Mostra Virada Russa gratuita no CCBB de SP
Não é todo dia que três Kandinski, um Chagall e alguns Lariónov e outros Maliévitch baixam no país em uma exposição gratuita, então “Virada Russa, A Vanguarda na Coleção do Museu Estatal Russo de São Petesburgo”, em cartaz até 12 de novembro no CCBB de São Paulo, ganha status de obrigatória. A mostra traz 125 peças que marcaram o movimento artístico e cultural ocorrido durante a primeira fase da Revolução Russa, entre 1890 e 1930.
Como esqueci minha caneta, comecei a anotar meus quadros prediletos no corpo de mensagem do celular, porém, ao contrário de Brasília, em que era permitido fotografar dentro da sala de exposição, em São Paulo era vetado o uso de qualquer objeto eletrônico dentro das salas. E não dá para discutir com pessoas que não sabem entender o objetivo das restrições. Por esse motivo, não anotei o nome de meus quadros prediletos, mas me lembro de alguns.
O chamariz da sala do terceiro andar, assim que a pessoa entra, é “Promenade”, um belíssimo Chagall de 1917 que mostra sua amada Bella sobrevoando a cidade de Vitebsk enquanto segura a mão do pintor. Não consegue derrubar a paixão pelo meu Chagall predileto, “La Casa Gris” (exposto no Thyssen-Bornemisza, em Madri), mas é lindo e repleto de lirismo. Na mesma sala, dois Mikhail Larionov me impressionaram, e gostei mais de “Árvore” do que de “O Barbeiro”.
Os três Kandisnki estão no segundo andar, e também brilham assim que você entra na sala. “Igreja Vermelha”, “O Pente Azul Escuro” e “São Jorge II” são de chorar (veja alguns deles aqui). A mesma sala ainda abriga outros dois quadros que adorei: “Fórmula da Primavera” e “Duas Meninas”, ambas de Pavel Filonov. A mostra ainda destaca obras de Maliévitch, consideradas as mais importantes da exposição, Matiúchin e Ródtchenko. O cartaz que fecha o post é o da peça futurista “Vitória Sobre o Sol”, de Maiakovisky, que ainda tem exibidos os figurinos desenhados por Maliévitch (fotografei um aqui).
Há, ainda, uma terceira sala para ser visitada, no antigo cofre do banco, no subterrâneo, com vários cartazes do período socialista da antiga república soviética. “Virada Russa, A Vanguarda na Coleção do Museu Estatal Russo de São Petesburgo” fica em cartaz até 15 de novembro no Centro Cultural Banco do Brasil, na rua Álvares Penteado, 112, centro, de São Paulo de terça a domingo (incluindo feriados) das 10h às 20h. Informações via telefone (11) 3113-3651. Vale, e vale muito, a sua visita.
outubro 13, 2009 Encha o copo
E já que é dia das crianças…
Inspirado pelo Tuite sua Infância, peguei duas fotos antigas para colocar aqui. Na primeira, estou com 11 meses brincando com uma bola quase do mesmo tamanho que eu. Na segunda, com dois anos e três meses, e loirinho. Então, o tempo passa. E a gente cresce. ![]()


outubro 12, 2009 Encha o copo
100 Maiores Músicas da MPB

A nova edição da Rolling Stone está nas bancas comemorando o terceiro ano de aniversário da revista. A capa destaca uma eleição especial que aponta as 100 maiores músicas brasileiras de todos os tempos, resultado de um júri formado por colaboradores e convidados da revista, da qual também participo. A lista que enviei para os editores com as minhas 20 escolhidas segue abaixo. E você também pode comparar com a seleção da equipe da revista Bravo, elencada aqui.
Votos: Marcelo Costa
Juízo Final, (Nelson Cavaquinho)
Chega de Saudade (João Gilberto)
Construção (Chico Buarque)
Carinhoso (Pixinguinha/Orlando Silva)
O Bêbado e o Equilibrista (Elis Regina)
O Mundo é Um Moinho (Cartola)
Canto de Ossanha, (Baden Powell/Vinicius de Moares)
Tropicália (Caetano Veloso)
Domingo no Parque (Gilberto Gil)
Mal Secreto (Jards Macalé)
Panis Et Circenses (Mutantes)
Pérola Negra (Luiz Melodia)
Tô (Tom Zé)
Felicidade (Lupicínio Rodrigues)
Saudosa Maloca (Demônios da Garoa)
14 Anos (Paulinho da Viola)
Charles Anjo 45 (Jorge Ben)
Azul da Cor do Mar (Tim Maia)
Detalhes (Roberto Carlos)
Inútil (Ultraje a Rigor)
Rolling Stone elenca as 100 Maiores Canções da MPB
01 – Construção (Chico Buarque)
02 – Águas de Março (Elis Regina e Tom Jobim)
03 – Carinhoso (Pixinguinha)
04 – Asa Branca (Luiz Gonzaga)
05 – Mas Que Nada (Jorge Ben)
06 – Chega de Saudade (João Gilberto)
07 – Panis et Circenses (Os Mutantes)
08 – Detalhes (Roberto Carlos)
09 – Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinícius de Moraes)
10 – Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
11 – Domingo no Parque (Gilberto Gil e Os Mutantes)
12 – Aquarela do Brasil (Francisco Alves)
13 – As Rosas Não Falam (Cartola)
14 – Desafinado (João Gilberto)
15 – Trem das Onze (Demônios da Garoa)
16 – Ouro de Tolo (Raul Seixas)
17 – O Mundo É um Moinho (Cartola)
18 – Sinal Fechado (Chico Buarque)
19 – Quero Que Vá Tudo pro Inferno (Roberto Carlos)
20 – Preta Pretinha (Novos Baianos)
21 – Tropicália (Caetano Veloso)
22 – Da Lama ao Caos (Chico Science & Nação Zumbi)
23 – Inútil (Ultraje a Rigor)
24 – Eu Sei Que Vou Te Amar (Vinícius de Moraes)
25 – País Tropical (Wilson Simonal)
26 – Roda Viva (Chico Buarque e MPB4)
27 – Garota de Ipanema (Pery Ribeiro)
28 – Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores (Geraldo Vandré)
29 – Nanã – Coisa Número 5 (Moacir Santos)
30 – Baby (Gal Costa)
31 – Travessia (Milton Nascimento)
32 – Ovelha Negra (Rita Lee)
33 – Pérola Negra (Luiz Melodia)
34 – Brasil Pandeiro (Novos Baianos)
35 – Trem Azul (Lô Borges)
36 – O Bêbado e o Equilibrista (Elis Regina)
37 – Primavera (Tim Maia)
38 – Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua (Sérgio Sampaio)
39 – Metamorfose Ambulante (Raul Seixas)
40 – Sangue Latino (Secos & Molhados)
41 – Manhã de Carnaval (Luis Bonfá)
42 – Sampa (Caetano Veloso)
43 – Como Nossos Pais (Elis Regina)
44 – Azul da Cor do Mar (Tim Maia)
45 – Carcará (Maria Bethânia)
46 – Ponteio (Edu Lobo e Marília Medalha)
47 – Me Chama (Lobão e os Ronaldos)
48 – Maracatu Atômico (Chico Science & Nação Zumbi)
49 – Os Alquimistas Estão Chegando (Jorge Ben)
50 – Ando Meio Desligado (Os Mutantes)
51 – Disparada (Jair Rodrigues)
52 – Diário de um Detento (Racionais MC’s)
53 – Brasileirinho (Waldir Azevedo)
54 – Sabiá (Cynara e Cybele)
55 – Balada do Louco (Os Mutantes)
56 – A Lua e Eu (Cassiano)
57 – Conversa de Botequim (Noel Rosa)
58 – Apesar de Você (Chico Buarque)
59 – Minha Namorada (Carlos Lyra)
60 – Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Hyldon)
https://www.youtube.com/watch?v=SON4_aiKGSk
61 – Chão de Estrelas (Silvio Caldas)
62 – Luar do Sertão (Luiz Gonzaga)
63 – Alagados (Paralamas do Sucesso)
64 – As Curvas da Estrada de Santos (Roberto Carlos)
65 – BR-3 (Toni Tornado)
66 – Clube na Esquina nº2 (Milton Nascimento)
67 – A Banda (Nara Leão)
68 – Comida (Titãs)
69 – Rosa de Hiroshima (Secos & Molhados)
70 – Ronda (Inezita Barroso)
71 – Como Uma Onda (Lulu Santos)
72 – Gita (Raul Seixas)
73 – Wave (Tom Jobim)
74 – Sentado à Beira do Caminho (Erasmo Carlos)
75 – Foi um Rio Que Passou em Minha Vida (Paulinho da Viola)
76 – Samba de Verão (Marcos Valle)
77 – Insensatez (Tom Jobim)
78 – Cálice (Chico Buarque e Milton Nascimento)
79 – Maria Fumaça (Banda Black Rio)
80 – Vapor Barato (Gal Costa)
81 – Que País É Este? (Legião Urbana)
82 – Sossego (Tim Maia)
83 – Ideologia (Cazuza)
84 – Rosa (Orlando Silva)
85 – O Barquinho (Maysa)
86 – Nervos de Aço (Paulinho da Viola)
87 – Meu Mundo e Nada Mais (Guilherme Arantes)
88 – Sá Marina (Wilson Simonal)
89 – A Flor e o Espinho (Nelson Cavaquinho)
90 – 2001 (Os Mutantes)
91 – Felicidade (Caetano Veloso)
92 – Tico Tico no Fubá (Ademilde Fonseca)
93 – Casa no Campo (Elis Regina)
94 – O Mar (Dorival Caymmi)
95 – Último Desejo (Aracy de Almeida)
96 – Disritmia (Martinho da Vila)
97 – Você Não Soube Me Amar (Blitz)
98 – A Noite do Meu Bem (Dolores Duran)
99 – Rua Augusta (Ronnie Cord)
100 – Anna Júlia (Los Hermanos)
Votação Melhores Músicas do Ano Scream & Yell
2001: Todo Carnaval Tem Seu Fim, Los Hermanos (aqui)
2004: Festa no Apê, Latino (aqui)
2005: O Vento, Los Hermanos (aqui)
2006: Semáforo, Vanguart (aqui)
2007: Grupo de Extermínio de Aberrações, Violins (aqui)
2008: Pareço Moderno, Cérebro Eletrônico (aqui)
2009: My Favorite Way, Black Drawing Chalks (aqui)
2010: Às Vezes, Tulipa Ruiz e Cama, Cérebro Eletrônico (aqui)
2011: Não Existe Amor em SP, Criolo (aqui)
2012: Passarinho, Curumin (aqui)
2013: Crisantemo, Emicida (aqui)
2017: “Te Amo, Disgraça, Baco Exu do Blues (aqui)
Leia também:
– 100 Canções Essenciais da MPB segundo a revista Bravo (aqui)
outubro 10, 2009 Encha o copo
De Minas Gerais, as cervejas da Backer
Para quem acredita que Minas Gerais só produz caninha da boa (e bota boa nisso), a Backer, uma micro cervejaria artesanal mineira nascida em 1998, é uma surpresa bastante agradável. Com uma receita original da Serra do Curral, em Minas Gerais, que respeita a Lei da Pureza firmada em abril de 1516, na Baviera, a Backer pode ser encontrada nas lojas em quatro variações: Pilsen, Pale Ale, Brown e Trigo.
Seguindo uma preferência pessoal, Pale Ale lidera a preferência aqui em casa com a de Trigo um pouco atrás, depois a Pilsen em terceiro e a Brown segurando a lanterna da cervejaria. Vamos começar pela última, a Backer Brown, uma combinação de malte torrado, notas de café e aroma de chocolate. Isso mesmo que você leu: chocolate. A espuma bem formada e o corpo são marrons. O sabor levemente amargo pode surpreender alguns, mas a impressão final é de que colocaram Toddynho na sua cerveja. Vale provar por curiosidade, mas a cerveja peca pelo sabor artificial do chocolate.
A Backer Pilsen pode surpreender aqueles que gostam das marcas mais tradicionais. O aroma de frutas cítricas predomina, e dá personalidade ao conjunto. Sua cor é mais amarelada do que as pilsens normais, e o paladar é – após um amargor inicial que lembra canela – bastante suave chegando a lembrar mel. Bem refrescante e interessante. A Backer de Trigo lembra um pouco (e só um pouco) a belga Hoegaarden devido ao forte aroma cítrico que lembra laranja e limão (e um pouco de banana). O paladar apresenta notas de cravo e um amargor que aumenta no final, mas não atrapalha o conjunto.
Última do pacote, a Backer Pale Ale é a típica cerveja ruiva inglesa, com aroma frutado com toques de especiarias, café e malte. Um amargor leve e saboroso marca o paladar. É a mais encorpada das quatro – e pessoalmente a minha preferida. Há ainda uma quinta variável da micro cervejaria, a Backer Medieval, uma Blond Ale que não é tão fácil de ser encontrada, mas promete, e o chopp, que pode ser apreciado com mais facilidade nas cidades mineiras e no tradicional caminho da Estrada Real.
As micro cervejarias que ainda trabalham de maneira artesanal são responsáveis por algumas das principais marcas de cervejas européias. Com pouco mais de 10 anos de história, a brasileira Backer é uma surpresa que merece ser descoberta. Suas cervejas têm personalidade e podem agradar tanto aqueles que adoram as pilsens nacionais como até quem não gosta de cerveja. O preço da long neck de 355ml fica na média de R$ 4 e ela pode ser encontrada em distribuidoras online de bebidas assim como em boas adegas. Experimente. Nós recomendamos.
Teste de Qualidade: Backer
– Nacionalidade: Minas Gerais, Brasil
Backer Brown:
Graduação alcoólica: 4,8%
Nota: 1,5/5
Backer Pilsen:
Graduação alcoólica: 4,8%
Nota: 2,5/5
Backer Trigo:
Graduação alcoólica: 5%
Nota: 3/5
Backer Pale Ale
Graduação alcoólica: 4,8%
Nota: 3,5/5
Site Oficial: http://www.cervejariabacker.com.br/
Leia também:
– Outras cervejas, bares e curiosidades, por Marcelo Costa (aqui)
– A Estrada Real e os Profetas de Aleijadinho, por Marcelo Costa (aqui)
outubro 6, 2009 Encha o copo
Um fim de semana em Taubaté

Não lembro a última vez que eu tinha ido pra Taubaté, mas fazia um bom tempo. Uns cinco anos. Por ai. Desde que minha mãe passou a vir me ver em São Paulo, perdi o laço que tinha com Taubaté. Ok, tenho grandes amigos lá, pessoas de que sinto uma saudade imensa várias vezes, mas não consigo me organizar a ponto de reservar um fim de semana completo e correr atrás de todos. Estou ficando cada vez mais caseiro, e minha casa é o meu reino, o lugar em que mais me sinto bem em São Paulo.
Mesmo assim, a viagem deste fim de semana teve um q de nostalgia imenso. Talvez por Lili ter ido comigo, e eu ter sentido a minha personalidade despida, afinal, apesar de ter nascido em São Paulo e ido para Taubaté com cinco anos, foi lá que aprendi a ser quem eu sou. Eu cresci e me transformei nessa confusão de idéias sem sentido passando mais de vinte anos de minha vida em Taubaté. Não tem como não ter sido influenciado. Felizmente, a influência foi boa. Acho.
Aqui cabe um trecho de “Primeiro o Amor, Depois o Desencanto”, de Douglas Coupland: “Eu sempre me orgulhei de não ter sotaque algum, mas então percebi que o meu sotaque era o sotaque de lugar nenhum. É por isso que eu nunca senti realmente que eu era de algum lugar”. Mais ou menos isso. São Paulo sempre correu nas minhas veias, e eu sempre soube que voltaria para cá, mas mesmo hoje em dia, vivendo aqui faz 10 anos, não me sinto nascido aqui. E já começo fazer planos sonhadores de ir embora.
Então caminho longamente por algumas ruas de Taubaté. Passo por lugares que presenciaram primeiros beijos e começos de namoro. O passado esbarra em mim, e mancha de saudade a minha alma. Eu vivi tudo isso. Eu vivi essa cidade. Observo lugares em que trabalhei, outros em que estudei, e ainda outros em que bebi e comi. Encontro amigos. Não resisto e fujo à noite procurando o gosto de um sanduíche familiar. E fico feliz de descobrir que o gosto permanece o mesmo.
A cidade não para. Não me lembro quem me deu essa foto acima. Nem a data dela. Deve ser anos 40. Ou 50. Quando mudamos para Taubaté, nos anos 70, a praça Dom Epaminondas já era bem diferente, mas ainda não tinha o calçadão, que surgiu no final dos anos 80, se não me engano. É uma imagem poética, ao menos para mim. Agora tudo soou mais triste. As lojas em que comprei tantos vinis se fecharam. A praça está diferente. Me lembro punk, de calças detonadas, vivendo histórias engraçadas ali. Foi.
A sessão nostalgia terminou num fim de tarde no Sítio do Pica-Pau Amarelo. Morei alguns anos na Rua Pedrinho, que termina na Rua Pica-Pau Amarelo, que cruza a Rua Emília e se transforma em Rua Visconde de Sabugosa, que segue até o sítio. Adorava ir ao local jogar futebol. Hoje fiquei olhando minha sobrinha brincar com personagens de Monteiro Lobato enquanto uma menininha de uns dois anos tentava pular corda –fofíssima sem tirar os pés de chão.
Na casa antiga, de tinta descascando e falta de reboco em alguns ambientes, em que se transformou meu coração, Taubaté tem um canto especial no quarto das minhas memórias mais queridas. Eu abro uma gaveta e dezenas de histórias se jogam em meu colo, tentando se ajeitar diante da fragilidade da organização das minhas lembranças. Não posso fazer muito por elas, além de carregá-las comigo pelo resto de meus dias. Acho que ambos ficamos felizes por isso. E a vida continua.
outubro 4, 2009 Encha o copo
Ok, ok: entrei no Twitter e no Facebook
No Twitter não tinha como ser Marcelo Costa nem Mac, então acabou sendo Scream & Yell mesmo (http://twitter.com/screamyell). E no Facebook, para quem quiser me adicionar e não sofrer para me achar no meio de um milhão de Marcelos Costa, eu tô aqui. Tenha paciência. Sou novato. hehe
setembro 30, 2009 Encha o copo
Frank Jorge – “É Hora de Fingir” (MGMT cover)
setembro 30, 2009 Encha o copo
Fred ZeroQuatro, a internet e o fim da indústria

Fred ZeroQuatro / Foto: Marcelo Costa
“No caso específico da música, por exemplo, eu não posso chegar numa feira livre e pegar quatro tomates e cinco pimentões e levar pra casa, porque eu vou ser acusado de ladrão – e olha que estou falando de coisas que brotam da terra. Primeiro porque estamos numa sociedade capitalista, e segundo porque ali houve trabalho, investimento…”
Fred ZeroQuatro em entrevista ao G1 (leia mais aqui)
Quem acompanha esse espaço sabe que admiro o líder do Mundo Livre S/A, porém acho que agora ele deu uma tremenda bola fora. Já falei sobre o fim da indústria da música em um artigo chamado “A Nova Idade Média” (leia aqui), e cada vez mais me vejo acreditando na morte da indústria e de um modelo de negócio que sobreviveu por mais de 50 anos, mas que começa a definhar.
A questão toda é que vivemos uma época de mudanças, e não dá para cravar verdades absolutas. Porém, o que fica nítido na reclamação de ZeroQuatro é que tanto a direita quanto a esquerda dos “partidos” envolvidos em música (trocadilho infame, eu sei, mas você entendeu) sentiram o baque, e estão completamente perdidos procurando uma forma de dar rédeas ao jogo.
Grande bobagem. Se Fred ZeroQuatro tivesse nascido 100 anos atrás, e quisesse ser músico, ele não estaria vendendo discos, afinal eles ainda não existiam (talvez ele vendesse tomates e pimentões, mas ai são outros quinhentos). A forma de propagar sua arte era, ao amanhecer, pegar a viola, colocar na sacola e ir trabalhar. Fazer show de cidade em cidade. Esse era o cenário.
Pois bem: estamos voltando a ele. E ainda com uma série de vantagens: você ainda pode vender seu disco (nos próximos 30, 40 anos ainda terá quem compre) e o show já não é mais um momento único. Ele pode ser reproduzido de diversas maneiras, e vai se dar bem quem aprender a lidar com elas. Provavelmente moleques de 10, 11 anos, gente com cabeça aberta pro futuro.
O cenário tal qual o conhecemos está com os dias contados. As gravadoras tiveram um papel importantíssimo na difusão da música ali pelas anos 40 e 50, mas agora precisam modificar o negócio. Não a toa, muitas já estão entrando no ramo de agenciamento de shows. O que resta a fazer para os artistas? Pé na estrada. Era fácil ficar em casa enquanto alojas faziam sua parte vendendo CDs.
Era. Agora vivemos a Nova Idade Média. Acostume-se.
setembro 29, 2009 Encha o copo
Eu também tenho sangue português
Nessa confusão de genes que me formaram, descobri que também tenho sangue português. O alemão vem por parte do pai da minha avó materna. O índio é da mãe dela. O espanhol, até onde sei, é coisa da minha avó paterna. E do meu avô paterno é sangue português, segundo ele, uma união dos Toledo com os Costa (e eu nem sabia que tinha Toledo na família).
O seu Sérgio, meu avô, passou esta manhã em casa atualizando as histórias de família com uma memória excelente para os seus 82 anos. Ainda não sei se essa novidade lusitana explica a confusão de idéias que me formam, mas achei interessante. Ainda quero saber mais, mas fica para outra visita do seu Sérgio. Afinal, quem sabe não desco para Lisboa ou Porto numa próxima viagem, né mesmo.
setembro 28, 2009 Encha o copo
Cenas da vida em São Paulo: A luta de classes
Um café na av. Paulista, sábado á noite
– Ele não entende. Nós somos de classes diferentes. Pô, eu como no Habibs. E ele me leva no Almanara. E ainda quer que eu divida a conta… eu sou professora…
– Pô, mas o Habibs não dá. Perto da minha casa tem um lugar que faz umas esfihas ótimas. E é barato.
– Eu sou classe média. Ele é rico. Semana passada ele teve a idéia da gente ir viajar. Fui toda solicita, entrei na internet e achei umas pousadas fofas e baratas. Ele olhou as coisas que escolhi e disse: ‘Que porcaria’. Ai foi e escolheu um hotel de R$ 600 a diária!!!
– E vocês vão ter que rachar?
– Sim!!! Não sei o que eu faço…
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Alguém tem uma sugestão do que ela deva fazer?
setembro 27, 2009 Encha o copo




