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Tim Festival: Gogol Bordello, National e MGMT


Foto: Divulgação / Tim Festival

Na quarta noite do Tim Festival em São Paulo (sexta, 24), a Arena montada no Parque do Ibirapuera recebeu DJs para o palco Tim Festa. E foi mais ou menos isso que aconteceu em duas das apresentações. O norte-americano Dan Deacon chegou quebrando tudo e colocando todo o som do palco no último volume. Ouvidos foram desvirginados nas três primeiras músicas com o som alcançando decibéis mais altos dos que os que o My Bloody Valentine vem executando em sua recente turnê.

Como apenas barulho não basta para garantir uma boa apresentação, Dan Deacon abaixou o som, desceu para a pista e ali, no meio da galera, montou uma quadrilha eletrônica que alternava momentos que lembravam tanto Four Tet quanto Nine Inch Nails enquanto os presentes faziam brincadeiras, um perfeito aquecimento para o que viria a seguir. O punk cigano de Gogol Bordello foi recebido com histeria – merecidissima – pela platéia paulistana.

Liderados pelo vocalista e ator Eugene Hutz (foto), o grupo promoveu um baile punk com dançarinas vestidas com top do Santos Futebol Clube, guitarras metalizadas, bateria hardcore, acordeon, violino e muito vinho. O som parece uma porrada de carros entre o pessoal do Pogues com a turma de Henry Rollins. Em vários momentos é possível reconhecer passagens do Clash, mas a grande referência é o Mano Negra, que por sinal foi homenageado na última canção do show, “Mala Vida”, simplesmente sensacional. Um dos shows do ano.

  

Fotos: S&Y/Marcelo Costa (http://www.flickr.com/photos/maccosta/)

No sábado de manhã, a provável última oportunidade para ver a lenda Sonny Rollins ao vivo no Brasil. Após o elogiado desempenho no Auditório do Ibirapuera, na terça-feira, um dos últimos remanescentes da época de ouro do jazz retornou ao local, mas desta vez para se apresentar virado para o parque, ao ar livre. Um sol forte castigava a pele paulistana enquanto meninas tentavam pegar um bronzeado de biquíni e homens buscavam cerveja. O show foi arrebatador, mas a constante movimentação do público e as conversas paralelas atrapalharam a audição, principalmente em números mais lentos.

  

Fotos: S&Y/Liliane Callegari (http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/)

À noite, encerramento da edição paulista. Comandados por Matt Berninger, o National fez uma apresentação absolutamente perfeita na Arena. O show foi um repeteco das apresentações que vi no Rock Werchter 2008 e no FIB, com a vantagem de que no Brasil o grupo se apresentou à noite, e não no meio de uma tarde européia com sol a pino e tenda abafada. O som atmosférico, às vezes gélido e quase sempre épico, do grupo de Nova York pede a escuridão como complemento como se precisasse dela para dançar apaixonado entre sorrisos e lágrimas.

Não à toa, Matt trava durante todo o show um duelo contra o microfone. Ele agarra o objeto de uma forma que lembra muito Beth Gibbons, do Portishead, e solta sua voz forte que corta a atmosfera como se fosse um machado. Há resquícios de Joy Division, Leonard Cohen e Nick Cave, mas o parente mais próximo é a elegância do Tindersticks. O repertório alterna grandes momentos dos dois últimos álbuns como “Start a War” e os quase hinos “Secret Meeting”, “Baby, We’ll Be Fine”, “Squalor Victoria”, “Mistaken for Strangers”, “Apartment Story”, “Fake Empire” e “Mr. November”.

Para o final da apresentação, valorizando o duo de metais que deu um colorido especial ao show, um presente para o público paulista (e brasileiro) que não foi dado aos belgas e espanhóis: “About Today”, do raro EP “Cherry Tree”, em versão jam session dedicada a um fã brasileiro. Extremamente soltos no palco, os músicos levaram a canção ao ápice instrumental para estilhaçá-la em barulho na frente de todos. Após entregar a garrafa de vinho que bebia (e set list, e autógrafos, e toalhas) para uma fã na frente do palco, Matt deixou o local aclamado pela audiência. Show inesquecível.

Foto: S&Y/Liliane Callegari (http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/)

O mesmo não pode ser dito do MGMT. Ao vivo, a veia eletrônica da dupla Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden foi trocada por psicodelia progressiva setentista em formato banda (acompanhados por James Richardson na guitarra, Matthew Asti no baixo e Will Berman na bateria). Longos solos de guitarra marcaram a apresentação, que poderia ter feito bonito no Monterey Festival 67. O timbre vocal de Ben Goldwasser lembra em alguns momentos o de Geddy Lee, do Rush, enquanto a tecladeira emulava ícones prog numa mistura estranha e cansativa.

Metade do público vibrava enquanto a outra bocejava. Nem o cirquinho armado no começo do show – que culminou no julgamento e enforcamento de três bichinhos de pelúcia – serviu para aproximar o quinteto do público. O cenário mudou radicalmente nas duas últimas canções, os hits “Time To Pretend” (tocado com banda, mas de forma econômica e muito parecida com a original) e “Kids” (sem banda, com playback instrumental, programação e um solo metaleiro no final). Serviu para mostrar que a banda poderia ter feito um bom show, mas não fez.

Amargando o descaso do público, que aumentou nesta última noite, mas faltou nas anteriores, o Tim 2008 mostra que preços altos e artistas pouco conhecidos não garantem um festival. Mais: bons shows como os de Klaxons, Gogol e National mereciam um público maior, mas após três anos de desorganização em São Paulo, a grife Tim viu o público abandonar o evento. Pena. A produção melhorou: a tenda montada no Ibirapuera funcionou (embora na última noite, com um público maior, houvesse filas imensas no banheiro) e o som estava ok. Resta à produção manter os acertos de 2008 e repensar a proposta para 2009 para voltar a ser o melhor festival do país. O público agradece.

Leia também:

- Tim 2008: Punk rave do Klaxon vs tristeza de Marcelo Camelo (aqui)
- Tim 2008: Kanye West faz “showzinho” (aqui)
- Tim 2007: Björk brilha no fraco Tim Festival SP 2007 (aqui)
- Tim 2006: Patti Smith, Devendra, Yeah Yeah Yeahs (aqui)
- Tim 2006: Beastie Boys são aclamados no Tim Curitiba (aqui)
- Tim 2005: Strokes, Costello e Television (Weezer e Mercury Rev) (aqui)
- Tim 2004: Libertines e Brian Wilson (PJ Harvey e Morrissey) (aqui)
- Tim 2003: White Stripes, Los Hermanos e Beth Gibbons (aqui)

10 comentários

1 felipe { 10.26.08 at 4:59 pm }

national foi o show do ano, fácil, nem animal collective ou spoon vão bater!

agora, mgmt tem A música do ano, electric feel, pra mim um dos dois pontos altos do show.

2 Rodrigo { 10.26.08 at 9:45 pm }

The National fez valer cada centavo do ingresso. E nem se compara a edição deste ano (ao menos comparado ao que vi ontem) com a de 2007, 2006 e 2005 (o Arcade Fire sim, mereceria o som com a potência que o Time to Pretend/Kids/Eletric Feel - tbm conhecido como MGMT - recebeu).

3 jw { 10.27.08 at 3:58 pm }

quanto tempo até algum fã do mgmt querer te crucificar lá na comunidade deles? heheh

4 Mac { 10.27.08 at 4:06 pm }

Felipe, o Bob Dylan me pegou de jeito naquele show, então o National entra em segundo, o que já é sensacional.

Rodrigo, concordo contigo.

E JW, hehe, eles com certeza vão ser bem menos que os fãs do Capital Inicial e do Coldplay. :)

5 Rick { 11.03.08 at 9:50 am }

Nao sei pq as pessoas insistem em dizer que o MGMT é o novo eletronico. No proprio disco da pra sentir influencia rock setentista… agora vem me dizer que o show nao foi bom por causa dos solos de guitarras, das levada prog…

Tenha santa paciencia né, só vcs não viram isso antes

6 Mac { 11.03.08 at 11:43 am }

Rick, não sei em que lugar você viu o show, mas em São Paulo mais da metade do público só vibrou no número final, eletrônico. Será que eles sabiam? No entanto, é bacana você ter gostado. Só não ache que todos tem que ter a mesma opinião que você. Pra mim o show foi uma porcaria. De repente você pode ter achado o show do National ruim. Cada um, cada um.

Abraço

7 cuper { 11.12.08 at 12:31 am }

cara, não li tudo sobre os shows. apenas do MGMT pois vi que tu tem a mesma opinião que a minha. que show chato. putaquepariu. enfim. national foi bem bem interessante.

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