Category — Música
Sobre o fim – de semana e de romances
Uma das coisas que eu pensava ao dormir na noite de quarta era de que iria aproveitar o feriadão para dormir e descansar. Me esconder do frio com Lili debaixo de edredons. Ledo engano. É impressionante como gostamos de nos enganar. Ficar sem fazer nada é algo que me incomoda ferozmente. Adoraria ficar deitado o dia todo vendo filmes, comendo pipoca e me enrolando com a namorada (não necessariamente nessa ordem), mas quem diz que consigo.
Desta forma, assim que acordamos e percebi o sol quente pela janela, já tirei Lili da cama para tomarmos café na Padaria Boulevard (pare no balcão e peça a “Boa” com um capuccino! Seu dia vai ficar muuuuito melhor), e depois seguirmos para o centro da cidade para pesquisarmos preços de aquecedores e netbooks. Acabamos comprando o primeiro, afinal, como você sabe, a sensação térmica do meu apartamento é de 5 graus (Bianca e Fernando, vocês chegaram com o aquecedor ligado, não vale!).
No fim da tarde de quinta, várias mensagens chegaram ao celular. “Vamos beber? “. E eu: “Talvez”. “Vamos para um boteco?”. E eu: “Talvez”. Por fim acabamos indo para o Fuad jantar picanha no saralho e jogar conversa fora. Quase perdi minha cabeça quando Ligilena, do alto de sua tarde entornando vinho e da noite a base de cerveja, não se conformou em eu nunca ter assistido “ET”, e arremessou o DVD pirata de “Se eu Fosse Você 2”, que passou tirando lasca de meu pescoço. Morrer tudo bem, mas com a cabeça decepada por Tony Ramos e Glória Pires não. (hehe). Vou assistir ao filme. Prometo.
A sexta prometia. Era dia dos namorados (com direito a abrirmos a última garrafa de vinho que trouxemos de Santiago dois anos atrás), tinha uma festa mexicana para ir, show do Caetano no Credicard Hall, mas tudo se resumiu a rodar alguns sebos, conhecer a pequena (apenas 45 cm) e linda Olivia (seja bem-vinda, princesa), de dois dias, filha da Dre e do Marco, que me tirou algumas lágrimas dos olhos, e conferir o novo show de Cae mais à noite, sobre o qual escrevi aqui. Nem o vinho abrimos, mas já marcamos outra data para tirar a rolha da garrafa.
O sábado foi o dia mais corrido do feriadão. Fiquei um tempo na Velvet CDs, e depois corri para o Veloso, para encontrar vários amigos e o sensacional bife de tira (bati a foto que abre o post com a máquina da Capitu). Ficamos de 12h30 até às 19h no lugar, e bebi seis caipirinhas de cachaça (Lili diz que foram sete, onde já se viu: eu bebo, e ela que perde a conta). Deu tempo de voltar pra casa e dormir duas horas antes do esquenta para o show de Jens Lekman, no Studio SP. Eu acordei às 22h03, coloquei os pés no chão, e um amigo ligou: “Vai rolar? Tô chegando”. Levantei, caminhei até a sala e o interfone toca com outro amigo na porta.
Um tempo depois, já com o Fernando, a Bianca e os Tiagos na sala vendo DVDs do programa de Jools Holland, liga a Ligelina. “Mac, chamei um pessoal para ir ai? Tudo bem?”. Resposta afirmativa. “Mas é uma turma grande”. Outra resposta afirmativa e acho que desde o dia que abrimos a casa não havia tanta gente bacana reunida no mesmo lugar. Era uma vez três Patricia, algumas Leffe, outras Baker de trigo e felizmente alguns gostaram da cachaça forte Milagre de Minas, que eu e Lili trouxemos de Ouro Preto. Foi bem divertido.
Já o show do Jens foi… interessante (a foto é da Lili; mais aqui). No palco, só ele (na voz belíssima e na guitarra ocasional) acompanhado do amigo Victor, que soltava via laptop a base das canções. Sim, é isso que você pensou mesmo: quase um playback. Os arranjos são lindos, alguns de chorar, mas a apresentação é quase como uma noite em uma churrascaria. Jens pode ser definido canhestramente como o Wando da Suécia. Wando, aliás, que na Virada Cultural tocou a clássica “Fogo e Paixão” acompanhado de bateria eletrônica e uma guitarra. Como Jens. “Black Cab”, “The Opposite Of Hallelujah”, “You Are The Light” e a hilária versão de “A Postcard To Nina” (com Ana Garcia, do Coquetel Molotov, traduzindo no segundo microfone) foram os grandes momentos da noite.
Domingo eu deveria ir a Taubaté visitar as três mulheres da minha vida que residem lá (a mãe Vilma, a irmã Cristiane e a sobrinha Gabriela), e tentar dar um olá para a quarta (a afilhada Amanda), mas não rolou. Minha irmã estava de mudança, e ninguém precisa de visitas em dia de mudança. Acabamos ficando em casa e fomos à tarde, na companhia de Tiago Agostini e Marina Person, conferir a sensação indie “Apenas o Fim” (assista ao trailer), longa-metragem de estréia do estudante universitário Matheus Souza, da PUC-RJ, um interessantíssimo retrato de geração cujo pano de fundo é o fim de uma história de amor (conhecido por todos aqueles, de 8 a 80, que já viveram algum romance na vida).
O roteiro assim como as boas atuações de Érika Mader e Gregório Duvivier credenciam – e muito – o filme. Lembrou-me claramente a primeira vez que li “O Clube dos Corações Solitários”, romance de estréia do amigo André Takeda, no que aquilo mais representava pra mim: alguém como eu escrevendo no terreno que já foi habitado por deuses do quilate de Rimbaud, Shakespeare e Huxley. É o velho sintoma de “não estou sozinho no mundo”, sabe. Afinal, por mais que Lygia Fagundes Telles e Vinicius tenham me traduzido dezenas de vezes em momentos especiais de minha vida, eles estão no cerne da dor, lá no fundo do âmago, enquanto Takeda e Matheus Souza mostram a timidez no olhar. Eles exteriorizam algo que só quem está vivendo a mesma época que eles consegue perceber – e rir e se envergonhar.
Já faz tempo que deixei de viver a mesma época de Matheus Souza, por isso mesmo que as referencias a coisas como Tartarugas Ninjas e Nintendo não me comovem, mas já estive tantas vezes face a face com o fim do amor que é impossível não sentir um arrepio na espinha quando observo uma história chegando ao fim. É extremamente natural que, conforme envelhecemos e passemos pela faculdade, deixemos de ser inocentes para nos transformarmos em cínicos, mas a dor do fim do amor, meu (minha) caro (a) amigo(a) continua doendo aos 12, aos 21 , aos 34 e, acredito eu, aos 50 e tantos (Caetano, sofrendo e compondo como um menino é um bom exemplo disso).
Tirando a história de amor e dor, “Apenas o Fim” ainda me assustou ao imaginar a força com que os Los Hermanos bateram na geração estudantil desta década. Eu que acredito que o “Bloco do Eu Sozinho” seja o disco dos anos 00 fico triste pela postura da banda, grandiosa demais, posada demais, em que os personagens se agigantaram ignorando a história (que eles mesmos admiravam). Como Marcelo Camelo pode se sentir grande perante a obra de Chico Buarque? Desculpe-me, mas a humildade (com H maiúsculo e dourado? – risos) deveria ser exemplo. Para mim, o sucesso do Los Hermanos foi mais maléfico do que benéfico, mas não se preocupe, é meu lado cínico reclamando do estado das coisas. Veja o filme. Leia o livro do Takeda. Jogue fora seus discos do Los Hermanos. Sonhe. E me desculpe pelo post confuso. Devo estar bêbado… ainda (risos).
junho 15, 2009 No Comments
Blur, 150 pessoas e 28 músicas
O Blur fez seu primeiro show em dez anos no sábado diante de uma platéia de 150 pessoas composta por familiares, amigos e fãs na cidadezinha de Colchester, a 90 quilômetros de Londres. Daqui 18 dias estarei frente a eles no Hyde Park, e se o repertório for algo perto disso que eles tocaram no sábado estarei imensamente feliz:
“She’s So High”
“Girls and Boys”
“Tracy Jacks”
“There’s No Other Way”
“Jubilee”
“Badhead”
“Beetlebum”
“Trimm Trabb”
“Coffee & TV”
“Tender”
“Country House”
“Charmless Man”
“Colin Zeal”
“Oily Water”
“Chemical World”
“Sunday Sunday”
“Parklife”
“End of a Century”
“To the End”
“This Is A Low”
“Popscene”
“Advert”
“Song 2?
“Out of Time”
“Battery In Your Leg”
“Essex Dogs”
“For Tomorrow”
“The Universal”
junho 15, 2009 No Comments
Cinco shows na Virada Cultural 2009
Comentários rápidos sobre cinco shows que vi na Virada Cultural. A idéia era ter visto Camisa de Vênus (mas eu e duas amigas não conseguimos sequer enxergar o palco), Reginaldo Rossi (bateu cansaço, mas já me contaram que o show foi chatão) e a Osesp, mas cabulei os três. (Ou)vi a última do Camelo (justamente “Além do Que Se Vê”) e vi três do Novos Baianos (as três caidaças), e gostaria de ter visto Tom Zé no Municipal e Nasi no Palco Raul cantando o “Krig-Há Bandolo”, todos no mesmo horário que o Camisa (mancada da produção), que eu acabei não vendo.
Em resumo, acabei me concentrando no palco brega (e se você lembrar que eu já disse que o Zeca Baleiro é o novo Odair José, eu vi 75% de shows bregas nessa Virada), menos lotado, sujo e fedido que os outros (principalmente o palco rock na Praça da República). Era para eu ter visto o Wander Wildner também, mas como desisti do Reginaldo acabei passando no Sesc Consolação uma hora antes do show, às 3 da manhã, e só conseguia pensar na minha cama. E ah, me disseram que o Violeta no Theatro Municipal foi beeem legal. Todas as fotos por Marcelo Costa.
Tutti Frutti no Palco Rock – 19h
Quando saiu a escalação da Virada, o Tiago Agostini virou pra mim e disse: “A Rita Lee não faz falta nenhuma no mundo. Os Mutantes se reúnem e não chamam ela. O Tutti Frutti toca o álbum mais clássico dela, e não chama ela. Ninguém sente falta da Rita Lee”. Pode ser, mas ela fez falta sim no show que homenageava o álbum “Fruto Proibido” (1974). O Luiz Carlini segura a onda, dezenas de tiozinhos grisalhos dançavam felizes, mas é impossível não sentir falta da Rita. O show foi nota 5. Valeu pela inclusão da linda “Lá Vou Eu”, mas não tem como um show homenagear o álbum “Fruto Proibido” sem ter “Luz Del Fuego”. Falha
Wando no Palco Brega – 23h30
Armado de um escudeiro tocando guitarra e de uma bateria eletrônica, Wando cantou dezenas de hits (alguns bregas, outros românticos) do cancioneiro nacional. Foi de “Estou Apaixonado” (sucesso no Brasil de quando Daniel ainda era acompanhado por João Paulo, que faleceu), o clássico “Deixa Eu Te Amar” (Agepê) e “Eu Sei Que Vou Te Amar” (Tom e Vinicius), mas o povão queria mesmo era ouvir suas frases sábias (“Todo homem tem que se ajoelhar aos pés da cama de uma mulher” / “Esta música vai para aquela mulher que sabe cruzar a perna no momento certo e descruzar no momento exato”) além de superhits como “Moça” e “Fogo e Paixão”, que encerrou a festa ali pela 1h com todo o Arouche cantando “me chama de céu”. Melhor momento da noite: Wando enxugando o suor da testa com uma calcinha que foi jogada ao palco por uma fã.
Zeca Baleiro no Palco Principal – 12h
A Avenida São João estava tão lotada que não deu nem para chegar perto do palco, então tive que me contentar com um telão bacana na esquina da Rua Aurora. Com uma banda afiadíssima, Zeca Baleiro mostrou canções mais recentes dos dois volumes de seu álbum “O Coração do Homem Bomba” – como as covers para “Alma Não Tem Cor” (Karnak) e para a sábia “Bola Dividida” (Luiz Ayrão) além da hilária “Toca Raul” – mas não negou sucessos tocando desde “Mamãe Oxum” e “Heavy Metal do Senhor”, de seu primeiro álbum (1997) até “Telegrama”, “Eu Despedi o meu Patrão” e “Salão de Beleza”. Ali pelo final se animou e arriscou uma homenagem para Wando com “Fogo e Paixão”. Showzão.
Odair José no Palco Brega – 13h30
Debaixo de um sol castigante, Odair mandou um hit atrás do outro passando por “Vou Tirar Você Desse Lugar”, “Cadê Você”, “Pare de Tomar a Pilula”, “Que Saudade de Você” e “Eu, Você e a Praça”, esta última ao lado de Zeca Baleiro, que ainda suscitou um momento antológico do show, quando Odair apresentou em primeira mão uma parceria inédita dos dois – que pode ser descrita como “Vou Tirar Você Desse Lugar, Versão 2009” – feita para Bruna Surfistinha chamada “E Depois Volta Pra Mim” cujo refrão crava: “Pra todo mundo diz que é modelo e atriz / Mas hoje eu sei na verdade o que ela faz / Quando me telefona pra dizer que não vem mais // Não precisa mais mentir / Quero você mesmo assim / Diga sempre que me ama / Vá fazer o seu programa / E depois volte pra mim”. Sem palavras. (hehe)

Los Sebosos Postizos no Sesc Santana – 19h
Em primeiro lugar: o galpão do Sesc Santana é fácil um dos melhores lugares para shows médios em São Paulo. Quando digo show médio falo entre 2 mil e 4 mil pessoas de público. Lugar de acesso ok (do metrô ao Sesc Santana a pé dá uns cinco minutos), bom som, cerveja barata. Tem tudo para ser popularizado. Foi esse lugar que abrigou a Virada Nordestina com shows de Siba, Lenine, Cordel, Wado (que gravou Poploaded Session no iG: assista “Tarja Preta“, “Tormenta” e a nova “Atlântico Negro“) e Eddie. O Los Sebosos Postizos é a Nação Zumbi mais Bactéria (do Mundo Livre S/A) e Guizado tocando covers de Jorge Ben. Faltam hits ao show, que empolga muito em coisas como “Os Alquimistas Estão Chegando”, “O Homem da Gravata Florida”, “Comanche”, “Zumbi” e “O Telefone Tocou Novamente”. Para o final, uma versão ótima de “Tomorrow Never Knows” e “Umbabarauma”. E só. 🙂
Leia também:
– Virada 2007: Paulinho da Viola, Maria Alcina, Garotos Podres (aqui)
– Virada 2008: Luiz Melodia, Vanguart, Tom Zé, Ultraje (aqui)
– Virada 2009: Wando, Odair José, Los Sebozos Postiços (aqui)
– Virada 2010: Céu, Tulipa Ruiz, Raimundos (aqui)
– Virada 2012: Man Or Astro-Man, Defalla, Titãs, Pinduca (aqui)
– Virada 2014: Ira!, Juçara Marçal, Falcão, Pepeu Gomes (aqui)
– Virada 2015: 51 shows que o editor do Scream & Yell gostaria de ver (aqui)
maio 6, 2009 No Comments
Radiohead e Iggy Pop em DVDs baratinhos…

“Iggy Pop & The Stooges – Escaped Maniacs” e “Radiohead – Live in Germany” foram lançados no Brasil sem muito alarde, e merecem uma olhada com calma. O DVD que flagra Iggy Pop ao lado dos irmãos Asheton foi registrado ao vivo no Festival de Lokerse, na Bélgica, em 2005, e é um repeteco da apresentação do grupo no Claro Que é Rock. Além da performance arrasadora (imagem ótima), o pacote traz o áudio do show em CD e nos extras do DVD uma entrevista de mais de uma hora com Iggy, que cita Marshall Mcluhan e impressiona pela honestidade e inteligência. Comprei no centro de São Paulo por… R$ 9,90. Foi lançado no país por uma tal de Etc e merece atenção. Dei um google e achei ele por R$ 11,69 na Casa e Vídeo (aqui).
Já o “Radiohead – Live in Germany” foi dica do Felipe, que lê o Scream e queria saber qual a procedência do material. Trata-se do show no Rock Am Ring Festival, na Alemanha, em 01/06/2001. Na gringa ele foi lançado pelo selo Immortal (provavelmente sem autorização da banda) e a qualidade da imagem é mediana. Dá para perceber claramente que o show foi transmitido por alguma rede de televisão, e os caras prensaram. O áudio é ótimo (a banda está matadora no palco), e a imagem é a de um telão de festival: os closes nos solos dos instrumentistas e mesmo em Thom Yorke são ok, mas quando a imagem pega todo o local onde o show foi realizado, fica tudo meio embaçado. Foi lançado no Brasil pela Top Tape, que também já lançou um do U2 e um dos Smiths na mesma linha. O do Radiohead está R$ 9,90 na Americanas.com (aqui).
maio 4, 2009 No Comments
Você já se apaixonou por um disco?

Não estranhe: você pode já ter lido isso…
Eu sou um cara passional, fudidamente passional. Em música, então, nem se fale. Tenho CDs de bandas que desgosto teoricamente, mas servem para matar o tempo (todos vocês sabem que na prática, a teoria é outra, certo) entre uma taça de vinho, uma noite mal-dormida e a eterna vontade de mandar as obrigações para o espaço. Entretenimento, manja? Bem, tudo vai por água abaixo quando me apaixono por um disco. Apaixonar-se por um disco, hoje em dia, é algo tão raro quanto encontrar uma nota de R$ 10 perdida na rua. E o melhor é que, ao contrário da analogia, você não fica pensando no azarado que perdeu a grana: você apenas sorri, aperta o repeat e flutua em sua órbita pessoal. Todas essas bobagens que eu disse (e que dariam para encher um caminhão, segundo Nei Lisboa) estão ancoradas em apenas um motivo: eu estou apaixonado por um disco. Não é um disco novo, destes que você vai esbarrar nas bancas de jornais, nem na capa da NME. É um disco de 2000, que não foi lançado no Brasil, que não lembro de ter ganhado muito destaque naquele ano e que passou totalmente desapercebido para mim. Lembro que, quase dois anos atrás, vi um show deles, aqui em São Paulo, sentado na primeira fila do teatro do Sesc Vila Mariana. A apresentação foi belíssima, com um toque inesquecível que, naqueles dias estranhos, não conseguiu ser totalmente decifrada pelo meu coração, eternamente atropelado pelo mundo moderno. O cara, loirinho, fazia piadas a todo o momento, contrastando com a melancolia de sua voz… e das músicas. A garota, morena, alternava-se entre o baixo, um harmonium e o microfone, enquanto um guitarrista japonês soltava riffs abafados que flutuavam pelo ar como fumaça de cigarro sob uma névoa de luzes. O loirinho atende pelo nome de Damon Krukowski. A garota se chama Naomi Yang. Juntos, eles formam o Damon & Naomi. Michio Kurihara, guitarrista do grupo Ghost, estava excursionando com o duo, que mostrava canções do álbum singelamente chamado Damon & Naomi With Ghost. Lançado em 2000 pela Sub Pop, Damon & Naomi With Ghost é de uma beleza rara na música pop. A melancolia transborda das caixas de som, sem resvalar um momento que seja na pieguice. The Mirror Phase, a faixa que abre o disco, é de uma covardia atroz. Como é que esses caras fazem uma música dessas e o mundo não derrete como flocos de neve nas calçadas de Ipanema? O melhor momento de guitarras surge na longa Tanka, com um crescendo mortífero. E tem cover do Big Star (a baladinha Blue Moon, do cultuado Third/Sister Lovers). E tem uma belíssima capa. E tem a vantagem de ser atemporal. Foi gravado quatro anos atrás, mas poderia ter sido ontem. Ou amanhã. O tempo não importa. O que importa é a música. Eu já devo ter te perguntado isso, caro leitor, mas não custa nada perguntar de novo: você já se apaixonou por um disco?
Texto postado na versão 1.0 deste blog quatro anos atrás
Leia mais:
– Damon & Naomi With Ghost em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
– “Within These Walls”, Damon and Naomi, por Marcelo Costa (aqui)
abril 6, 2009 No Comments
Os três primeiros do Radiohead remasterizados
…acabam de chegar aqui em casa.
Só uma palavra: foda!

Então, os três primeiros foram relançados na Inglaterra dia 23 do mês passado em duas versões de edições de luxo: uma com dois CDs e outra dois CDs e um DVD. Eu peguei essa segunda edição. O primeiro CD é o normal, o segundo compila b-sides e raridades e o DVD tarz várias coisas ao vivo. Pelo que olhei na descrição, tem aquele Live At Astoria inteiro e mais coisas no Jools, no top of The Pops e em outras TVs. Além disso tudo, cada CD traz cards com as réplicas da capa de cada single. O tracking list:
Pablo Honey [COLLECTOR’S EDITION- 2 CDs + DVD]
Disc: 1
1. You
2. Creep
3. How Do You?
4. Stop Whispering
5. Thinking About You
6. Anyone Can Play Guitar
7. Ripcord
8. Vegetable
9. Prove Yourself
10. I Can’t
11. Lurgee
12. Blow Out
Disc: 2
1. Prove Yourself (Demo) [Drill EP]
2. Stupid Car (Demo) [Drill EP]
3. You (Demo) [Drill EP]
4. Thinking About You (Demo) [Drill EP]
5. Inside My Head [Creep]
6. Million Dollar Question [Creep]
7. Yes I Am [Creep]
8. Blow Out (Remix) [Creep]
9. Inside My Head (Live) [Creep]
10. Creep (Acoustic) [Creep]
11. Vegetable (Live) [Creep]
12. Killer Cars (Live) [Creep]
13. Faithless, The Wonderboy [Anyone Can Play Guitar]
14. Coke Babies [Anyone Can Play Guitar]
15. Pop Is Dead [Pop Is Dead]
16. Banana Co. (Acoustic) [Pop Is Dead]
17. Ripchord (Live) [Pop Is Dead]
18. Stop Whispering (US Version) [Stop Whispering]
19. Prove Yourself (Stop Whispering) [BBC Radio One Session (06/22/92)]
20. Creep (Stop Whispering) [BBC Radio One Session (06/22/92)]
21. I Can’t (Stop Whispering) [BBC Radio One Session (06/22/92)]
22. Nothing Touches Me [BBC Radio One Session (06/22/92)]
DVD Disc:
1. Creep [Promo video]
2. Anyone Can Play Guitar [Promo video]
3. Pop Is Dead [Promo video]
4. Stop Whispering [Promo video]
5. Creep [Top Of The Pops (09/16/93)]
6. You [The Astoria, London Live (05/27/94)]
7. Ripcord [The Astoria, London Live (05/27/94)]
8. Creep [The Astoria, London Live (05/27/94)]
9. Prove Yourself [The Astoria, London Live (05/27/94)]
10. Vegetable [The Astoria, London Live (05/27/94)]
11. Stop Whispering [The Astoria, London Live (05/27/94)]
12. Anyone Can Play Guitar [The Astoria, London Live (05/27/94)]
13. Pop Is Dead [The Astoria, London Live (05/27/94)]
14. Blow Out [The Astoria, London Live (05/27/94)]
The Bends [COLLECTOR’S EDITION- 2 CDs + DVD]
Disc: 1
1. Planet Telex
2. The Bends
3. High And Dry
4. Fake Plastic Trees
5. Bones
6. (Nice Dream)
7. Just
8. My Iron Lung
9. Bullet Proof… I Wish I Was
10. Black Star
11. Sulk
12. Street Spirit (Fade Out)
Disc: 2
1. The Trickster [My Iron Lung]
2. Punchdrunk Lovesick Singalong [My Iron Lung]
3. Lozenge Of Love [My Iron Lung]
4. Lewis (Mistreated) [My Iron Lung]
5. Permanent Daylight [My Iron Lung]
6. You Never Wash Up After Yourself [My Iron Lung]
7. Maquiladora [High And Dry/Planet Telex]
8. Killer Cars [High And Dry/Planet Telex]
9. India Rubber [Fake Plastic Trees]
10. How Can You Be Sure? [Fake Plastic Trees]
11. Talk Show Host [Street Spirit (Fade Out)]
12. Bishop’s Robes [Street Spirit (Fade Out)]
13. Banana Co. [Street Spirit (Fade Out)]
14. Molasses [Street Spirit (Fade Out)]
15. Just [BBC Radio One Session (04/14/94)]
16. Maquiladora [BBC Radio One Session (04/14/94)]
17. Street Spirit (Fade Out) [BBC Radio One Session (04/14/94)]
18. Bones [BBC Radio One Session (04/14/94)]
DVD Disc:
1. High And Dry (UK Version) [Promo Video]
2. High And Dry (US Version) [Promo Video]
3. Fake Plastic Trees [Promo Video]
4. Just [Promo Video]
5. Street Spirit (Fade Out) [Promo Video]
6. Bones [The Astoria, London Live (5/27/94)]
7. Black Star [The Astoria, London Live (5/27/94)]
8. The Bends [The Astoria, London Live (5/27/94)]
9. My Iron Lung [The Astoria, London Live (5/27/94)]
10. Maquiladora [The Astoria, London Live (5/27/94)]
11. Fake Plastic Trees [The Astoria, London Live (5/27/94)]
12. Just [The Astoria, London Live (5/27/94)]
13. Street Spirit (Fade Out) [The Astoria, London Live (5/27/94)]
14. My Iron Lung [2 Meter Session, Holland (02/27/95)]
15. High And Dry [2 Meter Session, Holland (02/27/95)]
16. Fake Plastic Trees [2 Meter Session, Holland (02/27/95)]
17. Street Spirit (Fade Out) [2 Meter Session, Holland (02/27/95)]
18. The Bends [Later With Jools Holland (05/27/95)]
19. High And Dry [Later With Jools Holland (05/27/95)]
20. High And Dry (03/09/95) [Top Of The Pops]
21. Fake Plastic Trees (06/01/95) [Top Of The Pops]
22. Street Spirit (Fade Out) (02/01/96) [Top Of The Pops]
OK Computer [COLLECTOR’S EDITION- 2 CDs + DVD]
Disc: 1
1. Airbag
2. Paranoid Android
3. Subterranean Homesick Alien
4. Exit Music (For A Film)
5. Let Down
6. Karma Police
7. Fitter Happier
8. Electioneering
9. Climbing Up The Walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist
Disc: 2
1. Polyethylene (Parts 1 & 2) [Paranoid Android]
2. Pearly* [Paranoid Android]
3. A Reminder [Paranoid Android]
4. Melatonin [Paranoid Android]
5. Meeting In The Aisle [Karma Police]
6. Lull [Karma Police]
7. Climbing Up The Walls (Zero 7 Mix) [Karma Police]
8. Climbing Up The Walls (Fila Brazillia Mix) [Karma Police]
9. Palo Alto [No Surprises]
10. How I Made My Millions [No Surprises]
11. Airbag (Live In Berlin) [No Surprises]
12. Lucky (Live In Florence) [No Surprises]
13. No Surprises [BBC Radio One Evening Session (05/28/97)]
14. Climbing Up The Walls [BBC Radio One Evening Session (05/28/97)]
15. Exit Music (For A Film) [BBC Radio One Evening Session (05/28/97)]
DVD Disc:
1. Paranoid Android [Promo Video]
2. Karma Police [Promo Video]
3. No Surprises [Promo Video]
4. Paranoid Android [Later With Jools Holland (05/31/97)]
5. No Surprises [Later With Jools Holland (05/31/97)]
6. Airbag [Later With Jools Holland (05/31/97)]
abril 2, 2009 No Comments
Discos que todo homem “tem” que ter
A revista Esquire fez um listão com 75 discos que todo homem deve ter. A lista é bem polêmica, e nada confiável, mas divertida. Contei por cima e tenho 42 dos 75 discos, embora esse número possa subir se pensarmos que não tenho “The unreleased recordings”, do Hank Williams, mas tenho uma coletânea tripla com quase tudo do homem (e esse exemplo se estende a mais uns dez discos). O fato é que uma lista de macho com “Ziggy Stadust”, do David Bowie, “Grace”, do Jeff Buckley, “Dire Straits”, do Dire Straits, e “Rubber Soul”, dos Beatles, pode ser desconsiderada valida?
Falo isso pensando exatamente no Zeca Bordoada, mítico apresentador da TV Macho, “o programa que enfrentava um mundo cheio de frescura sem desafinar”. Eu não sei como é o macho na redação da Esquire, mas o macho da TV Pirata não tinha nada de delicado e nunca ouviria “Hallelujah”, com o Jeff Buckley e se fosse escolher um disco dos Beatles seria o “Álbum Branco”, um disco com “Revolution”, “Hapiness Is a Warm Gun” e “Helter Skelter”, e não um com “In My Life”, pelamordedeus.
Ps. Eu sou o macho da redação da Esquire. Ui. <3
Abaixo a lista completa. A reportagem original da Esquire está aqui. E a TV Macho… aqui. E fim de papo.
“Darkness on the edge of town”, Bruce Springsteen
“Phases and stages”, Willie Nelson
“The Stone Roses”, The Stone Roses
“Lust for life”, Iggy Pop
“The rise and fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, David Bowie
“Live at the Apollo”, James Brown
“What’s going on”, Marvin Gaye
“Crooked rain, crooked rain”, Pavement
“Illmatic”, NaS
“Dire Straits”, Dire Straits
“American beauty, Grateful Dead
“Out of step”, Minor Threat
“Aftermath”, The Rolling Stones
“Paul’s boutique”, The Beastie Boys
“Led Zeppelin I”, Led Zeppelin
“Imperial bedroom”, Elvis Costello
‘The Cars”, The Cars
“Being there”, Wilco
“Destroyer”, KISS
“The bends”, Radiohead
“Gettin’ ready”, The Temptations
“Highway to hell”, AC/DC
“The dictionary of soul”, Otis Redding
“The headphone masterpiece”, Cody Chessnut
“The good, the bad, and the ugly soundtrack”, Ennio Morricone
“Blood on the tracks”, Bob Dylan
“Take a giant step/De ole foiks at home”, Taj Mahal
“Catch a fire”, Bob Marley
“MTV Unplugged in New York”, Nirvana
“The best of Mississippi John Hurt (Live at Oberlin College, 1966)”, Mississippi John Hurt
“The Traveling Wilburys, Vol. 1”, The Traveling Wilburys
“Live at the Old Quarter, Houston, Texas”, Townes Van Zandt
“Woke on a whaleheart”, Bill Callahan
“Rubber soul”, The Beatles
“The Velvet Underground & Nico”, Velvet Underground
“Workin’ together”, Ike & Tina Turner
“The Earth is not a cold dead place”, Explosions in the Sky
“True stories”, Talking Heads
“This is hardcore”, Pulp
“Appetite for destruction”, Guns N’ Roses
“In the wee small hours”, Frank Sinatra
“Sketches of Spain”, Miles Davis
“Combat rock”, The Clash
“Road to ruin”, The Ramones
“Marquee moon”, Television
“Animals”, Pink Floyd
“Doolittle”, The Pixies
“The adventures of Slick Rick”, Slick Rick
“Ready to die”, The Notorious B.I.G.
“The unreleased recordings”, Hank Williams
“Ten’, Pearl Jam
“Band of gypsys”, Jimi Hendrix
“Brighter than creation’s dark”, Drive-By Truckers
“Modern sounds in country and western music”, Ray Charles
“…And justice for all”, Metallica
“Fair warning”, Van Halen
“Reasonable doubt”, Jay-Z
“Pet sounds”, Beach Boys
“Exile in Guyville”, Liz Phair
“Look sharp!”, Joe Jackson
“Songs in the key of life”, Stevie Wonder
“Rage Against the Machine”, Rage Against the Machine
“Who’s next”, The Who
“Left to his own devices”, Vic Chessnut
“Sinfonia Nº. 5”, Beethoven
“Night beat”, Sam Cooke
“Songs of Leonard Cohen”, Leonard Cohen
“Penthouse”, Luna
“Buena Vista Social Club”, Buena Vista Social Club
“Small change”, Tom Waits
“Johnny Cash at Folsom Prison (Live)”, Johnny Cash
“Harvest”, Neil Young
“Mingus ah um”, Charles Mingus
“Sinfonia Nº. 5”, Gustav Mahler
“Grace”, Jeff Buckley
março 10, 2009 No Comments
Uma frase
“Pena não ser burro… Não sofria tanto…”
Raul Seixas
fevereiro 13, 2009 No Comments
Esqueci
Era pra eu ter avisado, mas quem diz que eu lembrei: hoje (ou melhor, ontem, quinta-feira, já que passamos da meia-noite) tinha uns três minutos meus no programa Comentário Geral, da TV Brasil, falando sobre o “Bloco do Eu Sozinho” e carnaval… foi mal ae, mas liga não: nem eu mesmo vi! :/
fevereiro 11, 2009 No Comments
Os 40 melhores discos dos anos… 90
Calma, calma, calma! A lista dos melhores discos dos anos 00 será publicada apenas em 01 de janeiro de 2010 com o apoio do enorme grupo de colaboradores que participa anualmente do Prêmio Scream & Yell. Mas que tal relembrar?

fevereiro 4, 2009 No Comments










