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Category — Cervejas

Mais três cervejas da Anderson Valley

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Uma das mais brilhantes micro cervejarias norte-americanas, a Anderson Valley forma com a Brooklyn Brewery, de Nova York, e a Founders, do Michigan, o trio de representantes que vem colocando os Estados Unidos no mapa da boa cerveja. Claro que existem muitas outras boas cervejarias na terra de Obama, mas estas três são as preferidas deste espaço, sendo que a Anderson Valley soa a mais personal (e maluca) das três: sua fábrica fica em um vale perto de São Francisco; suas cervejas orgânicas não possuem conservantes artificiais e também não passam por processo de pasteurização; o transporte local dos barris é feito ou por meio de cavalos, ou por carro elétrico. E, quer saber, as cervejas são excelentes.

A Anderson Valley nasceu em 1987 e quando completou 20 anos decidiu lançar esta Imperial IPA, uma sacolejada em forma de cerveja movida a mais de 20 pequenas adições de lúpulo Pacific Northwest em fases distintas do processo. O resultado é uma cerveja perfumadíssima com notas cítricas e florais que remetem a caramelo, rapadura e maracujá. No paladar, além do que é antecipado pelo aroma (sem a mesma intensidade), o conjunto valoriza o álcool (8,7%), bastante evidente. Desta forma, álcool e lúpulo juntos constroem uma cerveja forte, amarga e de bastante personalidade cuja potência pode assustar desavisados. O malte está presente com doses de dulçor, ótimo contraste que valoriza ainda mais o amargor.

A Poleeko Gold Pale Ale parece uma busca da Anderson Valley pela simplicidade cervejeira. Aqui temos uma bela American Pale Ale com o lúpulo Pacific Northwest sendo responsável por boa parte da percepção de aroma e paladar (que quase a aproxima de uma IPA). No aroma, bastante cítrico e herbal que remetem a feno, lima, baunilha e maracujá. O paladar é menos complexo, mas interessante. O lúpulo mostra sua cara nos primeiros goles, mas o malte de caramelo equilibra o conjunto com um dulçor que remete a melaço em contraste com o cítrico. O final é um risco levemente amargo na garganta. Conforme a temperatura sobe, os sabores se desprendem e a Poleeko fica ainda melhor.

Já a English Pale Ale da Anderson Valley, a Boont Extra Special Beer, é tão inglesa quanto o estado do Texas, o McDonalds e Woody Allen. Num primeiro momento parece uma Poleeko Gold Pale Ale mais turbinada (a Poleeko tem uma medalha de ouro em torneios; essa Boont Extra Special Beer tem quatro). O aroma traz notas florais e de caramelo e é um pouco mais maltado embora o que interessa aqui seja realmente o lúpulo, e ele não decepciona os fãs. O álcool se desprende com facilidade conforme a temperatura da cerveja sobe. O amargor surge forte no paladar, principalmente nos primeiros toques na língua, mas logo se aconchega, e permite admirar o malte de caramelo. Excelente final.

Eis três ótimas cervejas de Boonville. A Anderson Valley produz 10 rótulos, e praticamente todos estão sendo trazidos ao Brasil pela distribuidora Tarantino. As latinhas de 355 ml costumam sair entre R$ 9 e R$ 11 enquanto as garrafas de 330 ml variam entre R$ 13 e R$ 15. Vale ainda ir atrás das sensacionais Boont Amber Ale (apaixonante, minha preferida da casa), Hop Ottin’ India Pale Ale e da Barney Flats Oatmeal Stout. Há, ainda, duas versões em garrafas de 600 ml: Brother’s David Double e Brother’s David Triple, ambas na faixa dos R$ 29 – e a possibilidade de conhecer a cervejaria em Boonville. Eis um ótimo programa de viagem…

Imperial IPA
– Produto: Imperial Double IPA
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 8,7%
– Nota: 4,28/5

Poleeko Gold Pale Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3,21/5

Boont Extra Special Beer
– Produto: English Pale Ale
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 6,8%
– Nota: 3,44/5

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Leia mais:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Conheça outras três cervejas da Anderson Valley: Boont Amber Ale, Hop Ottin’ India Pale Ale e Barney Flats Oatmeal Stout (aqui)

dezembro 17, 2012   No Comments

Founders, uma grande pequena cervejaria

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A Founders Brewery nasceu em 1997 em Michigan, nos Estados Unidos, quando dois entusiastas do homebrewing decidiram criar suas próprias cervejas assim que deixaram a faculdade. De lá cá, nestes 15 anos, a Founders acumula dezenas de medalhas variadas em premiações de cerveja, e é apontada por muitos como uma das três melhores cervejarias dos Estados Unidos (arriscaria outras duas: Brooklyn e Anderson Valley – quem é a primeira das três? Difícil) com uma produção que já soma mais de 30 rótulos.

Dos mais de 30 rótulos que a Founders Brewery produz – as estrelas premiadas são as sazonais Kentucky Breakfast Stout e Canadian Breakfast Stout – apenas cinco são produzidas o ano inteiro: Centennial IPA (American IPA), Dirty Bastard (Scotch Ale), Dry Hopped Pale Ale (Pale Ale), Porter (Porter) e Red’s Rye PA (Rye beer), sendo que as quatro primeiras estão chegando ao Brasil agora via Tarantino. O pessoal de Michigan leva a sério a ideia de releitura mais encorpada e personal das melhores cervejas europeias.

A Founders Dry Hopped Pale Ale, como diria o grande mestre cervejeiro Garrett Oliver, entrega boa parte de seu charme no rótulo: se tem dry hopping, pode ter certeza que o lúpulo será valorizado no conjunto. Não é diferente aqui: o aroma valoriza o lúpulo cascade que dispersa notas florais sobre uma camada de malte de caramelo. O paladar é amargo na medida certa, sem esconder algumas notas adocicadas num conjunto simples e bastante funcional. O final é seco e amargo com um leve adocicado marcando presença. Sem invenções, uma boa cerveja.

A Founders Centennial IPA carrega em seu nome o lúpulo que é sua marca registrada. Assim como na versão Pale Ale, aqui também o processo dry hopping faz um belíssimo trabalho. O aroma, perfumadíssimo, transpira lúpulo floral e se divide em notas encantadoras de pitanga, manga, caramelo, resina e canela. O paladar sofisticado é bastante lupulado, resinoso e cítrico com sugestões de frutas vermelhas, casca de laranja, mel e abacaxi. Bastante intensa, e de amargor forte, eis uma IPA que se diferencia brilhantemente das demais. Palmas.

A Founders Porter (Dark, Rich, and Sexy) só perde na cor escura para a Petroleum, da Wäls. Aguarde muito chocolate quando retirar a tampa. O malte tostado confere ao aroma as notas de café tradicionais e, nesta cerveja principalmente, chocolate. E também fumaça. Já o paladar é inicialmente adocicado (chocolate e mel), depois o tostado traz notas claras de café em um conjunto que finaliza com um amargor que se perpetua. Apesar da intensidade, a Founders Porter une suavidade e encerra de maneira seca. Quase um café gelado com chocolate. Ótima.

Fechando de maneira fenomenal, a Founders Dirty Bastard é uma releitura do pessoal de Michigan para a tradicional Scotch Ale europeia. Aqui, Strong Scoth Ale. São sete tipos de malte que conferem ao aroma notas de caramelo, uva passa, frutas vermelhas e madeira. No paladar, o malte trabalha que é uma beleza distribuindo notas de açúcar mascavo, caramelo, melaço e chocolate em um conjunto charmoso e aveludado cuja doçura esconde os 8,5% de álcool presentes. Por isso a recomendação direta: “não é para moleques”.

Inicialmente, dois rótulos da Founders foram para o mercado no Brasil de cara (Centennial IPA e Dry Hopped Pale Ale, ainda os mais fáceis de serem encontrados), e os outros dois (Porter e Dirty Bastard) eram exclusivos do clube de assinatura Have a Nice Beer. Agora, as quatro Founders já podem ser encontradas em bons empórios. Os preços variam entre R$ 13 e R$ 16 (a garrafinha gorduchinha de 355 ml), e aqueles que declaravam amor para a Brooklyn vão ter que repensar essa paixão (ou, no mínimo, dividir o coração): a Founders é apaixonante.

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Founders Dry Hopped Pale Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,16/5

Founders Centennial IPA
– Produto: India Pale Ale
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 7,2%
– Nota: 3,88/5

Founders Porter
– Produto: Porter
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,91/5

Founders Dirty Bastard
– Produto: Strong Scotch Ale
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 4,28/5

Leia também:
– Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

dezembro 11, 2012   1 Comment

Duas cervejas chilenas: Szot e Quimera

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A Szot é uma das mais cultuadas micro cervejarias chilenas. Não é à toa. Do rótulo personal ao modo peculiar em que produz suas cervejas, há muito que admirar a Szot. No site oficial, um texto provoca: “Todas as cervejarias chilenas usam o mesmo malte e compram o lúpulo do mesmo fornecedor. Por que as cervejas são diferentes?”, questiona. “A panela”, responde. No caso da Szot, todas as cervejas da casa são refermentadas na garrafa usando o método champenoise, o que lhe confere um aroma cítrico e uma personalidade fortíssima. Uma aula para todos os micro cervejeiros que fazem cervejas iguais ao do colonialismo Ambev/Inbev.

A Szot Amber Ale, de diabinho fashion no rótulo, remete diretamente ás cervejas belgas refermentadas na garrafa. O aroma cítrico, predominando abacaxi e lima. Já no paladar, este cítrico (intenso tendendo ao azedo) mais o amargo (com boa participação do lúpulo Cascade) e o alcoólico (apenas 5,8% de graduação) causam um estranhamento inicial que provocam o bebedor. Bastante complexa em um conjunto de 90% de malte pilsen e 10% de malte caramelo. Pode assustar aqueles acostumados com as cervejas de balcão tradicionais, mas ela acalma – principalmente se acompanhada de carnes, salame ou embutidos. Bela experiência.

Já a Szot Rubia al Vapor leva o experimento a outros níveis, sendo inspirada no estilo Steam, da Califórnia, em que a cerveja é feita em uma temperatura mais alta do que o padrão de uma lager, mas menos do que uma ale. Novamente, a fórmula aposta em 90% de malte pilsen e 10% de caramelo com o conjunto sendo fechado pelo lúpulo Northern. No copo, o conteúdo turvo valoriza a acidez, que no aroma se transforma em cítrico, e no paladar remete e queijo roquefort. É uma cerveja ao mesmo tempo arisca e leve (assim como a Amber Ale da casa), que provoca o paladar enquanto refresca. Boa presença de lúpulo em um belíssimo conjunto.

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A Casa Cervecera Quinta Normal é tão nova que ainda existem poucas informações acessíveis sobre ela. Sabe-se que a pequena fábrica nasceu em Santiago, provavelmente em 2010, e que apenas alguns bares especializados da cidade trazem em sua carta os quatro rótulos da Quimera, primeiro lançamento artesanal da casa (nas versões Amber Ale, Pale Ale, Stout e Imperial Stout). Por alguma razão feliz e interessante, dois rótulos da Quimera estão (estavam) disponíveis em uma das lojas do aeroporto de Santiago (já dentro da área de embarque). Anote: sua volta pode ser ainda melhor.

A ótima Quimera Pale Ale traz o mesmo rótulo azul da Quimera Sparkling Ale (fica a dúvida se o nome foi mudado), e nenhum deles entrega o líquido quase IPA (que também traz alguns traços de bitter ale) de dentro da garrafa. O aroma valoriza categoricamente os três lúpulos usados pela casa (Magnum, Cascade e Perle), que pulam a frente do malte de caramelo sem deixar notas deste último. O paladar é riquíssimo. A força dos lúpulos em contraste com o melaço se divide em algo de cítrico, avelã, madeira, charuto e, por fim, caramelo. O final, terroso, deixa um rastro de lúpulo pelo caminho. Excelente. E são só 5% de álcool!

Por sua vez, a Quimera Amber Ale (o rótulo verde da casa) remete bastante às Pale Ale tradicionais. Os dois maltes escolhidos pelos chilenos (Cristal e Caramelo) dão um tom frutado ao aroma enquanto o único lúpulo do conjunto (o imponente Cascade) perfuma o conjunto de forma intensa. No paladar (menos brilhante que a versão Pale Ale), o frutado volta a se destacar embora o lúpulo marque presença, o que resulta em um começo adocicado e num final amargo e aromático. É um conjunto bastante suave, bem mais simples e menos vistoso que a versão Pale Ale, mas ainda assim interessante.

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Só encontrei a Quimera no aeroporto de Santiago (por cerca de 2 mil pesos chilenos – cerca de R$ 9), já a Szot (que ganhou várias medalhas mundo afora) pode ser encontrada pelo mesmo preço (as duas em garrafas de 330 ml) na tradicional rede de supermercados chilena Líder (ao menos tem várias lojas em Santiago). Porém, nem todas as Szot. São oito rótulos e, pra variar (além da tradicional – e obrigatória – a visita a Concha Y Toro), talvez seja uma boa oportunidade para se conhecer a fábrica da Szot, que fica a 30 quilômetros do centro de Santiago, e recebe visitantes para tours quase todos os sábados (eles pedem para acompanha-los no Facebook ou avisar por telefone – número aqui).

Szot Amber Ale
– Produto: American Amber Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,81/5

Szot Rubia al Vapor
– Produto: Amber Lager
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,86/5

Quimera Pale Ale
– Produto: Pale Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,86/5

Quimera Amber Ale
– Produto: Amber Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,7%
– Nota: 3,03/5

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Leia também:
– Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

dezembro 2, 2012   No Comments

Voltando no tempo: Pampeana Gruit Ale

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A cerveja existe há milhares de anos, e, no principio, ela era bem diferente do que nós estamos acostumados a beber. Consta que sumérios, egípcios, mesopotâmios e ibéricos já fabricavam cerveja 6 mil antes de Cristo, mas esse tipo de cerveja consumida no mundo todo hoje em dia surgiu apenas no século 12, na Alemanha, quando a Abadessa Hildegard Von Biden colocou lúpulo na mistura, descobrindo assim uma flor que não só combatia o adocicado do malte como tinha qualidades de conservante natural. Nascia a cerveja como nós conhecemos – e bebemos.

A questão que fica: como os cervejeiros faziam antes da descoberta do lúpulo? Para contrabalançar o malte e conservar a cerveja durante algum tempo era usado um gruit, que nada mais é do que uma mistura de ervas aromáticas que funcionavam como tempero e concediam a cada cerveja um sabor único e bastante particular. Como as ervas mudavam de região para região, cada localidade tinha uma cerveja sua, que era feita só ali usando os ingredientes locais – muitos deles moderadamente narcóticos (como o lúpulo, aliás, um parente distante da cannabis).

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Com a popularização do lúpulo, num primeiro momento, e a rigorosa Reinheitsgebot (Lei da Pureza da Baviera), que em 23 de abril de 1516 definiu que os únicos ingredientes que poderiam ser utilizados na produção de cerveja fossem apenas água, cevada e lúpulo, o gruit perdeu terreno e desapareceu lentamente, até ressurgir junto ao movimento de microcervejarias norte-americanas dos anos 90. De lá pra cá, várias cervejarias (tanto californianas quanto belgas, britânicas e escocesas) produziram e ainda produzem cerveja apenas com gruit.

No Brasil, a honraria e coragem ficou a cargo do Lagom Brewpub, de Porto Alegre. Para festejar os dois anos da casa, em 2012, o pessoal arriscou e o resultado é a Pampeana Gruit Ale, que conta com diversas ervas, entre elas a Carqueja e o Guaco, típicos da região dos Pampas. A primeira prova saiu extremamente amarga, por isso o mel aparece na receita para equilibrar o conjunto. Vendida apenas em torneira (essas garrafas da foto são uma cortesia para um apaixonado que escreve sobre cervejas), a Pampeana Gruit Ale é uma bela surpresa.

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No aroma, notas intensas de ervas além de melaço e alguma coisa de remédios de infância (isso mesmo). Ainda é possível sentir o malte de caramelo, nozes e álcool (são 8,3% de graduação alcoólica). O paladar valoriza as ervas, que causam sensações que remetem desde própolis e melaço até nozes, coco queimado e, claro, álcool. O liquido cria uma camada de sabor no céu da boca, e a descida deixa um rastro de mel por todos os cantos. O final é longo, adocicado e surpreendente. Eis uma cerveja única.

No balcão da Lagom ela é vendida por R$ 15 cada pint (R$ 10, meio pint), e acompanha uma carta que traz entre outras 10 e 15 cervejas (dependendo da época – a Lagom já produziu mais de 40 cervejas diferentes em dois anos de existência) com destaque para a intrigante Tripel (8,8%) da casa, que junta aveia, coentro e casca de laranja (e remete a anis) e para a sensacional Imperial Stout (9,5%). Sem contar com a Tiltap Irish Red Ale, receita vencedora do concurso Acerva Gaúcha, de 2011, feita por Jesael Eckert e… Wander Wildner (sim, sim!).

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As cervejas da casa são divididas em três grupos cujo preço varia de R$ 7 o pint (PIlsen), R$ 9 (Belgian Ale, Weiss, Brown Porter, Tiltap, Blond Ale, Dunkweiss e Dry Stout) e R$ 13,50 (Tripel, Imperial Stout e a Columbus American IPA). Na parte de petiscos destaque para as brusquetas (que podem ser as tradicionais – tomate, ervas e azeite – ou então de cogumelos e, ainda, uma versão com gorgonzola e alho poró), mas ainda há um Entrecot Viking (500 gramas de carne grelhada acompanhada de purê e ervilhas) e Salsicha Bock com Queijo.

A Lagom fica na Rua Bento Figueiredo, 72, no Bairro Bom Fim, há cerca de cinco minutos a pé do Parque Farroupilha, e funciona de segunda a sábado das 18h às 23h. Merece muito uma visita – com o pint de Pampeana Gruit Ale na taça. Com a Lagom (e muitas outras cervejarias abertas nos últimos dois anos na capital gaúcha), Porto Alegre se junta a Curitiba e Belo Horizonte no quesito de boas cervejas locais. Já é um destino certo para os apaixonados por boa cerveja no lado debaixo do Equador.

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novembro 21, 2012   No Comments

Três cervejas: Rameé, Baladin, Way

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A Baladin – através de seu mestre cervejeiro Teo Musso – é a precursora do renascimento das cervejas artesanais na Itália. Teo inaugurou a cervejaria em 1986 em Piozzo, uma cidadezinha de mil habitantes. De lá pra cá, a Baladin acumula dezenas de prêmios e um catálogo de cervejas de dar água na boca: são 12 rótulos divididos em quatro categorias – Birre Speziate (Picante), Birre Puro Malto (Puro Malte), Birre Luppolate (Lupulada) e Birre Stagionali (Sazonal) – e geralmente apresentadas em belas garrafas de 750 ml.

Esta beleza da foto é a Baladin Open Noir, versão especial de um dos hits da casa italiana, a Open. Nesta versão Noir, Teo Musso acrescenta alcaçuz Calábria na receita, buscando acalmar uma IPA bastante rebelde. No aroma deslumbrante, notas nítidas e ricas de frutas cítricas (abacaxi, maracujá) bailam com lúpulo. No paladar, o alcaçuz tenta combater com doçura o amargo da alta dosagem de lúpulo. O resultado é uma cerveja adocicada que valoriza o alcaçuz e o malte de caramelo sem desmerecer o amargor do lúpulo. Uma cerveja bela e corajosa.

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Localizada no coração da Bélgica, no Brabante Valão, cerca de 50 minutos de Bruxelas, a Abadia de La Ramée (de monges cistercienses) produz, desde o século 13, queijos suaves, patês de carne de porco e, claro, cerveja. Como várias outras abadias francesas e belgas, La Ramée sofreu com as guerras territoriais e religiosas da Europa. Foi incendiada e reconstruída. Durante a Revolução Francesa foi fechada e parcialmente demolida para ser reaberta no século 20, e tombada pelo Patrimônio Histórico em 1980.

A Rameé Blond é tudo aquilo que se espera de uma cerveja belga de abadia. O aroma, cítrico e frutadíssimo, remete a baunilha, abacaxi e flores. No paladar, o álcool (8%) pede passagem sem constranger o freguês. O toque na língua é bastante suave e as notas frutadas não chegam a entregar aquilo que os aromas anunciam alcançando um resultado equilibrado, mas pouco complexo. É uma boa cerveja cuja acidez desce riscando a garganta e deixa pelo caminho um rastro de malte de caramelo e álcool.

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Já a Way, de Curitiba, continua em uma ascendente impressionante. Logo depois que a American Pale Ale da casa foi premiada como melhor do país no 1º Prêmio Maxim de Cervejas Brasileiras, os curitibanos investiram no projeto de cerveja colaborativa, que rendeu a Way 8 Secrets num primeiro momento, e a maravilhosa Way Double APA na sequencia. Agora, a Way surge com a Amburana Lager, uma receita inspirada nas Lagers escuras e mais alcoólicas da região da Áustria, maturada em barris de madeira Amburana Cearensis.

Lançada em setembro de 2012, a Amburana Lager traz um aroma suave com notas de malte defumado, madeira, frutas escuras (uvas e, intensamente, ameixas), toffee, café e álcool (são 8,4% de graduação alcoólica). O paladar licoroso renova as notas do aroma com o álcool saltando à frente e os tons de madeira, ameixa e caramelo bailando com o lúpulo, que se arrasta deixando marcas amargas pelo caminho até o final denso e saboroso – que remete à café. O pessoal de Curitiba está de parabéns. Eles acertaram de novo.

Apresentada no Beer Experience 2012, a Way Amburana Lager já está sendo engarrafada e pode ser encontrada em alguns empórios (em São Paulo precisa procurar bem) entre R$ 15 e R$ 17 a garrafa de 310 ml. As garrafas de 750 ml da Baladin saem por cerca de R$ 50 (estavam sendo vendidas por R$ 20 no Beer Experience) enquanto as Rameé Blond podem ser encontradas entre R$ 16 e R$ 22 (garrafa de 330 ml) – as deste post foram compradas no Clube Flamingo, novo boteco de cervejas especiais na Rua Antonio Carlos, esquina com a Augusta. Recomendo.

Baladin Open Noir
– Produto: IPA
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,84/5

Rameé Blond
– Produto: Belgian Golden Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,82/5

Way Amburana Lager
– Produto: Wood Aged Beer
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,4%
– Nota: 3,84/5

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Leia também:
– Uma das melhores do país: Way Double American Pale Ale (aqui)
– Cinco rótulos da cervejaria curitibana Way Beer (aqui)
– Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

novembro 19, 2012   No Comments

Garrett Oliver no Brasil

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Foto: Divulgação

Ele é o cara. Garrett Oliver, um dos nomes mais respeitados do universo cervejeiro mundial, desembarca no Brasil no dia 07 de Novembro, para agenda de palestras e produção de cerveja. Oliver é mestre cervejeiro da Brooklyn Brewery, editor-chefe do The Oxford Companion to Beer e autor de “A Mesa do Mestre-Cervejeiro” (“The Brewmaster’s Table”), livro lançado no Brasil pelo Senac, minha compania pessoal nos últimos dois meses (uma sensacional Bíblia sobre harmonização de cervejas).

Oliver vem ao Brasil e vai participar da produção da nova cerveja da Wäls, uma Saison com cana de açúcar. Oliver se juntará a um dos Mestres Cervejeiros mais criativos do Brasil, José Felipe Carneiro, para esta produção única e histórica. A receita inédita vai unir a brasilidade da cana com o estilo belga Saison, que traz os sabores das terras férteis do Brasil. O nome não poderia ser mais especial: Saison de Caipira (uma cerveja entre 6 e 8% de álcool, que irá consumir cerca de 400 litros de caldo de cana, fornecida pela cachaçaria mineira Vale Verde).

Além da produção da cerveja, Oliver irá ministrar uma palestra sobre ingredientes das Américas na produção de cervejas, participar de evento com clientes da Brooklyn Brewery e sua distribuidora no Brasil a BeerManiacs no Mercado Municipal de São Paulo, além de um bate papo com jornalistas no Bar Aconchego Carioca, recém-inaugurado em São Paulo. Além da Brooklyn, Garrett Oliver produziu a linha especial da cervejaria italiana Amarcord e já promoveu mais de 800 degustações de cerveja, jantares e demonstrações culinárias em 14 países.

Leia também:
– Três perguntas para José Felipe Carneiro, da Wäls (aqui)
– Uma manhã na cervejaria Wäls, em Belo Horizonte (aqui)
– Saiba como foi o segundo Beer Experience, em São Paulo (aqui)
– Amarcord: eis um bom motivo para conhecer a Itália (aqui)
– Brooklyn Post Road Pumpkin Ale e Oktoberfestl (aqui)
– Brooklyn Brewery e outros 4 pubs cervejarias nos EUA (aqui)
– Brooklyn Monster Ale e Brooklyn Black Chocolate Stout (aqui)
– Brooklyn Lager, India Pale Ale e Brown Ale (aqui)

novembro 5, 2012   No Comments

As quatro cervejas da Gauden Bier

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Fundada em 2007 no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, a Gauden Bier é mais uma pequena cervejaria que brilha na capital paranaense, Estado que junto a Minas Gerais destaca-se no segmento. Utilizando água do Aqüífero Embasamento Cristalino da Bacia Hidrográfica do Iguaçu Gauden Bier surpreende por um belo conjunto que mostra unidade entre as quatro cervejas produzidas pela casa: Hefe-WeissBier, Lager Naturtrübe, Pale e Pilsen (as duas primeiras, não filtradas).

A Gauden Bier Hefe-WeissBier causa uma boa surpresa em um estilo bastante difundido. Ela é uma cerveja de trigo não filtrada que honra as características do rótulo. No aroma, notas bastante distinguíveis de banana, cravo, tutti-frutti e limão. O paladar traz as mesmas notas do aroma privilegiando o cítrico sobre a doçura (quase inexistente) do malte, o que destaca a acidez e torna o final extremamente seco. É uma cerveja bastante leve e interessante – acompanhou muito bem um prato de brie com azeite e temperos.

A Lager Naturtrübe da casa curitibana é uma ótima versão não filtrada das Premium American Lager. O aroma traz notas de azedo, aveia, trigo e cereais. Bastante peculiar. O paladar é marcado pela forte presença de malte, que transforma a Gauden Bier Lager Naturtrübe em um autêntico pão (doce) liquido – principalmente no final. O amargor é praticamente inexistente em outra bela surpresa da cervejaria, uma ótima experiência para aqueles que quiserem descobrir a diferença entre uma lager filtrada e uma não filtrada.

A Gauden Bier Pale Ale é uma tentativa de pagar tributo ao estilo Belgian Pale Ale, mas lembra muito mais a releitura norte-americana do estilo (sem tanto lúpulo, uma paixão dos cervejeiros de lá). Ainda assim, o aroma traz notas de malte levemente tostado e lúpulo – além de algo de frutado. O paladar, suave e de início adocicado, pende mais para o malte de caramelo, embora o lúpulo esteja presente num conjunto bastante equilibrado. Há alguma coisa de frutas cítricas em uma cerveja bem particular e interessante.

Para fechar, a Gauden Bier Pilsen também surpreende em outro acerto da cervejaria. A leitura dos curitibanos para este estilo idolatrado pelos brasileiros inclui dry hopping de lúpulo Cascade (que dá ao aroma um charme especial) em um conjunto que destaca o tradicional malte tcheco pilsen e deixa o amargor em segundo plano – fãs das cervejas massificadas podem estranhar, mas o resultado é bastante elogiável. O paladar é extremamente suave em uma cerveja muito boa, personal e refrescante.

Os quatro bons rótulos trabalhados pela Gauden Bier mantém uma interessante unidade (que faz falta em várias cervejarias nacionais) que identifica a cervejaria – independente do estilo. As quatro acima foram compradas em um kit no Clube do Malte que saiu por R$ 36,90 (garrafas de 355 ml). É possível encontra-la também em garrafa de 600 ml (os preços variam entre R$ 13 e R$ 15 cada) assim como visitar a fábrica em Curitiba (no site oficial você pode realizar um tour virtual). Recomendo.

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Gauden Bier Hefe-WeissBier
– Produto: German Weizen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,2%
– Nota: 3,37/5

Gauden BierLager Naturtrübe
– Produto: American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,39/5

Gauden Bier Pale Ale
– Produto: Belgian Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,16/5

Gauden Bier Pilsen
– Produto: American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,05/5

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Leia mais:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)

outubro 30, 2012   No Comments

O dry martíni, por Luis Buñuel

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“Meu drinque favorito é o dry martíni. Considerando o papel primordial que ele desempenhou em minha vida, vejo-me obrigado a dedicar-lhe uma ou duas páginas. Como todos os drinques, o dry martíni é uma invenção americana. Compõe-se essencialmente de gim e gotas de vermute, de preferência Noilly-Prat.

Os autênticos aficionados, que apreciam seu dry martíni bem seco, chegavam a dizer que bastava deixar um raio de sol atravessar uma garrafa de Noilly-Prat antes de tocar o copo de gim. Um bom dry martíni, diziam certa época nos Estados Unidos, deve se parecer com a concepção da Virgem Maria. Com efeito, sabemos que, segundo são Tomaz de Aquino, o poder gerador do Espírito Santo atravessou o hímen da Virgem “como um raio de sol passa através de uma vidraça, sem quebrá-la”. O mesmo se passa com o Noilly-Prat, diziam.

Mas eu achava isso um pouco de exagero.

Outra recomendação: convém que o gelo utilizado esteja bem frio, bem duro, para não soltar água. Nada pior do que um martíni aguado. Peço licença para dar minha receita pessoal, fruto de longa experiência, com a qual continuo a obter um sucesso lisonjeador.

Guardo tudo o que é necessário no congelador na véspera do dia em que espero os meus convidados, os copos, o gim, a coqueteleira. Tenho um termômetro que me permite certificar-me de que o gelo está numa temperatura de cerca de vinte graus abaixo de zero.

No dia seguinte, quando chegam os amigos, pego tudo o que preciso. Sobre o gelo bem duro despejo algumas gotas de Noilly-Prat e meia colherinha de café de angustura. Agito tudo, depois jogo fora o líquido. Preservo apenas o gelo, que carrega o ligeiro vestígio dos dois perfumes, e sobre o gelo despejo o gim puro. Sacudo um pouco e mais e sirvo. É só isso, mas é insuperável”.

Luis Buñuel, cineasta, morreu aos 83 anos em 1983 deixando um vasto catálogo de obras clássicas, das quais é possível destacar “Um Cão Andaluz” (1928), “Idade do Ouro” (1930), “Os Esquecidos” (1950), “O Alucinado” (1952), “Viridiana” (1961), “O Anjo Exterminador” (1962), “A Bela da Tarde” (1967) e “O Discreto Charme da Burguesia” (1972). O trecho acima é um dos relatos do diretor em seu livro de memórias, “Meu Último Suspiro”, lançado no Brasil pela Cosac Naify. Saiba mais sobre o livro aqui.

Leia também
– “O bar é um exercício de solidão”, por Luis Buñuel (aqui)
– Terremoto: o drink preferido de Toulouse-Lautrec (aqui)
– De Stanley Kubrick para Luis Buñuel, por Marcelo Costa (aqui)

outubro 30, 2012   No Comments

Cinco cervejas: DaDo Bier

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A DaDo Bier começou sua produção em 1995 em uma micro cervejaria montada em meio ao restaurante da casa em Porto Alegre. A produção artesanal (regida pelo Decreto de Pureza da Baviera) era consumida pelos clientes até que em 2004, após a inauguração da Fábrica de Cervejas DaDo Bier, a capacidade foi ampliada. Em 2009, a fábrica foi transferida para Santa Maria e a produção atingiu a marca de um milhão de litros mensais (prioritariamente da versão Lager, feita em larga escala). Além desta, a DaDo Bier produz outros sete rótulos: Ilex, Red Ale, Weiss, Original, Belgian Ale, Double Chocolate e Royal Black. Abaixo temos cinco:

E quis o destino que, sem pensar, eu fosse (entre cinco) logo abrindo a DaDo Bier Ilex, cerveja que traz erva-mate em sua fórmula. Ou seja: não basta o chimarrão (risos). Pé direito no universo das cervejas gaúchas. O belo aroma é herbal, com clara influência do mate além da presença de notas de biscoito, fermento e, discretamente, lúpulo. No paladar, o mate faz a diferença e toma conta do conjunto (com notas de frutado) numa sugestão alcoólica bastante interessante (aliás, a Ilex começou a ser fabricada com 7% de graduação, mas hoje tem apenas 5%). Eis uma lager de personalidade (gaúcha), refrescante e diferente.

Colocando o trem nos trilhos, a DaDo Bier Red Ale traz intensa notas de malte que dão um tom de caramelo, amadeirado e uma queda para frutas vermelhas e baunilha ao aroma. O paladar é levemente adocicado e um tiquinho aguado – com presença de caramelo e mel. Notas interessantes de amadeirado, mas perde no conjunto (principalmente para similares nacionais como Baden Baden e St. Gallen, mais complexas). A Da Do Bier Weiss se comportou melhor no copo. Notas cítricas (e clássicas), de cravo e banana. O paladar refrescante segue o aroma com uma delicada presença de tutti-frutti. Boa cerveja (mas a Bohemia Weiss se sai melhor).

A versão Original da casa portoalegrense é uma american lager extra que segue a linha que conquistou os brasileiros, ou seja, presença rasteira de malte e lúpulo, amargor pronunciado e sugestão de refrescância. É mais consistente do que as concorrentes das macro cervejarias, mas entrega menos do que deveria. Por fim, a DaDo Bier Belgian Ale, uma strong ale de 8,5% de teor alcoólico bastante perceptíveis. Aroma extremamente cítrico com notas de abacaxi, banana e melaço – mais álcool. No paladar, o álcool bate tão forte que lembra cachaça com mel. Falta equilíbrio ao conjunto com os cinco tipos de malte se destacando excessivamente.

Em Porto Alegre é possível beber as cervejas em torneira no restaurante DaDo Bier, e alguns rótulos da linha tradicional da DaDo Bier até são encontrados em grandes redes de supermercado, mas é melhor confiar em um bom empório. No caso das cinco acima, todas foram compradas em um lote único na Costi Bebidas, de Porto Alegre. Lá as garrafas de 600 ml saem entre R$ 8 e R$ 9 e os latões de 473ml na média de R$ 6,50. Em outros empórios é possível encontra-la entre R$ 9 e R$ 11. No saldo final, parece faltar foco para a cervejaria que tenat unir rótulos norte-americanos, belgas e alemães sem muito unidade. Vale como ponto de partida.

DaDo Bier Ilex
– Produto: Vegetable Beer
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,12/5

DaDo Bier Red Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,3%
– Nota: 2,01/5

DaDo Bier Weiss
– Produto: German Weizen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,06/5

DaDo Bier Original
– Produto: Standard American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 1,95/5

DaDo Bier Belgian Ale
– Produto: Strong Belgian Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 2,28/5

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Leia mais:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)

outubro 22, 2012   No Comments

Roteiros de uísque e cerveja

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 Irlanda

Dublin, a capital da Irlanda, localiza-se na costa oriental da ilha, e merece muito mais o epíteto de Terra da Garoa do que São Paulo, pois o tempo fica constantemente nublado, com frio e chuva fina em boa parte dos 12 meses do ano. Para esquentar, o irlandês especializou-se na produção de uísque, que o acompanha desde o café (o Irish Cofee tradicional é uma experiência inesquecível) até a noitada em pubs (existem centenas pela cidade). Conhecido em gaélico como “Uisea Beatha” (pronuncia-se “Ishka baha”), que significa “Água da Vida”, o uísque chegou à Irlanda e (na vizinha Escócia) no século 12, e de lá para cá se tornou mundialmente conhecido. O país chegou a ter mais de 100 destilarias, mas hoje em dia apenas quatro estão em atividade. A Old Jameson Distillery, em Dublin, virou museu – depois que a bebida passou a ser produzida em Cork – e pode ser visitada em um tour caprichado que conta a história do uísque irlandês mais vendido no mundo e explica as fases de preparação da bebida, da maltagem à destilação. O tour termina no bar da velha destilaria em que o visitante pode beber o uísque da casa em drinks que levam strawberry e ginger ale ou ainda comparar uma dose do legitimo representante Jameson com um bourbon norte-americano e um exemplar escocês – valendo um certificado de provador de uísque.

Old Jameson Distillery
Bow Street, Smithfield, Dublin 7, Irlanda
De segunda a sábado: de 9h às 18h
Domingo: de 10h às 18h
Preço: 13 euros o tour (8 euros o Teste de Uísque)
Informações: http://www.tours.jamesonwhiskey.com/

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James Joyce escreveu em seu romance mais famoso, “Ulisses”, que era impossível atravessar Dublin sem passar na frente de um pub. Já que eles estão por toda parte, melhor se render ao ritual e entregar-se a um pint da cerveja escura mais famosa do mundo, a Guiness. Para corroborar a fama, a cervejaria construiu uma Storehouse de causar inveja aos concorrentes. São seis andares de informações sobre a famosa stout que vão desde o processo de produção da cerveja até uma área com as clássicas propagandas da Guiness. O visitante aprende ainda a tirar o pint perfeito (e, claro, pode bebê-lo na sequencia) com direito a certificado. O passeio termina no último andar do prédio, uma redoma de vidro que abriga um bar com uma vista impressionante de toda a cidade. A loja é uma tentação para cervelogos.

Guiness Storehouse
St James’s Gate, Dublin 3, Irlanda
Todos os dias: de 9h30 às 17h
Preço: 14 euros
Informações: http://www.guinness-storehouse.com/

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Estados Unidos

Lynchburg é a capital de Moore County, o menor condado do Tennessee. Foi aqui que Jasper Newton Daniel fundou, em 1866, uma destilaria para produzir aquele que viria a ser um dos uísques mais famosos do mundo. Lynchburg – 120 quilômetros de Nashville – recebe anualmente mais de 250 mil pessoas interessadas em conhecer a história do Jack Daniels. A destilaria funciona todos os dias, mas não abre em alguns feriados (confira o site). Um inconveniente: a Lei Seca ainda vigora em Moore County, então se prepare para ouvir muito sobre uísque, mas não beber.

http://www.jackdaniels.com/TheDistillery/

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Escócia

Fundada em 1786 em Keith, uma cidadezinha de 5 mil habitantes no nordeste da Escócia, a Destilaria Strathisla carrega o peso de ser uma das mais antigas destilarias do mundo. Ainda em atividade (e com a maior produção de uísque em terras escocesas), a casa espiritual do Chivas Regal promove um tour que parece uma volta no tempo: os edifícios do século 18 pouco mudaram e a paisagem contemplativa, cujo destaque é o rio Isla (que ainda movimenta o moinho da destilaria), formam um cenário idílico para a produção de um dos melhores uísques do mundo.

http://www.chivas.com/pt/BR/

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A Escócia que produz a água da vida é dividida em quatro áreas: Highlands, Lowlands, Speyside e Islands. Se você quer aprender a diferenciar os aromas do uísque produzido em cada uma dessas regiões, seu lugar é o Scotch Whisky Experience, um tour que já começa especial em sua localização: numa casa vizinha ao Castelo de Edimburgo, antiga fortaleza imponente que domina a paisagem da capital da Escócia. Há três tipos de tours (Prata, Ouro e Platina) que permitem ao visitante conhecer a história da bebida e admirar a maior coleção de uísque escocês do mundo. E, claro, beber também.

http://www.scotchwhiskyexperience.co.uk/

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outubro 20, 2012   No Comments