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Cinco fotos: Londres, 2013, Dia 1

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junho 7, 2013   Encha o copo

Em Madri

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Tenho quase certeza que Bunuel idealizou o caos de “Um Anjo Exterminador” após 10 horas em um voo da Iberia, mas não vou fazer drama sobre um voo que custou R$ 1400 em cinco vezes. Na imigração, o cara folheou meu novo passaporte (renovei no começo do ano), não fez um cara muito boa, então antes dele perguntar qualquer coisa apresentei o antigo, e sussa, mais um carimbo e bora pra Londres (espero que seja tão simples assim lá também).

junho 6, 2013   Encha o copo

A brincadeira começa hoje…

Lá vamos nós mais uma vez: 20 dias rodando a Europa. Está quase tudo certo no roteiro só faltando bater o martelo entre ver o South Side Festival, na Alemanha, ou o Best Kept Secret, na Holanda. O cansaço é enorme, o que vai ajudar o cochilo providencial no voo para Londres (com escala em Madri), mas acredito que será uma das viagens mais leves e idílicas que já fiz. Um pouco por estar sem grana e precisar economizar e outro tanto por estar a fim de contemplação, e não de correria desenfreada, como no ano passado. Uma boa viagem para nós.

06/06 – Londres (Elvis Costello no Royal Albert Hall)
07/06 – Londres
08/06 – Londres
09/06 – Londres
10/06 – Berlim
11/06 – Berlim
12/06 – Berlim
13/06 – Oslo
14/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
15/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
16/06 – Oslo
17/06 – Estocolmo
18/06 – Estocolmo
19/06 – Estocolmo
20/06 – Estocolmo
21/06 – Alemanha ou Holanda
22/06 – Alemanha ou Holanda
23/06 – Alemanha ou Holanda
24/06 – Bruxelas
25/06 – Bruxelas
26/06 – Bruxelas / São Paulo

junho 5, 2013   Encha o copo

Uma bela segunda-feira…

Da série tragédias modernas.

Parte 1 -> Acordei, liguei o computador e, cerca de 15 minutos depois, ele travou. E não ligava mais. Pelos sinais (três apitos em sequencia) descobri (consultando o celular) que poderia ser sujeira na placa mãe. Abri o computador, limpei e… funcionou.

Parte 2 -> Entrei neste blog e percebi que ele estava fora do ar. Informei o provedor e fui fazer uma via sacra de bancos que não recomendo para ninguém: Caixa Econômica, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco. Só resolvendo pequenas problemas (acho que consegui resolver tudo. Acho).

Parte 3 -> Volto pra casa e leio o e-mail do suporte do meu provedor. “O problema é referente ao seu banco de dados que esta muito grande e corrompeu, já normalizei o site porém o banco ficou desatualizado devido a falha”. Isso quer dizer que três meses do blog foram “perdidos” (todos os posts da viagem, análises de cervejas, dicas de discos para download e tudo o mais). Me acalmei e sai tentando resolver. A solução: procurar por tudo no cache do Google, e estava tudo lá, o que quer dizer que passei boa parte da tarde e da noite republicando 130 textos no blog (para alguns dos últimos, mais recentes, contei com ajuda de amigos que assinam o site no Google Reader. Valeu demais, André!)

Parte 4 -> Textos recuperados, mas era uma vez os comentários dos últimos três meses : /

Parte 5 -> Ao buscar um backup para o blog, que datava de fevereiro, o suporte acabou também backpeando o site. Ou seja, neste momento, o texto mais recente do Scream & Yell tem a data de 19 de fevereiro. Porém, como o problema foi com o blog, a pasta que mantém os arquivos do site no provedor deve estar ok, e já estão providenciando por lá a atualização. Ainda assim, quem diz que vou conseguir dormir?

Ah, a terça-feira está chegando. Aleluia.

maio 27, 2013   Encha o copo

Cenas da vida em São Paulo: O almoço

São Paulo, domingo, hora do almoço. Dois amigos em um restaurante.

– Estou cansado de ficar sozinho…
– O problema é que você é ativo!
– Tá bom…
– Calma, tudo vai dar certo. Você é um cara legal.
– …
– Qualquer pessoa que eu conheça em uma casa gay é especial.
– …
– Serio. Você é charmoso, interessante, inteligente. Vai encontrar o cara certo.
– Sei…
– Já tentou pegar mulher?
– O que? Nem homem eu consigo pegar, imagina mulher!
– Sabe como é: amplia o seu universo de 50% para 100%
– (o amigo solteiro olha com cara de desconsolado em silêncio)
– Você vai comer essa saladinha? Tenho nojo de salada…

Leia outras cenas da vida em São Paulo, por Marcelo Costa, aqui

maio 27, 2013   Encha o copo

Best Kept Secret, na Holanda. Será?

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Os ingressos para os festivais alemães irmãos Hurricane e South Side estão sold outs. Ok, há disponíveis em sites (no Via Gogo, por exemplo, o passe para os três dias sai por 196 euros), mas encontrei o line-up desse festival acima, e me interessei. O Best Kept Secret Festival acontece em Hilvarenbeek, na Holanda, em seu primeiro ano de atividade (enquanto os festivais alemães já somam 40 anos nas costas). É a única indecisão do roteiro de viagem europeu.

Comparativamente, optando pela Holanda deixo de ver alguns shows que estava bastante animado em assistir: QOTSA tocando o grande disco novo, The Gaslight Anthem, The National (apesar que cruzo com eles em Bruxelas e vou tentar a sorte na porta – está sold out), The Hives (sim, de novo), Gogol Bordello, British Sea Power (que adoro) e The Vaccines (vi no sábado e foi tão bom). Dispenso o Smashing Pumpkins (apesar do “Oceania” ser legalzim).

A vantagem holandesa, além do ensurdecedor Swans, é que as duas principais bandas que quero ver no Hurricane (Portishead e Sigur Rós) estão no Best Kept Secret. Melhor: o timetable do festival é extremamente amigável (confira aqui). Por fim, os ingressos ainda estão à venda e meu próximo destino, acordando na Holanda na manhã de segunda, 24 de junho, seria a Bélgica. Rola atravessar a fronteira a pé (risos). Bora pensar, mas fiquei animado.

maio 22, 2013   Encha o copo

Balanço: 17 dias de Estados Unidos

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Fotos (01 a 09): Liliane Callegari
Fotos (10 a 17): Marcelo Costa

Dezessete dias, quatro cidades. Acostumado a viagens mais longas, de 40 dias, uma viagem com a metade do tempo parece pedir mais e mais e mais. Mesmo nos Estados Unidos. Mudou a América ou mudei eu? “Vocês moram no Brasil? É um país muito bonito”, diz a senhora no ponto de ônibus. “Mas tem seus problemas”, comentamos. “A América também tem seus problemas”, ela encerra a questão. Embora o capitalismo desenfreado e a busca pelo milhão ceguem, meu olhar sobre a terra de Obama amaciou o julgamento.

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Bem provável que esse novo olhar seja devido às cidades que visitei nesta viagem. Da primeira vez, em 2011, foram São Francisco, Los Angeles, Nova York e Chicago. Agora, Nashville, Memphis, New Orleans e Nova York. Na primeira, Califórnia. Na segunda, extremo Sul. Lembro-me de um cara no show do Rush, no Madison Square Garden, dizendo: “Você vai pra Califórnia? As pessoas lá são estranhas” (risos). Não as achei estranhas, mas a pobreza latente e a sensação de falta de preocupação para com o outro me irritaram.

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O extremo sul, no entanto, é caipira. E para quem cresceu em uma cidade de 200 mil habitantes que parecia não ter mais de 100 pessoas, muda tudo. Nashville tem 600 mil habitantes e o desenho de uma cidade norte-americana clássica: o centro pequeno e recuperado por um bom prefeito pensando no marketing do turismo, e tudo o mais a uma distância que lhe obriga a ter um carro. O transporte público é usado apenas por pessoas de baixa renda, e, por isso, a espera é secular: passa um agora, outro daqui uma hora. E olhe lá.

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Ainda assim, Nashville vive o boom do country, uma música tradicionalista, vestida de babados, botas de couro e fivelas enormes de cinto. As ruas do centro são bonitas. Os bares que superlotam a Second Street e a Broadway começam a exibir candidatos a Garth Brooks e Taylor Swift logo de manhã, e a balada segue noitada adentro. Se você gosta de country é um paraíso. Se não, vale passar na Third Man Records, na Grimmeys, na Blackstone Brewery, no Museu do Country (e no Estúdio B) e, bora seguir viagem.

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Memphis é outra coisa. Memphis é mais… real. Também com mais de 600 mil habitantes, a cidade respira blues e rock, e blues e rock não está na moda (esqueça o Black Keys, hoje eles são pop de boa safra, mas pop não é blues). Há uma insegurança no ar. Um peso. Talvez o mesmo ou parecido com o que senti em Berlim. E apenas corrobora essa questão o fato de Graceland ficar em segundo plano no mapa da cidade. Ela está lá encravada na Elvis Presley Boulevard, quase 40 minutos de ônibus do centro da cidade. E a cidade só pisca o olho para Elvis.

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Aqui, uma visita ao Sun Studios e ao Stax Museum pode trazer lágrimas aos olhos enquanto o National Civil Rights Museum fará você entender melhor a cidade, os Estados Unidos, e você mesmo. Fará você sentir um pouco de nojo dos antepassados, mas é um nojo necessário. Como pudemos ser tão animais? Ainda assim, podemos argumentar que as pessoas são iguais, mas será que elas acham o mesmo? É terrível sentir-se minoria ao entrar em um ônibus. 2013. No fim, a grande questão: do que sentimos medo? De nós mesmos.

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New Orleans é uma paixão. Você precisa atravessar um enorme mangue em uma ponte interminável por dezenas de quilômetros (não confie no tanque de gasolina na reserva) até chegar à cidade que já foi colônia francesa, depois espanhola, e recebeu influencias dos países da América Central até ser comprada pelos Estados Unidos no começo de 1800. O dinheiro, no entanto, não apaga a história de uma cidade que é um choque constante de costumes, o que, óbvio, só poderia resultar em uma das melhores músicas do mundo, o jazz.

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Ao contrário de boa parte das cidades norte-americanas afundadas em fast foods (é impressionante a quantidade de réplicas do McDonalds), New Orleans tem uma cena culinária excelente baseada em influências cajun e creole, uma mistureba de influencias francesa, espanhola, portuguesa, italiana e africana. Comida rústica e saborosa tendo como base frutos do mar (muito camarão), arroz, cebola, pimentão, aipo, pimenta Cayenne, salsichas especiais (algumas com carne de cobra) e o que tiver na geladeira. Fiquei fã do Jambalaya.

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Andar pelas ruas de New Orleans é andar sobre uma cidade condenada, que vive a custa de diques que seguram as águas do Lago Pontchartrain?, e o Tour Katrina, mais informativo do que trágico (ainda mais com uma guia como a Carol, uma senhora que não poupa críticas ao governo, seja municipal, estadual ou federal), mostra que a cidade vive o fantasma da inundação, o que explica a população de quase 600 mil pessoas em 2005 ter diminuído para 350 mil em 2013. E por que essas 350 mil pessoas continuam aqui? Porque New Orleans encanta.

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Esse pequeno passeio pelo Extremo Sul foi decisivo para encontrar uma América que olha em seus olhos, conversa com você em pontos de ônibus e parece mais amigável. Ainda assim, um carro faz total diferença em Nashville e Memphis (um pouco menos em New Orleans, onde o ótimo transporte público atende a todos, a não ser que você queira esticar até a capital do Estado, Baton Rouge, ou queira fazer passeios exóticos), e, principalmente, na ligação entre as cidades (mas encarar um ônibus Greyhound é uma baita experiência também). Ah, e é um turismo de terceira idade. Lembre-se: o rock and roll já passou dos 50 anos…

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“Para onde vocês vão”, pergunta o atendente da Delta no aeroporto Louis Armstrong, em New Orleans. “New York”, respondo. “Ahhh, The Big Apple”, ele comenta com certo ar sonhador que parece exibir um sonho norte-americano de também conhecer a grande cidade. Se Nova York parece seduzir os próprios norte-americanos, o que dirá de mim. Difícil exprimir em palavras a sensação de caminhar por estas ruas, mas talvez o fato de querer morar aqui dimensione o imenso desejo que a cidade causa no individuo.

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Claro, a América atenciosa ficou para trás, mas para quem vive em São Paulo, Nova York é apenas uma megalópole que deu certo. Há problemas, sim, mas tudo parece funcionar. A correria, a busca desenfreada pelo dinheiro, a força do capitalismo, tudo isso está vivo e pulsando em Nova York, mas também há permissão para fuga em parques, museus, shows, restaurantes. Embora boa parte da população gaste seu tempo de translado em metrôs com joguinhos no celular, Nova York oferece muito mais, e quero voltar, de novo e de novo.

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O saldo final foi positivo, e até faz desejar outra viagem. Quero me aprofundar em Chicago (os três dias da viagem anterior apenas instigaram o desejo) assim como dar uma segunda chance para São Francisco. Quero conhecer St. Louis e Washington. Quero mergulhar na sensacional escola norte-americana de cervejas artesanais. Quero ver shows no Fillmore, no Terminal 5, no Bowery, no Music Hall Williamsburg. Quero ir ao Lollapalooza Chicago e ao Outside Lands, em São Francisco. Um dia. O diário com o roteiro detalhado está aqui. Até a próxima.

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TOP CIDADES
1) New Orleans
2) New York
3) Memphis
4) Nashville

TOP SHOW
1) Palma Violets no Music Hall Williamsburg (NY)
2) Mudhoney no Music Hall Williamsburg (NY)
3) Frank Black e Reid Paley no no Music At The Mint (NO)
4) Band of Horses no Ryman Audithory (NA)
5) Peter Murphy e Ours no Webster Hall (NY)

TOP CERVEJAS
On Tap
1) Yazoo Rye Saison, de Nashville (TE)
2) Brooklyn Fiat Lux, de Nova York (NY)
3) Turtle Anarchy Rye IPA, de Franklin (TE)
4) Rolle Bolle, de Fort Collins (CO)
5) Shock Top Belgian White, de Saint Louis (MI)

Em Garrafas
1) Brooklyn Silver Anniversary Lager, de Nova York (NY)
2) Flying Dog Gonzo Imperial Porter, de Frederick (MA)
3) Dogfish Head Immort Ale, de Milton (DE)
4) Old Rasputin, de Fort Bragg (CN)
5) Triple Exultation Old Ale, de Fortuna (CA)

TOP BREWPUBS / RESTAURANTS
1) The Flying Saucer, Memphis
2) Blackstone Brewery, Nashville
3) Snug Harbor, New Orleans
4) Sweet Water, Nova York
5) Local Gastropub, Memphis

TOP SODAS
1) The Wizard of Oz Cherry Cola
2) Zombie Brain Juice
3) Bacon Soda
4) Cream My People
5) Dr. Pepper

TOP LUGARES
1) National Civil Rights Museum, Memphis
2) MoMA, Nova York
3) Music Hall Williamsburg, Nova York
4) The Saucer Mission, Memphis
5) Chelsea Market, Nova York

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Leia mais: Diário de Viagem Estados Unidos 2013 (aqui)

maio 20, 2013   Encha o copo

Europa 2013: 2º rascunho de viagem

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Não sei onde eu estava com a cabeça quando decidi emendar duas viagens internacionais seguidas, mas, vá lá, a passagem já está comprada (só metade paga, mas já comprada – risos), e essa Tour Europa 2013 será a viagem mais pindaíba ever, daquelas de dormir em quarto com 16 camas em hostel e fazer vários trechos de ônibus. Apesar de que, de Londres para Berlim e de Berlim para Oslo, estava muito mais barato ir de avião do que de trem (em média, R$ 150), e decidi já garantir estes voos.

Algumas pequenas mudanças na segunda parte do roteiro: de Oslo ainda não decidi se vou para Helsinqui ou Estocolmo. Tenho vontade de conhecer ambas, os trechos de avião de Oslo para qualquer uma delas sai por volta de R$ 150, e delas para Hamburgo (cidade próxima onde irá acontecer o Hurricane Festival), também R$ 150. Um dos fatores que sempre pesam são os shows que vão acontecer em cada cidade no período da viagem, mas as duas estão fora do roteiro das bandas. Será na moedinha.

Também decidi trocar o Sul da Alemanha pelo Norte, ou melhor, o Southside pelo Hurricane. É praticamente o mesmo festival, e assim que fui procurar informações sobre o segundo, descobri que ele completa 40 anos em 2013, e que foi neste festival que David Bowie fez, em 2004, seu último show completo, pois com fortes dores no peito, teve que antecipar o bis e deixar o palco, sendo diagnosticado depois como ataque cardíaco. Beth Gibbons, se cuida, por favor. Detalhe: os dois estão sold-outs, então vou tentar a sorte.

06/06 – Londres (Elvis Costello no Royal Albert Hall)
07/06 – Londres
08/06 – Londres
09/06 – Londres
10/06 – Berlim
11/06 – Berlim
12/06 – Berlim
13/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
14/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
15/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
16/06 – Oslo – Norwegian Wood Festival
17/06 – Helsinqui ou Estocolmo
18/06 – Helsinqui ou Estocolmo
19/06 – Helsinqui ou Estocolmo
20/06 – Helsinqui ou Estocolmo
21/06 – Scheeßel, Alemanha – Hurricane
22/06 – Scheeßel, Alemanha – Hurricane
23/06 – Scheeßel, Alemanha – Hurricane
24/06 – Bruxelas
25/06 – Bruxelas
26/06 – Bruxelas / São Paulo

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maio 16, 2013   Encha o copo

EUA 2013: Tom’s Restaurant e Met Museum

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No domingo, último dia da viagem, Nova York amanheceu deliciosamente ensolarada, e saímos para tomar café quase às 10h. Lili queria comer panquecas, e eu queria visitar mais um local de cultura pop, então partimos em direção ao Tom’s Restaurant, que muita gente conhece pela fachada, que foi usada na série Seinfeld (a equipe decidiu construir a parte interna em estúdio), mas também já ilustrou letra de música de Suzanne Vega e recebeu Obama nos tempos em que ele era apenas um estudante da Columbia, ao lado.

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O local é charmoso e parece muito um restaurante universitário, com muita gente jovem ocupando suas mesas para uma refeição rápida (se tivesse wi-fi, fácil que a galera passaria mais tempo lá – eis um dos hits do Starbucks). Claro, uma parte das pessoas que o frequenta, o faz pensando no seriado de Seinfeld, que está pelo ambiente em capas de revistas e pôsteres autografados. Pedi um hambúrguer, razoável, mas recomendo veementemente o milk-shake – provei o de chocolate, ótimo. Lili também aprovou as panquecas de strawberry.

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Devidamente alimentados partimos para o último desafio turístico da viagem: passar rapidamente pelo Metropolitam Museum of Art, “um dos maiores centros de arte do mundo”, segundo o guia de bolso que carrego pra cima e pra baixo. O Met, como é conhecido, é o maior museu de arte dos Estados Unidos, e um dos três maiores do mundo contando com mais de dois milhões de obras, divididas entre dezessete departamentos. Depois de ler isso fica difícil dizer “não gostei tanto assim dele”, mas preciso ser sincero: não gostei tanto não. Ou melhor, gostei, mas não entra na lista dos preferidos.

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Imagino que alguém que nunca tenha entrado num grande museu, e caminhe pelos corredores do Met, irá se apaixonar completamente por ele. No meu caso, porém, entro pela porta da Quinta Avenida carregando outros 20 museus nas costas, e isso acaba colocando uma série de questões em perspectiva, sendo que a principal, para mim, é de que é muito bacana o Met ter salas inteiras com obras de Cezanne, Degas, Manet, Monet, Pissaro, Matisse e outros, embora a obra definitiva de cada um destes mestres esteja em outros museus.

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Longe de ser uma questão “quantidade x qualidade”, afinal estamos falando de um acervo com obras como “Os Músicos” (1595), de Caravaggio; “Os jogadores de cartas” (1890/1892), de Paul Cézanne; “Portrait of Gertrude Stein” (1906), de Picasso; o clássico “Self-Portrait with Straw Hat” (1887), de Van Gogh; “Girl By The Window” (1921), de Matisse; “Le Grenouilerre” (1869), de Monet; ou o belo comparativo dos “Jardins de Tuileries” (1899), em Paris, numa tarde de inverno e numa manhã de primavera, de Camille Pissarro, e muito mais, mas mesmo com dois milhões de peças, falta algo.

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Talvez a desorganização do museu neste domingo, com várias salas fechadas, tenha colaborado com o descontentamento, afinal não há como sair feliz de um museu que tem cinco belas obras de Johannes Vermeer no acervo, e não ter visto nenhuma. Se serve de atenuante, o cachorro quente na frente do museu é um dos melhores de rua de Manhattan, e ainda havia um quinteto mandando num coral vocal acompanhado apenas de baixolão e fazendo bonito em classes da soul music. Deviam estar lá dentro, não na escadaria.

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Observações feitas, hora de fechar as malas. O trajeto até o shuttle para o aeroporto JFK é cansativo, mas em tempos de vacas magras (não são só os Estados Unidos que estão em crise financeira, eu também estou), vale a pena o esforço. O bom é que todo cansaço do translado bate forte assim que a gente senta na poltrona do avião, e não quer pensar em mais nada além de voltar pra casa. O voo sai às 22h50 e acordo quebrado e sonado às 9h, mas feliz por observar São Paulo crescendo pela janela do avião. É sempre bom voltar pra casa, mesmo quando a viagem é repleta de momentos especiais.

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Leia mais: Diário de Viagem Estados Unidos 2013 (aqui)

maio 14, 2013   Encha o copo

Feira no Brooklyn e Mudhoney ao vivo

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O sábado em Nova York começou chuvoso, mas logo o cinza venceu a água deixando tudo nublado. O plano original consistia de visitar a Brooklyn Flea Market, feirinha no estilo da que acontece na Praça Benedito Calixto, em São Paulo. Segundo o site, com chuva ou sol, a feira acontece todo sábado em Fort Greene e aos domingos em Williamsburg, pertinho do Music Hall – as sextas eles publicam a programação.

A Brooklyn Flea Market do sábado acontece em uma quadra de basquete, e chegamos no momento em que algumas bancas ainda começavam a serem montadas. Feirinhas são iguais em todo o lugar do mundo. Tem a moça que vende variedades malucas de chocolate, a outra que vende sabonetes perfumados (segundo Lili, há uma cota obrigatória para cada feira que obriga a presença de sabonetes), bancas de comida e, claro, vinis.

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Sai feliz com alguns vinis, e recomendo ir atrás da banca do Evan, da Jones Music. Ele deixa três caixas à mostra: uma com vinis de 5 dólares, outra de 8 dólares e uma terceira de 10 a 20 dólares. Foi nesta última que encontrei a versão original de “Sticky Fingers”, dos Stones, com direito a zíper e tudo. Minha conta deu 58 Obamas, e eu já estava feliz, mas Evan se desculpou: “Cara, não posso te dar muito desconto porque, você sabe, o material é bom e não vendo no atacado. Tudo bem 55?”. Eu nem tinha pedido desconto.

Se seguíssemos o plano original, iriamos bater cartão na Brooklyn Brewery, mas minha mala superlotada de cervejas e o cansaço descomunal me fizeram partir para a próxima aventura: levar ou não o box em vinil dos Beatles, US$ 299 na Kim’s da Primeira Avenida? Fiquei lá olhando pra ele uns 15 minutos. Parava, olhava outro vinil, voltava, pensava. No fim, acabei desistindo da compra. Definitivamente (como descobri no dia seguinte), não iria caber na mala – mas vou sonhar com ele…

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O sábado ainda arriscamos uma nova iguaria do Soup Man (para confirmar se a sopa era boa mesmo, e é) e um baita show do Mudhoney no Music Hall of Williamsburg, mesmo lugar que dias atrás tinha recebido o Palma Violets com festa. O site anunciava que ingressos ainda estavam à venda, mas na porta, após encontrar uma amiga, Thaissa, um balde de água fria: sold out. O pânico durou uns três minutos, até um cara aparecer e oferecer um par de ingressos.

Se fosse no Brasil, diante da nossa cara de desesperados (o show começaria em 5 minutos), fácil que o cara enfiaria a faca e cobraria o triplo, no mínimo o dobro, mas a noite de sábado em Nova York (assim como aconteceu na entrada de um show da PJ Harvey em Amsterdã: “Tô vendendo pelo preço que paguei”) estava salva por um preço mais baixo que o que estava sendo praticado na bilheteria na hora do show: 20 doletas cada (estava 25 na porta).

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Deu tempo de entrar, pegar uma cerveja e encontrar um lugar para ver Mark Arm e compania abrirem o show com duas porradas do recém-lançado “Vanishing Point” (“Slipping Away” e “I Like It Small”) e depois seguir intercalando canções novas com clássicos da estirpe de “Suck You Dry”, “Sweet Young Thing (Ain’t Sweet No More)”, “Judgement, Rage, Retribution and Thyme”, “No One Has” e, claro, “Touch Me I’m Sick”. Eu já havia visto o Mudhoney oito vezes antes desse show, e esse foi, possivelmente, um dos melhores sons que já ouvi deles ao vivo.

O mérito vai pro espaço aconchegante e de acústica impecável do Music Hall of Williamsburg, e, claro, para a banda, que enfileirou 22 canções (sete destas, novas) em pouco mais de 70 minutos de show, incluindo o bis que foi aberto com outro hino, “Here Comes Sickness”, e fez a festa da turma do pogo em versões rápidas e sujas de “The Money Will Roll Right In” (Fang) e “Fix Me” (Black Fag). Em certo momento, parecia ter mais gente sobrevoando o público de pernas pra cima em stage diving do que na Times Square. Bonito de ver.

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Show findo, a fila na banquinha da banda estava prestes a esgotar o pôster da noite (20 dólares), e trazia CDs, vinis e o DVD do documentário “Mudhoney I’m Now” (2012) com o mesmo preço, 15 dólares, o que faz observar como o mercado brasileiro de música, que já foi um dos maiores do mundo, está completamente atrasado e perdido. Vinil aqui é artigo de luxo. Na banquinha do Mudhoney, a edição caprichadíssima de “Vanishing Point”, com capa em alto relevo, cartão para download do álbum em MP3 e vinil transparente saia pelo mesmo preço do CD.

Peguei um exemplar do vinil e também do compacto exclusivo da tour (US$ 7) com três faixas: “New World Charm”, “The Swimming in Beer” e “The Swimming in Beer Blues”. Noitada feliz. A volta para Manhattan foi rápida (nada como viver em uma cidade com transporte público disponível 24 horas por dia) e bastante agitada, pois enquanto eu partia para colocar a carcaça para descansar, centenas de pessoas lotavam os corredores do metrô em direção de alguma balada noturna de sábado. Se eu não tivesse tão acabado… Abaixo, a integra do show do Mudhoney no Brooklyn.

Leia mais: Diário de Viagem Estados Unidos 2013 (aqui)

maio 14, 2013   Encha o copo