Enquete: Qual a melhor capa?



setembro 5, 2012 Encha o copo
Mixtape Scream & Yell #2 – Candy
01) Plato Divorak & Os Exciters – Eu Sou Um Ídolo Pop (2011)
02) The Sea and The Cake – Skyscraper (2012)
03) Os Pontos Negros – Senna (2012)
04) The Delgados – Accused of Stealing (2000)
05) Video Hits – Cozinha Oriental (2001)
06) Ash – Candy (2001)
07) Mauro Motoki – Grandes Esperanças (2011)
08) Big Star – September Gurls (1974)
09) Arnaldo Baptista – Corta Jaca (1977)
10) Ben Kweller – Sundress (2006)
11) Terminal Guadalupe – De Turim a Acapulco (2007)
12) The Afghan Whigs – Lovecrimes (2012)
13) Pedro Veríssimo – Eu Sempre Digo Adeus (2012)
14) Beck – Lost Cause (2002)
15) Jards Macalé – Para Ver as Meninas (1984)
16) Bjork – So Broken (1997)
17) Leo Jaime – A Lua e Eu (1986)
18) The XX – Tides (2012)
19) Thiago Pethit e Mallu Magalhães – Perto do Fim (2012)
20) Soulsavers & Mark Lanegan – No Expectations (2007)
21) Banda Vexame – Siga Seu Rumo (1991)
– Baixe a Mixtape #2 aqui e ouça as mixtapes anteriores (aqui)
setembro 3, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Vinícius Lemos

Nesta quarta-feira, 05 de setembro, começa a décima-terceira edição do Festival Casarão, em Porto Velho, Rondônia. O chapa Tiago Agostini esteve lá em 2010 pelo Scream & Yell e agora é a minha vez de conhecer a cidade e o festival. Já estou me preparando mentalmente para o calor: “Porto Velho é uma cidade quente e isso dá o tom do festival”, avisa Vinicius Lemos, produtor do festival.
Já devo descer do avião dentro do show dos locais do Expresso Imperial (duas pessoas já me falaram para prestar atenção neles), que abre o festival e a noite para o Medialunas, do Andrio e da Liege. Depois, entre muitos nomes da cena local e alguns de fora (Dary Jr me falou bastante do Tangerines and Elephants), ainda tem Transmissor (que só vi rapidamente em Belo Horizonte), Wado, Cachorro Grande e Pouca Vogal, do mestre Humberto Gessinger.
Neste bate papo rápido, Vinicius Lemos adianta um pouco do que me espera em Porto Velho, fala sobre as bandas da região que se apresentam no festival e relembra alguns grandes shows que o Casarão já levou para a cidade em 13 anos de existência, mostrando que a construção do line-up se preocupa em sempre trazer algum nome forte para atrair o público, que, por tabela, acaba tendo acesso à cena local (um dos pontos positivos do festival). Fala Vinicius:
Essa será a minha primeira vez em Porto Velho e no Casarão. O que posso esperar da cidade e do festival?
Esperar algo quente. Porto Velho é uma cidade quente e isso dá o tom do festival. Muita coisa quente. Mas uma cidade em pleno desenvolvimento, muitas obras (quase todas inacabadas) e um caos. E a gente vivendo nesse caos querendo trazer a cultura. O festival representa tradição. Ser decano do Norte traz uma resposanbilidade de sempre inovar. Numa cidade de 500 mil pessoas muitas bandas nunca vieram, como o próprio Pouca Vogal e o Wado e esse é o tom do festival. Sem editais, grandes patrocinios e dependendo muito de bilheteria, o line up é enxuto e buscando coisas para o publico pop e indie, com o melhor que temos em cada temática no Brasil. E muitas bandas regionais.
O Festival surgiu no mesmo que o Scream & Yell, em 2000, e você deve ter muitas histórias! Quais foram os shows que você mais curtiu nesses anos todos dentro do Casarão? Aqueles que te dão orgulho de ter produzido!
História é o cerne do festival. O nome Casarão é um icone em Porto Velho, é o local mais antigo construido aqui e que infelizmente não fazemos mais lá desde 2009, por causa da Usina de Santo Antonio. E lá eram as melhores histórias. Sobre os shows acabamos que na hora de apresentar o festival temos o curriculo grande, pela primeira vez para Porto Velho trouxemos Matanza, Cachorro Grande, Ratos, Pato Fu, Dead Fish, Moveis, Autoramas etc e ainda já trouxemos Pitty. E isso que dá o grande nome. Mas o orgulho pessoal é como o festival coloca Porto Velho no mapa com bandas conceitualmente ótimas, tenho orgulho de ter trazido Ludov em 2005, Do Amor em 2008 (primeiro festival a levar a banda), Comunidade em 2010, Emicida em 2011 e Wado em 2012. Aqueles que o publico as vezes não entende, mas é o meu maior orgulho.
E pra 2012? Quem você quer muito ver e quais nomes da cena local que eu não posso perder de maneira alguma?
A Versalle é a nossa banda mais legal, mais pronta, indie rock dos melhores. E vai ter o teste de tocar antes de um headliner. Expresso Imperial é uma ótima instrumental e acho que num clima descontraido com o Medialunas vai ser bem legal. Tem a ótima Sub Pop de Vilhena, interior do Estado, surpreendente. A nova Kali e os Kalhordas – que seria a renovação da cena e pela primeira vez um destaque para uma cantora local. Sobre eu querer ver, sempre tento responder todo o festival, desde a banda de fora que veio de Roraima ou Acre ou aquelas que vem de longe. Acho que o festival nos traz emoções as vezes surpreendentes de shows que esperamos pouco. Mas a ansiedade é por Medialunas e Wado.
setembro 3, 2012 Encha o copo
Assista: Episódio #4 do Music Trends
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Leia também: Os quatro episódios do Music Trends (aqui)
agosto 31, 2012 Encha o copo
Três cervejas: Patrícia, Basement e Wäls

A cervejaria belo-horizontina Wäls já é velha conhecida deste espaço. Sua linha belga (Dubbel, Trippel e, principalmente, a Quadruppel) está entre as melhores do País. Visitei a fábrica na Pampulha no exato dia em que eles preparavam a primeira brasagem desta Wäls Petroleum (até bebi uma prova feita com chocolate Lindt – assista aqui), uma poderosa Russian Imperial Stout de receita produzida pela cervejaria curitibana Dum. O pessoal da Wäls provou, aprovou, se apaixonou, e decidiu produzir em grande escala. Nascia uma das cervejas do ano!
Tudo na Wäls Petroleum é intenso. A cor honra o ouro negro. No aroma, notas fortes de chocolate amargo dominando com café, madeira, ameixas e malte torrado na retaguarda. O paladar (impressionantemente seco frente ao tom licoroso do conjunto) traz tudo isso mais álcool, uma cacetada de 12% muito bem inserida no conjunto, que também fica em segundo plano frente ao cacau belga que impera enquanto o lúpulo deixa uma marquinha de amargor. Uma excelência de cerveja, uma verdadeira experiência alcoólica.
No final, preste atenção nas marcas de chocolate que ficam borradas no copo, tal qual um Milk Shake de Chocolate (com 12% de álcool).

A uruguaia Patrícia também é bem conhecida dos brasileiros. Questão de seis ou sete anos, sua versão american lager, de rótulo vermelho, entrou em nosso mercado acompanhada da Nortenã (ambas da cervejaria FNC – Fabrica Nacionales de Cerveza), e conquistou um bom público nas terras de Pedro Alvarez Cabral. Surpresa positiva descobrir que, além dessa american lager, os uruguais ainda produzem Patrícia em versões Porter, Dunkel, Vienna Lager, Red Lager e Weisse. Ganhei essa última do amigo cervejólogo Leonardo Dias, que a trouxe de Montevideo.
Minha expectativa com a Patricia Weisse era de uma cerveja que mirava na Weihenstephaner e acertava a Bohemia Weiss, o que já estaria de bom tamanho. Porém, ótima surpresa, a versão de trigo da Patrícia é uma witbier levíssima que paga tributo á escola belga. O aroma é extremamente cítrico com notas intensas de lima e laranja. O paladar segue o caminho aberto e não decepciona. Lançada no final de 2011 no mercado uruguaio, a Patricia Weisse pode e deve conquistar os fãs da belga Hoegaarden. Ótima.

A Basement Cervejas Especiais é uma novíssima cervejaria de Videiras, em Santa Catarina, uma cidade de menos de 50 mil habitantes que fica a 450 quilômetros da capital Florianópolis, e que é famosa pelo vinho, com uma Festa da Uva que acontece na cidade desde 1942 cujo ponto alto Concurso Estadual de Vinhos (além dos abatedouros de aves e suínos, que constituem 75% do movimento econômico do município). A Basement produz três tipos de cerveja: California Golden Ale, Tony Festival e a Port Royal Sweet Stout.
De rótulo bonito (praxe da casa), a Port Royal Sweet Stout traz notas fortes de malte tostado, que dá ao conjunto um forte aroma e sabor de café. Há um pouco de notas de chocolate amargo, de ameixa e notas excessivas de amadeirado além do álcool, muito presente (8,5%). No geral, a carbonatação é baixíssima, a espuma quase inexistente, e o liquido ralo numa cerveja que parece querer seguir a tradição vinícola da cidade, e decepciona. O final é amargo, com um rastro de café e álcool que marcam o céu da boca e seguem até o final da garganta.
A Wäls Petroleum já pode ser encontrada com facilidade em bons empórios (e no Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo, e no Stad Jever, em Belo Horizonte, também em torneira) com preços entre R$ 14 e R$ 16 a garrafa de 330 ml (com validade extensa – essa da foto até maio de 2015). A Port Royal Sweet Stout, da Basement, também está circulando em empórios, entre R$ 16 e R$ 18. Já a Patrícia Weisse, por enquanto, só em Montevideo (ou se algum amigo camarada trazer de lá). Se você gosta de witbier, peça. Vale a pena.
Wäls Petroleum
– Produto: Russian Imperial Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 12%
– Nota: 4,39/5
Patricia Weisse
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Uruguai
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 3,02/5
Basement Port Royal Sweet Stout
– Produto: Sweet Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 2,34/5

Leia também:
– Uma manhã na cervejaria Wäls, por Marcelo Costa (aqui)
– Wäls Quadruppel, uma cerveja excepcional, por Mac (aqui)
– Ranking Pessoal -> Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
agosto 30, 2012 Encha o copo
De Campos do Jordão, Baden Baden (1)

Posso até estar errado, mas acredito que a primeira cerveja brasileira independente, com rótulos diferentes das tradicionais, a circular com força no mercado, foi a Baden Baden. A cervejaria foi criada por quatro amigos em 1999, na cidade de Campos de Jordão, inspirados no restaurante de um deles na cidade, datado de 1985, que servia chopp artesanal de excelente qualidade. Este chopp acabou se tornando a primeira cerveja da casa, em 2000.
De lá pra cá, a Baden Baden cresceu muito até serem adquiridos pela Schincariol em 2007 pela pequena fortuna de R$ 30 milhões. Muita gente temia que os novos donos mexessem na boa receita original, mas vários relatos apontam, inclusive, melhoras em alguns rótulos, que hoje em dia são oito: Pilsen Cristal, Lager Bock, Golden Ale, Red Ale, 1999, Dark Stout e Weiss além da sazonal Celebration Inverno. Vou dividir em dois posts de quatro cervejas.
O passeio pela Baden Baden começa pela Weiss, que traz as notas frutadas com acentuação de banana características de uma cerveja do estilo além de um pouco de cravo e fermento (tudo aquilo que você já sabe e que é obrigatório). O paladar, um bocadinho sem corpo, segue a risca o que o aroma adianta: notas persistentes de banana, mínimo de malte e lúpulo comportado (mas presente) numa cerveja que impressiona (e merece crédito) pela sua leveza.
A 1999, por sua vez, é inspirada nas bitter ale inglesas, o que o aroma extremamente maltado corrobora assim que o freguês abre a garrafa. Há, ainda, sugestões de ameixa, melaço, cereja e malte tostado. É no paladar, porém, que a 1999 decepciona um pouco (ou, vendo por outro lado, conquista aqueles que não são atraídos pelas inglesas): o amargor é suave demais (embora deixe um rastro no final) em um conjunto adocicado que deixa o lúpulo na retaguarda. Mas tem bala pra conquistar muitos corações.
Seguimos com a Stout da casa. O malte torrado não deixa dúvidas em relação ao estilo desta negra intensa que nasceu em Campos do Jordão, mas tem descendência irlandesa. O aroma ainda traz sugestão de café, chocolate amargo e madeira, tudo replicado com louvor no paladar, cujo amargor é muito mais arte do malte torrado do que do lúpulo – o que também a torna levemente adocicada (mas muuuuito longe de uma Malzbier, por favor). Gostosa e bem interessante.
Já a Red Ale é a Barley Wine da casa, uma das preferidas dos fãs da cervejaria, não indicada para quem está começando no paraíso das cervejas especiais, porque sua intensidade pode inibir o bebedor acostumado às cervejas de balcão. E bota intensidade: são 9,2% de álcool muito bem distribuídos num conjunto cujo aroma maltado de caramelo (levemente tostado) e a sugestão de frutas vermelhas bailam com o álcool numa dança convidativa de dulçor e amargor. Não só uma das melhores da Baden Baden, mas na elite das cervejas brasileiras.
Com boa distribuição da Schincariol, a Baden Baden pode ser encontrada com facilidade em diversos supermercados entre R$ 10 e 12 (a garrafa de 600 ml), e valem o investimento. Há um tour – que não fiz ainda, mas já estou planejando – pela microcervejaria em Campos de Jordão, que parece cuidadoso e interessante. É preciso agendar via telefone, e as informações estão todas no site oficial. Enquanto isso, vou preparando as próximas quatro garrafas…
Baden Baden Weiss
– Produto: Weiss
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 2,89/5
Baden Baden 1999
– Produto: Bitter Ale
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 6%
– Nota: 3,03/5
Baden Baden Stout
– Produto: Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 2,95/5
Baden Baden Red Ale
– Produto: Barley Wine
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 9,2%
– Nota: 3,08/5

Leia também:
– Top 700 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
agosto 28, 2012 Encha o copo
Cinco fotos: Belo Horizonte
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Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)
agosto 27, 2012 Encha o copo
Mixtape Scream & Yell #1 – Igual
01) Biquini Cavadão – Direto Pro Inferno (1989)
02) Alabama Shakes – Pocket Change (2012)
03) Zeca Baleiro – Mamãe no Face (2012)
04) Wanda Jackson – You Know, I’m No Good (2011)
05) Chico Buarque – Jorge Maravilha (Versão Lenta) (1974)
06) The Wedding Present – Stop Thief (2012)
07) B Negão – Essa é Pra Tocar no Rádio (2012)
08) Miles Davis – Sugar Ray (1970)
09) Mão de Oito, Emicida e Kamau – Beats (2012)
10) Danger Mouse, Daniele Luppi e Jack White – The Rose With A Broken Neck (2011)
11) Banda Gentileza – Coracion (2010)
12) Wilco – Me Avivê (2012)
13) Os Gianoukas Papoulas – Igual (2005)
agosto 27, 2012 2 Brindes
Três perguntas: Fernando Rosa

Fernando Rosa é um dos nomes de primeira hora da internet brasileira. Quando a rede começou a engatinhar no país, ele colocou no ar o Senhor F, em 1999, um site essencial que, ao mesmo tempo, lançava luz sobre a história do rock brasileiro buscando nomes dos primórdios do cenário tanto quanto distribuía via download gratuito através de seu selo virtual os novos nomes da música brasileira. Posteriormente, o Senhor F se tornaria também um selo fonográfico e uma produtora de shows e festas sob o comando apaixonado de Fernando Rosa, um cara superativo, extremamente simpático e que é, provavelmente, uma das pessoas que mais fez coisas pelo cenário independente brasileiro.
Em 2008, Fernando Rosa, Sylvie Piccolotto e Pablo Hierro organizaram o Festival El Mapa de Todos, um evento que busca quebrar as fronteiras musicais entre os países latinos, e que segue com uma excelente vitrine da boa música feita na América Latina. Em 2012, o El Mapa de Todos acontecerá nos dias 6, 7 e 8 de novembro na casa de shows Opinião, em Porto Alegre, e contará com a participação de 15 artistas: Bareto (Peru), Juan Cirerol (México), Algodón Egipcio (Venezuela), Dënver (Chile), NormA (Argentina) e El Cuarteto de Nos e Franny Glass & Banda (Uruguai). Os artistas nacionais são Nenhum de Nós, Autoramas, Apanhador Só, Esteban, Bidê ou Balde, Medialunas, The Tape Disaster e Fábrica do General Bonimores.
Para saber um pouco sobre a relação de Fernando Rosa com a música latina, envie três perguntinhas rápidas:
Quando a música sul-americana surgiu na sua vida? O que a despertou?
Olha, um conjunto de fatores. Primeiro, tem a influência da música gaúcha que, por conta do Pampa comum, é meio uruguaia e meio argentina, e que cresci ouvindo no rádio. Depois, devido a proximidade com esses dois países, quando pequeno ouvia algumas rádios argentinas, ainda mais música tradicional do que rock. Na infância também ouvi muita música sertaneja paulista, com apelo mexicano, tipo Pedro Bento & Zé da Estrada, Tonico e Tinoco e outros tantos. Mas o mais determinante foi o convívio com jovens argentinos e uruguaios foragidos das respectivas ditaduras, em meados dos anos setenta. Alguns deles foram parar em minha casa, em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, trazendo dor, saudade e discos – de artistas jovens como eles. Naquele momento, então com pouco mais de 20 anos, já tinha sido “convertido” ao rock, depois de uma escala na Jovem Guarda e na Tropicália, mesmo sem entender do que se tratava. Vale destacar ainda a repercussão da presença dos mexicanos Santana em Woodstock, que vi em filme, e imediatamente comprei seus discos, que saíram no Brasil. Ouvíamos discos de Almendra, Spinetta, Sui Generis, La Confradia de La Flor Solar e outros grupos roqueiros da época. Isso foi muito marcante e, desde então, assim como acompanhei o desenvolvimento do rock anglo-saxão, segui ouvindo o que rolava ali do lado. Também me interessei por artistas nacionais que fizeram essa ponte com a música em espanhol, como Milton Nascimento, Secos & Molhados, Fagner (um pioneiro, com o disco “Traduzir-se”), Belchior e alguns outros. Com o tempo, especialmente a partir dos anos noventa, fui ampliando o horizonte musical para além do Uruguai, do Argentina e da Espanha ouvindo artistas de outros países. Com o surgimento da internet, fechei o ciclo de gerações do rock da maioria dos países, baixando uma infinidade de discos, muitos dos quais conhecia apenas pela lenda. Outros fatores são extra-música, como a minha origem portuguesa-galega-espanhola e uma visão político-ideológica de defesa da integração latinoamericana.
Se alguém quisesse desbravar a América do Sul independente e roqueira, quais discos você recomendaria pra começar?
Uma resposta difícil, porque em todas as décadas e gerações, e em todos os países, tem discos geniais. Mas, vai então uma lista de artistas e grupos atuais, com seus lançamentos mais recentes, sem ordem de importância (nisso tem bastante de gosto pessoal):
Algodón Egípcio – La Lucha Constante (Venezuela)
Bareto – Ves Lo Quieres Ver (Peru)
Buenos Muchachos – Se Pule La Colmena (Uruguai)
Christina Rosenvinge – La Jovem Dolores (Espanha)
Cienfue – La Calma y La Tormenta (Panamá)
Davila 666 – Tan Bajo (Porto Rico)
Dënver – Música, Gramática, Gimnasia (Chile)
El Mato a Un Policia Motorizado – El Nuevo Magnetismo (Argentina)
Fernando Milagros – San Sebastián (Chile)
Francisca Velenzuela – Buen Soldado (Chile)
Franny Glass – El Podador Primaveral (Uruguai)
Gepe – Audiovisión (Chile)
Juan Cirerol – Haciendo Leña (México)
La Vida Boheme – Nuestra (Venezuela)
Lisandro Aristimuño – Mundo Anfíbio (Argentina)
Los Mentas – Unidad Educativa Los Mentas (Venezuela)
Los Negretes – México City Blues (México)
Los Vigilantes – Los Vigilantes (Porto Rico)
Manel – 10 Milles per Veure una Bona Armadura (Espanha)
Mima – El Pozo (Porto Rico)
Monareta – Fried Speakers (Colômbia)
NormA – A (Argentina)
Odio Paris – Ódio Paris (Espanha)
Vetusta Morla – Mapas (Espanha)
Xoel López – Atlântico (Espanha)
Como foi o processo de montar o line-up do El Mapa de Todos 2012?
Assim como nos anos anteriores, o lineup é resultado do acompanhamento do que está acontecendo nas respectivas cenas musicais independentes de cada país. Uma espécie de fotografia do momento, contemplando artistas novatos, como Algodón Egípcio, em ascensão, como Juan Cirerol, ou mesmo já consagrados, como Bareto, mas oriundos da cena independente local. Ouvimos os discos, vemos os vídeos de shows no Youtube, acompanhamos outros festivais, como Vive Latino (no México), lemos resenhas de discos e shows, etc para chegar a uma escalação final de acordo com a nossa capacidade econômica, que nos impõe limitações. No campo nacional, fizemos uma opção por valorizar os artistas que têm uma sintonia com a música latinoamericana. O gaúcho Nenhum de Nós, por exemplo, tem históricas parcerias com artistas argentinos e uruguaios, enquanto os Autoramas está entre os grupos brasileiros que mais circula pela América Latina.
Acima, um documentário em três partes sobre a edição 2011 do El Mapa de Todos, dirigido e produzido por Liege Milk. O Senhor F também disponibiliza um álbum contendo o áudio do festival, com uma faixa de cada artista. Baixe aqui
agosto 27, 2012 Encha o copo
Keith Richards, Rolling Stone Alone

“Os tiras estavam armando o cerco, usando todos os recursos possíveis e inimagináveis para pegar um único guitarrista. É claro que o gerente do hotel devia saber, mas ninguém nos avisou nada. A polícia subiu direto até o nosso quarto. Meu filho Marlon normalmente não teria deixado nenhum policial entrar, mas eles estavam vestidos de garçons. Eles não conseguiram me acordar. Por lei, o sujeito tem que estar consciente para ser preso. Eles levaram 45 minutos… A lembrança que tenho é de acordar com eles me dando uns tapas e perguntando: ‘Quem é você? Você sabe onde está e por que estamos aqui?’. Respondi: ‘Meu nome é Keith Richards, estou no Harbour Hotel, mas não tenho a mínima ideia do que vocês estão fazendo aqui’. Antes disso eles tinham encontrado o meu estoque, que tinha aproximadamente 28 gramas (de heroína). Era muita coisa. Não mais do que um homem como eu precisava, quer dizer, não dava para alimentar uma cidade. Me prenderam e, devido a quantidade, fui acusado de tráfico – o que no Canadá resulta em uma longa sentença de cadeia. (…) Fui solto sob uma fiança de muitos dólares, mas tomaram meu passaporte e minha liberdade estava restrita ao hotel. Eu estava aprisionado, e ainda tinha que esperar para ver se iam me prender. Ian Stewart sugeriu que eu usasse aquele tempo de espera para gravar algumas músicas (os Stones tinham deixado Toronto para que a polícia não os envolvesse). Ele alugou um estúdio, um belo piano e um microfone. O resultado vem circulando por ai por algum tempo – KR’s Toronto Bootleg. Nós simplesmente tocamos todas aquelas músicas country, bem parecido com o que faríamos em qualquer outra noite, mas havia certa pungência naquela sessão, já que naquele momento as coisas estavam parecendo um tanto sombrias para mim”.
Trecho de “Vida”, autobiografia de Keith Richards
Nota: as oito faixas dessa sessão em Toronto podem ser encontradas em diversos bootlegs de Keith Richards, incluindo “Rolling Stone Alone” (aqui), e se tratam de versões para canções de George Jones, Hoagy Carmichael, Fats Domino e Merle Haggard. Foi a fase fundo do poço de Keith, que terminou em um acordo do músico com a polícia, após o advogado de defesa declara-lo como viciado e doente, e encaminhava o guitarrista para um período de reabilitação (ele ainda usaria a droga nos anos seguintes, mas cada vez mais estava longe do “veneno”, como ele diz no livro, terminando por abandona-la em 1979). E a saída do fundo do poço começou nesse período em Toronto…

Leia também:
– Keith Richards: “Gostar ás vezes é melhor do que amar” (aqui)
– Gram Parsons por Keith Richards (aqui)
– Quando os Rolling Stones invadiram Matão (aqui)
agosto 22, 2012 1 Brinde









