Radiohead e Iggy Pop em DVDs baratinhos…

“Iggy Pop & The Stooges – Escaped Maniacs” e “Radiohead – Live in Germany” foram lançados no Brasil sem muito alarde, e merecem uma olhada com calma. O DVD que flagra Iggy Pop ao lado dos irmãos Asheton foi registrado ao vivo no Festival de Lokerse, na Bélgica, em 2005, e é um repeteco da apresentação do grupo no Claro Que é Rock. Além da performance arrasadora (imagem ótima), o pacote traz o áudio do show em CD e nos extras do DVD uma entrevista de mais de uma hora com Iggy, que cita Marshall Mcluhan e impressiona pela honestidade e inteligência. Comprei no centro de São Paulo por… R$ 9,90. Foi lançado no país por uma tal de Etc e merece atenção. Dei um google e achei ele por R$ 11,69 na Casa e Vídeo (aqui).
Já o “Radiohead – Live in Germany” foi dica do Felipe, que lê o Scream e queria saber qual a procedência do material. Trata-se do show no Rock Am Ring Festival, na Alemanha, em 01/06/2001. Na gringa ele foi lançado pelo selo Immortal (provavelmente sem autorização da banda) e a qualidade da imagem é mediana. Dá para perceber claramente que o show foi transmitido por alguma rede de televisão, e os caras prensaram. O áudio é ótimo (a banda está matadora no palco), e a imagem é a de um telão de festival: os closes nos solos dos instrumentistas e mesmo em Thom Yorke são ok, mas quando a imagem pega todo o local onde o show foi realizado, fica tudo meio embaçado. Foi lançado no Brasil pela Top Tape, que também já lançou um do U2 e um dos Smiths na mesma linha. O do Radiohead está R$ 9,90 na Americanas.com (aqui).
maio 4, 2009 Encha o copo
Blur anuncia line-up do show no Hyde Park
O Blur anunciou as bandas que vão abrir seus dois shows de volta no Hyde Park, em Londres, dias 02 e 03/07. Na quinta, quem esquenta a audiência para o grupo de Graham Coxon e Damon Albarn são Foals, Crystal Castles, Friendly Fires e Hypnotic Brass Ensemble. Na sexta sobem ao palco Vampire Weekend, Amadou & Mariam, Florence And The Machine e Deerhoof. Queria muito ir na noite de sexta, mas já está esgotada. Então… garanti a de quinta. A viagem, agora, parece que tomou rumo mesmo.
A primeira semana será toda centrada em Londres (da chegada, no domingo, até a outra sexta). Na sexta partimos para Paris, para deixar as malas em um hotel, e vamos de trem cedinho no sábado para Leuven passar o dia no Rock Werchter 2009 (com Nick Cave and The Bad Seeds, Franz Ferdinand, Mogwai, Yeah Yeah Yeahs, Kings of Leon, Regina Spektor, Grace Jones, Kate Perry, Social Distortion e 2Many Djs). Dormimos por lá, passamos o dia em Leuven e voltamos no domingo mesmo para uma semana de Paris (com direito a Leonard Cohen no dia 07/07).
Na sexta seguinte partimos para Brugges, a cidadezinha medieval mais bem conservada da Europa, para o Cactus Festival com Calexico, Cold War Kids, The Gutter Twins, Magic Numbers, !!!, Joss Stone, Lamb e Paul Weller (tiquetes comprados). Na segunda, uma passagem rápida por Bruxelas e vôo para Berlim e de lá para Roma, Milão, Turim e Genova. A parte italiana ainda precisa ser acertada por um motivo especial: Bruce Springsteen toca em Roma no dia 19/07 e em Turim no dia 21/07. Vou deixar a Lili fazer o roteiro, afinal ela é a italiana da casa.
Após a Itália teremos seis (ou sete) dias de Espanha entre Barcelona e Madri. Então Lili volta para o Brasil e eu parto para o leste europeu com passadas rápidas em Budapeste, Viena e Praga. Se tudo seguir como planejado, volto para o Brasil de Amsterdã. Ainda não temos nenhum hotel reservado, nem vôo interno comprado, mas olhei agora e encontrei opções bacanas no Homelidays e alguns vôos internos com preços bem camaradas. Quero ver se adianto boa parte dessas coisas neste fim de semana. Dedos cruzados e lá vamos nós. Resumidamente, a viagem está 90% fechada assim:
27/06 – São Paulo / Londres
28/06 – Londres
29/06 – Londres
30/06 – Londres
01/07 – Londres
02/07 – Londres (Blur)
03/07 – Londres / Leuven
04/07 – Leuven (Rock Werchter)
05/07 – Leuven / Paris
06/07 – Paris
07/07 – Paris (Leonard Cohen)
08/07 – Paris
09/07 – Paris
10/07 – Paris
11/07 – Paris / Bruges (Cactus Festival)
12/07 – Bruges (Cactus Festival)
13/07 – Bruxelas / Berlim
14/07 – Berlim
15/07 – Berlim
16/07 – Roma
17/07 – Roma
18/07 – Roma
19/07 – Milão
20/07 – Milão
21/07 – Turim (Bruce Springsteen)
22/07 – Genova
23/07 – Barcelona
24/07 – Barcelona
25/07 – Barcelona
26/07 – Madri
27/07 – Madri
28/07 – Madri
29/07 – Budapeste
30/07 – Budapeste
31/07 – Budapeste
01/08 – Viena
02/08 – Viena
03/08 – Viena
04/08 – Praga
05/08 – Praga
06/08 – Praga
07/08 – Amsterdã
08/08 – Amsterdã
abril 25, 2009 Encha o copo
Você já se apaixonou por um disco?

Não estranhe: você pode já ter lido isso…
Eu sou um cara passional, fudidamente passional. Em música, então, nem se fale. Tenho CDs de bandas que desgosto teoricamente, mas servem para matar o tempo (todos vocês sabem que na prática, a teoria é outra, certo) entre uma taça de vinho, uma noite mal-dormida e a eterna vontade de mandar as obrigações para o espaço. Entretenimento, manja? Bem, tudo vai por água abaixo quando me apaixono por um disco. Apaixonar-se por um disco, hoje em dia, é algo tão raro quanto encontrar uma nota de R$ 10 perdida na rua. E o melhor é que, ao contrário da analogia, você não fica pensando no azarado que perdeu a grana: você apenas sorri, aperta o repeat e flutua em sua órbita pessoal. Todas essas bobagens que eu disse (e que dariam para encher um caminhão, segundo Nei Lisboa) estão ancoradas em apenas um motivo: eu estou apaixonado por um disco. Não é um disco novo, destes que você vai esbarrar nas bancas de jornais, nem na capa da NME. É um disco de 2000, que não foi lançado no Brasil, que não lembro de ter ganhado muito destaque naquele ano e que passou totalmente desapercebido para mim. Lembro que, quase dois anos atrás, vi um show deles, aqui em São Paulo, sentado na primeira fila do teatro do Sesc Vila Mariana. A apresentação foi belíssima, com um toque inesquecível que, naqueles dias estranhos, não conseguiu ser totalmente decifrada pelo meu coração, eternamente atropelado pelo mundo moderno. O cara, loirinho, fazia piadas a todo o momento, contrastando com a melancolia de sua voz… e das músicas. A garota, morena, alternava-se entre o baixo, um harmonium e o microfone, enquanto um guitarrista japonês soltava riffs abafados que flutuavam pelo ar como fumaça de cigarro sob uma névoa de luzes. O loirinho atende pelo nome de Damon Krukowski. A garota se chama Naomi Yang. Juntos, eles formam o Damon & Naomi. Michio Kurihara, guitarrista do grupo Ghost, estava excursionando com o duo, que mostrava canções do álbum singelamente chamado Damon & Naomi With Ghost. Lançado em 2000 pela Sub Pop, Damon & Naomi With Ghost é de uma beleza rara na música pop. A melancolia transborda das caixas de som, sem resvalar um momento que seja na pieguice. The Mirror Phase, a faixa que abre o disco, é de uma covardia atroz. Como é que esses caras fazem uma música dessas e o mundo não derrete como flocos de neve nas calçadas de Ipanema? O melhor momento de guitarras surge na longa Tanka, com um crescendo mortífero. E tem cover do Big Star (a baladinha Blue Moon, do cultuado Third/Sister Lovers). E tem uma belíssima capa. E tem a vantagem de ser atemporal. Foi gravado quatro anos atrás, mas poderia ter sido ontem. Ou amanhã. O tempo não importa. O que importa é a música. Eu já devo ter te perguntado isso, caro leitor, mas não custa nada perguntar de novo: você já se apaixonou por um disco?
Texto postado na versão 1.0 deste blog quatro anos atrás
Leia mais:
– Damon & Naomi With Ghost em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
– “Within These Walls”, Damon and Naomi, por Marcelo Costa (aqui)
abril 6, 2009 Encha o copo
Os três primeiros do Radiohead remasterizados
…acabam de chegar aqui em casa.
Só uma palavra: foda!

Então, os três primeiros foram relançados na Inglaterra dia 23 do mês passado em duas versões de edições de luxo: uma com dois CDs e outra dois CDs e um DVD. Eu peguei essa segunda edição. O primeiro CD é o normal, o segundo compila b-sides e raridades e o DVD tarz várias coisas ao vivo. Pelo que olhei na descrição, tem aquele Live At Astoria inteiro e mais coisas no Jools, no top of The Pops e em outras TVs. Além disso tudo, cada CD traz cards com as réplicas da capa de cada single. O tracking list:
Pablo Honey [COLLECTOR’S EDITION- 2 CDs + DVD]
Disc: 1
1. You
2. Creep
3. How Do You?
4. Stop Whispering
5. Thinking About You
6. Anyone Can Play Guitar
7. Ripcord
8. Vegetable
9. Prove Yourself
10. I Can’t
11. Lurgee
12. Blow Out
Disc: 2
1. Prove Yourself (Demo) [Drill EP]
2. Stupid Car (Demo) [Drill EP]
3. You (Demo) [Drill EP]
4. Thinking About You (Demo) [Drill EP]
5. Inside My Head [Creep]
6. Million Dollar Question [Creep]
7. Yes I Am [Creep]
8. Blow Out (Remix) [Creep]
9. Inside My Head (Live) [Creep]
10. Creep (Acoustic) [Creep]
11. Vegetable (Live) [Creep]
12. Killer Cars (Live) [Creep]
13. Faithless, The Wonderboy [Anyone Can Play Guitar]
14. Coke Babies [Anyone Can Play Guitar]
15. Pop Is Dead [Pop Is Dead]
16. Banana Co. (Acoustic) [Pop Is Dead]
17. Ripchord (Live) [Pop Is Dead]
18. Stop Whispering (US Version) [Stop Whispering]
19. Prove Yourself (Stop Whispering) [BBC Radio One Session (06/22/92)]
20. Creep (Stop Whispering) [BBC Radio One Session (06/22/92)]
21. I Can’t (Stop Whispering) [BBC Radio One Session (06/22/92)]
22. Nothing Touches Me [BBC Radio One Session (06/22/92)]
DVD Disc:
1. Creep [Promo video]
2. Anyone Can Play Guitar [Promo video]
3. Pop Is Dead [Promo video]
4. Stop Whispering [Promo video]
5. Creep [Top Of The Pops (09/16/93)]
6. You [The Astoria, London Live (05/27/94)]
7. Ripcord [The Astoria, London Live (05/27/94)]
8. Creep [The Astoria, London Live (05/27/94)]
9. Prove Yourself [The Astoria, London Live (05/27/94)]
10. Vegetable [The Astoria, London Live (05/27/94)]
11. Stop Whispering [The Astoria, London Live (05/27/94)]
12. Anyone Can Play Guitar [The Astoria, London Live (05/27/94)]
13. Pop Is Dead [The Astoria, London Live (05/27/94)]
14. Blow Out [The Astoria, London Live (05/27/94)]
The Bends [COLLECTOR’S EDITION- 2 CDs + DVD]
Disc: 1
1. Planet Telex
2. The Bends
3. High And Dry
4. Fake Plastic Trees
5. Bones
6. (Nice Dream)
7. Just
8. My Iron Lung
9. Bullet Proof… I Wish I Was
10. Black Star
11. Sulk
12. Street Spirit (Fade Out)
Disc: 2
1. The Trickster [My Iron Lung]
2. Punchdrunk Lovesick Singalong [My Iron Lung]
3. Lozenge Of Love [My Iron Lung]
4. Lewis (Mistreated) [My Iron Lung]
5. Permanent Daylight [My Iron Lung]
6. You Never Wash Up After Yourself [My Iron Lung]
7. Maquiladora [High And Dry/Planet Telex]
8. Killer Cars [High And Dry/Planet Telex]
9. India Rubber [Fake Plastic Trees]
10. How Can You Be Sure? [Fake Plastic Trees]
11. Talk Show Host [Street Spirit (Fade Out)]
12. Bishop’s Robes [Street Spirit (Fade Out)]
13. Banana Co. [Street Spirit (Fade Out)]
14. Molasses [Street Spirit (Fade Out)]
15. Just [BBC Radio One Session (04/14/94)]
16. Maquiladora [BBC Radio One Session (04/14/94)]
17. Street Spirit (Fade Out) [BBC Radio One Session (04/14/94)]
18. Bones [BBC Radio One Session (04/14/94)]
DVD Disc:
1. High And Dry (UK Version) [Promo Video]
2. High And Dry (US Version) [Promo Video]
3. Fake Plastic Trees [Promo Video]
4. Just [Promo Video]
5. Street Spirit (Fade Out) [Promo Video]
6. Bones [The Astoria, London Live (5/27/94)]
7. Black Star [The Astoria, London Live (5/27/94)]
8. The Bends [The Astoria, London Live (5/27/94)]
9. My Iron Lung [The Astoria, London Live (5/27/94)]
10. Maquiladora [The Astoria, London Live (5/27/94)]
11. Fake Plastic Trees [The Astoria, London Live (5/27/94)]
12. Just [The Astoria, London Live (5/27/94)]
13. Street Spirit (Fade Out) [The Astoria, London Live (5/27/94)]
14. My Iron Lung [2 Meter Session, Holland (02/27/95)]
15. High And Dry [2 Meter Session, Holland (02/27/95)]
16. Fake Plastic Trees [2 Meter Session, Holland (02/27/95)]
17. Street Spirit (Fade Out) [2 Meter Session, Holland (02/27/95)]
18. The Bends [Later With Jools Holland (05/27/95)]
19. High And Dry [Later With Jools Holland (05/27/95)]
20. High And Dry (03/09/95) [Top Of The Pops]
21. Fake Plastic Trees (06/01/95) [Top Of The Pops]
22. Street Spirit (Fade Out) (02/01/96) [Top Of The Pops]
OK Computer [COLLECTOR’S EDITION- 2 CDs + DVD]
Disc: 1
1. Airbag
2. Paranoid Android
3. Subterranean Homesick Alien
4. Exit Music (For A Film)
5. Let Down
6. Karma Police
7. Fitter Happier
8. Electioneering
9. Climbing Up The Walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist
Disc: 2
1. Polyethylene (Parts 1 & 2) [Paranoid Android]
2. Pearly* [Paranoid Android]
3. A Reminder [Paranoid Android]
4. Melatonin [Paranoid Android]
5. Meeting In The Aisle [Karma Police]
6. Lull [Karma Police]
7. Climbing Up The Walls (Zero 7 Mix) [Karma Police]
8. Climbing Up The Walls (Fila Brazillia Mix) [Karma Police]
9. Palo Alto [No Surprises]
10. How I Made My Millions [No Surprises]
11. Airbag (Live In Berlin) [No Surprises]
12. Lucky (Live In Florence) [No Surprises]
13. No Surprises [BBC Radio One Evening Session (05/28/97)]
14. Climbing Up The Walls [BBC Radio One Evening Session (05/28/97)]
15. Exit Music (For A Film) [BBC Radio One Evening Session (05/28/97)]
DVD Disc:
1. Paranoid Android [Promo Video]
2. Karma Police [Promo Video]
3. No Surprises [Promo Video]
4. Paranoid Android [Later With Jools Holland (05/31/97)]
5. No Surprises [Later With Jools Holland (05/31/97)]
6. Airbag [Later With Jools Holland (05/31/97)]
abril 2, 2009 Encha o copo
Remexendo textos antigos
Teoria de Alison
por Miguel F. Luna
“Oh, it’s so funny to be seeing you after so long, girl.
And with the way you look
I understand that you are not impressed.”
Essas são as três primeiras frases de “Alison”, canção de Elvis Costelo, clássico absoluto. E é a canção que empresta som, palavras e sentimento para esse texto, ou melhor, teoria. Essas frases já são uma pista mas o que vem a ser a Teoria de Alison? Bem, a teoria de Alison é uma equação muito simples:
{É só juntar um cara legal, uma garota bacana, platonismo à vontade, alguns itens da Lei de Murphy, e, às vezes, um relacionamento quase perfeito acontece. Quase perfeito. Aí é só bater no liqüidificador e beber o resto da vida entre silêncios e sonhos}
Alisons são aquelas garotas que marcam a vida da gente e que a gente não consegue esquecer com o tempo, ao contrário, elas nos tomam cada vez mais, como se só existissem elas no mundo. Sei que não existem apenas elas, mas isso é inexplicável, acontece. E acontece a ponto de as tornarem as maiores adversárias de novos relacionamentos, embora nem estejam mais ali, talvez apenas como fantasmas, mas nós acabamos sempre as querendo. É diferente de flertes corriqueiros e inconseqüentes e é sacrifício até manter a amizade depois que a história chega ao fim, ou melhor, quase início.
Ela pode ser qualquer garota, como a vizinha, uma colega de classe, a amiga de um conhecido, a irmã de uma amiga, a namorada do melhor amigo, uma prima, qualquer uma. Parece piada, mas acredite, não é. Acontece. Quem tem uma Alison tem também uma porção de histórias tragicômicas para contar. Eu mesmo tenho um monte e daria para escrever um livro só contando minhas mancadas.
Cada um deve ter a sua Alison. Eu tenho a minha, bonita, inteligente, frases iniciadas por um e finalizada por outro, quase beijos, e por fim, silêncios. Tá, ela me envia emails vez em quando. Mas já não está sozinha, o que a torna ainda mais impossível. Mas é a minha Alison, vou fazer o que? Não escolhi. Ela me apareceu do nada, numa tarde de julho a quase 800 km da minha casa (acho que fui eu que apareci) e, bem, ela vai se casar em setembro e eu não quero ser muito sentimental (como canta Costelo) mas a vida segue, cada um na sua, e geralmente Alisons nos trazem tristeza. É a sina. Eu só sei que ela não é minha.
Isso é o fim ? Não, como eu disse, a vida segue. Apenas segue mais arrastada. Isso tudo não impede da gente encontrar alguém e se apaixonar e tal. Eu já me apaixonei mas não foi lá grande coisa, nem por culpa da paixão mas por culpa da Alison. Mesmo assim acredito que a minha garota está andando por aí e qualquer dia eu a encontro. Acredito. Mas Alison é Alison, a gente bebe a vida inteira dessa chuva. E desde então parece que tem chovido sempre. Sempre.
“Alison, my aim is true. My aim is true.”
Miguel F. Luna, 25, é cercado por fantasmas e escreve sobre silêncios.
Reflexões Alisônicas
Por Miguel F. Luna
É meio de semana, quarta-feira de um mês de junho friorento que já derrubou um punhado de amigos meus, com gripe. No som, Yo La Tengo novo, lindo lindo e… lindo. Mesmo assim, e sem ouvir, a canção dos últimos dias tem sido Alison, do Elvis Costelo…
Não, ela não ligou, não mandou e-mail e nem apareceu na porta de casa vestida em um paletó de couro sobre um pijama de bolinhas. O que me fez cantar “my aim is true” em pensamento todos esses dias foram a porção inimaginável de cartas e emails que recebi, de gente elogiando a teoria (publicada na edição anterior), o texto, a canção, tudo. É muito legal ter um feedback desses, principalmente na passionalidade que o texto passava. Mas, saibam, fiquei preocupado.
Preocupado pois sei que por trás dos elogios existem uma porção de pessoas vivendo situações terrivelmente alisônicas, cujo sintoma maior é a perda de alguém que a gente julga “a pessoa certa” para nós. Por isso, vivemos a margem, romances incompletos. Não é legal, mesmo. A não ser que você nutra alguma chance de retorno, ai vale. Caso contrário, é tragédia grega.
No meu caso particular, exemplificando, Vitória é uma cidade proibida. Não piso lá nem que alguém diga que Ian Curtis ressuscitou para um único show com a formação original do Joy Division em que ele vai cantar Atmosphere. Nem. Então, bola pra frente, certo. Certo?
Errado. Não consigo me apaixonar e acho que a garota que eu tava paquerando, e que eu queria que se apaixonasse por mim, se achou carta fora do baralho, por esse papo de Alison, e desistiu. Não é legal isso. Nem um pouco.
Não é legal ter uma Alison. É legal ter uma Ana (”She’s my fave, undressing in the sun”), é legar ter uma Sweet Jane (”Cause life is just die, but, anyone who has a heart wouldn’t want to turn around and break it”), é legal até ter uma Metal Baby (”My Metal Baby, made me take her to the heavy metal show”) ou uma Lump (”Lump lingered last in line for brains and the one she ot was sort rotten and insane”). Alisons só dão dor de cabeça. E corações partidos.
*****
Garotas perguntam: uma menina pode ter um Alison? É claro. Infelizmente vocês não estão livre. Nem os gays, nem os negros, nem os japoneses, nem os marcianos, nem os personagens de Woody Allen e muito menos Spit, personagem principal do romance rock and roll Clube dos Corações Solitários, de André Takeda, se salvam.
*****
Garotas continuam perguntando: é possível ter dois Alisons? Com muito azar, sim.
*****
Teorizando em nível rasteiro: talvez Alisons sejam Copas do Mundo perdidas como as de 50 e a de 82. Permanecem mais que conquistas como a de 94…
*****
Alguém cantou baixinho no meu ouvido:
“as brigas que eu ganhei, nenhum troféu como lembrança pra casa eu levei.
as brigas que eu perdi, essas sim, eu nunca esqueci, eu nunca esqueci…”
*****
Enriquecendo o repertório de Alisons:
“Alison Road”, dos americanos do Gin Blossoms, foi a canção de fundo desse texto.
“I’ve lost my mind on what i’d find, and all of the pressure that I left behind on Alisson Road.
Now I can’t hide so why not drive I know I want to love her but I can’t decide on Alisson Road
Dark clouds file in when the moon in near birds fly by a.m. in her bedroom stare
there was no tellin what I might find I couldnt, see I was lost at the time…
Yeah, I didn’t know I was lost at the time on Alisson Road”
Miguel, 26, sabe tanto de Alisons quanto falar francês, ou seja, nada…
Nota do Editor: a Teoria de Alison foi publicada pela primeira vez na versão on paper do Scream & Yell, em março de 2000. Foi um dos textos mais comentados da edição, rendendo muitas cartas e comentários ao autor, que ainda preparou um segundo texto, que estaria no número 7 do Scream & Yell On Paper, mas acabou sendo publicado na versão on line, na estréia do site, chamado “Reflexões Alisônicas”.
março 29, 2009 Encha o copo
U2 em Paris ou Berlim?
Então, na verdade não é uma escolha. O U2 havia anunciado três datas para Paris (16, 17 e 18 de julho) que esgotaram num piscar de olhos. Duas datas extras foram abertas e os ingressos começaram a ser vendidos hoje às 9h30 (horário da França, 5h30 horário de Brasília). Às 5h20, os dois sites já estavam congestionados. Às 6h, a data do dia 11 já estava esgotada. A do dia 12 já sumiu de um dos sites. No outro está disponível, mas dá erro na hora em que se seleciona o ticket. Enquanto isso, a data de Berlim, dia 19 de julho, está aberta e facinha pra comprar, mas vai dar uma trabalheira mexer no roteiro… continuo tentando Paris… vamos ver.
março 27, 2009 Encha o copo
A moderna música brasileira
Quarta-feira, quase 20h. Em um taxi que cruza a Consolação em direção ao Shopping Higienópolis, o motorista liga o rádio. O locutor apresenta o bordão da FM – ”Nova Brasil FM, a moderna música brasileira” – e solta, na sequência, “Os Outros”, do segundo disco do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, de 1985. Em seguida, uma do Djavan tão ruim que não vale nem a comparação com outras do artista (também poderia ser Jorge Vercilo, não consegui identificar). Depois, “Me Liga”, do segundo disco dos Paralamas do Sucesso, de 1984. Para fechar esse set “muderno”, uma do acústico MTV da Cássia Eller, de 2001. Não precisa muito para explicar o cenário desolador da música mainstream brasileira. Basta sintonizar uma rádio FM e ver como eles pararam no tempo e estão matando a música. Alguém devia processar uma rádio dessas por falsidade ideológica e crime culposo.
março 26, 2009 Encha o copo
U2 e Leonard Cohen em Paris

Como os festivais europeus não estão lá grande coisa este ano, começo a coçar as mãos pelas apresentações solo de alguns medalhões. Tipo o Leonard Cohen, que segundo um link que o Carlos me passou e o mailing da GDP Produções, baixa na França para três shows nos dias 06/07 (Nantes), 07/07 (Paris) e 09/07 (Toulouse). Cohen também confirmou Liverpool (14/07) e deve anunciar mais sete datas nos próximos dias, porém Paris me chama, ainda mais que o U2 baixa na cidade nos dias 11 e 12/07 com abertura do Snow Patrol. Estou muito tentado. Só comprei, por enquanto, a terceira noite do Werchter, que tem Nick Cave and The Bad Seeds, Franz Ferdinand, Mogwai e Yeah Yeah Yeahs confirmados (entre outros). Na fila, Blur no Hyde Park (que espero comprar ainda esta semana) e Bruce Springsteen em Turim ou Roma (quando eu descobrir um site italiano que mostra o mapa dos assentos). Vou te dizer: Benicàssim está quase rodando.
Ps de atualização: comprei Leonard Cohen em Paris, dia 07/07
Abaixo, um rascunho do provável roteiro com as novas mudanças:
28/06 – Londres
29/06 – Londres
30/06 – Londres
31/06 – Londres
01/07 – Londres
02/07 – Londres (Blur)
03/07 – Londres / Bruxelas
04/07 – Leuven (Rock Werchter)
05/07 – Bruxelas / Bruges
06/07 – Bruges
07/07 – Bruges / Paris (Leonard Cohen)
08/07 – Paris
09/07 – Paris
10/07 – Paris
11/07 – Paris (U2 / Snow Patrol)
12/07 – Paris (U2 / Snow Patrol)
13/07 – Paris / Barcelona
14/07 – Barcelona
15/07 – Barcelona
16/07 – Barcelona
17/07 – Madri
18/07 – Madri
19/07 – Madri
20/07 – Milão
21/07 – Turim (Bruce Springsteen)
22/07 – Genova
23/07 – Roma
24/07 – Roma
25/07 – Roma
26/07 – Berlim
27/07 – Berlim
28/07 – Berlim
29/07 – Aachen
30/07 – Aachen
31/07 – Budapeste
01/08 – Budapeste
02/08 – Budapeste
03/08 – Praga
04/08 – Praga
05/08 – Praga
06/08 – Amsterdã
07/08 – Amsterdã
08/08 – Amsterdã
março 24, 2009 Encha o copo
Amorica 6 x 2 Anorak

Debaixo de uma clássica garoa paulistana, o Amorica bateu o Anorak pelo placar de 6 x 2 em uma batalha campal que deixou muitos feridos (dois durante o jogo, e o restante depois, mais precisamente no dia seguinte). O melhor jogador da peleja foi Sérgio Martins, que faltou, por isso não teve seu futebol avaliado. O restante, bem, foi divertido. Mac (olha eu falando em terceira pessoa) foi o artilheiro com três gols (e cumpriu o prometido deixando dois nas redes de Regis Tadeu). Osório e Cirilo anotaram dois, e podia ter sido mais se os goleiros Murilo e Regis não honrassem a camisa número 1 com belas defesas.
Zé Flávio abandonou o campo aos cinco minutos de jogo após dar um “drible da vaca” em Leandro, o que lhe custou uma torção no tornozelo. Leonardo foi o próximo a sentir o peso da camisa 9 do Corinthians, do Ronaldo, e deixou a partida próximo aos 20 minutos de peleja. Os boleiros Hansen (?) e Fernando (??) sairam do banco de reservas para o campo, sendo que Hansen entrava em um campo de futebol pela primeira vez na vida. Filipe e Bruno desfilaram com classe suas camisas do Timão, e o palmeirense Tiago Agostini abriu o placar do jogo com uma bela cabeçada. O primeiro jogo durou mais ou menos 1h15, com um intervalo de 15 minutos para cervejas e balões de oxigênio.
A segunda partida foi mais curta, 50 minutos, e Mac trocou de camisa para jogar pelo Anorak, que desta vez foi a forra e bateu o Amorica por 5 x 1, sendo que um gol legítimo de Fabio Bianchini foi anulado pela arbitragem (mas foi devolvido na seqüência por Victor, que jogou contra o próprio patrimônio e marcou contra). Com os refletores desligados, o goleiro Regis recusou-se a continuar jogando (“Não consigo ver a bola! Ou acende a luz, ou vamos parar por aqui”, fuzilou o goleirão), e a peleja deu-se por encerrada. Os dois placares (uma vitória para cada time) não contam o que foi o jogo. Nem o quanto foi divertido. Muito menos o quanto estou detonado agora. As pernas estão um caco e sinto mais as costas do que o gosto do Trident de Melancia que estou mascando. Mas valeu a pena. Agora é passar o domingo deitado no colchão na sala. \o/
março 22, 2009 Encha o copo
Rock Werchter e Leonard Cohen
O melhor festival da Europa começa a fazer jus ao título. De uma tacada só, o Rock Werchter 2009 (que já tinha Prodigy, Oasis, Coldplay, Killers, Franz, Bloc Party, Nick Cave and The Bad Seeds e Metallica – entre outros) confirmou a presença de Mogwai, Fleet Foxes, Nine Inch Nails, Mars Volta, Flaming Lips e Social Distorction (e, Pala, Röyksopp). Com a saída do show do Wilco do calendário, começo a pensar seriamente em passar um fim de semana na Bélgica (e esticar até a mítica cidade de Bruges) para ver o Sr. Caverna. Dig, Lazarus, Dig, ele grita. Tá pintando. Veja o line-up do Werchter 2009.
Rock Werchter em tempo: comprei os tickets para o sábado. Como já tinham esgotado o de sexta (que tem Coldplay, Killers e Bloc Party), bateu um medinho de esgotar o de sábado (com Nick Cave, Mogwai, Franz, 2Many Djs e Kate Perry – por enquanto) e sobrar só os combos para os quatro dias. Então, nesse momento, a única coisa certa mesmo da viagem para a Europa em julho é que no dia 04 de julho estaremos na Bélgica. \o/ Voltando ao post…
Além disso, o Sr. Leonard Cohen, o homem que teve o dom de me fazer chorar como criança no ano passado em Benicassim, acaba de confirmar dois shows na Alemanha, 01 e 02 de julho, o segundo em Berlim. Cohen coloca nas lojas no fim de março o álbum duplo “Live in London”, registro de 26 canções de sua apresentação na capital inglesa. Tenho fé que essas duas datas vão se estender durante todo o mês de julho, e que vamos nos esbarrar em algum canto do velho mundo. Prometo: dessa vez eu levo um lenço.
Leonard Cohen no FIB 2008 / Foto: Marcelo Costa (aqui)
março 13, 2009 Encha o copo


