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Prata da Casa #21: Mexidinho

Eles são do Recife e têm apenas um EP, mas o show que fizeram no Prata da Casa, encerrando a programação de outubro, no dia 28, foi de gente grande, com experiência, controle de palco e domínio completo sobre a plateia, que no melhor momento da noite (e em um dos momentos inesquecíveis do projeto em 2014) atendeu ao pedido do grupo e caiu na ciranda, chegando a fazer três rodas, uma dentro da outra, com o povo de mãos dadas celebrando o repertório autoral de uma grandes promessas da nova cena pernambucana.

Eu esperava algo mais voltado para o samba, porém, dois dos melhores momentos da noite vieram ancorados no blues, que num crescendo magnifico contagiou a plateia, que mesmo diante de canções ainda não oficialmente registradas (o primeiro álbum cheio do Mexidinho deve ser lançado no segundo semestre de 2015), se empolgou e deixou-se levar. Com todos os músicos de saia (exceção do baterista Heudes) e um senso estético definido, o Mexidinho fez um dos grandes shows do Prata da Casa 2014.

As fotos são de Liliane Callegari (mais aqui). Abaixo, dois vídeos.

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novembro 8, 2014   Encha o copo

“Espelho Retrovisor” no Notícias do Dia

“Espelho Retrovisor – Um Tributo aos Engenheiros do Hawaii”, que será lançado pelo Scream & Yell no dia 11/11, foi notícia no jornal “Notícias do Dia” (Florianópolis, SC), que destacou a participação da DJ e produtora catarinense Blancah PatyLaus no projeto, recriando “Quartos de Hotel”, do disco “Várias Variáveis”. Leia

novembro 6, 2014   Encha o copo

No som, sobras de Billy Bragg

Um dos seguidores mais sérios da filosofia “essa máquina mata fascistas” de Woody Guthrie (não à toa, a filha da lenda o escolheu para musicar velhos textos do pai num projeto junto com o Wilco que rendeu as hoje clássicas “Mermaid Avenue” sessions), Billy Bragg soma cerca de 10 álbuns oficiais de um período que se inicia com “Life’s a Riot with Spy vs Spy” (1983) e chega até “Tooth & Nail” (2013) – boa parte deles inclusa nos dois boxes essenciais “Volume 1” e “Volume 2”, com sete CDs bônus e três DVDs extras. Ainda assim, dezenas de faixas raras foram ficando pelo caminho (algumas, disponibilizadas para download, renderam a coletânea “Fight Songs”, de 2011, com 11 socos de esquerda) e a coletânea “Reaching To The Converted”, lançada em 1999, passa uma peneira em boa parte deles salvando do esquecimento 17 números. Fui atrás desta coletânea por causa de uma versão alternativa de “Greetings to the New Brunette”, segundo single do álbum “Talking with the Taxman About Poetry” (1986 – lançado em vinil no Brasil na época), que na versão original conta com Johnny Marr na guitarra e Kirsty MacColl nos vocais, e nesta versão rara traz, segundo os créditos do CD, Billy Bragg na voz e “Johnny Marr em todo o resto” (leia-se: violão, guitarra, bateria, baixo e vocais). Ouça “Shirley (Greetings to the New Brunette)” abaixo, mas vale dizer que entre as outras 16 sobras de “Reaching To The Converted” ainda estão “The Boy Done Good”, de 1997, (com Johnny Marr novamente se desdobrando em vários instrumentos), uma singela versão de “Jeane”, dos Smiths, só com voz e guitarra, outra de “She’s Leaving Home”, dos Beatles, só voz e piano, e uma declamação de “Walk Away Renee”, single do The Left Banke em 1966, regravada com Johnny Marr no violão. Sobras que valem mais que muitos discos inteiros atuais…

Veja também:
– Billy Bragg chega aos 55 anos, lançando um dos melhores álbuns (aqui)
-”English, Half English”, Billy Bragg: mais política do que amor (aqui)
– “Must I Paint You A Picture?”, Billy Bragg: uma coletânea obrigatória (aqui)
– “Mr. Love and Justice”, Billy Bragg: mais amor do que política (aqui)
– SXSW: Billy Bragg critica Partido Nacional Britânico e Hollywood (aqui)

novembro 3, 2014   Encha o copo

No som, Charly García acústico

Gravado em maio de 1995 nos estúdios da MTV, em Miami, exibido em junho e lançado em CD no final do mesmo ano (com acréscimo de overdubs de estúdio), “Hello! Unplugged” pesca canções de toda a carreira de Charly García, que na época vivia seu período negro (alternando internações em clinicas de desintoxicação, entrevistas polêmicas e shows bombásticos – “Hello! Unplugged” foi precedido por outro disco ao vivo, “Estaba En Llamas Cuando Me Acosté”, de 1995, com covers de Beatles, Stones, Dylan, Otis Redding…). O repertório destaca um medley do Serú Giran (banda que Charly manteve entre 1978 e 1982 – com um retorno em 1992/1993), “Eiti Leda / Viernes 3 AM” (a segunda gravada pelos Paralamas do Sucesso no álbum “Hey Na Na”, de 1998), uma parceria com Spinetta (“Rezo Por Vos”, do álbum “Parte de la Religión”, 1987) e “Fifteen Forever”, da banda que o acompanhou em 1995, Cassandra Lange, e durou apenas este ano. Entre os destaques, “Demoliendo Hoteles” e “Cerca de la Revolución” (ambas do álbum “Piano Bar”, 1984, a segunda eleita em 2006 como a música mais importante do rock argentino), a pungente “Los Dinosaurios” (do segundo disco de Charly, “Clics Modernos”, 1983, e convertida em hino pela busca dos desaparecidos na ditadura argentina), “Chipi Chipi (do álbum “La Hija de la Lágrima”, 1994) e “Yendo de La Cama al Living” (do álbum homônimo de 1982). Uma ótima introdução a obra de um dos maiores nomes do rock argentino.

Veja também:
– Cinco acústicos da MTV Latina (aqui)

novembro 2, 2014   Encha o copo

Prata da Casa: Novembro de 2014

O penúltimo mês do Prata da Casa 2014 é o mês feminino do projeto: quatro jovens cantoras deste Brasil imenso mostram seus repertórios na choperia do Sesc Pompeia nas terças-feiras de novembro. Acredito ser importante fazer esse recorte, pois pelo Prata da Casa já passaram nomes como a Céu, Tulipa, Fabiana Cozza, Karina Buhr e Fernanda Porto, entre outras, e eu procurei por cantoras (e havia tantas outras tão boas quanto) que pudessem dar uma continuidade a essa tradição do projeto. Será uma mês bastante especial. Confira a programação.

PAULA TESSER (CE) – 04/11
Paula é filha de brasileiros, mas nasceu na França. Passou os primeiros 10 anos de vida em Paris, mudou-se com a família para Fortaleza, concluiu a faculdade e voltou para a capital francesa alguns anos depois. Lá gravou um disco ao vivo (”Retrato do Vento”, 2004), participou de outras tantas gravações e fez um doutorado em Sociologia sobre o Mangue Beat e Chico Science na Sorbonne. De volta a Fortaleza em 2007, não se distanciou da música, e o resultado dessa paixão é “Valha” (ouça aqui), belo disco produzido por Dustan Gallas (Cidadão Instigado) e lançado em 2014, que namora a Jovem Guarda, pisca o olho para o rock nacional e encanta.

GISELE DE SANTI (RS) – 11/11
Gisele é gaúcha e escreveu sua primeira música quando tinha apenas 14 anos. Hoje, aos 29, ela já conta com dois álbuns na carreira: “Gisele de Santi”, o primeiro, foi lançado em 2010 e reunia canções que a compositora havia escrito desde a adolescência; mais melancólico e reflexivo, o belo segundo disco, “Vermelhos e Demais Matizes” (baixe aqui), de 2013, foi produzido com auxilio de financiamento coletivo, conta com a participação de Vitor Ramil e foi reconhecido pelo Prêmio Açorianos, que concedeu à Gisele o título de Melhor Intérprete MPB de 2013 (ela já havia sido premiada nas categorias Intérprete e Revelação na edição de 2010).

NATÁLIA MATOS (PA) – 18/11
Natália é paraense, mas passou oito anos em São Paulo dividindo-se entre estudos em Canto Popular na EMESP, Arquitetura no Mackenzie e rodas de choro em bares interpretando Aracy de Almeida, Adoniran e cantoras da Era do Rádio. De volta a Belém, integrou o premiado projeto Terruá Pará e começou a preparar o repertório de seu álbum de estreia, lançado em 2014. Com produção de Guilherme Kastrup e participações de Zeca Baleiro, Rodrigo Campos, Kiko Dinucci e Felipe Cordeiro, o disco “Natália Matos” (ouça aqui) traz canções inéditas de Dona Onete e Romulo Fróes unindo a estranheza pop de São Paulo com o suingue irresistível do Pará.

CAMILA GARÓFALO (SP) – 25/11
Camila nasceu em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e mudou-se para a capital paulista quando tinha 17 anos. Na selva de concreto e pedra encontrou um cenário musical efervescente representado por artistas como CéU, Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Gui Amabis e Siba, entre outros, o que a inspirou a buscar seu próprio espaço. Em 2014, aos 25 anos, na companhia de Dustan Gallas (Cidadão Instigado), Thiago França (Metá Metá), Bruno Buarque (CéU) e Danilo Prates, ela lança seu disco de estreia, “Sombras e Sobras”, mostrando oito composições próprias, um timbre de voz forte e uma personalidade madura, que merece atenção.

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outubro 31, 2014   Encha o copo

No som, Natalie Merchant

Sexto disco de estúdio da carreira de Natalie Merchant, este álbum que leva apenas o nome da cantora é o primeiro composto apenas por canções inéditas desde o delicado “Motherland” (2001) – entre os dois álbuns ela gravou o disco de canções tradicionais “The House Carpenter’s Daughter” (2003) e o duplo “Leave Your Sleep” (2010), com adaptação de poemas do século 19 e 20 sobre a infância. Produzido pela própria cantora, “Natalie Merchant” soa um álbum profundo, desses que não se consegue penetrar com uma ou duas audições, mas que lá pela quinta vez que se ouve, se deseja ouvir mais algumas dezenas de vezes. Enraizado no jazz, no blues e no folk, “Natalie Merchant” é um álbum maduro (bela aos 51 anos, ela assume suas madeixas brancas em várias fotos promocionais e vídeos do disco) que não tem nada a ver com ondas e modismos, apenas com boa música que perdura e que dá vontade de ouvir e ouvir e ouvir e ouvir…

outubro 29, 2014   Encha o copo

Na rota dos vinhos na Argentina (parte 4)

O trecho final do roteiro foi van na estrada! Pegamos a ruta 40 para sair de Mendoza e seguimos primeiro pela ruta 141 e, depois, pela 38, a caminho de La Rioja, quase sete horas de viagem atrás de bons vinhos… e valeu muito a pena. Antes, porém, uma parada estratégica no meio do caminho para conhecer a produção da Finca Las Moras, em San Juan, a duas horas de Mendoza, uma bodega responsável por uma seleção de vinhos muito interessantes na questão custo / benefício.

Antes de beber, porém, fomos dar um passeio na vinícola e adentrar uma calicata, que nada mais é do que uma enorme escavação no terreno para se estudar a geotécnica do solo, afinal, antes de se investir em uma plantação em um determinado local é bom saber se o tal local tem um solo propício para o plantio. No caso desta calicata da Finca Las Moras, o que mais surpreendeu foi encontrar conchinhas do oceano em meio a terra! Do lado de lá da Cordilheira dos Andes há um oceano, e há alguns milhões de anos atrás tudo isso daqui era… oceano! A formação da Cordilheira dividiu o território, mas o solo não deixa esquecer o passado.

Partiu degustação, e a linha tradicional Dada foi bastante elogiada por seu excelente custo / benefício. O Dada 1 é um blend de Bonarda e Malbec enquanto o Dada 2 nasce da união de Cabernet Sauvignon e Syrah. Já o Dada 3, meu favorito, é 100% Merlot. Da linha PAZ, outro dos sucessos da casa, um Sauvignon Blanc muito bom. Seguiram-se a ainda melhor linha Grand Syrah e os tão ótimos quanto Pedernal (Malbec) e, meu favorito desta parada, o Mora Negra 2011 (Malbec e Bonarda).

Próximo destino, Casa Montes, uma enorme vinícola de San Juán, para provar o Ampakama Dulce Natural Viogneir, um Torrontes fresquissimo e um bom blend tinto 2012 que ainda não está nem rotulado além de um ótimo Don Baltazar Cabernet Franc (estou me apaixonando por essa uva!). Dali direto para a La Riojana, cooperativa de vitivinicultura de La Rioja fundada em 1940, com uma produção absolutamente gigantesca. Eles fazem desde vinhos de caixinha até bons exemplares de Torrontes Riojano e Malbec Rose. Gostei do Ecologica Los Andes Reserva Shiraz Malbec e também dos exemplares da linha Raza (Malbec e Syrah).

Pé na estrada e mais uma parada! Recebidos com empanadas e uma vista de tirar o folego do vinhedo no Valle do Chañarmuyo, nem o cansaço foi páreo para se deslumbrar com a linha de vinhos Keo e, principalmente, Paiman, cujo Tannat da casa se transformou em um dos desejos de consumo da turma da van (se você esbarrar com ele por ai, pega dois: um pra você e um pra mim, ok). Um misto de alegria e dever cumprido marcou o almoço que se seguiu, e a sensação é de que essa viagem por regiões vinícolas da Argentina foi um enorme presente que deve abrir meus olhos não só para os Wines of Argentina, mas de todo mundo. Viagem finita, mas já quero voltar.

Turismo: Na rota das vinícolas argentinas (aqui)

outubro 27, 2014   Encha o copo

Prata da Casa #20: Rapadura

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“Ontem um fato inesquecível aconteceu… corações bateram mais forte que a zuada da zabumba, pés saltaram mais alto que o teto, nós fizemos do dia 21/10/2014 um dia histórico em São Paulo no #SescPompeia, cantei, sorri, dançei, chorei, era disso que minha alma tava precisando, me senti 2 vezes mais vivo, o palco é um lugar sagrado e nele quero sempre me derramar e quando tiver que deixa-lo vcs farão festa dentro do meu coração”
Rapadura Xique-Chico

No Rock In Press: “Outro fato evidenciado em muitos momentos do show foi o valor dado à cultura nordestina. Em músicas como “Norte e Nordeste Me Veste”, as rimas trazem mensagens como “Não vejo cabra da peste, só carioca e paulista, só freestyleiro em nordeste, não querem ser repentistas, rejeitam xilogravura, o cordel que é literatura, quem não tem cultura, jamais vai saber o que é RAPadura!” (continue lendo)

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outubro 25, 2014   Encha o copo

Na rota dos vinhos na Argentina (parte 3)

O quinto dia de viagem começou na estrada, e o ônibus (leito confortável), se não é comparável a uma cama de hotel, serviu bastante para deixar a carcaça descansar enquanto a cabeça pensava mil coisas. No iPod, Tweedy, Pescado Rabioso, Miles Davis, Charme Chulo, Nevilton e Sui Generis se alternavam embalando rápidos cochilos, que terminaram assim que o sol amanheceu meio vermelho, depois dourado. A chegada a Mendoza às 7h e tanto da manhã parecia uma segunda-feira de Marginal Pinheiros: congestionada e ansiosa.

A primeira tarefa do dia foi uma das mais agradáveis da viagem, uma palestra de Roberto de La Mota sobre o vinho argentino além do Malbec. Enólogo-chefe e proprietário da vinícola Mendel, Roberto de La Mota é um dos grandes nomes da história do vinho argentino, e discorreu sobre sete uvas: Mendel Semillón 2013, Doña Paula Estate Sauvignon Blanc 2014, Colomé Torrontés 2013 (um dos meus preferidos), Durigutti Reserva 2010 Bonarda, Rutini Cabernet Sauvignon 2011, Pasionado Cabernet Franc 2010 e Decero Petit Verdot 2011.

Na sequencia, uma visita à bodega familiar Bressia, que tem apenas 10 funcionários (cinco são da família que dá nome a casa). Fomos recebidos por Marita, que nos levou em um rápido tour pela bodega (da área de engarrafamento passando pelas barricas e até o setor de rotulagem, totalmente manual), e depois nos serviu alguns dos destaques da casa (o Bressia Pinot Noir 2010 Piel Negra me agradou, mas o destaque geral foi o Bressia Profundo 2010, um blend com quatro uvas: Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot).

Da simplicidade encantadora da Bodega Bressia fomos para o luxuoso complexo da Vistalba, que inclui uma agradável pousada, para conhecer alguns vinhos da casa sob a orientação do enólogo Alejandro (me chamaram a atenção os Tomero Malbec 2011 e Petit Verdot 2012 e o excelente Vistalba Corte A) e participar de uma mini-feira de vinhos com sete vinícolas presentes: Lamadrid Estate Wines, Viñedos Urraca, Kaiken (responsável por um dos vinhos que me trouxe para essa viagem), Lagarde, Casarena, Septima, Clos de Chacras e Argento.

Uma minifeira de vinhos funciona mais ou menos assim: cada vinícola monta sua apresentação em uma mesa com dois até quatro vinhos, que serão degustados pelos participantes, que vão rodando as mesas e fazendo suas anotações. É bem corrido (a viagem toda foi bem corrida), mas permite se deparar com rótulos excelentes. Como novato, fiquei na cola dos amigos experts, que me indicavam coisas imperdíveis (“Não deixe de experimentar o Lagarde”, dizia um; “Prove o Cabernet Franc da Casarena”, dizia outro).

Grande parte das minifeiras termina em almoço ou jantar, uma agradável confraternização entre enólogos, representantes e donos de bodega com os convidados, momento que permite aprofundar a conversa sobre vinhos, a combinação com pratos e tudo mais. Desta forma, a mesa de jantar na Bodega Vistalba (após um belo entardecer) foi uma das mais divertidas, com ótimos vinhos (provei novemente o Torrontês da Kaiken), comida excelente e um azeite (Corte V) delicioso de edição numerada produzido pela própria bodega (ganhei o de número 397).

O sexto dia de viagem (e o segundo em Mendoza) começou com uma visita à Trivento (aqui dois vinhos me chamaram a atenção: Trivento Golden Reserve Cabernet Sauvignon 2012 e Eolo Malbec 2012) e, na sequencia, à Bodega Norton (mais três pra lista: Norton Cosecha Especial Vintage 2010 Extra Brut; Lote L-109 Malbec 2009 e Gernot Langes 2008, um blend de Malbec, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc). Meu humor não estava dos melhores, e decidi não participar da minifeira, um erro duplo que mereceu um digno puxão de orelhas.

O lance das minifeiras é que, bem, o pessoal está ali para vender vinho e a turma de brasileiros para anotar interesses, trocar informações, movimentar o mercado. Não me senti muito à vontade em ficar ocupando tempo dos exibidores, porém eu não contava com a astúcia deles: a lista de profissionais presentes é apresentada quando o convite é feito para uma minifeira, ou seja, eles sabiam que eu estaria lá. E só descobri isso na mesa do almoço, quando comecei um papo animado com um enólogo sobre carnes, vinhos, cerveja e música.

“Você não provou o meu vinho”, foi a primeira coisa que ele me disse antes mesmo da entrada do almoço ser colocada na mesa. Respondi (de bate pronto) que iria provar naquela hora, na mesa, mas o que me surpreendeu foi sua resposta quando comentei que era Sommelier de Cerveja: “Eu sei. Entrei no seu site essa semana. Tem entrevistas bem boas sobre música lá”. Engoli seco e, não bastasse o arrependimento (e a certeza bacana de que a paixão pelo vinho é algo sério), amigos do grupo disseram que essa foi uma das melhores minifeiras da viagem…

Tudo bem, haveria uma segunda chance no mesmo dia, quando partimos para a agradabilíssima Bodega Tapiz, também pousada (e também produtora de um azeite delicioso), em que além de conhecer os vinhos da casa, haveria outra minifeira (haja vinho, amigos, haja vinho). Da Tapiz, um dos destaques do dia foi o Black Tears Malbec 2010. Na minifeira, a linha Revancha, de Roberto De La Mota, foi um dos destaques, mas só tive olhos (e paladar) para o Mascota Opi Malbec 2013, um dos meus preferidos de toda a viagem. No jantar, um dos sucessos foi o espumante Brut Nature Colonia Las Liebres feito 100% com uva Bonarda.

O terceiro e último dia nosso em Mendoza foi especialíssimo pelos extremos: de manhã partimos para a Bodega DiamAndes, um projeto arquitetônico impressionante do escritório Bormida & Yanzon de deixar a gente sem ar aos pés da cordilheira. Na parte da tarde visitamos a Gouguenheim Winery, uma bodega na total contramão tecnológica da DiamAndes, que ainda produz vinho da mesmo forma com que os primeiros donos da casa produziam nos anos 40, uma experiência lúdica que abre horizontes: há bons destaques em ambas as casas.

Na DiamAndes me apaixonei pelo DiamAndes de Uco Viognier 2013 e, principalmente, pelo DiamAndes Gran Reserva 2008 (a ponto de compra-lo durante a visita – das 23 garrafas que vieram na mala, apenas mais uma foi comprada diretamente na bodega durante a visita). Da Gouguenheim Winery gostei muito do Syrah Bonarda 2013 e do Red Melosa 2010 (Malbec, Sauvignon, Merlot e Bonarda). Na DiamAntes houve minifeira. Meus destaques: o excelente Pinot Noir da Bodega Laureano Gomez, o Malbec 2012 da Alpasión (com um dos melhores rótulos de toda a viagem) e o trio da Bodega Masi Tupungato, que aproxima a Itália da Argentina (em blends de Corvina e Malbec).

A despedida de Mendoza aconteceu mais à noite, no elogiado restaurante Siete Cocinas da Argentina, com o chef Pablo Del Rio caprichando no menu e a companhia na mesa de representantes das vinícolas Roca, Rutini e Decero. Abrimos a noite com um Rutini Apartado Gran Chardonnay 2013, passamos para um Alfredo Roca Pinot Noir 2010, seguimos com um Alfredo Roca Bonarda 2012, Decero Petit Verdot 2011 e Decero Amano 2011, e fechamos a noite com um Rutini Apartado Gran Malbec 2010 e um indie Cara Sur Bonarda 2013.

Não deu muito para caminhar por Mendoza nos três dias, mas foi possível conhecer um número inimaginável de vinhos da região, o que me faz já ter vontade de fazer planos para uma volta mais calma e sossegada. O trecho final da viagem mapeia a terceira região de vinicultura da Argentina: passaremos por San Juan, onde visitaremos a Bodega Finca Las Moras e Casa Montes e, no dia seguinte, partiremos para La Rioja, para as últimas duas visitas: La Riojana e Paiman. Trecho final de viagem (e já está dando saudades).

Turismo: Na rota das vinícolas argentinas (aqui)

outubro 24, 2014   Encha o copo

Um pouco de história: rock argentino

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“Adiós Sui Generis” é a gravação de um dos shows mais importantes da historia do rock argentino, resultando em um disco ao vivo gravado em Buenos Aires durante dois dias de setembro de 1975, no Luna Park. O show marcava a despedida da banda Sui Generis (Charly García, Nito Mestre, Rinaldo Rafanelli e Juan Rodriguez). O grupo já estava cansado de críticas, da monotonia dos fãs querendo ouvir só canções do primeiro disco e, também, da censura. Abaixo, na integra.

outubro 22, 2014   Encha o copo