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Londres: I’ll Be Your Mirror, Dia 1

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Fotos por Marcelo Costa

O Palácio de Alexandra é uma edificação icônica datada de 1873 (contrapartida do norte ao também icônico Palácio de Cristal, no sul de Londres), construída para ser um centro público de educação, recreação e entretenimento, que foi usado pela BBC durante muitos anos (a torre da empresa ainda funciona no prédio), tem uma bela vista da cidade e atualmente recebe diversos eventos culturais, entre eles o I’ll Be Your Mirror, festival criado pelo pessoal do All Tomorrow’s Parties para louvar o barulho.

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O Elson já tinha dado a dica em sua cobertura da versão EUA do ATP: “o festival de música mais barulhento do planeta” (leia aqui). Em Londres, 2011, o festival soou mais comportado (o que não quer dizer menos clássico) com Portishead de curador convidando PJ Harvey para uma noite e Grinderman para a outra (entre diversas atrações extras), mas 2012 promete deixar todo mundo com os tímpanos zunindo devido a uma escalação ensurdecedora dividida em três dias.

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É sexta-feira, amor, e o sol recebe uma horda de camisas pretas mal-encaradas que caminha pelo bonito Alexandra Park, cuja primeira noite terá o Slayer de headliner tocando a integra do álbum “Reign in Blood”, de 1986, um dos primeiros e mais violentos crossovers de metal e punk da história. Cenário idílico: de um lado do parque, rapazes de camisa com gola rolê jogam golfe. Do outro, metaleiros de todos os cantos da Europa bebem cerveja como se fosse água.

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Dividido em dois palcos, o esporro começa (ao menos para mim) no palco menor com o YOB, trio norte-americano de doom metal que faz uma barulheira dos diabos, mas não convence. No palco principal, os dois bateristas do Melvins causam o primeiro corre-corre do fim de semana, a maioria da galera pra frente do palco, uns 10% atrás de protetores de ouvidos. Buzz Osborne maneja sua guitarra como se ela fosse uma máquina de eletrochoque e uma nuvem densa de aspereza corta o ar.

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Entorpecido após uma hora de barulho e levemente cansado da maratona de três dias de shows seguidos (só faltam mais uns 15 dias de shows), opto por “descansar” no ATP Cinema assistindo a “Se7en”, o grande filme de David Fincher, mas sou obrigado a deixar a sala 15 minutos antes do final para pegar um bom lugar para assistir ao grande show da noite (nem no meio e nem no gargarejo, locais garantidos de pancadaria e pogo): Slayer.

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Duas músicas “novas” abrem o cortejo (“World Painted Blood” e “Psychopathy Red”, de 2009), mas é com “Die by the Sword” que as primeiras cervejas são arremessadas para o alto e a pancadaria começa. “Chemical Warfare” e “Dead Skin Mask” (a segunda do poderoso “Seasons in the Abyss”, de 1988) mantém o clima de desordem, mas basta o riff clássico de “Angel of Death” ecoar no Palácio para a galera urrar a chegada de “Reign in Blood”, tocado na integra e sem pausa para limpar o sangue da testa.

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A coesão da banda ao vivo continua impressionante. A condução de Dave Lombardo é algo do outro mundo e, em vários momentos, Kerry King e sua guitarra parecem ser um objeto só. Tom Araya continua sendo um grande mestre de cerimonias (acho que “mensageiro de más noticias” soaria melhor) e Gary Holt, do Exodus, continua segurando a bronca enquanto Jeff Hanneman se recupera. Um massacre digno de uma das bandas mais violentas do planeta, que terminou, no bis, com “War Ensemble”, outra do “Seasons in the Abyss”.

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O I’ll Be Your Mirror segue neste sábado com uma seleção de bandas escolhidas a dedo pelo pessoal do Mogwai. Meu plano pessoal é ir de chinelo, levar o sensacional livro novo da Jennifer Egan na mochila, me ajeitar em um canto do West Hall e ficar ali entre 16h e 23h, horário em que passarão pelo palco principal, em sequencia, Chavez, Codeine, Mudhoney, Dirty Three e Mogwai, encarregado de fechar a noite. Bom barulho para todos nós.

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maio 26, 2012   Encha o copo

Londres: Greenwich e Borough Market

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Textos e fotos: Marcelo Costa

Minha ideia pessoal nesta passagem por Londres era explorar um pouco mais a cidade e fazer alguns passeios que eu havia deixado de fazer nas passagens anteriores. Problema 1: comprei tickets para shows em todas as seis noites que estarei na cidade (o que já elimina fugidas noturnas). Problema 2: o tempo corre bem mais rápido em uma viagem dessas, em que coisas vão surgindo no roteiro, e quando você vê resta pouco tempo para os passeios programados.

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Dentre os passeios que eu mais queria fazer, uma ida a Brighton, que tínhamos agendado para este sábado de sol, foi deixada de lado. Mas ainda assim conseguimos ir de barco pelo Tamisa do centro de Londres até Greenwich, almoçar um fish and chips por lá, dar uma olhadela rápida no observatório (7 libras pra entrar, fica pruma outra) e na linha meridional, beber uma cerveja e voltar de trem. Rápido, mas legal. Amanhã queremos navegar no Regent’s Canal.

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No meio da correria da sexta-feira consegui passar em uma das minhas lojas preferidas da cidade, a Fopp de Covent Garden, e sai de lá com 14 CDs (por 68 libras), mas ainda quero voltar e fuçar com mais calma. Também comprei uma cincoentinha para a Canon Rebel XTI que eu trouxe, e até apanhei um pouco dela no primeiro dia I’ll Be Your Mirror, mas preciso aprender a brincar com a criança (quem mandou matar as aulas de fotografia na faculdade)…

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Ainda na sexta, na compania de Tiago Trigo e Juliana Zambelo, batemos ponto no Borough Market, um mercado de varejo com dezenas de barraquinhas bem interessantes, com comidas do tipo sanduiche de carne de pato e/ou coelho, bratwursts alemãs, fish and chips londrino, queijos, doces, cervejas, frutas, bolos, e tudo o mais que o bom paladar quiser provar (e que o estômago aguentar).

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Algumas fontes dizem que o mercado existe desde 1041, tendo sido criado logo ao lado do atual (do ladinho do metrô London Bridge), cujo primeiro desenho data de 1851 (com alguns acréscimos em 1860), e que virou febre da turistada nos últimos anos (para desespero dos londrinos – se é que existem londrinos em Londres). Arrisquei um fish and chips (dos três peixes disponíveis – Cod, Haddock e Plaice – escolhi o último, mais incomum) e aprovei.

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Praticamente colado em uma das várias saídas do Borough Market está o excelente pub The Rakes, com um catálogo caprichado de cervejas belgas. Os preços estão em torno de 3 libras a 5 libras o pint para beber no balcão, mas quis arriscar uma Molen Amarillo (9 libras o pint), uma double IPA holandesa de 9,2% de graduação alcoolica, aroma frutado carregado e paladar levíssimo, que esconde muito bem a cacetada de álcool que carrega. Me apaixonei. Procurarei por ela Amsterdã…

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Segundo consta, cheguei exatamente em Londres no dia em que o outono mais frio dos últimos 300 anos foi embora. A cidade está mais alegre e os parques lotados, com muita gente aproveitando para namorar o sol nessa sua curta passagem anual pelo território (são só dois meses e mais alguns dias, tem que aproveitar). É hora de colocar bermuda e chinelo e partir pra rua. Ou para um palácio (me espera, ATP)…

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maio 26, 2012   Encha o copo

Londres: Noite clássica com Elvis Costello

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Fotos por Marcelo Costa

O Royal Albert Hall é a sala de concertos mais luxuosa de Londres. Localizada em uma das laterais do Hyde Park, a casa foi inaugurada pela Rainha Victoria em 1871, e se tornou um dos edifícios mais charmosos do Reino Unido. Uma agenda com cerca de 350 apresentações superlota o calendário anual da casa (com música clássica, rock e pop, ballet e ópera, esportes, cerimônias de premiação, eventos escolares e da comunidade, apresentações de caridade e banquetes) e em dois dias deste maio maluco (o mais frio dos últimos 300 anos, mas que hoje deve ter chego aos 30 graus) está recebendo Elvis Costello.

É a segunda noite da turnê The Spectacular Spinning Songbook no Albert Hall (e o show número 62, cujo roteiro inclui mais oito apresentações fechando em Amsterdã, 05/06), e uma espécie de casino foi montado no palco: uma imensa roleta com diversos nomes de canções, artistas e temas é girada por alguém da plateia (quase sempre, uma mulher) e o resultado define o set list. Há desde nome de canções como “Alison” e “I Want You”, temas como Cash (em que ele toca canções de Johnny Cash), Joker (a pessoa escolhe qualquer música da roda) e Roses (com três canções com a palavra “rosa” no título).

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Além da roda da sorte, o palco traz outras coisas inusitadas como um local para as mulheres dançarem (e sensualizarem – quem “abre” a noite é a dançarina da turnê, uma bela cover de Rihanna) e uma espécie de bar (com coquetéis azuis – a sorteada na plateia pode provar o drink). Costello entra no palco cerca de 10 minutos após as 21h e começa o show furioso com três versões aceleradas de canções do álbum “This Year’s Model”, de 1978 (“You Belong To Me”, “Lipstick Vogue” e “Radio Radio”) mais uma do debute, “My Aim Is True”, de 1977 (“Mystery Dance”). São só os primeiros 10 minutos…

Após a abertura bombástica, o cantor assume a persona de mestre de cerimonias, com chapéu e batuta, explica o conceito do show (“Essa será uma noite com canções de amor, dor, sexo e morte, não necessariamente nessa ordem”) e recebe a primeira “convidada” da plateia: ela se chama Barbie, deve ter uma 25 anos e sua pele extremamente branca contrasta com o cabelo e botas pretas, e pede para a plateia louvar o Chelsea (“Desculpa, mas eu sou Manchester”, provoca Costello). Ela gira a roleta e… o primeiro Jackpot da noite surge.

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Quando a roleta para nessa casa, a pessoa (ou o próprio Elvis) escolhe um tema e a banda executa um trio de canções (entre as possíveis escolhas estão “Time”, com canções com a palavra “Time” no título; “Aim”, com canções do álbum “My Aim is True”; “Imperial Chocolate”, com canções dos álbuns “Imperial Bedroom” e “Blood & Chocolate”, entre muitos outros temas). Nesta noite, Barbie escolhe o Jackpot “Girl”, e Elvis Costello apresenta “This Year’s Girl”, “Spooky Girlfriend” e “Party Girl” na sequencia.

Lucy, outra moça escolhida do público, entra na sequencia e também sorteia um Jackpot. Desta vez, os Imposters tocam quatro músicas do álbum “Get Happy!!!”, de 1980 (“I Can’t Stand Up For Falling Down”, “High Fidelity”, “5ive Gears In Reverse” e “King Horse”). Então Costello chama duas irmãs aparentemente quarentonas para o palco, que conseguem aquilo que provavelmente 90% das 8 mil pessoas presentes no Albert Hall queria: “Alison”, clássico do álbum “My Aim Is True”, surge em uma versão pungente e emocional para alegria da audiência.

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Os Imposters, versão atualizada dos Attractions, que como única mudança traz o excelente baixista Davey Faragher no lugar de Bruce Thomas (o baterista Pete Thomas e o tecladista Steve Nieve estão com Costello desde a turnê do primeiro álbum de 1977, com algumas idas e vindas) é uma das bandas mais coesas e vigorosas do mundo. O instrumental é impecável e marcante, e o trio está sempre à mercê de Costello: dependendo da situação da roleta, ele para Davey, olha para Pete, e começa a canção. A banda o segue e a massa sonora impressiona com detalhes de baixo, teclado e bateria sendo ouvidos com perfeição.

O quarto giro na roleta traz outro Jackpot, e o tema desta vez é “Time”, que traz um bloco com as canções “Strict Time”, “Man Out Of Time” e uma versão poderosa de “Out Of Time” (cover dos Stones). Outro giro na roleta traz o quarto Jackpot da noite (e só tem uma casa com a palavra na roda!), o que faz Costello brincar: “Sério? Logo não teremos mais o que tocar”. Ele abre com “The Stations Of The Cross” (com citação de “Get Ready”, dos Temptatios), segue com “Poisoned Rose”, de Nick Lowe, com o próprio no palco, e fecha o bloco com uma versão fodaça de “Watching The Detectives” (com citação de “Help Me”, de Joni Mitchell).

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A noite, então, reserva outro momento inusitado: o Hammer of Gods, em que uma pessoa tem que marretar uma base e conseguir tocar um sino. Prêmio: escolher a canção que quiser. A sexta dama da noite consegue o feito na terceira marretada, mas se enrola na hora da escolha. “Quer uma ajuda do público?”, pergunta Costello (a saber: eu teria escolhido “I Want You”, “Veronica” e “So Like Candy”). Ela murmura algo e Elvis emenda o trecho mais poderoso da noite, com “Favourite Hour” (trazendo Steve Nieve no órgão centenário do Royal Albert Hall), “Deep Dark Truthful Mirror” e fechando o show com uma versão de chorar de “Shipbuilding”.

O primeiro bis junta canções de via clássica (“A Slow Drag With Josephine”, “Jimmie Standing In The Rain”) e acústica (“Tramp The Dirt Down”, “National Ransom No.9”), e Elvis deixa o palco após uma versão poderosa de “Oliver’s Army”. O segundo bis abre com “Beyond Belief”, e ainda traz “Purple Rain” (Prince) em versão suingada, “Clubland”, “Pump It Up” (com citação de “Day Tripper”) e Nick Lowe, que acompanha os Imposters em “Heart Of The City” e em “(What’s So Funny ‘Bout) Peace, Love, and Understanding” (canção sua, um dos maiores sucessos da carreira de Costello).

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No total são 2h45 minutos de show em que além de cantar e entreter a audiência, Elvis Costello sacaneou as Olimpíadas (“Minha homenagem aos Jogos: Eis a pira olímpica”, diz levantando sua batuta, para bradar na sequencia: “Foda-se os Jogos Olímpicos”), o Jubileu da Rainha e os políticos, mostrou um extenso domínio de repertório em um show de 32 canções (a noite anterior trouxe “apenas” 29, mas com inclusões honrosas de “Folsom Prison Blues” e “Cry, Cry Cry”, de Johnny Cash, e “Trouble”, de Elvis Presley) e que é acompanhado por uma das melhores bandas do planeta.

Esse é um daqueles shows em que só a canção bastaria (o repertório vasto do artista e a seleção cuidadosa de covers garante), mas Elvis criou um circo interessante cuja promessa é soar diferente em cada noite. E clássico. E inesquecível. Um show perfeito em suas imperfeições (a voz de Costello falha bastante na parte final, o que não o impede de força-la ao máximo), que se renova todas as noites de forma surpreendente, e merece ser visto de novo, de novo e de novo. Definitivamente, um dos grandes shows da temporada 2011/2012. Mesmo que “I Want You” tenha ficado de fora nesta noite…

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Veja também:
– Três vídeos: Elvis Costello no Royal Albert Hall (aqui)

maio 25, 2012   Encha o copo

Londres: Jubilee Line x The Zombies

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 Textos e fotos: Marcelo Costa

Londres não quis deixar São Paulo solitária em dia de greve de metroviários: problemas na Jubilee Line fecharam a linha cinza desde às 16h, e o caos se fez. O bordão aqui (devido aos problemas recorrentes do metrô) é: #querovernaolimpiada (e é sério! Risos). Esse atraso fez com que quase eu perdesse o show do The Zombies, mas no fim das contas deu tudo certo. Do começo então.

Voo Amsterdã / Londres sossegado, e passagem pela temida imigração do Reino Unido mais #sussa ainda: “É a primeira vez que você vem para cá?”, pergunta a moça e antes que eu responda “Quarta ou quinta, não me lembro”, ela vê os carimbos no passaporte e começa a “brincar” (“Luton, 2008, Heathrow, 2011, Glasgow, 2009…”) e me libera na sequencia dizendo “welcome”. Como a Jubilee Line estava um caos, me senti realmente em casa (viu #kassab).

Depois de bater cabeça em várias combinações para chegar ao B&B, desisti e, pela primeira vez, peguei um taxi em Londres – a melhor coisa que eu poderia ter feito após quase um dia viajando (São Paulo -> Rio de Janeiro -> Amsterdã -> Londres). Saiu por 16 libras (uns R$ 45), o que em comparação é caro demais (afinal, se o metrô tivesse ok eu não estaria pagando nada), mas me deixou na porta do B&B, pronto para deixar as malas e correr para o show.

Banho de perfume tomado, cheguei ao Jazz Café para encontrar uma comitiva de brasileiros, entornar três pint de Guiness que desceram parecendo água (bastante potável) e ver um show beeeem bonito do Zombies. A sensação é a de um show perfeito para terceira idade, se nossos pais e avós tivessem bom gosto (e/ou tivessem sido drogados). É tudo correto, de extremo bom gosto, uma execução perfeita, uma sonoridade que muitas vezes é tão doce quanto um sonho de creme.

A qualidade da voz de Colin Blunstone (do alto de seus 66 anos) impressiona e quando o tecladista e chefão Rod Argent assume o primeiro vocal, faz muito bonito (mas seu show particular é mesmo no orgão Hammond). Alguns momentos são de fazer fãs do Beach Boys (e Brian Wilson) chorarem como criancinha, principalmente as pérolas do clássico “Odessey and Oracle” (1968): “Care of Cell 44”, “This Will Be Our Year”, “I Want Her, She Wants Me”, “Beechwood Park” e, a mais celebrada da primeira parte do show, “Time of the Season”.

A primeira parte do show traz 15 músicas, muitas delas novas (eles lançaram um álbum de inéditas em 2011, “Breathe Out, Breathe In”), e os tiozinhos (no caso do baixista Jim Rodford, que tocou uns 20 anos com o Kinks, vovô) não desapontam. O instrumental é impecável e a acústica do Jazz Café valoriza cada detalhe da canção. Em alguns momentos basta fechar os olhos para se sentir no final dos anos 60. Queria eu estar mais inteiro para apreciar ainda mais a apresentação.

Então eles anunciam uma pausa de 20 minutos, e prometem um segundo set caprichado. O corpo detonado após mais de 24 horas de voos e entorpecido por três pints de Guiness pede cama, e não resisto. Antes de deixar o Jazz Café vou dar uma bisbilhotada no set list da segunda parte: mais 10 canções e várias coisas bacanas (como “God Gave Rock And Roll To You”, da carreira solo do Argent, que ganhou cover do Kiss, e “Summertime”, famosa com Janis Joplin). Cogito ficar, mas a alma já tinha partido – bêbada. Melhor segui-la.

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Set list apenas da primeira parte do show

maio 23, 2012   Encha o copo

Rio de Janeiro -> Amsterdã

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Textos e fotos: Marcelo Costa

“Tem internet wi-fi aqui”, pergunto no setor de informações do aeroporto Galeão, no Rio. “É free, mas só na sala de embarque. Você precisa do número do seu e-ticket”, diz a atendente. São quase 18h e tenho 40 minutos para fazer a minha declaração de imposto de renda (sim, atrasada). Na sala de embarque, tento de todas as formas logar no site da Infraero com o número do meu e-ticket, do meu passaporte, minha data de aniversário, as dezenas de Lost, sem sucesso. Desisto e no fim das contas pago R$ 9 por duas horas. Funciona, e rápido.

Enquanto estou ali, lançando números na declaração (ano passado declarei no primeiro dia, e não recebi até hoje: dados desencontrados no relatório, coisa de… R$ 10), uma loirinha pergunta do “wi-fi free”. Ela é loirinha, está com mais três amigas, e parece canadense. “Tem, mas não consegui logar”, digo. “Estou usando a internet paga”, aviso. Ainda assim passamos uns bons cinco minutos tentando logar no celular dela, sem sucesso. Ela agradece, em inglês, e desembesta a falar com as amigas, em alemão. Canadense? Wi-fi Free? Bem, como diz a hastag: #querovernacopa.

Existem poucas coisas no mundo mais cansativas que uma viagem Brasil / Europa. No meu caso é um pouquinho mais desagradável, pois a pressão da altitude castiga meus joelhos, que passam mais de 10 horas latejando, uma tortura com final feliz, afinal, a viagem, o roteiro, a experiência como um todo compensa, mas ainda assim é uma tortura. É o preço (ainda bem que nunca desejei ser astronauta, piloto de avião e/ou nem sou Donald Trump, que deve voar cinco vezes por semana).

Nunca tinha viajado de KLM (no computo pessoal, três vezes de Iberia, que é ok – e tem Mahou, uma bela cerveja madrilena – uma de Air France e uma de Lan Chile), e fiquei bem satisfeito. Os bancos me pareceram mais espaçosos, e no fim das contas, numa viagem tão longa quanto esta, espaço para esticar as pernas é bastante desejável. A comida é aquela coisa (a da Air France me pareceu melhor) e a cerveja é Heineken (o vinho é chileno). Já que estamos aqui, bora.

A seleção de filmes da programação está bem boa, com alguns títulos recentes que perdi no cinema (o que me faz deixar Mad Men S05E10 na reserva, até para economizar a bateria do lap), e fico entre “Albert Nobs” e “Jovens Adultos”. Opto pelo do Jason Reitman, com roteiro da Diablo Cody, que parece ter ser sido ignorada pelas garotas populares na época do colégio, e decidiu descontar tudo agora com um filme afiado e deliciosamente cínico (uma porrada com luva de pelica).

E por mais que o personagem principal seja uma babaca que vira e mexe encontramos aqui e ali (não só em Minneapolis, qualquer cidade tem bons exemplares da espécime), não deixa de ser tocante ver Charlize Theron voltando a fita K7 no carro, deixando a microfonia invadir o ambiente, e cantar “The Concept”, do Teenage Fanclub (não bate as cenas dela em “Celebridades“, de Woody Allen, mas é… especial). Jason Reitman e Diablo Cody conseguem sustentar seu retrato perverso de líderes de cheerleaders e não cedem até o final – brilhante.

Agora, Amsterdã. A conexão para Londres foi cancelada, e encaixaram os “brasileiros” num voo das 15h (o original era 13h25). Quero ver na Copa. Ops. O bom foi que a folguinha permitiu conhecer essa Tiger abaixo (uma lager fraquinha, fraquinha) e corrigir logo na sequencia com um pint de Palm direto da torneira. Wi-fi free em Amsterdã funciona. Por uma hora, mas funciona. Agora a gente se vê em Londres.

Ps. Desculpa as fotos do celular
Ps2. Trouxe a Rebel XTI da Lili pra viagem. Vou aprender na marra
Ps3. Tocando Coldplay no bar do aeroporto…

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maio 23, 2012   Encha o copo

Caleidoscópicas, de Dulce Quental

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Entre 2005 e 2008, Dulce Quental assinou no Scream & Yell mais de 40 textos abrigados sobre o chapéu “Caleidoscópicas”. Depois a coluna virou blog no iG, e ela seguiu seu caminho pelas ruas da internet. Boa parte dessas colunas (e algumas extras) estão presentes no livro que ela lança agora, cujo prefácio assino orgulhoso. O livro pode ser encomendado com Dulce via Facebook. E, nesta semana, pode ser adquirido pessoalmente por quem for assistir ao bate papo com ela na V Jornada Internacional de Mulheres Escritoras”: Dulce Quental palestra no dia 23/05 com o tema “A Voz do Autor” no auditório do Sesc Consolação e depois no dia 25/05 em São José do Rio Preto . Como estarei no Velho Mundo, compareçam e deem um abraço nela por mim! : D

maio 20, 2012   Encha o copo

Bélgica: três cervejas da Rochefort

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No século 19, a cidadezinha de Rochefort, na província belga de Namur, era um resort. Hoje, com aproximadamente 12 mil habitantes, Rochefort é a casa da Abadia de Notre-Dame de Saint-Rémy, fundada no século 13 por monges Cistercienses da Estrita Observância, famosos por sua vida espiritual e também por seus doces e por sua cerveja, que começou a ser produzida em 1595. Há cerca de 20 monges residentes no mosteiro, que guardam o processo de fabricação de cerveja a sete chaves. Com razão…

A Rochefort 6 é a de tampa vermelha e “apenas” 7,5% de graduação alcoólica. A cacetada de álcool marca presença no conjunto, mas não inibe os sentidos. O aroma é levemente picante e caramelado (com algo ainda de castanha). No paladar, o álcool se apresenta incrivelmente de forma tímida (o que pode derrubar muito bebedor metido a corajoso) com lúpulo e malte caramelado formando um conjunto interessante, mas não tão complexo. A 6, na verdade, serve mais como degrau para as versões 8 e 10. Ainda assim, uma bela cerveja.

A da tampinha verde é a Rochefort 8, uma versão turbinada da 6: no aroma, o mesmo picante e o mesmo caramelado, mas mais intenso: o álcool (que aqui chegam a 9,2%) marca presença envolto numa nuvem de melaço, chocolate, nozes, maça e frutas cítricas. O paladar segue a risca a complexidade de notas que o aroma explora com o álcool tocando delicadamente o céu da boca e marcando o gole até o fim. Daquelas cervejas que vão além… uma verdadeira experiência alcoólica. Simplesmente perfeita (e mais balanceada que a outras duas irmãs).

A terceira Rochefort é a 10 (tampa azul), com 11,3% de graduação alcoólica. Isso mesmo: 11,3%, mas não se preocupe: o álcool não atrapalha o conjunto. Ele está ali, intenso no aroma, mas são facilmente perceptíveis notas de caramelo, chocolate, ameixa, madeira e um picante que remete a pimenta do reino. No paladar, o primeiro toque deixa uma marca licorosa e um rastro de álcool que gruda no céu da boca e marca até o fim da garganta. Depois a gente acostuma, e tudo desce de forma suave, adocicada. Uma belíssima cerveja que, infelizmente, não se recomenda beber três seguidas (risos), mas deleitar-se com uma por vez.

Trazidas ao Brasil pela Casa da Cerveja, as Rochefort são… caríssimas. No entanto, ela anda aparecendo, ao menos em São Paulo, em vários empórios por preços entre R$ 8 e R$ 11. Seus preços normais, no entanto, transitam entre R$ 17 e R$ 25 a garrafa de 330 ml, e uma das vantagens dessa belga é que ela pode ser armazenada por até cinco anos (a validade desse trio acima era 27/07/2016!), mantendo a qualidade. A água para as cervejas é extraída de um poço situado no interior dos muros do mosteiro e os monges capricham na receita. É outro nível de cerveja, ou como diz um hastag que circula por ai, #cervejadeverdade.

Trappistes Rochefort 6
– Produto: Belgian Dubbel
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,94/5

Trappistes Rochefort 8
– Produto: Belgian Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 9,2%
– Nota: 4.77/5

Trappistes Rochefort 10
– Produto: Belgian Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 11,3%
– Nota: 4,67/5

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Leia também:
– Top 1000 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leia sobre várias outras cervejas aqui

maio 20, 2012   Encha o copo

Último detalhes da viagem

Na terça à noite embarco do Rio de Janeiro para Londres, com escala em Amsterdã (KLM). Faltam dois dias e meio e acho que 90% dos detalhes estão fechados. Falta ainda comprar os tickets para o Afghan Whigs em Amsterdã (está dificil!), aguardar as respostas dos hostels em Veneza e trocar uma passagem Madri/Barcelona por uma Barcelona/Veneza. E ainda tenho que cadastrar o ingresso que está sobrando do ATP em Londres em um site de vendas (e ai, não quer comprar não? – risos). Já comecei a separar umas peças de roupa. Amanhã já quero fazer um teste do que levar. Europa, tamo chegando.

maio 19, 2012   Encha o copo

Quatro cervejas da Way e uma Diabólica

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A Way Beer é uma micro cervejaria artesanal localizada em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, que surgiu em 2010 e já arrebatou alguns prêmios. Em abril de 2011, por exemplo, a Way American Pale Ale foi eleita a melhor Pale Ale no 1º Prêmio Maxim de Cervejas Brasileiras. Além dela, a Way fabrica outros quatro títulos: Amburana Lager, Cream Porter, American Lager, Irish Red Ale. Nascida em 2009, a famosa (em Curitiba) Diabólica 6,66% completa a escalação paranaense honrando o lema “rock your taste”. Vale muito encarar.

Começando pela campeã, Way American Pale Ale tem aroma floral e frutado com notas marcantes de lúpulo (que remetem a caramelo e também guaraná). Cheirosíssima. O paladar não é tão complexo quanto o aroma, mas ainda assim é bastante agradável com o lúpulo pressionando os adversários no campo de ataque. O malte até tenta algo no começo, mas logo é vencido pelas doses carregadas de lúpulo, que marcam com força essa cerveja. O final é de um amargor suave, mas constante que vai do céu da boca até a garganta. Excelente.

Assim como a Pale Ale, a versão Premium Lager da casa paranaense chama a atenção já no aroma, uma união de notas malte de caramelo e mel que surpreende e encanta ao abrir a garrafa. No paladar, o lúpulo parece ter saído para dar uma volta (de mãos dadas com a Pale Ale) deixando todo o território para o malte, que capricha no dulçor e na leveza, que seguem até o final. Uma bela Premium Lager nacional (que pode conquistar bebedores de boteco), suave e refrescante.

A Red Ale da Way acaba ficando em segundo plano no catálogo da casa, escondida sob a sombra do brilho da versão American Pale Ale. O caramelo dá as caras com vontade no aroma, e marca presença forte também no paladar, chegando até a sugerir melaço (com álcool marcando presença de forma discreta). É uma versão personal e mais domesticada das Red Ale tradicionais, que pode desapontar quem esperava uma cerveja mais robusta, e encontra uma cerveja mais terna no copo.

Assim que a tampa deixa a boca da garrafa da Way Cream Porter, o aroma característico da casa paranaense se faz presente, mostrando a personalidade da cervejaria (que tem muita relação com o uso caprichado do malte). E são eles, os maltes de caramelo tostados que remetem a café e chocolate amargo no aroma. O sabor segue a risca as notas flagradas pelo nariz mostrando que a Way fez uma bela homenagem às Porters tradicionais nessa versão bastante fiel ao estilo.

Para fechar, uma cerveja infernal famosíssima em Curitiba, a Diabólica 6.66 (de gradução alcoólica simbólica), uma IPA de responsa como manda o figurino. No aroma, os sete tipos de maltes que a receita promete fazem o serviço e brigam tapa a tapa com o lúpulo (principal estrela das indian pale ales), terminando no empate. No paladar, o lúpulo sai vencedor, mas ainda assim o amargor acentuado é comportado e bem temperado com o adocicado do caramelo do malte resultando em uma das melhores IPAs nacionais. Como o diabo gosta.

As cinco cervejas acima (faltou a Amburana Lager) podem ser encontradas com facilidade em bares especializados de Curitiba. Para outros Estados recomendo o Clube do Malte, onde essas belezinhas foram adquiridas entre R$ 8 e R$ 11. Vale citar ainda o tour que a Way oferece aos curiosos e fãs de cerveja: em abril, a cervejaria passou a abrir a fábrica (Rua Pérola, 331, Pinhais – Paraná) para visitas aos sábados e inaugurou uma sala de degustação para promover a cultura cervejeira (mais infos aqui). Se estiver de bobeira em Curitiba, recomendo: http://www.waybeer.com.br/

Way American Pale Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 3,84/5

Way Premium Lager
– Produto: Premium American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,3%
– Nota: 3,33/5

Way Irish Red Ale
– Produto: Irish Red Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,81/5

Way Cream Porter
– Produto: Porter
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,6%
– Nota: 3,12/5

Diabólica 6,66%
– Produto: IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6,66%
– Nota: 3,66/5

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Leia também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leia sobre várias outras cervejas aqui

 

maio 17, 2012   Encha o copo

Cinco fotos: Pisa

Clique na imagem se quiser vê-la maior

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Nas margens do Rio Arno

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Detalhe de Torre

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Per Le Lettere

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No topo da Torre

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A pequenez do homem

Faltou uma foto da Torre de Pisa inteira, né. Ok, está aqui. Também gosto desta, desta e desta aqui também

Leia também:
– O rádio acaba de avisar: 35 graus na Itália (aqui)

Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)

maio 17, 2012   Encha o copo