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Björk brilha no fraco Tim Festival 2007 em SP

Quando surgiu, ainda como Free Jazz, o Tim Festival conseguia aliar novidades musicais com a apresentação de grandes nomes da música mundial. Aos poucos, o festival que era apontado como melhor do país por muitos críticos cresceu de tamanho, mas a qualidade da produção intimista e bacana das edições menores não acompanhou (em São Paulo) seu crescimento, e assistiu duas edições frustrantes em 2005 e 2006 (a primeira com nítidos problemas de som; a segunda transferida da Arena do Anhembi e encaixotada no Tom Brasil na última hora).

A notícia do retorno para a Arena do Anhembi neste ano foi recebida com frieza, mas a expectativa era de que a produção do festival tivesse aprendido com os dois anos anteriores, quando o Tim saltou dos palcos pequeninos, aconchegantes e de som excelente do Jóquei Clube de São Paulo para o palco enorme da Arena do Anhembi. A rigor, os problemas de som foram sanados, mas muitos outros surgiram em seu encalço como a superlotação da área VIP (em si, uma agressão a grande maioria do público, que foi “obrigado” a assistir aos shows de uma distância muito maior do palco).

A desorganização dos poucos caixas disponibilizados para atender a mais de 20 mil pessoas (além de desinformados – não sabiam explicar em que lugar a pessoa deveria retirar o que comprou – eles tinham que lidar com uma estrutura precária cujo maior exemplo reside no fato do comprador ter que falar sua senha de cartão de débito para a vendedora, já que não havia como ela passar a máquina de cartão por baixo da grade de atendimento), os banheiros que deveriam receber limpeza constante (o que não aconteceu) e a longa espera entre um show e outro – que culminou num atraso total de três horas e levou o último show a terminar pós 5 da manhã – são sintomas de um festival que cresceu em público, mas não em qualidade.

Um pouco antes das 4 da manhã, no serviço de recados que aparecia no telão do palco, alguém do público brincava: “Eu tenho uma vida fora daqui”. A produção se esqueceu disso. Fora a lista de problemas, o line-up deste ano se mostrou confuso e de qualidade questionável. Se nenhuma das seis atrações fez um show ruim, também nenhuma impressionou mais do que o esperado. Faltou “show” no sentido estrito da palavra em um festival antes caracterizado por apresentações antológicas e line-ups atenciosos com o que de melhor estava se fazendo em música no mundo. Se o que se viu na Arena do Anhembi é o melhor da música neste momento da história estamos, definitivamente, órfãos. E viva a diluição. E salve Björk.

O Hot Chip entrou no palco às 20h depois que integrantes do Spank Rock fizeram até stage dive para animar o público. Ao vivo, o electro rock do Hot Chip cresce em impacto, mas perde em detalhes e nuances. O quinteto tem carisma, conta com um sósia do Vinny se alternando entre guitarras e teclados, um gordinho com uma camiseta do Flaming Lips fazendo efeitos e vozes, e um outro rapaz com cara de nerd no comando da bagunça, mas o show parece que vai virar algo, parece que vai virar algo, parece… e fica nisso. Com exceção, claro, do hit “Over and Over”, cantado em coro pelo público. Pouco para um show em que até uma cover do New Order (”Temptation”) passa totalmente despercebida.

Uma hora de intervalo (que atrasou todo o festival) foi o tempo que Björk precisou para encher seu palco de bandeirolas coloridas de temática animal (sapos, coelhos, peixes) e um naipe islandês de sopro. A demora, no entanto, foi compensada por uma apresentação irrepreensível. Dançando sem parar, a cantora apresentou seu caleidoscópio musical esquizofrênico em forma de música pop centrando foco em um repertório quase best of: “Hunter”, “Pagan Poetry”, “Jóga”, “Army of Me”, “Hyper-Ballad”, “Pluto”, entre outras, animaram o público. De vestido colorido e repetindo “obrigato” a cada final de canção com seu sotaque delicado e charmoso, Björk cativou a audiência e fez um grande show. Só faltou “It’s Oh So Quiet”…

Mais de uma hora de espera e surge Juliette Lewis and The Licks para uma apresentação de rock’n’roll, baby. Porém, por mais que a cantora atriz se esforce, e sua banda tente acompanhar, o show é uma caricatura dos cacoetes mais engraçados do rock: a vocalista que rola no chão dando sangue pela banda, o guitarrista bonitinho que faz pose de homem mau; as canções sustentadas por riffs atolados em barris de formol. É tudo bonitinho, engraçado, divertido, mas a gente esquece assim que ela deixa o palco. E não vai se lembrar tão cedo.

Hype dos últimos dois anos na Inglaterra, o Arctic Monkeys chegou a São Paulo com a grande vantagem de estar em seu melhor momento: lançaram este ano um segundo álbum tão bom quanto o primeiro, e são novidade fresquinha no movimentado mundo pop. Porém, o que é a grande vantagem da banda (ser nova, ter apenas dois discos, e já estar tocando no Brasil) também funciona contra: falta punch de palco ao quarteto, que não se mexe, não inspira, não comove, a não ser nos poderosos e ultra-pesados hits do primeiro álbum. Aliás, as canções do primeiro álbum soam muito melhores ao vivo do que as do segundo (exemplo: “Fake Tales of San Francisco” ficou arrasadora enquanto a ótima “Teddy Picker” parecia um rascunho). Mesmo assim, ouvir “I Bet That You Look Good On The Dancefloor”, um pretendente a clássico dos anos 00, é de encher os olhos e arrepiar a alma.

Antes mesmo de começar o show, o Killers já rendia comentários divertidos via SMS no telão: “Feliz Natal, por The Killers”, mandou alguém do público, visivelmente inspirado pela overdose de luzes da decoração do palco inspirada em um casino de Las Vegas. Se o Capitão Nascimento estivesse por ali teria dito: “O senhor é um fanfarrão, Sr. Brandon Flowers”. Com toda razão. O Killers regurgita – sem medo nenhum de ser feliz – o lado brega dos anos 80 com tudo o que tem direito. E dá-lhe ramalhetes de flores na bateria, que o vocalista vai atirar ao público – no melhor estilo Roberto Carlos – no meio do show. E dá-lhe mão no coração no meio da música, punho fechado quanto um trecho da letra fala de ciúmes, e por ai vai. Apesar da demora na montagem do palco, durante as primeiras músicas ajudantes ainda levavam plantas para dentro do cenário. A pergunta final era: “Que horas o Papai Noel irá chegar em “Sam’s Town”?

Se não há a mínima chance de levar o Killers a sério por seu visual e messianismo, a seu favor o fanfarrão Brandon Flowers tem um repertório de hits debaixo da manga de causar inveja em muita gente: “When You Were Young”, “Somebody Told Me”, “Smile Like You Mean It”, “Jenny Was A Friend of Mine”, “Mr. Brightside”, “Bones” e “For Reasons Unknown” são capazes de chacoalhar uma multidão mesmo que o show esteja acontecendo às 5 da manhã de uma segunda-feira em uma megalópole que acorda cedo no começo da semana. Só o Killers tem mais hits que todo o novo rock junto. Com esse fato, tirando a versão fraquíssima de “Shadowplay”, do Joy Division, o show foi correto e não desandou. Deixo a Arena do Anhembi quatro músicas antes do final pensando na frase do Capitão Nascimento e na promessa não concretizada da visita de Papai Noel. Da rua ainda consigo ouvir Brandon Flowers cantando. Rio. Se o intuito de um show é – entre outras coisas – divertir e entreter o espectador, o Killers deixa São Paulo com a dívida paga. Tudo bem, o preço não era alto, não é mesmo Sr. Fanfarrão?

O saldo final do festival é fraco, um tanto pela desorganização, outro tanto pelo line-up fraco que talvez seja um reflexo do cenário atual da música pop, muito mais preocupado em diluir velhas fórmulas do que criar outras novas. Por mais que o Killers tenha feito um show competente, sua escalação soa deslocada da proposta que o Tim Festival ostentava anos atrás. Brandon Flowers e cia mereciam um show só deles em um Credicard Hall ao invés de surgir como banda principal de um festival que se caracterizava por destacar novas tendências de uma música sem fronteiras. Pelo panorama exibido na Arena do Anhembi, no domingo, as fronteiras não andam sendo bem exploradas. Uma pena.

Texto: Marcelo Costa / Fotos: Liliane Callegari

– Tim 2008: Punk rave do Klaxon vs tristeza de Marcelo Camelo (aqui)
– Tim 2008: Kanye West faz “showzinho” (aqui)
– Tim 2007: Björk brilha no fraco Tim Festival SP 2007 (aqui)
– Tim 2006: Patti Smith, Devendra, Yeah Yeah Yeahs (aqui)
– Tim 2006: Beastie Boys são aclamados no Tim Curitiba (aqui)
– Tim 2005: Strokes, Costello e Television (Weezer e Mercury Rev) (aqui)
– Tim 2004: Libertines e Brian Wilson (PJ Harvey e Morrissey) (aqui)
– Tim 2003: White Stripes, Los Hermanos e Beth Gibbons (aqui)

outubro 29, 2007   Encha o copo

Antes de dormir…

São 2h52 da madrugada e acabo de chegar anestesiado da sessão dupla de “Grindhouse” na Mostra de Cinema de São Paulo. E preciso escrever isso para dormir bem: fazia muito tempo – muito mesmo – que eu não me divertia tanto em uma sessão de cinema. Me despedi do casal de amigos com que assisti aos dois filmes e desci a Rua Augusta rindo e completamente satisfeito com o cinema de Quentin Tarantino. Com o de Robert Rodriguez também, mas mais com Tarantino. Explico isso melhor depois. Por enquanto, basta saber que ambos os filmes são fodaços. E durmo feliz.

outubro 27, 2007   Encha o copo

Um boteco em Santa Tereza

 

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Fiz este post especial para o Comidinhas no começo do ano, mas não tinha postado por aqui. Como um amigo está indo pro Tim no Rio e veio pedir informações sobre essa feijoada, aproveito para deixar a dica pra quem estiver na Cidade Maravilhosa nos próximos dias:

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Um boteco em Santa Teresa, por Marcelo Costa

Ir até o Bar do Mineiro, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro, pode se transformar em mais do que um passeio pelo mundo dos sabores. Se você tiver um espírito aventureiro, vale deixar o carro no hotel e dispensar o táxi para encarar o tradicional bonde – sai da Estação Terminal dos Bondes de Santa Tereza, ao lado da Estação Carioca de metrô, no centro – que segue primeiramente sobre os famosos Arcos da Lapa até subir ao bairro. A passagem custa apenas R$ 0,60, e o bonde é freqüentado tanto por turistas quanto por moradores.

O Bar do Mineiro fica no centro do bairro e já virou parada obrigatória do bondinho, que deixa várias pessoas em frente ao local e pega aquelas que já desfrutaram do bairro. Com jeito de boteco, o bar até já ganhou um CD em sua homenagem. A especialidade da casa é o Tutu à Mineira servido com carré, mas a feijoada (que me levou ao bar pela primeira vez por indicação do amigo Marco Antonio Bart) também é imperdível. No entanto, o motivo deste texto é o delicioso pastelzinho de carne seca com abóbora, que só de lembrar dá água na boca. É daquelas porções que servem para abrir o apetite, mas que dá vontade de pedir mais e mais.

A decoração do bar é simples, com miniaturas de bondinhos feitas de madeira, e reportagens na parede sobre o boteco e seu dono, Diógenes Paixão, responsável pelo clima alto-astral do local, e que já desfrutou amizades famosas, como o paisagista Burle Marx (simplesmente Roberto para ele) e o pintor Alfredo Volpi. Deste último, Diógenes guarda em sua casa diversas obras. Os preços dos pratos vão de R$ 15 (para as porções) até R$ 40 (para a feijoada que serve – e bem – duas pessoas). Vale também provar a caipirinha de lima (R$ 6), feita tão no capricho que nem se sente o gosto forte da aguardente, e alegra a pessoa que é uma beleza. Depois, caminhar e curtir Santa Tereza, um dos bairros mais deliciosos da cidade maravilhosa.”

Bar do Mineiro
R. Paschoal Carlos Magno , 99, Santa Tereza, Rio de Janeiro
Fone: (021) 2221-9227

 

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outubro 23, 2007   Encha o copo

Um fenômeno chamado Radiohead

Após lançar “In Rainbows” pela internet no último dia 10, o Radiohead toma pra si – pela segunda semana consecutiva – o top ten da badalada Last.FM tendo as dez músicas do disco nos dez primeiros lugares das faixas mais executadas entre 14 e 21 de outubro. A média baixou um pouco – 3.300 milhões de execuções na primeira semana contra 2.600 milhões na última semana – mas continua assustadora: em 14 dias, as faixas de “In Rainbows” foram executadas quase 6 milhões de vezes na rádio on line.

O Top Ten de músicas da Last.FM exibe as dez faixas de “In Rainbows” na ordem que as músicas aparecem no álbum. “15 Step” aparece novamente no topo com 188 mil execuções (263 mil na semana passada) divididas entre 60 mil ouvintes. Na categoria “artistas”, o Radiohead lidera com 2.600 milhões de execuções; Beatles aparece em segundo com 870 mil execuções depois Red Hot Chilli Peppers com 498 mil.

outubro 22, 2007   Encha o copo

Os Melhores Blogs do Brasil

Recentemente uma campanha publicitária do jornal O Estado de S. Paulo gerou a ira e a reação enfurecida de blogueiros e leitores. A campanha – que supostamente teria chamado blogueiros de macacos – provocou o primeiro grande debate sobre o fenômeno dos blogs no Brasil. Aproveitando a polêmica e a mania de listas, a Revista Bula perguntou a 400 usuários da web quais são os blogs mais influentes do Brasil. Como regra, um único critério: cada participante poderia indicar um número máximo de cinco blogs. Participaram da pesquisa jornalistas, escritores, publicitários, alunos e professores da UNB, UFG, UEG, UEL, UFMG, UFRJ, USP. Dos 400 questionários enviados, 327 obtiveram respostas. A pesquisa foi feita em parceria com o Laboratório de Pesquisas de Opinião Pública e de Mercado da UEG/GO e não tem valor científico.

Em primeiro lugar apareceu o compadre Inagaki com seu excelente “Pensar Enlouquece, Pense Nisso”; em segundo, o blog do Daniel Piza no Estadão; em terceiro, Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim, no iG; em 20º, Revoluttion, deste que vos escreve, no iG. :)

Os 21 blogs listados: http://www.revistabula.com/service35.aspx05

outubro 20, 2007   Encha o copo

Mostra de Cinema de São Paulo

Começa nesta sexta-feira a 31ª Mostra de Cinema de São Paulo. São 461 filmes e a vontade de cinéfilo era de ver ao menos uns 100, mas a minha lista inicial de fundamentais neste ano começa apenas com 11 títulos. No ano que mais vi filmes na Mostra, acho que 2002 ou 2003, assisti a quase 40 filmes. Confesso que chega uma hora que você começa a misturar a trama da comédia italiana que você viu depois do almoço com o o roteiro do drama norueguês que assistiu no dia anterior, mas mesmo assim vale. Abaixo minha lista inicial, que deve ser acrescida de mais uns quatro títulos:

“Control”, Anton Corbijn – Cotação 4/5
“Sympathy for the Devil”, Jean-Luc Godard – Cotação 4/5
“Lust, Caution”, Ang Lee – Cotação 4/5
“About a Son”, AJ Schnack – Cotação 1/5
“Planeta Terror”, Robert Rodriguez – Cotação 4/5
“À Prova de Morte”, Quentin Tarantino – Cotação 4/5
“I’m Not There”, Todd Haynes – perdi
“Across The Universe”. Julie Taymor – perdi
“One + One”, Jean-Luc Godard – vou ver
“Onde os Fracos não Têm Vez”, Joel e Ethan Coen – vou ver

Ps. Queria muito ver o David Lynch, mas como estréia dia 02/11, vou esperar. Ok, ao menos vou tentar esperar, não me culpe se eu ver antes…

outubro 19, 2007   Encha o copo

Pixies em Buenos Aires?

Calma, calma, calma, não está confirmado ainda. Aliás, nem o Wilco está confirmado. Segundo informações que recebi, a organização do Personal Fest está conversando seriamente com as duas bandas, mas ainda não bateu o martelo. Só parece que o Smashinh Pumpkins melou de vez. Enquanto isso eles já confirmaram nomes “menores” como Phoenix, Dandy Warhols, Chris Cornell, Happy Mondays e Cypress Hill. Vamos combinar que nenhum deles é headliner de festival, vai…

Ps. Já avisei na redação do iG que se confirmarem Wilco e Pixies eu nunca, NUNCA mais vou ficar reclamando de perder esse ou aquele show. Depois de perder shows das duas bandas no Brasil, se eles tocarem juntos no mesmo festival na Argentina, eu pago minha dívida comigo mesmo e espero pacientemente até os meus 100 anos por um show do Radiohead. Sem reclamar. Tweedy e Black, me ajudem.

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Desses todos, só o Dandy Warhols está confirmado (naquelas) para o Motomix em São Paulo. O Motomix deve acontecer quase que na mesma semana de dezembro que o Nokia Trends, que já confirmou She Wants Revenge…

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Será que “In Rainbows” vendeu mesmo 1 milhão e 200 mil cópias? Se vendeu, a banda está de parabéns pela iniciativa. Ponto a favor é que o disco é… sensacional. Quem veio direto pra cá sem passar pela Revoluttion ou pela capa do Scream & Yell não conferiu meu veredicto final sobre o álbum: “In Rainbows” não é só o disco da semana, é o disco do ano.

Mas, falando em Radiohead, sabe o que realmente me deixou impressionado: uma leitora da Revoluttion comentou sobre o sucesso de “In Rainbows” na Last.Fm e fui lá conferir. No Top Ten semanal da Last.Fm, os dez lugares estão ocupados pelo Radiohead. Os dez! “15 Step” foi ouvida por mais de 67 mil usuários, que juntos somaram 263169 plays da música. “Videotape”, faixa 10 de “In Rainbows”, aparece em décimo tendo passado pelo player de 56 mil usuários que somaram 211.332 plays.

Mas ainda não é isso que me impressionou: o Radiohead lidera a semana com 118.836 ouvintes diferentes que escutaram 3.308.175 de vezes canções do Radiohead (e ai incluimos todos os discos do Radiohead que foram ouvidos na Last.Fm semana passada). Sabe quem aparece em segundo lugar? Beatles! Quando demonstrei minha surpresa para o meu amigo, ele retrucou: “Mas os Beatles lideram toda semana!”. E eu achando que ninguém ouvia Beatles hoje em dia…

Olha o Top Ten da Last.Fm (07/10 a 14/10)

1 – Radiohead
118,836 listeners
3,308,175 plays

2 – The Beatles
73,373 listeners
844,600 plays

3 – Red Hot Chili Peppers
64,502 listeners
498,031 plays

4 – Muse
55,563 listeners
570,069 plays

5 – Coldplay
54,165 listeners
364,902 plays

6 – Foo Fighters
53,214 listeners
484,542 plays

7 – Linkin Park
51,245 listeners
474,899 plays

8 – Metallica

49,381 listeners
413,219 plays

9 – Nirvana
46,759 listeners
307,810 plays

10 – Pink Floyd
45,192 listeners
435,711 plays

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Já que falei no Pink Floyd, postei ontem no Mistureba uma notinha falando sobre a edição tripla que comemora 40 anos do lançamento do álbum de estréia da banda, o sensacional “Piper At the Gates of Dawn”.

Pra fechar, um e-mail bacana do Fábio avisa:

“Eu e dois amigos, Carlos Hahn (músico e jornalista)  e Pedro Hahn (músico e cineasta), colocamos no ar o www.zoomrs.com, um site sobre música gaúcha, não apenas rock, mas música boa em geral, com ecletismo e sem preconceitos. O site  tem notícias que são atualizadas diariamente, e um conteúdo com entrevistas, resenhas, etc… que  é atualizado mensalmente.  O primeiro tem matérias com os Folk Brothers, Darma Lóvers, etc…  E o segundo (prestes a entrar no ar) traz uma matéria com o Thomaz Dreher, gravada no lendário estúdios Dreher. Imperdível”1

outubro 16, 2007   Encha o copo

Marcelo Costa, o ogro-fofo

Escrevi um textinho especial para o blog Comidinhas, da querida Ale Blanco, contando sobre minhas experiências culinárias. Da próxima vez que fizer um tournedo com ervas, posto uma foto aqui, ok. Além da receita, e da história, a Ale começa escrevendo assim e… bem… as frases dizem por si mesmas… :)~

Ps. Este texto é dedicado a Helena, minha “professora” de culinária… e a Lili, que vai experimentar meus pratos malucos quem sabe até os meus 100 anos…

O ogro-fofo, por Ale Banco

“O Marcelo Costa é o típico menino que eu e minhas amigas chamamos de o “ogro-fofo”. Sabe aquele tipo que gosta de futebol, conhece tudo de música, tem um fanzine há anos, um blog, anda com camisetas de banda de rock ou camisas xadrez, adora um clube indie da rua Augusta ou da Barra Funda? Esse é o lado ogro. O fofo é que ele é um amor, amigo para todas as horas, total amorzinho com a namorada (agora mulher). Mas jamais o tipo que eu imaginaria curtir um forno e fogão.

A gente se conhece há anos, trabalhamos juntos há vários outros e pelo menos umas duas vezes por semana eu dou uma carona na saída do trabalho e o deixo na porta de casa. Falamos sobre quase tudo, inclusive comida. Mas há alguns dias em um papo parado no trânsito o Mac disse que havia comprado um livro de dicas para homens na cozinha e que vinha se saindo muito bem. Contou que havia passado o estágio do macarrão, que seu risoto era um sucesso e me deu dicas de preparo de carnes!!!! Achei que merecia um depoimento aqui no Comidinhas. Então, aí vai abaixo: um ogro-fofo que acaba de se aventurar pela arte da culinária:”

Tem uma homem na cozinha, por Marcelo Costa

“Eu sempre tive vontade de aprender a cozinhar. Quando tinha meus 15 anos, imaginava que quando chegasse aos 30 iria entrar em um curso de culinária e descobrir os prazeres da boa cozinha. Os 30 anos se passaram, a vontade de aprender a cozinhar continuou, mas o tal curso de culinária virou sonho de adolescente: na hora de escolher os primeiros móveis para a minha primeira casa de “homem morando sozinho”, a cama de casal e uma TV 29 polegadas vieram na frente da geladeira e do fogão, que só foram fazer parte do ambiente um ano depois…

A compra de geladeira e fogão não quis dizer muita coisa. A geladeira servia para manter as cervejas geladas e o fogão para fazer pipocas. Ou seja, eu era um caso perdido. Até que uma amiga querida decidiu me dar um empurrão e me ensinar a fazer risoto, um risoto de verdade.

– “Minha especialidade: risoto (tem panela e colher de pau aí?)”
– “Colher de pau? Hummm… vou tentar comprar… risos… mas panelas têm!”
– “Compra-se colher de pau com pouquíssimo dinheiro em qualquer supermercado…”

E assim foi. Aprendi a fazer risoto, e na primeira oportunidade testei o novo dom com a namorada na casa das amigas dela. O namoro estava começando e um fracasso naquele momento iria virar piada para o resto da vida, mas todos gostaram. Escrevi para a minha professora: “Ficou bom. Tá, o arroz estava um pouco durinho, mas nem tanto, e como eu deixei o alho poró passar do ponto, o arroz ficou amarronzado. Ficou ‘bunito’. E gostoso sim. Mas tenho que melhorar muito!”

Animada com o sucesso do aluno, e recém-formada em um curso de culinária, ela resolveu apostar no amigo, e lhe deu um livro que, segundo ela, havia quebrado muitos galhos em suas aventuras culinárias: “Guia Para a Sobrevivência do Homem na Cozinha”, de Alessandra Porro. A introdução escrita pelo pai da autora junta poesia familiar, David Bowie, Beatles e cabelos curtos em um jantar londrino. Diz o pai em certo trecho, antes de contar os detalhes da família:

“Eu não acredito em receitas. Respeito o básico, mas detesto as bizarrias que durante algum tempo nos foram oferecidas em nome de uma estrombótica nouvelle cuisine. Cozinhar, para mim, é exercício de criação, de invenção, de fantasia e inspiração. Mas é preciso respeitar o paladar dos hóspedes”, explica, antes de jogar uma pitada de açúcar sobre a filha: “Quando comecei a ler as provas deste livro (…) fui obrigado a rever – em parte – minha atitude carregada de preconceitos contra receitas. As que Alessandra nos oferece contêm, numa dosagem exata, o essencial e a fantasia”.

Com o livro em mãos fui fuçar as tais receitas. O texto é divertido e os rodapés funcionam como pequenas porções de tempero sobre o cotidiano. Na página 18, uma nota de rodapé explica que as “Panelas de Barro eram confeccionadas originalmente pelos índios e as de pedra sabão são, em grande parte, de Minas Gerais. Além de conferir um sabor especial à comida, elas se prestam a preparações lentas, pois conservam o calor e o distribui uniformemente”. Cool.

No capítulo “Cortes, Aproveitamento e Conservação de Carnes”, a autora abre a página dizendo que vegetarianos convictos não devem ler o que virá a seguir. Segundo ela, vegetarianos são “animais que se alimentam exclusivamente de vegetais e fogem daqueles que comem carne, como o tigre, o leão e o leopardo”. Logo abaixo, uma dica interessante: “Ao contrário daquilo que o seu açougueiro costuma repetir, não existe carne de primeira ou de segunda. O que existe é carne boa, bem tratada e bem utilizada”. Bingo.

Já é possível perceber que decidi começar minha aventura na cozinha pelas carnes, acredito. Apostei nos tournedos com ervas, algo que lá em Taubaté, cidade em que cresci, costuma ser chamado de medalhões. Levei o livro para o supermercado e fui separando os ingredientes: filés, bacon, manteiga, salsinha e pimenta-do-reino. A namorada tomou conta do arroz, uma amiga assumiu a salada e fiquei na total responsabilidade pelos tournedos com ervas. Preciso assumir que cozinhar para outras pessoas dá um friozinho na barriga. Será que vai ficar bom? Será que exagerei no tempero? Será que passou do ponto? Isso não era pra ser divertido? (risos)

E foi divertido. O prato ficou ótimo, daqueles que ao provar você fica na dúvida se foi você realmente quem fez (ou então, pior, que foi sorte de principiante). Na primeira vez que a mãe e a irmã vieram para São Paulo visitar o filho, adivinha o prato principal: tournedos com ervas, claro. A mãe toda hora ia na cozinha, observar, mas aceitou que naquele domingo ela seria visita e o filho quem iria cozinhar. E a receita, seguida a risca, saiu tão perfeita quanto da primeira vez. A mãe voltou feliz e imaginando que, agora, pode ficar despreocupada: “Ele cozinha bem, não vai passar fome” (risos – as mães sempre acham que nós vamos passar fome).

Após esse ímpeto inicial, arrisquei mais algumas receitas, mas a frase “ele cozinha bem” está muito (mas muuuuuito) longe da realidade. Na verdade, acho que estou perdendo aos poucos o medo da cozinha e sobrevivendo neste ambiente de colheres de pau, panelas, cheiros e sabores. Faço testes com umas ervas aqui, uns cheiros acolá, nada muito difícil. Ainda sou extremamente dependente do meu “Guia Para a Sobrevivência do Homem na Cozinha”, que depois de uma arrumação na estante de livros do quartinho acabou ganhando um lugar definitivo na nova casa: sobre o armário da cozinha, ao lado do “Arroz, Feijão e…”, livro de Glorinha Barbosa que a namorada, agora “esposa”, ganhou de uma tia quando veio morar sozinha em São Paulo (ela é mineira). Abaixo, a receita dos tournedos com ervas (para duas pessoas). É facinha, embora nada seja muito fácil para um homem que sobrevive na cozinha…

Tournedos com Ervas (para duas pessoas)

– 4 filés (cortados para tournedos*) de 100 a 150g cada, com 5cm de espessura;
– 4 fatias de bacon;
– 50g de manteiga, que deve ser derretida da geladeira 30 minutos antes da preparação;
– 1 colher de sopa de salsinha bem picada;
– Sal e pimenta-do-reino;
– 4 palitos de dente 50 cm de barbante;

1) Tempere os tournedos apenas com a pimenta-do-reino;
2) Enrole cada pedaço de carne com 2 fatias de bacon, no sentido da altura; **
3) Você pode prender o bacon usando palitos de dente ou amarrando com um barbante qualquer, de algodão; ***
4) Leve uma frigideira ao fogo bem alto. Quando tiver super quente, coloque nela os tournedos. Comece fritando os lados onde está o bacon. Não é preciso colocar manteiga ou óleo porque o bacon vai soltar a sua própria gordura. Conforme for tostando, vá virando os tournedos;
5) Coloque a manteiga em uma tigela, junte a salsinha bem picada e tempere com um pouco de sal e pimenta do reino moída. Misture muito bem. Vai ficar uma pasta verde;
6) Quando todos os lados estiverem dourados por igual, frite as pontas, virando apenas uma vez cada uma;
7) Apague o fogo e tire os tournedos. Com cuidado, solte o bacon que já deve estar esturricado e retire;
8 ) Coloque 1 tournedo em cada prato e sobre cada filé coloque metade da manteiga com salsinha e sirva;
9) Já que a carne pegou o gostinho do bacon, que é salgado, coloque o sal na mesa.

*Tournedos: é um corte feito com a parte central do filé mignon, que é bem redonda. Também são chamados de ‘medalhões’ e são um pouco menores que o chateaubriand;
**Altura: imagine que comprou a peça inteira e separou você mesmo os pedaços. As duas partes que forem seccionadas pela faca são as duas pontas. O bacon vai ser enrolado em toda a volta, deixando as pontas livres;
***Linha de bordado, grossa, também serve. Só não use lã, corda de varal, fio encerado para pipas ou fio de náilon;

“Guia Para a Sobrevivência do Homem na Cozinha”, de Alessandra Porro (Editora Objetiva, 3ª Edição)

outubro 15, 2007   Encha o copo

Os 100 melhores discos nacionais

A Rolling Stone Brasil publica em sua 13ª edição um especial com os 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos. Para chegar aos 100 escolhidos a publicação convidou 60 profissionais (a grande maioria, colaboradores da revista) que enviaram – cada um – uma lista com 20 discos. Comparando, os melhores do ano do S&Y contam com 92 votantes (nos dois últimos anos), e para o tamanho e importância de uma revista como a Rolling Stone, resumir um especial deste porte apenas a redação é pensar pequeno (era só seguir o método Uncut, que convida centenas de músicos, e ainda pede para que eles escrevam sobre um dos discos que escolheram). Seria bem legal ver os votos de Caetano, Rita Lee, Fred 04, Pauo Ricardo, Japinha (só para ficar em cinco artistas díspares).

O método de forma alguma invalida a lista, que é bastante interessante, e uma das melhores (senão a melhor) já publicadas no País. Desde sexta estou ouvindo um a um os discos da lista (neste momento estou no 12º) e por mais que “Acabou Chorare” (1º) seja um disco sensacional, numa “lista minha” ele apareceria atrás do coletivo “Tropicália ou Panis Et Circenses” (2º). Em terceiro, o não menos sensacional “Construção”, de Chico Buarque. Em quarto, “Chega de Saudade”, de João Gilberto, o único dos 20 primeiros que não tenho em casa (na falta, Lili colocou o ao vivo “In Tokio”). A estréia dos Secos e Molhados aparece em 5º; o doidaço e divertido “A Tábua de Esmeralda”, de Jorge Ben, surge em 6º; o coletivo “Clube da Esquina”, comandado por Milton Nascimento e Lô Borges, surge em 7º (e, não adianta, tentei ouvir mais uma vez, mas não consigo curtir esse disco – ok, “Paisagem da Janela” vale, mas é pouco prum disco duplo).

O oitavo lugar traz “Cartola”, o segundo disco do sambista que junta uma porção de pedras preciosas da música brasileira (”O Mundo é Um Moinho”, “Minha”, “Preciso Me Encontrar”, “As Rosas Não Falam”, “Ensaboa”, “Cordas de Aço” e “Peito Vazio” – esta última sempre surge em minha memória com uma interpretação brilhante de Nelson Gonçalves para o tributo “Bate Outra Vez”). “Os Mutantes” surge em nono (pessoalmente prefiro o segundo); “Transa”, de Caetano Veloso, surge em 10º; “Elis & Tom” em 11º (merecia estar umas cinco posições a frente, viu); “Krig-Ha Bandolo!”, de Raul Seixas, em 12º (acabei de descobrir que não consigo mais ouvir “Mosca na Sopa” e “Metarmofose Ambulante”, mas tudo bem, pois esse disco ainda tem “Dentadura Postiça”, “Cachorro Urubú” – que o PT usou em um segundo turno ae por causa do verso certeiro: “Todo jornal que eu leio, me diz que a gente já era, que já não há mais primavera, baby, a gente ainda nem começou”-, a maravilhosa “How Could I Know” e, zuzu bem, “Ouro de Tolo”); “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi, em 13º; “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MCs, em 14º, e “Samba Esquema Novo”, de Jorge Ben, em 15º. Titas aparece em 19º com “Cabeça Dinossauro”; Legião em 21º com “Dois”; Ultraje em 27º com “Nós Vamos Invadir Sua Praia”; Paralamas em 39º com “Selvagem?”; Los Hermanos em 42º com “Bloco do Eu Sozinho”; Sepultura aparece em 46º com o matador “Chaos A.D.”; Blitz em 50º com o álbum de estréia.

Até pensei em fazer uma listinha minha com 20 discos agora, mas não dá. Isso não é coisa para se fazer assim, do nada. Se eu conseguir me organizar, tento publciar uma até quarta ou quinta… mas esse top 100 da Rolling Stone Brasil merece ser visto, debatido e, principalmente, ouvido.

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O novo do The Hives já está por ai…

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Dos 100 discos da lista da Rolling Stone, nove aparecem na lista especial dos Melhores dos Anos 90 feita pelo Scream & Yell em 2001. No total, a Rolling Stone trouxe onze discos da década de 90, e três dos anos 2000 (dois dos Los Hermanos e um dos Racionais). Abaixo os Melhores dos Anos 90 pelo Scream & Yell:

Internacional
“Óbvio, óbvio. O trio inicial já era o esperado. “Nevermind” disparado na frente. “Ok Computer” não tão atrás, e “Acthung Baby” levando o bronze. A briga mesmo veio do quarto lugar para frente”. LISTA INTERNACIONAL

Nacional
“Votação equilibradíssima. A estréia do Raimundos venceu por um ponto “Carnaval na Obra”, do Mundo Livre S/A, que ficou com o segundo lugar tendo um ponto de vantagem sobre “Afrociberdelia”, do Chico Science & Nação Zumbi. Alias, esse trio manipulou os primeiros lugares. Das sete primeiras posições, seis são deles, cada um cravando dois álbuns.” LISTA NACIONAL

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Top 20 anos 90Como se fossemos Rob Fleming, por Marcelo Costa

outubro 14, 2007   Encha o copo

Catherine Deneuve x Audrey Hepburn

Assisti, ontem no HSBC Belas Artes, a “Repulsa ao Sexo”, clássico de Roman Polanski com Catherine Deneuve interpretando uma manicure com sérios distúrbios de sexualidade, que acabam rendendo cenas impressionantes e interessantes.

Agora, e sei que não devia dizer isso, mas a Catherine não me impressionou não, viu. Seu personagem é pálido, o que está perfeitamente inserido no contexto do filme, mas mesmo ela parece tãooo normalzinha (uma loirinha bonitinha, só isso). Femme fatale? Sei não.

Na verdade, acho que estou muito influenciado por “Sabrina”, de Billy Wilder (estou escrevendo aliás um textinho “rápido” sobre três filmes dele que revi nesta semana), que vi na sexta, em casa. Principalmente por Audrey Hepburn, que tomou meu coração de sonhador, e está brincando com ele. Na boa, entre ela e Deneuve, escolho a Audrey. Ih…

outubro 14, 2007   Encha o copo