante à vontade e com dever cumprido: Renan, Ricardo, Fernanda, Babi, Claudiney e ao Eduardo. Aos companheiros de mesa Alex Needham, Jan Fjeld e Fernanda Cerávolo. E especialmente a Rachel Bertol, por levar o Scream & Yell para um evento tão importante. Obrigado.
Deixa eu só refletir algumas questões abordadas ali que coloco tudo aqui. E nesta sexta tem mais Seminário Internacional Rumos Jornalismo Cultural. Veja aqui.
Ps. Rendeu até uma tripinha na Folha desta sexta (valeu Rafa!)

dezembro 9, 2010 Encha o copo
Inglaterra: Young’s Double Chocolate Stout
Basta levar a taça ao nariz para sentir o forte e delicioso aroma de chocolate. Das cervejas que adicionam chocolate em sua fórmula, apenas a fracote Backer Brown (o patinho feio da cervejaria mineira) tinha freqüentado este espaço. Agora é a vez da bela Young’s Double Chocolate Stout, uma cerveja inglesa muito interessante e peculiar produzida pela Wells & Youngs, uma cervejaria fundada em 1831.
As stouts são cervejas de cor escura derivada do malte torrado, que naturalmente lhe confere sabor e aroma de café e chocolate. A mais famosa das stouts é a Guiness, mas a história aqui é um pouco mais adocicada, incluindo adição de malte de chocolate (um malte que foi torrado até adquirir uma cor de chocolate amargo) ou mesmo chocolate de verdade – como nesta Young’s Double Chocolate Stout.
O aroma é cativante. O café e o malte torrado se fazem presente, mas o grande destaque é o chocolate, que impressiona. O torrado do malte se destaca no sabor marcante, que deixa no final algo de café e chocolate amargo. São só 5,2% de graduação alcoólica (até baixo para um stout), mas fica a impressão de ser mais forte nos primeiros goles, embora amacie no final – balanceado e perfeito. Belíssimo exemplar do estilo. Para beber (a garrafa de 500 ml desce e você nem percebe) e viciar…
Teste de Qualidade: Young’s Double Chocolate Stout
– Produto: Stout
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 3,82/5
Leia também:
– Backer Brown: jogaram Toddynho na sua cerveja (aqui)
dezembro 7, 2010 Encha o copo
Erro na prensagem do vinil da Legião Urbana
“Closer”, o mítico segundo disco do Joy Division, foi lançado em 1980, mas só ganhou edição brasileira em 1989, via selo Estúdio Eldorado, licenciado pela Stiletto. A arte de Peter Saville tinha como base uma foto de Bernard Pierre Wolf, “Il Staglieno”, tirada em Genova, na Itália, em 1978. Tudo preto e branco. O encarte, econômico, listava o nome das canções, mas o selo do vinil não distinguia lado A nem lado B.
Como saber, então, qual lado ouvir se o ouvinte quisesse, por exemplo, escutar “Decades”? Muito simples: com algumas audições era possível perceber que, apesar dos dois lados do vinil terem cinco canções (a edição nacional trouxe de bônus o single “Love Will Tears Us Apart”), uma delas era diminuta e funcionava como guia. Assim, bastava olhar o vinil, encontrar “Isolation”, e escolher o lado que queria ouvir.
Quer fazer o teste de comparação? Olhe aqui.
Corte para 2010. A Legião tem toda sua discografia de estúdio relançada em vinil (apesar de seus dos discos lotarem sebos com preço entre R$ 5 e R$ 10 – apenas os dois últimos não foram lançados em vinil quando de seu lançamento). O preço não é nada convidativo (entre R$ 120 e R$ 190), mas o projeto é caprichado: todos os álbuns têm capas duplas, com o encarte original e um novo encarte atualizando o lançamento.

Porém, bastou bater o olho no vinil do primeiro disco, “Legião Urbana” (de subtítulo “O Futuro da Nação” e codinome “Legião Urbana I”), para perceber algo estranho. A faixa que fecha o álbum, a balada eletrônica “Por Enquanto”, estava com espaço maior do que as demais. Surgiu a dúvida: será que colocaram alguma “hidden track” nova como surpresa para os fãs? “Por Enquanto”, sozinha, não era uma faixa tão longa.
Disco na vitrola, erro comprovado. A nova prensagem luxuosa do primeiro disco da Legião Urbana traz um erro gravíssimo: As faixas 4 (“Teorema”) e 5 (“Por Enquanto”), por descuido, foram prensadas como faixas 1 e 2 (respectivamente) tomando o lugar de “O Reggae” (que abria o lado B do vinil e agora virou faixa 3), “Baader-Meinhof Blues” (4) e “Soldados” (5), que ficou encarregada de fechar o álbum (compare visualmente aqui).
Então você pergunta: “Isso é um problema? As músicas não estão todas lá?” Sim, estão, mas um disco não é apenas um amontoado de faixas. Um disco é um conceito. Uma obra de arte. Renato Russo, que era conhecidamente metódico com relação ao conceito de um disco e deve estar se revirando no navio Andrea Dória, com certeza pensou meses qual canção abriria o disco, qual fecharia o lado A e assim por diante. Além do mais, você está pagando R$ 120!
Errar a ordem das faixas em um disco é um erro gravíssimo, uma tremenda falta de respeito para com o artista (mesmo involuntária), o equivalente a reproduzir La Gioconda tirando o fino véu que cobre seu rosto, ou, mais especificamente, mudar de lugar as partes cubistas de um quadro do Picasso. Imagine relançar um disco dos Beatles ou dos Stones colocando as últimas músicas em primeiro.
Tudo isso piora sob a luz da idéia de que um vinil destes relançamentos nacionais custa, no mínimo, duas vezes mais que um vinil de qualidade superior importado. Um vinil duplo 180 gramas na loja do Wilco (aqui) custa 19 dólares. Mais 6 dólares de frete, o preço final, sem taxação, sairia por 25 dólares (R$ 42). Se fosse taxado (algo difícil para compras menores que US$ 50) teria um acréscimo de 60% passando para R$ 68. O vinil duplo “A Tempestade”, da Legião, custa R$ 180. Algo está errado com a Indústria Brasileira. E quem paga é o consumidor.
Ps. O setor Comercial da Polysom se manifestou nos comentários quanto ao erro de prensagem.
Ps1. Dado Villa-Lobos respondeu no Twitter: @dadovillalobos erro de prensagem do vinil #LegiãoUrbana foi erro de empresa do exterior. Polyson tá reprensando/EMI repõe a todos.
Leia também:
– Paul duplo, R$ 50. Legião duplo, R$ 190 (aqui)
– “Legião Urbana e Paralamas Juntos”, um belo retrato de época (aqui)
– “Duetos”, de Renato Russo, uma grande picaretagem (aqui)
dezembro 6, 2010 1 Brinde
Cinco fotos: Londres
Clique na imagem se quiser vê-la maior
Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)
dezembro 2, 2010 Encha o copo
Minha primeira Verboden Vrucht
A cervejaria belga Hoegaarden não produz apenas a clássica e deliciosa cerveja que leva o nome da casa. Além da própria, nascida em 1966 (com a cervejaria defendendo que a receita original data de 1441), a Hoegaarden ainda fabrica a Grand Cru (1985), com 8,5% de teor alcoólico e sabor marcante; a Speciale (1995), quase uma versão de luxo da Hoegaarden tradicional; a Rosée (2007), com sabor de framboesa; e a Citron (2008), quase uma limonada com um tiquinho de álcool (só 3%).
Não presente no site oficial, mas também fabricada pela cervejaria surge a Verboden Vrucht, que em bom português significa Fruto Proibido. Não é a toa que no rótulo Adão e Eva (em imagem inspirada no quadro de Peter Paul Rubens) trocam a maçã por um copo de cerveja. A ilustração tornou esta cerveja de alta fermentação rara, já que um processo da American Bureau of Álcool, Tobacco and Firearms, nos Estados Unidos, acusou a cervejaria de pornografia, e proibiu a Verboden Vrucht em território norte-americano.
Uma pena, já que a Strong Ale pecadora da Hoegaarden é simplesmente uma delícia. Esqueça a delicadeza da versão tradicional (bastante refrescante, mas inocente perto da Verboden Vrucht). O álcool (8,5%) está presente e se destaca na composição, do aroma ao paladar. O primeiro é marcado por malte, algo entre caramelo e café, e também uvas passas e cravo. Já o paladar é intenso, reafirmando o que pode ser sentido no aroma – mas valorizando o adocicado, que se esconde atrás do álcool no aroma, mas surge para contrabalancear no paladar.
Fato interessante: ela fica bem mais gostosa conforme vai esquentando no copo. Seu sabor se torna mais presente (e mais adocicado e frutado, mas não enjoativo), mas não é recomendável abusar da quantidade (cuidado, cuidado com os 8,5%).
Hoegaarden Verboden Vrucht
– Produto: Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 3,71/5
Ps. Agradecimento a Marco Antonio Bart pelo presente raro 😛
novembro 30, 2010 Encha o copo
Batendo bola no Canindé com Rai

Quem bate a falta? 😛

Ensaiando a jogada

Pose para a foto final
novembro 23, 2010 Encha o copo
Dois vídeos do Lou Reed em São Paulo
Uma frase do Marco Tomazzoni, em seu texto para o iG: “A experiência extrema do disco, ruídos e distorção pura, felizmente só serviu de inspiração – o show, ufa, tem momentos de melodia para afastar o desconforto”. Já Guilherme Werneck, em seu blog no Estadão, cravou: “Para os iniciados em noise e improvisação foi sensacional”. E realmente foi. Em cinquenta e tantos minutos intensos, Lou indicou o caminho para que Sarth Calhoun, nos computadores, e Ulrich Krieger, no saxofone e percussão, seguissem pelas densas brumas da barulheira.
Fisicamente ele está bem mais debilitado do que a última vez que cruzei com ele, em Málaga, na Espanha, três anos atrás. Aos 68 anos, Lou paga agora por uma vida de excessos. Paul McCartney, por exemplo, tem a mesma idade, e agita a galera durante quase três horas de show, se estrebucha no palco no fim após tropeçar em uma caixa de retorno, mas levanta na mesma hora e sai pulando saltitante inteiraço (assista ao vídeo aqui). Recado óbvio que fica: a maconha venceu a heroína. Mesmo assim, a lenda sobrevive.
No começo do show ele ficou brincando com uma mesa de ruídos. Depois alternou duas guitarras dando um trabalho danado para o roadie. O melhor momento da apresentação foi, inclusive, Lou castigando as cordas da guitarra com ferocidade e sorrisos. Ulrich mostrou momentos de melodia no sax e Sarth subvertia tudo via computador. O show é uma experiência sonora intensa, que faz a mente viajar. Muitas pessoas saíram do teatro desde os primeiros dez minutos reclamando do som ensurdecedor vindo do palco. Falta de aviso não foi.
Para quem ficou, Lou deu um presente de fazer a alma sorrir por meses a fio. Após o trecho final do show, em que ele posa de bad boy empunhando uma guitarra na frente do palco (único momento do show em que ele se levanta do banquinho), e os pedidos insistentes de bis, o músico voltou sozinho, sentou e tocou na guitarra uma versão carregada de barulho (e efeito de melodia de teclado) de “I’ll Be Your Mirror”, do clássico “The Velvet Underground & Nico” (1967). Finada a versão foi apertar a mão da turma de fãs que se acotovelava no gargarejo. A noite terminou com uma roadie mandando uma chuva de palhetas personalizadas. Uma delas está aqui… e eu não vendo.
😛
Leia também:
– Lou Reed dribla rigor e canta em SP, por Marco Tomazzoni (aqui)
– Lou Reed perturba de novo a ordem, por Jotabê Medeiros (aqui)
– Lou Reed ao vivo em Málaga, 2008, por Marcelo Costa (aqui)
– Lou Reed explica pq não canta as “velhas canções” (aqui)
– Lou Reed ao vivo em Sâo Paulo, 2000, por Marcelo Costa (aqui)
novembro 22, 2010 Encha o copo
Três vídeos do Raveonettes em São Paulo
“Bowels of the Beast”
“Black Satin”
“Little Animal”
Em 2005, no Curitiba Rock Festival, espremidos entre as apresentações sensacionais de Weezer (no sábado) e Mercury Rev (no domingo), a dupla Sune Rose Wagner e Sharin Foo fez uma apresentação correta, mas extremamente decalcada no som do Jesus and Mary Chain (paixão que escorre por cada acorde praticada pelo duo). Parecia cover de canções que a gente não sabia que o Jesus tinha feito. Em 2010, para uma Choperia do Sesc Pompéia com ingressos esgotados (mas não lotada), o Raveonettes mostrou o famoso wall of sound que tanto marca presença nos discos. A corrente de Jesus e Maria continua assombrando o Raveonettes, mas ao menos nesta noite foi possível ouvir a presença de Phil Spector nos riffs. E o show foi bonito (e baixo – devido ao limite de decibéis imposto pelo Sesc), dançante e rock and roll.
01. Attack Of The Ghost Riders
02. Veronica Fever
03. Let’s Rave On
04. Bowels of the Beast
05. Lust
06. Dead Sound
07. Black Satin
08. Break Up Girls!
09. The Beat Dies
10. Heart Of Stone
11. Little Animal
12. Oh, I Buried You Today
13. Love In A Trashcan
14. Twilight
15 Last Dance
16. Blush
17. Aly, Walk With Me
Bis
18. My Tornado
19. That Great Love Sound
Leia também:
– Weezer, Mercury Rev, Raveonettes e mais no Curitiba Rock (aqui)
novembro 21, 2010 Encha o copo
Cinco fotos: Paris
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Esperando o Portal do Inferno abrir
Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)
novembro 18, 2010 Encha o copo
De La Coruña, 1906 Reserva Especial

Fabricada pela Estrella Galícia, a 1906 Reserva Especial é uma Vienna Lager que homenageia a data de fundação da cervejaria espanhola, mas nasceu apenas nas comemorações do centenário da fábrica, em 2006, presenciada inclusive pelo rei da Espanha, Juan Carlos. Fundada por José Maria Rivera Curral na cidade de La Coruña, a Estrella Galícia ainda continua na família sendo administrada pela quarta geração do patriarca.
De coloração âmbar caramelada, a 1906 Reserva Especial exibe um creme branco de baixa formação e permanência, e destaca no nariz um aroma forte e alcóolico, com os 6.5% da receita batendo ponto e chamando a atenção ao lado das notas de caramelo tradicionais do estilo, e derivadas do malte, mais milho (presente na receita) e certa sugestão de condimentação, provavelmente fruto da picância do álcool.
Na boca, o álcool novamente é a estrela, mas divide de forma elegante a atenção com o malte tostado, que comparece em notas adocicadas remetendo a melaço e caramelo, com o lúpulo se encarregando de equilibrar o conjunto (o amargor surge dividido entre álcool e lúpulo). Novamente, uma sensação de condimentação marca presença. O final é adocicado e levemente picante enquanto o retrogosto traz caramelo e uma leve adstringência. Boa.
1906 Reserva Especial
– Produto: Vienna Lager
– Nacionalidade: Espanha
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 2,69/5
Leia também:
– Top 500 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leia sobre outras cervejas (aqui)
novembro 18, 2010 Encha o copo















