Melhores de 2011 da SuperInteressante
Assim como em 2010, o pessoal do site da revista Superinteressante caprichou demais em seu especial do ano, imperdível, que desta vez reúne Lúcio Ribeiro (Popload), Renato Silveira (Cinema em Cena), Marcel Nadale (Mundo Estranho), Renan Frade (Judão) e Marcelo Hessel (Omelete), entre outros, além de todo o pessoal da Super e de mim: assino o texto “Música em 2012”. Leia aqui.
Ps. eu também participo da votação da Trama Virtual: aqui
dezembro 22, 2011 Encha o copo
Opinião do Consumidor: Schlenkerla

O estilo Rauchbier elenca um tipo de cerveja produzido a partir de malte defumado. O malte de cevada era seco com a fumaça (rauch) de um forno, e mesmo com a industrialização, duas cervejarias da cidade de Bamberg, na Alemanha (a Schlenkerla e a Spezial), mantém o método tradicional que resulta em um conjunto intenso e bastante particular, recomendada para pessoas de paladar forte.
A cervejaria Schlenkerla produz rauchbiers desde 1678 e o carro chefe é a versão Marzen. O aroma traz a marca do malte defumado intensamente presente, desdobrando-se em algo que remete a molho barbecue e bacon. Causa estranheza no começo, mas siga em frente. O paladar, amargo e intenso, lembra café forte, torrefação, chocolate amargo e… churrasco. O malte defumado gruda na garganta de tal forma que o final é prolongado e permanece um bom tempo.
A versão Weizen junta o malte defumado com dois tipos de malte de trigo (estes não defumados). A expectativa era de que ela soasse menos defumada, mas o aroma é carregado de algo que lembra… bacon. E peito de peru. O trigo aparece sutilmente (principalmente quando a cerveja é bebida em temperatura ambiente, mais apropriada). O paladar, sem fazer drama, é isso tudo: bacon, peito de peru, fumaça, churrasco. Aliás, num churrasco ela deve ser absolutamente imbatível.
Além da Marzen e da Weizen, a Schlenkerla produz uma versão Urbock Rauchbier. São cervejas bem particulares que me parecem impensáveis sem um acompanhamento, e vale muito a dica de harmonizações do Brejas (que tal com uma pizza de calabreza? Veja aqui). São cervejas intensas e que melhoram com o tempo no copo (ao contrário das nossas, que ficam terríveis quando esquentam).
Interessante a descrição em um site: “O conhecedor toma esta cerveja devagar, mas com persistência e objetividade. Ele sabe que o segundo copo é mais gostoso que o primeiro, e que o terceiro é mais gostoso que o segundo”. Crie coragem.
Teste de Qualidade: Aecht Schlenkerla Rauchbier Weizen
– Produto: Rauchbier
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 3/5
Teste de Qualidade: Aecht Schlenkerla Rauchbier Marzen
– Produto: Rauchbier
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 3/5
dezembro 17, 2011 Encha o copo
Blemish volta a tocar em São Paulo

Quando me mudei pra São Paulo, final de 1999, começo de 2000, havia poucas casas noturnas na cidade que recebiam shows, e as que existiam ficavam na Rua Mourato Coelho, na Vila Madalena (Alternative, Torre e Borracharia). Nessas casas vi alguns dos melhores shows daqueles anos, de bandas fodidamente sensacionais ao vivo como Wacko (Guarulhos) e Blemish (São José dos Campos).
O Blemish passou por altos e baixos desde 2000 (uma das melhores noites que passei em 10 anos de São Paulo foi com eles tocando ao lado da Bidê ou Balde, que fazia o primeiro show na cidade, pré lançamento do primeiro disco, no Orbital, uma festa em que ferrei as caixas de som na discotecagem com Afghan Whigs no volume máximo – fotos aqui), alguns integrantes foram morar em Londres, tocar com Isabel Monteiro no renascido Drugstore (aqui), mas eles estão de volta.
O retorno com shows acontece em janeiro e a banda passa por São Paulo (Sesc Vila Mariana, 18/01 infos aqui), Campinas (20/01, Bar do Zé, infos aqui) e São José dos Campos (Hocus Pocus, 21/01, infos aqui). Vale ficar atento ao Facebook dos caras (aqui), pois novas datas podem ser anunciadas. Essa volta também marca o lançamento do álbum “Transatlantic Broken Dreams”, com canções compostas entre 1998 e 2011, incluindo a regravação do hit ‘Silver Box Song’, de 2001.
Um conselho: não perca esses shows de forma alguma. Mesmo.
dezembro 17, 2011 Encha o copo
Natura Musical anuncia contemplados 2011

Em dois dias no final de outubro deste ano fui para Cajamar, na belíssima sede da Natura, analisar e debater com os jornalistas Marcus Preto (Folha de São Paulo) e Marcelo Damaso (Se Rasgum) quais projetos a Comissão de Especialistas formada por nós indicava como prioritários dentre milhares enviados para o edital Natura Musical 2011, no valor de R$ 1,5 milhão.
Foi uma experiência bem interessante que me permitiu olhar o outro lado dos editais de cultura, e fiquei bastante satisfeito com o que presenciei. Foram dois dias de análises, estudos e observações acerca de dezenas de projetos (ao menos 60 ficaram – e ainda dicam – indo e vindo na minha mente, quem dera poder patrocinar todos), e a Natura oficializou no dia 14/12 a lista de contemplados abaixo:
“O programa Natura Musical cresceu. Neste ano, chegamos à oitava edição do Edital Nacional do Natura Musical. Mais de mil projetos foram inscritos e o valor investido, R$ 1,5 milhão de reais, aumentou 50% em relação à quantia investida no ano passado. Quem ganha é a música brasileira!
Os novos nomes da casa, jovens artistas e músicos já consagrados, são:
Tulipa Ruiz, Tom Zé, Milton Nascimento e Otto. O edital ainda viabilizará a produção do filme “Que Cantadora A Vida Me Fez”, sobre a cantora e compositor Dona Inah, e do livro biografia “O Samba foi sua Glória”, sobre o compositor Wilson Baptista.
Os projetos foram selecionados por uma comissão técnica independente composta pelos jornalistas Marcelo Costa (SP), editor do site Scream & Yell, Marcus Preto (SP), da Folha de S. Paulo – também curador e produtor dos projetos Música de Bolso e do Prata da Casa – e Marcelo Damaso (PA) – também produtor musical e diretor responsável do Festival Se Rasgum, o maior da região Norte.
Saiba mais sobre os projetos selecionados:
Tulipa Ruiz: Ainda colecionando elogios com seu CD de estreia, Tulipa Ruiz vai gravar seu segundo álbum acompanhada pelos músicos Gustavo Ruiz, Caio Lopes, Luiz Chagas e Márcio Arantes. A cantora fará uma turnê passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Salvador e Belém.
Tom Zé: Celebrando seu 75 anos, Tom Zé continua criando. Ele está preparando um novo CD e vinil com canções inéditas e produção musical de Kassin. O trabalho levará o nome de ‘Navegador de Canções’. Para o lançamento, o compositor fará shows em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Milton Nascimento: O músico mineiro vai comemorar seus 50 anos de carreira com sete shows pelo Brasil. A rota inclui São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Salvador, e Três Pontas, suas cidade natal. A turnê será registrada em um DVD que será distribuído gratuitamente em escolas públicas de Três Pontas.
Otto: Com o CD ‘The Moon 1111’, Otto promete dar continuidade à sua sempre boa mistura musical, do rock e rap ao maracatu e frevo. Os músicos Fernando Catatau, Kassin, Dengue e Pupillo farão parte de seu time. O CD será lançado com shows em São Paulo e Recife.
“Que Cantadora A Vida Me Fez”: com o filme-documentário da diretora Patrícia Francisco, poderemos conhecer a vida e obra da cantora Dona Inah. Com seus 76 anos, a sambista paulista traz histórias que revelam muito sobre a história do Brasil e de nossa música brasileira.
“Wilson Baptista – O Samba Foi Sua Glória”: O músico e pesquisador Rodrigo Alzuguir se dedica há mais de 7 anos à biografia do compositor Wilson Baptista. Conheceremos todo esse riquíssimo material no ano que o grande sambista comemoraria seu centenário.”
dezembro 16, 2011 Encha o copo
Da Argentina, três cervejas da Antares
No final dos anos 90, três amigos de faculdade (dois caras e uma garota) decidiram abrir um pub num velho galpão em Mar Del Plata, na Argentina, oferecendo cerveja artesanal. O nome homenageava uma estrela gigante e vermelha, a 16ª mais brilhante do céu, e, 13 anos depois, a Antares se tornou a maior micro-cervejaria portenha, com sete rótulos no cardápio (e uma produção mensal de 45 mil litros).
Segundo o site oficial, a cervejaria argentina buscou na Antares Porter seguir o “clássico estilo inglês”. O aroma, marcado pelo malte tostado, remete a chocolate e café. O paladar segue o aroma: começa adocicado (caramelo e chocolate) e no final sugere um leve amargor, que permanece durante um bom tempo (o malte tostado faz o serviço). É uma cerveja simples, sem muitas nuances, que parece rala e aguada demais. Apenas ok.
A versão Imperial Stout leva à frente aquilo que a Antares Porter promete, mas não cumpre: o aroma é muito mais carregado de notas de chocolate, café e mel (o último, bastante presente). O paladar, ainda que amargo, também é comandado pelo mel, com chocolate e café presentes (e uma alfinetada de álcool – são 8,5% de graduação alcoólica levemente perceptíveis) do inicio ao fim. Melhor que a Porter, mas ainda assim, apenas ok.
Fechando esse primeiro lote da micro-cervejaria argentina, a poderosa Antares Barley Wine (10% de graduação alcoólica) mostra bastante personalidade. O melaço já se faz presente no aroma extremamente maltado (como uma boa Barley Wine) e um tiquinho frutado – e, claro, alcoólico. No paladar, o malte dá as cartas enquanto mel e o amargor do lúpulo fazem um fundo interessante. O final é amargo e seco de uma ótima cerveja.
A Antares está sendo distribuída no Brasil pelo Clube do Malte, de Curitiba, que ainda comercializa molho e geleias feitos à base de cerveja pelos argentinos. Visitando o país, vale conferir no site da cervejaria os endereços dos Pubs Antares (Buenos Aires, Bariloche, La Plata, Mendoza e, claro, Mar Del Plata), afinal, tirada de torneira, ela será uma experiência ainda melhor.
Teste de Qualidade: Antares Porter
– Produto: Porter
– Nacionalidade: Argentina
– Graduação alcoólica: 5,5%
– Nota: 2,20/5
Teste de Qualidade: Antares Imperial Stout
– Produto: Russian Imperial Stout
– Nacionalidade: Argentina
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 2,77/5
Teste de Qualidade: Antares Barley Wine
– Produto: Barley Wine
– Nacionalidade: Argentina
– Graduação alcoólica: 10%
– Nota: 2,91/5
Leia também:
– Schmitt, uma ótima Barley Wine gaúcha, por Marcelo Costa (aqui)
– Monster Ale, a Barley Wine da Brooklyn, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 15, 2011 Encha o copo
Cinco fotos: Atenas
Clique na imagem se quiser vê-la maior
Leia também:
– Um dia pelas ruínas históricas de Atenas, por Marcelo Costa (aqui)
– A beleza e a tristeza de ser Atenas, por Marcelo Costa (aqui)
– De Atenas para Santorini, por Marcelo Costa (aqui)
Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)
dezembro 15, 2011 Encha o copo
Dez perguntas para Muricy Ramalho

por Marcelo Costa
Foto Leandro Amaral / Divulgação Santos FC
Alguns meses atrás desci a serra para conversar rapidamente com o melhor técnico do país. Você pode discordar, a razão dos apaixonados por futebol é bastante particular, mas Muricy Ramalho é (para este corintiano que o entrevistou) um vencedor com todas as letras. O papo foi rápido, descontraído e sossegado. Muricy respondeu as respostas sem rodeios, sorriu em vários momentos e, na hora da foto, brincou com o fotógrafo: “Quer que eu faça cara de mau? Sempre me pedem isso”.
Torcedor de futebol tem sempre uma opinião muito particular. Tudo que envolve o time dele é melhor. Porém, com o passar dos anos, você conseguiu um respeito que ultrapassa os limites do clube que você está dirigindo. Por exemplo: minha sogra, que é são-paulina, quando soube que eu vinha conversar com você, pediu um autógrafo. Ou seja: Muricy é uma pessoa que a torcida adversária pede autógrafo. Como você conseguiu isso?
Isso acontece mesmo em todo o lugar que vou. As pessoas chegam e dizem: “Sou santista, (ou) sou corintiano, mas quero um autógrafo seu porque te admiro”. Acho que é minha forma de ser. Em todos os times que vou (trabalhar), além de ganhar títulos, fico um tempo. Quando tenho chance de trocar de time, não troco. (Acabo não fazendo) esse tipo de coisa que é normal técnico fazer no futebol: o cara está em um time e quando recebe uma proposta (de outro), vai embora. Acho que as pessoas acreditam nisso (de ficar no time, respeitar o contrato). É uma coisa séria que o torcedor se identifica. E é engraçado… no Campeonato Paulista fomos jogar contra o São Paulo, no Morumbi, quando no intervalo do primeiro tempo toda torcida são-paulina começou a gritar o meu nome. Os jogadores do Santos até se surpreenderam. É uma novidade o técnico adversário ser aplaudido, mas quando vou jogar contra o Náutico, em Recife, também é assim. Em Porto Alegre também.
E isso também vem da sua própria relação com o torcedor? Uma vez li uma entrevista sua para o Ricardo Kotscho em que você dizia que recebia 60 cartas por mês…
É verdade. Algumas eu respondo, outras mando camisas… (os torcedores) me pedem todo tipo de coisa. É um carinho que tenho para com o torcedor. Trabalho duro demais para o time em todo o lugar que vou, e o torcedor reconhece. Ele sabe que eu vou lá para trabalhar. Sou um profissional, tenho um contrato, mas sempre vou fazer o melhor por eles.
Você foi eleito melhor Treinador do Campeonato Brasileiro cinco vezes nos últimos seis anos: 2005, 2006, 2007, 2008, 2010. Isso é só trabalho?
Acho que é (risos). Não sou muito simpático com os negócios. Não sou um cara que faço lobby, não vou a muitos lugares, só dou entrevista uma vez por semana, vou muito pouco à televisão (quase uma vez por ano em cada emissora), então acho que é tudo pelo meu trabalho mesmo. E pelo resultado porque no futebol não adianta você ser simpático, se não ganhar vão te mandar embora. Nestes cinco anos que ganhei meu trabalho foi muito bom, mas com títulos.
Você chegou ao Santos em um momento em que o time estava instável. Nos últimos jogos da Libertadores, no entanto, começaram a surgir muitas comparações deste seu time do Santos como aquele time dos sonhos com Pelé, Zito… Você sempre está pedindo reforços, mas como é treinar esse time do Santos?
É legal. Claro, não tem muitas comparações porque naquele tempo os jogadores eram muito bons. Mas acho que é legal (treinar o Santos hoje) porque estamos tendo a chance de treinar um time que têm alguns jogadores diferentes. No país temos poucos jogadores diferentes, e dois deles são do Santos (Ganso e Neymar). É muito legal trabalhar com eles porque eles são jovens e são jogadores que entendem logo o que o treinador quer, e isso facilita.
Eles pensam rápido…
É muito bom trabalhar com essa molecada, mudar de ares. Trabalhei com muito time experiente…
Você conquistou a Libertadores. Qual foi a sensação de conquistar algo que você buscou tanto?
Pra mim foi um alivio (risos). Não foi como o sentimento de alegria dos torcedores e da diretoria do Santos. Porque quero sempre estar na ponta, entre os melhores técnicos do país, e era contestado porque não ganhava a Libertadores. Não me conformava com isso. Não importa que o cara não tenha ganhado a Libertadores. Tem tantos bons treinadores que nunca ganharam. E não é porque ganhei que passo a ser um bom treinador. Eu sou um bom treinador há alguns anos! Mas no Brasil não adianta: você tem que ganhar algumas coisas. Tem que quebrar alguns tabus. Esse era um que me perturbava um pouco, era sempre a mesma pergunta e não adiantava mostrar meu currículo porque eles queriam saber da Libertadores. Então meu sentimento foi muito mais de alivio do que alegria. Tanto é que após o jogo fui lá para o meu sitio (e não festejei). Eu tinha que ganhar para me manter na ponta, como gosto. Existem muitos outros treinadores jovens surgindo, fortes, e a gente tem sempre que estar ganhando. Graças a Deus deu certo agora. Eu já estava buscando fazia algum tempo…
Agora é o Mundial de Clubes? Como você prepara isso na sua cabeça? Afinal, parece não existir descanso. Você vence um título à noite e na manhã a torcida já começa a querer outro.
Você tem razão: perguntaram no dia seguinte! Como sei separar bem as coisas, e até lá tem muito tempo, nós temos ainda um campeonato brasileiro importante pela frente. O problema é que no Brasil, pra gente que é técnico, é muito difícil perguntar do Mundial de Clubes. Já para o (Josep) Guardiola, técnico do Barcelona, é fácil. Porque ele vai começar a pré-temporada agora e vai chegar ao final do ano, no Mundial de Clubes, com os mesmos jogadores – e alguns reforços. Eu não sei nem com que time vou chegar na semana que vem! Então como posso responder… É uma coisa muito importante para o clube e é possível, embora o Barcelona seja o favorito (é um baita time), mas nem sei o que vai acontecer (com o time do Santos) até lá. Essa é a dificuldade de ser técnico no Brasil: estou com um time, mas não sei quantos vão ficar (até o fim do ano). Está todo mundo muito valorizado… O Mundial de Clubes é uma competição muito importante, e nós temos essa incerteza, o que é pior pra gente, mas ninguém sabe o que vai acontecer.
Mas entra ano e sai ano você é campeão…
E isso é importante. Nos últimos seis meses ganhei três títulos: o Campeonato Brasileiro com o Fluminense, o Campeonato Paulista e a Taça Liberadores com o Santos. É isso que me mantém. Para você ser um profissional, não só no futebol, mas em todas as áreas, você precisa ser consistente… para permanecer numa situação boa. E isso faço bem: sou muito consistente no meu trabalho, toda hora ganho títulos e, por isso, sou muito valorizado.
O desabafo sobre a seleção após o título do Fluminense: “Minha palavra eu tenho de cumprir, foi o que meu pai ensinou”. Por mais que seja da sua personalidade, foi algo muito admirável e bonito de se ver como exemplo mesmo para quem está em casa. È o tipo de ato que as pessoas públicas deveriam exercer mais.
Foi uma decisão complicada… Imagina, todo jogador tem sonho de ir para a seleção brasileira. Todo técnico também. O meu sonho quando era jogador também era o de jogar na seleção, surgiu uma oportunidade, mas tive uma contusão… Foi a maior frustração da minha vida. Então claro que sonho em ir para a Seleção Brasileira como técnico, só que tenho uma linha de cumprir meus trabalhos, cumprir meus contratos, porque minha família me ensinou assim, meu pai me ensinou assim. Mas mesmo assim foi muito difícil. Meus filhos não acreditavam que falei não para a Seleção Brasileira. Eles ficaram enlouquecidos comigo. Mas sempre passo para eles: o que você assina, o que você conversa, você tem que cumprir. Senão nesse país nunca ninguém vai cumprir nada. Temos que ser assim. E é duro das pessoas aceitarem isso, mas naquele momento, o Fluminense (3 anos brigando para não cair, 26 anos sem ganhar título) estava começando a entrosar o time… eu tinha dado a minha palavra que iria permanecer… algumas semanas depois sou convidado para a Seleção Brasileira… não iria ficar bem comigo mesmo se aceitasse o convite. Não me arrependo porque o Fluminense me deu um título super importante. É preciso cumprir com as obrigações.
Com tantos títulos conquistados, o que falta para Muricy Ramalho conquistar?
(risos) Falta o Mundial… o pessoal já está me cobrando. Ganhei Brasileiro, Paulista e Libertadores, ganhei regional em tudo quanto é lugar (até campeonato chinês), agora resta o (Mundial de Clubes no) fim do ano. Mas, sinceramente, não me preocupo com isso. Me preocupo com o hoje. Em treinar o Santos, melhorar o jogador, melhorar o time. Esse é o meu trabalho, é o que gosto de fazer. Não tenho essa obsessão. Eu queria ganhar a Libertadores, mas não era uma loucura. Pode ser que eu não ganhasse agora, mas uma hora eu iria ganhar – toda hora eu estava perto. O sonho do Mundial é importante, mas não é uma loucura.
Leia também:
– Dez perguntas para Marisa Monte, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 14, 2011 Encha o copo
Pato Fu recebe disco de ouro

O Pato Fu encerra o ano recebendo Disco de Ouro pelo CD “Música de Brinquedo”, que alcançou a marca de 40 mil cópias vendidas (e ganhou uma registro do belo show em setembro com o lançamento em CD e DVD do álbum “Música de Brinquedo ao vivo” – veja aqui) .
“Música de Brinquedo” também rendeu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Latina para Crianças, agora o grupo entra de férias e retorna em março de 2012 com promessa de novidades. Será um disco novo com canções inéditas? Tomara…
dezembro 12, 2011 Encha o copo
Da Bélgica, quatro cervejas Leffe
A Abadia de Notre-Dame foi fundada em 1152 à beira do rio Meuse, na província de Namur, no sul da Bélgica. Nessa época, os monges fabricavam cerveja porque ela ajudava a impedir que epidemias tifóides e outras se espalhassem através da água contaminada, já que a esterilização durante sua fabricação impedia a contaminação. Em 1200, os monges decidiram mudar o nome do mosteiro para Abadia de Leffe.
Cerveja, cerveja mesmo, só foi aparecer na Abadia em 1240 (segundo os registros históricos), mas a Abadia sofreu várias intempéries através dos anos: uma enchente em 1460, um incêndio em 1466, tropas a danificaram em 1735 e durante a Revolução Francesa, em 1794, os monges tiveram que abandoná-la. A fabricação de cerveja continuou em uma escala menor até 1809, quando foi interrompida completamente.
Os monges só retornaram para a Abadia em 1902, e em 1937 a Abadia de Leffe foi declarada patrimônio histórico (é possível visita-la. Veja aqui). Em 1952, os monges firmaram aquele que é conhecido como um dos primeiros contratos de royalties entre um mosteiro e uma cervejaria comercial, aumentando o alcance das cervejas Leffe, que passaram a integrar posteriormente o cast da toda poderosa InBev.
A receita tradicional é a mesma desde 1240, dizem, e é difícil discordar, já que estamos diante de uma cerveja bastante particular e especial. Atualmente são nove os rótulos produzidos/distribuídos pela Abadia (contando as sazonais) e três deles estão sendo trazidos ao Brasil pela AmBev: dois, Blond e Brune, desde 2009, e o terceira, a paulada Radieuse, a partir de 2011.
A Leffe Blond é o carro-chefe da Abadia, avisa o site oficial. O aroma já prenuncia o que vem pela frente: malte, cravo, especiarias, frutado, floral e adocicado conquistam o olfato. O paladar segue o aroma: o cítrico lembra casca de laranja, as especiarias tocam o céu da boca levemente, o malte arranja um espaçinho pra chamar de seu, o lúpulo está ali, levemente amargo, mas o final é impressionantemente doce e suave. Uma pequena obra-prima, personal e delicada. Mas cuidado: são 6,6% de álcool imperceptíveis.
A Leffe Brown segue o padrão de qualidade da versão loira. A diferença, óbvia, é que o malte torrado valoriza as notas de café e chocolate eliminando as especiarias. O aroma parece o da Blond sem o cravo, o floral e o frutado. No paladar ela sugere mais doçura que sua irmã loira, embora o amargor, ainda que leve, marque mais presença. O malte surge em primeiro plano, caramelado, dançando com o álcool, imperceptível, que evita um dulçor excessivo. O final adocicado abre apenas uma breve fresta para o lúpulo.
Com 8,2% de graduação alcoólica e recomendação de bebê-la na compania de carnes de sabor forte (como vitela e pato) e pratos condimentados e/ou apimentados, a Leffe Radiuse traz em sua composição cravo e semente de coriandro (especiaria da Ásia e norte da África). O aroma irresistível até lembra um pouco a versão Blond (uma mistura arrebatadora de cítrico com especiarias), mas a coisa pega no paladar, mais alcoólico, melado e… saboroso. Malte e lúpulo aparecem mais junto ao cravo, marcante, que sugere uma picancia que fica até o final, levemente amargo. Para ocasiões especiais.
Ainda mais forte que a Radiuse, a Leffe Tripel é apresentada no site oficial como “robusta”, o que sem dúvida a resume bem. Sua fermentação alcança a graduação alcoólica de 7%, que sobe para 8,5% quando refermentada na garrafa. O aroma é forte e lembra algo de biscoito (há fermento e milho entre os ingredientes) assim como um frutado intenso e algo de picante e maltado. O paladar é espesso, cítrico e maltado com um amargor leve, que toca o céu da boca – e fica até o final. Ainda há algo de coentro, álcool, abacaxi e defumado nesta boa cerveja, que, no conjunto, fica devendo para as outras da casa.
Além destas quatro representantes acima, a Abadia de Leffe tem em seu catálogo a Leffe Ruby (de framboesa) e a Leffe 9º (um strong ale poderosa) além das sazoanais Leffe Vieille Cuvée (8,2% caprichados e mais bem inseridos que na Tripel), Leffe de Printemps (6,6% para o verão) e a natalina Leffe Bière de Noël (6,6% carregado de especiarias).
Das nove cervejas deste post, as três primeiras (Blond, Brown e Radiuse) são facilmente encontradas a preços excelentes (entre R$ 4,50 e R$ 7) em supermercados, empórios e cervejarias por importação da InBev (vale dar uma olhada no Empório da Cerveja Submarino). As demais vale agendar uma visita a Bruxelas e beber por lá.
Leffe Blond
– Produto: Blond Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 6,6%
– Nota: 3,75/5
Leffe Brown
– Produto: Dubbel
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,75/5
Leffe Radiuse
– Produto: Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8,2%
– Nota: 3,81/5
Leffe Tripel
– Produto: Tripel
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 3,60/5
Leia também
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Mac (aqui)
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
dezembro 11, 2011 Encha o copo
Girl Groups: The Story of a Sound
Documentário de 1983, de Steve Alpert
dezembro 10, 2011 Encha o copo










