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Cervejas com cumaru, priprioca e açai

A cervejaria paraense Amazon Beer segue em sua investida de provocar o paladar brasileiro desacostumado com cervejas personais. Após a boa resposta às versões Bacuri Beer e Witbier Taperebá, os paraenses surgem desta vez com três rótulos mais intensos e provocantes, mas não menos interessantes: Amazon IPA Cumaru, Amazon Red Ale Priprioca e Amazon Stout Açai. As duas primeiras seguem a opção da cervejaria em deixar o fruto regional bastante exposto no conjunto (como acontece com o bacuri e o taperebá) enquanto na Amazon Stout Açai, o fruto da palmeira fica escondido sob o malte tostado, mas aparece no final para dar sua contribuição. São três cervejas de personalidade forte e estofo para conquistar paladares exigentes e impressionar desconhecidos.
Conhecida como baunilha da Amazônia, a semente do cumaru é usada como tônico cardíaco entre os índios além de aparecer tanto na medicina quanto na perfumaria. E agora também em cerveja. A Amazon IPA Cumaru traz no aroma as notas adocicadas da semente, que lembra baunilha, e remete também a açúcar queimado e própolis. Porém, é no paladar que os paraenses mostraram serviço. O Cumaru se sobressai ao lúpulo, e juntos constroem um cenário altamente amargo, que até permite perceber no início um leve adocicado, mas depois se transforma numa onda intensa de amargor, que pode assustar até fãs de IPA. A sensação é de que um pouco menos de cumaru e um pouco mais de lúpulo talvez balanceasse o conjunto. O final é amargo e persistente em uma cerveja indicada para corajosos.
Já a priprioca (ou piripirioca) é uma erva aromática e medicinal cujas raízes liberam uma fragrância leve, amadeirada e picante com notas florais. É um dos perfumes tradicionais da região amazônica e conquistou o chef Alex Atala, que a incluiu em sobremesas. E é ela que surge como estrela na Amazon Red Ale Priprioca, uma cerveja mais balanceada que a IPA Cumaru. Isso não quer dizer que a Priprioca esteja tímida. No aroma intenso, notas frutadas e duelam com o malte desvelando-se em amadeirado, herbal e caramelo. O paladar segue o trabalho feito na IPA: no início é adocicado, com sensação de caramelo e baunilha, e depois se torna amargo (muito menos intenso do que na primeira) deixando-se notar as ervas. O final fica entre estes dois polos em uma das melhores cervejas da Amazon Beer.
Fechando o trio surge a Amazon Stout Açai. O açaí é fruto de uma palmeira conhecia como açaizeiro, com expressiva plantação no Pará e propriedades estimulantes semelhantes às encontradas no café e em bebidas energéticas. Não iria demorar para que alguém juntasse o açaí com a stout, o café gelado irlandês. Primeiro ponto: ao contrário dos dois rótulos anteriores, na Amazon Stout Açai, a fruta não toma à frente do aroma nem do paladar. A força do malte torrado se sobrepõe ao açaí nesta que é a cerveja da Amazon mais fiel ao estilo – o que pode frustrar alguns. No aroma, notas clássicas de malte torrado (com percepção de café e chocolate). No paladar, café e… frutas vermelhas. O açaí parece surgir apenas no final marcadamente amargo em uma cerveja muito boa, mas que ainda deve encontrar a sua cara.

As cervejas da Amazon Beer são vendidas em garrafas de 330 ml e podem ser encontradas em bons empórios entre R$ 9 e R$ 12. Vale lembrar a visita ao bar da cervejaria, na Estação das Docas, em Belém.
Amazon IPA Cumaru
– Produto: India Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,7%
– Nota: 2,37/5
Amazon Red Ale Priprioca
– Produto: Red Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6%
– Nota: 2,79/5
Amazon Stout Açai
– Produto: Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 7,2%
– Nota: 2,90/5

Leia também
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janeiro 29, 2013 No Comments
Duas cervejas italianas e uma espanhola

Por mais de sete gerações, a família Farchioni cultiva a terra em Úmbria, cidade que fica na região central da Itália, vizinha a Perugia e a cerca de duas horas de Roma. As cervejas dos Farchioni são recentes e não são pasteurizadas nem fermentadas. As receitas usam produtos agrícolas locais como a ervilha na Mastri Birrai Umbri Cotta 37 e lentilhas na Mastri Birrai Umbri Cotta 74. Um dos destaques é a apresentação em belas garrafas de 750 ml, que trazem a opção de vedação sob pressão após a abertura da tampa tradicional. A cervejaria produz apenas três rótulos, e além da 37 e da 74, eles também produzem a 21.
A Mastri Birrai Umbri Cotta 21 é particular por trazer em sua fórmula malte de farro, um dos primeiros grãos empregados na culinária e cultivado hoje em dia em toda região central da Itália. O farro tem coloração próxima à do trigo, mas se diferencia pela casca, que adere ao grão durante a colheita – assim como acontece com a cevada e a aveia. Na Coota 21, o farro produz um aroma que lembra biscoito, cereais e capim destacando notas cítricas e frutadas. O paladar fica entre o levemente adocicado e o levemente amargo com um toque cítrico compondo o conjunto que remete a trigo e cereais. Uma boa cerveja, mas não surpreendente.

Instalada em Piozzo, uma cidadezinha de mil habitantes perto de Torino e Genova, a Baladin Birreria existe desde 1986 e seu mestre-cervejeiro, Teo Musso, é um dos responsáveis pelo renascimento do culto às cervejas artesanais na Itália. Apresentada em belas garrafas de 750 ml, com artes cuidadosas e conteúdo idem, a Baladin vem conquistando o mundo através dos anos. Apenas um de seus 17 rótulos já havia passado por aqui, a Baladin Open Noir, uma IPA bastante rebelde que necessita de alcaçuz Calábria para acalma-la. Agora é a vez da versão kriek dos italianos, cujo um quinto de seu conteúdo é composto por… polpa de cereja.
A Baladin Mama Kriek é uma experiência. Para chegar ao ponto em que queria, Teo Musso juntou água, malte pilsen e de trigo, aveia, farro, 19,5% de polpa de cereja, canela, coentro, flor de camomila romana, casca de laranja doce, raiz de Genciana (planta que auxilia a digestão), pimenta e jogou a carbonatação lá em cima. O aroma entre o azedo e o ácido com leve percepção de cereja e especiarias lembra o das lambics frutadas belgas. No paladar, o adocicado da cereja se torna mais evidente, ainda que suave, mas é o amargor que mais impressiona grudando no céu da boca, o que rende um final bastante duradouro. Ótima.

A Estrella Damm abriu as portas em Barcelona em 1876 e de lá pra cá se tornou uma das principais cervejarias espanholas. Sediada até hoje em território catalão, a Estrella mantém em seu cardápio a popularíssima Estrella Damm (que surgiu como Estrella Dourada), a sensacional e premiada Voll-Damm Doble Malta além da popular Xibeca e de versões Bock, Weiss e sem glúten (outra premiada, a Estrella Damm Daura). O xodó atual da casa, com direito a site próprio, é a Estrella Damm Inedit, resultado de uma parceria entre a cervejaria, o renomado chef Ferran Adrià, seu parceiro Juli Soler e a equipe de sommeliers do restaurante El Bulli.
O estilo escolhido por Adriá, Soler e equipe recaiu sobre a witbier, que combina perfeitamente com saladas, bacon, queijo de cabra e, claro, peixes e frutos do mar. Além de malte de trigo e malte de cevada (em doses iguais), água e lúpulo, a Inedit (como uma tradicional witibier) recebe sementes de coentro, alcaçuz, casca de laranja e fermento. O aroma intenso é cítrico e remete a laranja com uma leve presença de especiarias e de trigo. O paladar é levíssimo, com inicio levemente amargo e cítrico, percepção de alta carbontação (e de trigo) e final adocicado e refrescante. Com a Inedit, a Estrella aposta em um conjunto simples e agradabilíssimo.
As três Mastri Birrai Umbri Cotta estão chegando ao Brasil através da importadora La Pastina e é possível encontra-la em preços entre R$ 35 e R$ 40 (a garrafa de 750 ml) embora também existem revendedores vendendo-a por mais de R$ 60. A Mama Kriek, por sua vez, segue o alto preço das luxuosas Baladins, em média R$ 70 (a garrafa de 750 ml). Já a Estrella Damm Inedit pode ser encontrada com muito mais facilidade, tanto em empórios quanto na rede de supermercados Pão de Açucar, e em preços melhores também, cerca de R$ 30 (também a garrafa de 750 ml).
Mastri Birrai Umbri Cotta 21
– Produto: Blond Ale
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,10/5
Baladin Mama Kriek
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,32/5
Estrella Damm Inedit
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Espanha
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 3,68/5

Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Balanço 2012: Top 3 Cerveja Brasil, por Marcelo Costa (aqui)
– Baladin Open Noir, uma cerveja bela e corajosa, por Mac (aqui)
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janeiro 26, 2013 No Comments
Segunda rodada de Baden Baden

Abrindo a segunda rodada de rótulos da ótima cervejaria de Campos do Jordão (você pode ler sobre a primeira leva aqui), a Baden Baden Bock paga tributo ao estilo nascido em Einbeck, no norte da Alemanha. Na Baden Baden Bock, a tonalidade puxa para um marrom avermelhado e o conjunto traz no aroma notas de malte torrado que se desprendem remetendo a caramelo, café e melaço. O paladar é bem doce e bastante simples numa cerveja fácil de beber com notas de frutas e leve percepção de álcool (6.5%), mas falta corpo e intensidade ao conjunto.
Já a Baden Baden Golden Ale é uma interessante experiência. Além de malte de trigo, malte de cevada, lúpulo e água, ela recebe em sua fórmula extrato de canela e frutas vermelhas. E a canela toma a frente, os lados e a retaguarda no aroma – num teste cego lembra coco – não deixando espaço para mais nada. Conforme a cerveja esquenta no copo, a canela se desprende ainda mais. No paladar, suave, levemente adocicado e de baixo amargor, a canela também se destaca numa boa cerveja indicada para quem gosta da especiaria.
Edição especial feita para o período natalino, a Baden Baden Christmas Beer já está em seu sétimo natal e é uma cerveja que tenta surgir como opção ao champagne nas ceias familiares. Ela é bem clarinha e traz no aroma notas de malte que remetem a cereais, pão e muito levemente a mel – tudo muito suave, talvez excessivamente. No paladar, a leveza continua presente com as notas do aroma presentes delicadamente mais um frutado interessante numa cerveja que cumpre o que promete: ela pode decepcionar quem espera corpo e amargor, mas tem tudo para conquistar bebedores de champagne nas festas familiares.
Outra edição sazonal especial da casa, e mais antiga, é a Baden Baden Celebration Inverno, que já está em seu nono ano e circula durante os meses mais frios (há uma versão dela especial para o verão, no estilo weiss). Para o inverno, o pessoal de Campos do Jordão idealizou uma Double Bock (ou seja, uma Bock mais intensa) com 8,2% de álcool – embora lembre mais uma stout. No aroma, o malte tostado dá as cartas lembrando chocolate amargo e café com o álcool marcando presença, sem assustar. O paladar bastante adocicado reforça o aroma em uma cerveja bastante gostosa e alcoólica.
Quase fechando o assunto Baden Baden (só faltará a Baden Baden Tripel agora), a Cristal é a lager tradicional que todo brasileiro está acostumado a beber. Aroma de cereais, paladar suave (até de forma excessiva) e muito refrescante. Feita para aqueles que não conhecem as demais da casa de Campos do Jordão, todas com mais personalidade /qualidade. Todas as cervejas da Baden Baden podem ser encontradas com facilidade em grandes redes de Supermercados e em bons empórios. A garrafa tradicional da casa (600 ml) varia de R$ 10 (Cristal, Golden Ale, Stout) até R$ 19 (Celebration, Christmas).
Baden Baden Bock
– Produto: Traditional Bock
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 2,43/5
Baden Baden Golden Ale
– Produto: Cream Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,5%
– Nota: 2,70/5
Baden Baden Christmas Beer
– Produto: Specialty Beer
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 2,80/5
Baden Baden Celebration Inverno
– Produto: Doppelbock
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,2%
– Nota: 2,85/5
Baden Baden Cristal
– Produto: Standard American Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,28/5

Leia mais:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Primeira rodada de Baden Baden: Weiss, Red Ale, 1999 e Stout (aqui)
janeiro 22, 2013 No Comments
Três cervejas: Way, Wäls e Basement

O pessoal da Way surpreende mais uma vez. Após as excelentes Way Double APA e Way Amburana Lager, o pessoal de Curitiba lançou em dezembro a Way Belgian Dark Roller Coaster IPA, uma cerveja de levedura belga e caráter norte-americano – o que quer dizer muito lúpulo. O resultado é quase uma Black IPA, que traz características de outras cervejas já produzidas pela Way, mas com uma complexidade inovadora. O malte levemente torrado rende aromas suaves de melaço, chocolate amargo e caramelo junto a algo de frutado (ameixa) e citrico. No paladar, a calda de açúcar presente na fórmula faz o serviço junto ao malte de caramelo, com notas tostadas remetendo a coco queimado e doce de leite, mas com o amargor do lúpulo bastante presente – sem incomodar – em uma cerveja sensacional, provavelmente uma das melhores que a Way já produziu.

A Wäls 42 foi produzida em parceria com funcionários do Google América Latina e lançada em setembro de 2012 sendo a primeira experiência com o estilo belga Saison/Farmhouse Ale no Brasil. Os mineiros capricharam incrementando-a com café em grãos, amêndoas, limão tahiti, abacaxi e um mix de leveduras belgas e de champagne. Para mim, as primeiras versões surgiram excessivamente carbonatadas (inclusive em torneira em BH), o que me fez guardar duas garrafas e esperar. Quatro meses depois ela surge mais suave. No aroma, frutado e cítrico com um azedinho valorizado pelo duplo dry hopping com lúpulo Saaz. No paladar, agora mais comportado, cítrico e azedo lutam por atenção enquanto notas de laranja e abacaxi se destacam. Uma cerveja interessantíssima, mas que talvez precisasse de um tempo maior de descanso antes de vir às prateleiras. Faça você isso.

De Videira, cidade vinícola de menos de 50 mil habitantes em Santa Catarina, surge a Tony Festival, a terceira garota da Basement Cervejas Especiais a pisar neste espaço. A primeira delas a aparecer por aqui foi a morena Port Royal Sweet Stout, com notas amadeiradas e carbonatação baixissima; depois foi a vez da loura California Golden Ale, de pegada lupulada norte-americana, as duas bem personais e provocativas. A Tony Festival (com mais uma bela garota no rótulo) é a mais comportada das meninas catarinenses. Com três variedades de malte (Munich, Viena e Pale Ale) mais aveia alemã e três tipos de lúpulo alemães, esta Marzen traz no aroma frutado algumas notas de ervas, biscoito e cereais. O paladar segue o que o aroma anuncia, com o malte bastante encorpado fazendo a cama e o lúpulo dando as cartadas em um final levemente amargo. Uma boa garota.
A Way Belgian Dark Roller Coaster pode ser encontrada em empórios entre R$ 13 e R$ 16 (310 ml). Já a Wäls 42 está saindo entre R$ 18 e R$ 22 (R$ 375 ml). A Tony Festival custa entre R$ 16 e R$ 18 (310 ml).
Way Belgian Dark Roller Coaster IPA
– Produto: Specialty Beer
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6,2%
– Nota: 4,02/5
Wäls 42
– Produto: Saison
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,38/5
Basement Tony Festival
– Produto: Marzen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 2,63/5
Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Balanço 2012: Top 3 Cerveja Brasil, por Marcelo Costa (aqui)
– Uma das melhores do país: Way Double American Pale Ale (aqui)
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– Uma manhã na cervejaria Wäls, em Belo Horizonte (aqui)
– Wäls Petroleum: uma verdadeira experiência alcoólica (aqui)
– Way Amburana Lager: eles acertaram de novo (aqui)
– Basement Port Royal Sweet Stout (aqui) e California Golden Ale (aqui)
janeiro 15, 2013 No Comments
Do Chile, Cerveceria Valdivia

A cidade chilena de Valdivia fica na Região dos Lagos e primeiramente foi ocupada por índios Mapuches, depois por espanhóis até que uma grande imigração alemã desembarcasse na cidade. A família Kunstmann chegou ao povoado em 1850, no primeiro grupo de alemães, e começou a produzir cerveja para consumo próprio depois que a única cervejaria de Valdivia, a Anwandter (e toda a cidade), foi destruída pelo Grande Terremoto do Chile, em 1960, o maior terremoto já registrado em todos os tempos (9.5 pontos na escala Richter). Passaram se anos até que a Cerveceria Kunstmann abrisse às portas, em 1997, e de lá pra cá vem se destacando no país.
O carro chefe da cervejaria de Valdivia é a Kunstmann Lager, uma Premium American Lager bastante honesta. No aroma caprichado, malte e lúpulo herbal em abundancia. No paladar, o primeiro toque é adocicado, cortesia do malte (que remete a trigo, pão e mel), mas logo a cavalaria do lúpulo chega para contrabalancear tornando o final levemente amargo. De teor alcoólico relativamente baixo (4,3%), a Kunstmann Lager lembra as boas cervejas tchecas do estilo. É a típica cerveja refrescante para ser degustada em dias quentes – e cumpre elegantemente seu papel.
Nos últimos anos tem aumentado o número de cervejas não filtradas no mercado. A filtragem visa retirar as células de levedura além de substâncias causadoras de turbidez (conseguindo assim clarear o líquido), um processo adotado principalmente pelas cervejarias industriais, mas que as micro cervejarias começam a deixar de lado. A Kunstmann Lager Unfiltriert é um belo exemplo chileno do estilo. No aroma, trigo, malte e lúpulo marcam presença delicadamente. No paladar, seco, malte e lúpulo surgem num conjunto terroso, equilibrado e bastante saboroso. Superior a versão lager tradicional. Recomendo.

A Kunstmann Honig Ale é a surpresa mais especial da cervejaria chilena, e entrega o que promete no rótulo: ‘cerveza miel’. O aroma é tão fascinante que parece que a narina está em um pote de mel, não em uma taça de cerveja. Com um pouco de insistência é possível perceber o malte. No paladar, o desafio se repete, mas com mais facilidade na distancia dos sabores. O mel é inevitavelmente o carro chefe e, surpreendentemente, não é enjoativo. O lúpulo dá um toque no céu da boca marcando levemente de amargor enquanto o malte faz um charmezinho numa cerveja que coloca a britânica Fuller’s Organic Honey Dew no chinelo.
Ao contrário das três anteriores, a Kunstmann Bock não surpreende. São três tipos de malte que disparam no aroma o tostado tradicional do estilo, com um leve toque de caramelo, num conjunto que remete a café torrado. No paladar, o malte torrado volta a remeter a café sem muita complexidade. O amargor está presente numa cerveja de corpo leve, razoável graduação alcoólica (5,3% que não esquentam tanto numa noite de frio, temperatura ideal para a Bock) e excessivamente correta. Um bom exemplar do estilo para quem mora no Chile, mas que perde em comparação com o mercado (principalmente com as boas stouts).
Já a Kunstmann Torobayo Pale Ale é uma pequena amostra da cerveja mais caprichada da casa chilena, a Gran Torobayo. Nesta versão “popular”, o aroma delicioso promete muita coisa: notas de madeira, frutado, floral e um adocicado de caramelo atiçam a curiosidade. O paladar, no entanto, surpreende pela falta de amargor – até parece que se esqueceram do lúpulo. Isso, de certa forma, prejudica o conjunto, porque tudo o que o aroma promete se transforma em malte levemente frutado. Não há complexidade nem a força que se espera de uma pale ale. Não convence.

Com a Kunstmann Gran Torobayo, a pegada é outra. A apresentação em uma garrafa flip-top de 500 ml (contra as 330 ml de toda a linha da casa) já mostra que essa é uma cerveja especial para os chilenos. De linha Old Ale, a Gran Torobayo traz no aroma amadeirado notas fortes de malte de caramelo, um leve tostado e alguma coisa de lúpulo. O paladar é adocicado disfarçando bem os 7,5% de graduação alcoólica com notas que remetem a melaço, açúcar mascavo, uva passa e caramelo. O pessoal de Valdivia não é muito chegado em lúpulo, tanto que, mesmo na cerveja mais robusta da casa, ele aparece suavemente amargando o final. Muito boa.
Apesar de ser encontrada com facilidade tanto no Chile (inclusive em várias redes de supermercados e muitos bares) e na Argentina, a Kunstmann ainda é bem rara no Brasil. Em 2008, a empresa Sabores do Chile chegou a exportar quase toda a linha da Kunstmann para cá, mas atualmente é quase impossível encontrar a Kunstmann no país de Zeca Pagodinho, Anderson Silva e Ivete Sangalo. Uma pena. No Chile, cada garrafa custa cerca de R$ 6 (exceto a Gran Torobayo, que custa aproximadamente R$ 10) e há um interessante tour, o Experiência Kunstmann, para conhecer a cervejaria em Valdivia. Já estou planejando…
Kunstmann Lager
– Produto: Premium American Lager
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 4,3%
– Nota: 2,82/5
Kunstmann Lager Unfiltriert
– Produto: Lager Não Filtrada
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,36/5
Kunstmann Honig Ale Miel
– Produto: Cerveja Especial
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 3,49/5
Kunstmann Bock
– Produto: Bock
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,3%
– Nota: 2,54/5
Kunstmann Torobayo Pale Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,64/5
Kunstmann Gran Torobayo
– Produto: Old Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,45/5

Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Quatro cervejas da micro cervejaria chilena Kross (aqui)
– Duas cervejarias chilenas: Szot e Quimera (aqui)
janeiro 4, 2013 No Comments
Cervejas frutadas: Mongozo e Timmermans

Os europeus temperam cerveja com frutas há séculos. Na Bélgica, lar do estilo mais antigo do mundo, o Lambic, eles colocam pêssego, cereja ou framboesa em suas lambics desde a antiguidade. Os alemães acrescentam xarope de fruta para aliviar a acidez de sua famosa Berliner Weisse assim como limonada ou soda na Pilsen, criando um gênero conhecido como Radlermass, que, hoje em dia, já vem engarrafado de fábrica, o que não substitui a boa mistura tradicional: na Grécia, onde a Radler é conhecida como Shandy, certa vez um barman misturou na torneira: metade chopp, metade soda. Ficou ótimo.
A popular Cervejaria Hoegaarden, da Bélgica, além de produzir a melhor e mais popular witbier do mundo (temperada com cravo e casca de laranja), tem versões Citrus e Rosée (muito vendidas em festivais como Rock Werchter, em Leuven, e Cactus, em Bruges). Já a Mongozo, que apesar de se apresentar como belga tem sua fábrica nos Países Baixos (mais propriamente na Holanda), investe em sabores exóticos. O primeiro rótulo da casa, a Mongozo Banana, foi lançado em 2001, e de lá pra cá, o exilado político Henrique Kabia já lançou versões de Coco, Quinua e Nozes Africanas.
A Mongozo Coconut, como é de esperar, leva coco em sua fórmula – além de açúcar e quinua (e, claro, malte, lúpulo e água). Assim que a garrafa é aberta, um aroma forte de coco toma conta do ambiente remetendo a bala de coco, maria mole, sabão de coco e coisas assim. O paladar não engana: você está bebendo um suquinho de coco de 3.6% de graduação alcoólica. Não espere uma cerveja complexa, mas sim um “drink” de coco indicado para pessoas que não gostam de cerveja. Há até um amargor, mas o que fica é o adocicado enjoativo do coco.
Com a Mongozo Banana é tudo diferente. Cerveja tradicional do povo Masapi, do Quênia e da Tanzânia, a Mongozo Banana traz a fruta dominando o aroma artificial (mas remetendo mais a chiclete) com algo de malte acompanhando discretamente. O sabor artificial de banana é perfeitamente identificável no paladar, sem concorrência. O malte de cereal compõe bem o conjunto de uma cerveja bastante adocicada, mas não enjoativa como o Mongozo Coconut. Um boa cerveja pra refrescar e que tem estofo para conquistar apaixonados pelo estilo weiss.

Já a Timmermans é uma autentica cervejaria belga. Fundada na vila de Itterbeek, a 20 minutos do centro de Bruxelas, a Timmermans fabrica Lambic deste 1702 seguindo ainda hoje o ritual da fermentação espontânea. Além de produzir versões Gueuze (mistura de barris de lambic novos, bastante ácidos, com envelhecidos, mais suaves) e as populares Kriek (feitas com ginja, uma versão bastante ácida da cereja, fruta popular na região de Bruxelas), a Timmermans ainda faz Lambics com Pêssego, Framboesa, Abobora e Frutas Vermelhas.
A Timmermans Framboise pertence ao gênero das lambics frutadas juntando aromatizantes de framboesa (em muitas outras cervejarias é a própria fruta, o que melhora consideravelmente o resultado) com a lambic para obter o resultado final: no aroma, muita framboesa (mas em versão aritificial de ki-suco), frutas vermelhas e um leve azedo proveniente da mistura de lambics. No paladar, o adocicado artificial surge primeiro, mas logo o amargor, um leve salgado e a forte acidez tentam equilibrar. Parece suco de framboesa com sidra. Fraquinha, mas ainda assim interessante.
Por sua vez, a Timmermans Pêche Lambicus, que segue o mesmo formato de produção da Framboise (adição de aromatizante natural de pêssego na refermentação da lambic), é mais interessante. O aroma, claro, é de pêssego em calda, mas é possível sentir a interessante acidez da lambic já nas narinas. No paladar, o pêssego dá o primeiro bote, mas a lambic mostra sua cara com uma patada de amargor e acidez que transformam o conjunto em algo bem especial. O final é levemente salgado e persistente (com toques de vinagre). Muito boa.

Tanto as duas Mongozo (Banana e Coco) assim como as duas Timmermans (Pêssego e Framboesa – também é possível encontrar as versões Kriek e Strawberry) já podem ser encontradas no Brasil, ainda que o preço não seja tão convidativo. As primeiras saem entre R$ 16 e R$ 22 (a garrafa de 330 ml) enquanto os rótulos da Timmermans variam de R$ 17 a R$ 21. São cervejas interessantes para ampliar o paladar de uma bebida que, no Brasil, tem apenas uma cara, mas, na verdade, é extremamente variável adaptando-se a cada momento.
Mongozo Coconut
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Holanda
– Graduação alcoólica: 3,6%
– Nota: 1,88/5
Mongozo Banana
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Holanda
– Graduação alcoólica: 3,6%
– Nota: 2,51/5
Timmermans Framboise
– Produto: Lambic Fruit
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 4%
– Nota: 2,50/5
Timmermans Pêche Lambicus
– Produto: Lambic Fruit
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 4%
– Nota: 2,88/5
Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Forest Bacuri, uma cerveja com fruto amazônico (aqui)
– Witbier Taperebá segue a risca o caminho aberto pela Bacuri (aqui)
– Wells Banana Bread: uma cerveja que merece ser provada (aqui)
– Kriek Boon, uma cerveja com cereja. Pode rolar romance (aqui)
– Jabuticaba Beer, destaque da mineira Casa Piacenza (aqui)
– As experimentações curiosas da francesa Bourganel Brewery (aqui)
– Liefmans Fruitesse é um ótimo exemplar do estilo fruit beer (aqui)
janeiro 2, 2013 No Comments
Do velho-oeste paulista, Landbier

Nasce mais uma cervejaria artesanal no interior paulista, desta vez, em Presidente Prudente. De propriedade da família Mantovani, que há 15 anos mantém uma produção caseira de vinhos, a Landbier engarrafou seus primeiros rótulos em outubro. A fábrica está localizada em um anexo do restaurante da família, na zona rural de Presidente Prudente, e ideia é seguir a Lei de Pureza alemã. Neste primeiro momento, a Landbier chega aos balcões com três rótulos: Pilsen, Weiss e Stout.
A Pilsen da casa prudentina traz no aroma notas de malte, lúpulo e fermento, sem muitas surpresas. No paladar, o fermento toma a frente, e incomoda levemente. Passada essa primeira impressão, nota-se uma cerveja de pouquíssimo amargor, em que o lúpulo marca presença apenas para evitar um dulçor excessivo do malte, resultando em uma cerveja suave, destinada ao brasileiro acostumado com as american lagers tradicionais de boteco. Ao invés de enfrentar o mercado e vencer pela diferença, a Landbier Pilsen tenta ser mais uma. É pouco.
Por sua vez, a Landbier Weiss ameaça chegar próximo ao estilo proposto, mas fica nisso. Um dos fatores talvez seja a não filtragem, que acaba deixando a cerveja mais densa e confunde suas propriedades de aroma e sabor. No primeiro, algo de mel e um pouco de cravo – mesmo a expectativa de banana não traz as notas ao nariz. O sabor se posiciona entre o leve amargor e o azedo com o fermento novamente marcando presença. Em sua primeira tentativa no campo da weiss, a Landbier fracassou. Que eles acertem nas próximas.
A Stout me pareceu a mais acertada desta primeira leva da Landbier. Assim com as duas anteriores, nesta os prudentinos não arriscam e tentam seguir a fórmula tradicional. Desta forma já é possível imaginar o que vem pela frente: aroma de malte torrado que remete a café, chocolate e principalmente, neste caso, calda de ameixa. No paladar, as notas de café surgem com toda força, e grudam no céu da boca traçando um risco até as notas finais, levemente amargas. Das três da casa foi a que mais agradou.
Nestes primeiros barris nota-se uma cerveja que ainda precisa evoluir, tanto na receita quanto na feitura. O fato de produzir cerveja artesanal fora dos grandes centros é bastante louvável, mas com cada vez mais rótulos importados a bons preços em grandes redes de supermercados, os cervejeiros artesanais brasileiros só vão se destacar se oferecer neste mercado com um produto não apenas melhor, mas inovador, diferenciado, como o pessoal da Way, Wäls e Coruja vem fazendo – além de muitos cervejeiros anônimos.
Se uma Weiss alemã da Erdinger sai pelo mesmo preço da Weiss da Landbier, qual o bebedor vai escolher? A resposta é óbvia, e se é difícil competir com um alemão no que eles fazem de melhor, cerveja alemã, então está mais do que na hora de investir numa cerveja brasileira. Ou então apostar no know-how e fazer aqui a melhor cerveja alemã do mundo. O meio do caminho não resolve. Não basta se deixar levar pela moda do momento. É preciso criar algo novo ou ser muito bom no que já existe. Que a Landbier cresça e tome um bom rumo.
Landbier Pilsen
– Produto: German Pilsner
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,06/5
Landbier Weiss
– Produto: German Weizen
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,04/5
Landbier Stout
– Produto: Dry Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6%
– Nota: 2,18/5

Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 30, 2012 No Comments
Quatro cervejas da chilena Kross

A Cerveceria Kross surgiu em 2003 em Santiago, no Chile, quando o engenheiro José Tomás Infante retornou de um trabalho na Irlanda, e começou a procurar no Chile por cervejas tão boas quanto as que conheceu na terra de Oscar Wilde. Na busca, Infante conheceu o mestre cervejeiro Alemán Asbjorn Gerlach, que tinha uma pequena produção artesanal. Juntos, eles decidiram criar uma nova cervejaria chilena que seguisse os padrões das melhores cervejarias do mundo. E conseguiram. A Kross atualmente ostenta o título (merecido) de mais premiada cervejaria do Chile.
Digna da honraria de uma cerveja comemorativa, a Kross 5 (feita com oito tipos de malte para festejar os cinco anos da cervejaria) é uma belíssima Strong Scoth Ale, quase licorosa, maturada durante três meses em barris de carvalho. No aroma, as notas maltadas se destacam remetendo a caramelo, baunilha e amanteigado com um leve toque do barril de carvalho. No paladar, a primeira sensação é adocicada (caramelo, melaço e… coco!), mas o lúpulo chega de mansinho colocando o conjunto em sintonia. Uma cerveja agradabilíssima com o malte dominando 80% da experiência, mas o lúpulo finalizando com um amargor bastante suave.
Já a Kross Golden Pale Ale é simplicidade e capricho. O aroma é leve, bem leve, com um algo de frutado e outro de malte (Pilsen e Caramelo). No paladar, a escolha dos lúpulos mostra suas particularidades – sem tornarem a cerveja um oceano de amargor. No total são três tipos de lúpulo: Horizon, que é colocado no começo do processo é libera um amargor bem leve, mais Cascade e Chinook, que causam um frescor suave com notas citricas. Há percepção de mel, frutado e caramelo. A combinação destes dois maltes com os três lúpulos resulta em uma cerveja levíssima, saborosa e bastante equilibrada. Ótima para dias de sol.
A Kross Maibock é uma das sazonais da cervejeira chilena. Feita para comemorar a chegada de maio, leva três tipos de malte (Pilsen, Caramelo e Munique) e dois tipos de lúpulo (Glacial e Mount Hood). O aroma, como era de se esperar, é bastante maltado com notas de caramelo, maçã, pêssego e melaço. O paladar segue a risca as considerações do aroma com o adocicado surpreendendo. Primeiramente caramelo, depois melaço, para no final deixar o álcool transparecer com certa força (são 6,5% de graduação). É uma cerveja bem interessante que começa a fazer a cama do bebedor para o inverno que está para chegar.
Para fechar, Kross Stout, que traz três tipos de malte (Pilsen, Caramelo e Tostado) e apenas um de lúpulo, East Kent Goldings, para honrar a tradição irlandesa do café gelado. O aroma é aquilo que faz apaixonados pelo estilo sorrirem: o malte tostado remete com força a café, caramelo e chocolate amargo. No paladar, apenas reforço: mais café, mais caramelo e mais chocolate amargo. O lúpulo parece estar aqui apenas para evitar que o nível de doçura torne-se enjoativo, pois não há quase nada de amargor, o que de forma alguma desmerece essa bela sweet stout chilena.
Além destes quatro rótulos há mais uma cerveja na linha tradicional da Kross, a Pilsen, e a linha Experimental, das quais são filhas a Kross 110 Minutos e a Kross Curaca Abby Ale. Infelizmente ainda não é possível encontrar a Kross no Brasil. Em Santiago é possível encomendar no site oficial uma caixa com 24 garrafas de 330 ml por 20 mil Pesos Chilenos (cerca de R$ 85) tanto quanto encontra-la em grandes supermercados (um lugar certo é uma das banquinhas de bebidas do Mercado Municipal) ou mesmo nos melhores botecos pé limpo do bairro Independência (como Galindo ou La Casa Vieja), perto da La Chascona (a casa museu de Pablo Neruda) e do Cerro San Cristóbal.
Kross 5
– Produto: Strong Scotch Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 7,2%
– Nota: 3,90/5
Kross Golden Pale Ale
– Produto: English Pale Ale
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,32/5
Kross Maibock
– Produto: Maibock
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,28/5
Kross Stout
– Produto: Sweet Stout
– Nacionalidade: Chile
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 3,28/5

Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 27, 2012 2 Comments
Balanço 2012: Top 3 Cerveja Brasil

Numa conta aproximada, bebi mais de 150 cervejas diferentes em 2012, e escrevi de aproximadamente 135 aqui. O que era Top 100 virou Top 200. Este foi o ano em que me aventurei no catálogo da curitibana Bodebrown (aliás, tenho duas novas deles pela frente para escrever), da ararense Mestre das Poções e da mineira Casa Piacenza (desta última venho procurando desde então a Jabuticaba Beer).
Também foi um ano em que experimentei pela primeira vez algumas britânicas (Shepherds Name, Old Tom), belgas (La Gauloise, Affligem), italianas (a Winterlude, da Del Ducato, comprada em Veneza, reina como a melhor cerveja estrangeira que provei em 2012), argentinas (Gülmen) e norte-americanas (Anderson Valley e Founders) além das chilenas (Szot e Quimera).
Porém, mais do qualquer coisa, 2012 foi o ano em que algumas cervejarias brasileiras tiraram as manguinhas de fora e começaram a produzir algumas das melhores cervejas do mundo – abrindo as portas para dezenas de outras, que começam a arriscar em rótulos personais. Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre (além do interior paulista e da região da serra catarinense) se destacam como polos de boa cerveja.
De BH, a Wäls surgiu com cerveja número 1 de 2012, a Petroleum, uma Russian Imperial Stout maravilhosa. De Curitiba, a Way exibiu a Way 8S, cuja receita teve 16 mãos (de gente entendida), depois a melhorou com a Double Apa e deu o golpe de misericórdia com a Ambaruna Lager. De POa, a Coruja lançou uma (fora de) série limitada das quais se destacam os dois primeiros lançamentos: Baca e Laberada (com pimenta!). E a Coice vem por ai!
Passei batido pela Vixnu, da Colorado, que até poderia embolar o Top 3 que segue abaixo, e gostaria de citar os ótimos trabalhos da Gaudenbier, de Curitiba (principalmente na linha não filtrada); do Lagom Brewpub, de Porto Alegre (a Pampeana Gruit Ale foi uma das surpresas do ano); da Invicta, de Ribeirão Preto; e da Backer, de Belo Horizonte (pela ótima linha Bravo).
Abaixo, o Top 3. Porém, um adendo: se a Petroleum é a cerveja número 1 do Brasil em 2012, a Way é a cervejaria do ano. Pelo projeto 8S, que rendeu a Double American Pale Ale, pela matadora Amburana Lager, pela recém-lançada Belgian Dark e pelo projeto single hop, que traz em um pack três cervejas Pale Ale (a premiada da casa), cada uma com um lúpulo diferente (falo destas single hop na primeira semana de janeiro).
No quesito cerveja, 2013 promete muito para os brasileiros. Abaixo, as minhas três cervejas nacionais prediletas de 2012:
1) Wäls Petroleum
2) Way Double APA
3) Coruja Labareda

Leia também:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
– Três perguntas: José Felipe, da Wäls (aqui)
– Uma manhã na cervejaria Wäls, em Belo Horizonte (aqui)
– Wäls Petroleum: uma verdadeira experiência alcoólica (aqui)
– Uma das melhores do país: Way Double American Pale Ale (aqui)
– Itália: Um conto cervejeiro em Veneza (Winterlude) (aqui)
dezembro 25, 2012 No Comments
De Ribeirão Preto, Invicta

Inaugurada em Ribeirão Preto em no segundo semestre de 2011, e bastante elogiada no meio cervejeiro em 2012, a Cervejaria Invicta surgiu do desejo do mestre cervejeiro Rodrigo Silveira em criar receitas gourmet para apreciadores de boas cervejas. Um dos primeiros lançamentos da casa foi a Indie Rockin’Beer, uma encomenda da banda Velhas Virgens em comemoração aos 25 anos do grupo. Depois vieram mais sete cervejas, todas vendidas em torneira no bar da cervejaria, em Ribeirão Preto (cidade homenageada nos rótulos). Duas destas cervejas começam a ganhar as prateleiras do país em versão garrafa: a Invicta India Black Ale e a Invicta Imperial India Pale Ale.
Com 75 de IBU e 7,5% de graduação alcoólica, a Invicta India Black Ale sugere – através de seu rótulo (que traz a imagem de uma das três locomotivas alemãs Borsig 1912 existentes no país) – uma cerveja forte e, de certa forma, agressiva, mas o conjunto é muito mais comportado do que a expectativa prevê. No aroma, notas de café derivadas do malte tostado e uma interessante remissão a frutas vermelhas. O paladar, por sua vez, dança entre a suavidade do malte torrado (que abre no primeiro toque, e fica por ali) e o amargor dos lúpulos norte-americanos (que não parece chegar a 50 de IBU) resultando em um conjunto agradável (ainda mais para a primeira IBA nacional), ainda que não impressionante.
Já a Invicta Imperial India Pale Ale impressiona, muito embora os 115 de IBU (escala de amargor da cerveja que vai de 0 até 120 – uma Brahma ou Skol, por exemplo, não chegam a 15 de IBU) apontados no rótulo não apareçam no conjunto. A menina dos olhos da cervejaria ribeirão-pretana traz no aroma sua personalidade lupulada que – em meio a nuvens de floral, cítrico e maracujá – não esconde o adocicado do malte de caramelo. No paladar, o malte dá as boas vindas com um interessante adocicado, mas o lúpulo se apresenta rapidamente, de forma leve, com o cítrico acima do amargor. O conjunto baila entre amargor e suave numa cerveja que parece uma versão ruiva (e mais bem, delineada) da India Black Ale. Cuidado com os 8% de álcool… uma paulada.

Tanto a Invicta India Black Ale quanto a Invicta Imperial India Pale Ale podem ser encontradas em empórios com um bom catálogo de cervejas nacionais. Estas duas foram adquiridas a R$ 18 na loja da Mamãe Bebidas, em Belo Horizonte, mas o site do Clube do Malte já está tem as duas em estoque (ao preço de R$ 22 a garrafa de 500 ml). São duas ótimas cervejas de uma cidade que vem se destacando no meio cervejeiro (Ribeirão Preto também é casa da Colorado). Se você estiver pelas redondezas, vale conhecer o bar da Invicta, que fica anexo a fábrica, possui ambiente (externo e interno) com visão para os barris e traz em seu cardápio mais de 40 rótulos de cervejas nacionais e importadas além das feitas pela própria casa.
Invicta India Black Ale
– Produto: Black IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 7%
– Nota: 3,28/5
Invicta Imperial India Pale Ale
– Produto: Imperial Double IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8%
– Nota: 3,36/5

Leia mais:
– Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 20, 2012 No Comments

