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Na revista BeerArt #2

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Criada especialmente para tablet, a BeerArt é uma revista que retrata a evolução da cerveja artesanal, em um mundo onde importante é saborear, e não exagerar. Neste segundo número, falo sobre minha cerveja preferida (veja aqui). A revista está disponível apenas para tablet, mas o pessoal colocou algumas páginas para degustação no site da publicação. Confere lá: http://revistabeerart.com/

outubro 18, 2013   Encha o copo

William Kentridge na Pinacoteca SP

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Está imperdível a exposição “William Kentridge: fortuna”, a primeira grande exposição monográfica sobre Kentridge na América do Sul, que inclui 38 desenhos, 35 filmes e animações (todos muito bons), 184 gravuras, 31 esculturas e duas vídeo instalações, produzidas pelo renomado artista sul-africano entre 1989 e 2012, incluindo séries inéditas de trabalhos.

Kentridge alcançou visibilidade internacional com a série de curtas-metragens “Drawings for Projection”, iniciada em 1989 (o filme mais recente, “Other Faces”, foi finalizado ano passado). Todos os dez filmes estão presentes na mostra acompanhados por 23 desenhos que o artista executou ao preparar os filmes, criando uma oportunidade única para examinar o diálogo entre desenho e filme.

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Os filmes têm uma aparência diferente das animações convencionais, devido a uma técnica caseira, inventada por Kentridge, que o artista descreve como “cinema da idade da pedra”. Kentridge filma, quadro por quadro, alterações que faz sobre um único desenho, realizado em carvão ou pastel. Apaga, adiciona, subtrai, acumula, redesenha. O método é interessantíssimo.

Entre os destaques da mostra estão a impactante obra “A Recusa do Tempo no Octógono”, uma grande instalação com 5 canais de vídeos incluindo um complexo panorama de som. A obra inclui 4 megafones de aço e o que o artista chama de ‘elefante’, uma máquina-objeto concebido pelo artista que parece respirar. A duração do ciclo é de 28 minutos. Impressiona.

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Entre as obras que mais gostei da exposição estão os “Telephone Lady”, “Stereoscope” e, principalmente, “What Will Come”, em que um projetor preso ao teto projeta em uma mesa um filme, que é refletido em um cilindro de metal. Uma obra lírica é belíssima – há ainda outra, estática, também impressionante, chamada “Tide Table”.

“William Kentridge: fortuna” fica em cartaz até 10 de novembro na Pinacoteca do Estado de São Paulo. A Pinacoteca abre de terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h. Ás quintas até às 22h com entrada franca das 17h às 22h. O ingresso para os demais dias custa R$ 6 (R$ 3 a meia entrada). Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam. Vale muito ver.

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outubro 13, 2013   Encha o copo

Feliz Dia das Crianças

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“Superfantástico” – Vários (Som Livre)
por Marcelo Costa

Texto publicado no Scream & Yell em agosto de 2002

“Superfantástico – Quando eu era Pequeno” é, como diz o subtítulo, uma coletânea de artistas fazendo versões para “clássicos” do cancioneiro infantil via programas de televisão. Impossível ser imparcial quando o Capital Inicial enche de guitarras “A Casa”, de Vinicius de Moraes (aquela do “Era Uma Casa Muito Engraçada, Não Tinha Teto Não Tinha Nada”), composta para o especial Arca de Noé de 1980, da Tv Globo, ou Érika Martins, do Penélope, preenche com sotaques bjorkianos a melodia grudenta de “Superfantástico”, tema do Balão Mágico em 1982, em um dueto com Arnaldo Antunes. Além destas duas, destacam-se os mineiros do Pato Fu colocando barulhinhos em “O Relógio” (outra da Arca de Noé de Vinicius), o Biquíni Cavadão com “O Carimbador Maluco” (tema do especial “Plunc Plact Zun” de 1982), Frejat encarnando poesia com “Cinto de Inutilidades” (tema do Globo Cor Especial de 1972), Branco Mello voltando a ser criança em “Vigilante Rodovoário” (tema do programa homônimo de 1962) e até Kelly Key soando passável com “Doce Mel” (tema do Xou do Xuxa – 1986). O prêmio hors-concours fica com o Los Hermanos, emocionando com “Hollywood” (tema dos Saltimbancos Trapalhões), letra perfeita de Chico Buarque. O encarte traz fotos de todos os artistas no tempo em que eles crianças e, amparado na inocência de anos que não voltam mais, “Superfantástico – Quando eu era Pequeno” surge como uma empreitada descompromissada e altamente recomendável.

Leia também:
– E já que é Dia das Crianças, duas fotos (aqui)

outubro 12, 2013   Encha o copo

Podcast O Resto é Ruído #30

Eu já havia participado de uma edição do podcast, e retorno agora neste episódio número #30 me tornando membro fixo ao lado de Elson Barbosa, Fernando Lopes, Amanda Mont’Alvão e Filipe Albuquerque. Nesta edição d’O Resto É Ruído falamos sobre o Rock In Rio e a polêmica Kiara Rocks versus jornalistas, sobre os últimos suspiros da velha MTV e para onde deve ir a nova MTV. No set list, lançamentos nacionais do Hangovers e Novanguarda, o rock latino do Triángulo de Amor Bizarro, um clássico remasterizado do The Clash, e fechando com o rock torto do Polvo. Infos sobre o podcast aqui.

outubro 7, 2013   Encha o copo

Três vídeos: Graveola recebe O Terno

As duas bandas no palco do Auditório Ibirapuera, 03/10/2013


“Enterrei Vivo”


“Blues Via Satélite”


“Crazy Pop Rock” (Gilberto Gil)

outubro 4, 2013   Encha o copo

A coisa mais frágil do mundo

“A alma não necessita ser particularmente elevada para entender que nesta vida não se pode alcançar a satisfação plena e real. Que os nossos prazeres, agitações e desastres são intermináveis. E que, por fim, a morte ameaça-nos de hora em hora, e inevitavelmente nos impinge a necessidade do horror ou da destruição eterna, ou da eterna desgraça. Entre nós, o céu, o inferno e o nada há apenas a vida, que é a coisa mais frágil do mundo.” Blaise Pascal

outubro 3, 2013   Encha o copo

As bibliotecas da minha vida

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No domingo, 29 de setembro, o Estadão publicou uma reportagem sobre o pouco uso das bibliotecas públicas em São Paulo, com a seguinte chamada: “Algumas têm mais funcionários que usuários: Há mês que não vem ninguém, diz bibliotecária”. Para um cara como eu, que teve em bibliotecas públicas boa parte de sua formação, é um dado arrasador. Então decidi relembrar algumas histórias…

Houve um tempo, ainda quando eu morava em Taubaté (ou seja, no século passado), e o dinheiro era bastante raro, que eu era sócio de várias bibliotecas na cidade, e costumava variar principalmente entre duas: a Biblioteca do Sesi e, minha amada, a Biblioteca Municipal de Taubaté, que fica ainda hoje no Parque Doutor Barbosa de Oliveira, no centro da cidade, ao lado da antiga rodoviária e da estação de trens (desativada) da cidade.

A Biblioteca Municipal de Taubaté foi praticamente a responsável por grande parte da minha formação de leitor. Houve um tempo, em que já assíduo frequentador, a bibliotecária me deixava entrar e fuçar o acervo, o que era muito mais instigante do que pedir um livro sem saber tudo que tinha lá dentro – hoje em dia, para felicidade dos poucos usuários, quase todas as bibliotecas municipais tem livro acesso, mas antigamente não era assim.

Boa parte dos livros que amo foram emprestados da Biblioteca Municipal de Taubaté. Certo dia, como meu cadastro já estava repleto de folhas grampeadas, a bibliotecária decidiu abrir um novo cadastro, e me ofereceu as folhas que traziam os livros que eu tinha retirado meses antes, e tudo que me importa está ali, naquelas folhas, que giram em torno de velhos companheiros, alguns que se repetem em pequenos intervalos de semana.

Há, olhando com calma (é só olhar clicando na imagem no fim do post) coisas de Lygia Fagundes Telles (“Ciranda de Pedra”, “Os Melhores Contos”, “Seleta”, “Verão no Aquário”), Clarice Lispector (“Ilusões do Mundo”, “Poesias Completas”), Érico Verissimo (a coleção “O Tempo e o Vento”), Vinicius (“Antologia Poética”), Euclides da Cunha (“Os Sertões”), Oscar Wilde (“Obras Completas”), Proust (“No Caminho de Swan”) e muitos outros.

Muitos destes comprei (a coleção “O Tempo e o Vento”, os livros da Lygia Telles, as obras completas do Oscar Wilde, a coleção “Em Busca do Tempo Perdido”), e sempre sonhei em reencontrar a coleção de Shakespeare que havia naquela Biblioteca, mais de 30 volumes numa encadernação azul com um impecável rodapé que situava todas as histórias tanto quanto inspirações que Shakespeare teria tido para escrever tal passagem. Amo aqueles volumes (Ps 2023: Consegui comprar a coleção!!!)

Certo dia (meio dos anos 90, acho) apareci para retirar um livro na Biblioteca do Sesi, que não era tão abastada quanto a Biblioteca Municipal, mas costumava trazer alguns títulos novos, como coisas de Salman Rushdie, se a memória não me trair. A bibliotecária perguntou se eu tinha cadastro, e respondi que sim, afinal havia estudado no Sesi (6ª e 7ª séries) e vez por outra aparecia para emprestar um livro.

Olhando os arquivos ela encontrou a minha ficha, que trazia a 3/4 que abre esse post. “Precisamos atualizar, porque você tem 11 anos nessa foto”, ela brincou. E eu troquei aquela foto de 11 por uma de 20 e poucos, meio que emocionado por relembrar das coisas que eu já tinha lido daquele espaço, e guardei aquele pequeno retrato de um garoto que nada sabia da vida (não que eu sabia muito mais hoje em dia).

Quis o destino, feliz, que um dia, na escuridão nebulosa do meu futuro absolutamente incerto, eu passasse em um concurso público para trabalhar em uma das bibliotecas da Universidade de Taubaté, e isso não só mudou a minha vida radicalmente (abrindo portas para que eu entrasse no curso de Comunicação Social e estivesse aqui agora) como se instala até hoje como um dos melhores e mais felizes períodos da minha vida.

Pessoalmente, não vou há uma biblioteca há tempos, porque acabei adquirindo quase todos os livros que amava, e mais umas duas centenas que se acumulam à minha frente esperando o seu momento de leitura. Gosto de pensar que estou montando a minha biblioteca, e guardando para a velhice (e para minhas filhas meu filho) livros que nunca li, e outros que vou reler, e comparar os sentimentos da primeira leitura (será que “O Lobo da Estepe” baterá com a mesma força que bateu aos 16 anos? E “O Macaco e a Essência”?).

Todas as vezes que me ponho a discutir sobre política e problemas do país, se afunilo a discussão, o resultado inevitavelmente desemboca em educação, no obrigatório dom que todo cidadão precisa exercitar para dominar suas ideias e expô-las de uma forma que fuja da manipulação. Argumentar. Ler, nessa sociedade de capitalismo oportunista, é tão vital quando respirar, e, nesse desenho de sociedade, as bibliotecas são cada vez mais obrigatórias.

Não vou ficar aqui enaltecendo a importância da leitura. Minha ideia é apenas pagar uma parcela de um enorme débito que tenho com as bibliotecas públicas, lugares que ampliaram meu modo de olhar o mundo, e que ajudaram a construir a pessoa que sou hoje. Não consigo me imaginar sem as bibliotecas da minha vida. Não consigo aceitar bibliotecas vazias. Que esse cenário mude. Logo. É importante para todos nós.

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Leia também:
– Top 10 Livros da Minha Vida, por Marcelo Costa (aqui)

setembro 30, 2013   Encha o copo

Beer Experience 2013: Uma decepção

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Aparentemente, tinha tudo para ser um fim de semana especial. O Beer Experience, que havia começado sua trajetória em uma área de estandes no Shopping Frei Caneca em 2011, tinha chegado ao Pavilhão de Exposições do Ibirapuera esperando um grande público e provando o excelente momento que a cerveja artesanal vive no Brasil. Mas uma série de escolhas erradas da produção colocou a perder o único grande festival de cervejas da cidade de São Paulo, e a terceira edição 2013 do Beer Experience foi decepcionante.

Como um bom festival de cervejas artesanais, as duas primeiras edições do Beer Experience trouxeram novidades, lançamentos e introduzira novos rótulos no mercado, algo que foi feito que timidez assustadora neste ano. Mais triste foi perceber a ausência de micro cervejarias importantes (alto preço dos aluguel dos estandes, justificaram alguns) e encontrar várias cervejas custando mais dentro do evento (a Rogue Voodoo Bacon Maple Ale estava sendo vendida a R$ 120 e pode ser encontrada por R$ 80 em bons empórios da cidade), além do serviço insatisfatório de comida.

A sensação é de que a cultura cervejeira foi deixada de lado em prol do lucro, e que o Beer Experience virou uma grande balada em que conversar sobre cerveja com fabricantes e descobrir novos rótulos ficou em segundo plano dando lugar a shows e áreas vips num espaço desleixado e sem decoração, o que sugere pressa e descuido. A percepção clara é de que o Beer Experience quis dar um passo maior do que a perna, e pode até ter alcançado um público maior, mas perdeu qualidade e credibilidade.

O Beer Experience perde ainda mais se comparado ao sensacional Festival Brasileiro da Cerveja, de Blumenau, que consegue atender de forma cuidadosa a um imenso público, reunir algumas das melhores micro-cervejarias do país, boa parte delas lançando novidades, e ofertar comida a bons preços e sem filas imensas. Por mais que a estratégia do Beer Experience denote uma escolha errada, fica a torcida para que o festival volte aos eixos nas próximas edições. O que se viu na edição 2013 do Beer Experience foi lamentável.

É importante crescer. É importante ter um lucro que permita continuar fazendo o que se faz, da melhor maneira possível, mas respeito ao público e à própria cultura cervejeira deveriam ser  emblemas do Beer Experience, e a edição 2013 pecou nisso. Que esse cuidado seja retomado nas próximas edições e que os erros permitam ao Beer Experience melhorar para os próximos anos. Caso contrário, ao optar por se tornar balada, o festival deixa uma brecha interessante no mercado cervejeiro paulistano. Vale ficar de olho.

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Leia também:
– Os destaques do primeiro Beer Experience, em São Paulo (aqui)
– Os destaques do segundo Beer Experience, em São Paulo (aqui)

setembro 30, 2013   Encha o copo

Dois (ou três) bares cervejeiros no Rio

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Foto: Marco Bart Barbosa

Na semana passada, prê-segundo fim de semana maratona do Rock in Rio, sai pela cidade carioca com alguns bons amigos conhecendo bares que vendem boa cerveja. Na quinta, começamos com o pé esquerdo ao pagar R$ 27,50 em um pint de Guiness num boteco ao lado dos Arcos da Lapa, mas as coisas melhoraram na sexta, quando visitamos o Aconchego Carioca e o Botto Bar, os dois próximos da Praça da Bandeira, os dois na Rua Barão de Iguatemi (um no número 379, outro no 205 – respectivamente).

O Aconchego Carioca fica num velho casarão e se destaca pelo ótimo cardápio de petiscos. Comemos o tradicional Bolinho de Feijoada acompanhado de uma Erdinger Pikantus, um dos rótulos de melhor custo benefício no local, que tem como ponto negativo a falta de torneiras – a cerveja na pressão está sendo cada vez mais difundida no país. Numa primeira olhada achei os preços de cervejas importadas (principalmente belgas e norte-americanas) bastante elevado, e a carta da filial paulistana muito melhor (incluindo nacionais).

Já o Botto Bar me conquistou com 20 torneiras selecionadas pelo mestre cervejeiro Leonardo Botto. Curti o clima do local, a porção de salgadinho também foi aprovada e a carta de cervejas na pressão é para todos os bolsos e gostos colocando as incomparáveis Tripel Karmeliet, Chimay Triple, La Trappe Quadrupel, Pilsner Urquell, Ola Dubh 16 e Weihenstephaner ao lado de boas nacionais como da Cervejaria Noi, de Niterói. Quero voltar quando estiver no Rio – e ainda conhecer o Delirium Café carioca.

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Leia também:
– Europa 2013: Rodando bares em Bruxelas (aqui)
– Oito pubs de cervejarias nos Estados Unidos (aqui)

setembro 28, 2013   Encha o copo

Sobre Bruce Springsteen e Raul Seixas

Clique na imagem para ver a coluna em maior tamanho

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Leia também:
– Saiba como foi o show de Bruce Springsteen em São Paulo (aqui)
– Baixe: “Sociedade Alternativa”, com Bruce Springsteen, em MP3 (aqui)

setembro 28, 2013   Encha o copo