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Três perguntas: TiãoDuá

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Segundo a informação do Soundcloud, “Tiãoduá é um trio de música brasileira formado por três jovens músicos proeminentes da cena musical de Minas Gerais”. Os três jovens são Juninho Ibituruna, Gustavito Amaral e Luiz Gabriel Lopes, este último músico prolífico (e obsessivo) que além de tocar na excelente Graveola e o Lixo Polifônico, mantém uma boa carreira solo (acho, inclusive, que ele me deu duas cópias de seu CD solo – quem curtir grita que envio de presente) e várias outras parcerias. Foi Luiz quem respondeu as três perguntas abaixo. O disco você pode baixar aqui

1) Quando surgiu o TiãoDuá? Apresenta o trio pros leitores 🙂
O TiãoDuá é um trio formado pelo Juninho Ibituruna, Gustavito Amaral e por mim no começo do ano passado em Belo Horizonte. No início era uma espécie de “banda autoral de buteco”, (com) a ideia de fazer um repertório de canções da galera num formato enxuto, com essa onda power trio brazuca – baixo, batera e violão. Fazíamos também um repertório de MPB dos anos 60/70, essa MPB mais roqueira da época do “Transa”, do “Expresso 2222”, etc. Daí na época pintaram uns convites pra fazer uns shows na Europa e teve a oportunidade de conseguirmos as passagens pelo Programa Música Minas, o que acabou rendendo uma turnê hercúlea de uns 30 e tantos shows entre Portugal, Holanda, Alemanha, Espanha e Inglaterra. Isso foi uma experiência ducaralho. Passamos por todo tipo de situação, tipo um dia numa livraria, outro dia num hotel de luxo, outro dia num buteco punk, outro dia num squat… daí foi surgindo um material novo de canções, fomos fazendo música juntos e daí saiu grande parte do repertório que apresentamos nesse disco de agora, que acaba sendo um retrato dessa turnê, personagens reais e tal… O Rui Macacada, por exemplo, existe mesmo, e é um amigo que vive no Haarlem, na Holanda.

2) Luiz, como você consegue tempo para se meter em tantos projetos?
Fui criado numa cidade do interior, na zona rural de Entre Rios de Minas, e quando criança tive uma pequena criação de girinos numa bacia, na varanda da minha casa, pela qual desenvolvi muito afeto. Alimentava os bichinhos todo dia, conversava com eles… Mas quando os girinos cresceram e começaram a ter perninhas de sapo, logo eles fugiram pro jardim da casa e se perderam, e isso me causou uma sensação muito grande de abandono e tristeza, foi minha primeira grande desilusão na vida. Daí fui parar em psicólogo e tal, e a única coisa que me curou foi fazer aulas de violão. Na época o cara chamava Pedrinho do Adão, me ensinava aquelas serestas, aquelas coisas tipo “quem quer pão… quem quer pão”… Depois dessa fase acabei passando parte da adolescência me dedicando a exercícios de guitarra, sweep picking, two hands, essas coisas, cheguei a ter bandas de heavy metal, era fã do Dream Theater… Acho que vem disso tudo esse perfil levemente obsessivo.

3) Disco nas praças da internet. E show? Vai rolar?
Lançamos hoje (11/7) o disco em Belo Horizonte, e temos alguns shows por aqui pra fazer, (mas) estamos agendando pra fazer show em Sampa e no Rio em breve. Acabamos de enviar uma proposta de turnê de lançamento na Zoropa também, pra dar continuidade ao processo iniciado no ano passado. No momento estamos dependendo da boa vontade do Programa Música Minas, vamos ver se rola…

julho 11, 2012   Encha o copo

Cinco fotos: Amsterdã

Clique na imagem se quiser vê-la maior

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Ruy

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Xeque

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Restauro

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Bikes ao Sol

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Untitled

Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)

julho 9, 2012   Encha o copo

Algumas dicas rápidas de Barcelona

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Enviada por e-mail para alguns amigos…

Tenta visitar uma das casas malucas do Gaudi (de preferencia La Pedrera, que tem doc e outras coisas situando a obra do cara), o Parc Guell, caminhar no Barri Gotic (tem uma lojinha de sementes de maconha excelente – na Espanha é permitido ter um pé em casa), bater ponto na FNAC da Praça Catalunya e nas duas lojinhas de CDs/vinis fodas da Calle Tallers (Casteló e Revolver).

O Museu da Catalunha tem uma visão bacana da cidade. Tem também o teleférico de Montjuic. Sagrada Familia só vale entrar se você for encarar os trocentos degraus das torres (senão é coisa de arquiteto, pois é um canteiro de obras).

Comer: não deixe de provar o melhor hamburguer da cidade: Kiosko (www.kioskoburger.com -> metrô Barceloneta, sentido contrário da praia). Paella e carne boa e barata é no La Fonda, na Calle Escudellers, travessa das Ramblas, lá no final. Nessa mesma rua tem o La Pasta, sensacional (é barato). E tenta comer algo ou mesmo só andar no mercado La Boqueria (tb nas Ramblas).

Pra comprar trapistas a preço de Brahma: Carrefour das Ramblas tem Chimay e Judas. Tem um shopping chamado Diagonal Mar, no final da avenida Diagonal (metro Maresme – Forum), repleto de outras cervejas boas. E se quiser ver topless ou andar pelado, é só ir pra Barceloneta (hehe).

Eu sempre optei por comprar o bilhete diário de metrô, que permite você andar à vontade, mas o de 10 viagens também é jogo. Deixa eu pensar mais…

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Leia também:
– Sete lojas de CDs e vinis na Europa (aqui)
– Cinco fotos: Barcelona (aqui)
– Uma tarde caminhando no El Raval (aqui)
– Barcelona, a cidade dos arquitetos (aqui)
– “Te quiero, Barcelona” (aqui)
– Joan Miró, Mies van der Rohe e Parq Güell (aqui)

julho 9, 2012   Encha o copo

Itália: Um conto cervejeiro em Veneza

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Texto e fotos: Marcelo Costa

É quase um conto cervejeiro. Semanas atrás estive em Veneza. Era minha segunda visita ao arquipélago, sendo que na primeira caminhei e me perdi bastante entre Santa Croce e Dorsoduro. Desta vez, tracei com meta me perder no bairro atrás da Piazza San Marco caminhando ainda nos bairros Castelo e Cannaregio. Neste segundo, após passar pelas igrejas San Barnaba e Santa Maria Dei Miracoli, segui em frente totalmente sem destino, quando, na Fondamenta Ormesini, vejo um quadro: “Birre da Tutto il Mundo (O Quasi)”. Tive que parar.

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O Bacaro Pub é de Aldo Campalto, um italiano corpulento que, assim que você pede a carta de birre, avisa: “As (quatro) geladeiras estão a sua disposição. É só pegar”. Há mesas ao lado do canal e variedades de crostinis viciantes no balcão. Era quase 13h, sol a pino. Ficar bêbado não estava nos planos, por isso abri os serviços com uma alemã leve e refrescante, a Augustiner Weissbier, mas quando vi já estava com uma Amacord de 8% na mesa, cerveja artesanal italiana cuja linha extensa homenageia o cineasta Federico Fellini.

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De brasileiras no cardápio, o Aldo só tinha Brahma e Skol, mas a linha de italianas artesanais era surpreendente. Fui ao balcão papear com o cara, e separar algumas para trazer para o Brasil. “Você não acha melhor, ao invés de levar a linha inteira de uma cerveja, levar metade dela e metade de outra? Acho que deveria experimentar as Del Ducato”, orientou. Segui o conselho, separei três Amarcord e três Del Ducato, e Aldo ainda me presenteou com uma Oatmeal Stout, Del Ducato da linha moderna.

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Fundada em 2007, a Del Ducato é uma microcervejaria da cidade de Fiorenzuola d’Arda, na Emília Romana (uma hora de Milão, duas horas de Veneza), com pouco mais de 13 mil habitantes. Com apenas cinco anos de existência, a Del Ducato já é apontada por muitos como a melhor cervejaria italiana, tendo ganhado prêmios em diversos festivais, com uma produção dividida em 22 rótulos separados em três linhas: a clássica (das quais eu trouxe a Winterlude, a A.F.O. e a Chimera), a moderna e a especial.

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A Oatmeal Stout da Del Ducato, cerveja da linha moderna (que ainda tem outros cinco rótulos) já se define no aroma intenso de malte torrado, o que também remete a chocolate amargo e também café moído na hora. O paladar segue as notas do aroma, mas perde no corpo. Estão ali o café moído (ainda mais intenso no paladar), o malte torrado e o mesmo chocolate amargo, mas a Oatmeal Stout é aguada demais, o que prejudica o conjunto. Ainda assim, a definição do site oficial merece citação: “ela evoca finais felizes”.

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A Winterlude integra a linha de cervejas clássicas da Del Ducatto (que traz mais sete rótulos), e é absolutamente perfeita. Isso mesmo: perfeita. Os italianos seguiram a risca a tradição das maravilhosas Tripel belgas, da refermentação na garrafa ao uso de lúpulo especial, no caso importado de uma fazenda da cidade de Poperinge, na região dos Flanders Orientais – área famosa pela cultura do lúpulo, que fornece 80% do material usado na produção belga (e também nesta surpreendente Winterlude).

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O encantamento começa no aroma, frutadíssimo, que remete a laranja, abacaxi e melaço (e, honrando a escola belga, álcool). O paladar é riquíssimo. Primeiro uva, depois laranja, abacaxi, talvez pêssego e mel. A tonelada de álcool (com 8,8%, essa é a cerveja mais forte da Del Ducatto) não intimida: o frutado acaricia o céu da boca enquanto o álcool passeia pela língua. O final fica entre o adocicado e o alcoólico. Apaixonante. Pra fechar: o nome é de uma canção de Bob Dylan…

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Indo por uma linha completamente diferente, a das ales norte-americanas, a A.F.O. (Ale for Obsessed), segundo rótulo lançado pela Del Ducato (em 2006), leva bastante a sério o que o nome propõe: eis uma ale para obcecados em lúpulo. Aqui são 10 tipos diferentes, três deles norte-americanos (Chinook, Cascade e Simcoe). O aroma é levemente frutado, com algo que remete a pimenta e a madeira. O paladar é amargo e incrivelmente saboroso, com o lúpulo distribuindo notas cítricas, que terminam com um leve toque de mel. Ótima.

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Por fim, chegamos à última Del Ducato que veio na mala direto de Veneza, a Chimera, uma Belgian Dark Strong Ale de responsa. O aroma fica entre o alcoólico (são 8% de graduação, que intimidam no início) e o adocicado, com o melaço de caramelo e açúcar queimado marcando presença de forma intensa. O primeiro toque na língua remete à ameixa e uva passa, e a sugestão se estende até a garganta, com o álcool aparecendo de forma suave no final em um conjunto que surpreende. “É um pouco como perseguir uma ilusão”, diz o site oficial.

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No pub do Aldo, em Veneza, cada uma das Del Ducato clássicas saiu por 4 euros (cerca de R$ 10) enquanto a Oatmeal Stout custava 3 euros. No Brasil, com importação da Tarantino, as cervejas da linha moderna saem a partir de R$ 19, da linha clássica a partir de R$ 39 e da linha especial a partir de R$ 90 (a garrafa de 330 ml). Então, recomendável que, em uma viagem à Itália, você procure pelas Del Ducato. O endereço do Bacaro Pub, do Aldo, em Veneza, é Fondamenta Ormesini Cannaregio, 2710. E o cartão avisa: “Aperto tutti i giorni fino alle 2:00”. Vale a pena.

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Del Ducato Oatmeal Stout
– Produto: Oatmeal Stout
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 4,5%
– Nota: 3/5

Del Ducato Winterlude
– Produto: Belgian Tripel
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 8,8%
– Nota: 4,25/5

Del Ducato A.F.O. (Ale for Obsessed)
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 3,30/5

Del Ducato Chimera
– Produto: Belgian Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 8%
– Nota: 3,62/5

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Leia também
– Diário de Viagem: Europa 2012 (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Cinco fotos: Veneza (aqui)
– Diário 2009: Veneza, Veneza, Veneza, Veneza e Ryanair (aqui)
– Diário 2009: A beleza de Veneza e a siesta de Treviso (aqui)

julho 7, 2012   1 Brinde

Grandes pausas do rock and roll

O vídeo abaixo é autoexplicativo, porém vale dizer que é um capítulo de “A Visita Cruel do Tempo”, grande livro da escritora Jennifer Egan. O blog da editora Intrinseca preparou outras derivações interessantes do livro, como uma mixtape para o personagem Bennie Salazar (uma aula de punk rock) que pode ser baixada aqui, alguns extras muito interessantes do livro aqui e uma lista com alguns dos livros preferidos da escritora aqui. Ela chega ao Brasil para a FLIP 2012, que começa hoje.

julho 4, 2012   Encha o copo

Bruce Springsteen infiamma Trieste


Texto e fotos por Marcelo Costa

O Estádio Nereo Rocco, em Trieste, era a casa do Unione Sportiva Triestina Calcio, time que lutou muito para fazer parte da elite do futebol italiano, mas naufragou este ano caindo para a Lega Pro Seconda Divisione (quarta divisão do futebol profissional da Itália) no mesmo momento em que a direção do clube declarava falência e dissolvia o time de futebol. Uma triste história para um estádio que, no dia 11 de junho, recebeu 30 mil pessoas, não para um jogo de futebol, mas sim para um concerto de rock and roll.

Não um show qualquer. A paixão que Bruce Springsteen inspira na Itália (e também na Espanha) é algo emocionante. Não havia um quarto sequer na grande maioria dos hotéis da cidade (segundo a Secretaria de Turismo, 11 mil camas foram ocupadas) assim como os 30 mil ingressos colocados à venda estavam esgotados. Trieste era a terceira parada italiana da turnê Wrecking Ball (que havia passado por Milão e Florença), e o show era assunto em todas as regiões mais próximas – de Lombardia ao Veneto – e até em países vizinhos (consta que 3 mil pessoas vieram em excursões dos Balcãs, da Austria, do Croácia e da Eslovênia).

Marcado para às 21h, as luzes só foram se apagar (para delírio da italianada) às 21h20, quando, um a um, os quinze integrantes da E Street Band foram subindo ao palco, com a fila sendo encerrada pelo guitarrista (e ex-Sopranos) Steven Van Zandt, aplaudidíssimo. Bruce veio na sequencia, olhou para o mar de gente, e cumprimentou (em italiano e esloveno): “Grande Trieste, urla, dobrodošli”. Alguns segundos depois começava a festa com os hinos “Badlands” e “No Surrender”.

É difícil demais explicar emoção, ainda mais de tanta gente junta. O cara vai, conta “one, two”, a E Street Band entra com peso e um estádio inteiro acompanha a música com um “ôôôôô” que parece a coisa mais simples do mundo, como se todos tivessem ouvido “Badlands” por toda sua vida, e esse fosse o momento para mostrar que aprenderam direitinho o oficio. Quando Jake Clemons, sobrinho de Clarence, faz o solo do tio no sax, o estádio quase vem abaixo. É só a primeira música.

Nestas duas primeiras canções, Springsteen exercita aquilo que fará durante as próximas três horas: largos sprints de um lado para o outro no palco, que geralmente terminam nos braços do público, em alguma das três passarelas que cortam o gargarejo. O público enlouquecido recebe muito bem “We Take Care of Our Own”, primeiro single de “Wrecking Ball”, que abre um bloco de canções do novo álbum na noite – seguem-se a faixa título e a irlandesa “Death to My Hometown”.

Lançado em março, “Wrecking Ball” alcançou o número 1 nos Estados Unidos, e Bruce mostra que confia muito no novo repertório, acertadamente, porque tanto a faixa título quanto “Death to My Hometown” trazem o público fazendo coro e parecem tão inseridas no repertório do homem que soam como se fossem um clássico de algum disco do Boss nos anos 70 (mesmo tendo menos de três meses de existência).

Surge então “My City of Ruins”, do álbum “The Rising” (2001), com Bruce apresentando em italiano – “Questa è la canzone dei saluti e degli arrivederci, delle cose che ci lasciano e di quelle che restano con noi, per sempre!” (algo como “Esta é uma canção de despedida, de pessoas e coisas que partem, mas mesmo assim ficam com a gente para sempre”) – e aproveitando para apresentar o time da E Street Band e mostrar outra novidade: a tour 2012 tem… suingue.

Isso mesmo. Quem estava acostumado com a explosão de energia das turnês anteriores de Bruce Springsteen irá se surpreender como a “Wrecking Ball Tour” namora o soul e o blues, e a emocionante jam session de “My City of Ruins”, em versão arrepiante de quase 13 minutos, tem o poder de transformar um estádio com 30 mil pessoas em um pequeno boteco de beira de estrada. É tudo enorme demais, mas íntimo, um dos vários grandes momentos da noite.

“Spirit in the Night”, do álbum de estreia de Bruce, “Greetings From Asbury Park, N.J.”, de 1973, surge em um arranjo soul de fazer a alma de James Brown sorrir de orelha a orelha. Bruce se joga no palco, se arrasta e vai pra galera. No caminho, o chefão pega uma guitarra de papelão de alguém da frente do palco, brinca de tocar, e olha o pedido do fã: “Downbound Train”, do álbum “Born in the U.S.A.” (1984), vem na sequencia, trazendo o rock de volta ao Estádio Nereo Rocco.

“Jack of All Trades”, outra nova, surge em uma versão bonita, que ganha ainda mais força com o discurso de Bruce antes de começar a canção: “Na América, os tempos são muito difíceis, as pessoas perderam seus empregos, suas casas e há muito pouco trabalho. Sei que vocês também estão enfrentando problemas, e houve o terremoto. Esta é uma canção para todos aqueles que lutam”. Na sequencia, “Youngstown”, do subestimado “The Ghost of Tom Joad” (1995), prova que há muitas pérolas escondidas nos álbuns de Bruce.

“Johnny 99” é outro dos grandes momentos da turnê atual. Bruce traz o quinteto de metais para a passarela central, entre o pessoal do gargarejo, e a galera fica toda ali improvisando, com o público tocando seus pés. Outra de “Born in the U.S.A.” (“Working on the Highway”) e outra nova (“Shackled and Drawn”) mantém a audiência aquecida e cantando. Parece que todos na plateia pensam: “se Bruce, aos 60, consegue, eu também consigo”. E dá-lhe correria e “ôôôô” .

“Waitin’ on a Sunny Day”, do álbum “The Rising” (2001) e um dos maiores hits de Bruce nos últimos 15 anos, é outro momento grandioso. Bruce vai pra galera, escolhe um moleque e o puxa para o palco (assim como ele havia feito em Roma na turnê de 2010). O menino sobe sem um dos tênis (alguém passa o par perdido pra Bruce, que segura), pega o microfone e canta gaguejante a letra, convidando na sequencia: “Come on E Street Band”, e a banda obedece. Lágrimas.

“Apollo Medley” é… foda, uma declaração de amor ao soul que hipnotiza e encanta. Na poderosa “The River”, o público acompanha Bruce cantando a trajetória do rapaz que engravidou a namorada Mary e teve que se casar aos 19 anos. Parecia impossível, mas o público faz ainda mais barulho quando o piano lança as notas de “Because the Night”, parceria histórica de Bruce com Patti Smith, e o show se encaminha para o final com “The Rising”, “We Are Alive” e o hino “Thunder Road”, que sozinha valeria o preço do ingresso.

O show termina, mas ninguém sai do palco e o bis começa com “Rosalita (Come Out Tonight)”, emenda os hinos “Born in the U.S.A.” e “Born to Run”, traz ainda “Bobby Jean” e “Hungry Heart” (a mais cantada da noite) e fecha com “Seven Nights to Rock” (cover do Moon Mullican), “Dancing in the Dark” (com vários fãs dançando com integrantes da banda no palco e Bruce dançando com a mãe de uma fã) e “Tenth Avenue Freeze-Out”. Acabou. Bruce diz ‘eu te amo’ (em italiano) para a plateia, manda beijos e deixa o palco. O relógio marca 00h40. A terça-feira está apenas começando.

No dia seguinte, o jornal italiano Il Piccolo manchetava na primeira página: “Springsteen infiamma Trieste: Storico concerto senza confini, il Boss regala musica e emozioni”. Impossível discordar. Por três horas e vinte minutos (semanas depois, Bruce bateria seu recorde tocando por inimagináveis três horas e quarenta e oito minutos em Madri), Bruce Springsteen entregou ao público italiano um dos melhores shows do planeta, senão o melhor.

Musicalmente impecável, um show de Bruce Springsteen não é bom apenas porque é longo (inclusive, há muita banda por ai que não deveria tocar mais que uma hora – para o nosso bem), mas sim porque Bruce faz valer cada segundo, cada gota de suor que derrama no palco, e não parou no tempo: boa parte do set list é de canções novas, músicas recentes que o público transforma em novos hinos numa relação apaixonada rara na música pop: Bruce é amado por seu público, e o ama na mesma intensidade. Vale a pena assistir essa história de amor ao vivo.

Leia também:
– Três horas de Bruce Springsteen em Roma (aqui)
– As diferenças de “Because The Night” (aqui)
– Histórias de Bruce Springsteen no SXSW (aqui)
– Fé em Bruce Springsteen (aqui)
– Bruce em Madri, o show mais longo, por Rodrigo James (aqui)

julho 2, 2012   Encha o copo

Itália: Trieste e o Castelo di Duíno

Texto e fotos: Marcelo Costa

“Buongiorno, eu gostaria de um quarto para uma pessoa para hoje e amanhã”, o cara pede assim que chega a recepcionista do hotel. “Para hoje temos vagas, mas para amanhã está tudo lotado”, responde a atendente. “Você poderia me indicar algum outro hotel aqui perto?”, insiste o turista. “Estão todos lotados. Bruce Springsteen faz show aqui e a Itália inteira está vindo pra cá ver o show”, exagera a garota. Hora de bater perna atrás de um local para dormir.

 Trieste é uma cidade de pouco mais de 210 mil habitantes situada no nordeste da Itália, no Mar Adriático, que faz fronteira com as comunas de Duino-Aurisina, Monrupino, Muggia, San Dorligo della Vallee Sgonico e com a Eslovênia (a fronteira com a Croácia está a cerca de 50 minutos de carro). Foi uma importante cidade do Império Austro-Húngaro, do qual era o principal porto, e na segunda, 11 de junho, será invadida por fãs de Bruce Springsteen.

 Costumo ser um cara prevenido em viagens internacionais. Geralmente, quando piso no Velho Mundo, estou com todos os ingressos, tickets de trens, aviões e reservas de hotéis comprados, tentando evitar surpresas. Desta vez, só não reservei hotel em Trieste. “Chegando na estação de trem acho um hotel ali do lado e me ajeito”, pensei, apostando na facilidade de encontrar um abrigo em uma cidade italiana não tão turística. Me enganei redondamente.

 Após camelar por sete hotéis, e receber um “sold out” em todos, comecei a ficar preocupado. No celular, a busca encontrava hotéis disponíveis em Sežana, uma cidadezinha de 11 mil habitantes na Eslovênia, 15 quilômetros de Trieste. Cogitei seriamente atravessar a fronteira, mas havia um risco: na terça pós-show eu teria que estar às 7h na estação de trem em Trieste em direção à Verona para um voo para Amsterdã. O deslocamento talvez fosse complicado.

Arrisquei: entrei num dos hotéis na redondeza da estação de trem e garanti o domingo, implorando: “Se alguém cancelar a reserva para segunda, guarda pra mim”. Check in feito, sai a bater perna pela colônia romana que, no século II, se chamava Tergeste, ficou sob o controle de Bizâncio até 788, quando passou ao controle dos francos. Em 1382 passou a ser protegida do duque de Áustria sendo anexada à Itália apenas em 1918, após a Primeira Guerra Mundial.

 Bastaram alguns minutos caminhando a esmo em um domingo de sol para se apaixonar pela cidade. A luz da cidade (entre o marrom e o amarelo, devido as pedras antigas que decoram todo o centro) a visão do Adriático, as extensas praças e o longo calçadão, que passa por diversas áreas da cidade, são um convite à contemplação. Uma cidade que merece uma visita com mais calma. Dormi o sono dos justos cansados torcendo por uma segunda-feira positiva.

“Buongiorno, apareceu algum quarto?”, foram minhas primeiras palavras na manhã de segunda. “Infelizmente não temos nenhum quarto de solteiro, mas há de casal vago”, ofereceu a recepcionista, explicando: “Você está pagando 70 euros o de solteiro. O casal é 90“. Não pensei duas vezes: “É meu”. Peguei informações de como chegar ao Castelo de Duíno, reduto em que o poeta alemão Rainer Maria Rilke escreveu o doloroso “Elegias de Duíno”, e parti.

 Após um domingo lindo de sol, a segunda amanheceu nublada, com garoa e previsão de pancadas de chuva. Peguei um ônibus para o aeroporto, avisei o motorista que eu queria descer no castelo, e fui ser feliz. Uns dois pontos depois do castelo, o motorista me vê e pergunta: “Por que você não desceu?”. Faço cara de turista idiota, desço na autoestrada, e sigo a pé até o castelo… por dentro da mata. Do capítulo “vivendo perigosamente”.

 Cerca de meia hora depois (podem ter sido o dobro ou o triplo disso, perdi toda noção do tempo) encontrei o castelo, e parti para quase duas horas de contemplação. Sua construção começou em 1389 sobre ruinas de um posto romano, e desde 2003 ele está aberto para visitação, tendo sido consagrado pelo poeta Rainer Maria Rilke, que passou dez anos (entre idas e vindas) no castelo escrevendo o que viria a ser conhecido com “Elegias de Duíno”:

 “Se eu gritar, quem poderá ouvir-me, nas hierarquias dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua natureza mais potente. Pois o belo apenas é o começo do terrível, que só a custo podemos suportar, e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha destruir-nos. Todo o anjo é terrível.” (trecho da primeira das dez elegias que compõe o livro).

O castelo está em excelentes condições, e impressiona como a família Della Torre, dona da edificação por cerca de 420 anos, era extremamente musical, com dezenas de violinos, violoncelos e pianos expostos pela casa (um deles de Franz Listz), que recebeu, entre outros, o arquiduque Franz Ferdinand, Johann Strauss, Paul Valery e Gabriele d’Annunzio. A vista do Adriático e os jardins do palácio são impressionantes. Não consegui visitar o bunker aberto na Segunda Guerra Mundial, mas sai impressionado com o local.

Na saída, uma chuva brindou os poucos turistas que se arriscaram a visitar o local em uma segunda-feira (um deles até chegou a perguntar se o ticket do show do Bruce Springsteen não dava descontos na entrada), que ainda teve passeio de bondinho (panorâmico) do centro até a região de Opicina, no alto do morro, e uma vontade danada de esticar até a Eslovênia ou a Croácia, mas eu já tinha compromissos para a noite de segunda-feira, e não podia faltar.

julho 2, 2012   Encha o copo

Da Inglaterra, Whitstable Bay Organic Ale

Duas belas representantes da Shepherd Neame, cervejaria de Kent, no sudoeste da Inglaterra, já haviam passado por este espaço: a Dedo do Bispo (Bishops Finger), uma bitter ale caprichada, com o aroma lupulado, que ainda traz notas de madeira, malte e frutas; e a Spitfire Premium Kentish Ale, uma standart bitter ale com três tipos de lúpulo que grudam caramelo e melaço de malte no céu da boca. A da foto acima é uma Whitstable Bay Organic Ale, que chega ao Brasil via Uniland.

Essa inglesinha carrega no aroma a marca da Shepherd Neame: assim que a garrafa é aberta, o lúpulo contagia o ambiente deixando alguns rastros de notas cítricas, florais e até um pouco de mel. O paladar, por sua vez, é tipicamente inglês: amargor pronunciado com o lúpulo marcando o céu da boca e o início da garganta, com o malte servindo de coadjuvante de luxo (melaço e caramelo) em uma cerveja bastante leve e refrescante, mas que perde em comparação para suas irmãs.

A Shepherd Neame é a cervejaria mais antiga da Inglaterra com uma produção dividida em oito rótulos distribuídos por mais de 360 pubs no Reino Unido (em Kent, Londres e Essex). Além das três cervejas citadas acima, a Uniland está importando outros dois rótulos (a maioria deles encontrado com facilidade em supermercados da rede Pão de Açucar entre R$ 13 e R$ 18 a garrafa de 500 ml): a Master Brew Kentish Ale e a 1698 Special Strong Ale. Estou atrás.

Whitstable Bay Organic Ale
– Produto: English Pale Ale
– Nacionalidade: Inglaterra
– Graduação alcoólica: 4,5%
– Nota: 2,81/5

Leia também
– Outras duas cervejas da Shepherd Neame (aqui)
– Top 500 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

junho 29, 2012   Encha o copo

Tour Comida di Buteco São Paulo 2012

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texto por Marcelo Costa
fotos por Liliane Callegari

Sexta-feira, dia tradicional de happy hour. Nada como despedir-se de uma semana de trabalho em um bom boteco (daqueles que você ou conhece o dono, ou conhece bem o garçom), petiscando boa comida acompanhado de amigos e cerveja – não necessariamente nessa ordem – festejando o fim de semana que vem pela frente. Melhor ainda quando, a convite da organização do Comida di Buteco, somos levados por um pequeno tour pela capital para conhecer alguns bares que integram a competição paulistana em 2012, que vai até 01 de julho.

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Atualmente realizado em 16 cidades brasileiras, o Comida di Buteco foi criado em Belo Horizonte no ano 2000, e estreia em São Paulo em 2012. Já tive o imenso prazer de experimentar alguns pratos premiados no concurso da cidade mineira, o que me deixa bastante animado para a competição em São Paulo. O chef Eduardo Maya, carioca boa praça de alma mineira especializado em comida de raiz, votante do badalado Guia Michelin de Restaurantes e idealizador do projeto andou muito na capital paulista para selecionar os 50 botecos para o certame.

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Assim que chega à mesa do Pé Pra Fora, boteco no começo da Avenida Pompéia, pertinho do metrô Vila Madalena, ponto de encontro do Tour Comida di Buteco, Eduardo cumprimenta a todos e de cara recomenda uma colher de azeite, tradição no evento: “É para dar uma forrada no estômago, deixar uma película protetora, afinal a noite promete”, diz, não deixando ninguém de fora: “Já tomou sua azeitada?”, pergunta pra um. “Não vale deixar a colher torta para caber menos azeite”, brinca com outro, enquanto pede para o garçom porções do petisco da casa… e cerveja para acompanhar.

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“São Paulo é uma colcha de retalhos gastronômica”, diz ele. “Tem ‘botecão’ simples e tradicional, tem bar arrumadinho e todo tipo de influência cultural. Fizemos questão de respeitar essa diversidade”, conta, preocupando-se em explicar o conceito da premiação: os bares participantes são avaliados em quesitos como qualidade do cardápio, atendimento, temperatura da bebida e higiene do local, mas um dos critérios mais emblemáticos é o envolvimento direto do proprietário no negócio. “Nós buscamos botecos com alma”, resume Maya.

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Região lotada de bares chiques e restaurantes charmosos, mas com poucos botecos tradicionais, a Vila Madalena, por exemplo, tem apenas um representante no concurso: “Escolhemos o Jacaré Grill, e até tentamos outro, mas não deu certo”, diz Eduardo, que conseguiu criar um bom mapa de botecos paulistanos, com bares na Lapa, Santana, Perdizes, Cambuci, Vila Buarque, Mooca, Casa Verde, Vila Maria, Vila Mariana, Imirim. Brooklin, Ipiranga, Mandaqui, Saúde, Campo Belo, Vila Zelina, Tatuapé, Vila Matilde, Jaguaré, Liberdade, Bela Vista, Consolação, Santa Cecilia, Barra Funda e, ufa, no centro.

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O primeiro petisco chega à mesa. É o Delícia de Pé, um belo (e bastante apetitoso) pedaço de filé de peito de frango empanado com um creme especial, o que o aproxima de uma coxinha creme, petisco bastante tradicional em vários botecos paulistanos. Aberto em 1970, o Pé Pra Fora é tão tradicional que sua vitrine lotada de torresminhos é, ao mesmo tempo, uma tentação e um atestado de identidade. Alguém na mesa assim que percebe os torresmos comenta: “Esse buteco é true”, no que Maya completa: “Uso isso para identificar os botecos de raiz”.

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Partimos então para o nosso segundo destino na noite: Mooca. No caminho, Eduardo segue contando histórias gastronômicas divertidas, que incluem desde um tour de vespa por botecos no Vietnã até a explicação de pratos provados em viagens, como a carne de sapo, no Saigon – “Você escolhe ele vivo, e a pessoa prepara para você na hora. Lembra bastante carne de frango, ao contrário da rã, que comemos em alguns Estados brasileiros, que tem um pouco de água e lembra também peixe”, explica – ou um prato com dois peixes exatamente iguais, mas com gostos diferentes, na Espanha.

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A segunda parada é no Bar do Vardema, na rua Guaimbé, uma travessa da Paes de Barros, na Mooca. O boteco está lotado com um balcão farto oferecendo dezenas de petiscos, entre eles o excelente Bolinho de carne com toque de shoyu, que participa da premiação. A família do dono, que está de aniversário – e avental, está presente, e um coro de “Parabéns Pra Você” irrompe na casa. Cada freguês é convidado a votar dando notas de 0 a 10 ao petisco, ao atendimento, à temperatura da cerveja e também para a higiene do local. Votos na urna, bora para o terceiro e último boteco desta sexta-feira.

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Na van, o papo continua bom. “Boteco é uma extensão da casa da gente”, filosofa Maya, que além de defender a cultura da botecagem, busca incentivar que os bares participantes usem receitas de família em seus cardápios, e inovem. “Cozinha é experimentação”, diz com a experiência de que tem duas escolas de culinária em Belo Horizonte, e exige ingredientes obrigatórios no Comida di Buteco. Esta primeira edição em São Paulo foi livre, mas Eduardo promete levar os donos de boteco paulistanos a experimentarem na cozinha em 2013: “Linguiça e mandioca serão obrigatórios”, avisa.

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A terceira parada deveria ser n’O Alemão, um boteco no Imirim, que está no concurso com um tentador Escondido de berinjela (massa leve de mandioca com cebola, recheado com berinjela, pimentão, queijo fresco e acompanhado de molho especial), mas a lotação do local acabou nos levando para um excelente plano B: o tradicionalíssimo Elídio Bar, na Mooca, que está defendendo no Comida di Buteco um sensacional Frango à passarinho crocante, servido com maionese (de dar água na boca e repetir várias vezes – enquanto houver espaço).

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Seu Elidio Raimondi, falecido em 2012, foi o primeiro a ter um balcão de acepipes no bar fundado em 1959. Hoje em dia, as novas comandantes da casa são suas três filhas: Celeste, Solange e Suzete Raimondi, que aprenderam a cuidar de todos os detalhes com seu pai, que amava o futebol. Pelas paredes do Elidio Bar há mais de 40 camisas de times autografadas, muitas do Rei Pelé, e um enorme desenho do mítico campo da Rua Javari, casa do Moleque Travesso, o Juventos, tradicionalíssimo clube do bairro. O balcão de acepipes conta com aproximadamente 120 tipos e é uma enorme tentação.

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“Uma das coisas bacanas do Comida di Buteco é que ele leva você a conhecer a sua própria cidade”, observa Eduardo Maya, ao saber que boa parte dos presentes não conheciam o ponto tradicional da Mooca. Bastante animado com essa primeira edição em São Paulo, o idealizador do projeto pretende mudar e ampliar os hábitos de botecagem na cidade, aumentar os pontos de baixa gastronomia de qualidade, fazendo com que casas já festejadas – como o Veloso (que está no concurso) – dividam sua audiência com novos concorrentes. Quem tem a ganhar somos nós, botequeiros.

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Ps. No sábado, animados pelo tour da sexta, levei Lili para conhecer o tradicional Amigo Leal, na Amaral Gurgel, antigo ponto de encontro de jornalistas da Folha de São Paulo e do Estadão, na compania do casal Leonardo e Aline, e do palmeirense Tiago Agostini. O Amigo Leal está participando do Comida di Buteco com o viciante prato Doidera Alemã, de mais ou menos 1 kg de Eisben (joelho de porco) frito servido com molho de maionese e pão preto. Deu vontade de ficar petiscando e bebendo chopp a tarde inteira. Agora só faltam 46…

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Ps2. Além de mim e da Lili representando o Scream & Yell, participaram do Tour Comida di Buteco a Isabelle Lindote, do Aventuras Gastronômicas; o Márcio Oliveira e a Paula Ricupero, do Tempero Urbano; a Ana Lúcia Araújo, do Cabana Bacana; e o Robson Catalunha, do grupo de teatro Satyros.

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Todas as fotos por Liliane Callegari. Veja mais aqui

Leia também:
– Site do Comida di Buteco -> www.comidadibuteco.com.br/
– Meus cinco botecos preferidos em São Paulo, por Mac (aqui)
– Tops dos 14 dias em Minas Gerais, por Mac (aqui)
– Guia da Baixa Gastronomia: Pão na Chapa, por Mac (aqui)
– Receita de Sopa Parisiense com cebola, por Mac (aqui)
– A simplicidade de um bom molho pesto, por Mac (aqui)
– Receita de Talharim Alla Amatriciana, por Mac (aqui)
– Roteiro: Argentina e Chile – Parte 1: Comida (aqui)

junho 24, 2012   Encha o copo

The Man Who Invented Bossa Nova

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No Mercado Livre, o CD “O Mito”, de João Gilberto, motivo da pendenga entre o músico e a gravadora EMI no começo dos anos 90, pode ser encontrado por cerca de R$ 179 (aqui). Disponível em dezenas de compartilhadores de arquivos, o álbum que reúne em um único disco os três primeiros lançamentos da carreira de João Gilberto (“Chega de Saudade”, de 1959, “O Amor, O Sorriso e A Flor”, de 1960, e “João Gilberto”, de 1961) permanece inédito no Brasil (assim como os próprios álbuns).

Teoricamente, os três primeiros discos de João Gilberto deveriam estar embargados em todo o mundo, já que João processou a gravadora (a qual havia deixado em 1963 e rompido definitivamente em 1988) em 1993 revoltado com o descaso com que o selo lançou a compilação com os três discos em um CD (acrescidos do EP “Orfeu da Conceição”). Segundo o músico, para encaixar as 38 músicas no CD, a EMI cortou o final de algumas canções e alterou a sequencia original dos álbuns.

Nem “O Mito”, nem “Chega de Saudade”, “O Amor, O Sorriso e A Flor” e “João Gilberto” podem ser encontrados para comprar em lojas brasileiras (com exceção de algumas lojas virtuais como o Mercado Livre), mas os três primeiros álbuns de João Gilberto vêm sendo comercializados com normalidade nos Estados Unidos e na Europa, em diversos formatos (até em vinil recém prensado é possível encontrar a trilogia inicial do mestre da bossa nova).

Em 2010, a gravadora britânica Cherry Red Records (que vem se especializando em material raro brasileiro) relançou os dois primeiros álbuns sem consultar o músico. Além das canções originais, as reedições de “Chega de Saudade” (1959) e “O Amor, O Sorriso e A Flor” (1960) pela Cherry Red Records são preenchidas com dezenas de faixas bônus (14 músicas extras no primeiro disco, 23 faixas a mais no segundo). Os dois discos são facilmente encontrados na Amazon.

Em 2012 é a vez do selo Ubatuqui Records, de propriedade da empresa espanhola Blue Moon Producciones Discograficas, com sede em Barcelona, se apropriar das canções de João Gilberto lançando “The Man Who Invented Bossa Nova”, praticamente uma reedição de “O Mito”, com os três álbuns reunidos em um único CD (mais o EP “Orfeu da Conceição” e ainda uma versão diferente de “Este Seu Olhar”) totalizando 39 canções em 78 minutos (com o set list novamente bagunçado, porém completo).

Vendido na FNAC espanhola por 7 euros (aproxidamente R$ 19), “The Man Who Invented Bossa Nova” traz um trabalho informativo exemplar, com ficha técnica, datas de gravação de cada take, capas de álbuns/compactos e letras de todas as canções além de textos de Tom Jobim (retirado da contracapa de “Chega de Saudade”), Gene Lees (da contracapa de “The Warm World of João Gilberto”, lançado nos Estados Unidos em 1963), Jordi Pujol, Dave Dexter Jr. e Jack Maher, da Billboard norte-americana.

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Leia também:
– Os dois primeiros discos de João Gilberto são reeditados com faixas bônus na Inglaterra (aqui)

junho 24, 2012   Encha o copo