Category — Música
SWU – Dia 3
Texto: Marcelo Costa
Fotos: Liliane Callegari
A saída do segundo dia foi sossegada (ao contrário do drama do primeiro dia). Optamos por cabular o pop Vila Olímpia da Dave Matthews Band e o rock fracote do Kings of Leon para chegarmos à Pousada antes do sol nascer. Funcionou. Praticamente com o estacionamento lotado (e 70% do público ainda no festival), deixamos o local sem traumas. Antes da meia-noite estávamos em Itu assistindo ao Kings of Leon na barraquinha King Lanches (um local perguntou: “Isso é rock?”. Diz muito).
Frente às reclamações e histórias da noite assustadora do dia anterior, a organização conseguiu que a polícia liberasse uma via antes fechada para melhor escoamento do trânsito, colocou mais pessoas informando os locais corretos de embarque para cada destino e 40 ônibus a mais do que na noite anterior (eram 80 e passaram a 120). Como optamos por ir de carro e saímos antes do batalhão de público ao termino do último show, não podemos afirmar se funcionou ou não, mas fica registrada a tentativa da produção em evitar repetir os erros do primeiro dia.

Para o terceiro dia não alteramos o modus operandi do dia anterior. Fomos novamente de carro, estacionamos no local e saímos antes do último show. Chegamos em tempo de pegar metade do belíssimo show de microfonia do Yo La Tengo. Teve “Sugarcube”, “Tom Courtenay”, “Autumn Sweater” e “Pass the Hatchet, I Think I’m Godkind”, 15 minutos de barulho para fã nenhum de rock botar defeito (com exceção dos fãs do Linkin Park, que vamos combinar, não entendem de rock).
Na sequencia, Max e Iggor promoveram a maior, melhor e mais bonita roda de pogo do festival ao tocar hinos do Sepultura como “Refuse/Resist” e “Roots Bloody Roots”, que levantou poeira (ainda rolaram “Atittude” e “Troops of Doom”), com o Cavalera Conspirancy. Tocaram também canções do álbum “Inflikted”, como a faixa título mais “Sanctuary”, “Terrorize”, “Hex”, “Ultra-Violent” e um número inédito, “Warlords”. Do meio do pista normal, os ex-parceiros Paulo Jr. e Andréas Kisser assistiam ao show. Reunião do Sepultura à vista?
No palco Oi, acompanhado apenas de baixolão e violão, Josh Rouse fez um show intimista e bonito, mas sofreu com um problema comum nesta primeira dia edição do SWU: o mau posicionamento dos palcos (estrutura é um erro grave em um evento deste porte) fazia com que o som vazasse para os outros. O público que ouvia o Yo La Tengo, em momentos mais calmos, percebia o som do Autoramas chegar ao palco principal. E Josh, em show acústico, lamentou: “Vocês conseguem nos ouvir com essa música eletrônica?” Canções delicadas como “Come Back”, “Valencia”, “My Love has Gone”, “Carolina”, “Sunshine”, “Streetlights” e “Love Vibrations” mereciam mais respeito.
Com um atraso inaceitável de 50 minutos, o Queens of The Stone Age subiu ao palco para tocar para uma área Premium tomada por fãs do Linkin Park. O show demorou a engrenar – com problemas visíveis na iluminação, nos telões e na superlotação da área – mas Josh Homme encontrou o caminho para fazer o melhor show do festival. Dois clássicos modernos logo de cara (“Feel Good Hit of the Summer” e “The Lost Art of Keeping a Secret”) mais um punhado de números matadores (“3’s & 7’s”, “Sick, Sick, Sick”, “Monsters in the Parasol”, “Little Sister”, “Go With The Flow”) que culminaram numa versão majestosa de “No One Knows”, a melhor música do melhor disco do QOTSA. Levou a medalha de ouro.
Entre jornalistas, o comentário era de que o Pixies iria ter que suar para bater o Queens. Mas suar pelo Pixies é um verbo que Frank Black não conjuga mais. A banda ícone enfileirou hits (“Debaser”, “Wave of Mutilation”, “Velouria”, “Monkey Gone to Heaven”, “Planet of Sound”, “Where Is My Mind?” e “Gigantic”) e tocou o álbum “Doolittle” praticamente inteiro (faltaram apenas quatro das 15 faixas: “Silver”, “Dead”, “There Goes My Gun” e, ausência mais sentida, “I Bleed”), mas sofreu com um som embolado e, em momentos mais calmos, parecia tocar em marcha lenta (“Here Comes Your Man”, por exemplo).
Frank Black estampava uma vontade de tocar tão contagiante que se um boneco estivesse em seu lugar não faria diferença, mas são tantos hinos, tantas canções boas, que ele merece o dinheiro que ganha (hoje em dia). Ele é a mente doentia por trás de uma das grandes bandas da história, mas não à toa, o grande momento do show foi ouvir Kim Deal mandá-lo se foder (mesmo brincando) no único espaço em que a baixista pode chamar de seu no show, “Gigantic”. Bonito. Cortinas cerradas. Ainda tinha Linkin Park e Tiesto, mas a festa já tinha terminado – para nós.

Há muito ainda o que falar do SWU, um evento que ofereceu um punhado de shows legais, mas que teve uma porção de problemas na produção. Apesar de Eduardo Fischer, em pequena coletiva na sala de imprensa, colocar o festival entre os cinco melhores do mundo, falta muito para o SWU entrar num top 100. Qualquer festival minúsculo da Bélgica (o país mais pródigo em realizar bons festivais – é só consultar o Prêmio Arthur para conferir) deixa o SWU para trás.

Reconhecer os erros é um mérito que pode melhorar o planejamento para a edição de 2011. O bom número do público reforça a idéia de sucesso do evento, mas não basta (ou não deveria bastar) levar 160 mil almas para uma fazenda no interior do Estado de São Paulo e considerar isso como uma vitória: é preciso tratar essas pessoas com respeito, dar-lhes formas de se alimentar e assistir aos shows de forma prazerosa (entretenimento deveria ser prazer), e condições para que cada uma voltasse para sua casa, barraca ou hotel de forma decente, sem riscos.
Por outro lado é preciso saudar o surgimento de um festival que pode vir a ser o melhor festival sul-americano em quatro, cinco anos. Houve sim problemas (até relatados neste espaço) e serão necessários muitos ajustes para as edições vindouras, mas o Brasil sentia falta de um grande festival anual no formato dos melhores eventos europeus e norte-americanos. Acontece que Europa e Estados Unidos estão 10, 20, 30 anos à frente do SWU no quesito produção. A equipe de Eduardo Fischer precisa aprender com os erros e mirar um futuro em que o show, a música, o fórum sejam notícia, não os problemas. Retuitar apenas os elogios soa cinismo. O público, no entanto, fica no aguardo.
Todas as fotos por Liliane Callegari com exceção da 1, 2 e 11 (por Marcelo Costa) e do Yo La Tengo (Divulgação SWU)
outubro 12, 2010 No Comments
SWU – Dia 2

Texto: Marcelo Costa
Fotos: Liliane Callegari
Programação reduzida para o segundo dia do Festival SWU. Após o drama da volta na madrugada do primeiro dia, que terminou com o sol nascendo na estrada para Cabreúva, deixamos de lado shows que gostaríamos muito de ter visto (Tulipa Ruiz e Rubinho Jacobina) e nos concentramos nas apresentações que realmente valeriam a pena todo o esforço de chegar ao festival: Regina Spektor e Otto.

Regina, como muita gente tinha previsto, pareceu pequena depois para o palco principal. O show foi bom, ela tem uma grande voz, mas na área premium ninguém estava entendendoo que estava acontecendo no palco. Pareciam estar assistindo a um DVD, e não a um show pop. Uma pena, pois Regina Spektor merecia mais. Se fizesse o show no Palco Oi, por exemplo, poderia sair consagrada.

Otto, por sua vez, tocou no Palco Oi e lotou a tenda mostrando a excelente fase de seu trabalho solo ancorado no excelente disco “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranqüilos”. Mais de duas mil pessoas cantando, urrando e dançando canções como “Filha”, “Janaina”, “Dias de Janeiro”, “Tente Entender”, “Ciranda de Maluco” e uma inspirada versão de “Saudade”, parceria do cantor com Fernando Catatau e Julieta Venegas.

A Jambroband, banda que acompanha Otto, vive sua fase mais inspirada no palco. A sequência de shows harmonizou o quinteto instrumental e os percussionistas e a mistura de sons está simplesmente chapante. Fernando Catatau e Junio Boca estão cada vez mais bem entrosados na guitarra, Ryan segura tudo no baixo, Bactéria coloca o molho nos teclados e Pupillo é um monstro na cadência e nas inflexões da bateria.

Os dois cavalos de batalha (temático e musical) do último disco, “Crua” e “Seis Minutos”, surgiram em versões sublimes, eternas, consagrando Otto que, mais uma vez, entregou-se a discursos nonsense, elogiou o festival, a sua banda e perguntou ao público: “Vocês estão gostando do show?” Ante a resposta positiva, cravou: “Então contem para os amigos. É assim que funciona”. No boca a boca, Otto fez outra vez o show do ano.

Ainda teve a “aparição” de Joss Stone no palco principal (um amigo jornalista definiu: “Até as axilas dela são bonitas”), mas o dia já estava ganho. Para fugir do trauma do dia anterior, deixamos a Fazenda Maeda antes de Kings of Leon pisar no palco (vimos parte do show em um carrinho de lanches em Itu. Fracote, você estava avisado – risos) e a saída foi tranquilíssima, sem nenhum problema. Até abriu o apetite rock and roll para hoje: Pixies e QOTSA, nos aguardem.

outubro 11, 2010 No Comments
SWU: cenário de festa ou de caos?
Não foi uma tragédia, mas quase. A saída do público do primeiro dia do SWU poderia facilmente ter entrado para as páginas negras da história do festivais de música ao redor do mundo. Um total de 47 mil pessoas (público informado pela produção) vagava sem nenhuma informação, perdidas entre pessoas da organização despreparadas, nenhuma placa de informação e a escuridão das ruas de terra batida da Fazenda Maeda.
O caos começou logo após ao término do show do Rage Against The Machine. A maioria do público partiu em direção aos bolsões de ônibus para pegar um translado para os bolsões de estacionamento, em Itu. Porém, não haviam ônibus. As filas imensas davam voltas e ninguém sabia informar a qual destinava cada uma. Algumas pessoas já esperavam os veículos antes do show do Rage Against The Machine terminar, mas nada de condução.
Grande parte do público decidiu fazer o caminho à pé, o que transformou a rua de terra batida da Fazenda Maeda em terra de ninguém, um pequeno espaço ocupado por carros, ônibus e milhares de transeuntes. Um grupo de pessoas, ao ver um ônibus vazio partindo em direção à saída, conseguiu “convencer” o motorista a abrir a porta, e o veículo lotou em aproximadamente três minutos. Ninguém mais entrava, não havia espaço.
Assim que o motorista fechou a porta, dezenas de outras pessoas começaram a bater nos vidros do ônibus pedindo uma vaga na condução. Um rapaz, com o tiquete da passagem na mão, batia violentamente no vidro do motorista gritando e chorando: “Eu paguei o ônibus. Eu quero ir embora”. Um amigo, na janela ao lado, provocava o piloto: “O ônibus não está saindo do lugar e o motor está ligado. Esse é um evento de sustentabilidade”.
Uma cena de stress era protagonizada a cada cem metros que o ônibus conseguia se locomover. Alguém parava ao lado do motorista, pedia “pelo amor de Deus” para que ele abrisse a porta, e o piloto alegava que não cabia mais ninguém no veículo. Um rapaz, deitado no painel e com a cabeça embaixo do volante, era o retrato da lotação, mas ninguém queria saber. Geralmente esmurrava o vidro do carro enquanto os ocupantes do ônibus diziam que o motorista não tinha culpa e estava apenas trabalhando (ou tentando).
Os dois pontos de maior risco foram próximos a saída para a Rodovia Castelo Branco. No primeiro, rapazes em uma Meriva tentaram cortar o ônibus pela direita. Impossibilitado de ver o veículo ao lado, o motorista acelerou e deu no meio do carro dos rapazes, que desceram no mesmo momento e tentaram partir para a violência, cobrando do motorista do ônibus uma atitude. Seis carros da polícia passaram ao lado, e não pararam para resolver o imbróglio, que terminou em um bate boca (e em um quase racha na Castelo Branco: isso mesmo, um racha com quase 100 pessoas num ônibus).
Assim que o ônibus passou pela área de congestionamento (causada pela junção da saída do estacionamento simples – em quatro faixas – com a estrada que trazia os ônibus da entrada principal), um grupo de pessoas com pedras tentava quebrar os vidros do ônibus ante a negativa do embarque. Junto, o rapaz da Meriva incitava o quebra quebra. A polícia, a 100 metros, só dispersou o público quando o motorista, após alguns minutos de tensão, sinalizou com os faróis que havia algo errado.
Assim que entrou na Rodovia Castelo Branco, após alguns metros emparelhado com a Meriva detonada, o ônibus seguiu seu trajeto até o Bolsão do Kartódromo. O trajeto que custou 25 minutos na vinda, às 16h, demorou 3h30 durante a madrugada. Segundo tweets, como o do Fabricio Vianna (@fabriciovianna), “teve uma galera que colocou fogo na passagem pra não descer mais de ônibus”. Já o Alexandre Pera (@alexandrepera), “as fichas de alimentação acabaram. A cerveja que era tabelada, aumentou”.
A noite para a Letícia Ribeiro (@anthems_antics) foi ainda mais traumática: “Cara, devolvemos nossos ingressos de hj pq fomos roubados por uns carecas em pleno show do RATM! Foi muito tenso! Nós reagimos ao roubo, mas não tinha segurança por perto! E a galera de fora balançava nosso ônibus”. Se musicalmente, a primeira noite tinha sido ok sem grandes destaques (talvez o coito interrompido do RATM), a desorganização na saída simplesmente transformou um cenário de festa em um caos, quase um campo de guerra.
outubro 10, 2010 No Comments
SWU – Dia 1

Texto: Marcelo Costa
Fotos: Liliane Callegari
22h40, sala de imprensa. O Rage Against The Machine está fazendo uma barulheira tão braba que as paredes de compensado chacoalham cada vez que Tim Commerford toca uma corda do baixo. Bonito de ver o pique da galera cantando e urrando as letras das músicas (houve até dedicatória especial ao MST). Seria melhor que o grande público estivesse mais perto do palco (a vergonhosa área premium é extensa e os afasta dos artistas), mas mesmo assim a turma de Los Angeles se esforçou para chegar perto dos fãs com um bom show, mas aconteceu o contrário.

Não rolou invasão, como Zack de la Rocha incentivou pelo twitter. Mas quase. Na segunda música, a muvuca era tão grande entre a galera da pista normal que Zack precisou dar um tempo e bancar o cobrador de ônibus: “um passinho pra trás, um passinho pra trás”. A barricada estava vindo para a frente, e isso aconteceu praticamente o show todo obrigando a produção a desligar o som três vezes. A banda começava a engranar, e o som parava para o público acalmar. Fácil promover o caos quando se tem um camarim caprichado e quando se está no palco, e não espremido entre milhares de pessoas. Se acontecesse alguma tragédia alguém diria: “Isso é o Brasil”. Mas não é bem assim. Bola fora do RATM (sobre um erro do SWU, a área premium).

Voltando algumas horas atrás: Mallu Magalhães (toda linda) brigou com a microfonia no Palco Oi, mas foi o Cidadão Instigado que fez bonito. Fernando Catatau, inspiradíssimo, descontou a raiva dos problemas com o som em sua guitarra, e o público ganhou riffs fortes e empolgantes. No palco principal, Sérgio Dias enganava a plateia cantando hinos do Mutantes como “Vida de Cachorro”, “Virginia”, Fuga Nº 2″, “Top Top”, “Minha Menina”, “El Justiceiro”, “Balada do Louco” e “Ando Meio Desligado”. Bom momento: a boa versão de “A Hora e a Vez do Cabelo Nascer”.

Já o Los Hermanos começou com “Além do Que Se Vê”, engatou em “Todo Carnaval Tem Seu Fim” e “Retrato de Ia Ia” prometendo uma noite antológica. E, de certo modo, foi… até a dobradinha “O Vencedor”/”Cara Estranho”, está última em versão enfezada, barulhenta, roqueira (melhor que show inteiro que a banda fez em 2008 abrindo para o Radiohead em São Paulo). Porém, depois desse momento de beleza roqueira, a banda decidiu colocar o público para dormir e o show ficou chatão. Ninguém chegou a roncar, e a maioria acordou para cantar “Sentimental” e pular em “A Flor”, mas ficou no ar a sensação de “eles podem mais, só não querem”. Chatos.

O saldo desse primeiro dia (não rolou de ver Superguidis, Curumin e Apples in Stereo – coisas de festival, mas Cidadão valeu) foi ok. Se musicalmente o festival está devendo (e deve continuar, mesmo com a promessa dos grandes shows da segunda-feira), a estrutura está funcionando dentro do possível. Ainda é preciso disponibilizar mais caixas (as filas estavam imensas) e encontrar uma saída para o problema “área premium” (segunda tem QOTSA, tenso), mas é melhor esperar até o terceiro dia para fazer uma análise completa, um balanço geral. É só o começo do fim de semana e o primeiro dia de um festival que tem tudo para dar certo, mas alguém precisa ir anotando os erros. Eles podem custar caro.

Amanhã tem… Jota Quest.
outubro 10, 2010 No Comments
Playlist: Marcelo Costa na Rock ‘n’ Beats
“Na seção Playlist desta semana, nosso convidado faz uma viagem pelo seu passado e revela a influência do seu pai, da adolescência e é claro, de um coração partido, na sua formação musical. Ele ainda revela as bandas que mais ama, destaca os melhores discos nacionais do ano e conta a música que (essa é imperdível) o faz dançar! Confira aqui.”
outubro 8, 2010 No Comments
88 CDs por R$ 249
O Sesc está fazendo uma promoção bacaníssima com os boxes “A Música Brasileiras e Seus Interpretes”. Eles estão vendendo as sete caixas disponíveis (o volume 1 está esgotado) por R$ 249 (valor que pode ser dividido em até oito vezes no cartão. Avulso cada box custa R$ 50), o que quer dizer que dois volumes da série saem de graça para o comprador – uma chance imperdível para quem é fã de música brasileira.
Não tenho idéia de quando o Sesc começou a editar esta série, mas deve ser coisa do começo dos anos 00, acho. Sei que ali por 2004/2005 fui atrás dos boxes, então raros, e cheguei até a escrever um e-mail para alguém de lá perguntando como proceder para adquirir todos os volumes. Na falta de resposta, esqueci dos boxes, a vida seguiu em frente até eu topar com essa promoção no Sesc Pompéia.
A rigor, a série “A Música Brasileiras e Seus Interpretes” compila o áudio (música e depoimento) dos programas Ensaio, da TV Cultura, e MPB Especial, da extinta TV Tupi. Entre os nomes muita gente boa desconhecida do grande público (Bucy Moreira, Manezinho Araujo, Antônio Nassara, entre outros) e uma seleção imperdível de grandes nomes da música popular brasileira como Paulinho da Viola, Nara Leão e outros.
Escolhi para abrir o pacote o CD de Chico Buarque, de um programa gravado em dezembro de 1994. Ele rememora a infância (“Nós jogávamos bola na rua Haddock Lobo. Depois nos mudamos para a Henrique Schaumann, que naquela época era uma ruazinha”), conta histórias divertidas (“Minhas melhores lembranças da TV Record são do bar que ficava ao lado. A gente ficava direto lá bebendo uísque e conhaque. Eu só ia no conhaque”) e canta “Paratodos” e improvisa “Três Apitos” (Noel Rosa), entre outras.
De uma olhada na coleção completa no site do Sesc São Paulo (aqui). A promoção, segundo o site, é por tempo limitado. Vale.
Ps. Quem tiver o boxe 1 da coleção sobrando ae, lembra de mim. 🙂
setembro 20, 2010 No Comments
20 livros sobre música em português

Atualizado em maio de 2015
O grande André Barcinski publicou em seu blog no UOL uma lista com “10 ótimos livros sobre música disponíveis em Português”. Tem coisas bacanas ali (e alguns que estão na fila aqui em casa, inclusive), mas quero estender aquela lista incluindo coisas bacanas e essenciais do catálogo da Editora Barracuda. Não tem como fazer uma lista foda de livros em português sobre música deixando Tony Parsons e Bill Graham de fora. E a Barracuda ainda tem os livros de jazz (“A Love Supreme” e “Kind of Blue”) e a biografia do Serge Gainsbourg (e, zuzu bem, o livro da Pamela Des Barres). E tem também os livros da Editora 34, mas deixando de enrolar na lista alheia, a minha listinha – atualizada em 2015 (20 livros de música em 20 minutos?) – seria essa:
– “Minha vida dentro e fora do Rock“, Bill Graham (Barracuda)
– “O Resto é Ruído“, Alex Ross (Cia das Letras)
– “Disparos do Front da Cultura Pop“, Tony Parsons (Barracuda)
– “Mate-me Por Favor”, de Legs McNeil e Gillian McCain (L&PM)
– “Beijar o Céu“, Simon Reynolds (Conrad)
– “Barulho”, André Barcinski (Pauliceia)
– “Reações Psicóticas”, de Lester Bangs (Conrad)
– “Fama e Loucura“, Neil Strauss (Best Seller)
– “Criaturas Flamejantes“, de Nick Tosches (Conrad)
– “A Era dos Festivais”, de Zuza Homem de Mello (Editora 34)
– “Mondo Massari”, de Fábio Massari (Ideal)
– “Do Frevo ao Manguebeat”, de José Telles (Editora 34)
– “Radio Guerrilha“, de Matthew Collin (Barracuda)
– “Escuta Só”, de Alex Ross (Cia das Letras)
– “Punk – Anarquia Planetária e a Cena Brasileira“, de Silvio Essinger (Ed. 34)
– “Pavões Misteriosos”, de André Barcinski (Ideal)
– “Eu Não Sou Cachorro Não”, de Paulo César Araújo (Record)
– “Noites Tropicais”, de Nelson Motta (Objetiva)
– “Dias de Luta”, de Ricardo Alexandre (DBA)
– “Cheguei Bem a Tempo de Ver o Palco Desabar“, de Ricardo Alexandre (Arquipélago)

Leia também:
– “Tudo Isto é Pop” mapeia a nova cena indie de Portugal (aqui)
– Alex Ogg relembra os primeiros anos do Dead Kennedys (aqui)
– Álbum clássico do Sonic Youth é esmiuçado em livro (aqui)
– Kim Gordon se desnuda em “Girl in a Band: A Memoir” (aqui)
– Jonathan Cott valoriza Yoko em “John, Yoko e Eu” (aqui)
– 11 livros musicais bacanas lançados em 2014 (aqui)
– Cuidado ao ler “A Intimidade de Paul McCartney” (aqui)
– Jornalista relembra entrevistados em Strange Days (aqui)
– “Fama e Loucura” tenta entender a importância dos artistas (aqui)
– “Gilberto Bem Perto”, a biografia chapa branca de Gil (aqui)
– “Só Garotos”, de Patti Smith, é para quem acredita no amor (aqui)
– “Mozipedia”, de Simon Goddard: 600 verbetes sobre Morrissey (aqui)
– A canção que mudou as canções: Like a Rolling Stone (aqui)
– O Pequeno Livro do Rock, de Hervé Bourhis (aqui)
– “Blues”, de Robert Crumb, reverência o passado (aqui)
– “Autobiografia”, Pete Townshend: até os deuses têm dúvidas (aqui)
– “Tocando a Distância: Ian Curtis e Joy Division”, por Deborah Curtis (aqui)
– “The Smiths”, de Tony Flechter: absolutamente imperdível (aqui)
– “Autobiografia”, de Neil Young, expõe vícios, paixões e medos (aqui)
– “Todo Aquele Jazz”, de Geoff Dyer: magia, loucura e incompreensão (aqui)
– Uma lista com 12 filmes musicais (aqui)
– Keith Richards: “Gostar ás vezes é melhor do que amar” (aqui)
– Marianne Faithfull: Drogas, Sexo e Mick Jagger (aqui)
– “O minimalismo e o rock and roll”, trecho de “O Resto é Ruído” (aqui)
– Pete Townshend fala de Jimi Hendrix em “Autobiografia” (aqui)
– Gram Parsons por Keith Richards no livro “Vida” (aqui)
– Alex Ross: “A politização da arte para fins totalitários” (aqui)
– Marcelo Orozco fala sobre “Kurt Cobain – Fragmentos” (aqui)
– Bruce Pavitt fala sobre “Experiencing Nirvana: Grunge 1989″ (aqui)
– Charles R. Cross fala sobre “Kurt Cobain: A Construção de um Mito” (aqui)
– Ouça os podcasts com Ricardo Alexandre (aqui) e Fábio Massari (aqui)
setembro 15, 2010 No Comments
Sobre o entrevistão com Hélio Flanders
Um dia antes de embarcar com Lili para a Europa em maio, eu, Marco Tomazzoni e Tiago Agostini recebemos o amigo Hélio Flanders, vocalista e letrista do Vanguart, para uma entrevista no meu ex-apartamento. Uma caixa (essa aqui) de Leffe foi comprada para a ocasião. Ainda havia malas para fechar e detalhes para acertar antes de voar para Budapeste, algumas horas depois, mas a expectativa pelo papo com Hélio Flanders era enorme. E foi plenamente recompensada. Ele nos surpreendeu mantendo um fluxo de idéias interessantíssimo que girava em torno da pausa que o Vanguart deu após o lançamento de seu disco ao vivo pela Multishow. Foram cinco horas de bate papo (acabou ali pelas 3 da manhã) que renderam mais de 30 páginas de entrevista, das quais 20 foram publicadas hoje no Scream & Yell (aqui). Em texto a conversa perde um pouco do humor e da ironia do entrevistado, mas encaro o bate papo como um retrato (talvez desencantado, como ele mesmo diz em certo momento – prefiro realista) de um jovem artista tentando se adaptar em um meio (cada vez mais político e menos musical) que costuma devorar sonhos. Há entre as palavras de Hélio e as de Romulo Fróes (aqui), Lulina e Stela Campos (aqui), Heitor Humberto e Nevilton (aqui), e também Wado (aqui) e Iuri Freiberger (aqui) um desenho (talvez borrado, mas ainda assim nítido) do momento atual da música brasileira. Esse desenho nos interessa muito. Para ler (ouvir as canções) e refletir.
setembro 2, 2010 No Comments
Cabaret e convidados tocam Nick Cave

Na próxima sexta, 10 de setembro, no Rio (e dia 30 de outubro, na Livraria Cultura do Bourboun Shopping), o Cabaret, em parceria com a editora Record, reúne convidados para uma jornada musical e literária sobre a obra do cantor, compositor e escritor australiano Nick Cave. O grupo estreou o repertório especial no dia 26 de agosto Espaço Cultural Sérgio Porto (veja os registros em vídeo das canções “Henry Lee“, “Straight To You” e “The Ship Song“).
O show marca o lançamento brasileiro do livro “A Morte de Bunny Munro”, segundo romance de um dos artistas mais instigantes do rock, atualmente vocalista das bandas Nick Cave & the Bad Seeds e Grinderman. A obra conta a história de um vendedor de cosméticos viciado em sexo numa jornada sem rumo após a morte de sua mulher, acompanhado apenas de seu filho pequeno, Bunny Junior.
Além disso, são comemorados os 20 anos de “The Good Son”, disco dos Bad Seeds gravado no Brasil, à época em que o cantor morou em São Paulo. Por isso, o Cabaret se debruça sobre o repertório da banda Nick Cave & the Bad Seeds, ativa há 26 anos, selecionando 15 canções sobre amor, desespero e transcendência, na melhor tradição de um herdeiro de Bob Dylan, Johnny Cash e Leonard Cohen.
De clássicos como “Deanna”, “The Ship Song” e “Red Right Hand” a produções recentes como “Get Ready for Love” e “Today’s Lesson”, a mais dramática banda do rock nacional reúne convidados do quilate de Dado Villa-Lobos (Legião Urbana), Toni Platão, Amora Pêra (Chicas), Leticia Novaes (Letuce) e o escritor João Paulo Cuenca (em participação nas guitarras) no Espaço Sergio Porto para uma noite inesquecível.
Aproveitamos para enviar cinco perguntas para o queridíssimo Márvio, vocalista do Cabaret, que além de preparar esse show especial com canções de Nick Cave (que, esperamos, também passe por São Paulo e outras capitais) está dando os retoques finais em “A Paixão segundo Cabaret”, segundo álbum do grupo que tem produção de Iuri Freiberger (que contou várias coisas sobre o disco aqui) e participação de Ney Matogrosso em uma das canções. Fala Márvio!
Como surgiu a idéia de um show com canções de Nick Cave?
Desde 1998, posso dizer que Nick Cave é o artista que mais me impressiona, com quem eu mais me identifico e, por isso, sigo os passos dele fielmente. Você já foi lá em casa e viu minha caixa de B-Sides e DVDs, então já sabe. (risos) Quando eu soube que a editora Record havia comprado os direitos de tradução do livro, tentei de todas as formas me envolver no processo. Até que pensei que talvez fosse uma grande oportunidade de fazer um show de covers sem ares de banda cover. Combinei com o restante do Cabaret, que também tem fãs de Cave, que poderíamos selecionar canções, ensaiar um show e depois apresentar à editora, como um happening para marcar o lançamento do romance no Brasil. Quando os ensaios já estavam bem adiantados, apresentei a ideia aos diretores da Record, que se empolgaram conosco e viabilizaram um show na escala merecida, num bom espaço para banda e público, como o Sergio Porto aqui do Rio.
O show terá várias participações especiais. Como vocês escolheram os convidados?
Por afinidade com a carreira do cara, como Toni Platão e Dado Villa-Lobos, que são admiradores dele, e pela força expressiva para determinadas canções. Quando você tem uma canção dramáticas como “Henry Lee” (que Nick Cave canta com a PJ Harvey) ou “Where the Wild Roses Grow” (com Kylie Minogue), você precisa dividir isso com cantoras que tenham um certo senso de teatralidade, além de vozes espetaculares. Tudo isso a gente tinha aqui do lado, com a Amora Pêra, que é uma artista completa: tanto na música brasileira que faz com as Chicas quanto nas versões do pop dos anos 60 e 70 com a Cia Velha, e com a Leticia Novaes, que é uma figura de uma banda novíssima chamada Letuce. E como o evento é musical e literário, nada melhor que contar com um amigo como o escritor consagrado João Paulo Cuenca, que hoje tira onda de guitarrista bissexto, mas já foi de finadas bandas como Glamourama e Netunos.
A noite marca o lançamento do segundo romance do Cave, “A Morte do Bunny Munro”. Você já teve oportunidade de ler?
Estou lendo, até o show terei terminado. Sabe como é, tive que decorar letras enormes (risos). O que é fantástico no romance do escritor Nick Cave é que ele traduz um momento muito atual na carreira do compositor Nick Cave. Tanto no “Dig Lazarus Dig”, que ele lançou em 2009 com os Bad Seeds quanto no projeto paralelo Grinderman, de 2008, as letras giram em torno de uma feroz pulsão sexual masculina, muito diferente das baladas melancólicas que o marcaram os anos 90 e o início dos 00. Como o personagem Bunny Munro é um homem que só pensa em sexo e o consegue com certa facilidade, passa a impressão que você está lendo um roteiro de um filme cuja trilha sonora já foi composta. Para honrar o livro, tínhamos que dar à plateia feminina um clima de iminente assédio sexual.
A apresentação é única ou outras cidades vão ter a oportunidade de receber essa apresentação?
Estaremos em São Paulo em breve, ainda não sabemos onde, exatamente. Mas é parada obrigatória, uma vez que ele morou aí e existe um grande interesse sobre ele, até mais do que no Rio. Como o Cabaret se apresenta reforçado uma banda grande, são nove pessoas no palco (duas guitarras, baixo, bateria, teclado e três backing vocals femininas além de mim), não é um show fácil de se levar para lá e para cá. Mas estamos dispostos a aceitar convites para sair e testes do sofá.
De Nick Cave para Cabaret: como está o planejamento do disco novo? Ouvi algumas canções e fiquei com a impressão que vem um discaço….
Pois é. O capricho levou a alguns atrasos, e dois dos nossos integrantes (o guitarrista Felipe Aranha e o baterista Marcos Hermes) vão se tornar papais por estes meses. Por isso, preferimos dar tempo para que eles aprendam a trocar as fraldas e vamos deixar o lançamento de “A Paixão segundo Cabaret” para 2011. O álbum conta em 13 canções a história de um homem que sempre tentou fugir do amor, mas que de repente se vê diante de uma mulher da qual ele não poderá escapar. Estamos orgulhosos dele: tem a já lendária participação de Ney Matogrosso em uma canção, a produção do Iuri Freiberger, que entendeu nosso som com carinho, e já masterizamos em Abbey Road com Alex Wharton, que trabalho em discos de Björk, Chemical Brothers e Babyshambles.
SERVIÇO
Cabaret e convidados tocam Nick Cave – Pocket Show Gratuito
Sexta, 10 de setembro, 19h30
Fnac da Barra, no Rio de Janeiro
Nesta noite, o Cabaret será:
Márvio dos Anjos, voz
Felipe Aranha, guitarra
Marcelo Caldas, baixo
Gustavo Matos, bateria (substituindo Marcos Hermes em licença-paternidade)
Geovanni Andrade, piano
E as backing vocals convidadas:
Cris Fernandes
Tatiana Fake (Private Dancers)
Natasha Nunes
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agosto 24, 2010 No Comments
Relembrando Belle and Sebastian
Achei muito bonita a capa do novo álbum do Belle and Sebastian, “Write About Love”. E eles confirmaram show no Chile, dia 29/10 (veja aqui). O Planeta Terra acontece em São Paulo dia 20/10. Podemos considerar fechado, né, corrigindo 20/11. Para o Planeta Terra fica bem difícil, a não ser que eles façam mais de um show no Brasil e ainda passem na Argentina.
Fui ler o que escrevi sobre o show de 2001, pois a lembrança que tenho era do público abafando o som do grupo no Main Stage do Free Jazz, que perdi o show inteiro do Grandaddy (só consegui ver “Crystal Lake”) e de que Sigur Rós foi uma tortura (sete anos depois eu iria rever o Sigur Rós novamente, e eles iriam roubar a noite do Radiohead c0m um show magnífico – leia aqui).
No texto babão de 2001 (leia a integra aqui) eu falava da alegria de Stuart Murdoch, saltitando feliz no palco com sua camiseta dos Smiths, em Sarah exibindo seu fio de voz numa comovente versão de “Baby”, do Caetano, em português mesmo, e em “Minha Menina”, de Jorge Ben, mas versão Mutantes, cantada pelo guitarrista Stevie Jackson, num show de riffs de Bobby Kildea.
Era uma época especial.
O Belle and Sebastian era uma paixão recente do mundo pop. Tinha ilustrado uma página do segundo Scream & Yell On Paper e eu tinha escrito isto aqui para a Rock Press um tempo depois (se não me engano, foi o meu primeiro texto na revista). Os EPs eram maravilhosos, mas… a banda caiu na repetição. A última coisa boa, boa mesmo, para mim, foi “This is Just a Modern Rock Song”.
Há coisas bonitas dai pra frente (“I’m Waking Up to Us”, “Jonathan David”, “Legal Man”), mas já em 1999 eu tentava contemporizar sob a luz do lançamento de “Fold Your Hands Child, You Walk Like A Peasant”: “os escoceses voltam colocando a melancolia num pedestal e criando arranjos suntuosos para suas frágeis melodias. Certo, você já viu isso. E esse pode ser o problema” (leia a integra aqui).
O cenário não mudou muito desde então, mas quem sabe “Write About Love” balance o coração como no passado. E o show, bem, tem tudo para ser especial. Não acredito que eles consigam fazer em estúdio coisas mágicas como “This is Just a Modern Rock Song” (e adoraria ser desmentido pelas canções novas – risos), mas os sorrisos são garantidos ao vivo. A gente confere em outubro…
agosto 12, 2010 No Comments















