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Entrevista ao Verdades Particulares

Entrevista concedida a Bárbara Bom Angelo (setembro de 2011)

Texto curto, rápido e direto. De preferência com fotos mil. Esse é o padrão em que querem, há tempos, amarrar a internet. Só que tem vezes que você quer algo com mais sustância, sabe? Tipo comida de mãe? Você quer ler impressões mais profundas de um disco, um show, um filme ou um livro e para isso não ter que correr para um jornal ou revista. Afinal, você quer agora – é o mal dessa nossa geração instantânea.

Quando essa vontade bate, o lugar para onde vou de olhos fechados é o Scream & Yell, site de cultura pop que já está em seu décimo primeiro ano de vida. Antes de estabelecer casa no mundo digital, o S&Y era um fanzine de papel e tinta que rodava feliz pelas ruas de Taubaté, interior de São Paulo. Ele vinha cheio de textos sobre música, filmes e comportamento e se manteve assim até mesmo quando mudou de mídia definitivamente em 2000. O editor Marcelo Costa resolveu vir para a capital paulista de vez e não mais restringir todo aquele conteúdo bacana a uma só cidade.

Gosto de imaginar o Marcelo como um Rob Gordon tupiniquim. Rob, para quem não lembra, é o personagem principal de Alta Fidelidade, do Nick Hornby, que é viciado em música e em fazer listas de tudo o que for possível. Quem frequenta o blog pessoal do Marcelo sabe bem do apreço que ele tem pelo escritor britânico e também em bolar os seus próprios Top 5, que ficam sempre em destaque e acabam servindo para mim como uma espécie de guia. Mas atenção, ele garante ser bem mais confiante que Rob e outros tipos de Hornby.

Eu tendo a concordar com ele, ainda mais depois de gentilmente aceitar dar a entrevista que você confere abaixo ao Verdades para contar um pouco mais do S&Y e de si mesmo.

Essa é a vida que você sempre quis? Escrever sobre o que gosta, viajar bastante, ir a vários shows… Está faltando algo?
Eu tive um pouquinho de sorte no trajeto até agora (e vou precisar de mais um tantinho para prosseguir), mas quando olho para trás fico muito feliz com tudo o que aconteceu. Ainda assim tento não pensar tanto no que aconteceu e sim no que vai acontecer. É uma metáfora interessante: quando observo o tanto que caminhei, me sinto feliz e realizado; quando penso no tanto que ainda falta para caminhar, parece que não sai do lugar. A vida segue…

Como fazer para não perder o tesão editando há 11 anos o mesmo site?
E quem disse que eu não perco? Existem dias ruins, em que a vontade de abandonar tudo é enorme. Deletar e-mail, Facebook, Twitter, largar o site e… sair por aí sem rumo, lenço e documento. Felizmente existem dias bons, em que um bom texto me faz sentir que, sim, vale a pena continuar fazendo o que eu faço. Sigo balançando entre os dois extremos e… risos… parece outra metáfora da minha vida.

?O Scream & Yell vai na contramão do que muitos acreditam ser o que funciona na internet: textos curtos. Por lá, a gente encontra entrevistas, críticas e reportagens bem longas. E dá mais do que certo. Por quê?
Eu não tenho a resposta, mas acredito que existem pessoas interessadas em conteúdo, em algo mais elaborado, profundo, irônico. Quando começamos só queríamos provocar, sabe. Fugir do lugar comum. Fazer algo que a gente gostasse realmente sem precisar seguir algum hype. E conseguimos um espaço de que me orgulho. No entanto, um tempo depois apareceu gente escrevendo textos longos, então inverti a provocação tentando resenhar discos em 500 e 1000 toques. Provocar é essencial. Tirar o leitor (e você mesmo) da zona de conforto. Isso me interessa.

Como dar conta de tudo o que você precisa ouvir, ler e assistir? Como não deixar as coisas que você mais gosta virarem obrigação?
Algumas coisas acabam virando, inevitavelmente, mas o que me salva ainda é um bom disco, um bom filme, um bom livro, uma boa foto. Quando algo bom toma a alma da gente, a obrigação passa a ser falar disso, estender o entendimento, contaminar outras pessoas. Não é uma obrigação – no sentido negativo do termo – escrever 11 mil toques sobre o disco do Decemberists. Eu preciso escrever do disco porque quero que pessoas que não o conhecem, o descubram. Se vou dormir às 5 da manhã em uma viagem porque eu queria escrever sobre o que aconteceu naquele dia é porque quero que essa pessoa que lê participe da minha experiência e tenha, assim, vontade de ter a dela.

Qual banda anda consumindo seus ouvidos ultimamente? Está ansioso por algum show que vai rolar em breve?
Tenho tentado não ouvir Decemberists (risos), mas é tão difícil. Sobre shows, tenho pensado bastante no Pearl Jam. Acho que será especial. Mas se tivesse que escolher um seria o show gratuito que o Arcade Fire fará em Montreal, 22 de setembro, encerrando a turnê “The Suburbs” em casa. Tem tudo para ser histórico.

?O que você faz só para você?
Vejo filmes (muitos), ouço discos (muitos também), leio livros (poucos) e bebo cervejas (não muitas… risos). De vez em quando cozinho… bem de vez em quando.

Acompanho muito o desenvolvimento dos seus roteiros de viagem, especialmente porque eu adoro fazer o mesmo. Qual a próxima?
Não há nenhuma desenhada neste momento, mas pequenos prováveis roteiros. Por exemplo: estou pensando em ir ao cruzeiro do Weezer, em janeiro, e descer de lá para a casa de um amigo na República Dominicana passando pelo Haiti e por Cuba. Não deve acontecer, mas é uma ideia. Outra envolve a Escandinávia (incluindo San Petersburgo). Há ainda uma viagem de carro pela Itália, a necessidade de conhecer Portugal e a vontade de ir ao Fuji Rock Festival, no Japão. Ou seja: são vários roteiros que se adaptam a oportunidade do momento.

Quais são os lugares que você visitou que roubaram seu coração?
Veneza é a número 1, e acredito que o texto sobre a cidade assinado pela Cathy Newman, editora especial da National Geographic, pesa no olhar poético que tenho sobre a cidade. Mas só um pouco: bastou olhar as casinhas empilhadas sobre o mar da janela do avião para o coração derreter. Santorini também é algo inacreditável. Praga, Paris e Amsterdã são mais táteis, mas não menos apaixonantes. Por fim, Cork – pelo folk irlandês.

?Em que lugar de São Paulo você encontra um pouco de Taubaté, a cidade onde cresceu?
Eu nasci em uma maternidade no Belenzinho, pois, segundo minha mãe, não havia nenhuma na Mooca, onde morávamos na época. Fui para Taubaté com cinco anos e cresci olhando a vida com olhar de interior. Mas meu coração sempre bateu por São Paulo. Então, hoje em dia, só encontro Taubaté quando pego no telefone para falar com a minha mãe, a minha irmã e a minha sobrinha. Sempre fui São Paulo, mesmo quando não estava aqui.

?O que tem de paulistano em você?
O jeito meio workaholic de ser, talvez. Sinceramente, não sei. Paulistano é meio blasé porque se acostumou a ter acesso a tudo (e isso é um grande defeito), então não se importa em perder um show ou um filme hoje, “porque semana que vem tem outros shows e filmes”. O bom de viver em uma cidade de interior é aprender a valorizar a necessidade. Ir ao cinema e não ter filme nenhum para ver (mas não perder de maneira alguma quando aparecer algo interessante). Será que sou paulistano mesmo? Certa vez, em uma troca de cartas com uma amiga carioca, escrevi:

De resto, tudo bem. É impressionante como essa poluição toda me faz bem para alma.

E ela: Meu Deus, os paulistas realmente não são deste planeta. Isso é porque você não mora no Rio: eu vejo o mar e o sol e a lagoa e a montanha todos os dias… todos os dias Deus me lembra que estou viva.

Não sei se tenho algo de paulistano realmente, mas me emociono todas as vezes que o piloto do avião diz que o pouso na cidade está autorizado e as casas e prédios começam a crescer e se multiplicar pela janela do avião até o infinito. Sei que estou em casa.

Não podia deixar Nick Hornby de lado nesta entrevista. Tirando Alta Fidelidade, qual o seu livro preferido dele? Você se vê um pouco em Rob Gordon ou em algum outro personagem?
“Um Grande Garoto” ocupa a posição número 2, mas “Juliet Naked” mexeu bastante comigo também. Acho que, de tudo que ele escreveu, só não gosto mesmo da segunda metade de “Uma Longa Queda”. E eu devo ter coisas mínimas de vários personagens, mas não acredito que tenha um em especial que me absorva por inteiro. Não sou tão confiante, mas ainda assim sou mais confiante que os personagens dele (risos). Ou ao menos acho…

E falando em livros e Nick Hornby… Nos seus Top 5 do Calmantes com Champagne falta uma lista de livros. Qual o ranking do momento?
Não tenho lido tanto, sabe. Isso é algo que São Paulo tirou de mim: o prazer silencioso da leitura, algo que sobrava nos anos em Taubaté. Mas se eu tivesse que levar cinco livros para uma ilha deserta, eu iria roubar na contagem e incluir “O Tempo e o Vento”, do Érico Veríssimo (sim, os sete volumes, mas se você insistisse muito que eu não poderia levar tanto peso, eu deixaria os dois volumes relativos ao Arquipélago), “As Obras Completas”, do Oscar Wilde (parece muito, mas é só um volume gordinho em papel bíblia), “O Chão Que Ela Pisa, de Salman Rushdie”, “O Macaco e a Essência”, de Aldous Huxley e os dois volumes pequeninos de comédias, tragédias e sonetos, de Shakespeare (na edição marrom da editora Abril, de 1981). Esses cinco livros me fariam feliz até o fim dos tempos. Se você fosse boazinha eu pediria, ainda, “Crime e Castigo”, de Dostoievski, uma coletânea de poetas franceses do século XIX (organizada por José Lino Grünewald e lançada pela Editora Nova Fronteira em 1991) e a coleção “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust (que está completa aqui na minha estante, mas que ainda não li). Droga, não inclui a coletânea “Seleta”, da Lygia Fagundes Telles nem as três coletâneas de tirinhas sobre Deus, do Laerte, e nada do Manoel de Barros… Posso levar 10?

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novembro 13, 2013   Encha o copo

Entrevista para a Revista Bula

Entrevista concedida a Carlos William Leite (outubro de 2006)

Marcelo Costa é uma lenda entre blogueiros e zineiros. Editor do site Scream e Yell, um dos fenômenos da história dos zines no Brasil, ele concedeu uma divertida entrevista a Bula. Com respostas telegráficas e certeiras, falou sobre música, cinema, internet com uma auto-estima que parece ser inquebrantável.

Onde começa sua genealogia?
Tem de tudo no meu sangue. Muito de alemão, do meu tataravô, que saiu da Alemanha para engravidar uma índia na Bahia. Daí em diante entra um pouco de sangue espanhol e francês, e o baiano do meu bisavô. Uma mistura brasileira, digamos.

Como surgiu o Scream & Yell, o mais famoso zine Brasileiro?
Obrigado pelo “mais famoso”. Da junção de gostos de um cara que era a discoteca musical da turma (eu) com a de um outro que amava Metallica e Engenheiros do Hawaii nas mesmas proporções. E mais: num dia de natal. Era em papel, numa época que hoje até dá saudade. Era muito bacana postar via correio os zines, fazer papelotes com endereço e apresentação do S&Y, todo dia chegando coisa em casa, de todos os lugares do país. Mas, numa resposta direta, o zine surgiu para suprir a necessidade de se falar de coisas que não se falavam na época.

Por que mesmo os projetos antigos, com prestigio e grande números de acessos, conseguem viabilidade financeira na internet?
Primeiro: Porque jornalistas não são vendedores de anúncios. Sabemos escrever, argumentar em palavras no papel (seja real ou word mesmo), mas somos uma grande negação quando precisamos vender o próprio peixe. Muito porque ou se escreve, ou se vende anúncio. Quando tentamos fazer as duas coisas, nunca dá certo. Segundo: cultura não é viável no Brasil. Monta um site de sexo que você verá como será mais fácil ganhar dinheiro.

Quem é o gênio da raça na terra brasilis?
Tenho pensado muito nisso. Uma vez o The Guardian fez uma matéria dizendo que Morrissey era o maior inglês vivo. E o The Guardian é o jornal mais respeitado das ilhas. Desde então fiquei pensando nisso em relação ao Brasil. Chico Buarque é um nome forte. Além de ter uma história absolutamente genial, ele ainda produz tanto livros quanto discos. Se fosse pra escolher um nome só, agora, seria ele.

E o chato?
Caetano Veloso. Ele tem o mesmo passado do Chico, mas usa de forma com que as pessoas o odeiem. Gostei do disco novo, por exemplo, mas cada vez que Caê abre a boca tenho calafrios. Ele é um pesadelo ambulante.

Quais músicas compõem a sua trilha?
São tantas, mas tantas, mas tantas. Porém, dia desses fiz um CD com as músicas que eu mais gostava de ouvir sempre. Entrou “Rust” do Echo & The Bunnymen, a versão lenta de “Disco 2000” do Pulp cantada pelo Nick Cave, “Lucy” do Divine Comedy e “Everyday Is Like Sunday”, do Morrissey com o Colin Meloy, vocalista do Decemberists. As canções sempre voltam. Amo, por exemplo, “O Fundo do Coração”, d’Os Paralamas do Sucesso, mas não a ouço faz um tempo. “Working Man Blues Nº 2” , nova do Bob Dylan, deve fazer parte de uma trilha futura.

Quais livros povoam a sua estante?
A maioria é sobre música, e algumas biografias. E alguns romances, claro. Tem Aldous Huxley, responsável pelo meu livro predileto de todos os tempos (“O Macaco e a Essência”), tem Paul Auster (meu livro recente preferido: “Achei Que Meu Pai Fosse Deus”), tem as biografias ótimas do Marlon Brando e do Billy Wider, livros de música como o ótimo “Eu Não Sou Cachorro Não”, do Paulo César de Araújo, e o “Mate-me Por Favor”, do Larry McNeil e da Gilliam McCain. E Shakespeare, que eu amo. É muita coisa, mas nada tanto assim (risos).

A vida é curta para não ser pequena? como diria o Chacal.
Sim. Ou como diria Woody Allen: “É assim que eu vejo a vida: cheia de solidão, miséria, sofrimento e tristeza, e acaba rápido demais”. Não dá para se lamentar muito, né.

Cinema, literatura ou música?
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh… risos

Um filme brilhante?
Um não, três: “A Trilogia das Cores”, do Krzystof Kieslowski.

Um filme chatíssimo?
“Chicago”… ou “Moulin Rouge”

O blog do século?
O do compadre Inagaki. Quer nome melhor prum blog do que “Pensar Enlouquece, Pense Nisso”?

Machado de Assis ou Glauber Rocha?
João Gilberto

O que é pior que música sertaneja?
Filhos de cantores sertanejos se transformando em artistas pop.

Qual o maior escritor brasileiro vivo?
Lygia Fagundes Telles

Qual a grande revelação da música brasileira?
Violins, de Goiânia, uma banda que merece atenção.

Um rock raro?
“O Disco dos Mistérios ou 3 Diabos e 1/2 ou Sexplícito Visita o Sítio do Pica-Pau Amarelo ou Tributo a H.Romeu Pinto”, dos mineiros do Sexo Explicito, de 1991. Como item raro poderia vazar a versão de “Purple Rain” que eles gravaram para esse disco, mas que Prince não liberou. Se chamava “Sem Ninguém”.

Um pobre rock?
Qualquer disco do Strokes com exceção do “Is This It” .

A pior banda de todos os tempos?
São tantas…

Pra que serve o ECAD?
Para calar o canto dos sabiás.

Dizem que na música e na literatura existem várias igrejas, em qual delas você reza?
Na Assembléia Hippie Punk Popular.

Um blogueiro chato?
Marcelo Costa, ele vive reclamando e têm a vida que pediu a Deus…

Gilberto Gil: uma mistura de desastre com populismo pop ou um grande ministro e um cara legal?
Um grande músico em um grande circo.

E o PT?
Um sonho que nos apresentou a realidade: não existem sonhos!

Já pensou em acabar com Scream & Yell?
Já acabei com ele, e voltei. Já abandonei ele por meses, e voltei. Agora ele caminha ao meu lado, na camiseta que visto, no CD que ouço, no Champagne que bebo, no calmante que me faz dormir. Mas um dia ele vai acabar. Espero.

É possível sobreviver sem a internet?
Como nos vivíamos sem internet é a pergunta. E eu não sei te responder (risos)…

Qual o futuro do livro?
Os livros sempre vão existir… já os discos…

E das gravadoras?
Elas vão fazer a ponte entre o artista e o mercado até que os artistas descubram o caminho por si só. Então fim. Será mesmo?

O que te motiva atualmente?
Bob Dylan, Patti Smith, Scarlett Johanson, jornalismo e Liliane Callegari.

O que existe além das estrelas?
Um menino jogando cristais na via-láctea.

O que fazer quando o inferno astral não passa?
Rir de si mesmo.

Se existir o céu, o que gostaria que deus te falasse na chegada?
“Foi engano, senhor Marcelo Costa. Por isso, você voltará agora mesmo e viverá mais alguns bons pares de anos com esse mesmo corpo além do que lhe era previsto. Cortesia da casa pelo inconveniente.”

Que epigrafe te define?
O ato mais sublime é colocar outro diante de ti, WB.

Onde está a melhor música do mundo?
Hoje em dia, no terceiro mundo. É uma música que tem ginga e tristeza.

O que sobrou dos anos 80?
A certeza do quão bregas éramos.

Concorda que os anos 90 foi a década da desilusão?
Hummm, acho que foi a década em que a molecada virou adulta e bundona.

Existe algo, além de dinheiro, na cabeça dos executivos de gravadoras?
Vinho e vento.

Por que a música brasileira vive de ciclos?
Porque a vida vive de ciclos.

Pagode pode ser considerado uma espécie de distribuição de renda, como o futebol?
Claro, assim como o senado e a câmara federal.

Por falar em futebol, qual o seu time?
Corinthians, mas faz tempo, acho que foi em 1910.

Artesanato é arte?
Qualquer coisa hoje em dia é arte, menos Woody Allen.

Funk quebra barraco é música?
Nem funk quebra barraco nem rolê de bonde. São a mesma coisa: nada. Mas o mundo precisa do nada para ocupar o tempo na falta de algo melhor.

Quem mandaria para Marte?
Pensei no Paulo Maluf, mas seria maldade com os marcianos. Então mandaria a Daniella Cicarelli. Assim ela não mata todo mundo de desejo e inveja aqui na Terra.

Dez anos a mil ou mil anos a dez?
Mil anos a mil.

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novembro 13, 2013   1 Brinde

Falando de Palma Violets e The Roots

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Estive no Portal Terra nesta semana para comentar sobre algumas bandas que vão tocar no festival. Ficou bacana. Assista abaixo.

novembro 7, 2013   Encha o copo

Entrevista: Manual do Jornalismo Musical

 

por Adriano Oshiro, outubro de 2013

Existem algumas maneiras de medir o sucesso na internet. Número de visitas, quantidade de menções, conteúdo relevante, etc. Agora, junte tudo isso e ainda seja convidado a falar de seu projeto digital ao lado do editor de um dos jornais mais importantes do mundo. Esse é o caso do Marcelo Costa, criador do Scream & Yell.

Nascido em São Paulo, mas crescido em Taubaté, Costa começou a escrever um fanzine de cultura pop nos anos 90, quando ainda fazia faculdade de Publicidade. Leitor assíduo da Bizz, NME, Ilustrada e tudo quanto fosse publicação cultural da época, o jovem estudante distribuía as revistas, que fazia com a ajuda de um colega, pelo campus da universidade e ainda enviava um exemplar para os jornalistas que costumava ler nas suas publicações favoritas.

Justamente por meio dessa divulgação, foi convidado a trabalhar em São Paulo, no IG, em 1998. Ao chegar na capital, levou o fanzine impresso para a web e, desde então, toca o projeto falando de música, cinema e até sobre cerveja e viagens, já que não se limita a abordar nenhum assunto que considere interessante.

Desde que migrou para a internet, o publicitário com alma de jornalista foi repórter, editor e designer do Scream & Yell. Mas, com o site crescendo e ganhando cada vez mais espaço, começou a receber colaborações de várias partes do país. Alguns colaboradores chegaram a ser tão freqüentes que acabaram se tornando parte integrante do Scream e amigos pessoais de Costa, porém, no dia a dia, é ele quem toca o projeto.

O Scream sempre foi desenvolvido paralelamente a outros trabalhos do autor, que também passou pela redação do Notícias Populares, IG e Terra, além de colaborar para as revistas Rolling Stone Brasil, Billboard e GQ. Ainda assim, o hobby nunca deixou de ser levado a sério e, raramente, fica sem atualização.

Antes de ter um domínio próprio na web, o Scream fazia parte da plataforma HPG, um dos maiores sites de hospedagem gratuito, da época. Entre 1998 e o início dos anos 2000, a maioria dos fanzines impressos começaram a se digitalizar, aproveitando as facilidades que as plataformas de gerenciamento de conteúdo ofereciam, o que permitiu que todos pudessem criar o próprio site ou blog rapidamente.

Desde o início do projeto, Marcelo Costa teve uma preocupação em manter uma linha jornalística, contextualizando informação e oferecendo entrevistas e reportagens. As opiniões mais pessoais, o autor passou a deixar no blog Calmantes com Champagne, o que não impede que muitos conteúdos publicados ali possam ficar em destaque na capa do Scream e vice-versa.

Do fanzine ao projeto digital já se vão mais de 15 anos. A recompensa disso tudo? Ganhar um público fiel, amigos e reconhecimento profissional pelo trabalho. Em 2010, foi convidado a participar de um seminário no Itáu Cultural, com Alex Needham, editor de cultura do The Guardian. Na ocasião, o blog e o jornal ficaram lado a lado para falar sobre como construir narrativas utilizando as novas tecnologias (veja o vídeo da palestra).

Hoje, com 43 anos, o jornalista deixou o trabalho fixo, no portal Terra, para tirar férias da jornada dupla. Entre um trabalho freelance e outro, pela primeira vez, Costa pode se dedicar ao site em tempo integral e tem a chance de pensar no futuro do Scream e, quem sabe, rentabilizá-lo, como contou na entrevista a seguir.

Como foi a ideia de deixar de fazer o fanzine impresso e ir para a internet?
Quando eu publicava opiniões em um site chamado Ivox, ainda em Taubaté, fiz amizade com um cara que lia os meus textos. O portal era um site de avaliação, você via um filme e escrevia uma resenha. Então, logo quando vim para São Paulo, fomos tomar uma cerveja e levei meus fanzines para ele e, uma semana depois, o cara disse que gostou e me perguntou se eu nunca tinha pensado em colocá-los na web. Tinha acabado de chegar na cidade e, por mais que já usasse a internet na faculdade, não era uma coisa que eu tinha muita facilidade. Mas, ele acabou fazendo um site para mim, no HPG, e me ensinou a publicar textos lá. Praticamente todo mundo que tinha fanzine em papel começou a migrar para a internet, nessa época. O meu foi mais um acaso. Talvez, se o cara não fizesse o site, eu tivesse chegado sozinho em algum momento, mas ele adiantou o processo em pelo menos um ano. E como era uma coisa nova, já que haviam poucos sites na época, o negócio tornou-se muito grande. Comecei a ter entre 20 e 30 colaboradores, mesmo o Scream tendo um layout completamente assustador (risos). Tinha duas capas, que trocavam minuto a minuto, então, um conteúdo ficava em um minuto par e dava lugar para outro no minuto ímpar. Era umas dessas coisas absurdas que a gente testava para brincar com a ferramenta (risos).

Depois do HPG, como você passou para WordPress?
Eu uso wordpress desde 2007, mas ele já é “.com.br” desde de 2003. Nessa época, eu trabalhava na redação do IG de manhã e no Notícias Populares tarde e noite. Chegava meia noite em casa e ficava até as seis da manhã tocando o site. O Scream já estava “grande”, concorrendo a prêmios, mas era muito exaustivo. Até anunciei que ia acabar, mas recebi centenas de e-mails reclamando. Naquele tempo, você saia para um show do universo indie e todo mundo conhecia o site. Fiz muitas amizades e muita gente pediu para eu não desistir. Acabei parando apenas por um ou dois meses e pensei, bacana, se as pessoas querem, vou voltar e fazer uma coisa legal com isso. Desde aquele tempo ele está no ar, mas, às vezes, fica sem atualizações devido ao tempo escasso para fazer as coisas.

Você é o único editor do Scream & Yell. Nunca pensou em formar uma equipe fixa?
Não. Até tive uma experiência com colaboradores em 2005 e 2006, com dois subeditores frequentes., o Diego Fernandes, do Rio Grande do Sul, e o Leonardo Vinhas, de São Paulo. Era uma época em que o site estava tendo muitas atualizações, tinha muito material chegando e muitas bandas novas procurando a gente, apesar que, hoje, o nível é maior ainda. Daí sugeri para os dois serem os subeditores do site. Eles aceitaram e fizemos essa experiência entre seis e oito meses. O problema todo é que sociedades são fadadas ao fracasso. É um casamento que uma hora as pessoas vão se separar. Todos os principais sites daquela época acabaram, com exceção do Scream & Yell e do Trabalho Sujo… exatamente porque o Trabalho Sujo é o Alexandre Matias que, de vez em quando, aceita alguma colaboração, e o Scream & Yell, que sou só eu.

E você recebe colaboração, mesmo sem pedir. Não tem um espaço no seu blog que você pede, certo? As pessoas mandam voluntariamente?
Uma coisa que me orgulho é de nunca ter pedido, e não é um orgulho do tipo “sou fodão”, muito pelo contrário: é um orgulho das pessoas chegarem ao site e tomarem a iniciativa de compartilhar um tempo delas com outras pessoas. Tem muita gente que colabora para o site que nem conheço pessoalmente. Mas há pessoas que já tenho liberdade de pedir. Por exemplo, me oferecem uma entrevista com o Interpol, aí acabo sugerindo para algum colaborador que queira fazer. Há uma ideia do Scream & Yell ser uma diversão, não uma obrigação. Acho que seria divertido conversar com um ídolo em uma posição de jornalista. Então, se alguém me procurar dizendo que gostaria de entrevistar tal cara, vou tentar conseguir essa entrevista e faço o possível para rolar para o site.

Esses colaboradores te mandam uma pauta ou eles já enviam o texto pronto?
Muitos me mandam o texto pronto. Em média, 50 ou 60% me enviam o texto perguntando se cabe publicar. Outros chegam, assim, “escrevi para o meu blog, mas ficou tão bacana que eu acho que dá para publicar aí”. Tem muita gente que pergunta, “alguém vai escrever sobre o Nick Cave?”, num processo próximo ao de oferecer pauta, e a gente vai encaixando. Alguns temas eu debato, mas sem limitar. O Scream & Yell sempre foi uma provocação do tipo, “por que vocês estão publicando isso?”. Não tem restrições. Uma vez alguém falou assim, “por que vocês não falam de rap?”. Cara, o André Caramante foi colunista do Scream & Yell no começo. Todo mundo sabe quem ele é agora, mas ele escreveu de 2001 a 2003 para o site. A gente não tem essa coisa de “não posso falar de dança”. Há textos de dança no Scream, de teatro. Desde que esteja bem escrito e seja uma coisa um pouco mais aberta, porque é um público grande que vai ler e precisa ter umas chaves para entender tudo. Se for um texto bom e perfeitamente adaptável, cabe.

O que é adaptar um texto para o Scream & Yell?
O site tem um padrão jornalístico, um jeito de falar que é quase primeira pessoa, mas a primeira pessoa não aparece. Discordo completamente quando alguém fala que o jornalismo é impessoal, não tem como. Se você fizer uma entrevista com o Supla, por exemplo, vai sair uma coisa, se eu fizer, vai sair outra. E isso deriva do conhecimento que nós temos, que são coisas pessoais. Então, tem coisas que cabem, tem coisas que não. Tem textos que me mandam e eu transformo tudo em terceira pessoa, e falo, “olha, dá para publicar assim. Do jeito que estava, você pode publicar em um blog pessoal”.

Os textos do Scream & Yell têm limites de caracteres?
Não, quanto maiores, melhores (risos). Tem um mínimo de toques, menos de 3.000 não entra. Eu sempre tive a intenção  de provocar o leitor. No começo eram textos de 10, 15, 20 mil toques. O texto do diário de viagem do Leonardo Vinhas tem 27 mil toques, a entrevista com o Romulo Fróes tem quase 30 mil, com o Helio Flanders também. Eu sempre tento que seja no mínimo três mil e no máximo, a vontade (risos).

Você costuma acompanhar o número de visitantes do Scream?
Sim, diariamente. Tenho por volta de quatro e cinco mil visitantes diários, dá uma média de 45 mil visitantes únicos no mês.

Como foi o crescimento das visitas ao longo dos anos?
Depende do período. O recorde foi em dezembro do ano passado, que deu 68 mil visitantes únicos. No começo eram 300, 500 leitores. Só a classe indie lia mesmo. Hoje tem muita gente nova chegando e conhecendo. O Scream não tem amarras, você pode usar palavrão se ele valer a pena ser usado, ao contrário de uma grande redação, que você nunca vai poder fazer isso.

Você escolhe pautas se baseando nos seus leitores e no que poderá dar mais visualizações?
Não. Tenho uma birrinha das coisas fáceis. Quando falo mal de algo é porque eu preciso falar. Não para provocar ninguém. Gosto de provocar o leitor para tirá-lo de uma zona de conforto, me agrada muito fazer o cara pensar nos motivos de eu falar bem de tal disco e não do outro. Mas o acesso fácil não me agrada. Acho que é um leitor que vai e não volta. Mas há muitos textos polêmicos no Scream. Muitos. Desde os dez piores discos do rock nacional até textos de festivais. Só que  tento sempre puxar para uma análise crítica. No Lollapalooza, por exemplo, não interessa só ir e falar como foram os shows. Interessa o resto, o entorno. Entretenimento não é só o momento em que você está ali. Se você ver um show no Lollapalooza, no Coachella ou no Primavera Sound, o que cerca você é o que vai dizer se você vai gostar daquilo. Muita gente adora o Coachella, porque o entorno é uma vibe tão boa, te joga tão para cima que, quando você está no show, você já está extasiado. Muita gente vê um show no Brasil e fica puto porque o entorno é uma porcaria. Então isso influencia. E isso me interessa muito mais do que saber se o show foi bom ou ruim.

Falando nessa questão de festivais, o Luiz Cesar Pimentel criticou a cobertura desses eventos. O que você achou disso?
Acho que nesse caso do Pimentel houve, também, uma raiva implícita porque ele foi barrado (o que já aconteceu comigo, e agi praticamente como ele, reclamando). Jornalismo é uma coisa sensacional, só que é uma pena que o público não saiba o que acontece por trás dele. É interessante você pensar por que a Folha de São Paulo colocou uma noticia na frente e o Estadão colocou outra. Cada um puxa por um gancho. Então, é legal saber por que ele [Pimentel] pegou no pé, mesmo tendo coisas interessantes naquela crítica. Mas, tem um comentário sensacional do Pedro Só, na comunidade da Bizz sobre esse texto, que daí você percebe que tudo depende. A equipe da Rolling Stone, por exemplo, leva cinco pessoas para cobrir um festival. Uma grande revista não é como o Scream & Yell, que só fui eu e uma fotógrafa. Neste caso, você vai ficar na pista o dia inteiro, porque você é só um. A Rolling Stone tem cinco repórteres, daí um vai cobrir dois shows, outro mais dois e assim por diante. A pessoa, de repente, nem queria estar ali, só que ela tem que estar por que ela tem que trabalhar. Então, onde ela vai ficar quando não estiver cobrindo? Na sala de imprensa. O resto do tempo ela vai ficar lá porque ela não quer ver os outros shows, não interessa para ela. Por outro lado, a gente sofre de um mal sério na assessoria brasileira, há muita represália. Se você falar mal, o cara não vai te credenciar. Muito embora, credenciar não é um favor que ele esteja fazendo para você. É um dever. Só que aqui as pessoas não veem assim, mas como se você estivesse pedindo um favor. Então, vai ter o cara que vai ganhar o ingresso e só vai falar bem, assim como vai ter o outro que não vai ganhar e só vai falar mal. Tem sempre pesar o lado crítico. Você tem que saber a dificuldade que é fazer um show no Brasil, não dá, por exemplo, para você criticar a organização e falar do metrô. O metrô não é um problema da produtora, é um problema da prefeitura. Tem erros  que são cometidos pela assessoria, outros pela produtora e outros pelo próprio jornalista. Mas, de fato, precisamos discutir assessoria no Brasil à sério.

Você recebe muitos convites de assessorias de imprensa, discos e convites para shows?
Discos, relativamente. Muito mais de banda nova. Convite para assistir show eu recebo bastante. Tem muita gente que me manda coisas que eu vou ouvir só dois ou três meses depois. O compromisso que tenho é comigo e por mais que eu saiba que o artista está fazendo uma coisa nova e interessante, eu preciso lidar com o tempo que eu tenho. Sou muito mais movido por uma necessidade de exposição de ideias do que por trabalho. Se escrevo sobre o disco do The Decemberists, por exemplo, é por que eu precisava falar para as pessoas que aquele disco era sensacional.

A maioria das resenhas são motivadas pelo seu gosto pessoal?
Sim, bem provavelmente, para o bem e para o mal. Talvez com filmes eu tenha mais uma relação jornalística do que com música. Música não tenho essa pretensão, nem essa piração de ouvir a última música que vazou. O Scream sempre foi um dos últimos a escrever os textos, e sem nenhuma preocupação. Eu sei que as coisas que importam vão estar ali e não ligo para a concorrência. Acho que ninguém procura novidades no Scream & Yell, a pessoa procura uma boa ideia.

Você recebe muitos comentários de leitores?
Muita gente me escreve coisas assim, “o que você achou do disco do Nick Cave?”, “o que achou do disco dos Strokes?”…

Mas as pessoas procuram saber a sua opinião sobre o disco? Porque muita gente contesta a relevância de uma resenha crítica diante das novas mídias.
Sim, e eu acredito que isso vá acontecer cada vez mais. Chegamos em um momento em que o jornalista é, principalmente, o cara que vai selecionar o que as pessoas vão ouvir. Antigamente, ele tinha que fazer isso porque os discos não chegavam para as pessoas. Agora não. No meio de tantos discos, ele tem que dizer, “ouve isso aqui”. É a função de curadoria. Se 100 discos vazaram no último mês, ninguém vai conseguir ouvir os 100, além de nós, os malucos que escutam discos para caramba. Acho que a função do jornalista vai ser essa de filtrar, nós caminhamos para isso. É muita coisa para as pessoas, que não ouvem tanta música com a febre que a gente ouve, conseguirem acompanhar. Então, elas vão esperar alguém que avise qual é a nova banda legal.

Por que você acha que o Scream faz tanto sucesso?
Não é tanto sucesso assim, mas tem um certo respeito. Eu lembro que uma vez ouvi de um jornalista, “na internet o parágrafo é dividido em três, os textos têm que ser curtos, as pessoas não querem ler muito, etc, etc”. Mas no Scream & Yell as pessoas entram para ler textos grandes. Quando a gente começou a fazer 500 toques, a galera começou a reclamar. O público entra no Scream porque gosta do site e quer ideias para pensar. Acredito muito na vontade que as pessoas têm de ler. Talvez, não a grande maioria, mas é um público interessado e interessante.

O layout que você usa é gratuito?
Sim, o free do WordPress, que peguei e remodelei para deixar com a cara do Scream. No original, não tem aquelas quatro fotos em cima, que eu coloco na mão, no HTML.

Quais outros blogs e sites de música você costuma acompanhar?
Leio a Popload, porque adoro o Lúcio. Temos gostos diferentes, mas respeito muito o que ele faz, ele tem umas sacadas muito bacanas. Gosto muito do Floga-se, que é um cara novo na web, está aí há um ano e pouco, e tem uma opinião fortíssima, dá muito a cara a tapa e não pede credencial: ele prefere pagar o ingresso para ter isenção crítica. É interessante! O Na Mira do Groove, do Tiago Ferreira, um cara que faz umas coisas que fogem dos indies, de ficar babando por Toro y Moi. Ele é um pouco mais profundo do que isso. O Matias, do Trabalho Sujo, que é um grande parceiro, O La Ruta Norteamericana, um blog de musica do El País, que é o melhor caderno de cultura do mundo, hoje. Bate o Guardian, que está patinando há uns quatro anos. Também leio a Rolling Stone americana, argentina, mexicana e italiana.

E a brasileira?
Eu escrevo de vez em quando para a Rolling Stone brasileira, são amigos meus amigos que fazem e, muito do que a gente discute, vai parar ali.

Você pensa na divulgação dos links do Scream na página do Facebook e no Twitter?
Não, menos do que deveria. No Facebook, o Scream está chegando a 5 mil curtidas, porque não uso muito. O Twitter acho espetacular exatamente para postar links diversos, mas sem muito compromisso. Sou meio preguiçoso em atrair leitor. Gosto de cativar o leitor quando tenho um texto bom.

Você pensa em começar a monetizar o Scream & Yell?
Não só monetizar, mas sair de uma coisa independente para algo profissional. Pagar o meu salário, o dos freelas, o provedor, webmaster para melhorar as coisas. O problema é como conseguir fazer isso. Não é fácil.

Nesses 15 anos, o que você acha que o Scream & Yell trouxe de bom para a sua vida?
Só existo por causa do Scream Yell (risos). Estou aqui conversando com você porque, um dia, eu mandei fanzines para um monte de jornalistas: Ana Maria Bahiana, Lúcio Ribeiro, Marcelo Orozco, André Forastieri, Soninha, na época da MTV. O Orozco e o Lúcio que me trouxeram [para São Paulo] por curtir os meus textos e, quando pintou uma vaga, me chamaram para vir para cá. E também tem todo o entorno. Se fui jurado do prêmio da MTV, se integro a APCA, o júri do Multishow e do prêmio Bravo foi por causa do Scream & Yell. Palestro três ou quatro vezes por ano, faculdades me chamam para discutir cultura independente por causa do Scream. Recebo alguns e-mails que me fazem chorar, de pessoas que decidiram se tornar jornalistas por causa do site. Porra, é muito mais lucro do que prejuízo. Valeu muito as noites não dormidas.

Você acha que o Scream & Yell contribuiu para o jornalismo musical brasileiro?
Não sei (risos), mas espero que sim. É muito complicado achar que contribuiu de alguma forma. Acho que nós falamos de muitas bandas legais, registramos algumas coisas ali, discutimos ideias. Mostramos que é possível fazer jornalismo sério sem ser tendencioso e sem trabalhar a favor do capitalismo do mercado, da venda por pura venda.

Como você vê a cena do jornalismo musical agora?
Estamos em uma fase muito complicada. Existem pessoas escrevendo muito bem e muita gente na festa de confundir o que gosta com uma crítica. Mas tem nomes muito bons por aí, na gringa também. Estamos vivendo um furacão histórico, onde a sociedade ainda está se adaptando com a chegada da internet. Por mais que ela tenha se popularizado há uns 20 anos nos EUA e uns 12 no Brasil, a gente ainda não se acostumou a lidar com ela e isso está fazendo com que o jornalismo musical mude. A função dele, hoje, acaba voltando ao inicio, que é a de destacar o que o público precisa ouvir. Estamos com uma cena independente vastíssima em um momento em que as rádios e o mercado brasileiro de música, como a gente conhecia, estão falidos. Nenhum dos grandes jornais se relacionaram bem com a web, não conseguiram fazer um projeto do material impresso para a internet que seja relevante. Mesmo assim, acho que a profissão do jornalista cultural está cada vez mais rica. Tem muita área para trabalhar porque tem muita gente trabalhando no raso. Se você fizer um pouquinho diferente, você vai se destacar. Só que é uma batalha, não é uma coisa para você começar agora e daqui a seis meses reclamar que não estão te reconhecendo. Dei sorte de chegar em um momento em que tinham apenas três ou quatro sites bons de música na internet. Hoje você tem um monte e um melhor do que o outro. A profissão está boa e o caminho está aberto, só que as pessoas precisam ter vontade. Mais do que nunca, é preciso ter vontade.

Quais dicas você pode dar para quem está começando um blog de música?
Fugir do óbvio, do que todo mundo faz. Mas, sobretudo, um blog é um veículo de ideias. Então, você tem que ter uma luta diária para entender o que aquela obra de arte faz no seu mundo. Você tem que entender por que o Criolo estourou, por exemplo, e não falar só que a musica é boa. Musica boa tem milhares por aí. Você tem que falar sobre o contexto social, o porquê do publico pedir aquilo. Isso interessa muito mais do que saber se o disco é bom ou ruim, que é o que quase todo mundo faz. Mas isso são coisas que você só consegue chegar escrevendo.

Se você pudesse definir o Scream & Yell em algumas músicas, quais seriam?
Nossa, nunca pensei nisso, mas é uma coisa bem bacana (risos). As pessoas têm uma visão indie do Scream, que é legal, mas a gente já entrevistou o Renato Teixeira, já falamos de rap. Talvez, “Rotomusic de Liquificapum”, do Pato Fu, por ser uma canção que tem várias caras. Poderia ser também uma do Miles Davis, uma do “Bitches Brew”.

Veja outras entrevistas aqui

outubro 28, 2013   Encha o copo

Podcast O Resto é Ruído #31

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Em duas partes e imperdível:

A edição #31 de “O Resto É Ruído” comemora um ano de programa e foi tão boa e tão especial, que tivemos que dividir em duas partes. O convidado é o ilustre José Júlio do Espírito Santo, com mais história no jornalismo e produção cultural do que a maioria dos grandes nomes que você conhece. Vários causos engraçados, incluindo o terceiro mamilo de um vocalista famoso… E tem, claro, uma discussão enorme, na segunda parte, sobre o Procure Saber. Bate papo imperdível com Elson, Fernando, Amanda, Filipe e eu sobre as pataquadas do Procure Saber, e sobre o artigo do Álvaro Pereira Jr contando a história do Bruce Springsteen tocando Raul e o consequente artigo do André Barcinski puxando a orelha do jornalismo brasileiro. No set list, Willard Grant Conspiracy, Tindersticks, uma música do novo disco dos gaúchos do Loomer, uma do Mutation, o supergrupo de metal torto que Mark E. Smith do The Fall nos vocais, J Mascis e Sharon Van Etten tocando John Denver, e fechando com o dream pop do Flowers.

outubro 26, 2013   Encha o copo

Na revista BeerArt #2

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Criada especialmente para tablet, a BeerArt é uma revista que retrata a evolução da cerveja artesanal, em um mundo onde importante é saborear, e não exagerar. Neste segundo número, falo sobre minha cerveja preferida (veja aqui). A revista está disponível apenas para tablet, mas o pessoal colocou algumas páginas para degustação no site da publicação. Confere lá: http://revistabeerart.com/

outubro 18, 2013   Encha o copo

William Kentridge na Pinacoteca SP

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Está imperdível a exposição “William Kentridge: fortuna”, a primeira grande exposição monográfica sobre Kentridge na América do Sul, que inclui 38 desenhos, 35 filmes e animações (todos muito bons), 184 gravuras, 31 esculturas e duas vídeo instalações, produzidas pelo renomado artista sul-africano entre 1989 e 2012, incluindo séries inéditas de trabalhos.

Kentridge alcançou visibilidade internacional com a série de curtas-metragens “Drawings for Projection”, iniciada em 1989 (o filme mais recente, “Other Faces”, foi finalizado ano passado). Todos os dez filmes estão presentes na mostra acompanhados por 23 desenhos que o artista executou ao preparar os filmes, criando uma oportunidade única para examinar o diálogo entre desenho e filme.

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Os filmes têm uma aparência diferente das animações convencionais, devido a uma técnica caseira, inventada por Kentridge, que o artista descreve como “cinema da idade da pedra”. Kentridge filma, quadro por quadro, alterações que faz sobre um único desenho, realizado em carvão ou pastel. Apaga, adiciona, subtrai, acumula, redesenha. O método é interessantíssimo.

Entre os destaques da mostra estão a impactante obra “A Recusa do Tempo no Octógono”, uma grande instalação com 5 canais de vídeos incluindo um complexo panorama de som. A obra inclui 4 megafones de aço e o que o artista chama de ‘elefante’, uma máquina-objeto concebido pelo artista que parece respirar. A duração do ciclo é de 28 minutos. Impressiona.

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Entre as obras que mais gostei da exposição estão os “Telephone Lady”, “Stereoscope” e, principalmente, “What Will Come”, em que um projetor preso ao teto projeta em uma mesa um filme, que é refletido em um cilindro de metal. Uma obra lírica é belíssima – há ainda outra, estática, também impressionante, chamada “Tide Table”.

“William Kentridge: fortuna” fica em cartaz até 10 de novembro na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A Pinacoteca abre de terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h. Ás quintas até às 22h com entrada franca das 17h às 22h. O ingresso para os demais dias custa R$ 6 (R$ 3 a meia entrada). Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam. Vale muito ver.

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outubro 13, 2013   Encha o copo

Feliz Dia das Crianças

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“Superfantástico” – Vários (Som Livre)
por Marcelo Costa

Texto publicado no Scream & Yell em agosto de 2002

“Superfantástico – Quando eu era Pequeno” é, como diz o subtítulo, uma coletânea de artistas fazendo versões para “clássicos” do cancioneiro infantil via programas de televisão. Impossível ser imparcial quando o Capital Inicial enche de guitarras “A Casa”, de Vinicius de Moraes (aquela do “Era Uma Casa Muito Engraçada, Não Tinha Teto Não Tinha Nada”), composta para o especial Arca de Noé de 1980, da Tv Globo, ou Érika Martins, do Penélope, preenche com sotaques bjorkianos a melodia grudenta de “Superfantástico”, tema do Balão Mágico em 1982, em um dueto com Arnaldo Antunes. Além destas duas, destacam-se os mineiros do Pato Fu colocando barulhinhos em “O Relógio” (outra da Arca de Noé de Vinicius), o Biquíni Cavadão com “O Carimbador Maluco” (tema do especial “Plunc Plact Zun” de 1982), Frejat encarnando poesia com “Cinto de Inutilidades” (tema do Globo Cor Especial de 1972), Branco Mello voltando a ser criança em “Vigilante Rodovoário” (tema do programa homônimo de 1962) e até Kelly Key soando passável com “Doce Mel” (tema do Xou do Xuxa – 1986). O prêmio hors-concours fica com o Los Hermanos, emocionando com “Hollywood” (tema dos Saltimbancos Trapalhões), letra perfeita de Chico Buarque. O encarte traz fotos de todos os artistas no tempo em que eles crianças e, amparado na inocência de anos que não voltam mais, “Superfantástico – Quando eu era Pequeno” surge como uma empreitada descompromissada e altamente recomendável.

Leia também:
– E já que é Dia das Crianças, duas fotos (aqui)

outubro 12, 2013   Encha o copo

Podcast O Resto é Ruído #30

Eu já havia participado de uma edição do podcast, e retorno agora neste episódio número #30 me tornando membro fixo ao lado de Elson Barbosa, Fernando Lopes, Amanda Mont’Alvão e Filipe Albuquerque. Nesta edição d’O Resto É Ruído falamos sobre o Rock In Rio e a polêmica Kiara Rocks versus jornalistas, sobre os últimos suspiros da velha MTV e para onde deve ir a nova MTV. No set list, lançamentos nacionais do Hangovers e Novanguarda, o rock latino do Triángulo de Amor Bizarro, um clássico remasterizado do The Clash, e fechando com o rock torto do Polvo. Infos sobre o podcast aqui.

outubro 7, 2013   Encha o copo

Três vídeos: Graveola recebe O Terno

As duas bandas no palco do Auditório Ibirapuera, 03/10/2013


“Enterrei Vivo”


“Blues Via Satélite”


“Crazy Pop Rock” (Gilberto Gil)

outubro 4, 2013   Encha o copo