Mais três cervejas da Anderson Valley

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Uma das mais brilhantes micro cervejarias norte-americanas, a Anderson Valley forma com a Brooklyn Brewery, de Nova York, e a Founders, do Michigan, o trio de representantes que vem colocando os Estados Unidos no mapa da boa cerveja. Claro que existem muitas outras boas cervejarias na terra de Obama, mas estas três são as preferidas deste espaço, sendo que a Anderson Valley soa a mais personal (e maluca) das três: sua fábrica fica em um vale perto de São Francisco; suas cervejas orgânicas não possuem conservantes artificiais e também não passam por processo de pasteurização; o transporte local dos barris é feito ou por meio de cavalos, ou por carro elétrico. E, quer saber, as cervejas são excelentes.

A Anderson Valley nasceu em 1987 e quando completou 20 anos decidiu lançar esta Imperial IPA, uma sacolejada em forma de cerveja movida a mais de 20 pequenas adições de lúpulo Pacific Northwest em fases distintas do processo. O resultado é uma cerveja perfumadíssima com notas cítricas e florais que remetem a caramelo, rapadura e maracujá. No paladar, além do que é antecipado pelo aroma (sem a mesma intensidade), o conjunto valoriza o álcool (8,7%), bastante evidente. Desta forma, álcool e lúpulo juntos constroem uma cerveja forte, amarga e de bastante personalidade cuja potência pode assustar desavisados. O malte está presente com doses de dulçor, ótimo contraste que valoriza ainda mais o amargor.

A Poleeko Gold Pale Ale parece uma busca da Anderson Valley pela simplicidade cervejeira. Aqui temos uma bela American Pale Ale com o lúpulo Pacific Northwest sendo responsável por boa parte da percepção de aroma e paladar (que quase a aproxima de uma IPA). No aroma, bastante cítrico e herbal que remetem a feno, lima, baunilha e maracujá. O paladar é menos complexo, mas interessante. O lúpulo mostra sua cara nos primeiros goles, mas o malte de caramelo equilibra o conjunto com um dulçor que remete a melaço em contraste com o cítrico. O final é um risco levemente amargo na garganta. Conforme a temperatura sobe, os sabores se desprendem e a Poleeko fica ainda melhor.

Já a English Pale Ale da Anderson Valley, a Boont Extra Special Beer, é tão inglesa quanto o estado do Texas, o McDonalds e Woody Allen. Num primeiro momento parece uma Poleeko Gold Pale Ale mais turbinada (a Poleeko tem uma medalha de ouro em torneios; essa Boont Extra Special Beer tem quatro). O aroma traz notas florais e de caramelo e é um pouco mais maltado embora o que interessa aqui seja realmente o lúpulo, e ele não decepciona os fãs. O álcool se desprende com facilidade conforme a temperatura da cerveja sobe. O amargor surge forte no paladar, principalmente nos primeiros toques na língua, mas logo se aconchega, e permite admirar o malte de caramelo. Excelente final.

Eis três ótimas cervejas de Boonville. A Anderson Valley produz 10 rótulos, e praticamente todos estão sendo trazidos ao Brasil pela distribuidora Tarantino. As latinhas de 355 ml costumam sair entre R$ 9 e R$ 11 enquanto as garrafas de 330 ml variam entre R$ 13 e R$ 15. Vale ainda ir atrás das sensacionais Boont Amber Ale (apaixonante, minha preferida da casa), Hop Ottin’ India Pale Ale e da Barney Flats Oatmeal Stout. Há, ainda, duas versões em garrafas de 600 ml: Brother’s David Double e Brother’s David Triple, ambas na faixa dos R$ 29 – e a possibilidade de conhecer a cervejaria em Boonville. Eis um ótimo programa de viagem…

Imperial IPA
– Produto: Imperial Double IPA
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 8,7%
– Nota: 4,28/5

Poleeko Gold Pale Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3,21/5

Boont Extra Special Beer
– Produto: English Pale Ale
– Nacionalidade: Estados Unidos
– Graduação alcoólica: 6,8%
– Nota: 3,44/5

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Leia mais:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Conheça outras três cervejas da Anderson Valley: Boont Amber Ale, Hop Ottin’ India Pale Ale e Barney Flats Oatmeal Stout (aqui)

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