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St. Mark’s Place, Little Italy e Tribeca

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A ideia para a segunda era ir às compras (na BH e na Apple), mas o dia que começou nublado logo foi se transformando em ensolarado, o que animou uma extensa caminhada pelo East Village, ali pela região que viu nascer, crescer e pogar o punk rock novaiorquino. Uma caminhada pela St. Mark’s Place, uma entrada na lojinha do Bill (que o Thiago Pereira tinha comentado neste texto aqui), o olhar por lugares que abrigaram desde a capa do álbum “Physical Graffiti”, do Led Zeppelin, ao primeiro do New York Dolls além de boa parte das histórias do livro “Mate-Me Por Favor”.

Na sequencia, descendo a Bowery, fica bastante perceptível como Chinatown está engolindo Little Italy. O pequeno grupo de imigrantes italianos aparece no mapa, mas nas ruas só se vê comércio oriental. Até mesmo na Mulberry Street, um pedaço da Itália dentro de Nova York, vê-se orientais vendendo, segundo o cartaz, o mais original gelato italiano que você irá experimentar longe do país da bota. Mesmo assim, um passeio pela Mulberry é essencial. Cantinas e pizzarias se amontoam com boas chances de boa comida.

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A escolhida para o almoço foi a Lombardi’s, que segundo o guia é responsável por uma das pizzas da cidade. O pedido – meia marguerita, meia pepperoni com queijo pecorino acompanhadas de Brooklyn Lager da torneira – vem caprichado e é aprovado. Lombardi, filho do dono, está gravando o que parece ser um comercial, e grandes câmeras circulam pelo local. Ele parece ser uma persona conhecida aqui. Na foto sobre nossa mesa ele posa em meio a um quinteto formado pelo elenco de “Goodfellas” (Ray Liotta, Joe Pesci, Robert De Niro e Martin Scorsese).

A visita à loja BH não rende nenhuma compra. A encomenda da Lili está em falta, e eu namoro, namoro e namoro um modelo atualíssimo (e muito melhorado) da minha câmera, mas desisto na hora de subir ao altar. O preço estava ótimo (com taxas deveria morrer uns 500 dólares), mas economizar é preciso, e deixo o templo do consumismo eletrônico em Nova York com as mãos abanando. Ninguém cai no ringue de patinação do Rockfeller Center (a pista estava derretendo frente ao sol da tarde), mas algumas quadras acima esbarro sem querer no Soup “Nazi” Man (ele tem até site), o que já fez valer o dia (embora eu não tenha provado nenhuma sopa – risos).

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A noite chega, e a parte Nova York da viagem precisa de uma despedida. O local escolhido é o Tribeca Grill, de De Niro. São quase 23h de uma segunda-feira, e o local já está fechando as portas. Decidimos ir a uma taverna, e entramos em uma qualquer que surge no caminho atrás de um bom hambúrguer e de uma boa cerveja. O resultado: descubro que a minha amada Duvel agora têm uma versão Green deliciosa (e menos violenta que a tradicional) e encerramos a noite com uma Chimay Grand Reserve que nos faz rir à toa (de tudo e todos).

Na manhã seguinte parto dormindo para o JFK para pegar o voo em direção a San Francisco. Esqueço a mochila em um dos transfers, e retorno para pega-la segundos antes da policial acionar o esquadrão anti-bombas. Ela sorri aliviada ao perceber que a mochila era minha, e parto em direção ao check-in tentando lembrar como a esqueci em um banco do metrô. Na fila do check-in, o aviso: o voo das 7h30 foi cancelado e vamos ser realocados em outro que faz escala em Las Vegas. “Vocês vão ter que esperar um tempo por lá, mas não se preocupe: o aeroporto de Vegas tem vários jogos para vocês passarem o tempo”, brinca a atendente.

Se é assim, bye bye Nova York. Vegas, lá vamos nós!

Mike Tyson que se cuide!

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abril 12, 2011   Encha o copo

No Soup For You

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abril 11, 2011   Encha o copo

Domingo, Guggenheim e Rush

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O sol do sábado foi um dose engano de começo de primavera. No domingo, lá estava o céu cinza novamente, mas sem tanto vento, o que de certa forma não fez com que o frio assustasse como nos primeiros dias. Café de manhã (francês) no hotel e bora para a rua. Primeiro destino, Museu Guggenheim, o prédio fantástico de Frank Llyod Wright que fica na quinta avenida de frente para o Central Park e que abriga uma coleção de arrancar lágrimas dos olhos.

O prédio em espiral é uma obra de arte, com os quadros sendo expostos nos corredores do segundo ao sexto andar (vale a dica:comece a ver a exposição de cima para baixo: seu joelho agradecerá). Diz a lenda que quando reclamaram com Wright sobre a altura das paredes, ele teria dito: “Tirem as pinturas”, num claro exercício de egocentrismo consciente. Wright sabia que tinha desenhado uma maravilha do mundo moderno. Porém, talves não soubesse quantas maravilhas seu prédio iria abrigar.

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Se fosse para falar sobre tudo que anotei eu ficaria horas contando de Gauguin, Picasso, Degas, Braque, Monet, Manet, Modigliani, Matisse, Gris, Malevich, Duchamp, Chagall e Cezanne, todos expostos nos corredores do museu (para desespero da alma: como decifrar tanto sentimento ao mesmo tempo?), mas melhor se concentrar em Kandisky (há váááárias obras dele na casa, mas as que me emocionaram foram duas: “Black Lines” e “Blue Mountain), Delaunay (há quatro quadro dele de tirar o fôlego) e Van Gogh.

Van Gogh estava se recuperando de uma crise de distúrbio mental quando pintou “Montanhas em San Remy”, em 1889, um ano antes de seu suicídio. O pintor observava as montanhas do hospital em que se tratava, e há algo em “Montanhas em San Remy” que me lembrou muito o clássico “A Noite Estrelada”. Mais do que a lembrança, porém, uma angústia, uma dor no peito, algo dificil de explicar. Outro quadro de Van Gogh, “Landscape if Snow”, também se destaca no Guggenheim, Para ver e não esquecer.

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Com o coração leve, nada melhor que uma caminhada no Central Park para espairecer as ideias. O parque carrega as marcas do inverno rigoroso passado com todas as árvores totalmente desfolhadas, mas algumas flores aqui e ali anunciam a primavera (embora o céu cinza e o frio insistam em dizer o contrário). Patrimônio público novaiorquino, o parque projetado em 1858 é tomado por pessoas de todas as idades. Não deixa de ser curioso, por exemplo, um senhor que chega de terno e gravata, bengala em punho e começa uma série de exercícios (veja os passos 1, 2 e 3) preparando-se para correr.

O próprio Central Park abriga o maior museu da cidade, o Metropolitan, mas dois grandes museus no mesmo dia é tarefa hercúlea. Aprovamos o Jumbo Hot-Dog da frente da escadaria do Met e partimos para um museu menor e mais aconchegante, sete quadras antes. Erguido na mansão do milionário industrial Henry Clay Frick, a Frick Collection exibe uma bonita coleção que destaca Vermeer (são três quadros, o mais interessante: “Mister and Maid”), Renoir (“Mother and Children”), muitos retratos pintados por Goya e um belíssimo Monet (“Vetheuil in Winter”).

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O cavalo de batalha da casa é um extensão coleção de gravuras de Rembrandt além de alguns daqueles retratos escuros do pintor neerlandês, mas o que realmente chama a minha atenção são cinco inspirados quadros de Turner, dois deles um em frente ao outro na sala mais impressionante da casa (dividindo espaço com Veronese, Ticiano e Velazquez): “The Harbor of Dieppe” e “Cologne: The Arrival of a Packet-Boat: Evening” – além de “Antwerp: Van Goyen Looking Out for a Subject”. Um museu não obrigatório, mas agradável.

Próxima parada: Madison Square Garden: aproximadamente 20 mil pessoas (18 mil, rushmaniacos) se amontoam organizadamente atrás de seus lugares para ver o trio canadense apresentar o repertório da turnê “Time Machine”. Uns sete ou oito tipos de cerveja podem ser encontrados no corredores da casa, que ainda vende pipoca, amendoim, uísque, tequila, vodka e outros destilados venenosos. Encontro meu lugar. Meu vizinho, Michael, que pesa uns 150 quilos, se desculpa: “Geralmente eu compro três lugares, o meu e os dois ao lado, para não atrapalhar, mas desta vez não rolou”, diz ele, que se impressiona com o fato de ser o meu primeiro show do Rush. “Já vi 14 vezes”, vangloria-se.

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Uma historinha chamada “Rash” em um vídeo de altíssima qualidade traz a banda para o palco, e eles atacam dois hinos de cara: “The Spirit of Radio” e “Time Stand Still” (com a voz de Aimee Mann no refrão disparada via teclado). O primeiro set reúne uma faixa inédita, aqueles números instrumentais que os fãs amam (e que exibem a qualidade musical do trio, mas enchem o saco) e mais alguns clássicos tocados com garra: “Freewill” e “Subdivisions”, que encerra o primeiro set dando uma pausa para que o público se abasteça de pipoca, cerveja e destilados.

O segundo set começa com três clássicos (“Tom Sawyer”, “Red Barchetta” e “YYZ”). A banda não se intimida frente ao público, e improvisa, e se diverte. O trabalho de edição de câmeras é de fazer o queixo cair e a apresentação segue noite adentro com direito a solos de bateria e outros clássicos do quilate de “Closer To The Heart”, “2112 Part I: Overture” e “2112 Part II: The Temples Of Syrinx” num set list para fã nenhum colocar defeito: 26 músicas (ok, bem que poderia ter rolado “The Trees”, mas tudo bem). Um show de profissionalismo.

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A parte Nova York da viagem está chegando ao fim. A empolgação inicial baixou, mas a cidade continua apaixonante. Chega a incomodar o nacionalismo enfiado goela abaixo. Na frente do Square Garden, em um trecho de 200 metros, é possível ver 17 enormes bandeiras dos Estados Unidos quase que uma lado da outra. Há ratos nos metrôs (vi mais ratos caminhando nos trilhos aqui do que nos últimos 20 anos no Brasil) e um cuidado com o outro que impressiona (parisienses deveriam fazer um curso de como relacionar-se com outras pessoas aqui).

Nova York, uma cidade para se apaixonar. E olha que vão ficar faltando vários lugares para se visitar (e se apaixonar mais ainda), mas Nova York entra naquele grupo de cidades que você não deve ir apenas uma vez na vida. Desta forma, a coleção do Metropolian, os pontos punks (embora eu vá tentar esticar até a St Marks Place nesta segunda), as casas noturnas do Harlem (Apollo, Cotton) e muitas outras coisas ficam para uma próxima visita. Big Apple, me aguarde.

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abril 11, 2011   Encha o copo

Sábado, Brooklyn e Sebadoh

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E o sol saiu, finalmente. Dia claro, lindo, decidimos continuar no tour turístico e esticar até South Ferry, para dar um passeio pelo Hudson e ver aquela mina que segura uma tocha nas mãos. Porém, não rolou. As visitas à Estátua da Liberdade precisam ser agendadas antes e a próxima data livre é só em agosto. Nada de lágrimas, afinal é só uma mina com uma tocha na mão. O tour continuou pela área que, um dia, abrigou o World Trade Center e seguiu por Wall Street, de cabo a rabo.

Ok, pontos turísticos recheados de ligações (juro que fiquei procurando um prédio em Wall Street que se parecesse com o edifício návio de “The Crimson Permanent Assurance”, da abertura de “O Sentido da Vida”, do Monty Python), mas dispensáveis (há um guia bacana chamado “Nova York: Not For Turists”, procure). O dia começou mesmo após uma caminhada pela belíssima Brooklyn Bridge (com direito a noivos e tudo mais) e, finalmente, uma visita ao distrito de mesmo nome, que apadrinha uma cervejaria.

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E não é qualquer cervejaria. A Brooklyn Brewery levanta o estandarte das cervejarias indies que lutam contra o império american lager da Ambev/Inbev. Como? Fazendo uma cerveja extremamente personal, saborosa e viciante. A fábrica fica no bairro de Williamsburgh, no Brooklyn, e abre suas portas para a visita do público às sextas, sábados e domingos, sendo que os dois últimos contam com um tour pela casa. Há, ainda, um boliche que merece uma visita.

O tour é concorridíssimo e extremamente low profile. A fila se forma a partir das 13h na rua da cervejaria e os interessados entram no bar improvisado da casa com direito a experimentar oito cervejas diretas do barril. Cada copo de cerveja de 500 ml custa 4 dólares, mas por 20 dolares você tem direito a seis cervejas. Se bater uma fome, as pizzarias da região fazem entregas no local. Ou seja, é melhor ir devagar. A pergunta que não quer se calar é: como?

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Das oito cervejas disponíveis em torneira (as edições especiais e sazonais Local 1, Local 2 e Black Ops podiam ser compradas engarrafadas) optei por experimentar as que não conhecia, abrindo o dia com a mais forte da tarde, a excepcional Blast, uma pale ale leve, cheirosa e com a marca da Brooklyn (um toque de melado que marca todas as cervejas da casa), Na seqüência, arrisquei uma Pennent Ale, maltada e enfraquecida pela força da anterior. Pra fechar a sessão uma Weisen encorpada e deliciosa. Apropriadíssima.

E o tour, questiona o leitor. Bem, o tour da Brooklyn é improvisado numa sala ao lado do boteco improvisado da casa (e esses improvisos dão o tom de despretensão da cervejaria). Um dos caras que serviam o chopp no outro lado é quem comanda o bate papo contando histórias impagáveis da cervejaria. Como, por exemplo, a da criação do logo, assinado pelo mesmo cara que fez o logo “I Love Nova York”.

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Consta que os donos da cervejaria queriam um logo que a aproximasse da cidade, e procuraram o cara que fez o “I Love Nova York” oferecendo 20 mil dólares pelo trabalho. O rapaz, esperto, aceitou o trabalho, mas não a grana. Pediu seu pagamento em um estoque vitalicio de Brooklyn na sua casa. Gênio. São quase meia hora em de bons causos cervejeiros que fazem quem já gostava da cerveja admirar ainda mais a cervejaria. Não tem como sair dali sem uma camiseta.

Alias, cabe aqui uma dica importantíssima. Metros antes da cervejaria há uma loja de discos excelente, a Sound Fix, comandada pelo James, que oferece CDs e vinis, novos e usados a bons preços. Tente passar na loja antes de ir pra cervejaria. Imagine-se bêbado e feliz com um monte de CDs fodas e raros na sua frente. Acontece. Aliás, aconteceu comigo e com o Renato, que deixamos uma boa grana no lugar (mas valeu a pena: peguei três CDs duplos e um triplo fodas).

Da Brooklyn Brewery, bêbados, partimos para o Bowery Ballroom, conferir o Sebadoh ao vivo. O bar do local carrega um climão barra pesada, mas as cervejas são boas (experimente a Sierra Nevada Pale Ale, ótima) e o local do show (que anteriormente abrigava um teatro de vaudeville) é perfeito para abrigar uma banda indie que tem fãs fieis, mas nunca virou mega a ponto do show não caber num lugar assim (falta um local com essa estrutura e tamanho em São Paulo).

De cara chama a atenção a qualidade do som do lugar. Assim que Lou Barlow ataca os primeiros acordes é possível ouvir com clareza absurda todos os detalhes. O show comemora o relançamento dos álbuns “Bakesale” (1994) e “Harmacy” (1996) e o repertório não economiza. De “Too Pure” a “Ocean”, de “On Fire” e “Skull” a “Magnet’s Coil” e “Rebund”. Loewenstein se alterna com Barlow no baixo/guitarra enquanto Bob D’Amico mantém a batida acelerada em um show com a adrenalina fervendo no ponto máximo. Foda.

abril 11, 2011   Encha o copo

Top 10 de cervejas da viagem

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Três Quatro dias de viagem, sete dez cervejas diferentes. Nada mal, ainda mais se levarmos em conta que três delas foram Brooklyns bebidas direto da fonte, no bar da cervejaria, claro, no Brooklyn. Já aviso antecipadamente: vai ser difícil derrubar a Blast do número 1 da viagem… simplesmente maravilhosa!

01) 4,89/5 – Brooklyn Blast, EUA – 9%
02) 4,63/5 – Brooklyn Summer Ale, EUA – 5%
03) 4,62/5 – Brooklyner Weisse , EUA – 5%
04) 4,11/5 – Guiness Extra Stout, Irlanda – 6%
05) 3,94/5 – Sierra Nevada Pale Ale, EUA – 5,6%
06) 3,90/5 – Brooklyn Pennat Ale, EUA – 5%
07) 3,71/5 – Blue Moon Belgian White, EUA – 5,4%
08 ) 2,52/5 – Samuel Adams Noble Pills, EUA – 4,9%
09) 2,42/5 – Bass Pale Ale, EUA – 5%
10) 1,95/5 – Bud Light Lemon, EUA – 4,2%

abril 10, 2011   Encha o copo

Tourist Day, Number 1

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Não teve como: o primeiro dia cheio em Nova York foi basicamente de turista. De uma passagem pela frente do decadente e histórico Chelsea Hotel (“I remember you well in the Chelsea Hotel”, declama Leonard Cohen em uma das várias placas de personalidades que moraram ali) até subida ao observatório do Empire State Building e um momento Tom Hanks na FAO Schwarz, após uma longa caminhada na garoa pela quinta avenida. Não faltou nem café do Starbucks (para espantar o frio) e uma entradinha rápida na loja da Apple para babar nos lançamentos.

Organizando o caos. A vista de Nova York do 86º andar do Empire State Building é incrível. Mesmo. Não rolou muita fila e foi tudo tranquilo – excetuando o fato de que se estava frio na rua, imagina 300 e tantos metros acima. Deu para ter uma boa ideia da cidade, e admira-la. No meio do momento de observação, a segurança do lugar aparece e fecha uma das laterais do local para que Michael J. Fox apresente a vista da cidade para a filha Esme e conceda uma entrevista exclusiva ao E! Entertainmentt sobre sua Fundação para Pesquisa do Parkinson.

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Dali para o almoço em um tradicional fast-food da cidade (o Wendys, que substituiu um pub que não conseguimos encontrar na região), a segunda cerveja da viagem (uma descartável Budweiser Light Lemon, de 4,2% de graduação alcoólica, mas muito sabor de essência de limão, que prejudica o conjunto), passagem rápida pela Times Square e uma caminhada pela quinta avenida (passando ao lado do Rockefeller Center, dos estúdios da NBC e do Rádio City Music Hall, o último com apresentação badalada de Charlie Sheen como comediante no programa.

Chegamos até o começo do Central Park, onde fica a loja da Apple e a FAO Schwarz, paraíso de brinquedos para crianças eternizado no filme “Quero Ser Grande” (1988), com Tom Hanks. Para fechar o dia, jantar em um restaurante italiano bem bom no Village, acompanhado de um chopp Brooklyn sensacional. Hoje, aliás, será dia de conhecer a cervejaria. E também de Sebadoh no Bowery Ballroom. A viagem está apenas começando…

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Mais fotos: http://www.flickr.com/photos/maccosta

abril 9, 2011   Encha o copo

Aprendendo com Aimee Mann

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Fotos: Marcelo Costa

Dois anos atrás, na Bélgica, eu e Lili descemos em Bruxelas para pegar um trem para Leuven, cidade que abriga o badalado festival Rock Werchter. Um casal amigo nos aguardava na estação de trem, mas quem diz que chegamos: pegamos o trem errado para Louvain e fomos parar em Otigani, quase Holanda. O cobrador, belga, apenas tentava explicar – em um inglês tão bom quanto o meu: “Leuven and Louvain: same name, but different”.

Lembrei dessa história porque eu e Renato levamos um baile do trem de New Jersey antes do show de Aimee Mann em Metuchen, uma cidadezinha de 13 mil habitantes a 50 minutos de Nova York. Procuramos no Google Maps a melhor forma de chegar ao Forum Theatre, local do show, e descobrimos que a melhor maneira era pegar o trem da Northeast Corridor em direção a Trentron, e descer em Metuchen. Mas não descemos…

Pegamos um trem que pulava dezenas das cidadezinhas da região (Metuchen inclusa) e terminava em Trenton. Descemos no ponto final e só então caiu a ficha. Estávamos em cima da hora, mas não havia muito o que fazer além de esperar o próximo trem e voltar para Metuchen torcendo para não perder muito do show. O próximo trem veio, descemos na cidadezinha e pegamos a única grande avenida da cidade em direção ao fórum. Quantos minutos perdemos: “Uns 20”, respondeu o caixa.

20 minutos = a três músicas, segundo o set list. Quando entramos no simpático, meio decadente e aconchegante Forum Theather, Aimee começava a explicar a letra de “Going Through the Motions” (do ótimo “The Forgotten Arm”, 2005). A canção veio acompanhada de piano e baixo, além do violão e um chimbau de bateria para marcar o tempo (os dois últimos tocados por Aimee). Totalmente low profile, Aimee desfilou suas canções desoladoras entre piadas e muitos aplausos.

“Odeio quando vou a um show e o artista diz que vai tocar uma música nova… mas é isso que vou fazer agora”, desculpa-se ela no meio da apresentação (sendo aplaudida efusivamente pelos presentes) e apresenta “Charmer”, boa faixa que deve estar em seu próximo álbum. “Todays The Day” e “Guys Like Me” (duas do belissimo “Lost in Space”, de 2002) surgem em versões respeitáveis (apesar da economia do formato), mas o show ganha corpo quando Aimee anuncia que fará um set de canções da trilha do filme “Magnolia”, de Paul Thomas Anderson.

“Nothing Is Good Enough” e “Save Me” surgem belas, tocantes, mas menores que a versão em disco, talvez pela sonoridade sem personalidade da bateria eletrônica (impossível que Aimee não tenha um baterista e um guitarrista, este último fez muita falta em “Freeway” e na parte final de “Save Me”). “One”, cover de Harry Nilsson do tempo em que Aimee cantava no Til Tuesday, encerra a noite de forma vigorosa.

O público aplaude efusivamente, e ela volta para o bis se surpreendendo: “Que bonitinho, vocês estão todos de pé”. Toca mais três músicas e, no meio de uma delas, ouve alguém gritar: “Você é especial”. Ela agradece e emenda: “Eu sei”, para risos gerais do teatro. O show, no entanto, não foi especial. O repertório foi bom, ela canta e conduz bem o violão (e o chimbau), mas a formação diminuta da banda não esteve a altura de suas canções. Valeu a pena (o aprendizado das linhas de trem incluso), mas ficou um gostinho de que podia ser melhor.

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abril 9, 2011   Encha o copo

Cenas de Nova York

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– A indústria da música está na lama quando você descobre que as megastores de CDs da cidade fecharam. Passei rapidamente em uma Barnes & Noble e me apaixonei por um box de quatro DVDs do Woodstook que estava saindo US$ 40 e outro de Willie Dixon com dois CDs por US$ 20. Espero encontrá-los em San Francisco ou Los Angeles.

– Achei um sebo numa travessa da Broadway, mas é tanta coisa que só de imaginar fuçar cansa. Não sei como Robert Crumb aguenta.

– A boa ação do dia: pouco antes de uma esquina da sexta avenida, uma senhorinha de cabelo grisalho pediu para que eu a ajudasse a atravessar a rua. Ela enganchou em meu braço e fez o trajeto vagarosamente e agradecendo muito. Despediu-se com um “God bless you”.

– Visitei a megastore de eletrônicos BH, na nona avenida. O que mais me chamou a atenção no local não foram os eletrônicos, mas o fato de 90% da loja ser atendida por judeus com quipás, longas barbas e longos fios de cabelo escorrendo sobre as orelhas. Mas claro que olhei os eletrônicos. Olhei umas coisas pra Lili e estou pensando seriamente em comprar um modelo novo da minha digital ou então uma compacta. Essa ou essa. Dúvida.

– Numa pizzaria em frente a Times Square, um casal de brasileiros reclama do atendimento: “A gente pede guardanapo e eles não dão. Mas enchem a gente de catchup”.

– A pizzaria está lotada e um senhor (cheio de anéis, com capa e voz grave), que deve ter feito parte dos Panteras Negras, pergunta se pode sentar comigo. Ele senta, questiona de onde sou e acena positivamente quando respondo Brasil. Come silenciosamente sua macarronada e quando termina, agradece efusivamente deixando um forte aperto de mão.

abril 8, 2011   Encha o copo

A overdose de informação

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Sabe a decadência estilosa a que me referi no post anterior: esqueça. Passei o dia caminhando, caminhando e caminhando, e lá para o lado da Quinta Avenida e da Times Square não dá adjetivar decadência (muito menos estilosa). A região toda é uma overdose interessante de informação que transforma todas as pessoas em pequenos insetos em um mundo dominando por prédios gigantescos e telas enormes. Ou seja, como uma boa megalópole, Nova York tem várias caras.

Comprei o ticket de uma semana do metrô (29 doletas) para tentar entender como funciona a linha. Fiz umas cinco viagens daqui pra lá e de lá pra acolá e, claro, entendi algumas coisas, mas tudo ainda parece confuso demais. O lance mesmo é botar o pé na calçada e camelar, camelar, camelar. Mas haja joelho. Só a caminhada de hoje foi mais do que andei nos cinco meses anteriores do ano no Brasil.

Rodei bastante sem direção apenas respirando a cidade. Desci a Broadway quase inteira, passei por Chinatown (repleta de orientais) e voltei à noite para o hotel, em Meatpacking, que segundo dicas do Rodrigo James, “fica no oeste da ilha, à beira do Hudson, com vista para New Jersey. É uma região que, como o próprio nome diz, foi revitalizada a partir de antigos galpões frigoríficos. Hoje concentra algumas das lojas mais caras e restaurantes mais badalados da cidade”.

Para um primeiro dia (e contando que dormi quase nada no voo de vinda) até que fiz bastante. E me surpreendi muito com a cidade. Desde sua beleza até sua simpatia, com pessoas puxando conversa, pedindo informações (consegui explicar para uma garota, provavelmente inglesa, onde ficava a sexta avenida – duas antes da oitava – mas falhei numa segunda tentativa), parando o carro para o pedestre passar. Não sei, mas eu tinha uma expectativa mais densa de Nova York. Vá saber.

Fato é que adorei a cidade (apesar do frio: você já sentiu a sua mão queimada pelo vento? Mais ou menos isso), adorei a quantidade de bistros da região, adorei a coragem das meninas de usar saia num frio desses, adorei reconhecer dezenas de prédios que foram me apresentados pelo cinema e pela música (Gaslight e o Village Vanguard ficam aqui do lado do hotel), sobretudo adorei a atmosfera da cidade. E é só primeiro dia.

Amanhã tem Aimee Mann…

abril 7, 2011   Encha o copo

New York, da 32 até a 14

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O voo de Washington para Nova York foi em um jatinho bem estiloso da United para umas 40 pessoas. Uma pessoa numa janela, então corredor e mais duas pessoas. Speed (não sei se era o nome do cara, mas foi o que entendi – e foi bem apropriado), o empolgado comissário de bordo, massacrou o meu inglês claudicante falando muito rápido e fazendo muitas piadas. O tempo do voo, de apenas 40 minutos, passou voando.

Desci em Newark, o aeroporto em New Jersey, disposto a não pegar shuttle para chegar ao hotel. Queria fazer o trajeto de trem para logo entrar no clima da viagem, e também enrolar um tempo, já que o check-in estava marcado para às 15h. Peguei o trem para New York Pell Station e desci cinco minutos depois em Newark Pell Station. Errado. Não tinha nem saído de New Jersey ainda. Perdi 5 dólares na brincadeira, mas acertei na segunda tentativa.

O certo, em Nova York, seria pegar uma das linhas de metrô na New York Pensilvania Station, na 32 Street, e descer na 14 Street com a Oitava Avenida. Desencanei e fiz o caminho a pé aproveitando que as mochilas ainda não estão pesadas. A caminhada me aqueceu do frio e permitiu algumas observações de primeira vista: caminhei da Nova York de Scorsese até a Nova York de Woody Allen. É tudo tão… característico, tão reconhecível.

Primeiras impressões: há uma legião de clones do Snoop Dogg falando o “cantadinho” novaiorquino (“ôôô maaaannnnn”). Impressiona a quantidade de idosos pela cidade. No geral, há uma aura de decadência estilosa – ao menos nos 14 quarteirões que andei – que, aliada ao silêncio do trânsito e reforçada pela multidão de fast-foods e carrinhos de hot dogs (que já viveram dias melhores), chama a atenção.

O frio é cortante. Minhas mãos estão doloridas pelo vento. Já já parto atrás de blusa, cachecol e agasalho. Gringo sofre (Marco Tomazzoni sabe). Se ao meio dia parece que o mundo vai congelar, imagina às 22h quando eu estiver deixando algum show. Melhor se preparar. O check-in está feito (o quarto do The Jane é minúsculo, mas bastante aconchegante – dica bacana do Paulo Terron) e agora é hora de ir pra rua.

É bom lembrar: tudo primeira impressão. O que realmente importa: gostei de estar aqui (uma grande notícia para quem passou um bom tempo relutando os EUA e essa viagem). Talvez seja o livro do Paul Auster, “A Invenção da Solidão”, que me acompanhou neste primeiro trajeto, o culpado por um olhar mais… delicado? cuidadoso? paciente? Não sei, e não vou tentar descobrir. Estar aqui por enquanto basta.

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abril 7, 2011   Encha o copo