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Washington, 8 graus

Quando alguém avisar você que o lugar para o qual você está viajando está frio, não faça como eu, acredite. Trouxe apenas uma blusa e acho que, provavelmente, vou precisar de outra. O voo foi bem tranquilo. Dividi a fileira com um casal de Catanduva, bastante animado, que estava indo a Washington visitar a filha. Porém, antes mesmo do avião decolar encontrei um lugar vazio mais apropriado para esticar as pernas e ver filmes.

Filmes? O excelentíssimo prefeito filósofo de Veneza, Maximo Cagliari (que você “conhece” daqui), deveria processar Hollywood por filmarem na cidade um filme ao ruim quanto “O Turista”. Pô, os caras têm uma cidade maravilhosa de pano de fundo e duas estrelas do cinema (Angelina Jolie e Johnny Depp) e jogam tudo pelo ralo com um roteiro que um garoto de cinco anos teria escrito? Uma pena. Se puder, não assista, mas vá para Veneza.

Bate papo básico na imigração e tudo ok para seguir viagem. Parto para o voo de conexão para Nova York, passo as malas, lap top, tênis e cinto pelo raio x e, enquanto me “visto”, uma mini confusão se arma no local. A garota que estava atrás de mim estava com algo na mala (Tiago Trigo sabe bem como é isso). A atendente chama o supervisor que chega, coloca luvas de plástico, pega as malas da garota e me pergunta:

– Vocês estão juntos?
– Não – respondo
– Ainda bem, você está com sorte, brincou o supervisor

Mesmo na brincadeira, é bom começar uma viagem com sorte…

abril 7, 2011   Encha o copo

Partiu aeroporto

Chegou a hora. O voo sai mais à noite e amanhã de manhã chego em Washington, conexão com Nova York. Se nada atrasar desço no aeroporto New York Newark às 9h30 (10h30 no horário de Brasília). E dai é camelar a maneira mais fácil de chegar ao hotel. Mas tudo isso eu conto amanhã. 🙂

abril 6, 2011   Encha o copo

Arrumando as malas

Tentando levar poucas roupas… vamos ver.

abril 5, 2011   Encha o copo

Opinião do Consumidor: Licher Weizen

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A Licher Privatbrauerei é uma cervejaria fundada na cidade de Lich, na Alemanha (pertinho de Frankfurt). O pai do fundador costumava fazer cerveja para os moradores e viajantes que passavam por sua pousada. Johann, o filho, decidiu investir no negócio, e abriu a cervejaria em 1854. Apesar dos mais de 160 anos de cervejaria, a versão weiss só começou a ser fermentada em 2006.

A característica básica do estilo já marca a Licher Weizen no aroma carregado de banana e cravo – ainda assim menos intenso do que os cânones do gênero. O sabor segue a risca a toada deixada pelo aroma: todos os detalhes de uma weiss estão presentes (banana, cravo, mel), mas a leveza a torna diferente, pois a Licher mantém um tom equilibrado e seco no conjunto, agradando bastante.

Os fãs da weiss tradicional (da alemã Weihenstephaner a nacional Bohemia Weiss) talvez estranhem as referências comportadas nos primeiros goles, mas a Licher Weizen tem poder de conquista a longo prazo (ou a meio copo). Já aqueles que desprezam as cervejas de trigo podem até se impressionar com esta alemã que aposta no equilíbrio e na simplicidade, e consegue um ótimo resultado (por um bom preço).

Teste de Qualidade: Licher Hefe-Weizen
– Produto: weiss
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 3,25/5

A Licher Weizen (versão de 500 ml) está chegando ao Brasil via Beermaniacs entre R$ 9 e R$ 12

Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

abril 4, 2011   Encha o copo

Algumas perguntas sobre viagens

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Ok, logo abrirei uma consultoria sobre mochilagens rock and roll na Europa e nos Estados Unidos, mas enquanto isso não acontece vou dividindo aqui algumas coisas que aprendi, e que podem ajudar alguém que esteja fazendo a sua primeira viagem pra fora dos limites da terra que um dia foi chamada de Vera Cruz. Abaixo, algumas perguntas que recebi.

01) Como organizar uma viagem?
Isso vai do foco que cada pessoa quer dar para a sua viagem. As minhas são, via de regra, viagens focadas em shows. Assim já aconteceu de eu sair de Bruxelas para Berlim, de lá para Glasgow e de lá para Paris (roteiros pouco comuns, mas que compensaram). Como os voos internos não são tão caros (em média, comprando antecipadamente, entre R$ 100 e R$ 200 o trecho) você pode fazer esse zigue-zague atrás das bandas que ama.

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Então eu vou preenchendo lacunas. Salvo um bloco de notas com todas as datas da viagem e vou preenchendo os shows que eu poderia ver, e o que eu precisaria fazer para vê-los. Daí entra o peso de um festival (que permite a você ver várias bandas juntas), mas o charme de um show separado não pode ser descartado (alguns dos melhores shows que vi fora do Brasil foram fora de festivais).

Ou seja, não tem segredo. Você foca em que tipo de viagem quer fazer (“conhecer os principais museus da Europa”, “um tour etílico pelas melhores cervejarias”, “uma viagem com foco histórico”, “um roteiro arquitetônico” ou mesmo uma “pontos turísticos” e vai brincando com as companhias aéreas e de trens para ver qual roteiro fica mais em conta. A idéia é se divertir (planejar a viagem já faz parte da curtição).

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02) Quanto tempo você acha necessário começar a comprar ingressos e reservar hospedagem?
O quanto antes. Os melhores hostels e os melhores preços de passagem são encontrados antecipadamente. Quanto mais você deixar em cima da hora, mais caro tende a pagar por um quarto ou por um trecho de avião/trem. Isso não impede de planejar uma viagem para daqui 20 dias. Rola, e procurando bem você pode encontrar bons preços e bons locais, mas daí é preciso também um pouco de sorte.

03) Quais são os melhores sites para descobrir os shows que estão rolando nos países?
Uso o Pollstar e a Last FM. O Pollstar é facílimo. Você pode buscar por artista (indo direto naquele que você quer realmente ver) ou por cidade – que recomendo muito mais. Você digita, por exemplo, New York, e o buscador lista as bandas que contenham a palavra New York (New York Dolls, por exemplo) e cidades. Clicando em New York você verá uma lista de páginas (no dia de hoje tinham 49) listando todos os shows que estão confirmados na cidade até o momento. A maioria linka para a empresa que vende os tickets. Fácil de manusear e altamente funcional.

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A Last FM tem vantagens e desvantagens. Uma das maiores vantagens é você conseguir listar um País inteiro. Clica-se em Eventos e, na página seguinte, altera-se a Localização para onde você quiser conferir a agenda. Você pode procurar, por exemplo, nos Estados Unidos inteiro, no Reino Unido e daí em diante. Ajuda a encontrar shows próximos, e isso é bastante interessante. A desvantagem é que nem todo o show ali presente está confirmado. Bom sempre confirmar no site do artista, mas é um bom start. Uma dica: trocando o número no final da barra de endereço você consegue se aproximar com mais rapidez de datas distantes.

Pollstar:  http://www.pollstar.com
Last.Fm: http://www.lastfm.com.br/events

E, claro, o próprio site e My Space das bandas.

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04) Quais são seus sites referência para transporte e hospedagem?

Voos

Skyscanner: http://www.skyscanner.com.br/ (ótimo comparador)
Easyjet: http://www.easyjet.com
Ryanair: http://www.ryanair.com/pt (leia com atenção o contrato)
Ibéria: http://www.iberia.com/

Trem
Rail Europe: http://www.raileurope.com.br/
Renfe: https://venta.renfe.com/
SNCF – França: http://www.sncf.com/
SNCB – Bélgica: http://www.b-rail.be/main/E/

Hospedagem

Hostel Word: http://www.hostelworld.com/
Homelidays: http://www.homelidays.com/
Easy Hotel: http://www.easyhotel.com/
Accor: http://www.accorhotels.com/ (Ibis e Novotel)
Formule 1: http://www.hotelformule1.com/

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Leia também:
– Quanto custa uma viagem para a Europa? Post sobre passagens, hospedagens, viagens internas, visto, seguro viagem e alimentação e outras dicas (leia aqui)
– Diário Europa 2008 (aqui), 2009 (aqui), 2010 (aqui) 2011 (aqui) e EUA 2011 (aqui)

abril 4, 2011   Encha o copo

Opinião do Consumidor: Bernard Dark

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Em 1991, três tchecos venceram o leilão de privatização de uma pequena cervejaria fundada no século 16, em Humpolec, uma cidadezinha de 10 mil habitantes na fronteira da Bélgica com a França. A Bernard estava falida, mas os novos donos apostaram e conseguiram conquistar os belgas a ponto de, dez anos depois, ganhar um aporte financeiro da Duvel Moortgat, que colocou a Bernard na prateleira de 26 países.

Como diferencial, a Bernard optou por trabalhar a cerveja microfiltrada ao contrário da pausterizada, bastante comum no grande mercado. Deste modo, as Bernard passam por processos de fermentação, que duram de 7 a 10 dias, e maturação em caves, que pode chegar a 40 dias. O catálogo da casa traz mais de dez rótulos, entre eles a Bernard Dark, uma cerveja escura elaborada com quatro tipos de malte.

A tampa de pressão é um luxo, e assim que aberta derrama no ar o aroma reconhecível de malte tostado das cervejas escuras. Há algo de doce no conjunto que a suaviza e a diferencia em relação a outras lagers escuras – principalmente as britânicas, mais amargas e encorpadas. O padrão adotado é o tcheco. Há bastante similaridade da Bernard Dark com outras tchecas escuras, como a 1795 Dark, por exemplo.

Além do malte tostado, o aroma traz algo de ameixa e de frutas cítricas sem sugerir complexidade. O paladar, desde o primeiro toque na língua, é levemente adocicado com amargor quase zero. O toque na garganta lembra algo de açúcar caramelado que consegue esconder o malte torrado (que está ali sugerindo café e chocolate amargo, sem tanta convicção). No final, há um rastro de café que persiste por um bom tempo.

Há uma leveza excessiva e uma falta de complexidade na Bernard Dark que acabam comprometendo o resultado final. Os referenciais estão todos no lugar, mas ela é tão leve que você pode achar que está bebendo um copo d’água borrado de café. Na falta da ótima 1795 Dark, os fãs podem até despistar com a Bernard, mas a diferença saltará da boca nos primeiros goles. Eis uma cerveja que, mesmo premiada, é apenas ok.

Teste de Qualidade: Bernard Dark
– Produto: cerveja lager
– Nacionalidade: República Tcheca
– Graduação alcoólica: 5,1%
– Nota: 3,09/5

Leia também:
– 1795 Dark, leve amargor que mantém o gosto no paladar (aqui)

março 31, 2011   Encha o copo

Quatro dias para as férias

Tudo praticamente pronto para a viagem aos Estados Unidos. Hotéis reservados e ingressos de shows comprados. Só falta, acredite, garantir o ingresso do Coachella. Quatro dias para as férias e sete para a viagem. Mas antes ainda tem show do National em São Paulo…

Ps. Não resisti e comprei os tickets para o show do Tame Impala com abertura do Yuck em San Francisco, o que já vai garantir uma certa dor de cabeça, afinal já tinhámos reservado hotel em Los Angeles para a segunda pós-Coachella, mas… melhor garantir o ingresso (que custou 30 dólares) e depois pensar se vai rolar ou não ir.

06/04 – São Paulo / Nova York
07/04 – Nova York
08/04 – Nova York (Aimee Mann)
09/04 – Nova York (Sebadoh)
10/04 – Nova York (Rush)
11/04 – Nova York
12/04 – Nova York / San Francisco
13/04 – San Francisco (Broken Social Scene)
14/04 – San Francisco (PJ Harvey)
15/04 – San Francisco/ Índio (Coachella)
16/04 – Índio (Coachella)
17/04 – Índio (Coachella)
18/04 – Los Angeles
19/04 – Los Angeles
20/04 – Los Angeles
21/04 – Los Angeles / Chicago
22/04 – Chicago (Arcade Fire + National)
23/04 – Chicago / Columbus (Decemberists)
24/04 – Columbus / Chicago / São Paulo

Outros shows possíveis
MEN, no Music Hall Of Williamsburg, 07/04 (New York)
Charlie Sheen no Radio City Music Hall, 10/04 (Nova York)
Queens of The Stone Age no Fox Theather, 11/04 (Oakland)
Lauryn Hill no Warfield Theatre, 12/04 (San Francisco)
Bright Eyes no Fox Theater, 12/04 (Oakland)
CSS, na Glass House, 18/04 (Pomona)
!!! (Chk Chk Chk) no The Independent, 18/04 (San Francisco)
Tame Impala e Yuck no The Fillmore, 18/04 (San Francisco)
The New Pornographers no The Regency Ballroom, 18/04 (SF)
Broken Social Scene no Hollywood Forever Cemetery, 18/04 (LA)
Lauryn Hill no Club Nokia, 18/04 (Los Angeles)
The Pains Of Being Pure At Heart no Great American Music, 19/04 (SF)
The Go! Team, no Echoplex, 19/04 (Los Angeles)
Paul Simon, Pantages Theatre, 20/04 (Los Angeles)
Low, no Lincoln Hall, 21/04 (Chicago)

março 29, 2011   Encha o copo

De Luis Buñuel para Erasmo Carlos

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Sai o surrealismo e entra a jovem guarda. Troca necessária neste momento. Em sua excelente biografia (recomendadíssima), o cineasta espanhol inspira a desordem, provoca o pensamento e instiga o caos social. Não há como ficar alheio ao mundo, e isso pode até enlouquecer (no mínimo garantir uma boa dor de estômago). Extremamente inspirador. E (deliciosamente) perigoso.

Por sua vez, em “Minha Fama de Mau”, Erasmo Carlos mostra toda a inocência dos primeiros anos do rock and roll. De mau Erasmo (e a jovem guarda) não tinha nada. Basta colocar lado a lado um filme de Buñuel de 1930 (“A Idade do Ouro”) e uma música de Erasmo e Roberto de 1963 (“Parei na Contramão”). 60 anos separam as duas obras, e quem era mau mesmo?

Erasmo narra um punhado de histórias inocentes de um garoto pobre do bairro da Tijuca. De causos de adolescência a histórias da jovem guarda (incluindo passagens de parcerias com Roberto até exemplos de sua rotina ao lado de um homem com toc), os capítulos surgem com um verniz de inocência que caracteriza (e muito) o período. Parecia não haver maldade. É tudo tão simples que, por vezes, soa simplório.

“Tocaram a campainha e fui atender. Tinha 17 anos e vivia com minha mãe – e os gatos, os periquitos e o cágado – no quarto alugado da rua Professor Gabizo. O tal casarão de beleza decadente, com seus azulejos coloniais e suas incontáveis pulgas. Na porta, estavam Trindade, Arlênio e um outro cara, que eles queriam me apresentar. O sujeito morava no bairro de Lins de Vasconcelos e se chamava Roberto Carlos. Ele fizera parte do Sputnicks e, com o fim do grupo, resolvera seguir em carreira solo. Já cantava boleros e sambas-canção em sua terra natal, Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo.

Gostei dele. Era simpático, usava topete e costeletas e vestia calça faroeste com uma jaqueta vermelha tipo James Dean. Conversamos bastante sobre rock, bebemos água da moringa de barro que eu tinha no quarto e comemos biscoito Aymoré. Num certo momento, a meu pedido, ele afinou o precário violão de cravelhas de pau que eu havia ganhado da minha avó Maria Luiza pouco tempo antes e cantou “Tutti Frutti” e “Don’t Be Cruel”. Arlênio e Trindade iniciaram um vocal que timidamente apoiei. Eu não tocava nem cantava, mas tinha a intenção de aprender. Foi demais!

O motivo daquela visita era saber se eu tinha a letra de “Hound Dog”, o grande hit de Elvis Presley que tocava adoidado nas rádios – Bill Halley ans His Comets viriam se apresentar em breve no Maracanãnzinho e o Clube do Rock, do qual Roberto fazia parte, iria fazer o pré-show. Ele queria aprender a canção e incluí-la no seu repertório.

Eu tinha a letra e prontamente o atendi, recorrendo aos meus arquivos musicais. Naquele mesmo instante ele começou a treinar o seu inglês capixaba enquanto levava sua batida com meu violão. Na saída, entre abraços e piadas sobre as pulgas, agradecido pela hospitalidade, ele disse a frase que mudaria minha vida:

‘Bicho, aparece lá na televisão.’”

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Erasmo com Tim Maia

Leia também:
– De Stanley Kubrick para Luis Buñuel (aqui)
– Luis Buñuel e uma estranha reunião de fantasmas (aqui)
– Luis Buñuel: o que aconteceu com o surrealismo? (aqui)
– Luis Buñuel: o bar é um exercício de solidão (aqui)

março 25, 2011   Encha o copo

A inesquecível Westvleteren 8

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Westvleteren é uma aldeia na província dos Flandres Ocidentais, na Bélgica. A cidade (quase na fronteira com a França) é conhecida por dar nome a uma cervejaria fundada em 1838 na abadia trapista de Saint Sixtus, que já foi apontada por especialistas como fabricante da melhor cerveja do mundo. O título que daria orgulho para muitas cervejarias não foi visto com bons olhos no monastério. “Nós fazemos a cerveja para viver, mas não vivemos para a cerveja”, avisou o coordenador do claustro, Mark Bode, em entrevista (imperdível) ao tablóide britânico The Independent.

“Os monges acreditam que o mais importante é a vida monástica, não a cervejaria”, continua Mark, lembrando que a produção de cerveja da Westvleteren visa apenas financiar a comunidade – assim como as outras cinco cervejarias trapistas belgas conduzidas por religiosos (a saber: Westmalle, Achel, Chimay, Rochefort e Orval). Eles levam a regra tão à sério que você não irá encontrar as Westvleteren para comprar em empórios ou distribuidores: desde 1941 ela é vendida unicamente no mosteiro, com cota máxima de cinco caixas de 24 garrafas para cada pessoa, e o cliente tem que prometer não vender a cerveja! Você sabe, Deus está vendo.

Essa número 8 da foto acima chegou a minhas mãos como um presente especialíssimo do Guilherme Tosi (@guilhermetosi), que visitou o mosteiro e comprou um pack de seis cervejas. A garrafa não traz rótulo, mas a tampinha leva o brasão da casa e exibe a validade – neste caso, maio de 2013 – além de avisar que você está diante de uma cerveja de 8% de graduação alcoólica. Eles ainda fabricam uma versão loura, de 5,8%, que é liberada para consumo dos próprios monges, e uma número 12 (de 12% de graduação alcoólica), a vedete da casa eleita a melhor do mundo pelo site independente norte-americano Rate Beer – para desespero da comunidade.

No caso da número 8, o aroma é seco e perfumado (maçã em destaque) com notas de cravo, ameixa e nozes – e algo que lembra muito a madeira (e conquista logo que a cerveja é derramada no copo). O sabor, maravilhoso, é encorpado, mas suave. O primeiro toque é adocicado, então um leve amargor se faz presente e ambos vão se revezando (de forma impressionante) sem que um prejudique o outro. Há algo de frutado (ameixa e cereja) e um adocicado que remete diretamente a açúcar mascavo (mas sem o melado). O malte torrado aparece discretamente ao lado do álcool, extremamente bem balanceado no conjunto de uma cerveja espetacular.

Não tem muito mais o que falar. É uma das melhores cervejas do mundo, ponto. Favorite o site do mosteiro (aqui) e leia, ainda, a entrevista rara que o monge Mark Bode concedeu ao The Independent (aqui). E coloque como meta um dia conhecer o lugar. Você não vai se arrepender.

Ps. Tosi, novamente, obrigado \o/
Ps 2. Nunca terminar uma cerveja deu tanta dor no coração.

– Westvleteren 8
– Produto: Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8%
– Nota: 5/5

março 23, 2011   Encha o copo

Tour virtual pelo Royal Albert Hall

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Eu e Tiago não resistimos e compramos os tickets para o show de Eric Clapton com Steve Winwood no mítico Royal Albert Hall, sala de concertos situada em South Kensington, Londres, inaugurado pela Rainha Vitória, em 1871. Ainda existem lugares de 65 libras (R$ 180), no tablado atrás da banda, mas fomos nos mais baratos, de 45 libras (R$ 120), que fica no círculo superior, no nosso caso à esquerda do palco, bem onde marquei esse ponto amarelo na imagem acima. Se você clicar na imagem poderá fazer um tour virtual de cair o queixo pela casa. Ou seja: não vamos ver só um puta show foda, mas o lugar, a atmosfera, a história, tudo. Abaixo o set-list do último show da dupla.

1. Had to Cry Today (Blind Faith)
2. Low Down  (J.J. Cale)
3. After Midnight  (J.J. Cale )
4. Presence of the Lord (Blind Faith )
5. Glad (Traffic )
6. Well, Alright
7. Tuff Luck
8. While You See A Chance
9. Key To The Highway
10. Midland Maniac
11. Crossroads (Robert Johnson )
12. Georgia
13. Driftin’ (acoustic)
14. How Long  (Leroy Carr) (acoustic)
15. Layla (Derek and the Dominos ) (acoustic)
16. Can’t Find My Way Home (Blind Faith )(acoustic)
17. Gimme Some Lovin’
18. Voodoo Chile (The Jimi Hendrix Experience )
19. Cocaine (J.J. Cale )
20. Dear Mr. Fantasy (Traffic )

março 23, 2011   Encha o copo