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Posts from — dezembro 2019

Dylan com café, dia 86: The 1966 Live

Em 2016, às vésperas de entrarem legalmente em domínio público (como um vasto material anterior), a Columbia Legacy Records colocou nas lojas “The 1966 Live Recordings”, um box com 36 CDs que registram 23 dos 47 shows que Bob Dylan fez em sua turnê mundial daquele ano. Não era qualquer turnê. A turnê mundial de 1966 (precedida pela turnê acústica de 1965 capturada no documentário “Don’t Look Back”) era o rito de passagem do Dylan acústico (no primeiro set) para o Dylan elétrico (no segundo set), e noite após noite uma plateia enfurecida pagava ingressos para xingar Bob e sua banda, a The Hawks, futura The Band.

Dos 36 discos, cinco saíram diretamente de bootlegs gravados em meio ao público, de maneira tosca que só tem serventia como registro. Outros sete discos foram gravados em estéreo com equipamento profissional da gravadora. Há, ainda, dois discos retirados de másters gravadas por uma TV australiana. Os 22 discos “restantes” foram gravados pelo técnico de som de Dylan diretamente da mesa (em mono), para que a banda ouvisse nos dias seguintes ao concerto e avaliasse o caos em que havia se metido, um cenário de guerra que culminou num grito de “Judas!” em Manchester, Inglaterra, disco número 20 do pacote.

Essencialmente, Bob Dylan executa o mesmo repertório toda noite (com variações e trocas de canções conforme a turnê prosseguia), com poucas variações no set, mas interessantes inflexões de silabas aqui e ali, no calor do momento, como ele quisesse destacar algo na letra para aquele público especifico. Item óbvio destinado a Dylanólogos, a melhor dica para encarar esse monumento histórico que é “The 1966 Live Recordings” foi dada pela bacanuda revista Uncut: “Ouça os 36 discos como se estivesse assistindo a uma série de TV, acompanhando o drama do artista episódio por episódio”. É certeiro, pois o Dylan da metade do box para frente está exausto, e vai ficando cada vez mais exausto conforme a turnê se desenrola.

O prenúncio do caos havia sido no festival de Newport, 1965, e apenas se agravou com essa turnê mundial, com Dylan pouco se fodendo para o que desejavam pra ele, mostrando-se muito mais interessado em arriscar e provocar – uma tarefa árdua que culminaria em um acidente pós turnê que o deixaria 8 anos afastado das turnês. O clímax dessa turnê de 1966 é o icônico show em Manchester, onde Dylan é chamado de “Judas” por um fã na plateia, vira-se para a banda e pede: “Toquem fudidamente alto!” (flagra registrado no excelente documentário “No Direction Home”, de Martin Scorsese).

Um dos pontos interessantes de “The 1966 Live Recordings” é perceber que esse clímax, lendário pelas cópias piratas do álbum que circularam durante anos e anos, é antecipado três dias antes em Liverpool, onde em meio a gritos de “traidor” e pedidos de “volte pra casa”, uma voz salta em meio ao zumzumzum: “O que aconteceu com sua consciência?”, e Bob arremata “Oh. Tem um cara lá na plateia procurando o Salvador … ”. Dois dias depois de Manchester, Dylan e banda aportam em Glasgow, e a ira da plateia é tamanha que é difícil não imaginar como não descambou pra violência física. Bob, no entanto, só provoca: “Bob Dylan está nos bastidores. Ele não conseguiu voltar para o segundo set. Ele ficou muito doente – e eu estou aqui para substituí-lo”, sarreia.

Ele ainda tocaria em Edimburgo, Newcastle, Paris (onde confessa “Eu quero sair daqui tanto quanto você…”) e encerraria (precocemente) a turnê com duas noites no Royal Albert Hall, em Londres, com os Beatles e os Stones na plateia. Pacote extenso, a equipe de Dylan destaca os shows de Cardiff e Leicester como dois dos melhores, enquanto o técnico de som que registrou todos os shows, Richard Alderson, sente que Dublin e Liverpool são os destaques.

O set list de 15 canções foi mudando durante a turnê. “To Ramona”, “Gates of Eden” e “Love Minus Zero/No Limit” cederam seus lugares no set acústico para “4th Time Around”, “Visions of Johanna” e “Just Like a Woman”. No set elétrico, “Tombstone Blues”, “From a Buick 6”, “Maggie’s Farm” e “It Ain’t Me Babe” caíram para a entrada de “Tell Me, Momma”, “Baby, Let Me Follow You Down”, “Leopard-Skin Pill-Box Hat” e “One Too Many Mornings”. Para o final, sempre a dobradinha “Ballad of a Thin Man” e “Like a Rolling Stone”.

Uma turnê que se tornou um clássico de Bob Dylan, mas que não seria a única. Isso, no entanto, é assunto para outro café.

Especial Bob Dylan com Café

dezembro 31, 2019   No Comments

Os Melhores de 2019 do Estadão

Pelo sexto ano consecutivo participo da enquete promovida pelo Divirta-se, do jornal O Estado de São Paulo, elencando os três melhores shows internacionais que vi no ano. Esse primeiro ano intenso de paternidade me tirou do páreo de muitos shows nacionais, mas fiquei feliz com a minha listinha gringa (que ainda deixou de fora Weezer, Paul McCartney, Kamasi Washington e Ride, três baita shows) focando em… Patti Smith, Jesus and Mary Chain e Courtney Barnett. Me representa. Lá no Divirta-se você confere os vencedores em todas as categorias.

Leia também:
– Os Melhores de 2018 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2017 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2016 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2016 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2015 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2015 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2014 do Divirta-se (aqui)
– Os Melhores de 2013 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2012 do Guia da Folha (aqui)
– Os Melhores de 2011 do Guia da Folha (aqui)

dezembro 30, 2019   No Comments

Meus mais ouvidos no Spotify

O Spotify não é, de longe, a maneira que mais ouço música – ainda sou fiel aos CDs (muitos deles ausentes do Spotify) e aos MP3 (também com muita coisa que não está na plataforma). Por isso, essa retrospectiva é apenas uma curiosidade. Porque balanço mesmo é o da minha LastFm – ali você pode confiar, pois 99% de tudo que ouço está mapeado ali. Mas fica a curiosidade.

dezembro 8, 2019   No Comments

Top 10 Novembro de 2019 no Scream & Yell

TOP 10 TEXTOS MAIS LIDOS – NOVEMBRO DE 2019
01) Entrevista: Carlinhos Carneiro, por Janaina Azevedo (aqui)
02) Cinema: Coringa, por Otávio Augusto (aqui)
03) Popload Festival 2019, por Renan Guerra (aqui)
04) Patti Smith ao vivo, por Mac (aqui)
05) Jotabê Medeiros e Raul Seixas, por Leo Vinhas (aqui)
06) Livro resgata Gang 90, por Renan Guerra (aqui)
07) Entrevista: Antonio Adolfo, por Bruno Capelas (aqui)
08) A autobiografia de Flea, por Daniel Abreu (aqui)
09) Faixa a Faixa: “Pelada por Esporte”, por Laura Petit (aqui)
10) Virada Sustentável Salvador 2019, por Nelson Oliveira (aqui)

DOWNLOAD
02) Selo Scream & Yell: “Dois Lados”, tributo ao Skank -> 11º link (aqui)
02) Selo Scream & Yell: Tributo a Milton Nascimento -> 20º link (aqui)
03) Selo Scream & Yell: Tributo a Belchior -> 21º link (aqui)

VIA GOOGLE
01) O cinema de Erika Lust (aqui)
02) Três documentários: “Not Alone”, “Residente” e “One of Us’ (aqui)
03) 11 points de cerveja artesanal em Buenos Aires (aqui)

O EDITOR RECOMENDA
01) Entrevista: Henrique Dantas fala de “Dorivando Saravá – O Preto que Virou Mar”, de João Paulo Barreto (aqui)
02) Entrevista: Black Bell Tone, por Guilherme Lage (aqui)
03) Linn da Quebrada ao vivo, por Renan Guerra (aqui)

TOP 10 2019 – (11 meses)
01) Foda-se o Fascismo, diz Jello Biafra (aqui)
02) Melhores de 2018: Top 7 Scream & Yell (aqui)
03) Como foi o Psicodália 2019, por Rafael Donadio (aqui)
04) Lollapalooza Brasil 2019, por Renan Guerra (aqui)
05) Pitty ao vivo em SP, por Bruno Capelas (aqui)
06) Entrevista: Vladimir Safatle e Fabiana Lian, por Renan Guerra (aqui)
07) O cinquentenário de Flávio Bassio, por Leo Vinhas (aqui)
08) Selo Scream & Yell: “Sem Palavras II”, por Leo Vinhas (aqui)
09) Entrevista: Ricardo Alexandre, por Leo Vinhas (aqui)
10) A ironia preguiçosa do Weezer, por Leo Vinhas (aqui)

TOP 10 2019 – (GERAL)
01) Foda-se o Fascismo, diz Jello Biafra  (aqui)
02) Melhores de 2018: Top 7 Scream & Yell  (aqui)
03) Selo Scream & Yell: “Dois Lados”, tributo ao Skank (aqui)
04) Entrevista: Duda Beat, por Renan Guerra (aqui)
05) 11 points de cerveja artesanal em Buenos Aires, por Mac (aqui)
06) Discografia comentada: Paul McCartney, por Wilsera (aqui)
07) Discografia comentada: Bob Dylan, por Gabriel I. (aqui)
08) Três filmes: “Extraordinário”, “Assassinato no Expresso do Oriente” e “Os Meyerowitz”, por Mac (aqui)
09) Selo Scream & Yell: Tributo a Belchior (aqui)
10) Como foi o Psicodália 2019, por Rafael Donadio (aqui)

Confira os textos mais lidos no Scream & Yell nos meses anteriores

dezembro 2, 2019   No Comments