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Do Chile, Cerveceria Valdivia

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A cidade chilena de Valdivia fica na Região dos Lagos e primeiramente foi ocupada por índios Mapuches, depois por espanhóis até que uma grande imigração alemã desembarcasse na cidade. A família Kunstmann chegou ao povoado em 1850, no primeiro grupo de alemães, e começou a produzir cerveja para consumo próprio depois que a única cervejaria de Valdivia, a Anwandter (e toda a cidade), foi destruída pelo Grande Terremoto do Chile, em 1960, o maior terremoto já registrado em todos os tempos (9.5 pontos na escala Richter). Passaram se anos até que a Cerveceria Kunstmann abrisse às portas, em 1997, e de lá pra cá vem se destacando no país.

O carro chefe da cervejaria de Valdivia é a Kunstmann Lager, uma Premium American Lager bastante honesta. No aroma caprichado, malte e lúpulo herbal em abundancia. No paladar, o primeiro toque é adocicado, cortesia do malte (que remete a trigo, pão e mel), mas logo a cavalaria do lúpulo chega para contrabalancear tornando o final levemente amargo. De teor alcoólico relativamente baixo (4,3%), a Kunstmann Lager lembra as boas cervejas tchecas do estilo. É a típica cerveja refrescante para ser degustada em dias quentes – e cumpre elegantemente seu papel.

Nos últimos anos tem aumentado o número de cervejas não filtradas no mercado. A filtragem visa retirar as células de levedura além de substâncias causadoras de turbidez (conseguindo assim clarear o líquido), um processo adotado principalmente pelas cervejarias industriais, mas que as micro cervejarias começam a deixar de lado. A Kunstmann Lager Unfiltriert é um belo exemplo chileno do estilo. No aroma, trigo, malte e lúpulo marcam presença delicadamente. No paladar, seco, malte e lúpulo surgem num conjunto terroso, equilibrado e bastante saboroso. Superior a versão lager tradicional. Recomendo.

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A Kunstmann Honig Ale é a surpresa mais especial da cervejaria chilena, e entrega o que promete no rótulo: ‘cerveza miel’. O aroma é tão fascinante que parece que a narina está em um pote de mel, não em uma taça de cerveja. Com um pouco de insistência é possível perceber o malte. No paladar, o desafio se repete, mas com mais facilidade na distancia dos sabores. O mel é inevitavelmente o carro chefe e, surpreendentemente, não é enjoativo. O lúpulo dá um toque no céu da boca marcando levemente de amargor enquanto o malte faz um charmezinho numa cerveja que coloca a britânica Fuller’s Organic Honey Dew no chinelo.

Ao contrário das três anteriores, a Kunstmann Bock não surpreende. São três tipos de malte que disparam no aroma o tostado tradicional do estilo, com um leve toque de caramelo, num conjunto que remete a café torrado. No paladar, o malte torrado volta a remeter a café sem muita complexidade. O amargor está presente numa cerveja de corpo leve, razoável graduação alcoólica (5,3% que não esquentam tanto numa noite de frio, temperatura ideal para a Bock) e excessivamente correta. Um bom exemplar do estilo para quem mora no Chile, mas que perde em comparação com o mercado (principalmente com as boas stouts).

Já a Kunstmann Torobayo Pale Ale é uma pequena amostra da cerveja mais caprichada da casa chilena, a Gran Torobayo. Nesta versão “popular”, o aroma delicioso promete muita coisa: notas de madeira, frutado, floral e um adocicado de caramelo atiçam a curiosidade. O paladar, no entanto, surpreende pela falta de amargor – até parece que se esqueceram do lúpulo. Isso, de certa forma, prejudica o conjunto, porque tudo o que o aroma promete se transforma em malte levemente frutado. Não há complexidade nem a força que se espera de uma pale ale. Não convence.

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Com a Kunstmann Gran Torobayo, a pegada é outra. A apresentação em uma garrafa flip-top de 500 ml (contra as 330 ml de toda a linha da casa) já mostra que essa é uma cerveja especial para os chilenos. De linha Old Ale, a Gran Torobayo traz no aroma amadeirado notas fortes de malte de caramelo, um leve tostado e alguma coisa de lúpulo. O paladar é adocicado disfarçando bem os 7,5% de graduação alcoólica com notas que remetem a melaço, açúcar mascavo, uva passa e caramelo. O pessoal de Valdivia não é muito chegado em lúpulo, tanto que, mesmo na cerveja mais robusta da casa, ele aparece suavemente amargando o final. Muito boa.

Apesar de ser encontrada com facilidade tanto no Chile (inclusive em várias redes de supermercados e muitos bares) e na Argentina, a Kunstmann ainda é bem rara no Brasil. Em 2008, a empresa Sabores do Chile chegou a exportar quase toda a linha da Kunstmann para cá, mas atualmente é quase impossível encontrar a Kunstmann no país de Zeca Pagodinho, Anderson Silva e Ivete Sangalo. Uma pena. No Chile, cada garrafa custa cerca de R$ 6 (exceto a Gran Torobayo, que custa aproximadamente R$ 10) e há um interessante tour, o Experiência Kunstmann, para conhecer a cervejaria em Valdivia. Já estou planejando…

Kunstmann Lager
– Produto: Premium American Lager
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 4,3%
– Nota: 2,82/5

Kunstmann Lager Unfiltriert
– Produto: Lager Não Filtrada
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,36/5

Kunstmann Honig Ale Miel
– Produto: Cerveja Especial
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 3,49/5

Kunstmann Bock
– Produto: Bock
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,3%
– Nota: 2,54/5

Kunstmann Torobayo Pale Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,64/5

Kunstmann Gran Torobayo
– Produto: Old Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,45/5

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Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Quatro cervejas da micro cervejaria chilena Kross (aqui)
– Duas cervejarias chilenas: Szot e Quimera (aqui)

janeiro 4, 2013   Encha o copo

Podcast Confraria Scream & Yell #4

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O Confraria Scream & Yell dessa semana tem sotaque. Marcelo Costa, Tiago Trigo, Marco Tomazzoni e Tiago Agostini falam sobre os portugueses do Pontos Negros, o uruguaio Franny Glass e os argentinos do El Mato A Un Policia Motorizado… e ainda conjecturam sobre todos os projetos de Jack White. Ouça no player abaixo:

Set list do Confraria Scream & Yell #4:

01 – Os Pontos Negros – Senna
02 – Franny Glass – En Otono, Amiga Mia
03 – El Mato A Un PolicÌa Motorizado – Mas o Menos Bien
04 – Jack White – Sixteen Saltines
05 – Jack White – Blue On Two Trees
06 – Jack White – Love Is Blindness
07 – Siba – Avante
08 – Nando Reis – Pra Quem Não Vem
09 – Nasi – Perigoso
10 – Chico Buarque – Jorge Maravilhava

Leia também:
– Ouça online ou baixe os programas anteriores da Confraria aqui
– Oi FM estreia nova programação online. Conheça os programas (aqui)

janeiro 4, 2013   Encha o copo

Cinco fotos: Diamantina

Clique na imagem se quiser vê-la maior

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Seguir em frente (apesar das placas)

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Lá vem chuva

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Praça

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Cor

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No Ponto de Ônibus

Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)

Leia também:
– Tops dos 14 dias em Minas Gerais, por Marcelo Costa (aqui)

janeiro 3, 2013   Encha o copo

Cervejas frutadas: Mongozo e Timmermans

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Os europeus temperam cerveja com frutas há séculos. Na Bélgica, lar do estilo mais antigo do mundo, o Lambic, eles colocam pêssego, cereja ou framboesa em suas lambics desde a antiguidade. Os alemães acrescentam xarope de fruta para aliviar a acidez de sua famosa Berliner Weisse assim como limonada ou soda na Pilsen, criando um gênero conhecido como Radlermass, que, hoje em dia, já vem engarrafado de fábrica, o que não substitui a boa mistura tradicional: na Grécia, onde a Radler é conhecida como Shandy, certa vez um barman misturou na torneira: metade chopp, metade soda. Ficou ótimo.

A popular Cervejaria Hoegaarden, da Bélgica, além de produzir a melhor e mais popular witbier do mundo (temperada com cravo e casca de laranja), tem versões Citrus e Rosée (muito vendidas em festivais como Rock Werchter, em Leuven, e Cactus, em Bruges). Já a Mongozo, que apesar de se apresentar como belga tem sua fábrica nos Países Baixos (mais propriamente na  Holanda), investe em sabores exóticos. O primeiro rótulo da casa, a Mongozo Banana, foi lançado em 2001, e de lá pra cá, o exilado político Henrique Kabia já lançou versões de Coco, Quinua e Nozes Africanas.

A Mongozo Coconut, como é de esperar, leva coco em sua fórmula – além de açúcar e quinua (e, claro, malte, lúpulo e água). Assim que a garrafa é aberta, um aroma forte de coco toma conta do ambiente remetendo a bala de coco, maria mole, sabão de coco e coisas assim. O paladar não engana: você está bebendo um suquinho de coco de 3.6% de graduação alcoólica. Não espere uma cerveja complexa, mas sim um “drink” de coco indicado para pessoas que não gostam de cerveja. Há até um amargor, mas o que fica é o adocicado enjoativo do coco.

Com a Mongozo Banana é tudo diferente. Cerveja tradicional do povo Masapi, do Quênia e da Tanzânia, a Mongozo Banana traz a fruta dominando o aroma artificial (mas remetendo mais a chiclete) com algo de malte acompanhando discretamente. O sabor artificial de banana é perfeitamente identificável no paladar, sem concorrência. O malte de cereal compõe bem o conjunto de uma cerveja bastante adocicada, mas não enjoativa como o Mongozo Coconut. Um boa cerveja pra refrescar e que tem estofo para conquistar apaixonados pelo estilo weiss.

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Já a Timmermans é uma autentica cervejaria belga. Fundada na vila de Itterbeek, a 20 minutos do centro de Bruxelas, a Timmermans fabrica Lambic deste 1702 seguindo ainda hoje o ritual da fermentação espontânea. Além de produzir versões Gueuze (mistura de barris de lambic novos, bastante ácidos, com envelhecidos, mais suaves) e as populares Kriek (feitas com ginja, uma versão bastante ácida da cereja, fruta popular na região de Bruxelas), a Timmermans ainda faz Lambics com Pêssego, Framboesa, Abobora e Frutas Vermelhas.

A Timmermans Framboise pertence ao gênero das lambics frutadas juntando aromatizantes de framboesa (em muitas outras cervejarias é a própria fruta, o que melhora consideravelmente o resultado) com a lambic para obter o resultado final: no aroma, muita framboesa (mas em versão aritificial de ki-suco), frutas vermelhas e um leve azedo proveniente da mistura de lambics. No paladar, o adocicado artificial surge primeiro, mas logo o amargor, um leve salgado e a forte acidez tentam equilibrar. Parece suco de framboesa com sidra. Fraquinha, mas ainda assim interessante.

Por sua vez, a Timmermans Pêche Lambicus, que segue o mesmo formato de produção da Framboise (adição de aromatizante natural de pêssego na refermentação da lambic), é mais interessante. O aroma, claro, é de pêssego em calda, mas é possível sentir a interessante acidez da lambic já nas narinas. No paladar, o pêssego dá o primeiro bote, mas a lambic mostra sua cara com uma patada de amargor e acidez que transformam o conjunto em algo bem especial. O final é levemente salgado e persistente (com toques de vinagre). Muito boa.

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Tanto as duas Mongozo (Banana e Coco) assim como as duas Timmermans (Pêssego e Framboesa – também é possível encontrar as versões Kriek e Strawberry) já podem ser encontradas no Brasil, ainda que o preço não seja tão convidativo. As primeiras saem entre R$ 16 e R$ 22 (a garrafa de 330 ml) enquanto os rótulos da Timmermans variam de R$ 17 a R$ 21. São cervejas interessantes para ampliar o paladar de uma bebida que, no Brasil, tem apenas uma cara, mas, na verdade, é extremamente variável adaptando-se a cada momento.

Mongozo Coconut
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Holanda
– Graduação alcoólica: 3,6%
– Nota: 1,88/5

Mongozo Banana
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Holanda
– Graduação alcoólica: 3,6%
– Nota: 2,51/5

Timmermans Framboise
– Produto: Lambic Fruit
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 4%
– Nota: 2,50/5

Timmermans Pêche Lambicus
– Produto: Lambic Fruit
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 4%
– Nota: 2,88/5

Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Forest Bacuri, uma cerveja com fruto amazônico (aqui)
– Witbier Taperebá segue a risca o caminho aberto pela Bacuri (aqui)
– Wells Banana Bread: uma cerveja que merece ser provada (aqui)
– Kriek Boon, uma cerveja com cereja. Pode rolar romance (aqui)
– Jabuticaba Beer, destaque da mineira Casa Piacenza (aqui)
– As experimentações curiosas da francesa Bourganel Brewery (aqui)
– Liefmans Fruitesse é um ótimo exemplar do estilo fruit beer (aqui)

janeiro 2, 2013   Encha o copo

Download: Livro ‘Cidade Sonora’

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Baixe o livro “Cidade Sonora”, que conta com a participação de Emicida, Romulo Fróes, BNegão e mais 25 artistas. Download aqui

dezembro 31, 2012   Encha o copo

Do velho-oeste paulista, Landbier

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Nasce mais uma cervejaria artesanal no interior paulista, desta vez, em Presidente Prudente. De propriedade da família Mantovani, que há 15 anos mantém uma produção caseira de vinhos, a Landbier engarrafou seus primeiros rótulos em outubro. A fábrica está localizada em um anexo do restaurante da família, na zona rural de Presidente Prudente, e ideia é seguir a Lei de Pureza alemã. Neste primeiro momento, a Landbier chega aos balcões com três rótulos: Pilsen, Weiss e Stout.

A Pilsen da casa prudentina traz no aroma notas de malte, lúpulo e fermento, sem muitas surpresas. No paladar, o fermento toma a frente, e incomoda levemente. Passada essa primeira impressão, nota-se uma cerveja de pouquíssimo amargor, em que o lúpulo marca presença apenas para evitar um dulçor excessivo do malte, resultando em uma cerveja suave, destinada ao brasileiro acostumado com as american lagers tradicionais de boteco. Ao invés de enfrentar o mercado e vencer pela diferença, a Landbier Pilsen tenta ser mais uma. É pouco.

Por sua vez, a Landbier Weiss ameaça chegar próximo ao estilo proposto, mas fica nisso. Um dos fatores talvez seja a não filtragem, que acaba deixando a cerveja mais densa e confunde suas propriedades de aroma e sabor. No primeiro, algo de mel e um pouco de cravo – mesmo a expectativa de banana não traz as notas ao nariz. O sabor se posiciona entre o leve amargor e o azedo com o fermento novamente marcando presença. Em sua primeira tentativa no campo da weiss, a Landbier fracassou. Que eles acertem nas próximas.

A Stout me pareceu a mais acertada desta primeira leva da Landbier. Assim com as duas anteriores, nesta os prudentinos não arriscam e tentam seguir a fórmula tradicional. Desta forma já é possível imaginar o que vem pela frente: aroma de malte torrado que remete a café, chocolate e principalmente, neste caso, calda de ameixa. No paladar, as notas de café surgem com toda força, e grudam no céu da boca traçando um risco até as notas finais, levemente amargas. Das três da casa foi a que mais agradou.

Nestes primeiros barris nota-se uma cerveja que ainda precisa evoluir, tanto na receita quanto na feitura. O fato de produzir cerveja artesanal fora dos grandes centros é bastante louvável, mas com cada vez mais rótulos importados a bons preços em grandes redes de supermercados, os cervejeiros artesanais brasileiros só vão se destacar se oferecer neste mercado com um produto não apenas melhor, mas inovador, diferenciado, como o pessoal da Way, Wäls e Coruja vem fazendo – além de muitos cervejeiros anônimos.

Se uma Weiss alemã da Erdinger sai pelo mesmo preço da Weiss da Landbier, qual o bebedor vai escolher? A resposta é óbvia, e se é difícil competir com um alemão no que eles fazem de melhor, cerveja alemã, então está mais do que na hora de investir numa cerveja brasileira. Ou então apostar no know-how e fazer aqui a melhor cerveja alemã do mundo. O meio do caminho não resolve. Não basta se deixar levar pela moda do momento. É preciso criar algo novo ou ser muito bom no que já existe. Que a Landbier cresça e tome um bom rumo.

Landbier Pilsen
– Produto: German Pilsner
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,06/5

Landbier Weiss
– Produto: German Weizen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,04/5

Landbier Stout
– Produto: Dry Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6%
– Nota: 2,18/5

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Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)

dezembro 30, 2012   Encha o copo

Download: o livro de André Midani

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Menos de três meses após seu lançamento, o livro “Música, Ídolos e Poder: do vinil ao download”, de André Midani, foi retirado das livrarias por ordem judicial. A família de Enrique Lebendiger, ex-dono da RGE, exigiu que o livro fosse recolhido, pois Midani descreveu Lebendiger como uma “figura exótica que não tinha capacidade nem seriedade profissional para acompanhar a carreira de um profissional do calibre de Chico Buarque”.

A editora Nova Fronteira tentou um acordo com a família de Lebendiger, mas o processo culminou na censura do livro. André Midani, por sua vez, criou um site e disponibilizou gratuitamente “Música, Ídolos e Poder” para download. “Podem ler… Podem baixar… Podem fazer o que quiserem, se quiserem, quando quiserem”, escreveu. O livro foi primeiro disponibilizado por capítulos, mas agora já se encontra em um arquivo único para download.

André Midani é um dos nomes mais importantes da indústria fonográfica brasileira dos anos 60 aos 90. Quando criança, esteve na Normandia em 1945 durante o desembarque das tropas aliadas no famoso “Dia D”. Depois veio ao Brasil, quando começou a trabalhar com música (oficio que ele já seguia em Paris antes de baixar na América do Sul) e se envolveu com a Bossa Nova, com a Tropicália e com os maiores nomes da música brasileira no período.

Uma policial mexicana, de posse de seus documentos, certa vez comentou: “Uma pessoa nascida na Síria, com passaporte brasileiro, que mora em Nova York, que vem de Medelím e passa pelo México, que diz trabalhar com música, e que fala espanhol com sotaque francês… não pode ser uma pessoa confiável!”. Como define Zuenir Ventura na introdução o livro, “Do vinil ao MP3” é uma espécie de Google da MPB moderna.

Download: http://www.andremidani.net/

Ps. Ainda vale citar a grande entrevista que André Midani concedeu à Folha de São Paulo em 2003 falando abertamente sobre jabá e explicando o caso Abril Music, que praticamente sepultou a música brasileira (leia a entrevista na integra aqui). Você, que está terminando a faculdade e precisa de um tema para o seu projeto de conclusão de curso (o TCC), tai uma bola quicando. É só rolar para as redes.

Ps2: em 2015, o livro virou um série imperdível da GNT. É possível assistir online aqui (clientes NET, Now, GVT, Sky, Claro HDTV, Multiplay, Vivo e Globosat)

dezembro 28, 2012   2 Brindes

Os Melhores de 2012 do Guia da Folha

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A tradicional votação de melhores do ano do Guia da Folha, com várias categorias bacanas, está circulando nesta sexta-feira junto ao jornal Folha de São Paulo. No ano passado fui convidado para opinar sobre os melhores shows nacionais. Neste ano, palpitei sobre shows internacionais (num júri que ainda trouxe Pablo Miyazawa, Thales de Menezes, Ivan Finotti e Ronaldo Evangelista), e achei o resultado bem bacana.

Interessante é a votação para show nacional: cinco jornalistas votaram (entre eles o chapa Alexandre Matias), cada um em três shows, e os 15 shows votados foram diferentes! (empate triplo no 1º, no 2º e no 3º lugar). Já na categoria Festival a briga ficou entre Lollapalooza (que recebeu quatro votos) e Planeta Terra (que recebeu votos dos cinco convidados, e não venceu!) com o Sónar SP correndo por fora. Confira os resultados aqui

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Clique na imagem para ler em melhor resolução

dezembro 28, 2012   Encha o copo

Podcast Confraria Scream & Yell #3

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Qual show é o mais aguardado em 2013? Na Confraria Scream & Yell, eu, Tiago Trigo, Marco Tomazzoni e Tiago Agostini revelamos as expectativas e ainda falamos sobre os artistas que foram destaque em 2012. Ouça no player abaixo:

Set list do Confraria Scream & Yell #3:

01. Otto – Dia Claro
02. O Terno – 66
03. Tulipa e Lulu Santos – Dois Cafés
04. Alabama Shakes – Hold On
05. BNegão – Essa é Pra Tocar No Baile
06. Tame Impala – Apocalypse Dreams
07. Brendan Benson – Bad For Me
08. Band Of Horses – Heartbreak on the 101
09. Fiona Apple – Largo
10. The Vaccines – Lonely World

Leia também:
– Ouça online ou baixe os programas anteriores da Confraria em MP3 aqui
– Oi FM estreia nova programação online. Conheça os programas (aqui)

dezembro 28, 2012   Encha o copo

Quatro cervejas da chilena Kross

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A Cerveceria Kross surgiu em 2003 em Santiago, no Chile, quando o engenheiro José Tomás Infante retornou de um trabalho na Irlanda, e começou a procurar no Chile por cervejas tão boas quanto as que conheceu na terra de Oscar Wilde. Na busca, Infante conheceu o mestre cervejeiro Alemán Asbjorn Gerlach, que tinha uma pequena produção artesanal. Juntos, eles decidiram criar uma nova cervejaria chilena que seguisse os padrões das melhores cervejarias do mundo. E conseguiram. A Kross atualmente ostenta o título (merecido) de mais premiada cervejaria do Chile.

Digna da honraria de uma cerveja comemorativa, a Kross 5 (feita com oito tipos de malte para festejar os cinco anos da cervejaria) é uma belíssima Strong Scoth Ale, quase licorosa, maturada durante três meses em barris de carvalho. No aroma, as notas maltadas se destacam remetendo a caramelo, baunilha e amanteigado com um leve toque do barril de carvalho. No paladar, a primeira sensação é adocicada (caramelo, melaço e… coco!), mas o lúpulo chega de mansinho colocando o conjunto em sintonia. Uma cerveja agradabilíssima com o malte dominando 80% da experiência, mas o lúpulo finalizando com um amargor bastante suave.

Já a Kross Golden Pale Ale é simplicidade e capricho. O aroma é leve, bem leve, com um algo de frutado e outro de malte (Pilsen e Caramelo). No paladar, a escolha dos lúpulos mostra suas particularidades – sem tornarem a cerveja um oceano de amargor. No total são três tipos de lúpulo: Horizon, que é colocado no começo do processo é libera um amargor bem leve, mais Cascade e Chinook, que causam um frescor suave com notas citricas. Há percepção de mel, frutado e caramelo. A combinação destes dois maltes com os três lúpulos resulta em uma cerveja levíssima, saborosa e bastante equilibrada. Ótima para dias de sol.

A Kross Maibock é uma das sazonais da cervejeira chilena. Feita para comemorar a chegada de maio, leva três tipos de malte (Pilsen, Caramelo e Munique) e dois tipos de lúpulo (Glacial e Mount Hood). O aroma, como era de se esperar, é bastante maltado com notas de caramelo, maçã, pêssego e melaço. O paladar segue a risca as considerações do aroma com o adocicado surpreendendo. Primeiramente caramelo, depois melaço, para no final deixar o álcool transparecer com certa força (são 6,5% de graduação). É uma cerveja bem interessante que começa a fazer a cama do bebedor para o inverno que está para chegar.

Para fechar, Kross Stout, que traz três tipos de malte (Pilsen, Caramelo e Tostado) e apenas um de lúpulo, East Kent Goldings, para honrar a tradição irlandesa do café gelado. O aroma é aquilo que faz apaixonados pelo estilo sorrirem: o malte tostado remete com força a café, caramelo e chocolate amargo. No paladar, apenas reforço: mais café, mais caramelo e mais chocolate amargo. O lúpulo parece estar aqui apenas para evitar que o nível de doçura torne-se enjoativo, pois não há quase nada de amargor, o que de forma alguma desmerece essa bela sweet stout chilena.

Além destes quatro rótulos há mais uma cerveja na linha tradicional da Kross, a Pilsen, e a linha Experimental, das quais são filhas a Kross 110 Minutos e a Kross Curaca Abby Ale. Infelizmente ainda não é possível encontrar a Kross no Brasil. Em Santiago é possível encomendar no site oficial uma caixa com 24 garrafas de 330 ml por 20 mil Pesos Chilenos (cerca de R$ 85) tanto quanto encontra-la em grandes supermercados (um lugar certo é uma das banquinhas de bebidas do Mercado Municipal) ou mesmo nos melhores botecos pé limpo do bairro Independência (como Galindo ou La Casa Vieja), perto da La Chascona (a casa museu de Pablo Neruda) e do Cerro San Cristóbal.

Kross 5
– Produto: Strong Scotch Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 7,2%
– Nota: 3,90/5

Kross Golden Pale Ale
– Produto: English Pale Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,32/5

Kross Maibock
– Produto: Maibock
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,28/5

Kross Stout
– Produto: Sweet Stout
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 3,28/5

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Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)

dezembro 27, 2012   2 Brindes