Três cervejas: Way, Basement e Wäls

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A Way Beer, de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, já tem em seu estoque a melhor Pale Ale do país (a Way American Pale Ale, eleita pelo júri do 1º Prêmio Maxim de Cervejas), e decidiu turbinar sua pepita de ouro (com base na receita do projeto da Way 8S, feita por cervejeiros da Wäls, Bodebrown, Coruja e BrewDog mais Joseph Tucker, do RateBeer, e o cervejeiro caseiro belga Jacques Bourdouxhe – mas com lúpulos diferentes: aqui uma junção de Cascade, Citra e Amarillo).

O resultado é uma APA sensacional de aroma fantástico (obtido pelo duplo processo de dry hopping, procedimento em que se adiciona lúpulo já na fase de fermentação e/ou maturação para incrementar o aroma sem aumentar seu amargor) que remete a cítrico – notadamente raspas de limão, maracujá e abacaxi. No paladar, o malte marca presença colocando doses de mel ao lado do cítrico, mas o lúpulo acompanha até o final. Sensacional. Uma das melhores cervejas nacionais.

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A Basement Cervejas Especiais, de Videiras, em Santa Catarina, gosta de provocar o paladar cervejeiro do consumidor. Se a Sweet Stout da casa (Port Royal) remete a vinho, a American Pale Ale dos catarinenses (California Golden Ale) é uma americana bastante exótica. O aroma é uma competição entre frutado, floral e cítrico com o malte também presente (além de algumas notas de mel). O paladar, por sua vez, é bastante maltado com o cítrico remetendo a abacaxi, lima e maracujá, e amargor pronunciado dando as caras desde o primeiro toque na língua e seguindo intenso até o final, marcado por um azedinho cujo rastro é duradouro. Uma cerveja difícil e arisca, mas bem interessante, que tem como grande mérito insistir em uma personalidade que fuja das cópias fiéis que povoam as prateleiras. Eles conseguiram.

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De Curitiba e Santa Catarina para Belo Horizonte, mais precisamente para a cervejaria preferida deste espaço, a Wäls, que em abril deste ano lançou mais um rótulo inspirado nos belgas: a Wäls Witte, uma witbier levíssima que segue a tradição da cerveja de trigo criada por Pierre Celis, responsável pela receita da (nada mais, nada menos que a) Hoegaarden.

Os mineiros seguiram a risca a tradição. O aroma é floral e bastante cítrico, com notas de lima, limão, uva, banana e especiarias condimentadas – a própria Wäls cita pimenta da Jamaica. No paladar, as notas sugeridas pelo aroma se unem em um cítrico intenso, que abre espaço para o lúpulo (mais presente aqui do que em outras do estilo), mas não prejudica a leveza, que surpreende em um conjunto equilibrado que fica no meio do caminho entre o adocicado e o amargo, que deixa um azedinho como rastro no final de média duração. Difícil bater a Hoegaarden, mas a Wäls aparece novamente como uma bela cerveja.

As três cervejas acima podem ser encontradas com facilidade em bons empórios. A Way Double American Pale Ale foi comprada no site curitibano Clube do Malte, por R$ 14,90 (garrafa de 310 ml). Já a California Golden Ale e a Wäls Witte foram adquiridas em uma visita ao Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo, a primeira por R$ 19 (garrafa rolhada de 375 ml), e a segunda por R$ 14 (garrafa de 600 ml)

Way Double American Pale Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,8%
– Nota: 3,87/5

California Golden Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 2,93/5

Wäls Witte
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,77/5

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Leia também:
– Wäls Petroleum: uma verdadeira experiência alcoólica (aqui)
– Port Royal Sweet Stout parece seguir tradição vinícola (aqui)
– Cinco cervejas da curitibana Way Beer (aqui)
– Uma manhã na cervejaria Wäls, por Marcelo Costa (aqui)
– Wäls Quadruppel, uma cerveja excepcional, por Mac (aqui)
– Ranking Pessoal -> Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

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