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Quatro cervejas do Mestre das Poções

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O Mestre das Poções é uma cervejaria artesanal de Araras, no interior paulista, que produz cervejas seguindo a orientação das fases lunares, que define o comportamento de cada poção. “Procuramos fazer nossas cervejas durante eventos astronômicos específicos”, explica o site oficial, e a produção fica entre 60 e 120 litros, resultando em um número de 100 até 200 garrafas (todas numeradas). Há ainda um interessante guia em cada um dos rótulos (tudo explicado aqui), que amplifica a busca da cervejaria pelo modo artesanal de se produzir cerveja: eles não só valorizar um modo humanista de se preparar uma bebida, mas também de viver.

Segundo o site oficial, a Poção da Lua Nova foi a versão mais desafiadora para o Mestre das Poções. “A influência da Lua Nova é traiçoeira e cruel, é necessária muita atenção e cuidado no processo alquímico”, explica. Produzida em 2011 (garrafa 51 de um lote de 106), essa poção é uma cerveja escura que lembre levemente uma stout, mas está mais para uma bock encorpada: aroma de malte torrado remetendo a café e chocolate, mas leveza no paladar com o lúpulo marcando a garganta de forma interessante. Final tostado e bem suave. É, nas palavras do mestre, uma cerveja de “iluminação pessoal e liberdade de expressão”. Beba umas três dela pra você ver.

A Poção de Cura, por sua vez, teve que ser retirada do cardápio da cervejaria após uma reportagem do Fantástico que apontava produtos que prometiam um bem, sem cumpri-lo. “Em nenhum momento foi prometido efeitos medicinais”, explica texto no site oficial. Ainda assim, a cervejaria optou por alterar o nome da cerveja, que passou a se chamar Poção da Lua de Mel. A minha garrafa, no entanto, é pré-reportagem, número 105 de um lote de 220 fermentado na lua crescente. O malte de caramelo marca o aroma com bastante simplicidade. O paladar, também simples, é mais adocicado e até um pouco aguado. Lembra uma Pilsen Premium, um tiquinho mais caprichada (natural).

Terceiro rótulo do Mestre das Poções, a Poção de Trigo da Lua Cheia (garrafa 73 de um lote de 97 fermentado na lua cheia) segue o caminho proposto pela Bodebrown Hop Weiss, uma mistura de malte de cevada com malte de trigo que elimina a característica tradicional de uma weiss deixando-a mais encorpada, translucida e caramelada. “Consideramos uma ale com trigo”, explica um texto no site. O aroma é interessante: floral, com algumas notas de caramelo e uma sugestão de anis. O paladar não entrega o que o aroma promete, pendendo para um leve amargor que remete a cravo e biscoito. Ainda assim, o final é interessante.

Para fechar, a Poção do Rubor da Menina (garrafa 102 de um lote de 108 fermentado na lua minguante). “É surpreendente encontrar aromas doces e sedutores”, avisa o site oficial, referindo-se as especiarias que aproximam o conjunto da escola red ale. Ainda assim, o aroma é suave, com leve sugestão de malte, figo e pão. O paladar é picante, com as especiarias mostrando serviço ao lado do malte de caramelo, da boa presença de lúpulo, notas de frutas vermelhas e, também, de álcool, bem inserido no contexto. Com graduação alcoólica de 5% a 7%, a Poção do Rubor da Menina é um dos destaques da cervejaria. O final é terroso e interessante.

Além das cervejas, o Mestre das Poções também produz Hidromel, uma bebida alcoólica fermentada à base de mel e água. Os rótulos da cervejaria ainda não estão disponíveis no mercado, mas é possível fazer pedidos pelo site oficial (aqui). As quatro acima foram compradas no Beer Experience I, em São Paulo, ao preço de R$ 15 cada garrafa de 600 ml. São cervejas boas e interessantes pelo contexto que proporcionam (ainda mais se você curtir a ideia toda). Nenhuma delas irá proporcionar um eclipse (ok, depende do quanto você beber) nem trazer a pessoa amada, mas são boas companheiras para beber lendo o horóscopo ou admirando o por-do-sol.

Poção da Lua Nova
– Produto: Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: entre 5% e 7%
– Nota: 3,02/5

Poção de Cura
– Produto: American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: entre 4% e 5%
– Nota: 2,85/5

Poção de Trigo da Lua Cheia
– Produto: Hop Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: entre 5% e 7%
– Nota: 3,05/5

Poção do Rubor da Menina
– Produto: Red Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: entre 5% e 7%
– Nota: 3,08/5

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Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

fevereiro 21, 2012   Encha o copo

Europa 2012: 2º rascunho de viagem

A viagem começa a tomar forma, mas dai começam a pintar uns shows interessantes, com Brendan Benson dois dias antes de Elvis Costello em Londres, ou esse do Soundgarden com Afghan Whigs e The Gaslight Anthem em Milão na segunda pós-Primavera. Por enquanto, o confirmado é isso:

24/05 – Londres – Elvis Costello (Royal Albert Hall)
25/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
26/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
27/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
28/05 –
29/05 –
30/05 – Barcelona – Primavera Sound
31/05 – Barcelona – Primavera Sound
01/06 – Barcelona – Primavera Sound
02/06 – Barcelona – Primavera Sound
03/06 – Barcelona – Primavera Sound
04/06 –
05/06 – Luxemburgo
06/06 – Lou Reed, Luxemburgo
07/06 – Cork, Irlanda
08/06 – Tom Petty, Cork, Irlanda
09/06 – Trieste, Itália
10/06 – Trieste, Itália
11/06 – Bruce Springsteen, Trieste, Itália

Datas possíveis
22/05 – Brendan Benson, Scala, Londres
23/05 – Brendan Benson, Ruby Lounge, Manchester
28/05 – Big Star Plays Third – Londres
28/05 – Bruce Springsteen – Pinkpop – Holanda
28/05 – Soundgarden – Rockhal – Holanda
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris – Le Zenith
04/06 – Soundgarden e Afghan Whigs, Milão, Itália
10/06 – Black Sabbath – Download Festival – Reino UNido

fevereiro 16, 2012   Encha o copo

1º capítulo: A Visita Cruel do Tempo

Leia também:
– Gabriel Innocentini escreve sobre “A Visita Cruel do Tempo” (aqui)

fevereiro 14, 2012   Encha o copo

Cinco fotos: Roma

Clique na imagem se quiser vê-la maior

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A luz no Pantheon

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Romanos

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Deuses

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Moedas na Fontana

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Trastevere

Leia também:
– A Roma de Federico Fellini (aqui)
– Wilco ao vivo em Roma (aqui)
– Parco della Musica, de Renzo Piano (aqui)
– Arte sacra, Bernini, Caravaggio e tiramisu (aqui)
– Vinho, massas, calor e ruínas históricas (aqui)
– Três horas de Bruce Springsteen em Roma (aqui)

Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)

fevereiro 13, 2012   Encha o copo

Cinco perguntas para Marcelo Jeneci

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Fotos por Liliane Callegari

“Feito Pra Acabar”, o disco de estreia de Marcelo Jeneci, teve um lançamento em duas etapas: a primeira, via Natura Musica, em dezembro de 2010, o que permitiu que aqueles que ouvissem o álbum o recomendasse aos amigos, e o colocasse no topo do Melhores do Ano do Scream & Yell 2010: “Feito Pra Acabar” ficou a frente de “Efêmera”, de Tulipa Ruiz, por dois votos (40 a 38).

O pessoal do selo Som Livre Apresenta comprou a ideia e “relançou” o álbum em janeiro, o que fez com que Marcelo Jeneci aparecesse novamente em diversas listas de melhores do ano, e fosse elevado ao posto de Homem do Ano na categoria Música da eleição da revista GQ (leia aqui). No Scream & Yell, Marcelo Jeneci foi novamente campeão, mas desta vez no posto de Melhor Show Nacional de 2011 – que ele venceu novamente por dois votos, e desta vez, Criolo (veja aqui).

No papo rápido abaixo ele desmitifica o sucesso (“Eu gosto de ser popular”, conta), confessa que imaginava a boa repercussão do álbum e já começa a desenhar o sucessor. “Já estou trabalhando nele, compondo músicas”, adianta. Com vocês, Marcelo Jeneci.

Como foi 2011 para você?
Foi um ano de muito trabalho. Nos últimos quatro anos eu passei elaborando todos os detalhes da construção deste primeiro disco; as músicas, as construções melódicas, as letras. Eu fiquei três anos trabalhando nisso, gravei no começo do ano passado e lancei no começo deste ano. Então foi o primeiro ano em que experimentei os resultados do trabalho, espalhando e chegando para muita gente como eu queria que chegasse. Foi um ano de realização e de projetar o próximo passo. Passei um bom tempo fazendo shows em vários Estados do Brasil e, ao mesmo tempo, ficando feliz com as situações de destaque que acabam aparecendo. Foi um trabalho bastante sincero e verdadeiro para mim.

Você tinha expectativa desta recepção?
Expectativa a gente sempre tem. Confesso que, em vários momentos, eu ficava imaginando: “Seria legal ouvir essa música tocando na rádio, as pessoas cantando aquela outra…”. Eu ficava imaginando e me emocionava. Só não sabia de fato que as coisas iriam acontecer como estão acontecendo. Na maioria das vezes o mundo é injusto, mas nesse caso não tenho do que reclamar.

Como você se encaixa nesse momento da música brasileira?
Eu sou mais um em um momento muito fértil, muito bacana para quem está produzindo agora. A vida vai mostrando pra gente que ela segue um movimento espiral, cíclico, e algumas coisas vão se repetindo. Acho que a gente vive um período muito rico culturalmente, e não só na música, mas em várias áreas. O mundo começou a borbulhar e a arremessar coisas novas. Eu sinto que de uma hora para outra apareceram vários lugares para serem ocupados, e muitos artistas bons estão ocupando estes lugares.

E o próximo disco?
Eu tive 28 anos para fazer o primeiro disco, e o tempo será, com certeza, menor para o segundo disco. Eu já estou trabalhando nele, compondo músicas. Acho que começo a gravar no final do ano que vem.

E sobre a música na novela? Como você vê isso?
Para mim é natural. Cresci assistindo TV aberta. Sempre fui muito ligado a cultura popular e é dai que venho, (daí que) absorvi tudo isso. Quando comecei a fazer músicas, elas acabaram sendo encaminhadas para este tipo de lugar. Música na novela na voz da Vanessa da Mata, do Leonardo… Aos poucos fui percebendo uma triangulação, como se eu saísse de um lugar, fosse para outro, e tentasse devolver… tudo que eu faço sai com essa vontade de grande exposição, grandes massas, porque é dai que eu venho, é esse universo que absorvi muito. É a base do que faço. Eu gosto de ser popular. A maior vontade do compositor é de que a música dele seja escolhida pelas outras pessoas, que ela não seja só dele, mas dos outros também. Que as pessoas escolham aquilo pra si e cantem, se identifiquem. Acho que esse é o maior desejo do compositor. Não compartilho dessa visão negativa da exposição. Acho legal que você tenha um trabalho sincero, original. Prefiro as coisas que acontecem depois de existir do que as que existem antes de acontecer. Isso soa meio falso, meio mentiroso, e parece um planejamento comercial. Prefiro quando acontece naturalmente. Quando é assim, não tem quem não goste.

É algo natural…
Isso. Eu não penso nela. Acaba saindo nesse formato.

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– Ao vivo em  SP : Letuce e Marcelo Jeneci, por Mac (aqui)
– Jeneci e a não descartabilidade da música, por Ismael (aqui)

fevereiro 6, 2012   Encha o copo

Da Bélgica: Leffe Bière de Noel e Leffe 9º

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 Quatro rótulos mais conhecidos da conceituada Abadia de Leffe já passaram por aqui (as excelentes Leffe Blond, Leffe Brown, Leffe Radiuse e Leffe Tripel) e agora é a vez de outras duas representantes menos comuns (mas tão boas quanto) da cervejaria belga provocarem o paladar: a afrancesada e natalina Leffe Bière de Noël (também conhecida como Kerstbier) e a adocicada e alcoólica Leffe 9º.

A Leffe Bière de Noel é sazonal e, como o próprio nome entrega, especial para festas natalinas. Extremamente condimentada, o aroma é uma mistura de especiarias (notadamente cravo e pimenta do reino) com amêndoas, caramelo e… areia. O paladar é dulcíssimo (até demais) com leves pitadas de amargor que fazem com que seus 6,6% de graduação alcoólica desapareçam (mas o álcool está ali… cuidado). Uma bela cerveja indicada para acompanhar bons queijos e, segundo o site oficial, magret de pato.

A versão 9º da Leffe é uma cerveja de alta fermentação que replica várias características de outros rótulos da cervejaria: o aroma aerado e condimentado devido a especiarias, uma das principais marcas da Leffe, marca presença de forma densa e esconde os 9% de álcool. Há ainda algo de malte de caramelo. Diferente das outras Leffe, porém, o álcool aparece no paladar, de forma delicada, mas presente. Ele está ali de mãos dadas com o malte de caramelo em uma cerveja leve (apesar da alta quantidade de álcool) que começa adocicada e termina do mesmo jeito (com final marcado por pêra e banana).

Em alguns momentos, a Leffe 9º lembra a brasileira Wäls Quadruppel, que, no entanto, é um pouco mais picante (devido a cachaça e a seus 11% de graduação alcoólica). O exemplar belga é mais licoroso e comportado, mas ainda assim bastante interessante. Com estas duas cervejas da família Leffe chegamos a seis rótulos faltando ainda a Leffe Ruby (uma fruit beer de framboesa) e a sazonal Printemps (que circula no verão europeu). Calma que a gente chega lá.

Por ser sazonal, a Leffe Bière de Noel costuma ser encontrada no mercado entre outubro e fevereiro, mas sua validade extensa (essa garrafa da foto era válida até junho de 2013) permite que ela esteja na prateleira durante vários meses. Porém, tanto ela quanto a 9º não são encontráveis com tanta facilidade em supermercados no Brasil sendo mais indicado procura-las em sites como o Clube do Malte e/ou empórios.  O preço (no Brasil) é mais puxado: entre R$ 17 e R$ 20.

Leffe Bière de Noel
– Produto: Speciality
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 6,6%
– Nota: 3,51/5

Leffe 9º
– Produto: Belgian Golden Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 9%
– Nota: 3,92/5

Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leffe Blond, Brown, Radiuse e Tripel, por Mac (aqui)

fevereiro 6, 2012   Encha o copo

Três shows: Apanhador, Wander e Karina

Foto: Liliane Callegari (veja outras fotos do show aqui)

Na quinta-feira, Baile de Verão da Agência Alavanca, e os gaúchos do Apanhador Só subiam ao palco do Studio SP para mostrar um impressionante amadurecimento. Abriram o show com duas  canções novas (as ótimas “Torcicolo” e “Na Ponta dos Pés”) e um cuidado raro com os arranjos dos “velhos hits”. Uma bateria galopante introduziu “Um Rei e o Zé” enquanto “Jesus, O Padeiro e O Coveiro” teve ecos de rock de arena, dois grandes números da noite ao lado de “Prédio”, “Pouco Importa”, “Peixeiro”, “Nescafé” e “Maria Augusta”, pedida com ênfase pelo público no bis. Um grande show.

Na sexta foi a vez de Wander Wildner se apresentar no Inferno, exatamente um ano após o último show que havia visto dele, excelente, no Sesc Consolação. Desta vez, porém, o show musicalmente deficiente, desentrosado e desestrado, mas punk rock (e bêbado) em essência. Os hits se atropelaram – “Lonely Boy”, “Maverikão”, “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”, “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro”, “Um Bom Motivo”, “Adeus às Ilusões”, “Lugar do Caralho”, “Amigo Punk” e “Bebendo Vinho” (além de uma versão de “Passenger’, de Iggy Pop, que coloca a versão do Capital Inicial no chinelo) – e deixaram o público rouco, mas Wander pode mais.

No sábado, lançando seu ótimo segundo álbum, Karina Buhr fez e aconteceu em um show absurdo de sensacional no Auditório Ibirapuera. A sensação era de estar diante de Gal Costa circa 71, mas com dois Lanny Gordin no palco (os geniais Fernando Catatau e Edgard Scandurra) e uma banda coesa e entregue (com as belas intervenções de Guizado tocando a alma). Karina duelou com o microfone, rolou as escadas do palco, dançou no meio da galera que tomou as laterais do Auditório e cantou – de forma densa e tensa – canções de seus dois álbuns com destaque para “Guitarristas de Copacabana”, o chamego “Não Me Ame Tanto”, “Copo de Veneno” e os hits “Vira Pó”, “Eu Não Menti Pra Você”, “Ciranda do Incentivo” e “Plástico Bolha”. Um show raro e incandescente.

fevereiro 6, 2012   Encha o copo

O minimalismo e o rock and roll

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“O Resto é Ruído – Escutando o Século XX”, de Alex Ross, é o melhor livro sobre música que li em toda a minha vida (edição brasileira da Companhia das Letras -> aqui). A primeira página relembra a primeira exibição da ópera “Salome”, de Richard Strauss, em 1906. Bem mais pra frente (após duas guerras mundiais, uma guerra fria, jazz, tonalidade, dodecafonia, Beatles e Stockhausen – um cem número de passagens interessantes que vão necessitar serem revistas em uma segunda leitura com o site do livro de apêndice), na página 532, Alex Ross versa sobre o minimalismo e o rock and roll. O que dá uma pequena ideia da grandiosidade de “O Resto é Ruído – Escutando o Século XX” é você imaginar que todos os nomes do primeiro parágrafo abaixo foram dissecados antes em longos capítulos do livro:

“O minimalismo não é tanto a história de um tipo de som, mas de uma cadeia de eventos. Schoenberg inventou a dodecafonia; Webern encontrou um silêncio secreto em seus padrões; Cage e Feldman abandonaram as sequencias e enfatizaram o silêncio. Young diminuiu o ritmo da sequencia e a tornou hipnótica. Riley sistematizou o processo e lhe conferiu profundidade de campo; Glass imprimiu um momentum motorizado. O movimento não parou por ai. A partir dos anos 60, uma pequena legião de artistas populares, encabeçada pela banda Velvet Underground, levou a proposta minimalista ao grande público. Como Reich declarou mais tarde, havia uma “justiça poética” nessa mudança de papéis: assim como ele outrora se sentira fascinado por Miles Davis e Kenny Clarke, personalidades do pop em Nova York e Londres passaram a se embevecer de seu trabalho.

Às vésperas de sua revolução gradual, Reich tinha um bocado de música pop soando em seus ouvidos. Ele não ouvia apenas jazz, mas também rock e r&b. Em uma entrevista, ele citou duas canções dos anos 60 que faziam a gesticulação minimalista se concentrar em apenas um acorde: “Subterranean Homesick Blues”, de Bob Dylan, e “Shotgun”, de Junior Walker. (A sua) “It’s Gonna Rain” tem algo em comum com “A Hard Rain’s a-Gonna Fall”, de Bob Dylan, que combina profecia bíblica com a angústia da era atômica num hino que anuncia um juízo final iminente.

O Velvet Underground surgiu na forma de uma conversa musical entre Lou Reed – um poeta transformado em compositor com uma voz dolorida e decadente – e John Cale, o sonolento violonista do Theatre of Eternal Music de La Monte Young. O início da carreira de Cale dá uma boa visão do panorama do horizonte musical do final do século XX: ele estudou no Goldsmiths College em Londres com Humphrey Searle, um discípulo de Webern; mudou para composição conceitual ao estilo de Cage, do Fluxus e de La Monte Young; chegou aos EUA com uma bolsa de estudos para Tanglewood; provocou lágrimas em madame Kussevítskaia ao realizar um trabalho que exigiu a destruição de uma mesa com um machado; foi para Nova York com Xenakis; fez sua estreia tocando no espetáculo de John Cage para “Vexations”, de Satie; e acabou entrando para o conjunto de Young. Em sua autobiografia, Cale afirma que um de seus deveres era conseguir drogas para as apresentações do Eternal Music. Consta que as transações eram conduzidas por um código musical: “seis compassos de sonata para oboé” significava “seis onças de ópio”.

Lou Reed entrou em cena em 1964. Na época estava compondo canções kitsh para uma compania fonográfica chamada Pickwick Records. Por razões que até hoje permanecem obscuras, a Pickwick contratou três músicos da Eternal Music – Cale, Tony Conrad e o baterista e escultor Walter De Maria – para ajudar Reed na apresentação do que deveria ter sido uma novidade de sucesso chamada “The Ostrich”. O plano não deu em nada, mas os músicos da Eternal Music se deram bem com Lou Reed, que estava conduzindo experiências independentes com novos temas e modos. A primeira banda de Reed e Cale chamava-se Primitives. Pouco mais tarde, com Sterling Morrison na guitarra e o percussionista do Eternal Music Angus MacLise na bateria, eles viriam a ser o Velvet Underground.

A principio o Velvet se especializou em happenings e filmes underground. Depois o grupo começou a fazer shows de rock convencional. MacLise desistiu, recusando qualquer formato que o obrigasse a começar e parar em um momento especifico da música. Foi substituído por Maureen Tucker, baterista com um rígido toque minimalista. Um show na véspera de ano novo de 1965 chamou a atenção de Andy Warwol, que se ligou à banda num evento multimídia chamado Exploding Plastic Inevitable. Finalmente um álbum foi lançado em 1967, com algumas músicas cantadas pela modelo alemã Nico com sua voz de boneca. “The Velvet Underground & Nico” vendeu mal na época, mas hoje é reconhecido como um dos mais brilhantes e ousados disco de rock já gravados.”

fevereiro 5, 2012   Encha o copo

Europa 2012: Primeiro rascunho de viagem

Está complicado combinar tudo. As datas certas são as listadas abaixo. Depois, várias possibilidades. O que é certo: que terei que combinar um show do Tom Petty, um do Bruce Springsteen e um do Lou Reed… e ainda tem Black Sabbath

24/05 – Londres – Elvis Costello (Royal Albert Hall)
25/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
26/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
27/05 – Londres – I’ll Be Your Mirror
28/05 –
29/05 –
30/05 – Barcelona – Primavera Sound
31/05 – Barcelona – Primavera Sound
01/06 – Barcelona – Primavera Sound
02/06 – Barcelona – Primavera Sound
03/06 – Barcelona – Primavera Sound
04/06 –
05/06 –
06/06 –
07/06 –
08/06 –
09/06 –
10/06 –
11/06 –
12/06 –

Possibilidade 1
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris / Black Sabbath – Noruega
06/06 – Lou Reed – Luxembourg, LU @ Rockhal
07/06 – Bruce Springsteen – Milão
10/06 – Tom Petty – Hamburgo

Possibilidade 2
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris / Black Sabbath – Noruega
07/06 – Bruce Springsteen – Milão
08/06 – Lou Reed – Nyon, CH @ Caribana Festival
10/06 – Tom Petty – Hamburgo

Possibilidade 3
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris / Black Sabbath – Noruega
06/06 – Lou Reed – Luxembourg, LU @ Rockhal
08/06 – Tom Petty – Cork
10/06 – Bruce Springsteen – Florença

Possibilidade 4
28/05 – Bruce Springsteen – Pinkpop – Holanda
29/05 – Soundgarden – Paris / Black Sabbath – Noruega
06/06 – Lou Reed – Luxembourg, LU @ Rockhal
10/06 – Tom Petty – Hamburgo

Datas
28/05 – Big Star Plays Third – Londres
28/05 – Bruce Springsteen – Pinkpop – Holanda
28/05 – Soundgarden – Rockhal – Holanda
28/05 – Metallica Plays Black Album – Bélgica
29/05 – Soundgarden – Paris – Le Zenith
29/05 – Black Sabbath – Bergen – Noruega
04/06 – Black Sabbath – Dortmund – Alemanha
06/06 – Black Sabbath – Praga – República Tcheca
06/06 – Lou Reed – Luxembourg, LU @ Rockhal
07/06 – Bruce Springsteen – Milão
07/06 – Tom Petty – Dublin
08/06 – Tom Petty – Cork
08/06 – Lou Reed – Nyon, CH @ Caribana Festival
09/06 – Lou Reed – France, FR @ Montereau Festival
10/06 – Tom Petty – Hamburgo
10/06 – Black Sabbath – Download Festival – Reino UNido
10/06 – Bruce Springsteen – Florença
11/06 – Lou Reed – Paris, FR @ Olympia
12/06 – Bruce Springsteen – Triste

fevereiro 4, 2012   Encha o copo

Download: 48 podcasts Scream & Yell

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Parece que foi ontem. Começamos a gravar programas semanais na @radiolevis, com supervisão do @eduparez, e nem sabíamos montar o programa direito. Há, por isso, uma grande evolução conforme os programas foram gravados (mas nem tanto assim, já que estouramos o áudio várias vezes durante o percurso – o #48 é um bom exemplo), e falando por todos – eu, @tiagoagostini@marcot_ e @ttrigo – nunca deixamos de nos divertir nas gravações.

Alguns programas foram baixados 60 vezes. Um deles, mais de 800. O ano de 2012 é uma grande incógnita para todos nós, e por isso o programa ficará em stand bye, mas pretendemos gravar mais duas edições para fechar 50 programas. Por enquanto, abaixo, os 48 gravados estão disponíveis para download incluindo o inédito programa piloto, beeem tosco.

Queria agradecer imensamente a todos os convidados que toparam rir e falar bobagens com a gente (@renato_moikano,  @rodrigosalem,  @rlevino,  @leodiaspereira,  @noacapelas e  @murilobasso). E principalmente agradecer a todo o pessoal da Levis, em especial a @marianacobra e @eduparez, pelo carinho, apoio e confiança. Calma, ainda não acabou. E ainda assim, a gente tira uma folga, mas a Levis Music continua a toda.

#00 http://www.mediafire.com/?baibehmjpinlfdw (Piloto)
#01 http://www.mediafire.com/?lb3wfloom45l416
#02 http://www.mediafire.com/?1mrv4zqg3zc13ll
#03 http://www.mediafire.com/?35r69f0p8texy3o
#04 http://www.mediafire.com/?c866k74g86l753u
#05 http://www.mediafire.com/?nyci4hdtkoou3ol
#06 http://www.mediafire.com/?qlguqy1f8p3jsq0
#07 http://www.mediafire.com/?t4td1d512bs63dt
#08 http://www.mediafire.com/?2qwyzum52hcr435
#09 http://www.mediafire.com/?eo1s5b7etauq17z
#10 http://www.mediafire.com/?2l69n6bk04h3rbw
#11 http://www.mediafire.com/?eicfio43xmxh4bn
#12 http://www.mediafire.com/?2fey7rztshadeg7
#13 http://www.mediafire.com/?p69k1qimr2oidra
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#15 http://www.mediafire.com/?ht2795zpzh5e7t7
#16 http://www.mediafire.com/?aj67ehck8j1a12r
#17 http://www.mediafire.com/?r3aeoa68gnb84l9
#18 http://www.mediafire.com/?z35g3m4jvjk4d82
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#37 http://www.mediafire.com/?v5ks4qsmzjt8sdb (só músicas)
#38 http://www.mediafire.com/?8ebmfca1tcgb1zg
#39 http://www.mediafire.com/?n97lek47994kuvv
#40 http://www.mediafire.com/?fea83tfxryul787
#41 http://www.mediafire.com/?l16k818rleddv2s 
#42 http://www.mediafire.com/?wvecz71dmv8hmu4
#43 http://www.mediafire.com/?g49olyt930p4i28
#44 http://www.mediafire.com/?rlnp4i9wr17j2vz
#45 http://www.mediafire.com/?dce28pqjzzqb19i
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#47 http://www.mediafire.com/?e724c29c4eu4szq
#48 http://www.mediafire.com/?ewjhm34gkt1hlyc

fevereiro 3, 2012   Encha o copo