Random header image... Refresh for more!

Category — Cinema

Truffaut, Kevin Smith e Michael Lehmann

“Uma Jovem Tão Bela Como Eu”, de François Truffaut

“Uma Jovem Tão Bela Como Eu”, François Truffaut (1972)
Apontado por muitos como o filme mais descompromissado de Truffaut, “Uma Jovem Tão Bela Como Eu” (“Une Belle Fille Comme Moi”) é uma comédia leve repleta de ironia e farsa que narra a história de um sociólogo inocente (André Dussollier) que pretende escrever uma tese sobre mulheres criminosas e, para isso, entrevista uma presidiária (Bernadette Lafont) esperta e maliciosa. O encontro de duas personalidades tão distintas permite a Truffaut brincar com a imaginação do espectador. Camille, a presidiária, conta uma história em off para Stanilas Previne, o sociólogo, mas as imagens em flashback mostram outra situação – com muito humor.  Inspirado no livro “Such a Gorgeous Kid Like Me”, de Henry Farrell, “Uma Jovem Tão Bela Como Eu” pode ser o filme mais fraco de Truffaut, mas é cinema de alta qualidade.

“Barrados no Shopping”, Kevin Smith

“Barrados no Shopping”, Kevin Smith (1995)
Segundo longa da autodenonimada “Trilogia de New Jersey” (precedido pelo ótimo “O Balconista” e com seqüência no esperto “Procura-se Amy”) “Barrados no Shopping” (“Mallrats”) é o mais fraco dos três primeiros filmes do diretor Kevin Smith (capa do Scream & Yell On Paper #5), com alguns vácuos entre piadas e certa falta de acabamento na cinematografia, o que não tira o brilho de algumas ótimas passagens. O título nacional pega embalo na boa participação de Shannen Doherty (a Brenda da série “Barrados no Baile”) no elenco, que ainda conta com atuações quebra-galho de Ben Affleck e um perfeito Jason Lee. Sem contar Stan Lee, a lenda viva, que dá o ar de sua graça em um dos grandes momentos de uma comédia romântica que tem os pés atolados na cultura pop e no besteirol, e entretém enquanto faz rir.

“Feito Cães e Gatos”, Michael Lehmann

“Feito Cães e Gatos”, Michael Lehmann (1996)
Possivelmente, uma das minhas comédias românticas prediletas, “Feito Cães e Gatos” (“The Truth About Cats and Dogs”) é um embate interessante entre beleza e inteligência inspirado em Cyrano de Bergerac, mas às avessas: aqui é a mulher que teme não ser aquilo que o homem deseja, e por isso “adapta-se” no corpo de sua vizinha, uma loura alta, de olhos claros e que é impossível não ser percebida. A tal loura é Uma Thurman, divertidíssima na visão rasa da mulher bela e burra, mas que convence conforme se aprofunda o personagem. A “outra” é a fofa Janeane Garofalo, brilhante em uma ótima atuação. Ela é uma veterinária que dá conselhos em uma rádio, e que acaba por chamar a atenção de um ouvinte, que a convida para jantar. Ela não vai, e manda a vizinha no lugar, e dá início a uma excelente comédia de erros.

O diálogo: “Combinadas, somos a mulher perfeita”, diz Noelle (Uma). “Não, somos o prisioneiro político perfeito. O que fazemos bem é ter convicção e passar fome”, responde Abby (Janeane).

setembro 6, 2009   No Comments

Os filmes prediletos de Woody Allen

por Marcelo Costa

Primavera de 2005. O repórter, amigo e biógrafo Eric Lax pergunta para Woody Allen quais são os melhores filmes já feitos na história do cinema. Um ou dois meses depois, Woody manda o que ele chama de “lista de insônia” de filmes favoritos, com um bilhete:

“Quando acordo durante a noite, para aplacar o meu pânico existencial, faço listas mentais. Isso às vezes me ajuda a voltar a dormir. Quase sempre as listas são de filmes – acrescento ou subtraio títulos, substituo. Meus gostos não me parecem nada excepcionais, a não ser na área de comédias de enredo faladas, na qual pareço ter pouca tolerância para qualquer coisa, certamente não para os meus próprios filmes.

Quinze dos meus filmes americanos favoritos (2005)
(sem nenhuma ordem particular):

– “O Tesouro de Sierra Madre”, John Houston (The Treasure of the Sierra Madre), 1948
– “Pacto de Sangue”, Billy Wilder (Double Indemnity), 1944
– “Os Brutos Também Amam”, George Stevens (Shane), 1953
– “Glória Feita de Sangue”, Stanley Kubrick (Paths of Glory), 1957
– “O Poderoso Chefão II”, Francis Ford Coppola (The Godfather: Part II), 1974
– “Os Bons Companheiros”, Martin Scorsese (Goodfellas), 1990
– “Cidadão Kane”, Orson Welles (Citizen Kane), 1941
– “O Delator”, John Ford (The Informer), 1935
– “A Colina dos Homens Perdidos”, Sidney Lumet (The Hill), 1965
– “O Terceiro Homem”, Carol Reed (The Third Man), 1949
– “Interlúdio”, Alfred Hitchcock (Notorious), 1946
– “A Sombra de Uma Dúvida”, Alfred Hitchcock (Shadow of a Doubt), 1943
– “Uma Rua Chamada Pecado”, Elia Kazan (A Streetcar Named Desire), 1951
– “Relíquia Macabra / O Falcão Maltês”, John Houston (The Maltese Falcon), 1941

Doze dos meus filmes europeus favoritos e três filmes japoneses favoritos (2005)

– “O Sétimo Selo”, Ingmar Bergman (Det Sjunde Inseglet), 1956
– “Rashomon”, Akira Kurosawa (Rash?mon), 1950
– “Ladrões de Bicicleta”, Vittorio De Sica (Ladri di Biciclette), 1948
– “A Grande Ilusão”, Jean Renoir (La Grande Illusion), 1937
– “A Regra do Jogo”, Jean Renoir (La Règle du Jeu), 1939
– “Morangos Silvestres”, Ingmar Bergman (Smultronstället), 1957
– “8 1/2″, Federico Fellini (8 1/2), 1963
– “Amarcord”, Federico Fellini (Amarcord), 1973
– “Trono Manchado de Sangue”, Akira Kurosawa (Kumonosu-j?), 1957
– “Gritos e Sussurros”, Ingmar Bergman (Viskningar och Rop), 1972
– “A Estrada da Vida”, Federico Fellini (La Strada), 1954
– “Os Incompreendidos”, François Truffaut (”Les Quatre Cents Coups), 1959
– “Acossado”, Jean Luc Godard (À Bout de Souffle), 1959
– “Os Sete Samurais”, Akira Kurosawa (Shichinin no Samurai), 1954
– “Vítimas da Tormenta”, Vittorio De Sica (Sciuscià), 1946

Tirando “Cidadão Kane” da lista de cima e passando para a debaixo, seria a minha lista de melhores filmes de todos os tempos”, diz Woody Allen

Provando que é um adepto da mutabilidade das listas, quando convidado em 2012 para a votação dos melhores filmes de todos os tempos organizada pela revista Sight and Sound, Woody Allen fez duas mudanças significativas listando 9 filmes presentes das listas acima, mas baixando “Glória Feita de Sangue” para a lista principal e incluindo um décimo filme (o trigésimo primeiro!), de Buñuel, que não havia aparecido nas duas listas de 2005:

Top 10 filmes de todos os tempos, por Woody Allen (2012)

– “O Sétimo Selo”, Ingmar Bergman (Det Sjunde Inseglet), 1956
– “Rashomon”, Akira Kurosawa (Rash?mon), 1950
– “Ladrões de Bicicleta” (Ladri di Biciclette), 1948
– “A Grande Ilusão”, Jean Renoir (La Grande Illusion), 1937
– “O Discreto Charme da Burguesia”, Luis Buñuel (Discreet Charm of the Bourgeoisie) 1972
– “Glória Feita de Sangue”, Stanley Kubrick (Paths of Glory), 1957
– “8 1/2″, Federico Fellini (8 1/2), 1963
– “Amarcord”, Federico Fellini (Amarcord), 1973
– “Os Incompreendidos”, François Truffaut (”Les Quatre Cents Coups), 1959
– “Cidadão Kane”, Orson Welles (Citizen Kane), 1941

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

Leia também:
– Filmografia comentada: os 24 filmes de Federico Fellini (aqui)
– Filmografia comentada: os 25 filmes de François Truffaut (aqui)
– Filmografia comentada: os 26 filmes de Billy Wilder (aqui)
– Jean Renoir: “A Grande Ilusão”, “A Marselhesa” e “A Regra do Jogo” (aqui)
– Jean Luc Godard: “Acossado” é uma obra prima obrigatória (aqui)
– Luis Buñuel: “Uma estranha reunião de fantasmas em Hollywood” (aqui)

setembro 3, 2009   No Comments

Top 100 cenas de nudez no cinema

Eva Green em cena de “Os Sonhadores”

Quando me passaram o link, na semana passada, entendi que seria uma lista com as 100 melhores cenas de sexo da história do cinema, e já fui direto ao Top 10 conferir se a pegação sensacional de Halle Berry e Billy Bob Thorton em “Monsters Ball“, de 2001, estava entre as cinco mais, mas então percebi que a seleção apenas listava cenas de nudez (e femininas, sorry ladies).

Mas não adianta ficar alegrinho, caro amigo. São 10 vídeos em que o pessoal do Mr. Skin explica as 100 escolhas, e mostra algumas cenas com tarjas (cenas sem tarjas apenas para cadastrados no site). Mesmo assim não deixa de ser interessante, e polêmico. Como não tem Paz Vega em “Lúcia e o Sexo“? E Angelina Jolie está muito melhor em “Pecado Original” do que em “Gia”.

luciaeosexo

E a número 1 é sério ou é pegadinha?

Veja a lista aqui e depois procure os vídeos no Youtube – ou na sua locadora.

Ps. A foto que abre o texto é a da deslumbrante Eva Green em cena de “Sonhadores” (2003), do Bertolucci (um filme que adoro e que escrevi sobre aqui), um filme que adoro e preciso rever (oitavo lugar na lista do Mr. Skin). Já a foto abaixo é de Juliet Mills fazendo topless na Costa Amalfitana para desespero de Jack Lemon em “Avanti – Amantes À Italiana”, filme de 1972 de Billy Wilder.

Leia também:
– Les Inrockuptibles lista 50 canções para fazer Sexo (aqui)
– 100 Canções Essenciais da MPB (aqui)
– 100 Maiores Canções da MPB segundo a Rolling Stone (aqui)

setembro 1, 2009   No Comments

“Se Beber, Não Case” e “The Doors”

“Se Beber, Não Case”, Todd Phillips

“Se Beber, Não Case”, Todd Phillips (2009)

O Omelete cravou (aqui) e eu não discordo: estamos diante da melhor comédia do ano (Brüno, infelizmente, rodou). A última vez que ri tanto em uma sala de cinema foi no pastelão “Quem Vai Ficar com Mary?”, e por mais absurda que pareça a história de “Se Beber, Não Case” (que não é pastelão!), há uma explicação para tudo aquilo que está acontecendo. Ou quase tudo. Preciso rever para juntar algumas coisas perdidas. Uma na verdade. Ainda vou escrever sobre o filme, então não vou gastar toques agora. Mas o final é… sensacional. Sensacional. Leve um lenço. Você pode chorar de rir.

“The Doors”, Oliver Stone (1991)

A cinebiografia assinada pelo polêmico Oliver Stone retorna às lojas em versão de luxo com dois DVDs, um deles apenas de extras que destacam dois excelentes documentários sobre a produção e 15 cenas deletadas. O tecladista Ray Manzarek odiou a adaptação e não dá nenhum depoimento nos documentários, mas a tal jornalista que diz que casou com Jim Morrison em uma cerimônia pagã aparece e desce a lenha no diretor.

Oliver Stone, no entanto, se protege dizendo que juntou vários personagens reais em um no filme e que todo mundo tinha uma visão de Jim Morrison, e essa é a dele. Por mais que soe escapista, não dá para desvalorizar o filme, que não chega ao brilhantismo de “Ray” nem de “Johnny and June”, mas traz algumas cenas fabulosas e histórias imperdíveis de uma das maiores bandas da história do rock. E Val Kilmer brilha no papel principal.

Vi no cinema na época do lançamento, e depois em VHS. Eu tinha um pôster do filme em meu quarto, com marcas de batom que algumas amigas deixaram. Dúvidas que o mito continua vivo?

agosto 28, 2009   No Comments

Banzé no Oeste, Macho Alfa e Aimee Mann

Mel Brooks em cena de “Banzé no Oeste”

“Banzé no Oeste”, de Mel Brooks (1974)
Para a American Film Institut, “Banzé no Oeste” (“Blazing Saddles”) é uma das dez melhores comédias de todos os tempos. Mel Brooks é uma das poucas pessoas a terem recebido um Oscar (cinema), um Grammy (música), um Emmy (TV) e um Tony (teatro) e está totalmente à vontade neste que é o seu quinto filme, e que bateu forte (mas muita forte) na turma Monty Python (o final de “Calice Sagrado” é uma homenagem clara para “Banzé no Oeste”).

Mel Brooks avacalha os filmes de diligência e faroestes com passagens cômicas e ainda provoca os racistas ao fazer de um negro (Cleavon Little) o xerife de uma cidadezinha do velho oeste. Gene Wilder está ótimo, o próprio Mel Brooks rouba algumas cenas coom governador (foto), mas é Harvey Korman quem brilha. O texto é excelente, embora haja um certo vácuo entre algumas piadas, mas nada que diminua o filme, muito menos o final surreal e arrasador. Um clássico.

*******

Como JJ Bronson, grande amigo que assina a coluna Macha Alfa no iG, está de férias em paisagens idílicas, fiquei responsável por escrever a coluna desta semana. Assino com o singelo pseudônimo de JR Durão, e o tema é “Mulher tem que ter pegada?”. Leia a coluna aqui.

*******

Aimee Mann em Buenos Aires, foto de Ligia Helena

A queridissima Ligilena esteve em Buenos Aires semana passada para, entre outras coisas, assistir ao show de Aimee Mann. Abaixo um relato descompromissado que ela fez aqui para o blog. A foto é dela. No flickr (http://www.flickr.com/photos/ligelena) tem mais.

“Bom, como eu disse pro Mac, não sou crítica de música. E sou muito, muito, muuuuito fã da Aimee Mann. Então posso contar como foi o show, mas vai ser em primeira pessoa. Se vocês quiserem podem baixar uns dois tons do meu texto pra terem a real noção do que foi aquela apresentação.

Quando eu decidi ir pra lá pra ver a Aimee, resolvi fazer a loucura completa e comprei o ingresso mais caro, na segunda fileira (a primeira já estava lotada) do Teatro Gran Rex. É um teatro gigante, que já recebeu a Björk, o Coldplay, o Muse, entre outros grandes. E a platéia estava quase completa pra ver Aimee na América do Sul pela primeira vez.

Minhas impressões da segunda fila foram completamente diferentes das impressões dos meus amigos que assistiram do fundão. Eles assistiram a um show introspectivo e melancólico. Eu assisti a um show descontraído e feliz. Acho que conseguir ver as expressões da Aimee foi o que fez a diferença. Ela é alta, magrela e desajeitada, daquele tipo de pessoa que não sabe bem onde colocar as mãos e tropeça em tudo, sabe? A cada música ela fazia questão de agradecer, sorrindo muito, feliz da vida. Não tentou fazer média, não disse “hola” nem “gracias”, mas cativou todo mundo.

No palco, ela e mais dois músicos se revezavam entre piano, órgão, escaleta, bateria, violão, guitarra e baixo. Até flauta doce ela tentou tocar, sem muito sucesso. Pediu desculpas, estava aprendendo a tocar “aquilo” havia só duas semanas. 

O setlist foi muito generoso, com músicas de todos os discos e até um lado B do Lost in Space, “Nightmare Girl”. A platéia veio abaixo a cada canção da trilha de Magnolia, especialmente com a dobradinha de Wise Up e Save Me. De matar. Ainda rolou Momentum, One, Deathly (essa, no bis, serviu pra me arrancar as últimas lágrimas). Do “Whatever”, rolou “Stupid Thing”. Do I’m With Stupid, rolou “You Could Make a Killing” e “Amateur”. Do Bachelor no. 2, Deathly, que eu já tinha dito. Do Lost in Space, “The Moth” (que abriu o show) e “Today’s the Day”. Do Forgotten Arm, “Going Through the Motions” e “Little Bombs”. E do último, Smilers, “Little Tornado”, “31 Today”, “Freeway”. Ela fechou o show cantando “Voices Carry”, do Til Tuesday. Generosa ou não?

Eu não anotei o setlist, eu nem sei se aí em cima estão sobrando ou faltando canções. Porque eu estava completamente encantada e entorpecida pelo show. No dia seguinte ela partiu para Santiago, no Chile, e minha vontade era ir atrás pra ver mais um show. E a pergunta que ficou martelando na minha cabeça foi: por que ninguém trouxe essa mulher pro Brasil? E a certeza que ficou foi: se eu tiver qualquer chance de ver um show dela de novo, vou de olhos fechados. “

agosto 19, 2009   No Comments

Sobre o fim – de semana e de romances

bifedetira.jpg

Uma das coisas que eu pensava ao dormir na noite de quarta era de que iria aproveitar o feriadão para dormir e descansar. Me esconder do frio com Lili debaixo de edredons. Ledo engano. É impressionante como gostamos de nos enganar. Ficar sem fazer nada é algo que me incomoda ferozmente. Adoraria ficar deitado o dia todo vendo filmes, comendo pipoca e me enrolando com a namorada (não necessariamente nessa ordem), mas quem diz que consigo.

Desta forma, assim que acordamos e percebi o sol quente pela janela, já tirei Lili da cama para tomarmos café na Padaria Boulevard (pare no balcão e peça a “Boa” com um capuccino! Seu dia vai ficar muuuuito melhor), e depois seguirmos para o centro da cidade para pesquisarmos preços de aquecedores e netbooks. Acabamos comprando o primeiro, afinal, como você sabe, a sensação térmica do meu apartamento é de 5 graus (Bianca e Fernando, vocês chegaram com o aquecedor ligado, não vale!).

No fim da tarde de quinta, várias mensagens chegaram ao celular. “Vamos beber? “. E eu: “Talvez”. “Vamos para um boteco?”. E eu: “Talvez”. Por fim acabamos indo para o Fuad jantar picanha no saralho e jogar conversa fora. Quase perdi minha cabeça quando Ligilena, do alto de sua tarde entornando vinho e da noite a base de cerveja, não se conformou em eu nunca ter assistido “ET”, e arremessou o DVD pirata de “Se eu Fosse Você 2”, que passou tirando lasca de meu pescoço. Morrer tudo bem, mas com a cabeça decepada por Tony Ramos e Glória Pires não. (hehe). Vou assistir ao filme. Prometo.

A sexta prometia. Era dia dos namorados (com direito a abrirmos a última garrafa de vinho que trouxemos de Santiago dois anos atrás), tinha uma festa mexicana para ir, show do Caetano no Credicard Hall, mas tudo se resumiu a rodar alguns sebos, conhecer a pequena (apenas 45 cm) e linda Olivia (seja bem-vinda, princesa), de dois dias, filha da Dre e do Marco, que me tirou algumas lágrimas dos olhos, e conferir o novo show de Cae mais à noite, sobre o qual escrevi aqui. Nem o vinho abrimos, mas já marcamos outra data para tirar a rolha da garrafa.

O sábado foi o dia mais corrido do feriadão. Fiquei um tempo na Velvet CDs, e depois corri para o Veloso, para encontrar vários amigos e o sensacional bife de tira (bati a foto que abre o post com a máquina da Capitu). Ficamos de 12h30 até às 19h no lugar, e bebi seis caipirinhas de cachaça (Lili diz que foram sete, onde já se viu: eu bebo, e ela que perde a conta). Deu tempo de voltar pra casa e dormir duas horas antes do esquenta para o show de Jens Lekman, no Studio SP. Eu acordei às 22h03, coloquei os pés no chão, e um amigo ligou: “Vai rolar? Tô chegando”. Levantei, caminhei até a sala e o interfone toca com outro amigo na porta.

Um tempo depois, já com o Fernando, a Bianca e os Tiagos na sala vendo DVDs do programa de Jools Holland, liga a Ligelina. “Mac, chamei um pessoal para ir ai? Tudo bem?”. Resposta afirmativa. “Mas é uma turma grande”. Outra resposta afirmativa e acho que desde o dia que abrimos a casa não havia tanta gente bacana reunida no mesmo lugar. Era uma vez três Patricia, algumas Leffe, outras Baker de trigo e felizmente alguns gostaram da cachaça forte Milagre de Minas, que eu e Lili trouxemos de Ouro Preto. Foi bem divertido.

Jens Lekman por Liliane Callegari

Já o show do Jens foi… interessante (a foto é da Lili; mais aqui). No palco, só ele (na voz belíssima e na guitarra ocasional) acompanhado do amigo Victor, que soltava via laptop a base das canções. Sim, é isso que você pensou mesmo: quase um playback. Os arranjos são lindos, alguns de chorar, mas a apresentação é quase como uma noite em uma churrascaria. Jens pode ser definido canhestramente como o Wando da Suécia. Wando, aliás, que na Virada Cultural tocou a clássica “Fogo e Paixão” acompanhado de bateria eletrônica e uma guitarra. Como Jens. “Black Cab”, “The Opposite Of Hallelujah”, “You Are The Light” e a hilária versão de “A Postcard To Nina” (com Ana Garcia, do Coquetel Molotov, traduzindo no segundo microfone) foram os grandes momentos da noite.

Domingo eu deveria ir a Taubaté visitar as três mulheres da minha vida que residem lá (a mãe Vilma, a irmã Cristiane e a sobrinha Gabriela), e tentar dar um olá para a quarta (a afilhada Amanda), mas não rolou. Minha irmã estava de mudança, e ninguém precisa de visitas em dia de mudança. Acabamos ficando em casa e fomos à tarde, na companhia de Tiago Agostini e Marina Person, conferir a sensação indie “Apenas o Fim” (assista ao trailer), longa-metragem de estréia do estudante universitário Matheus Souza, da PUC-RJ, um interessantíssimo retrato de geração cujo pano de fundo é o fim de uma história de amor (conhecido por todos aqueles, de 8 a 80, que já viveram algum romance na vida).

O roteiro assim como as boas atuações de Érika Mader e Gregório Duvivier credenciam – e muito – o filme. Lembrou-me claramente a primeira vez que li “O Clube dos Corações Solitários”, romance de estréia do amigo André Takeda, no que aquilo mais representava pra mim: alguém como eu escrevendo no terreno que já foi habitado por deuses do quilate de Rimbaud, Shakespeare e Huxley. É o velho sintoma de “não estou sozinho no mundo”, sabe. Afinal, por mais que Lygia Fagundes Telles e Vinicius tenham me traduzido dezenas de vezes em momentos especiais de minha vida, eles estão no cerne da dor, lá no fundo do âmago, enquanto Takeda e Matheus Souza mostram a timidez no olhar. Eles exteriorizam algo que só quem está vivendo a mesma época que eles consegue perceber – e rir e se envergonhar.

Já faz tempo que deixei de viver a mesma época de Matheus Souza, por isso mesmo que as referencias a coisas como Tartarugas Ninjas e Nintendo não me comovem, mas já estive tantas vezes face a face com o fim do amor que é impossível não sentir um arrepio na espinha quando observo uma história chegando ao fim. É extremamente natural que, conforme envelhecemos e passemos pela faculdade, deixemos de ser inocentes para nos transformarmos em cínicos, mas a dor do fim do amor, meu (minha) caro (a) amigo(a) continua doendo aos 12, aos 21 , aos 34 e, acredito eu, aos 50 e tantos (Caetano, sofrendo e compondo como um menino é um bom exemplo disso).

Tirando a história de amor e dor, “Apenas o Fim” ainda me assustou ao imaginar a força com que os Los Hermanos bateram na geração estudantil desta década. Eu que acredito que o “Bloco do Eu Sozinho” seja o disco dos anos 00 fico triste pela postura da banda, grandiosa demais, posada demais, em que os personagens se agigantaram ignorando a história (que eles mesmos admiravam). Como Marcelo Camelo pode se sentir grande perante a obra de Chico Buarque? Desculpe-me, mas a humildade (com H maiúsculo e dourado? – risos) deveria ser exemplo. Para mim, o sucesso do Los Hermanos foi mais maléfico do que benéfico, mas não se preocupe, é meu lado cínico reclamando do estado das coisas. Veja o filme. Leia o livro do Takeda. Jogue fora seus discos do Los Hermanos. Sonhe. E me desculpe pelo post confuso. Devo estar bêbado… ainda (risos).

Apenas o Fim - O Filme

junho 15, 2009   No Comments

Paixões cinéfilas

Uma votação na Inglaterra elegeu Audrey Hepburn a atriz mais bonita da história do cinema (leia aqui). Bem, eu já tinha comentado minha paixão por ela tempos atrás, quando disse que entre ela e Deneuve, ficava com Audrey (aqui). Porém, é preciso colocar os pingos nos ís: Ingrid Bergman me desmonta com um sorriso, Jean Seberg (aqui) deu uma boa balançada na casa e a Irene Jacob… ahhhh, a Irene. Não tem pingos nos ís não. São elas.

fevereiro 12, 2009   No Comments

Titãs e Sonic Youth nas telonas

 

“A Vida Até Parece Uma Festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves
Cotação: 1/5

Uma das principais formações de rock do país, o Titãs chega às telonas (via Mostra RJ e SP – estréia oficial apenas em janeiro) com um documentário caseiro que procura contar a trajetoria da banda através de imagens de programas de TV e registros que Branco Mello começou a fazer quando comprou sua primeira câmera VHS em 1986. Dividido a quatro mãos entre o titã e o diretor Oscar Rodrigues Alves, “A Vida Até Parece Uma Festa” tropeça enquanto cinema, mas fãs vão adorar.

Os melhores momentos do filme são quase que exclusivamente retirados de programas de televisão em imagens de (90%) péssima qualidade. Mesmo assim é hilário ver o grupo pulando do Barros de Alencar para o Qual é a Música de Silvio Santos, gastando adrenalina no Cassino do Chacrinha, divertindo-se no Programa do Bolinha e Perdidos na Noite, programa do Faustão na Band. E o raro flagra do Trio Mamão (Bellotto, Mello e Fromer) e as Mamonetes em um programa da TV Tupi é histórico.

Porém, se forem retiradas as imagens de TV, pouca coisa relevante sobra em “A Vida Até Parece Uma Festa”. A edição caótica também não ajuda. Não há um fio condutor que dirija a história, e sim idas e vindas que só não vão confundir quem realmente é fã da banda. As cenas extensas são outro ponto negativo. Exemplo: a cena seguinte após o caso da prisão de Arnaldo e Belloto com drogas é ilustrada com uma colagem da música “Polícia” em diversos lugares que poderia ser muuuuuito mais curta. Outra, com a banda enlameada na Chapada das Guimarães, também poderia ser cortada pela metade.

Para fazer a ligação entre alguns trechos carentes de imagens de arquivo, Alves filma o que restou da banda no ônibus de turnê a caminho de algum show, o que poderia ter sido um ótimo vértice para a história, mas é usado raramente e poderia valorizar passagens interessantes como uma em que a banda vota para escolher quais canções vão entrar num álbum (com Nando Reis frustrado diante da câmera), outra em que Charles Gavin leva um esporro do produtor Liminha ou, ainda, uma terceira, mais recente, com Arnaldo quase caindo da cadeira ao passar uma canção em casa com outros titãs.

Os pontos primordiais da história da banda ganham espaço na tela – a saída de Arnaldo Antunes e Nando Reis; a morte de Marcelo Frommer; o começo, meio e momento atual da banda; a vida na estrada – mas poderiam ser melhor explorados. No fim fica a impressão que “A Vida Até Parece Uma Festa” foi feito exclusivamente para fãs com mais foco na história musical do que no cinema. Até por isso destaca o roteiro capenga. Há bons momentos no documentário, mas uma banda do porte e trajetória do Titãs merecia muito mais. A gente não quer só comida.

******************

“Sonic Youth: Sleeping Nights Awake”, de Projeto Moonshine
Cotação: 3/5

Imagine a cena: sete estudantes do segundo grau têm uma “tarefa” para o fim de semana: registrar a passagem da turnê “Rither Ripped”, do Sonic Youth, por sua cidade, a pequena Reno, no estado de Nevada, Estados Unidos. O trabalho faz parte do Projeto Moonshine (http://www.projectmoonshine.org), uma organização sem fins lucrativos que visa ensinar cinema a adolescentes para que eles possam documentar importantes eventos em suas comunidades. “Sonic Youth: Sleeping Nights Awake” foi o primeiro longa do grupo, e o Projeto se saiu muito bem.

Não há nada de revolucionário no método de filmagem e roteiro de “Sonic Youth: Sleeping Nights Awake”, pressuposto correto para um grupo iniciante na arte de cinematografia. O grupo parte do básico nos registros e captações de imagens: acompanha a banda de sua chegada em Reno até a partida com reveladoras entrevistas com membros da equipe técnica e com os próprios músicos até imagens dos shows (com a integra de canções como: “Tom Violence”, “Shaking Hell”, “Mote”, “Incinerate” e “Kool Thing”).

A edição é primorosa e valoriza imensamente o resultado final. Com sete câmeras nas mãos de estudantes, o Projeto mixa várias imagens (todas em PB) estilosas que muitas vezes começam e/ou terminam desfocadas, opção que casa à perfeição com a pouca experiência do grupo de estudo e também com a sonoridade do Sonic Youth. Outro ponto alto é a relação dos integrantes – principalmente Thurston Moore – com a filmagem, agindo numa naturalidade raras vezes vista em um documentário.

“Já faz 17 anos desde a última vez que tocamos aqui, não lembro o nome do lugar”, diz Thurston em certo momento do show. Um fã, no meio da platéia, grita o nome do local, e Thurston emenda: “Esse ai. Obrigado por terem nos trazido de volta”. E começa o massacre com “Kool Thing”. O Projeto entrevista uma garota cujo pai tem o nome do grupo tatuado na perna. Minutos depois o encontra para que ele mostre a tatuagem para ás câmeras. O descompromisso toma conta e contagia.

Kim Gordon fala sobre a dificuldade de cantar, a vida na estrada e filhos, um deles trabalhando na turnê, na banca de camisetas da banda. Lee Ranaldo tenta explicar como a banda dura tanto e o ex-baixista do Pavement, Mark Ibold, fala sobre a adaptação ao grupo. Mas os melhores momentos são de Thurston, que parece não levar à sério o documentário. “Vocês são estudantes da high school? Legal. Querem Hersheys?”, pergunta no camarim. “Só tem dois. Vocês vão ter que dividir”, diz o guitarrista já de mochila nas costas enquanto Kim comenta: “Vou levar um pouco de comida para o ônibus”.

Um dos momentos reveladores do longa, porém, parte de um dos membros da equipe técnica. O entrevistador pergunta: “Como você sabe que eles estão felizes no palco, que a noite está sendo boa?”. O rapaz hesita, mas responde: “Eu sei quando eles não estão felizes. Por exemplo: na turnê do álbum ‘Sonic Nurse’, ainda com o Jim O’Rourke na banda, o clima não estava bom… então eles tocavam versões de 20 minutos de uma música, só microfonia, nenhum movimento. Eles estavam jogando sobre o público todas as suas frustrações”, diz, explicando por tabela a frustrante apresentação no Claro Que é Rock, em 2005, após a primeira passagem antológica, no Free Jazz, em 2000.

O intimismo e a espontaneidade valorizam “Sonic Youth: Sleeping Nights Awake”, um documentário jovem que flagra uma das bandas mais importantes do cenário independente mundial. Apesar de ter por base a execução ao vivo das canções do grupo – as entrevistas surgem entre uma música e outra, o documentário soa interessante também para aquele público que não conhece e/ou nem é fã do Sonic Youth, mas tenha curiosidade pelos bastidores de uma banda de rock em turnê, num registro que merece ser visto.

Leia também:
– “Sonic Nurse” exibe as cicatrizes do Sonic Youth, por Marcelo Costa (aqui)
– “Murray Street”, do Sonic Youth, faixa a faixa, por Marcelo Costa (aqui)
– Claro Que é Rock em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)

novembro 21, 2008   No Comments

Woody Allen de 0 a 10 (atualizado)

woody21.jpg

10
– “Hannah e Suas Irmãs”, 1986 (resenha)
– “Manhattan”, 1979 (resenha)
– “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, 1977 (resenha)

9,5
– “Crimes e Pecados”, 1989
– “Ponto Final”, 2005 (resenha)
– “Zelig”, 1983

9
– “A Era do Rádio”, 1987
– “A Rosa Púrpura do Cairo”, 1985
– “Tiros na Broadway”, 1994 (comentário)

8,5
– “Desconstruindo Harry”, 1997
– “Vicky Cristina Barcelona”, 2008 (resenha)

8
– “Memórias” , 1980
– “Poderosa Afrodite”, 1995

7,5
– “A Outra”, 1988
– “A Última Noite de Bóris Grushenko”, 1975
– “Blue Jasmine”, 2013 (resenha)
– “Contos de Nova York”, 1989
– “Meia-Noite em Paris”, 2011 (resenha)
– “Poucas e Boas”, 1999
– “Tudo Pode Dar Certo”, 2009 (resenha)

7
– “Bananas”, 1971
– “Broadway Danny Rose”, 1984
– “Café Society”, 2016 (resenha)
– “Dorminhoco”, 1973
– “Interiores”, 1978
– “Misterioso Assassinato em Manhattan”, 1993

6,5
– “Homem Irracional”, 2015 (resenha)
– “Melinda e Melinda”, 2004 (resenha)
– “Sonhos de Um Sedutor”, 1972
– “Trapaceiros”, 2000 (resenha)

6
– “Celebridades”, 1999
– “Para Roma com Amor”, 2012 (resenha)
– “O Sonho de Cassandra”, 2007 (resenha)
– “Testa de Ferro Por Acaso”, 1976
– “Todos Dizem Eu Te Amo”, 1996
– “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo”, 1972
– “Um Assaltante Bem Trapalhão”, 1969

5,5
– “Dirigindo no Escuro”, 2002 (resenha)
– “Magia ao Luar”, 2014 (resenha)
– “Men of Crisis: The Harvey Wallinger Story”, 1971
– “O Que Que Há, Gatinha?”, 1965
– “Setembro”, 1987
– “Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão”, 1982

5
– “Scoop – O Grande Furo” , 2006 (resenha)
– “Simplesmente Alice”, 1990
– “O Escorpião de Jade”, 2001 (resenha)

4,5
– “Maridos e Esposas”, 1992
– “Neblinas e Sombras”, 1992

4
– “O Que Há, Tigreza?”, 1966
– “Igual a Tudo na Vida”, 2003 (resenha)

3.5
– “Cassino Royale”, 1966

3
– “Você Vai Encontrar o Homem dos Seus Sonhos”, 2010

Leia também:
– “Quem precisa pensar sobre tamanhas bobagens”, Woody Allen (aqui)
– Os filmes prediletos de Woody Allen em todos os tempos (aqui)
– Cenas da Vida em São Paulo, parte 3, por Marcelo Costa (aqui)

woody22.jpg

novembro 4, 2008   No Comments

Mostra SP: “45 RPM”

“45 RPM”, de David Schultz –  Cotação 1,5/5

Em uma cidadezinha dos cafundós do norte do Canadá, sem esperanças e completamente a parte do mundo vive Parry Tender, um garoto que mata aulas para ir pescar ou simplesmente para ficar no teto de sua casa tentando sintonizar uma rádio de Nova York cuja uma promoção está chacoalhando a América: são 30 canções em 30 segundos. Quem acertar as 30 ganha um convite duplo para ir assistir a um show especial com as maiores lendas do nascente rock and roll. Estamos em 1960.

A pessoa mais próxima de Parry é Luke, uma menina que se veste de menino e anda com cinto de cowboy e uma arma de brinquedo para cima e para baixo. Parry e Luke cresceram juntos, e Luke acaba de descobrir que está apaixonada pelo amigo. Entra em cena Debbie, uma loirinha que já rodou Canadá e EUA acompanhada pelo pai major da aeronáutica, que se interessa a primeira vista pelo rapaz que todos na escola dão como um caso perdido. Está formado o núcleo narrativo de “45 RPM”.

Assim que o filme começa, com os acordes de “Roll Over Beethoven” e a voz de Chuck Berry preenchendo o espaço, percebe-se que estamos diante de um leve drama adolescente com jeitão de Sessão da Tarde. A dupla de amigos tenta adivinhar as 30 canções que o tiraram daquele lugar no meio do nada, e a loirinha Debbie chega para dividir o coração de Parry e causar ciúmes em Luke. Tudo bem, tudo bom, mas “45 RPM” guarda surpresas para o trecho final.

Parry não conheceu sua mãe, que sofreu abuso infantil na adolescência, engravidou, e deu o filho para o índio Peter George criar. A história volta a se repetir (e outra cena sugere que o fato repete-se com freqüência), agora com uma de suas amigas, que engravida e separa-se dele. O rock and roll, a promoção, a escola, o coração dividido, tudo fica em segundo plano, e o rapaz deixa tudo para trás em busca do seu verdadeiro amor.

Lendo assim parece bonito e um bocado piegas, vamos combinar. O diretor canadense Dave Schultz tenta armar uma armadilha para o espectador, aconchegando-o numa história juvenil de temática largamente conhecida para, depois, criar o ambiente do abuso infantil, mas algo se perde pelo caminho. A leveza acaba se sobrepondo e a violência que sofre um dos personagens não chega a ganhar força na trama. Fica a sensação de que o recado foi dado, mas o filme não decolou. Basta? Não para o cinema.

novembro 2, 2008   No Comments