EUA 2013: primeiro rascunho

Fotos: Marcelo Costa
Na verdade é um rascunho de quase martelo batido pois pouca coisa deve mudar: no final de abril parto com Lili para visitar a terra de Lincoln pela segunda vez (minha – a primeira dela). A ideia básica é começar pelo Sul para aproveitar o New Orleans Jazz Festival e pagar tributo para alguns ícones da música (Johnny Cash, Elvis Presley, Jack White… a lista segue imensa) e depois tirar uma semaninha em Nova York.
Além do festival, vi pouca coisa de shows rolando nas cidades pelas quais vou passar. E muito desencontro. BRMC toca dia 01/05 em Nashville e a cidade ainda recebe, no dia 03/05, Black Keys e Flaming Lips. Por outro lado, dia 27/04 tem B.B. King num cassino em Memphis. Talvez role inverter as cidades. Até em Nova York é um periodo fraquinho: Breeders (06/05), James Blake (09/05) mais Laurie Anderson, Todd Rundgren, Shout Out Louds…
Mas ainda há tempo. Acho. As passagens nem foram compradas e os hotéis não foram reservados. Estou colhendo com amigos dicas de hospedagem nas quatro cidades. Adorei o hotel que fiquei em Nova York a primeira vez, The Jane, mas estou pensando em ficar em outro, mais em conta, pois ainda tenho planos de passar uns 15 dias na Europa no final de maio e começo de junho… Tudo na ponta do lápis. O roteiro por enquanto é esse:
27/04 – Nashville
28/04 – Nashville
29/04 – Nashville
30/04 – Memphis
01/05 – Memphis
02/05 – New Orleans (Patti Smith, Roy Ayers e…)
03/05 – New Orleans (Willie Nelson, Jimmy Cliff e…)
04/05 – New Orleans (Fleetwood Mac, Phoenix, Frank Ocean e…)
05/05 – New Orleans (Black Keys, Daryl Hall and John Oates e…)
06/05 – Nova York
07/05 – Nova York
08/05 – Nova York
09/05 – Nova York
10/05 – Nova York
11/05 – Nova York
12/05 – Nova York

Leia também:
– Diário de Viagem: Estados Unidos 2011, por Marcelo Costa (aqui)
– Balanço: 20 dias de Estados Unidos, por Marcelo Costa (aqui)
– 5 fotos: Nova York (aqui), São Francisco (aqui) LA (aqui) e Chicago (aqui)
fevereiro 17, 2013 Encha o copo
Atrás de blocos no carnaval de São Paulo

Fotos impares: Liliane Callegari / Fotos pares: Marcelo Costa
Texto: Marcelo Costa
Nunca fui muito de pular carnaval. Em Taubaté, cidade onde passei minha adolescência (período propicio para a farra), a minha turma aproveitava o feriadão para ir para Ubatuba ou Caraguá com um rotina dividida entre passar a noite no calçadão paquerando depois ir pralgum boteco em que o bicho estivesse pegando. Chegávamos à casa alugada por volta das 7 da manhã e dormíamos até as quatro, cinco da tarde. Praia? Carnaval? Nem lembrávamos.

Com exceção de algumas noites clássicas no delicioso carnaval de rua da queridíssima São Luiz do Paraitinga e um carnaval insano no meio dos anos 90 seguindo blocos com um amigo pelas ruazinhas do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, não me lembro de aproveitar o carnaval ‘carnavalizando’. Mesmo as noites bêbadas e antológicas nos carnavais divertidíssimos de cidadezinhas mineiras como São Lourenço e Caxambu não tinham espirito de carnaval. Era outra coisa.

Porém, este ano a coisa foi diferente. Lili conseguiu um freela que previa fotografar blocos de carnaval. Cogitamos ir ao Rio, pensamos em Recife e Olinda, e até em São Luiz do Paraitinga, mas, em tempos de vacas magras, decidimos economizar e ficar em São Paulo. O papo que tive com Rodrigo James e Thiago Pereira em Belo Horizonte, sobre o carnaval na cidade, tinha me despertado a curiosidade: será que São Paulo também acordou para a força dos blocos?

Para tergiversar a resposta – que é complicada e repleta de atenuantes, agravantes históricos e comparações sem sentido – gostaria de dizer que fazia muito tempo que eu não me divertia tanto no carnaval, carnaval mesmo (provavelmente desde aqueles dias no Rio). A ideia era começar na sexta, mas um temporal colocou os planos de molho e nos fez perder o Bloco Lira da Vila e a Banda do Trem Elétrico. Mas do sábado em diante embarcamos na folia. Para acompanhar, levei minha câmera.

Na lista do sábado, mais de dez blocos iriam sair pelas ruas da cidade (todos liberados pela prefeitura). Escolhemos o João Capota na Alves, cuja concentração fez o pontilhão do metrô Sumaré tremer. O bloco existe desde 2008 e homenageia às ruas João Moura, Capote Valente e Alves Guimarães. O cordão desce a Oscar Freire, dobra na Arthur de Azevedo e depois vira na Lisboa encontrando-se com outros blocos na Praça Benedito Calixto. No repertório, ótimas marchinhas reinventadas.

No domingo foi a vez de conferir o Bloco Guerreiros de Jorge, que existe desde 2012 e desfila pelo Minhocão saindo da Praça Marechal Deodoro. Com repertório mais tradicional e uma turma menor, mas não menos animada, o bloco mostrou sua força quando, ao sair, foi abençoado com uma tempestade. Ninguém parou. Todo mundo se protegeu debaixo do Minhocão e a batucada seguiu até o tempo melhorar. Foi bonito, muito bonito.

A segunda-feira era dia do bloco mais antigo da cidade, os Esfarrapados do Bixiga, que desde 1947 passeiam pelas ruas do bairro com muita animação e folia. Antes do bloco, almoço numa cantina. Depois, hora de queimar as calorias. Foi o bloco mais estruturado, animado e lotado (cerca de 15 mil pessoas). Era tanta gente que o som se dividia entre três carros distribuídos pelo trajeto. Palmas para o puxador, que convidada, rua a rua, os locais para aderirem a festa.

Na terça foi a vez de voltar no tempo. E não poderia ter sido mais perfeito. O Urubó sai desde 2009 durante todos os dias de carnaval. O percurso – uma volta no Largo da Matriz da Nossa Senhora do Ó – é simples e animado com quase todos os homens do bairro vestidos de mulher (como numa cidade do interior) eparadas estratégicas em frente aos bares patrocinadores (como o Frangó). No repertório, marchinhas clássicas e hits diversos de Mamonas a Sidney Magal.

Ainda conferimos o impagável Jegue Elétrico e o Grupo de Maracatu Bloco de Pedra. Faltou acompanhar o Cordão Cecilia, que desfilava no sábado na Barra Funda (vimos em 2010), e descobrir se o Cordão Triunfo, que iria desfilar e encenar a peça “Cine Camaleão – Boca do Lixo”, realmente saiu. O bloco sairia da sede da Cia. Pessoal do Faroeste, localizada na quadra tomada por usuários de crack no centro de São Paulo. Veículos como o Guia da Folha e outros não informaram este fato ao público, e uma turma de jovens por volta dos 15 anos girava em torno da área buscando descobrir o paradeiro do bloco.

Tirando esse ato de irresponsabilidade muito parecido com uma pegadinha (se foi, temos mais um caso de hoax derrubando veículos – vale pesquisar), os blocos em São Paulo foram uma alegria contagiante. A maioria começava por volta das 14h ou 15h e ia noite afora cumprindo a promessa da festa carnavalesca. Em meio a boa vibe impressiona o número de foliões fantasiados tanto quanto o número de crianças se divertindo (nas ruas de uma cidade que é hostil com elas).

Alguém pode provocar: existem carnavais melhores! Existem, sem dúvida, melhores e infindáveis. Mas como há graça em ir atrás do melhor (quando o dinheiro permite), há também prazer em fazer o melhor (quando a criatividade funciona). Neste ponto, os Blocos de São Paulo estão de parabéns. Foi bonito. Mesmo. O carnaval aqui acabou (afinal, o ano começa) mas quem (por algum motivo) ficou na cidade e soube aproveitar, o carnaval 2013 na cidade valeu muito a pena.





Leia também:
– Festival Sensacional e o carnaval em Belo Horizonte (aqui)
– 2010: “O primeiro carnaval em que folguei após três anos (aqui)
– Curta o Carnaval que esse pode ser o seu último verão (aqui)
– Mais fotos: Liliane Callegari (aqui) e Marcelo Costa (aqui)
fevereiro 13, 2013 Encha o copo
Cinco fotos: Bloco João Capota na Alves
Clique na imagem se quiser vê-la maior
O Bloco João Capota na Alves existe desde 2008 e estreia uma marchinha reinventada a cada ano. O Bloco desce a Rua Oscar Freire saindo do Metrô Sumaré, vira na Rua Arthur de Azevedo e depois na Rua Lisboa chegando na Praça Benedito Calixto, onde encontra outros blocos. Saem todo primeiro sábado de carnaval em São Paulo. Veja mais fotos do carnaval 2013 em São Paulo aqui.
fevereiro 10, 2013 Encha o copo
Dez links
– Daniel Galera: Fábrica de sonhos e burgers (aqui)
– Eels: “Fazer algo alegre e convincente é um desafio” (aqui)
– Assange: “Seis famílias controlam 70% da imprensa no Brasil” (aqui)
– Clipes de Fiona Apple dirigidos por Paul Thomas Anderson (aqui)
– Os 10 melhores discos de janeiro para a BBC (aqui)
– Rodrigo Amarante lança álbum solo em maio (aqui)
– Outros Criticos estreando novo site e colunistas (aqui)
– Guia pop do Carnaval de Recife e Olinda 2013 (aqui)
– My Bloody Valentine: Por favor, desafiem Kevin Shields (aqui)
– Los Porongas: “Não precisa esperar por edital pra fazer algo legal” (aqui)
fevereiro 4, 2013 Encha o copo
Cervejas com cumaru, priprioca e açai

A cervejaria paraense Amazon Beer segue em sua investida de provocar o paladar brasileiro desacostumado com cervejas personais. Após a boa resposta às versões Bacuri Beer e Witbier Taperebá, os paraenses surgem desta vez com três rótulos mais intensos e provocantes, mas não menos interessantes: Amazon IPA Cumaru, Amazon Red Ale Priprioca e Amazon Stout Açai. As duas primeiras seguem a opção da cervejaria em deixar o fruto regional bastante exposto no conjunto (como acontece com o bacuri e o taperebá) enquanto na Amazon Stout Açai, o fruto da palmeira fica escondido sob o malte tostado, mas aparece no final para dar sua contribuição. São três cervejas de personalidade forte e estofo para conquistar paladares exigentes e impressionar desconhecidos.
Conhecida como baunilha da Amazônia, a semente do cumaru é usada como tônico cardíaco entre os índios além de aparecer tanto na medicina quanto na perfumaria. E agora também em cerveja. A Amazon IPA Cumaru traz no aroma as notas adocicadas da semente, que lembra baunilha, e remete também a açúcar queimado e própolis. Porém, é no paladar que os paraenses mostraram serviço. O Cumaru se sobressai ao lúpulo, e juntos constroem um cenário altamente amargo, que até permite perceber no início um leve adocicado, mas depois se transforma numa onda intensa de amargor, que pode assustar até fãs de IPA. A sensação é de que um pouco menos de cumaru e um pouco mais de lúpulo talvez balanceasse o conjunto. O final é amargo e persistente em uma cerveja indicada para corajosos.
Já a priprioca (ou piripirioca) é uma erva aromática e medicinal cujas raízes liberam uma fragrância leve, amadeirada e picante com notas florais. É um dos perfumes tradicionais da região amazônica e conquistou o chef Alex Atala, que a incluiu em sobremesas. E é ela que surge como estrela na Amazon Red Ale Priprioca, uma cerveja mais balanceada que a IPA Cumaru. Isso não quer dizer que a Priprioca esteja tímida. No aroma intenso, notas frutadas e duelam com o malte desvelando-se em amadeirado, herbal e caramelo. O paladar segue o trabalho feito na IPA: no início é adocicado, com sensação de caramelo e baunilha, e depois se torna amargo (muito menos intenso do que na primeira) deixando-se notar as ervas. O final fica entre estes dois polos em uma das melhores cervejas da Amazon Beer.
Fechando o trio surge a Amazon Stout Açai. O açaí é fruto de uma palmeira conhecia como açaizeiro, com expressiva plantação no Pará e propriedades estimulantes semelhantes às encontradas no café e em bebidas energéticas. Não iria demorar para que alguém juntasse o açaí com a stout, o café gelado irlandês. Primeiro ponto: ao contrário dos dois rótulos anteriores, na Amazon Stout Açai, a fruta não toma à frente do aroma nem do paladar. A força do malte torrado se sobrepõe ao açaí nesta que é a cerveja da Amazon mais fiel ao estilo – o que pode frustrar alguns. No aroma, notas clássicas de malte torrado (com percepção de café e chocolate). No paladar, café e… frutas vermelhas. O açaí parece surgir apenas no final marcadamente amargo em uma cerveja muito boa, mas que ainda deve encontrar a sua cara.

As cervejas da Amazon Beer são vendidas em garrafas de 330 ml e podem ser encontradas em bons empórios entre R$ 9 e R$ 12. Vale lembrar a visita ao bar da cervejaria, na Estação das Docas, em Belém.
Amazon IPA Cumaru
– Produto: India Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,7%
– Nota: 2,37/5
Amazon Red Ale Priprioca
– Produto: Red Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6%
– Nota: 2,79/5
Amazon Stout Açai
– Produto: Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 7,2%
– Nota: 2,90/5

Leia também
– Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Amazon Beer: River e Bacuri, por Marcelo Costa (aqui)
– Cervejas frutadas: banana, manga e pêssego (aqui)
– Witbier Taperebá segue o caminho aberto pela Bacuri (aqui)
janeiro 29, 2013 Encha o copo
Um blog de demo-tapes
Um blog com dezenas de fita de demonstração, as populares demo-tapes, de bandas brasileiras. Tem Los Hermanos, Defalla, Os Replicantes, Little Quail And The Mad Birds, Pato Fu, Raimundos e muitos outros.

http://demo-tapes-brasil.blogspot.com.br
“Demo tape ou fita demo é uma gravação musical demonstrativa amadora, feita em estúdio ou não, sem vínculo com gravadoras, para estudos musicais, ou primeiras propostas do que futuramente pode vir a ser um álbum de música. As demo tapes (ou apenas demos) são usadas como um portifólio para as bandas. O material é apresentado para as gravadoras, para um futuro contrato. Caso possa surgir um contrato de gravação e vendagem, as músicas podem ser sujeitas a modificações, pelos músicos e produtores”.
janeiro 28, 2013 Encha o copo
Baixe: 22 roteiros incluindo O Mestre
Clique na imagem e salve o arquivo em PDF
Quem já assistiu ou ainda vai assistir a “O Mestre”, novo grande filme de Paul Thomas Anderson, pode comparar o filme com essa versão do roteiro, que é completa, mas não é a versão final, e traz razoáveis modificações na trama (incluindo nomes de alguns personagens além de retirada e inclusão de cenas).
Além deste roteiro você pode baixar neste link outros 20 roteiros originais incluindo “Amor”, de Michael Haneke, “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson e Roman Coppola, “Lincoln”, de Tony Kushner, “As Vantagens de Ser Invisivel”, de Stephen Chbosky, e “Ted”, de Seth MacFarlane, entre outros. Baixe aqui.
Ps. O roteiro de “Django Livre”, do Tarantino, pode ser baixado aqui
janeiro 27, 2013 Encha o copo
Entrevistão de Johnny Marr na Mojo
janeiro 27, 2013 Encha o copo
Duas cervejas italianas e uma espanhola

Por mais de sete gerações, a família Farchioni cultiva a terra em Úmbria, cidade que fica na região central da Itália, vizinha a Perugia e a cerca de duas horas de Roma. As cervejas dos Farchioni são recentes e não são pasteurizadas nem fermentadas. As receitas usam produtos agrícolas locais como a ervilha na Mastri Birrai Umbri Cotta 37 e lentilhas na Mastri Birrai Umbri Cotta 74. Um dos destaques é a apresentação em belas garrafas de 750 ml, que trazem a opção de vedação sob pressão após a abertura da tampa tradicional. A cervejaria produz apenas três rótulos, e além da 37 e da 74, eles também produzem a 21.
A Mastri Birrai Umbri Cotta 21 é particular por trazer em sua fórmula malte de farro, um dos primeiros grãos empregados na culinária e cultivado hoje em dia em toda região central da Itália. O farro tem coloração próxima à do trigo, mas se diferencia pela casca, que adere ao grão durante a colheita – assim como acontece com a cevada e a aveia. Na Coota 21, o farro produz um aroma que lembra biscoito, cereais e capim destacando notas cítricas e frutadas. O paladar fica entre o levemente adocicado e o levemente amargo com um toque cítrico compondo o conjunto que remete a trigo e cereais. Uma boa cerveja, mas não surpreendente.

Instalada em Piozzo, uma cidadezinha de mil habitantes perto de Torino e Genova, a Baladin Birreria existe desde 1986 e seu mestre-cervejeiro, Teo Musso, é um dos responsáveis pelo renascimento do culto às cervejas artesanais na Itália. Apresentada em belas garrafas de 750 ml, com artes cuidadosas e conteúdo idem, a Baladin vem conquistando o mundo através dos anos. Apenas um de seus 17 rótulos já havia passado por aqui, a Baladin Open Noir, uma IPA bastante rebelde que necessita de alcaçuz Calábria para acalma-la. Agora é a vez da versão kriek dos italianos, cujo um quinto de seu conteúdo é composto por… polpa de cereja.
A Baladin Mama Kriek é uma experiência. Para chegar ao ponto em que queria, Teo Musso juntou água, malte pilsen e de trigo, aveia, farro, 19,5% de polpa de cereja, canela, coentro, flor de camomila romana, casca de laranja doce, raiz de Genciana (planta que auxilia a digestão), pimenta e jogou a carbonatação lá em cima. O aroma entre o azedo e o ácido com leve percepção de cereja e especiarias lembra o das lambics frutadas belgas. No paladar, o adocicado da cereja se torna mais evidente, ainda que suave, mas é o amargor que mais impressiona grudando no céu da boca, o que rende um final bastante duradouro. Ótima.

A Estrella Damm abriu as portas em Barcelona em 1876 e de lá pra cá se tornou uma das principais cervejarias espanholas. Sediada até hoje em território catalão, a Estrella mantém em seu cardápio a popularíssima Estrella Damm (que surgiu como Estrella Dourada), a sensacional e premiada Voll-Damm Doble Malta além da popular Xibeca e de versões Bock, Weiss e sem glúten (outra premiada, a Estrella Damm Daura). O xodó atual da casa, com direito a site próprio, é a Estrella Damm Inedit, resultado de uma parceria entre a cervejaria, o renomado chef Ferran Adrià, seu parceiro Juli Soler e a equipe de sommeliers do restaurante El Bulli.
O estilo escolhido por Adriá, Soler e equipe recaiu sobre a witbier, que combina perfeitamente com saladas, bacon, queijo de cabra e, claro, peixes e frutos do mar. Além de malte de trigo e malte de cevada (em doses iguais), água e lúpulo, a Inedit (como uma tradicional witibier) recebe sementes de coentro, alcaçuz, casca de laranja e fermento. O aroma intenso é cítrico e remete a laranja com uma leve presença de especiarias e de trigo. O paladar é levíssimo, com inicio levemente amargo e cítrico, percepção de alta carbontação (e de trigo) e final adocicado e refrescante. Com a Inedit, a Estrella aposta em um conjunto simples e agradabilíssimo.
As três Mastri Birrai Umbri Cotta estão chegando ao Brasil através da importadora La Pastina e é possível encontra-la em preços entre R$ 35 e R$ 40 (a garrafa de 750 ml) embora também existem revendedores vendendo-a por mais de R$ 60. A Mama Kriek, por sua vez, segue o alto preço das luxuosas Baladins, em média R$ 70 (a garrafa de 750 ml). Já a Estrella Damm Inedit pode ser encontrada com muito mais facilidade, tanto em empórios quanto na rede de supermercados Pão de Açucar, e em preços melhores também, cerca de R$ 30 (também a garrafa de 750 ml).
Mastri Birrai Umbri Cotta 21
– Produto: Blond Ale
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,10/5
Baladin Mama Kriek
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,32/5
Estrella Damm Inedit
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Espanha
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 3,68/5

Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Balanço 2012: Top 3 Cerveja Brasil, por Marcelo Costa (aqui)
– Baladin Open Noir, uma cerveja bela e corajosa, por Mac (aqui)
– Estrella Damm, Daura e Weiss, normais e especiais (aqui)
– Bock Damm, uma cerveja bem gostosa e leve (aqui)
– Top Ten Cervejas Européias Viagem 2008: Voll-Damm (aqui)
janeiro 26, 2013 Encha o copo
Três filmes que eu tinha receio de ver

“360” (360, 2011)
Minha expectativa em relação ao novo filme de Fernando Meirelles não era das melhores. Vários amigos e conhecidos de redes sociais haviam criticado duramente o filme, mas eis que “360” surge como uma bela surpresa. A assinatura principal, no entanto, é do roteirista Peter Morgan (“A Rainha” e “Frost/Nixon”), que costurou várias histórias que poderiam ter o subtítulo de “O Mundo é um Ovo”. “360” começa em Viena, com uma jovem garota eslovaca (Lucia Siposová) posando para um cafetão sob o olhar reprovador de sua jovem irmã (Gabriela Marcinkova). O primeiro cliente de Blanka é Michael (Jude Law), um empresário britânico casado com uma diretora de galeria de arte, Rose (Rachel Weisz), que tem um caso com o fotógrafo brasileiro Rui (Juliano Cazarré), que namora Laura (Maria Flor), que descobre a traição e foge para o Brasil encontrando pelo caminho o pai alcoólatra de uma garota que desapareceu (Anthony Hopkins) e um recém liberto ex-criminoso por abuso sexual (Ben Foster). A trama não para por ai, e Peter Morgan pula de uma história para outra com leveza, abandonando personagens e focando apenas no acaso. A vida, como sabemos, segue. Eis um filme que não soa pretensioso – apesar de ser. Recomendo.

“A Viagem” (Cloud Atlas, 2012)
Um dos filmes indies mais caros de todos os tempos tornou-se um dos grandes fracassos da temporada (custou 100 milhões de dólares e arrecadou 27 milhões) muito pela dificuldade do trio de diretores, os irmãos Andy e Lana Wachowski (“Matrix”) e o alemão Tom Tykwer (“Corra, Lola, Corra”) em adaptar a contento o complicado romance “Cloud Atlas”, de David Mitchell (lançado em 2004). E era realmente difícil. “Cloud Atlas” compila seis histórias paralelas em períodos diferentes de tempo – que começam em um navio no Pacifico em 1850 e seguem até um período futurista pós-apocalíptico. A reencarnação une cada um dos personagens, e, por isso, vários atores tiveram que se dividir em diversos papeis. Tom Hanks, por exemplo, é um senhor no mundo futurista, um gerente de hotel no período pré-Segunda Guerra Mundial, um médico leviano no final do século 19, um péssimo escritor em 2012 (numa das cenas impactantes do filme – principalmente se você for um crítico – risos) e por ai vai. O texto utópico e sonhador aliado a critica forte ao capitalismo comovem em vários bons momentos, mas maquiagens terríveis, um demônio verde ridículo e trechos piegas fazem de “Cloud Atlas” uma montanha russa de altos e baixos. Não desista. É ruim, mas é bom (e tem Halle Berry!)

“Jogos Vorazes” (The Hunger Games, 2012)
Dos três filmes deste post é bem provável que este tenha sido o que tenha me causado mais receio em ver. Aliás, muitos amigos deixaram passar, e perderam uma boa história que desperdiça passagens (e personagens) com bobagens futuristas (tal qual como “Cloud Atlas”, embora até este tenha bons momentos neste quesito), mas cujo saldo final é positivo. Inspirado no primeiro livro da trilogia lançada pela escritora norte-americana Suzanne Collins a partir de 2008 (ou seja, vêm mais adaptações pela frente), “Jogos Vorazes” flagra uma nação pós-apocalíptica chamada Panem constituída por 12 distritos que são governados por uma Capital, que para mostrar seu poder, realiza anualmente um “jogo” onde são escolhidos um menino e uma menina de cada distrito, e estes 24 jovens entre 12 e 18 anos precisam lutar pela sobrevivência – e matar seus adversários. A adaptação correta de Gary Ross valoriza a crítica de Suzanne Collins (que assina o roteiro junto com o diretor e Billy Ray) ao mundo Big Brother que vivemos. Em uma das grandes cenas do filme, o canal que transmite os jogos (semelhante a um BBB) manipula imagens (e os próprios personagens do jogo) para conseguir mais audiência. Jennifer Lawrence está ok e a trilha sonora, com músicas inéditas de Decemberists e Arcade Fire, merece atenção em um filme correto (e piegas) para ver e pensar.
janeiro 25, 2013 Encha o copo



















