Um extra de Boardwalk Empire
O box com cinco DVDs da primeira temporada da excelente série da HBO traz uma série de extras. Os dois melhores são “The Atlantic City: The Original Sin City”, que conta a história de Enoch “Nucky” Johnson (seu nome original) e dos principais envolvidos no comércio ilegal de bebidas; e “The Speakeasy Tour” (que você pode assistir acima), um tour comandado pelos atores que interpretam Johnny Torrio, Lucky Luciano e Arnould Rothstein pelos bares que vendiam bebidas ilegais em Chicago e Nova York na época da Lei Seca.
dezembro 8, 2012 Encha o copo
O Scream & Yell na nova Oi FM
A partir de terça-feira, 11/12, a Oi FM, agora totalmente na web, estreia uma nova programação com programas exclusivos, conteúdo inédito e até a volta de alguns favoritos do rádio num conjunto talentoso, do qual me orgulho de integrar com o Scream & Yell: entre os programas que entram na grade da Oi FM Web a partir de 11/12 está a “Confraria Scream & Yell”, que sou eu acompanhado dos amigos Tiago Agostini, Tiago Trigo e Marco Tomazzoni. A velha corja num descontraído papo de boteco gravado.
A Oi FM Web ainda terá China destrinchando o melhor da cena independente no “Independência”. Yugo antecipando as tendências com o “Supernova”. Renata Simões e o guia de cultura urbana “GPS”. Marcus Preto apresentando o melhor da MPB no “Com a Boca no Mundo”. Rafael Silva trazendo as últimas atualizações da tecnologia no “Plugado”. E Maurício Valladares retornando com toda a desorientação do “Ronca Ronca”. Quem também está no projeto é Rodrigo James, grande amigo do Alto Falante.
Vem coisa boa no “dial” online. Divirta-se. A gente está se divertindo.
A partir de terça, dia 11 de dezembro, no http://oifm.oi.com.br/
dezembro 7, 2012 Encha o copo
Cinco fotos: Oscar Niemeyer
Clique na imagem se quiser vê-la maior

Catedral Metropolitana de Brasília

Edíficio Niemeyer, Belo Horizonte

Museu de Arte Contemporânea, Niterói
Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)
Leia também:
– Oscar Niemeyer, 100 anos, por Marcelo Costa (aqui)
– Tops dos 14 dias em Minas Gerais, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 6, 2012 Encha o copo
É o fim da indústria fonográfica? Não
Leia também:
– A Nova Idade Média, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 3, 2012 Encha o copo
Duas cervejas chilenas: Szot e Quimera

A Szot é uma das mais cultuadas micro cervejarias chilenas. Não é à toa. Do rótulo personal ao modo peculiar em que produz suas cervejas, há muito que admirar a Szot. No site oficial, um texto provoca: “Todas as cervejarias chilenas usam o mesmo malte e compram o lúpulo do mesmo fornecedor. Por que as cervejas são diferentes?”, questiona. “A panela”, responde. No caso da Szot, todas as cervejas da casa são refermentadas na garrafa usando o método champenoise, o que lhe confere um aroma cítrico e uma personalidade fortíssima. Uma aula para todos os micro cervejeiros que fazem cervejas iguais ao do colonialismo Ambev/Inbev.
A Szot Amber Ale, de diabinho fashion no rótulo, remete diretamente ás cervejas belgas refermentadas na garrafa. O aroma cítrico, predominando abacaxi e lima. Já no paladar, este cítrico (intenso tendendo ao azedo) mais o amargo (com boa participação do lúpulo Cascade) e o alcoólico (apenas 5,8% de graduação) causam um estranhamento inicial que provocam o bebedor. Bastante complexa em um conjunto de 90% de malte pilsen e 10% de malte caramelo. Pode assustar aqueles acostumados com as cervejas de balcão tradicionais, mas ela acalma – principalmente se acompanhada de carnes, salame ou embutidos. Bela experiência.
Já a Szot Rubia al Vapor leva o experimento a outros níveis, sendo inspirada no estilo Steam, da Califórnia, em que a cerveja é feita em uma temperatura mais alta do que o padrão de uma lager, mas menos do que uma ale. Novamente, a fórmula aposta em 90% de malte pilsen e 10% de caramelo com o conjunto sendo fechado pelo lúpulo Northern. No copo, o conteúdo turvo valoriza a acidez, que no aroma se transforma em cítrico, e no paladar remete e queijo roquefort. É uma cerveja ao mesmo tempo arisca e leve (assim como a Amber Ale da casa), que provoca o paladar enquanto refresca. Boa presença de lúpulo em um belíssimo conjunto.

A Casa Cervecera Quinta Normal é tão nova que ainda existem poucas informações acessíveis sobre ela. Sabe-se que a pequena fábrica nasceu em Santiago, provavelmente em 2010, e que apenas alguns bares especializados da cidade trazem em sua carta os quatro rótulos da Quimera, primeiro lançamento artesanal da casa (nas versões Amber Ale, Pale Ale, Stout e Imperial Stout). Por alguma razão feliz e interessante, dois rótulos da Quimera estão (estavam) disponíveis em uma das lojas do aeroporto de Santiago (já dentro da área de embarque). Anote: sua volta pode ser ainda melhor.
A ótima Quimera Pale Ale traz o mesmo rótulo azul da Quimera Sparkling Ale (fica a dúvida se o nome foi mudado), e nenhum deles entrega o líquido quase IPA (que também traz alguns traços de bitter ale) de dentro da garrafa. O aroma valoriza categoricamente os três lúpulos usados pela casa (Magnum, Cascade e Perle), que pulam a frente do malte de caramelo sem deixar notas deste último. O paladar é riquíssimo. A força dos lúpulos em contraste com o melaço se divide em algo de cítrico, avelã, madeira, charuto e, por fim, caramelo. O final, terroso, deixa um rastro de lúpulo pelo caminho. Excelente. E são só 5% de álcool!
Por sua vez, a Quimera Amber Ale (o rótulo verde da casa) remete bastante às Pale Ale tradicionais. Os dois maltes escolhidos pelos chilenos (Cristal e Caramelo) dão um tom frutado ao aroma enquanto o único lúpulo do conjunto (o imponente Cascade) perfuma o conjunto de forma intensa. No paladar (menos brilhante que a versão Pale Ale), o frutado volta a se destacar embora o lúpulo marque presença, o que resulta em um começo adocicado e num final amargo e aromático. É um conjunto bastante suave, bem mais simples e menos vistoso que a versão Pale Ale, mas ainda assim interessante.

Só encontrei a Quimera no aeroporto de Santiago (por cerca de 2 mil pesos chilenos – cerca de R$ 9), já a Szot (que ganhou várias medalhas mundo afora) pode ser encontrada pelo mesmo preço (as duas em garrafas de 330 ml) na tradicional rede de supermercados chilena Líder (ao menos tem várias lojas em Santiago). Porém, nem todas as Szot. São oito rótulos e, pra variar (além da tradicional – e obrigatória – a visita a Concha Y Toro), talvez seja uma boa oportunidade para se conhecer a fábrica da Szot, que fica a 30 quilômetros do centro de Santiago, e recebe visitantes para tours quase todos os sábados (eles pedem para acompanha-los no Facebook ou avisar por telefone – número aqui).
Szot Amber Ale
– Produto: American Amber Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,81/5
Szot Rubia al Vapor
– Produto: Amber Lager
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,86/5
Quimera Pale Ale
– Produto: Pale Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,86/5
Quimera Amber Ale
– Produto: Amber Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,7%
– Nota: 3,03/5

Leia também:
– Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 2, 2012 Encha o copo
Robert Crumb e Philip K. Dick
novembro 28, 2012 Encha o copo
Download: Mojo Book Doolittle
Clique na imagem com o botão direito e “salvar como”
Em janeiro de 2007 escrevi uma história inspirada no disco “Doolittle”, do Pixies. O livro foi disponibilizado para download no site da Mojo Books, e esgotou duas edições de downloads – ficando fora de catálogo. Quem ainda não tinha, pode pega-lo agora aqui. A Mojo é uma editora 100% digital. Sua proposta é simples: Se música fosse literatura, que história contaria? Para ver todos os livros que lançados, clique aqui.
novembro 22, 2012 1 Brinde
Voltando no tempo: Pampeana Gruit Ale

A cerveja existe há milhares de anos, e, no principio, ela era bem diferente do que nós estamos acostumados a beber. Consta que sumérios, egípcios, mesopotâmios e ibéricos já fabricavam cerveja 6 mil antes de Cristo, mas esse tipo de cerveja consumida no mundo todo hoje em dia surgiu apenas no século 12, na Alemanha, quando a Abadessa Hildegard Von Biden colocou lúpulo na mistura, descobrindo assim uma flor que não só combatia o adocicado do malte como tinha qualidades de conservante natural. Nascia a cerveja como nós conhecemos – e bebemos.
A questão que fica: como os cervejeiros faziam antes da descoberta do lúpulo? Para contrabalançar o malte e conservar a cerveja durante algum tempo era usado um gruit, que nada mais é do que uma mistura de ervas aromáticas que funcionavam como tempero e concediam a cada cerveja um sabor único e bastante particular. Como as ervas mudavam de região para região, cada localidade tinha uma cerveja sua, que era feita só ali usando os ingredientes locais – muitos deles moderadamente narcóticos (como o lúpulo, aliás, um parente distante da cannabis).

Com a popularização do lúpulo, num primeiro momento, e a rigorosa Reinheitsgebot (Lei da Pureza da Baviera), que em 23 de abril de 1516 definiu que os únicos ingredientes que poderiam ser utilizados na produção de cerveja fossem apenas água, cevada e lúpulo, o gruit perdeu terreno e desapareceu lentamente, até ressurgir junto ao movimento de microcervejarias norte-americanas dos anos 90. De lá pra cá, várias cervejarias (tanto californianas quanto belgas, britânicas e escocesas) produziram e ainda produzem cerveja apenas com gruit.
No Brasil, a honraria e coragem ficou a cargo do Lagom Brewpub, de Porto Alegre. Para festejar os dois anos da casa, em 2012, o pessoal arriscou e o resultado é a Pampeana Gruit Ale, que conta com diversas ervas, entre elas a Carqueja e o Guaco, típicos da região dos Pampas. A primeira prova saiu extremamente amarga, por isso o mel aparece na receita para equilibrar o conjunto. Vendida apenas em torneira (essas garrafas da foto são uma cortesia para um apaixonado que escreve sobre cervejas), a Pampeana Gruit Ale é uma bela surpresa.

No aroma, notas intensas de ervas além de melaço e alguma coisa de remédios de infância (isso mesmo). Ainda é possível sentir o malte de caramelo, nozes e álcool (são 8,3% de graduação alcoólica). O paladar valoriza as ervas, que causam sensações que remetem desde própolis e melaço até nozes, coco queimado e, claro, álcool. O liquido cria uma camada de sabor no céu da boca, e a descida deixa um rastro de mel por todos os cantos. O final é longo, adocicado e surpreendente. Eis uma cerveja única.
No balcão da Lagom ela é vendida por R$ 15 cada pint (R$ 10, meio pint), e acompanha uma carta que traz entre outras 10 e 15 cervejas (dependendo da época – a Lagom já produziu mais de 40 cervejas diferentes em dois anos de existência) com destaque para a intrigante Tripel (8,8%) da casa, que junta aveia, coentro e casca de laranja (e remete a anis) e para a sensacional Imperial Stout (9,5%). Sem contar com a Tiltap Irish Red Ale, receita vencedora do concurso Acerva Gaúcha, de 2011, feita por Jesael Eckert e… Wander Wildner (sim, sim!).

As cervejas da casa são divididas em três grupos cujo preço varia de R$ 7 o pint (PIlsen), R$ 9 (Belgian Ale, Weiss, Brown Porter, Tiltap, Blond Ale, Dunkweiss e Dry Stout) e R$ 13,50 (Tripel, Imperial Stout e a Columbus American IPA). Na parte de petiscos destaque para as brusquetas (que podem ser as tradicionais – tomate, ervas e azeite – ou então de cogumelos e, ainda, uma versão com gorgonzola e alho poró), mas ainda há um Entrecot Viking (500 gramas de carne grelhada acompanhada de purê e ervilhas) e Salsicha Bock com Queijo.
A Lagom fica na Rua Bento Figueiredo, 72, no Bairro Bom Fim, há cerca de cinco minutos a pé do Parque Farroupilha, e funciona de segunda a sábado das 18h às 23h. Merece muito uma visita – com o pint de Pampeana Gruit Ale na taça. Com a Lagom (e muitas outras cervejarias abertas nos últimos dois anos na capital gaúcha), Porto Alegre se junta a Curitiba e Belo Horizonte no quesito de boas cervejas locais. Já é um destino certo para os apaixonados por boa cerveja no lado debaixo do Equador.

novembro 21, 2012 Encha o copo
Dez links e dois vídeos
– No Flogase: Rockers Noise, o Festival que não aconteceu (aqui)
– Tiago Agostini conversou com Jarvis Cocker, do Pulp (aqui)
– Bruno Capelas conversou com Cao Hamburguer (aqui)
– Baixe duas músicas novas dos Irmãos Panarotto (aqui)
– Senhor F: Origem e a história do rock iberoamericano (aqui)
– Os 50 discos preferidos de Kurt Cobain, por ele mesmo (aqui)
– Calendário dos Festivais Brasileiros Associados (aqui)
– Os intelectuais progressistas e a discordância como ofensa (aqui)
– Entrevista: seis minutos tensos com Lou Reed na Espanha (aqui)
– Os dois shows do Planet Hemp em SP: Dia 1 (aqui) Dia 2 (aqui)
novembro 20, 2012 Encha o copo
007, Frankenweenie e Aqui é o Meu Lugar

“007 – Operação Skyfall” (Skyfall, 2012)
Saudado pela crítica estrangeira com tiros de escopeta e adjetivos elogiosos, a 23ª encarnação de James Bond não é essa coca-cola toda que estão tentando vender, mas tem lá seus muitos méritos. Terceiro e melhor “episódio” da série com Daniel Craig no papel de 007 (relembrando, os anteriores foram o ótimo “Casino Royale”, de 2006, e o ok “Quantum of Solace”, de 2008), “Skyfall” é aquilo tudo que o fã da série idolatra: perseguições sensacionais de tirar o fôlego, beldades de deixar homens e mulheres apaixonados e o cinismo inabalável do personagem. O ponto alto de “Skyfall”, porém, é seu vilão, não um maluquete qualquer que deseja “conquistar o mundo” (ufa, ainda bem), mas sim um ex-agente motivado por vingança, que ganha um colorido digno de indicação de Oscar na interpretação hilária de Javier Bardem (a cena de introdução do personagem é, fácil, Top 3 do ano). Mesmo com toda adrenalina e diversão (e com Adele), “Skyfall” continua sendo excessivamente entretenimento para ser esquecido assim que se sai da sala de projeção, como uma Montanha Russa em um parque de diversões. Neste ponto, a saga Bourne entrega mais (do capítulo “Quando a cópia supera o original”).

“Frankenweenie” (2012)
Nova investida de Tim Burton no formato de animação em stop-motion, “Frankenweenie” é uma declaração de amor em forma de cinema. Primeiramente ao cinema b preto e branco dos anos 30 e 40 (citações de “Frankenstein”, “Drácula”, “Lobisomem”, “Godzilla” e “Múmia” – entre outros – se acumulam durante a projeção); depois ao próprio universo Burton: “Frankenweenie”, cuja ideia original surgiu do curta-metragem homônimo – e com pessoas reais – que o cineasta realizou em 1984, também soa como uma releitura de “Edward Mãos-de-Tesoura” (1990) – e a participação de Winona Ryder reforça a premissa. Um universo de personagens infantilmente sinistros volta à ativa em “Frankenweenie”, provocando a nostalgia que invade o espectador e o faz buscar, em suas memórias, seu primeiro bichinho de estimação e seu provável primeiro contato com a perda e a morte – assim como seu primeiro filme de terror. Burton questiona instituições como Escola, Família e Estado (o discurso do professor de ciências é corrosivo) num filme (bonito, mas excessivamente) reverente, sonhador e leve, que não tenta podar o sonho infantil – o final feliz atesta.

“Aqui é o Meu Lugar” (“This Must Be The Place”, 2012)
Paolo Sorrentino integra a nova safra de cineastas italianos e surpreende nesta sua boa estreia em língua inglesa. Com titulo retirado de uma canção do Talking Heads (David Byrne, inclusive, participa de um momento chave da trama), “Aqui é o Meu Lugar” tem como personagem principal Sean Penn, em excelente atuação, como um roqueiro norte-americano, gótico e decadente, que sofre com fantasmas de suicidas, o envelhecimento e o custo do abuso do uso de drogas. Ele vive num exilio voluntário em Dublin, na Irlanda, casado com uma bombeira (Frances McDormand), e sua fala é arrastada e frágil – assim como sua postura, que só se acomoda perante o espectador com cerca de meia hora de filme –, embora as palavras sejam, geralmente, diretas. A MTV planeja um comeback, mas ele decide ir ao encontro do pai – e, bingo, de si mesmo – numa road trip pelos Estados Unidos que acaba se transformando numa caça a um nazista. Sorrentino trata a passagem da adolescência (adultescência) para a maturidade com didatismo visual, o que corrobora uma visão moralista: o que é estranho e diferente é imaturo. Uma pena: “Aqui é o Meu Lugar” é um bom filme até o minuto final, quando escorrega e põe quase tudo a perder. Ainda assim, tem seus méritos (como a boa trilha).
novembro 19, 2012 Encha o copo






