Três cervejas: Rameé, Baladin, Way

A Baladin – através de seu mestre cervejeiro Teo Musso – é a precursora do renascimento das cervejas artesanais na Itália. Teo inaugurou a cervejaria em 1986 em Piozzo, uma cidadezinha de mil habitantes. De lá pra cá, a Baladin acumula dezenas de prêmios e um catálogo de cervejas de dar água na boca: são 12 rótulos divididos em quatro categorias – Birre Speziate (Picante), Birre Puro Malto (Puro Malte), Birre Luppolate (Lupulada) e Birre Stagionali (Sazonal) – e geralmente apresentadas em belas garrafas de 750 ml.
Esta beleza da foto é a Baladin Open Noir, versão especial de um dos hits da casa italiana, a Open. Nesta versão Noir, Teo Musso acrescenta alcaçuz Calábria na receita, buscando acalmar uma IPA bastante rebelde. No aroma deslumbrante, notas nítidas e ricas de frutas cítricas (abacaxi, maracujá) bailam com lúpulo. No paladar, o alcaçuz tenta combater com doçura o amargo da alta dosagem de lúpulo. O resultado é uma cerveja adocicada que valoriza o alcaçuz e o malte de caramelo sem desmerecer o amargor do lúpulo. Uma cerveja bela e corajosa.

Localizada no coração da Bélgica, no Brabante Valão, cerca de 50 minutos de Bruxelas, a Abadia de La Ramée (de monges cistercienses) produz, desde o século 13, queijos suaves, patês de carne de porco e, claro, cerveja. Como várias outras abadias francesas e belgas, La Ramée sofreu com as guerras territoriais e religiosas da Europa. Foi incendiada e reconstruída. Durante a Revolução Francesa foi fechada e parcialmente demolida para ser reaberta no século 20, e tombada pelo Patrimônio Histórico em 1980.
A Rameé Blond é tudo aquilo que se espera de uma cerveja belga de abadia. O aroma, cítrico e frutadíssimo, remete a baunilha, abacaxi e flores. No paladar, o álcool (8%) pede passagem sem constranger o freguês. O toque na língua é bastante suave e as notas frutadas não chegam a entregar aquilo que os aromas anunciam alcançando um resultado equilibrado, mas pouco complexo. É uma boa cerveja cuja acidez desce riscando a garganta e deixa pelo caminho um rastro de malte de caramelo e álcool.

Já a Way, de Curitiba, continua em uma ascendente impressionante. Logo depois que a American Pale Ale da casa foi premiada como melhor do país no 1º Prêmio Maxim de Cervejas Brasileiras, os curitibanos investiram no projeto de cerveja colaborativa, que rendeu a Way 8 Secrets num primeiro momento, e a maravilhosa Way Double APA na sequencia. Agora, a Way surge com a Amburana Lager, uma receita inspirada nas Lagers escuras e mais alcoólicas da região da Áustria, maturada em barris de madeira Amburana Cearensis.
Lançada em setembro de 2012, a Amburana Lager traz um aroma suave com notas de malte defumado, madeira, frutas escuras (uvas e, intensamente, ameixas), toffee, café e álcool (são 8,4% de graduação alcoólica). O paladar licoroso renova as notas do aroma com o álcool saltando à frente e os tons de madeira, ameixa e caramelo bailando com o lúpulo, que se arrasta deixando marcas amargas pelo caminho até o final denso e saboroso – que remete à café. O pessoal de Curitiba está de parabéns. Eles acertaram de novo.
Apresentada no Beer Experience 2012, a Way Amburana Lager já está sendo engarrafada e pode ser encontrada em alguns empórios (em São Paulo precisa procurar bem) entre R$ 15 e R$ 17 a garrafa de 310 ml. As garrafas de 750 ml da Baladin saem por cerca de R$ 50 (estavam sendo vendidas por R$ 20 no Beer Experience) enquanto as Rameé Blond podem ser encontradas entre R$ 16 e R$ 22 (garrafa de 330 ml) – as deste post foram compradas no Clube Flamingo, novo boteco de cervejas especiais na Rua Antonio Carlos, esquina com a Augusta. Recomendo.
Baladin Open Noir
– Produto: IPA
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,84/5
Rameé Blond
– Produto: Belgian Golden Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,82/5
Way Amburana Lager
– Produto: Wood Aged Beer
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,4%
– Nota: 3,84/5

Leia também:
– Uma das melhores do país: Way Double American Pale Ale (aqui)
– Cinco rótulos da cervejaria curitibana Way Beer (aqui)
– Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
novembro 19, 2012 Encha o copo
Podcast: O Resto é Ruído #5
Na quinta-feira feriado, passei a tarde conversando sobre música e outras coisas com a turma do programa O Resto é Ruído: Elson Barbosa, Fernando Lopes e Lucas Lippaus. Entre os temas, revistas de música, jornalismo cultural, festivais. No set list, Caspian, Astrobrite, Boris tocando Asobi Seksu, Asobi Seksu tocando Boris, Medialunas e fechando com uma raridade ao vivo do Sonic Youth. Mandem comentários: orestoeruido@gmail.com
Para ouvir online basta clicar aqui. Download aqui.
– CASPIAN – Halls Of The Summer
– ASTROBRITE – You Have Burned Bright
– BORIS – Neu Year (Asobi Seksu Cover)
– ASOBI SEKSU – Farewell (Boris Cover)
– MEDIALUNAS – Conversando Com Os Meus
– SONIC YOUTH – Kat ‘n’ Hat
Download: O Resto é Ruído 05.mp3 (botão da direita + “salvar como”)
novembro 16, 2012 Encha o copo
Que tal um festival?
novembro 9, 2012 Encha o copo
Top 5 do Festival LAB 2012

Fotos por Liliane Callegari
Maceió, no último fim de semana de outubro, rendeu muita praia, sol, camarão e cerveja, e uma sequencia rara de shows de alto nível em um mesmo evento. Em sua quarta edição, o Festival LAB dividiu-se em três datas buscando exibir ao público alagoano apostas e novas referências da música brasileira e latino-americana destacando um line-up cuidadoso e muito bem selecionado. Entre os nomes, gente como Momo, Franny Glass, ruído/mm, Holger e Mellotrons além do Top 5 pessoal abaixo apenas do último fim de semana (que contou com uma noite em parceria com o Coletivo Popfuzz).

01) Jair Naves
Jair Naves sempre foi um cara que se entrega no palco de uma maneira sem volta. Isso desde os tempos do Ludovic, quando cada show parecia ser o último. Em Maceió, sozinho com seu violão no palco do Teatro de Arena, um espaço minúsculo, aconchegante e perfeito – anexo ao imponente Teatro Deodoro –, Jair Naves se emocionou chegando as lágrimas, fez gente chorar e mostrou um repertório que, além de incluir canções do EP “Araguari” e do recém-lançado (e bastante elogiado) “E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas”, ainda trouxe versões improvisadas de uma canção do Bright Eyes e de “Que Sera, Sera (Whatever Will Be, Will Be)”, famosa na voz de Doris Day. Um show para guardar na memória.

02) Coutto Orchestra de Cabeça
À primeira vista, prostrados no palco, esse combo que vem do Sergipe lembra o Móveis Coloniais de Acajú. Um pouco pela formação extensa (neste caso, um sexteto que se multiplica no palco) e outro tanto pela metaleira (trombone e trompete, muito bem usados). Mas, felizmente (Móveis é muito legal, mas não precisa de cópias), os sergipanos apostam num instrumental que une beats com sertanismo, que eles mesmos apelidaram de eletrofanfarra (que será o nome do álbum que eles lançam no começo de 2013), e que convida à dança mesmo quem nunca os tinha ouvido – um mérito e tanto. No LAB não foi diferente. O público do festival caiu no forró, gesticulou o tango só faltando a rosa nos lábios, valsou, cumbiou, bailou, pulou e aplaudiu muito um grupo que merece animar muitas cidades Brasil (e, principalmente, mundo) afora. Fique de olho neles. Vale a pena.

03) Tratak
Ali pelo finalzinho de seu show de estreia (abrindo para Jair Naves), Matheus Barsotti resumiu a apresentação (e o próprio álbum “Agora Eu Sou Silêncio”) como uma terapia pessoal. O show em Maceió marcava o lançamento de seu álbum de estreia (após anos de serviços prestados como baterista de bandas como Margot, Alfajor, Labirinto e Stella-Viva), e, enquanto contava histórias nos intervalos das canções, fazia o público rir, mas assim que começava a dedilhar o violão (eventualmente acompanhado por Heitor Dantas), levava os presentes para seu mundo pessoal, uma casa pintada com tintas depressivas e delicadamente sombrias. O resultado foi uma daqueles raros momentos em que o desnudamento artístico não só comove como se transforma em admiração. Um belo show.

04) Gato Zarolho
Jogando em casa, o Gato Zarolho deu uma pausa na produção do segundo disco para ser recebido com louvação no Festival LAB. As músicas do primeiro álbum, “Olho Nu Fitando Átomo” (2010), foram cantadas em coro pela plateia, e Marcelo Marques, vocalista e violonista, aproveitou para mostrar várias canções do vindouro segundo álbum. A sonoridade é, perdoe a simplificação grosseira, MPB de faculdade: bem escrita, bem tocada (e cada vez mais musicalmente ampla) e com um q de intelligentsia que anda fazendo falta não só no mainstream nacional como também no cenário independente. Em homenagem aos Guarani-Kaiowás, o grupo sacou do baú uma composição grandiosa de Caetano para fechar a noite: “Um Índio”. Extremamente oportuno.

05) Lise + Barulhista
Ainda no caminho para o festival, Daniel Nunes (o “Lise”, e também baterista da elogiada Constantina) falava sobre seu desapego com o formato canção propondo-se a compor trilhas-sonoras. Ao vivo, neste encontro com Davidson Soares (o “Barulhista”), o som que saia dos dois laptops, teclados e eventualmente da bateria (alternada pelos dois músicos) era algo em constante desenvolvimento, e poderia ser descrito como trilha sonora para provocar e ampliar os horizontes musicais de um público cada vez mais apegado a banalismos. Perfeitamente adequados ao LAB (e a seu público), Lise + Barulhista fizeram um show contemplativo, mesmo com as porradas de Daniel nos pratos da bateria, e serviram como uma excelente introdução para uma noite de música variada de alta qualidade.
Veja também:
– Download: baixe o CD do Festival LAB 2012 (aqui)
– Download: baixe “Agora Eu Sou o Silêncio”, do Tratak (aqui)
– Download: baixe o CD do Jair Naves (aqui)
– Ouça o EP “Aratu Milonga”, do Coutto Orchestra de Cabeça (aqui)
– Download: baixe os CDs do Lise (aqui) e do Barulhista (aqui)
novembro 7, 2012 Encha o copo
Cinco fotos: Inhotim
Clique na imagem se quiser vê-la maior
Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)
novembro 6, 2012 Encha o copo
Download: Comic Favo de Fel 2
novembro 6, 2012 Encha o copo
The Gift na Gazeta de Limeira
novembro 5, 2012 Encha o copo
Garrett Oliver no Brasil

Foto: Divulgação
Ele é o cara. Garrett Oliver, um dos nomes mais respeitados do universo cervejeiro mundial, desembarca no Brasil no dia 07 de Novembro, para agenda de palestras e produção de cerveja. Oliver é mestre cervejeiro da Brooklyn Brewery, editor-chefe do The Oxford Companion to Beer e autor de “A Mesa do Mestre-Cervejeiro” (“The Brewmaster’s Table”), livro lançado no Brasil pelo Senac, minha compania pessoal nos últimos dois meses (uma sensacional Bíblia sobre harmonização de cervejas).
Oliver vem ao Brasil e vai participar da produção da nova cerveja da Wäls, uma Saison com cana de açúcar. Oliver se juntará a um dos Mestres Cervejeiros mais criativos do Brasil, José Felipe Carneiro, para esta produção única e histórica. A receita inédita vai unir a brasilidade da cana com o estilo belga Saison, que traz os sabores das terras férteis do Brasil. O nome não poderia ser mais especial: Saison de Caipira (uma cerveja entre 6 e 8% de álcool, que irá consumir cerca de 400 litros de caldo de cana, fornecida pela cachaçaria mineira Vale Verde).
Além da produção da cerveja, Oliver irá ministrar uma palestra sobre ingredientes das Américas na produção de cervejas, participar de evento com clientes da Brooklyn Brewery e sua distribuidora no Brasil a BeerManiacs no Mercado Municipal de São Paulo, além de um bate papo com jornalistas no Bar Aconchego Carioca, recém-inaugurado em São Paulo. Além da Brooklyn, Garrett Oliver produziu a linha especial da cervejaria italiana Amarcord e já promoveu mais de 800 degustações de cerveja, jantares e demonstrações culinárias em 14 países.

Leia também:
– Três perguntas para José Felipe Carneiro, da Wäls (aqui)
– Uma manhã na cervejaria Wäls, em Belo Horizonte (aqui)
– Saiba como foi o segundo Beer Experience, em São Paulo (aqui)
– Amarcord: eis um bom motivo para conhecer a Itália (aqui)
– Brooklyn Post Road Pumpkin Ale e Oktoberfestl (aqui)
– Brooklyn Brewery e outros 4 pubs cervejarias nos EUA (aqui)
– Brooklyn Monster Ale e Brooklyn Black Chocolate Stout (aqui)
– Brooklyn Lager, India Pale Ale e Brown Ale (aqui)
novembro 5, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Leo Bigode, Goiânia Noise

No próximo fim de semana, de sexta (09), até domingo (11), Goiânia volta a se tornar a meca do barulho no Brasil. Isso é uma constante desde que o hoje mítico festival Goiânia Noise ousou enfrentar a ditadura dos sertanejos e mostrar que a cidade também tinha sede por bons shows de rock. Lá se vão 18 anos e muitas histórias, algumas delas registradas no livro “10 Anos de Goiânia Noise”, de Pablo Kossa, lançado em 2004, e que precisa ser atualizado, afinal, o festival agora é maior de idade.
“Ao longo desses anos todos, o festival teve várias caras, formatos, locais… mas sem nunca perder seus conceitos básicos e objetivos”, diz Leo Bigode, um dos fundadores do festival em 1995, ao lado de Márcio Jr. De lá pra cá, Leo e Márcio viram passar pelo palco do Goiânia Noise praticamente toda cena independente brasileira, e muito mais: de Bidê ou Balde a Ratos de Porão; de Hermeto Pascoal e Gerson King Combo até Los Hermanos, Pato Fu e Lobão; de Black Lips e Vaselines até Nebulla e The BellRays. Mais de 300 shows em 18 anos. Respeito.
Em 2012, serão 56 shows que passarão pelos três palcos do 18º Noise. Artistas de Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal e Pernambuco, além de 7 atrações internacionais vindas dos Estados Unidos, Suécia, Áustria, Argentina e Equador. “É uma mistura de linguagens, estilos, sotaques e loucuras numa mesma noite”, resume Léo Bigode. “Reflete um momento interessante da música brasileira”, avalia o produtor. Abaixo, três perguntas. Na sexta, volume no máximo:

18 anos de festival? Você esperava que o Goiânia Noise fosse tão longevo?
Nem nos meus delírios mais absurdos eu imaginava que o Noise fosse chegar tão longe… mas hoje já acredito que ele irá ainda mais longe. São poucos eventos de música com uma história tão longa. Mas é muito gratificante olhar pra trás e ver tudo que já fizemos. Isso dá um puta orgulho e nos motiva a seguirmos em frente, inventando coisas novas, pirando cada vez mais. Agora, por mais que se falem que hoje existe uma cultura independente em ascensão, que existe mais visibilidade com a internet, ou mesmo que existe um “circuito” de festivais, é sempre uma batalha fazer um festival como o Noise. São 18 anos, mas algumas das dificuldades são as mesmas das primeiras edições, principalmente relacionadas a patrocínios.
Esse é o primeiro festival após a reestruturação da Monstro e da própria produção do Goiânia Noise. Muda alguma coisa?
Se o que você quer dizer como “reestruturação da Monstro” seja a saída do Fabrício, não. No ano passado ele já não participou do Noise. Agora, a Monstro está sempre se reestruturando, se reinventando, inovando… e o Noise segue essa nossa tendência e inquietação. Existe uma ideia errada de que o Fabrício foi um dos criadores do Noise ou que ele era fundamental no processo. Na verdade, o Noise surgiu em 1995 apenas comigo e com o Márcio Jr. Nós carregamos o festival sozinhos por 6 edições. Em 2001 o Fabrício e o Leo Razuk entraram na Monstro, no 7º Goiânia Noise. Ao longo desses anos todos o festival teve várias caras, formatos, locais… mas sem nunca perder seus conceitos básicos e objetivos: fortalecer e fomentar a produção local, gerar intercâmbio entre artistas, promover a divulgação e circulação de bandas de todo o País, e ser uma vitrine, um raio-x do que de melhor está ocorrendo na música independente, sem abrir concessões ou se submeter a pressão dos grandes, sejam eles a indústria cultural, governos ou patrocinadores.
Este ano a Monstro passa de novo por uma reestruturação com a entrada de um novo sócio. O Guilherme Batista Pereira é um amigo das antigas, baterista, já tocou em várias bandas, inclusive no Mechanics, e chegou para agregar muito à sociedade e ao festival. Esta 18ª edição volta ao Centro Cultural Oscar Niemeyer, que é um espaço fantástico, mas com uma cara nova. São dois palcos, um estúdio, que funcionará como um palco 3, com bandas fazendo shows e gravando ao vivo, 7 atrações internacionais e uma programação que não traz grandes medalhões, mas reflete um momento interessante da música brasileira. Faremos também um domingo diferente, apenas com shows na área externa… e toda a montagem será de um jeito novo também.
Estamos, como sempre empolgados, e com o mesmo gás das primeiras edições.
O line up tem mais de 50 bandas em três dias. Quem você está muito a fim de ver ao vivo? E quais bandas locais que o público não pode perder?
Putz! Tem muita coisa que eu quero ver. Aliás, a programação é pensada justamente dessa forma: bandas que nós gostaríamos de ver! E ela é sempre bem diversa… uma mistura de linguagens, estilos, sotaques e loucuras numa mesma noite. Trash Talk e Madrid! Lirinha e Worst! Space Truck e Boom Boom Kid! Lord Bishop Rocks e Fabulous Bandits! Crucified Barbara e Hellsakura! Essa diversidade é sempre uma das características do Noise. Entre as bandas locais, algumas já são instituições do rock goiano como Violins, Mechanics, TNY e Shakemakers, mas tem uma turma nova botando pra fuder também… Space Truck, Girlie Hell (que está num momento fantástico), Dry, Chimpanzés de Gaveta, The Galo Power… vai ser bem divertido isso!
18º Goiânia Noise Festival
Dias 9, 10 e 11 de novembro
Centro Cultural Oscar Niemeyer
Ingressos:
R$ 50 (meia-entrada) – Passaportes para os 3 dias
R$ 30 (meia-entrada) – individual para sexta ou sábado
R$ 10 (meia-entrada) – individual para domingo
Infos:
www.goianianoisefestival.com.br
www.facebook.com/MonstroDiscos
PROGRAMAÇÃO
Sexta-feira, 9/11
18h – Coerência (GO)
18h30 – Dirty Harry (GO)
19h – Mortuário (GO)
19h30 – Space Truck (GO)
20h – Worst (SP)
20h30 – Mapuche (SC)
21h – Boom Boom Kid (ARG)
21h50 – Kamura (GO)
22h30 – PEZ (ARG)
23h10 – Madrid (SP)
23h50 – Trash Talk (EUA)
00h50 – Chimpanzés de Gaveta (GO)
01h40 – Lirinha (PE)
Sábado, 10/11
16h – Jam Fuzz (GO)
16h30 – Leave me Out (MG)
17h – SELETIVA PDR
17h30 – Versário (GO)
18h – Fabulous Bandits (PR)
18h30 – Judas (DF)
19h – Grindhouse Hotel (SP)
19h30 – Dry (GO)
20h – The OverAlls (AUS)
20h30 – TNY (GO)
21h – Lord Bishop Rocks (EUA)
21h50 – Atomic Mambo All-Stars (SC)
22h30 – Girlie Hell (GO)
23h10 – Hellsakura (SP)
23h50 – Autoramas (RJ)
00h30 – Karina Buhr (PE)
01h30 – Crucified Barbara (SWE)
Domingo, 11/11
14h – Damn Stoned Birds (GO)
14h30 – Corja (GO)
15h15 – Shakemakers (GO)
16h – Valdez (DF)
16h45 – The Galo Power (GO)
17h30 – Motel Overdose (SC)
18h15 – Cassino Supernova (DF)
19h – Violins (GO)
19h45 – Os Skrotes (SC)
20h30 – Mechanic[KISS] (GO)
21h15 – Indigno (EQU)
novembro 5, 2012 Encha o copo
As quatro cervejas da Gauden Bier

Fundada em 2007 no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, a Gauden Bier é mais uma pequena cervejaria que brilha na capital paranaense, Estado que junto a Minas Gerais destaca-se no segmento. Utilizando água do Aqüífero Embasamento Cristalino da Bacia Hidrográfica do Iguaçu Gauden Bier surpreende por um belo conjunto que mostra unidade entre as quatro cervejas produzidas pela casa: Hefe-WeissBier, Lager Naturtrübe, Pale e Pilsen (as duas primeiras, não filtradas).
A Gauden Bier Hefe-WeissBier causa uma boa surpresa em um estilo bastante difundido. Ela é uma cerveja de trigo não filtrada que honra as características do rótulo. No aroma, notas bastante distinguíveis de banana, cravo, tutti-frutti e limão. O paladar traz as mesmas notas do aroma privilegiando o cítrico sobre a doçura (quase inexistente) do malte, o que destaca a acidez e torna o final extremamente seco. É uma cerveja bastante leve e interessante – acompanhou muito bem um prato de brie com azeite e temperos.
A Lager Naturtrübe da casa curitibana é uma ótima versão não filtrada das Premium American Lager. O aroma traz notas de azedo, aveia, trigo e cereais. Bastante peculiar. O paladar é marcado pela forte presença de malte, que transforma a Gauden Bier Lager Naturtrübe em um autêntico pão (doce) liquido – principalmente no final. O amargor é praticamente inexistente em outra bela surpresa da cervejaria, uma ótima experiência para aqueles que quiserem descobrir a diferença entre uma lager filtrada e uma não filtrada.
A Gauden Bier Pale Ale é uma tentativa de pagar tributo ao estilo Belgian Pale Ale, mas lembra muito mais a releitura norte-americana do estilo (sem tanto lúpulo, uma paixão dos cervejeiros de lá). Ainda assim, o aroma traz notas de malte levemente tostado e lúpulo – além de algo de frutado. O paladar, suave e de início adocicado, pende mais para o malte de caramelo, embora o lúpulo esteja presente num conjunto bastante equilibrado. Há alguma coisa de frutas cítricas em uma cerveja bem particular e interessante.
Para fechar, a Gauden Bier Pilsen também surpreende em outro acerto da cervejaria. A leitura dos curitibanos para este estilo idolatrado pelos brasileiros inclui dry hopping de lúpulo Cascade (que dá ao aroma um charme especial) em um conjunto que destaca o tradicional malte tcheco pilsen e deixa o amargor em segundo plano – fãs das cervejas massificadas podem estranhar, mas o resultado é bastante elogiável. O paladar é extremamente suave em uma cerveja muito boa, personal e refrescante.
Os quatro bons rótulos trabalhados pela Gauden Bier mantém uma interessante unidade (que faz falta em várias cervejarias nacionais) que identifica a cervejaria – independente do estilo. As quatro acima foram compradas em um kit no Clube do Malte que saiu por R$ 36,90 (garrafas de 355 ml). É possível encontra-la também em garrafa de 600 ml (os preços variam entre R$ 13 e R$ 15 cada) assim como visitar a fábrica em Curitiba (no site oficial você pode realizar um tour virtual). Recomendo.

Gauden Bier Hefe-WeissBier
– Produto: German Weizen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,2%
– Nota: 3,37/5
Gauden BierLager Naturtrübe
– Produto: American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,39/5
Gauden Bier Pale Ale
– Produto: Belgian Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,16/5
Gauden Bier Pilsen
– Produto: American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,05/5

Leia mais:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
outubro 30, 2012 Encha o copo









