Category — Literatura
11) “Um livro que você ganhou de presente”

Na primeira vez que percorri essa lista, no meio da pandemia, listei “Alta Fidelidade” como o principal, argumentando (em 140 toques):
“Sou (meio) anti hype: Se está todo mundo falando pra ir prum lado (e ouvir um disco, ler um livro), costumo ir pro outro. Todo mundo falava que eu devia ler ‘Alta Fidelidade’, mas foi a Flavia que me mandou com essa dedicatória…”
Como era de se esperar em 1998, fiquei perdidamente apaixonado por Nick Hornby após “Alta Fidelidade“, e fui atrás de “Febre de Bola” e de “Um Grande Garoto” – já falei deles na questão “Um livro melhor que o filme” – e de tudo que saia do autor até “Uma Longa Queda” (2005). Me decepcionei com “Slam” e peguei “Juliet, Naked” muito tempo depois de ter saído (e ele é ótimo). Quando saiu “Funny Girl“, a Companhia das Letras me convidou pruma mesa para discutir o livro e a obra de Hornby. E tudo começou com esse presente da Flávia <3

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Dois: tempos depois, a Ana, que trabalhava em uma editora, me escreveu dizendo que eu precisava ler “A Visita Cruel do Tempo”, da Jennifer Egan, que era minha cara e tal. Acho que já escrevi nesses fios que a mudança pra São Paulo, em 2000, fez o tempo dedicado à leitura diminuir drasticamente na minha vida, ou seja, desde então tenho lido muito menos do que eu lia (esse fio, inclusive, é um desejo de reacender essa chama também). E lá fui eu meio cético ler a Jennifer e… me apaixonar. Bem, é um vencedor do Pulitzer, o que dizer mais? O fato é que, desde então, meio que paro tudo para ler Jennifer Egan quando um livro novo dela sai (há varios textos meus sobre livros dela no site da Intrinseca e também no Scream & Yell);
Obrigado demais, Ana!
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E três: já contei também nesses fios que, via de regra, não sou eu quem vou atrás dos livros (e autores), mas eles me encontram. E até os 35 eu nunca tinha lido nada de Saramago, apesar de ter a desconfiança de que eu e ele nos dariamos bem. Sempre foi o caso do livro ou autor não encaixarem no momento, de eu estar lendo outras coisas ou, no caso de São Paulo, de estar vivenciando uma cidade que começou a preencher todo o meu tempo livre. Foi então que uma garota em um romance daqueles que nos atropela o colocou na minha vida. Ela se foi (e a canção d’Os Gianoukas Papoulas toca de fundo agora), ele ficou. Lógico que eu a agradeci pelo presente (triplo, segundo cartinha que acompanha o livro), mas acho que nunca a agradeci por ter colocado Saramago na minha vida. Então… obrigado! <3

novembro 26, 2025 No Comments
Desconfio…

agosto 31, 2025 No Comments
A morte é uma sacanagem

Luis Fernando Verissimo, 2013
agosto 30, 2025 No Comments
Financiamento coletivo: 85 discos de 1985

Está no ar o financiamento coletivo do livro “1985 – O ano que repaginou a música brasileira”, com uma galera muito boa escrevendo sobre 85 discos! Eu fiquei responsável pelo disco do Tim Maia, aquele que tem “Leva” e “Pede a Ela”, e adorei participar! O volume é organizado por Célio Albuquerque!
Pré-venda em: https://garotafm.com.br/
Veja abaixo a lista de discos e autores que estarão no livro!
Alceu Valença – “Estação da Luz”, por Julio Moura
Alcione – “Fogo da Vida”, por Vicente Dattoli
Angela Ro Ro – “Eu Desatino”, por Taissa Maia
Antonio Adolfo – “Viva Chiquinha Gonzaga”, por Monique Aragão
Baby Consuelo – “Sem Pecado e Sem Juízo”, por Júlio Diniz
Bezerra da Silva – “Malandro Rife”, por Luiz AntonioSimas
Cazuza – “Cazuza”, por Leoni
Chico Buarque e vários – “Corsário do Rei”, por Thelmo Lins
Cinema – “Cinema”, por Bento Araujo
Dominguinhos – “Isso Aqui Tá Bom Demais”, por Gustavo Alonso
Egberto Gismonti – “Trem Caipira”, por Jeanne de Castro
Elba Ramalho – “Fogo Na Mistura”, por André Cananea
Fábio Jr. – “Fabio Jr”, por Bruno Ascari
Fafá de Belém – “Aprendizes da Esperança”, por DJ Zé Pedro
Fellini – “O Adeus de Fellini”, por Lorena Calábria
Flora e Airto – “Humble People”, por Arnaldo de Souteiro
Gal Costa – “Bem Bom”, por Mauro Ferreira
Garotos Podres – “Mais Podres do que Nunca”, por Luiz Thunderbird
Geraldo Azevedo – “Geraldo Azevedo Ao Vivo”, por Gabriela Azevedo
Gilberto Gil – “Dia Dorim, Noite Neon”, por Lucas Vieira
Gonzaguinha – “Olho de Lince”, por Dácio Malta
Grupo Rumo – “Diletantismo”, por Carlos Evandro
Guilherme Arantes – “Despertar”, por Guilherme Arantes
Hermínio Bello – “Lira do Povo”, por Augusto Diniz
Herva Doce – “Amante Profissional”, por Ricardo Puggiali
Ira! – “Mudança de Comportamento”, por Ricardo Schott
Jane Duboc – “Ponto de Partida”, por Marcia Tauil
Joyce Moreno – “Saudade do Futuro”, por Ana Martins
Kiko Zambiachi – “Choque”, por Márcia Fráguas
Leci Brandão – “Leci Brandão”, por Verônica Bonfim
Legião Urbana – “Legião Urbana”, por Julio Ettore
Léo Jaime – “Sessão da Tarde”, por Leo Jaime
Língua de Trapo – “Como é Bom Ser Punk”, por Silvio Essinger
Luiz Caldas – “Magia”, por Ceci Alves
Luiz Carlos da Vila – “Pra Esfriar a Cabeça”, por Claudio Jorge
Luiz Gonzaga – “Sanfoneiro Macho”, por José Teles
Lulu Santos – “Normal”, por Leandro Souto Maior
Marcos Sabino – “Simples Situation”, por Marcos Sabino
Marina – “Todas”, por Fabio Vizzoni
Mauro Duarte e Cristina Buarque – “Cristina e Mauro Duarte”, por João Pimentel
Metrô – “Olhar”, por Mona Gadelha
Milton Nascimento – “Encontros e Despedidas”, por Maurício Gouveia
Moraes Moreira – “Tocando a Vida”, por Ricardo Moreira
Nana Caymmi – “Chora Brasileira”, por Flavio Mendes
Pepeu Gomes – “Energia Positiva”, por Guilherme Schwab
Premê – “O Melhor dos Iguais”, por Marcio Pinheiro
Raça Brasileira – “Raça Brasileira”, por Leonardo Bruno
Radamés Gnattali – “Projeto Almirante”, por Henrique Cazes
Roberto Carlos – “Roberto Carlos”, por Zeca Azevedo
RPM – “Revoluções por Minuto”, por Emilio Pacheco
Sérgio Ricardo – “Estória de João-Joana”, por Fred Góes
Tetê Espíndola – “Gaiola”, por Felipe Tadeu
Tim Maia – “Tim Maia”, por Marcelo Costa
Tom Jobim – “O Tempo e o Vento”, por Juarez Fonseca
Tunai- “Tunai”, por Daniella Zupo
Vários – “A Música em Pessoa”, por Maclém Damasceno
Vários – “Festival dos Festivais”, por Ayrton Mugnaini Jr.
Zé Renato e Claudio Nucci – “Pelo Sim, Pelo Não”, por Juca Filho
julho 1, 2025 No Comments
10) “Um livro que te fez chorar de rir”

Na primeira vez que fiz essa série, em uma rede social, listei Lygia Fagundes Telles e Oscar Wilde alegando que “nenhum dos dois me fez chorar de rir (o livro do “Choque de Cultura” taí pra isso), mas a inteligência, a perspicácia e o humor classudo deles me ganham”.
Dessa vez até cogitei em pegar o volume sobre “Cortadas ferinas para respostas cretinas de perguntas idiotas” da revista Mad, mas acabei separando o antológico “Comédias da Vida Privada”, de Luis Fernando Veríssimo (que já citei em ao menos duas passagens dos #meus20livros, e reforço: já leste (e dedicaste) “Tu e Eu” para alguém?) e o impagável “Socialismo para Milionários”, do Bernard Shaw, perfeito para gargalhar em silêncio <3.
Porém, matutando sobre sarcasmo e ironia, formas de expressão que fazem a minha alma chorar de rir, preciso ir em meu item definitivo: “Nelson Rodrigues, o Melhor do Romance, Contos e Crônicas”, um volumezinho mulambento que um representante da Folha em Taubaté me “presenteou” – com direito a dedicatória em 1994 (as aspas são porque o volume era cortesia para quem renovava a assinatura da Folha na época).
Eis uma porta de entrada sublime para o universo rodriguiano (entre tantas que existem).

São apenas 11 histórias – algumas, na verdade, excertos de textos mais longos – mas que histórias.
Abre com a absolutamente antológica “A Coroa de Orquídeas”, resgatas peças de “A Vida Como Ela É” (como a clássica “A Dama do Lotação”) e “O Óbvio Ululante” e fecha com a poesia de trechos de “A Sombra das Chuteiras Imortais”.
Depois dessa introdução mágica fui, claro, atrás de todos os livros de Nelson Rodrigues e devo ter enchido dezenas de tulipas de cerveja com lágrimas de riso desenfreado.
Da mesma forma, ri muito com as adaptações de “A Vida Como Ela É” (muitas delas pro Fantástico – quem dera a busca no Globoplay funcionasse) e com o filme “Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos” (2015), de Clovis Mello, padrão quadradinho especial Globo de adaptação, mas que texto, que texto – assista aqui (na integra):
É isso: Nelson Rodrigues me faz chorar de rir.

maio 15, 2025 No Comments
Relembrando a cena de Curitiba dos anos 00

O show do Tindersticks, algumas semanas atrás, não foi especial apenas pela apresentação delicadamente matadora do quinteto britânico; como sempre, um bom show também é lugar para reencontrar boas almas…
Naquela noite, entre diversos abraços amigos, reencontrei Ivan Santos e Adriane Perin, que me presentearam com “Cena de Cenas – Do Rock de Inverno aos Índios Eletrônicos”, livro de Asaph Eleutério, resultado de sua dissertação de mestrado desenvolvida entre 2021 e 2023 na UNESPAR.
Enquanto conversava ali na entrada do auditório Simon Bolivar, e folheava o livro, me deparei com uma foto minha e o capítulo “Dois Marcelos, duas redes, uma cena”, que conta, entre outras coisas, como o Scream & Yell acompanhou a cena curitibana dos anos 00 com certa proximidade.

Automaticamente me transportei para o começo dos anos 2000. Meu primeiro contato com a cena de Curitiba foi com o Dary, que estava idealizando a Terminal Guadalupe. A gente se conheceu na Velvet, loja do André, e logo ficamos amigos. Ele foi me aplicando várias coisas novas da cidade, como a Poléxia, do Rodrigo Lemos (como ouvi o “Acústico” gravado no Teatro Paiol – inédito até hoje)!
Depois me aproximei do Ivan, e consequentente dos lançamentos de seu selo, o De Inverno Records. Em 2003, Ivan e Adriane me convidaram para ir ao festival Rock de Inverno, que celebraria sua 4ª edição. Parti para Curitiba ao lado do lendário Carlos Eduardo Miranda e do queridissimo Bruno Saito, com a Paola Wescher nos ciceroneando.
Havia muita coisa que eu queria ver no festival: OAEOZ, claro, e também Sonic Jr., Cores D Flores, Sofia (que eu iria viciar!), Bad Folks, Polexia (que eu já estava viciado), Laura’sProblem, Criaturas (o single “Homem Mosca” virou um hitzinho em casa, Jully et Joe, a grande La Carne, Gruvox, Blanched (eu tava ouvindo direito o EP deles na época), Íris e Loxoscelle.

O festival, no entanto, foi cancelado quando tinha acabado de começar, mas como já estávamos na cidade com tudo pago, decidimos aproveitar o hotel e desbravar Curitiba (bebendo todas) em três dias: foi antológico, um dos finais de semana mais especiais que passei com Miranda (que nos levava a uns restaurantes exóticos – eu dizia, “Velhinho, tu tá aqui pela Trama e o Bruno pela Folha, eu tô pelo Scream & Yell, não têm bordero pra gastar não – risos” e ele dizia apenas: “Não se preocupa” – e nos entretia com histórias surreais, que saudade).
Aproveitei também para pesquisar a cena da cidade, o que rendeu uma porção de matérias (muitas citadas neste livro do Eleutério), entre elas “O novo rock de Curitiba em dez discos“, que fiz para um especial com entrevistas e mais coisas para o Portal Terra quando eu era sub de Cultura lá. Bons tempos!
O livro do Eleutério é apenas a ponta do iceberg. O projeto ganhou uma versão online que amplifica o material e é imperdível. Acesse: cenadecenas.com

maio 14, 2025 No Comments
09) “Um livro que te fez chorar”

Foram vários, mas vou me concentrar em apenas um: “Achei Que Meu Pai Fosse Deus”, coletânea de contos da vida norte-americana compilada pelo escritor Paul Auster.
Não me lembro o que eu esperava quando recebi esse volume da Companhia das Letras, mas o fato de Paul Auster estar envolvido dava crédito. Porém, quando comecei a ler, foi como mergulhar em um oceano e nadar, nadar, nadar sem pensar em parar, apenas seguindo o fluxo, absolutamente arrebatador.
Contextualizando: “Achei Que Meu Pai Fosse Deus” reúne, na edição nacional, contos que Paul Auster selecionou do programa que ele apresentava na National Public Radio (a popular NPR).
Primeiramente foi oferecido ao escritor um programa mensal em que ele apresentaria um texto próprio. Auster não gostou da ideia, mas sua mulher, a também escritora Siri Hustvedt, sugeriu que ele pedisse para que os ouvintes lhes mandassem as histórias.
Auster foi ao rádio e explicou aos ouvintes o projeto estabelecendo três pré-requisitos para os textos: que eles fossem verdadeiros, curtos e que desafiassem nossas expectativas em relação ao mundo.
Um ano depois, o projeto começou em dezembro de 1999, Auster tinha mais de 4 mil histórias nas mãos. “A maioria era suficientemente emocionante para prender a minha atenção até a última palavra”, dizia o escritor.
Dos 4 mil textos, 121 enriquecem a edição nacional (179 na edição original), divididos em 10 seções: animais, objetos, famílias, situações cômicas, estranhos, guerra, amor, morte, sonhos e meditações.
A idade dos autores varia dos 20 aos 90 anos. Textos de pessoas comuns.
Chorei não uma, nem duas, muito menos cinco, mas diversas vezes lendo esse livro.
Auster, autor de dezenas de livros sensacionais (e alguns clássicos), retira o foco de luz de si mesmo e o joga sobre pequenas histórias recheadas de magia, mistério e pequenos milagres. “Achei Que Meu Pai Fosse Deus” é um livro imperdível.
Ao dar voz aos comuns, Auster engrandeceu a literatura mundial com um livro essencial para se entender que “nunca fomos perfeitos, mas somos reais”. Todos nós.
Esse eu preciso ler de novo…
Ps. Leia meu texto de 20 anos atrás sobre o livro (e dois contos) aqui

abril 23, 2025 No Comments
8) Um livro que você nunca conseguiu terminar

Três novamente, ok.
O primeiro da lista é “Os Versos Satânicos”.
Comecei Salman Rushdie por “O Chão Que Ela Pisa” por causa do U2, que musicou a letra de “The Ground Beneath Her Feet”, do personagem do livro. É um livro… “breguinha”, mas bonito. E tem um dos mais belos trechos sobre música da literatura:
“Por que a gente gosta de cantores? Onde se esconde o poder das canções? Talvez se origine da mera estranheza de se existir canto no mundo. A nota, a escala, o acorde; melodias, harmonias, arranjos, sinfonias, ragas, óperas chinesas, jazz, blues: o fato de essas coisas existirem, de termos descoberto os intervalos mágicos e as distâncias que produzem o pobre punhado de notas, todas ao alcance da mão humana, com as quais construímos nossas catedrais sonoras, é um mistério tão alquímico quanto a matemática, ou o vinho, ou o amor. Talvez os pássaros tenham nos ensinado. Talvez não. Talvez sejamos, simplesmente, criaturas em busca de exaltação. Coisa que não temos muito. Nossas vidas não são o que merecemos. De muitas dolorosas maneiras elas são, temos de admitir, deficientes. A música as transforma em outra coisa. A música nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se fôssemos dignos do mundo”.
Inspirado por “O Chão Que Ela Pisa”, decidi encarar “Os Versos Satânicos” e… travei. Acho que nunca passei da página 20. Depois de ler “Fúria” (que é ótimo), tentei “Os Versos Satânicos” novamente… e travei de novo. Quem sabe um dia…
Falando em “Um Dia”, comecei a ler o livro do David Nicholls e… achei breguinha e parei. Dai vi o filme (Anne Hathaway <3) e desisti de vez do livro. Tempos depois, me encomendaram um texto sobre “Nós”, do David Nicholls. Pagando bem, que mal tem, certo? Resultado: adorei o livro, o texto que escrevi sobre ele e a playlist (com Tom Waits, Bjork e Etta James cantando “Purple Rain”) que acompanha (leia o texto “Sobre Douglas Petersen, David Nicholls, Beatles e… nós“).
Pra fechar, “O Som e a Fúria”, do Falkner, mas esse, de verdade, eu ainda não desisti…

abril 18, 2025 No Comments
07) “Um livro que quase foi abandonado”

Salvo na adolescência por “O Lobo da Estepe” (livro 2 dessa série) e atropelado por “Demian” na sequência (até hoje agradeço ao acaso de ter lido antes “O Lobo da Estepe”, que Hermann Hesse lançou em 1927, e só depois “Demian”, que saiu 10 anos antes), mergulhei completamente apaixonado por Hesse em “Sidarta” e… travei. E não é que eu travei uma vez: foram cinco ou seis vezes em que toda vez na parte em que o personagem começa o jejum (ali na página 30), eu simplesmente me desconectava da história, e ia ler outra coisa.
Essa sequência também traz uma característica do meu eu jovem leitor: sempre que eu gostava muito de um livro, eu ia atrás de quase tudo que eu conseguia do mesmo autor. Ou seja, eu era mais focado nos autores nessa época…
O fato é que entre começar a ler “Sidarta” e terminar foram uns cinco anos, e é um livro curtinho, de menos de 130 páginas. Porém, quando eu consegui avançar na história, não apenas me apaixonei por ela como também molhei as páginas com lágrimas no final. Foi um dos finais de livro mais especiais que já li…
Dia desses, quem sabe, eu pego pra reler…

abril 5, 2025 No Comments
06) “Um livro que você já leu várias vezes” (3/3)

Bora acelerar pois senão esse #meus20livros não acabará nunca :~
6) “Um livro que você já leu várias vezes” (3/3)
Os dois livros da foto trazem a mesma característica: são livros “comentados”, o que foi plenamente satisfatório para um adolescente desbravando o mundo das palavras e, em muitos casos, ainda sem a chama para perceber o sarcasmo, a entrelinha, a sutileza.
A coletânea de contos “Seleta” (1971) foi a primeira coisa que li de Lygia Fagundes Telles, e foi amor à primeira lida (duas décadas depois, uma amiga a encontraria em SP e a pediria em casamento para mim… ganhei um autógrafo – risos).
“Seleta” é um baú de tesouro. Está tudo aqui: “Eu era mudo é só”, “A caçada”, “O noivo”, (a obra prima) “Venha Ver o Por-do-Sol”, “As Pérolas”, um capítulo de “Ciranda de Pedra”, tudo comentado por Nelly Novais Coelho. É sublime.
Leio um conto vez em quando (ainda que um dos meus favoritos, “Lua Crescente em Amsterdã”, que adaptei com amigos para a aula de teatro na faculdade, não esteja aqui – mas está na obrigatória seleção “Os contos”, lançada pela Cia das Letras em 2018).
O outro volume é.. Shakespeare. A primeira vez que mergulhei em sua obra eu tinha 11 pra 12 anos, e o fato de ser uma edição comentada ajudou muito a (acreditar que eu poderia) entender aquele universo (eu voltaria a essa coleção – disponível na Biblioteca Municipal de Taubaté – no meu pós-crise dos 16 anos, aquele que Hesse e “O Lobo da Estepe” me tiraram – e era outra coisa, outro universo, outra amplitude, outra grandiosidade).
É uma edição portuguesa, da Lello e Irmão (sim, li Shakespeare em português – comentado! – de Portugal) que, cerca de 30 anos depois, consegui adquirir (com volumes extras) pra mim (conto a história aqui) e eu amo suas comédias de erros. Amo.
“Conto de Inverno” é absolutamente incrível! <3

fevereiro 17, 2025 No Comments

