Category — Música
Oito meses de Wonkavision

Desde o começo do ano que o Wonkavision posta mensalmente uma música nova em seu endereço virtual, mas é claro que a gente se perde na correria do dia a dia, e esquece de ir lá baixar. Hoje eles devem estar postando a canção de setembro, mas mesmo assim as outras oito faixas estão lá para download, coisas como “O Impar Perfeito” (uma das cinco grandes canções do ano), “Rebobinar”, “Tanto Faz”, “Double Dealing” e “A Farsa Que Eu Fracasso Em Ser”. Está tudo abaixo:
setembro 30, 2008 No Comments
Música: “Adorata EP”, The Gutter Twins

Greg Dulli passou os anos 90 infernizando o mundo com melodias apaixonadas entre o rock e o soul, letras surrealistas e pornográficas e muito barulho com sua banda, o Afghan Whigs. Nos anos 00 decidiu começar tudo de novo, engavetou os Whigs e criou o Twilight Singers, que lançou cinco álbuns até o momento. Agora é a vez do Twilight Singers ir para o banco de reservas e ceder lugar para o The Gutter Twins, projeto de Dulli ao lado do amigo Mark Lanegan.
Mark Lanegan, você conhece: é um dos caras acima de qualquer suspeita no cenário rocker mundial. Era vocalista do ótimo Screaming Trees e quando, em 1989, foi gravar sua estréia solo, chamou amigos para participarem da gravação. Na mítica cover de “Where Did You Sleep Last Night”, de Leadbelly, ele conta com o auxilio de Kurdt Kobain (grafado exatamente assim) na guitarra e Chris Novoselic no baixo, núcleo da banda que viria a ser conhecida três anos depois como Nirvana.
Nos últimos anos, Lanegan se especializou em participar de grandes projetos seja ao lado do Queens of The Stone Age (com quem gravou – entre outros – o matador “Songs For The Deaf”, um dos dez melhores discos da década independente dos outros nove), com Isobel Campbell, ex-Belle and Sebastian (parceria que já rendeu dois álbuns), Soulsavers (o belíssimo “It’s Not How Far You Fall, It’s The Way You Land”, de 2007), fora participações em álbuns de PJ Harvey, Melissa Auf der Maur e muitos outros.
Mark Lanegan já vinha colaborando com Greg Dulli nos discos do Twilight Singers e costumava marcar presença em alguns shows do grupo (é famoso o áudio de um show devastador do grupo acrescido de Lanegan em Bruxelas, 2006), o que facilitou o processo de criação do The Gutter Twins, cuja estréia oficial se deu em março com o lançamento do álbum “Saturnalia”, pelo selo Sub Pop, e agora retorna ao mercado – apenas via iTunes – com “Adorata”, um EP caprichado com oito faixas redentoras.
“Adorata”, assim como os shows de Dulli e Lanegan, é recheado por covers inusitadas que vão de Primal Scream e Scottt Walker, passam por José Gonzalez e Vetiver e inclui uma “Flow Like a River”, do Eleven, banda que conta com Jack Irons, ex-baterista do Red Hot Chili Peppers e do Pearl Jam, e Natasha Shneider, amiga dos músicos e membro do Queens of The Stone Age, que morreu de câncer no começo deste ano. Parte da renda da venda do EP será destinada para a ONG Natasha Shneider Memorial Fund.
Boa parte de “Adorata” foi gravada parcialmente ao vivo durante as sessões de “Saturnalia” com Greg Dulli alternando-se entre vocal, piano, guitarra e, inclusive, bateria, e Mark Lanegan segurando o microfone. O EP abre com a suave versão de “Belles”, do Vetiver (banda próxima a Devendra Banhart), que mantém a leveza folk da canção inserindo uma bateria sincopada, mellotron e harmonium marcantes e uma bonita guitarra espacial afastada na mixagem.
“Down The Line”, um dos cavalos de batalha de José Gonzàlez, surge acelerada numa versão contagiante que destaca belíssimos trechos de violino. “Deep Hit Of Morning Sun” deixa a eletrônica da versão original do Primal Scream para valorizar a linha vocal e a explosão de guitarras no refrão. Por sua vez, “Flow Like A River”, do grupo Eleven e uma das grandes canções de “Adorata”, lembra a versão original de “Deep Hit Of Morning Sun”. Destaque para o poderoso refrão grunge.
“St. James Infirmary” é uma trágica canção tradicional de autor desconhecido composta entre o final do século 18 e o começo do século 19 e que narra a desventura de um homem que ao ir ao hospital descobre que perdeu seu filho e sua mulher no parto. Lanegan já havia gravado uma versão em dueto com Isobel Campbell, mas está versão de “Adorata” impressiona com uma melodia mais forte e densa que materializa sua tragicidade embalada pela marcação blues e com órgão ao fundo.
“Duchess” vem na seqüência numa versão folk tão suave e fiel ao arranjo original que faz sorrir. Gravada por Scott Walker em “4? (de 1969), a canção favorece o tom vocal de Mark Lanegan, que emociona. Para o final, duas belas faixas inéditas gravadas em sessões na California: “Spanish Doors”, com arranjo orquestral e um crescendo mortífero, e “We Have Met Before”, típica canção de Greg Dulli, que começa leve e explode levando todos os instrumentos consigo.
Com “Adorata” e “Saturnalia”, Greg Dulli e Mark Lanegan entram na briga pelo posto de melhor álbum de 2008, o que não chega a ser surpresa para quem acompanha a qualidade do trabalho destes dois interpretes em versões como “Live With Me” (Massive Attack), “Hyperballad” (Bjork) e “A Love Supreme” (John Coltrane), covers registradas em álbuns do Twilight Singers e que já davam uma pequena amostra do que poderia render essa parceria. Aproveite.
“Adorata”, The Gutter Twins (One Little Indian/Sub Pop)
Preço em média: US$ 0,99 por música via iTunes
Nota: 9
setembro 29, 2008 No Comments
Medeski, Martin and Wood em SP

“Por favor, você conseguiria o set list para mim?”, peço a uma das pessoas do backstage assim que o trio Medeski, Martin and Wood deixa o palco do Sesc Vila Mariana na segunda noite (esgotada) de passagem por São Paulo após mais uma apresentação irrepreensível. “Eles não usam set list, usam partitura”, responde um dos técnicos. Sentiu o clima?
Não é o fato minúsculo de usar partitura que faz de uma apresentação do trio de power jazz algo espetacular, mas, sobretudo, saber que eles sabem exatamente o que estão fazendo sobre o palco. E, olha, não deve ser nada fácil. Os arranjos de cada canção são intrincados e complexos, o que não torna o som difícil, muito pelo contrário: o que sai pelas caixas é envolvente e empolgante.
Em duas horas de excelente música, Medeski (alternando-se entre piano de cauda, órgãos e teclados), Martin (com seu kit de bateria cuja até a “lataria” serve como ambiente de som) e Wood (entre o contrabaixo elétrico e o baixolão acústico) confirmaram a expectativa de mais um show para a lista de melhores do ano em uma apresentação mais barulhenta que a de 2006, e tão sensacional quanto.

setembro 28, 2008 No Comments
Música: “The Best of The Rykodisc Years”, Josh Rouse

Entre 2001 e 2005, Josh Rouse era contratado da gravadora Rykodisc tendo lançado pelo selo norte-americano três álbuns e um EP. A Ryko ainda distribuiu seus dois primeiros álbuns e o EP “Chester”, em parceria com o grande Kurt Wagner, líder do Lambchop. Afundado em copos de bebida, ao final do contrato com a Ryko, Josh Rouse decidiu começar vida nova longe do álcool em um vilarejo espanhol passando a lançar seus álbuns de forma independente (e dali surgiram preciosidades como “Subtitulo” e “Country Mouse City House”).
“The Best of The Rykodisc Years”, coletânea dupla recém-lançada, deixa de lado esses últimos três anos felizes do compositor (que além dos álbuns citados ainda incluem-se alguns EPs, um deles dividido com a namorada espanhola Paz Suay) e centra-se no que o próprio Josh Rouse define como sua “primeira fase”, período que o levou a ser apontado por algumas publicações com uma mistura bem azeitada do ex-lider dos Replacements, Paul Westerberg, com a fase jovem de Tom Petty e, ainda, Morrissey.
Entre as faixas de “The Best of The Rykodisc Years” está o “crème de la crème” dos belíssimos álbuns “Dressed Up Like Nebraska”(1998), “Home” (2000), “Under Cold Blue Stars” (2002), “1972? (2004) e “Nashville” (2005). A seleção feita pelo próprio músico foi rigorosa e matemática. São três faixas de cada um dos dois primeiros álbuns mais quatro de cada um dos três discos seguintes e, ainda, “65?, do EP com Kurt Wagner. No total, o CD 1 compreende 19 faixas que resumem a primeira fase de Josh Rouse.
Da estréia surgem a acelerada “Late Night Conversation” e a balada “Invisible”. De “Home” marca presença o pungente hit “Directions”, que até embalou cena de amor entre Tom Cruise e Penélope Cruz no filme “Vanilla Sky”. Já “Feeling No Pain”, de “Under Cold Blue Stars”, traz até microfonia na abertura enquanto o ponto álbum do primeiro CD (e da primeira fase do cantor) se concentra nas oito faixas maravilhosas retiradas da dobradinha “1972?/”Nashville” (o verso de abertura de “Streetlights”, que fecha o CD 1, é de arrepiar).
A segunda parte de “The Best of The Rykodisc Years” é composta totalmente por raridades, entre elas seis versões nunca lançadas oficialmente. As primeiras seis faixas deste segundo CD foram lançadas em 2001 no EP de edição limitada e fora de catálogo “Bedroom Classics Vol. 1? e destaca, entre outras, a primeira versão de “Sad Eyes”, de uma crueza que emociona muito mais do que a versão original lançada no álbum “Nashville”, e o altcountry “A Song to Help You Sleep”.
Aparecem em versão demo “Suburban Sweetheart” (cuja versão final abre o álbum de estréia do cantor), “Flair”, “Christmans With Jesus”, “Be On The Lookout” (que viria a ser “Little Know It All”, do álbum “Home”) e “Camping in Copenhagen” (demo de “Summer Kitchen Ballad”). Dois outtakes inéditos marcam presença na coletânea: “Cannot Talk”, gravada nas sessões de “Dressed Up Like Nebraska” e a lírica “Princess on the Porch”, das sessões do álbum “1972?.
Num total de 32 canções, “The Best of The Rykodisc Years” lança luz sobre uma belíssima obra cuja estréia completou 10 anos em 2008. Apesar de todo esse tempo, Josh Rouse não se transformou em um astro pop, o que pode dizer muito sobre a incompetência da indústria tanto quanto sobre a personalidade fechada desse compositor que aposta na força das boas canções. Um bom número delas está presente nesse disquinho que pode tirar a alma de muita gente da lama. Ou como diria o próprio: “Canções especiais para pessoas especiais”. Ele fez a parte dele. Agora cabe a você fazer sua: ouvir.
“The Best of The Rykodisc Years”, Josh Rouse (Ryko)
Preço em media: R$ 55 (importado)
Nota: 9,5
Leia também:
– Josh Rouse ao vivo em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
– “Country Mouse, City House”, de Josh Rouse, por Marcelo Costa (aqui)
setembro 22, 2008 No Comments
Jim Morrison vai ressucitar…
… para dar umas bifas no Noel Gallagher. A introdução de “Waiting For The Rapture”, faixa três do novo disco do Oasis, é descaradamente chupada de “Five To One”… ou será uma citação com crédito para os Doors? Duvido, mas vamos ver o que vem pela frente.
setembro 22, 2008 No Comments
Música: “Japan Pop Show”, Curumin

É muito interessante observar o cambalear bêbado do mundo ziguezagueando conforme o futuro torna-se presente. “Japan Pop Show”, segundo disco do multi-instrumentista Curumin, seria aclamado por toda a MPB e ignorado completamente pela ala rock caso fosse lançado vinte anos atrás. Hoje em dia a MPB como a conhecíamos – conceitualmente – não existe, e quem gostava de rock começou a abrir os ouvidos e expandir os horizontes musicais valorizando o samba e nossas raízes afro-americanas.
Dentro desse contexto, ontem ou hoje, “Japan Pop Show” é Samba com S maiúsculo. Sim, há aqui apropriações de sonoridades diversas que vão fazer você se lembrar do reggae, do funk, da soul music, do rap, do hip, do hop, do baião, do dancehall, do r&b e por ai vai, mas a essência, o cerne do negócio todo é o samba malaco, esperto e provocativo que conhecemos tão bem e aprendemos a admirar, mas revestidos de uma modernidade natural que conquista na primeira audição.
“Japan Pop Show” sucede “Achados e Perdidos”, estréia de Curumin em 2003 que lhe rendeu uma turnê por mais de vinte cidades dos Estados Unidos e a indicação da música “Tudo Bem, Malandro” para uma coletânea do iTunes idealizada pela atriz Natalie Portman e um show no badalado South By Southwest, no Texas. Neste segundo disco, Curumin olha com nostalgia para seu passado ao mesmo tempo em que exerce critica social e dá um salto (no vácuo com joelhada) em termos de produção.
A nostalgia surge no título do álbum, que remete a infância do músico, neto de japoneses que assistia ao programa de TV exibido nas manhãs de domingo nos anos de 1980, e também acompanhava as instigantes lutas de Savamú, lutador cujo golpe decisivo – “Salto no Vácuo com Joelhada” – dá titulo a faixa instrumental que abre o álbum suavemente como se um jazzista fizesse pequenos solos dentro de uma caixinha de bailarina, isso até os graves das programações baterem pesadas no estéreo.
Passada a introdução, “Japan Pop Show” arremessa no colo do ouvinte um repertório de canções suingantes que não deixam ninguém parado. Começa com a suavidade de “Dançando no Escuro”, com o vocal charmoso de Marku Ribas discorrendo com suavidade a poesia caipiresca da letra: “De uma chuva que lavou / Muita poça se formou / E pra num moiá os pé / Andava oiando pro chão”. O suingue chama o ouvinte para a ginga em “Compacto”, outra faixa carregada de nostalgia que presta homenagem aos bons e velhos vinis.
A contagiante “Magrela Fever” faz uma ponte com a “Magrelinha” de Luiz Melodia não só no título, mas em um trecho de teclados antes da entrada do refrão que faz o coração se aninhar na melodia. Já “Kyoto” conta com o pessoal do Blackalicious e espeta os EUA, que não aceitaram assinar o protocolo na época. A faixa título, cantada em inglês, lembra o samba de Jorge Ben com guitarras de surf. O violão direciona “Mistério Stereo” com seu refrão esperto enquanto a instrumental “Saída Bangu” cita Jards Macalé.
A sensacional “Mal Estar Card” foca na Daslu enquanto Christopher Lover discursa no meio da canção: “Nunca vi alguém ficar rico sem pisar na cabeça dos outros”. Um dos pontos altos do álbum é “Caixa Preta”, com participação de BNegão e Lucas Santtana, um funk poderoso que usa o acidente com o vôo 3054 da TAM que matou 199 pessoas para criticar a falta de transparência da imprensa e dos grandes meios de comunicação, muito mais dispostos a confundir do que explicar.
“Sambito” é cantada em japonês e o refrão, traduzido, é uma declaração de amizade: “Sambito, Sambito, meu único amigo, meu único amigo”. Já “Esperança”, penúltima música do álbum, é outra que lembra Jorge Ben – inclusive em sua temática paz e amor tão celebrada pelo Babulina – enquanto “Fumanchu”, instrumental que fecha o disco conta com a participação de Daniel Ganjaman, destaca a bateria marcada de Curumin e o grave das programações enquanto uma linha melódica serpenteia a canção.
“Japan Pop Show” é um disco adulto, classudo e extremamente bem produzido. Curumin inspira-se em nostalgia (melódica e temática) para criar música moderna atenta ao mundo que a cerca, algo raro em tempos de reciclagem, diluição e umbiguismo emo. É bem provável que seja descoberto – e valorizado – nos Estados Unidos antes do Brasil, atestado da situação critica que vive a música (que um dia foi popular ) brasileira. Não espere o referendo do New York Times. “Japan Pop Show” é um dos grandes discos do ano. Descubra você mesmo.
“Japan Pop Show”, Curumin (YB Music)
Nota: 9,5
setembro 15, 2008 No Comments
Música: “Intimacy”, Bloc Party

Kele Okereke está procurando arduamente, mas ainda não conseguiu traduzir fielmente em música aquilo que traz na alma. “Intimacy”, terceiro trabalho de sua banda lançado virtualmente em agosto (nas lojas só em outubro), é o típico álbum de transição, cuja indefinição de rumo atira para todos os lados. A culpa, neste caso, pode ser jogada sobre os produtores do disco: Paul Epworth moldou a estréia da banda, destacando riffs metalizados; Jacknife Lee produziu o segundo álbum injetando eletrônica na mistura. Juntos, os dois parecem não querer brigar por terreno, e o repertório cede aos dois lados.
Discos de transição são estranhos por natureza. A banda está caminhando, mas ainda não ainda colocou os pés no chão, então o registro flagra o grupo no ar, flutuando sobre diversas nuvens e tempestades que os arrastam para cá e para lá. No caso do Bloc Party, a influência máxima parece ser “Kid A”, disco (forçado) de transição do Radiohead, um break necessário na escadaria que levava a banda ao céu – sem que os integrantes soubessem realmente se era isso mesmo que queriam. Kele parece ainda não saber o que quer, então mistura tudo. O resultado, apesar de esquizofrênico, surpreende.
“Intimacy” abre com “Ares”, uma porrada incendiária que ousa misturar Chemical Brothers com Prodigy (como ninguém nunca pensou nisso antes?). Guitarras no talo ameaçam deixar ouvintes desatentos surdos enquanto a bateria atropela e Kele dança ao som das sirenes e deseja declarar uma guerra. “Mercury”, o primeiro single de forte batida eletrônica, apóia-se em astrologia: quando Mercúrio está retrogrado, a natureza do planeta muda radicalmente, e aquilo que era para ser rápido pode sofrer atrasos devido a fatores diversos. “Este não é o momento para iniciar um novo amor”, avisa Kele.
“Halo”, terceira faixa, deixa a eletrônica de lado e remete às primeiras canções da banda, com bateria sincopada, guitarras cortantes no refrão e vocal gritado. “Biko” é uma desesperada canção de amor que abre com dedilhados de guitarra até receber pontadas de eletrônica que soam estranhas casadas com a letra dramática: “Meu amor era forte o suficiente para lhe trazer de volta dos mortos / Se eu pudesse comer seu câncer, mas eu não posso”. Em “Trojar Horse”, o Bloc Party de “Silent Alarm” volta a dar as caras. Clima nervoso que seduz com um riff circular de guitarra na entrada, que salta à frente no refrão.
A baladinha eletrônica sonhadora e ordinária “Signs” poderia ser um lado b de “Kid A” enquanto “One Months Off”, com guitarras metalizadas e alfinetas de eletrônica (o mais próximo que os produtores conseguem chegar de unir os dois lados da banda numa mesma canção), é mais uma das músicas do álbum que fariam bonito no disco de estréia do quarteto. Chega a ser engraçado como a banda alterna aquilo que acredita ser seu passado e futuro, um karma contra o qual não podem lutar, e se entregam quase que matematicamente. Desta forma, então, natural que a próxima faixa, “Zepherus”, com um coral vocal climático dispensável, seja arrastadamente eletrônica.
Em “Better Than Heaven”, os dois mundos novamente parecem querer se aproximar, mas a canção apenas sugere isso, não realizando o encontro, e sim repartindo a melodia em duas partes (como a banda fez com o próprio álbum). A letra cita uma passagem da Bíblia – Corinthians (15:22) – e crava: “Verdade é verdade”. “Ion Square”, faixa que encerra “Intimacy”, tem letra inspirada no poema “I Carry Your Heart with Me”, de EE Cummings, e uma batida eletrônica repetitiva que testa a paciência do ouvinte ultrapassando os seis minutos de duração (parabéns para quem conseguir chegar ao final).
Kele Okereke está procurando arduamente uma forma de se expressar no cenário pop, e entrega sua intimidade em um álbum que supera o tropeço de “A Weekend In The City”, mas não define rumos para a banda. “Intimacy” é meio guitarreiro, meio eletrônico e totalmente dolorido tematicamente. Suas letras narram paixões fracassadas em que a falsa felicidade dá as cartas (”Eu amo a minha mente quando estou fodendo você”, “Eu poderia dormir para sempre porque verei você em meus sonhos novamente”, “Em qualquer bar, em todo o mundo, você poderá escolher outro estranho e se apaixonar”, “Paralise-me com o seu beijo, limpe essas mãos sujas em mim, talvez estejamos procurando a mesma coisa”) num disco de transição que merece atenção.
Em tempo: o Bloc Party disponibilizou no dia 10/09 em seu site oficial a música “Talons”, segundo single de “Intimacy” que não havia sido liberado quando do lançamento virtual do álbum, mas fará parte da versão fisica do disco.
“Intimacy”, Bloc Party (Wichita)
Preço: US$ 10 apenas em MP3; US$ 20 em CD e MP3 (blocparty.com)
Nota: 7,5
setembro 8, 2008 No Comments
Orloff Five Festival: para todos os gostos

Foi dada a largada na noite de sábado para o calendário de festivais de rock no segundo semestre na linha de baixo do Equador. Os brasileiros do Vanguart, os norte-americanos do Melvins, as francesinhas do Plasticines e os suecos do Hives (melhor excluir o DJ Ruim da lista) levaram um bom público ao Via Funchal, numa noite de som em excelente qualidade e shows para todos os públicos.
O Vanguart ficou encarregado de abrir os trabalhos às 19h. Na frente do Via Funchal, um pequeno público se movimentava e ainda era possível comprar meia-entrada a R$ 50 nas bilheterias da casa. Como já vi o Vanguart dezenas de vezes (embora estivesse curioso para ver como a banda iria se portar sobre um palco profissional), achei por bem forrar o estômago na compania de amigos para agüentar a noitada.
Assim que entrei no Via Funchal, King Buzzo já fazia flutuar no ar o barulho esganiçado de sua Gibson Les Paul. Duas baterias (uma delas com Dale Crover) massacravam no centro do palco, e Jared Warren, com roupa de marinheiro, arrastava o que sobrava com riffs envenenados de baixo. O show foi um massacre centrado em “Nude With Boots”, disco lançado em julho, com canções como “The Kicking Machine”, “Suicide In Progress” e “Dog Island”.

Músicas mais recentes e experimentais marcaram presença no show, o que não quer dizer que o nível de barulho diminuiu (nem que foi bom). Após a banda tocar “My Generation” (irreconhecível), entoar o hino norte-americano, ser vaiada por isso e apresentar um dos raros números antigos do repertório, “Boris” (1991), para finalizar a apresentação, alguém arremessou um copo de cerveja que acertou em cheio Buzzo, que deixou o palco na seqüência. Fim de um show só para fãs.
As meninas do Plasticines vieram em seguida. As francesas estão fazendo em 2008 o que o Donnas faz desde 1993 e o Runaways fazia nos anos setenta, sem acrescentar nada. O som continua apostando num rock com um pitadinha de Ramones em que o fato que mais chama a atenção não são as canções – razoáveis – mas sim o fato das integrantes serem todas garotas… e, neste caso, francesas e bonitas.

No meio do show, um rapaz na grade pediu para a vocalista Katty Besnard falar em francês, e não em inglês: “Parler dans Français? Ce que?”. A ala masculina foi ao delírio, e isso é o máximo que pode se esperar de um show das Plasticines: quatro garotas bonitas fazendo um rock básico sem sal, gostoso de olhar, dispensável de ouvir. Tipo: o melhor momento do show foi a cover de “These Boots Are Made for Walkin’”, de Nancy Sinatra, ou Katty tascando um beijo na bela baixista Louisie? Dúvida.
Com os homens sorrindo a toa, era a vez da ala feminina se encantar com os suecos do Hives. O agitado vocalista Pelle Almqvist partiu corações rebolando, distribuindo sorrisos, beijos e dizendo “eu te amo”. O show foi um repeteco do Werchter, com a vantagem de que em São Paulo era uma casa fechada, e não um mega-festival. E Pelle falando em português é uma comédia: “Eu, vocalista”, “Senhouras e senhouras”, “Batam palmas… Parem” e um inevitável “Tira o pé do chão”.

Musicalmente o show é impecável. Ok, eles poderiam concentrar-se no filé do repertório (”Main Offender”, “Tick Tick Boom”, “Hate To Say I Told You So”) tocando tudo em apenas uma hora, economizando trinta minutos dispensáveis, mas mesmo assim o show convence com destaques para a mão pesada do batera Chris Dangerous, as mil e uma caras do guitarrista Nicholaus Arson e a entrega de Pelle. No final, com meninas no mezanino levantando a camisa e mostrando os sutiãs para a banda, era possível ouvir alguns “vocalista, eu te amo” na platéia.
O saldo final da noite foi positivo. A qualidade de som faz imaginar que se as coisas permanecerem assim, os shows do R.E.M. devem ser históricos no Via Funhal. O Orloff Five como festival? Foi ok. Alguém só devia dar umas bifas naquele DJ que adora cortar as músicas na metade, mas os grunges experimentais saíram felizes (apesar da quantidade de emos embasbacados com o Melvins no local) e os onanistas também (e vá lá, algumas meninas felizes com a visão do palco no show das Plasticines). Um festival para todos os gostos.

setembro 7, 2008 No Comments
Música: “Revolução! RPM 25 Anos”, RPM

Já faz mais de quinze anos que Paulo Ricardo de Medeiros batalha ferozmente para apagar da história o momento histórico que viveu ao lado de Luiz Schiavon (teclados), Fernando Deluqui (guitarra) e Paulo Pagni (bateria) nos anos 80, quando o quarteto conhecido como RPM viveu dias de beatlemania em terras brasileiras com direito a recordes de vendas, edição especial do Globo Repórter e até álbum de figurinhas inspirado no grupo.
Após o fim da banda, em 1988, Paulo Ricardo lançou dois bons álbuns solo, depois perdeu o rumo: em 1993, lançou “Paulo Ricardo e RPM”, sem o baterista e o tecladista, tentando pegar carona no nome da ex-banda. Na seqüência, tentou se transformar num novo Roberto Carlos entoando pífias canções românticas. Voltou a reunir o RPM para um MTV ao Vivo e, ponto mais baixo da carreira, entrou na onda dos Emmersons Nogueiras da vida com um álbum “Acoustic Live”.
Isso tudo do parágrafo anterior sem contar os momentos queima-filme recentes, como participar das gravações dos CDs de Roberto Justus e Padre Marcelo Rossi. Eu sei, é praticamente impossível defende-lo, mas o recém-lançado “Revolução! RPM 25 Anos” – box que reúne os três álbuns oficiais do grupo, mais uma coletânea de raridades e remixes, e um DVD com o show “Rádio Pirata” (e vários extras interessantes) – tenta colocar as coisas no seu devido lugar.
“Revoluções Por Minuto”, o álbum de estréia lançado em maio de 1985, é um dos grandes debutes do rock nacional em todos os tempos. Paulo e Luiz já haviam tido uma banda progressiva no início dos anos 80, que acabou depois que o vocalista vendeu tudo que tinha e se mandou para Londres, onde entrou em contato com toda cena pós-punk e new romantic britânica. Quando voltou ao Brasil, já trazia na cabeça o formato que queria explorar. Daí nasceu o RPM.
O debute reúne hits incontestes como “Rádio Pirata” (sobre a ditadura das rádios FM e a força da cena underground), “Olhar 43? (uma canção sem refrão, com guitarra em segundo plano e teclados no comando), a baladaça “A Cruz e a Espada”, a progressiva faixa título (proibida pela ainda ativa Censura Federal pela frase “aqui na esquina cheiram cola”) e o indiscutível single “Louras Geladas”, com poderosos riffs de guitarra, um refrão pegajoso e sua letra divertida de corno bêbado.
Porém, sob a sombra da luz dos grandes hits, “Revoluções Por Minuto” esconde canções brilhantes como as densas e darks “Liberdade/Guerra Fria”, “Sob a Luz do Sol”, “Pr’esse Vìcio” e, principalmente, “Juvenilia”, triste resumo da história de um povo e de um país cuja fé no futuro foram massacrados pelas mãos da ditadura e de políticos corruptos, muitos deles na espreita após a morte de Tancredo Neves, meses antes do disco ser lançado (e que permanece atualíssima em tempos de eleição de “mercenários sem direção” que você até sabe quem são – eu sei).
O disco lançado em maio bateu 300 mil cópias vendidas, e chamou a atenção de Ney Matogrosso, que assumiu a produção dos shows da banda após vê-los ao vivo no Rio de Janeiro. Em setembro estreou o show “Rádio Pirata ao Vivo”, cuja passagem em um festival no Sul do país fez com que uma gravação pirata de “London, London”, cover de Caetano Veloso, entrasse na programação das rádios – ainda com espaços livres do jabaculê – e batesse nos primeiros lugares de execução.
O público queria ouvir “London, London”, mas a canção não existia fonograficamente. A saída foi parir a fórceps um álbum ao vivo, que foi gravado durante dois shows em maio de 1986, em São Paulo. “Rádio Pirata ao Vivo” vendeu 500 mil cópias antes de chegar às lojas e levou o RPM para o topo do cenário nacional. De suas nove faixas, duas covers (”Flores Astrais”, dos Secos & Molhados, e claro “London, London”), duas faixas inéditas (”Alvorada Voraz” e a instrumental “Naja”) e cinco regravações, entre elas a faixa título com direito a citação de Doors.
A viagem ao estrelato – regada do trinômio sexo, drogas e rock and roll – deixou marcas profundas na banda. Pouco mais de um ano depois do lançamento de “Rádio Pirata ao Vivo” o grupo anunciava sua separação (deixando engavetado o projeto de um filme e a falência de um selo próprio). O retorno se deu meses depois, com “RPM”, o terceiro álbum, que bateu 250 mil cópias, um número que seria uma marca de sucesso para muitos, mas que para o RPM foi um grande fiasco.
Em “RPM”, também conhecido como “Quatro Coiotes”, a banda busca aproximação com o rock and roll clássico em faixas como “Partners”, “Um Caso de Amor Assim” e “Dália Negra”, mas o que comanda ainda são os arranjos que privilegiam os teclados de Schiavon, que brilham em “Sete Mares”, “Quarto Poder” e na boa faixa título. O berimbau marca o arranjo de “A Estratégia do Caos”, e Bezerra da Silva, em voz e alma, dueta com Paulo Ricardo na ótima “O Teu Futuro Espelha Essa Grandeza”.
A história do RPM – e de Paulo Ricardo – que deve ser lembrada está nestes três álbuns reunidos no box “Revolução! RPM 25 Anos”. Ok, há aqui ainda um disco de curiosidades com remixes (muito em voga nos anos 80) e raridades, que destacam o compacto duplo luxuoso lançado ao lado de Milton Nascimento entre o segundo e terceiro discos com as canções “Feito Nós” e “Homo Sapiens”, além de versões para “Gita”, de Raul Seixas, e “A Página do Relâmpago Elétrico”, de Ronaldo Bastos.
O DVD que acompanha o pacote tem função apenas de registro de época. As imagens do show lançado originalmente em VHS são de péssima qualidade, e perdem inclusive para várias bootlegs de outras bandas que circulam no mercado, mas servem para ilustrar um período importante do rock nacional. Os extras são ainda mais interessantes, com registros da banda no programa Mixto Quente e Cassino do Chacrinha, além da integra do programa Globo Repórter Especial dedicado ao grupo em 1986.
“Revolução! RPM 25 Anos” é um importante lançamento não só apenas por trazer o álbum “Quatro Coiotes”, esforço de sobrevida até então inédito em CD (e com versões em MP3 de péssima qualidade circulando pela web) ou por mostrar que Paulo Ricardo foi, um dia, um bom músico, mas sim por resgatar uma parte da história do rock nacional que parece ter sido perdida no mainstream, nos transportando novamente para 1985: no underground repousa o repúdio. E deve despertar.
“Revolução! RPM 25 Anos”, RPM (Sony & BMG)
Preço em média: R$ 89
Nota: 9
setembro 1, 2008 No Comments
“Jukebox”, Cat Power

“Jukebox”, oitavo álbum da carreira de Chan Marshall, chegou às lojas no final de janeiro deste ano, mas não chamou a minha atenção. O segundo álbum de covers da cantora – o primeiro, “The Covers Record”, foi lançado em 2000 – veio na esteira da beleza de “The Greatest”, de 2006, e por alguma conjunção cósmica passou pelo meu MP3 Player voando. Em Londres reencontrei o álbum com capinha metalizada semelhante a dos vinis e um CD extra com cinco faixas bônus. Foi ouvir novamente e… me apaixonei.
Tento rememorar os sentimentos de janeiro, mas poucas coisas daquelas audições retornam a minha memória castigada por aventuras e desventuras. Lembro que o disco soava calmo e elegante no começo, momento em que Cat Power usava para ninar seu ouvinte preparando-o para o final, mais denso. Não sei o que foi que me afastou do álbum naquele período, mas devemos sempre testar o limite de nossas primeiras impressões, para o bem e para o mal.
A construção do repertório de “Jukebox” lembra muito o de “The Covers Record”: nos dois discos temos canções de Bob Dylan (”Paths of Victory” em um, “I Believe in You” em outro), clássicos incontestes em versões deliciosamente pessoais (”I Can’t Get No Satisfaction”, dos Stones em um; “New York, New York”, famosa com Frank Sinatra e Liza Minelli em outro) ou mesmo revisões próprias (”In This Hole”, do álbum “What Would the Community Think?” em um; “Metal Heart”, do “Moon Pix”, em outro).
Porém, se o modo de escolher o repertório atrai semelhanças, a forma com que Chan Marshall recria as canções é totalmente diferente. Se “The Covers Record” era um trabalho mais intimista, centrado no violão da cantora, “Jukebox” é um trabalho conjunto entre artista e banda, no caso a The Dirty Delta Blues Band (quarteto acrescido de mais cinco nomes em estúdio), grupo que a acompanha desde as gravações de “The Greatest”, em Memphis, em 2006.
A diferença do modus operandi faz com que o apelo indie dos primeiros álbuns desapareça cedendo lugar a uma sonoridade classuda que transpira charme, elegância, suingue e romance. “New York, New York”, “Lost Someome” (James Brown), “Aretha, Sing One for Me” (George Jackson), “Ramblin’ (Wo)Man” (Hank Williams) e mesmo o blues tradicional “Lord, Help The Poor and Needy” são convites a dança (com uma pessoa qualquer, com o ar ou uma taça de seu alcoólico predileto).
Interessante: Cat Power precisou parar de beber para fazer música para bêbados (de amor, desamor ou álcool, quando não os três ao mesmo tempo). A cantora abandonou os palcos em 2006 com depressão profunda e tendências suicidas devido ao uso excessivo de narcóticos e alcoólicos. Retornou “limpa” e recuperada (após rehab, psiquiatria e doses homeopáticas de Billie Holiday e Joni Mitchell) com “The Greatest”, de longe seu melhor álbum.
Esse lado lamacento também marca presença em “Jukebox” rendendo momentos memoráveis como a arrasadora “Metal Heart”, que faz a versão anterior soar como demotape; “Don’t Explain” (Billie Holiday), com um piano que parece querer cutucar feridas; como o clima country de “A Woman Left Lonely”, de Spooner Oldham que, inclusive, toca piano e órgão na canção que ficou famosa na voz de Janis Joplin; como o blues”Silver Stallion” (Lee Clayton) ou a densa versão de “Blue”, de Joni Mitchell.
Bob Dylan é homenageado em dose dupla: com uma revisão de “I Believe In You”, do álbum “Slow Train Coming”, que surge amparada por uma guitarra limpa e marcante que contagia; e com “Song To Bobby”, única faixa inédita do disco, uma declaração de amor recheada de frases como “Eu tinha um passe para o camarim em minhas mãos / Te dar o meu coração era o meu plano” ou “Minha chance / No meio do estádio em Paris, França / Eu posso finalmente te pedir / Para você ser o meu homem / Abril em Paris, eu posso te ver? / Por favor, você pode ser meu homem?”.
No disco bônus, mais cinco versões: “I Feel”, do grupo de hip hop Hot Boys, surge densa ao piano; “Naked, If I Want To” (Jerry Miller ), aparece numa roupagem muito mais roqueira que a presente no álbum “The Covers Record”; “Breathless”, de Nick Cave, ganha um caminhar blues com um guitarrinha apitando nos cinco belos minutos da canção; “Angelitos Negros”, famosa na voz de Roberta Flack, são sete minutos de dor de amor em castelhano; e “She’s Got You”, de Patsy Cline, encerra em clima de fim de noite.
“Jukebox” bateu na 12ª posição da Billboard com 29 mil cópias vendidas na semana do lançamento nos Estados Unidos, totalizando mais de 100 mil exemplares vendidos em todo o mundo em duas semanas nas lojas. Quando escrevo “todo o mundo”, por favor, exclua o Brasil. “Jukebox” – assim como “The Greatest” – não ganhou edição nacional (e os dois discos foram lançados na vizinha Argentina pelo ótimo selo independente Ultrapop), e nem deverá ganhar (vide a competência de nossas gravadoras). Uma pena. Esse é daqueles discos que vale realmente a pena ouvir mais de uma vez.
“Jukebox”, Cat Power (Matador)
Preço em média: R$ 50 (importado)
Nota: 9
agosto 26, 2008 No Comments

