Category — Turismo
Uma cidade fantasma
Praticamente seis horas de viagem de ônibus de Belo Horizonte para Diamantina. Ali por Sete Lagoas (o ônibus da Passaro Verde vai parando aqui e ali no caminho) entrou uma senhora e um tal de Felipe. Ela monologou com ele praticamente duas horas para o ônibus inteiro ouvir. Poderia irritar se não fosse engraçado. “Cheguemo”, gritou ela para o tal Felipe quando o ônibus entrou em Curvelo, a capital do forró (bem destacado na rodoviária da cidade).
Fora isso, a viagem foi tranquila e cansativa. “Cheguemo” em Diamantina debaixo de um sol forte. O hotel fica ao lado da rodoviária, e segundo Lili é o pior hotel em que já ficamos. Bate até o de San Pedro de Atacama. “E olha que lá estávamos no meio do deserto”, observa ela. Até achamos uma pousada fofa no centro histórico por R$ 20 a mais do que estamos pagando no hotel, mas decidimos ficar aqui já que acordamos amanhã às 5h30 para irmos para Ouro Preto. Vai ser bom estar do lado da rodoviária e não “lá embaixo”.
Como era de se esperar, Diamantina no dia primeiro de janeiro estava completamente entregue aos fantasmas. Comemos em um self-service básico, que embora tivesse a boa Backer (cerveja artesanal mineira), não nos impressionou com a comida. À noite, para jantar, foi uma dificuldade. Acabamos optando por um caldinho muito bom (de feijão com torresmo pra mim, de mandioca com carne seca pra Lili).
Ok que era feriado, mas sentimos que falta um pouco de estrutura para a cidade atender aos turistas. Imagina: em três bares que fomos não havia carta de cachaça. Minas Gerais produz mais de 2 mil marcas diferentes e os caras aqui não tem nada! Nos ofereceram no primeiro bar uma “pinga artesanal”, que Lili bebeu e gostou. Depois uma de alambique, igualmente boa, mas sem marca.
Já a cidade é uma jóia. Lili, que conhece bem Ouro Preto, diz que ambas são muito parecidas, mas que Diamantina é muito menor. As ruas são lindas e a cidade tanto durante o dia quanto à noite é belíssima. Batemos muita perna, mas acabamos fazendo poucas visitas aos lugares históricos, já que todos estavam fechados. Acabamos acompanhando junto com moradores a posse do novo prefeito, e esperamos que a banda de jovens da cidade tocasse, mas demorou pacas, e desistimos.
Um dos momentos engraçados da noite aconteceu quando foram abertos os votos para o cargo de primeiro secretário do novo prefeito. Resultado final: fulano de tal, 04 votos; votos em branco, 05. Os presentes riram, mas o prefeito confirmou fulano de tal como primeiro secretário. Eita Brasil. O dia permaneceu com bom tempo até a madrugada, quando despencou uma chuvarada enorme, mas amanheceu novamente lindo.
Para esta sexta-feira vários planos. Passamos na casa de Juscelino, filho ilustre da cidade, e começamos o circuito pelas igrejas tradicionais, todas datadas de 1700 e pouco. Se você estiver com planos de passar por Diamantina (hoje, 02 de janeiro, ela já está bem mais habitada), comece seu passeio pela Igreja de São Francisco de Assis (1772). O Artur, que recebe os turistas ali de quinta a domingo, dá uma ótima aula sobre as igrejas da cidade, com excelentes observações históricas. Vale a visita.
Fotos: Marcelo Costa (http://www.flickr.com/photos/maccosta)
janeiro 2, 2009 No Comments
Pão de queijo e Praça da Liberdade

Foto: Marcelo Costa (http://flickr.com/photos/maccosta/)
Dia total de preguiça. Demos folga aos amigos e fomos atrás do melhor pão de queijo da cidade, no Supermercado Verdemar, da avenida Nossa Senhora do Carmo. Lili, que é especialista no assunto (como boa mineira), aprovou. Mas, assim, não tem como comparar com o do Boca do Forno, pois ao contrário deste, o da Verdemar é daqueles pequeninos, e quentinhos devem ser de viciar.
Porém, mais do que o pão de queijo, o que me chamou a atenção na Verdemar foi um pãozinho feito com massa de pão de queijo e recheado com cenoura, cebola, azeite e especiarias. Uma delícia. Sem contar as pizzas. Saímos do Supermercado e fomos para a lanchonete Verdemar. Não arrisquei e fui da básica e muito boa Peperoni, mas Lili pediu uma deliciosa de Alho Poró. Se for lá, peça. Vale, vale, vale.
Aproveitamos que estávamos em um bom supermercado (segundo a Veja, um dos melhores de BH) e compramos champagne e alguns petiscos para nossa festinha particular. Nada muito especial, afinal vamos amanhecer na rodoviária em direção a Diamantina. Tiramos uma soneca à tarde, assistimos ao programa Alto-Falante (edição festivais europeus) e partimos para fotos noturnas da Praça da Liberdade.
Assim como a avenida Paulista, em São Paulo, que está atraindo um público imenso todas as noites devido a sua belíssima decoração de natal, a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, também caprichou na decoração. Muita iluminação dourada, estrelas, luzinhas e árvores totalmente iluminadas deram um colorido todo especial ao local. Passamos um bom tempo fotografando o lugar enquanto a chuva não vinha.
De volta ao hotel, com São Pedro dando adeus ao ano que se vai, temos que arrumar as malas e prepararmos a nossa pequena ceia de ano novo. Agora, só no ano que vem. Nos vemos. Novamente, um 2009 sensacional para todos nós.

Foto: Liliane Callegari (http://flickr.com/photos/lilianecallegari)
dezembro 31, 2008 No Comments
Complexo da Pampulha e Mercado Central
Dia bastante movimentado. E primeiro sinal de quem São Pedro anda ouvindo nossos pedidos. Fez sol o dia todo! E à noite uma garoazinha de nada. Lindo. Acordamos cedo e fomos a pé, subindo morros, para a Praça da Liberdade, local que abriga a sede (provisória) do governo de Minas Gerais (Aécio está construindo a toque de caixa uma nova sede desenhada por Niemeyer) e dois edifícios assinados pelo Oscar: a Biblioteca Pública e o próprio Edifício Oscar Niemeyer. E tem também o polêmico Rainha da Sucata.
Ficamos um bom tempo fotografando o Edifício Oscar Niemeyer, que parece muito um Copan miniatura. É o tipo de edificação que você pode fotografar o dia inteiro, e todas as fotos vão ficar lindas. Risoleta e Tancredo Neves moraram neste prédio. Dali partimos – já em companhia do Alexandre – para o Complexo da Pampulha. No início da década de 40, o então prefeito Juscelino Kubistchek recorreu ao jovem arquiteto Oscar Niemeyer (depois de tentar vários outros nomes) para projetar os prédios do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, às margens da lagoa artificial.
O Conjunto é composto pela Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino (hoje, Museu de Arte), a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube. Vou te dizer: a Casa de Baile é uma das construções mais lindas do Oscar. Pequenina e aconchegante, ela foi inaugurada em 1943 voltada para o povo (o Cassino, do outro lado do lago, era voltado a elite) e continua aberta com exposições e eventos. Quem passar por lá em janeiro ganha um belo livro que conta a história da Casa e do complexo.
Próximo destino: Igreja de São Francisco de Assis. Também construida em 1943, no entanto, a igreja só foi aceita pelo bispo da cidade em 1957, ficando 14 anos fechada devido a visão de Oscar e, principalmente, Candido Portinari, da religião católica. Portinari assina os afrescos belíssimos dos azulejos assim como um imenso painel atrás do púlpito e os doze quadros arrepiantes da via sacra. Todos os domingos, às 9h30, tem missa, mas é possível visitar o interior da capela pagando R$ 2 nos outros dias.
Depois de uma longa volta pelo lago (de carro) chegamos ao Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha, local em que o PatoFu gravou seu ao vivo MTV alguns anos atrás. Não gostei tanto da parte interna, apesar de ter achado fofo o auditório, mas o prédio conqusita você na parte externa. Bom, quase duas da tarde, hora de comer. Fomos ao sensacional Mercado Central. Logo na entrada provei um quejio Canastra, de Patrocínio, divino. E fomos direto para o Casa Cheia.
O Casa Cheia é um assíduo frequentador da competição Comida di Buteco e eu não poderia ter começado melhor minha aventura pelas comidas mineiras. Lili foi de Tutu a Mineira, Alexandre escolheu um PF e eu encarei o Mexidoido Chapado (R$ 14) que é um mexido feito na chapa com picanha fatiada, lombo defumado, linguiça caseira, bacon, legumes preparados no azeite, ovo frito de codorna, arroz e ervas aromáticas. O prato vem uma frigideirinha e é tão bonito de se ver que até a mesa do lado pediu para fotografa-lo.
Lógico, não basta ser bonito, tem que ser gostoso, e você tem alguma dúvida que o prato era divino? Primeira sacada: na cozinha do Casa Cheia só vozinhas fazendo a comida. Não tem como dar errado. O prato era simplesmente delirante. E eu ainda fiz pouco caso do tamanho dele naquela frigideirinha, mas não consegui comer tudo. Para acompanhar, coca-cola e a segunda cachaça da viagem, uma boa Samba e Cana, de Belo Horizonte.
Depois do almoço de reis fomos dar uma volta no Mercado. Passamos em uma cachaçaria para uma olhada sem compromisso. A Havana estava saindo por R$ 390, uma versão especial da Germana (a minha preferida) por R$ 220 e a famosa Anisio Santiago custava apenas R$ 190. Ok, tem para todos os bolsos. Se você quiser tomar uma Providência basta apenas desembolsar R$ 8,90. Experimentei a Pendão, de Itatiaiuçu. Boa. Não levei nada, afinal, estamos no começo da viagem, mas vou retornar para São Paulo abastecido. Aguarde.
Após uma soneca providêncial, Rodrigo James nos pegou para nos apresentar o que, segundo ele, é o melhor pão de queijo do mundo. Fomos ao Boca de Forno, da praça Nova Iorque. Pão de queijo caprichado, com recheio saboroso e um belo tamanho que só me fazia imaginar que ali caberia um belo lanche. Próxima parada, Bar do João, na Savassi, seguindo o lema “se não tem mar, tem bar”. Terminamos à noite com Thiago Pereira (assim como o James, do Alto-Falante) e com Alexandre bebendo e conversando sobre cultura pop.
Último dia do ano. Decidimos dar uma folga aos amigos para batermos perna atrás do pão de queijo da Verdemar e de outras peculiaridades de Beagá. Dia 01, às 06h30 da manhã, embarcamos para Diamantina. Vou ali beber uma cachaça e comer um queijo. Eu acho que volto.
Fotos: Marcelo Costa (http://flickr.com/photos/maccosta/)
dezembro 31, 2008 No Comments
Primeira cachaça da viagem
Chegamos em Beagá na hora certa, sem nenhum atraso. Lili pediu uma Xingu no avião, eu uma coca-cola. Tudo errado. Ela molhou os lábios com a cerveja, não gostou, e eu fiz a troca de bom grado. Namorado é pra essas coisas também. O centro de atenção ao turista no aeroporto de Confins (que não nega o nome: fica realmente nos confins) quebrou um galhão com mapas e orientações sobre a cidade. Pegamos o ônibus (R$ 16,90 per capita) e depois morremos em R$ 6 no taxi para chegarmos ao primeiro hotel da viagem, o primeiro F1 da minha vida (hehe).
O Alexandre passou uns 20 minutos depois e fomos para a Mercearia do Lili beber Bohemia, comer um ótimo bolinho de mandioca e bebericar umas cachaças. A primeira da viagem foi a ótima Boazinha, de Salinas. Bem leve, sem muito amargor nem queimação. Lili bebeu o copo dela primeiro que eu. O James apareceu depois para papearmos sobre coisas de Minas, experiências na Europa e trechos do livro do Bill Graham. E voltou a garantir: “O pão de queijo do Boca do Forno é melhor que o da Verdemar”. Hoje tiraremos a prova. Lá vamos nós que a Pampulha nos espera.
dezembro 30, 2008 No Comments
Belo Horizonte na segunda à noite
Como o hostel em Ouro Preto já estava lotado, tivemos que fazer algumas pequenas alterações no roteiro, e incluimos Diamantina. Agora é esperar que São Pedro de um baile na previsão do tempo e não cumpra as expectativas de chuva forte em BH nos dias de virada. James vai dar umas dicas de lugares para comer pão de queijo (a Ale, do Comidinhas, me pediu um mapa do pdq). Alexandre vai mostrar uns bons botecos (claro, vou querer fazer um mapa da cachaça) e ainda tenho que esbarrar no Tomaz, ver o museu de Inhotim em Brumadinho e subir e descer muito morro. Por enquanto, está assim:
29 – São Paulo / Belo Horizonte
30 – Belo horizonte
31 – Belo Horizonte / Sabará / Belo Horizonte
01 – Belo Horizonte / Diamantina
02 – Diamantina
03 – Diamantina / Ouro Preto
04 – Ouro Preto
05 – Ouro Preto / Mariana / Ouro Preto
06 – Ouro Preto / Congonhas / Ouro Preto
07 – Ouro Preto / Tiradentes
08 – Tiradentes
09 – Tiradentes / São João Del Rey / Tiradentes
10 – Belo Horizonte / Bumadinho / Belo Horizonte
11 – Belo Horizonte / São Paulo
dezembro 28, 2008 No Comments
Links, fotos e algumas histórias
Tenho uma amiga muito querida que num de seus e-mails de final de ano falava com alegria sobre as “aquisições” de amizades que tinha conseguido no ano que passou. Eu conheci muita gente especial neste ano, entre estes, o Carlos (companheiro de shows na Europa e fonte inesgotável de dicas sobre viagens) e a Camila, que acaba de fazer um blog para dividir dicas de viagem e contar outras coisinhas (ainda vou pedir para ela descrever o show de quase 3h do Leonard Cohen que ela viu por lá). Acompanhe os Pensamentos Inadequados dela por aqui:
http://pensamentosinadequados.blogspot.com/
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A Cristal me procurou uns meses atrás animada com o conteúdo do Scream e da Calmantes. Ela queria escrever um perfil do site para o seu blog, o Feijoada com Laranja, e publicou ontem. “O blog, escrito por Marcelo Costa, um paulistano bem despretencioso, é uma coleção de boas dicas de bandas, livros, shows e filmes que devem entrar na lista de “preciso ver” de qualquer viciado em coisas boas”. Cristal, gostei do paulistano despretensioso. 🙂 O Feijoada com Laranja traz muitas dicas legais de blogs, sites, discos, filmes e tudo aquilo que a gente gosta. Confira:
http://feijoadacomlaranja.blogspot.com/
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Pra fechar: uma das minhas fotos de Paris, do Forum de Halles, foi selecionada – e liberada via Creative Commons – para a sexta edição do Schmap City Guide Paris. Você pode vê-la aqui e ou então baixa-la para o iPhone/iPod, conforme imagem abaixo. Bacana, apesar de que minha foto preferida de Paris seja essa.

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Doces variações sobre o mesmo tema:
“Quando eu era criança, eu não gostava disso. Agora eu gosto”.
Gabriela, a sobrinha, do alto de seus 8 anos de idade
“Eu estou forte, bem. Acho que a minha velhice vai ser bem saudável”
O avô de uma amiga do alto de seus 85 anos
dezembro 27, 2008 No Comments
14 dias em Minas Gerais
Gripei… e tenho ainda nove dez dias de trabalho direto pela frente. Sim, incluindo os dois próximos sábados e domingos e também o dia 25 e 26. Quer ser jornalista? Se prepara pra isso, certo. 🙂
Eu e Lili rabiscamos o pequeno roteiro de nossas mini-férias em Minas Gerais. Ela comprou um guia caprichado da Estrada Real e amanhã pretendemos reservar alguns hotéis (principalmente nas cidades mais concorridas: Belo Horizonte e Ouro Preto). É um rascunho mesmo de roteiro (James, ligo quando chegar em BH) que ainda será balizado pelas dicas preciosas da Camilinha e do Alexandre (vais me levar pra beber, meu caro)
29 (à noite) – Belo Horizonte
30 – Belo Horizonte
31 – Belo Horizonte
01 – Belo Horizonte / Ouro Preto
02 – Ouro Preto
03 – Ouro Preto / Mariana / Ouro Preto
04 – Ouro Preto
05 – Ouro Preto / Congonhas
06 – Congonhas / Tiradentes
07 – Tiradentes
08 – Tiradentes / São João Del Rey
09 – São João Del Rey / Sabará / São João Del Rey
10 – São João Del Rey / Brumadinho
11 – Brumadinho / Belo Horizonte / São Paulo
*Diamantina (queremos ir, mas não sabemos se vai rolar)
**Atualizando: hotel em BH e passagens de avião compradas
dezembro 19, 2008 No Comments
Viagem de Fim de Ano – Cidades Mineiras
Nem lembro direito qual foi nosso primeiro plano de roteiro para o fim do ano. Ali pra agosto eu já sabia que iria trabalhar direto até o dia 29 e que, depois, só voltava dia 12 de janeiro. Então um dia, no meio da madrugada, acordei com um pensamento e sacudi Lili: “Vamos passar o reveillon em Paris!”. Calculei tudo e poderia ter rolado se a economia mundial não tivesse pirado e o dólar pulado de R$ 1,60 para R$ 2,50 nesse meio tempo. Europa só em agosto/setembro do ano que vem.
Começamos a traçar novas rotas por aqui e como deixamos tudo para a última hora perdemos vários pacotes. Chegamos a pensar em fazer o trecho Porto Alegre, Buenos Aires, Santiago, Machu Pichu e até reduzimos depois para Porto Alegre, Buenos Aires e Montevidéu, mas acho que só hoje chegamos a um consenso de casal, após uma sugestão que fiz no meio da semana: “Que tal passear pelas cidades históricas mineiras levando uma mochila pequena com pouca roupa e as máquinas fotográficas?”
Eu sempre quis conhecer as cidades históricas e no período em que fui jurado do Prêmio Caixa de Jornalismo, na categoria de Turismo, li vários textos interessantes sobre o local. Pelo jeito, vamos passar o ano novo em uma cidade histórica a ficar batendo perna, fotos e comendo boa comida até o dia 07 ou 08 quando voltamos para São Paulo e esticamos para Porto Alegre, para que a arquiteta da casa conheça o museu Iberê Camargo, do arquiteto português Álvaro Siza, e eu encontre uns amigos.
Ainda não sei qual será o roteiro nas Minas Gerais, mas a idéia é começar por Belo Horizonte e ir de lá para Mariana, Ouro Preto, Tiradentes, Congonhas e Diamantina. Ainda quero conhecer Montevidéu, a região dos Lagos no Chile e Machu Pichu, mas vai ficar para a próxima. Minas Gerais, nos aguarde.
dezembro 14, 2008 No Comments
Uma tarde na Liberdade

Como que nos preparamos para conhecer outros lugares do mundo se nem conhecemos bem a cidade e o país em que nascemos? Toda vez que volto para casa após uma viagem me questiono isso. Como admiro igrejas de outros lugares e não entro na Catedral da minha cidade? Como procuro conhecer os pontos históricos de Buenos Aires, Santiago, Londres e Paris e deixo passar batido a dura poesia concreta de São Paulo?
Pensando nisso, assim que voltei pra casa após minha temporada européia já comecei a planejar passeios imaginários que precisava realizar, desde tentar passar uma tarde gostosa no bairro da Liberdade até fazer o percurso Mariana/Ouro Preto de Maria Fumaça. Este último pode acontecer em setembro. Já o primeiro fizemos neste domingo passando pela Catedral da Sé, desbravando um pouco da culinária oriental, entrando num supermercado e bebendo suco pobá.
Segundo infos da Wikipedia, o bairro da Liberdade é um distrito da região central da cidade de São Paulo. É o maior reduto da comunidade japonesa na cidade, a qual, por sua vez, congrega a maior colônia japonesa do mundo, fora do Japão. Uma multidão de pessoas circula pela rua Galvão Bueno, a via principal, dominada por luminárias tipicamente orientais e por estabelecimentos onde as placas são escritas em caracteres orientais.

Meu plano inicial era levar Lili para experimentar o indescritível suco pobá de frutas tropicais na Padaria Itiriki Bakery (Rua dos Estudantes, nº 24), que já foi premiada pela excelente qualidade de seus pães artesanais. O sabor de frutas tropicias, no entanto, está em falta (“Deve chegar em uns três meses”, informou a balconista) então decidi encarar o de Inhame com Leite, cujo gosto me informaram ser de baunilha.
Lili, decididamente, não gostou. Após experimentar o suco, agarrou sua coca-cola e não largou e nem quis experimentar mais. A característica principal do suco tobá são as bolinhas (tipo sagu, mas beeem grandes) que ficam no fundo do copo, e que sobem junto com o líquido adocicado pelo grosso canudo. Assim, o de frutas tropicais é melhor, mas nenhum deles é delicioso com todas as letras. É… estranho, mas interessante. Numa comparação, prefiro o mate com leite.
Após o lanchinho na Itiriki Bakery voltamos para a Galvão Bueno, descemos à rua e entramos em um supermercado. Em meio ao milhão de ofertas tentadoras e estranhas nas prateleiras (quase todas com uma etiqueta traduzindo o conteúdo descrito em japonês), Lili comprou dois pacotes de balas (um de leite e outro de açúcar mascavo com mel) enquanto eu abracei uma garrafinha pequena de saquê.
O desafio, no entanto, viria a seguir, e perdoem-nos os fãs e apreciadores, mas nem eu, nem Lili, gostamos de comida japonesa. A gente já sabia disso, mas precisávamos confirmar. Nós decididamente tentamos, viu. Entramos no Café Restaurante Banri para um almoço e pedimos um porção de guioza, um banri yi pequeno de sushi com 13 unidades (três niguiri, seis sashimi e três uramaki) e um mini temaki (com um de atum e dois de salmão).
Primeira boa notícia: consegui comer com os hashis. Não manuseei como um mestre, mas acho que dava para tirar uma nota cinco e passar de ano. O guioza estava ok, mas o que eu e Lili comemos na casa do Rodrigo e da Dani meses atrás dava de dez nessa. Esse pastelzinho (no nosso caso, de carne) cozido a vapor é uma boa entrada. Para acompanhar, uma Sapporo (4,9%), cerveja japonesa meio aguada cujo rótulo diz “Japan’s Oldest Brand”, mas que é feita no Canadá.
Até gostei dos sashimis (fatias finas de peixes ou de frutos do mar crus) de salmão, mas não dos de atum. O mesmo vale para os niguiri (bolinho de arroz em forma alongada coberto por uma fatia de peixe cru ou ainda polvo e camarões) e temaki (cone com alga por fora recheado com arroz, peixe, legumes ou cogumelos) de salmão. Os uramaki (arroz sobre folha de alga, tiras de peixe ou outros ingredientes, enrolado de forma com que o arroz fique na parte externa) também desceram ok.
Então você diz: “se a comida desceu ok, então tudo bem”. Mais ou menos. A comida é ok, mas não é um prato que eu tenha prazer em comer. O peixe cru não desce realmente bem (essa é a verdade), pelo gosto (de tempero de shoyo) e por sua tendência pastosa. A temperatura fria da maioria dos pratos também não me agrada. E mesmo tendo aprovado camarão frito em Maceió após muito tempo, e adorar filé de pescada, das águas salgadas continuo gostando mesmo é de sereia. (hehe)
Mesmo assim foi um avanço, vamos admitir. Da última vez que eu havia ido jantar na Liberdade, com a namorada e um casal de amigos, em um restaurante da badalada rua Thomaz Gonzaga, pedi um filé-mignon enquanto eles comiam comida japonesa. Hoje entrei no clima, e a tarde gostosa no bairro da Liberdade terminou com o bom picolé coreano Melona. Tem de vários sabores (banana, morango, abacaxi), mas eu fui no tradicional Melon Flavored Ice Bar, ou seja, Melão. É um sorvete cremoso formato barra (tipo espetinho de queijo) que faz sucesso no bairro. Curti.
Padaria Itiriki Bakery
Rua dos Estudantes, 24, Liberdade
Preço em média do suco de pobá: R$ 7,90
Banri Café Restaurante
Rua Galvão Bueno, 160, Liberdade
Preço em média do almoço (duas pessoas): R$ 40,00
Sorvete Melona: R$ 3,50
Supermercado Narukai
Rua Galvão Bueno, 34, Liberdade
Preço em média do pacote de balas: R$ 4,20
Preço em média do saquê 150ml: 4,00
Crédito das fotos: Wikipedia (primeira) e Lili Callegari (as demais)
agosto 24, 2008 No Comments
Você já tomou Na Bunda?
Calma minha gente, eu tô falando da cachaça. Com todo respeito, por favor. A picante aguardente de cana grossa envelhecida em tonéis de pau barbado e produzida no município de Cacete Armado de pai para filho desde 1924 (clique nas fotos abaixo para ler mais detalhes do hilário rótulo da cachaça) é apenas uma das várias vedetes que circulam nos balcões do Porto da Pinga, cachaçaria de Paraty (endereço no fim do post). Neste caso, porém, a piada é mais importante que a cachaça (de terceira linha), por isso, deixe-a para o final da noite.
Antes, prove nomes como Canarinha, Boazinha, Lua Cheia, Seleta, Prosa e Viola (todas de Salinas, MG), Claudionor e Januária Centenária (Januária, MG), Germana (Nova União, MG), Benvinda (Patos de Minas, MG), Paratiana (Paraty, RJ), Maria Izabel (Paraty, RJ), entre outros, apreciando o sabor, degustando mesmo. Tome uma Providência (Buenópolis, MG) e, se a grana estiver sobrando, pense em encarar uma dose da mítica Anízio Santiago (Salinas, MG), que pode custar entre R$ 20 e R$ 30 (a dose, não a garrafa).
Curta o cardápio escolhendo as pingas pelas madeiras dos tonéis e, quando estiver preparado, tente encarar a botija com aguardente Pirahy (Volta Redonda, RJ) envelhecida com cobra. Você não tem nem tempo de pensar. O barman coloca o jarro na sua mesa e antes de você perguntar algo, ele mesmo enche o copo e vira a dita. Se ele não cair nos próximos dez segundos, não perca o brio: encha o copo, vire de uma vez e bata na mesa. Apenas tenha cuidado quando sair. Caminhar no Centro Histórico de Paraty pode ser uma aventura. Aqueles paralelepípedos…
Ps. Este blogueiro não tomou Na Bunda… apenas deu uma bicadinha nela!
Post escrito especialmente para o blog Bebidinhas (aqui)
Restaurante e Cachaçaria Porto da Pinga
Rua Matriz, 12, Centro Histórico, Paraty-RJ
(24) 99074370 / (24) 99580121
agosto 20, 2008 No Comments














