Túnel do Tempo: Zero Hora 22/02/2001
maio 16, 2015 Encha o copo
Um disco: 11:11, Come (1992)
Disco de estreia do Come, banda comandada por Thalia Zedek, “11:11” é, segundo a Entertainment Weekly, “uma explosão cativante de tédio e feedback”; para o All Music Guide, “11:11” combina “extrema angústia com poder de comando”; para a Rolling Stone é um dos discos que definem o som do selo Matador. Para mim, “é uma pedra amarrada na alma e arremessada ao rio”. Ouça com cuidado…
maio 12, 2015 Encha o copo
Feliz Dia das Mães, mãe
maio 10, 2015 Encha o copo
Três canções memoráveis
Uma amiga, a Letícia, me marcou numa corrente no Facebook pedindo para que eu publicasse durante três dias seguidos uma canção memorável. Ok, a primeira que escolhi foi “A Design For Life”, do Manic Street Preachers, mas não na versão do álbum (homônimo de 1996) e sim o remix maravilhoso do Apollo 440, que com o nome de Stealth Sonic Orchestra assinou diversos remixes orquestrais para o Manics (destacando ainda “Everlasting”, “Motorcycle Emptiness” e “Everything Must Go”).
“A Design For Life” foi o primeira canção escrita após o desaparecimento de Richey Edwards e destaca uma letra fortíssima. O título foi inspirado no nome do primeiro EP lançado pelo Joy Division, “An Ideal For Living” (1978) e a letra abre com duas importantes citações: “As bibliotecas nos deram poder” é uma frase escrita no topo da antiga biblioteca de Pillgwenlly, em Newport, na Inglaterra; “Então o trabalho veio e nos fez livres” é um slogan alemão que decorava a entrada dos campos de concentração.
Segunda da lista, “So Broken” foi escrita por Björk em 1996 durante as sessões para o que viria a ser o álbum “Homogenic” (1997), um busca pessoa por algo menos eletrônico. A inspiração para a canção foi a morte de seu stalker, Ricardo López, que após enviar uma carta-bomba para a casa da cantora (interceptada pela polícia metropolitana de Londres), filmou seu próprio suicídio. Abalada em sua casa, Björk imaginou-se como protagonista em uma novela espanhola e compôs “So Broken”…
A versão original foi gravada em Málaga, na Espanha, e acabou ficando de fora do álbum “Homogenic”, posteriormente sendo inclusa na versão japonesa do disco (surgiu também como lado b do single e EP “Jóga”, lançado em setembro de 1997). Essa versão ao vivo no Jools Holland (com o violonista espanhol Raimundo Amador, que gravou a original, acompanhado de João Luiz Rodriguez) é grandiosa e impactante por ter o componente visual, mas ainda assim não alcança o brilho da memorável versão original.
Pra fechar o trio de canções memoráveis em três dias, escolhi o provável melhor momento que vivi como espectador diante de um artista executando uma canção. Aconteceu em 2005, quando Elvis Costello baixou em São Paulo (como uma data extra de sua escalação para o Tim Festival, no Rio) para um show único e, pouco se fodendo pro público que estava nas mesas (algumas pessoas, de costas para o palco), chamou a galera das laterais pro gargarejo e fez um daqueles shows que vão ficar na memória.
A grande estrela da apresentação foi “I Want You”, música lançada no álbum “Blood & Chocolate”, de 1986, e ao vivo se transforma em um poderoso blues metalizado, com longos solos e algumas citações. Naquela noite, Costello citou U2 (”Ever Better The Real Thing”) e Beatles (”Happiness Is A Warm Gun”). Dá para se ter uma ideia pela versão estraçalhante que ele tocou no Rio (vídeo abaixo). Uns bons pares de anos depois tive o prazer de reouvir a execução no Royal Albert Hall e espero poder esbarrar com ela mais algumas vezes na vida…
maio 9, 2015 Encha o copo
Download: e-book do Outros Críticos

No Ar e disponível para download gratuito um e-book do site Outros Críticos como ensaios sobre as apresentações de Juçara Marçal, Russo Passapusso, Thiago Pethit e da banda Matalanamão na 20ª edição do Festival Rec-beat, que ocorreu durante o carnaval pernambucano. Além dos ensaios, acompanha também o livro uma faixa ao vivo de cada um dos artistas.
Carlos Gomes, Marina Suassuna, Karol Pacheco, Rodrigo Édipo e Igor Marques acompanharam da passagem de som ao pós-show dos quatro artistas e produziram ensaios sobre a performance e o processo criativo dos músicos. As músicas foram captadas pelo Estúdio Base e o projeto gráfico de Fernanda Maia propõe diálogo com as fotografias feitas pelos autores. Gratuito aqui.
maio 8, 2015 Encha o copo
King Lear na versão de Jean-Luc Godard

Titulo: King Lear (1987)
Para encerrar sua trilogia de personagens míticos – após “Carmen” (de 1983, que abordava o terrorismo inspirado em Bizet) e “Je Vous Salue Marie” (de 1985, que questionava a fé cristã com foco na Bíblia), Jean-Luc Godard escolheu Shakespeare. Iniciada em 1985, a produção se arrastou até o fim de 1987. Não à toa, os primeiros diálogos da obra são do produtor cobrando o diretor: “As pessoas não acreditam que o filme jamais será feito”. No corte surge Norman Mailer, que deveria assinar o roteiro e participar da trama, mas desistiu quando Godard insinuou que seu personagem iria praticar incesto com a própria filha (Kate Mailer). O filme dentro do filme dentro do filme segue com William Shakespeare Jr. V (Peter Sellars), que explica: após o desastre nuclear de Chernobyl, todo tipo de arte existente foi destruído e sua função é recriar as obras do ente famoso. William então se envolve com os personagens da peça que está reescrevendo, Cordelia (Molly Ringwald logo após “Clube dos Cinco” e “A Garota de Rosa Shocking”) e seu pai, o mafioso Don Learo (Burgess Meredith). Ainda vão surgir em cena Julie Delpy (com meros 16 anos) e o próprio Godard como o Professor Pluggy (um “gênio” maluco) numa trama que questiona a arte de forma niilista sem muita fé no subproduto (feito nas costas) que irá resultar “do filme”. Quem deverá juntar as peças insanas desta loucura pós-apocalíptica na sala de edição e salvar o cinema? Sim, ele mesmo, Mr. Alien (Woody) – citando “Meetin’ WA” ao inverso. Há consenso que “King Lear” é um dos filmes mais fracos de Godard (o texto de Robert Koehler no Los Angeles Times, em 1988, é ótimo), mas há críticos, como Richard Brody, da New Yorker (autor do livro “Everything is Cinema: The Working Life of Jean-Luc Godard”, 2008), que o acham “o melhor filme de todos os tempos” (ele colocou “King Lear” no número 1 em sua votação na Sight & Sound, 2012). Na dúvida, assista (e tente imaginar se estilhaços desta experiência irão afetar os próximos filmes de Woody).
maio 7, 2015 Encha o copo
Discutindo gravadoras, selos e mercado
Perguntas de Natalia Albertoni em agosto de 2014
A maior parte da produção nacional é feita por selos independentes (criados até pelos próprios artistas)? Desde quando? Por quê?
É um processo que começou no meio dos anos 90, com o barateamento tecnológico, que permitiu que músicos construíssem estúdios sem gastar uma fortuna. A proliferação de selos independentes, no entanto, se deve ao descaso das grandes gravadoras com Música, com M maiúsculo. É importante lembrar que as grandes gravadoras foram importantíssimas não só por investimento dos primeiros registros musicais como na proliferação da cultura. Porém, no Brasil, depois da segunda metade dos anos 90, os investimentos no novo começaram a minguar, e muitas gravadoras começaram a apostar apenas na recriação de modelos até esgota-los (aconteceu com o emo, com o pagode e diversos outros estilos). Ou seja, alguém tinha um vislumbre de sucesso, e a gravadora brasileira ia lá e criava um exercito de bandas clones. Deixou-se de apostar no novo, no risco de algo bom conquistar o público. Com isso, os artistas precisaram encontrar outra saída e os selos independentes se mostraram úteis.
Sempre existiram selos no Brasil, certo? Principalmente nos anos 1980… por que existe esta ideia de que selo é uma forma de produção gringa?
Porque a ideia era copiada das matrizes das grandes gravadoras, que criavam sub selos dentro da própria organização tentando dar uma cara para os produtos daquele departamento. Por exemplo, o selo Chaos, da Sony Music, responsável pelo lançamento dos primeiros discos de Gabriel O Pensador, Chico Science & Nação Zumbi e Skank, nada mais era do que o mesmo selo da Universal norte-americana, que havia lançado bandas como Soul Asylum e Ned’s Atomic Dustbin. No Brasil, nos anos 80, nós tivemos o Plug, selo dentro da RCA que lançou um monte de nomes da cena gaúcha: Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós, Defalla. Lógico que nós já tínhamos selos independentes no país na mesma época. A Baratos Afins, por exemplo, era um selo / loja de discos que havia lançado muita gente boa (Fellini, Golpe de Estado, Voluntários da Pátria) seguindo o velho lema dos selos independentes mundiais: estamos lançando coisas de qualidade que soam estranhas aos ouvidos do pessoal das grandes gravadoras. A mudança acontece quando, no começo dos anos 2000, tudo passa a soar estranho aos ouvidos das grandes gravadoras, e artistas que antes teriam casa num grande selo passam a apostar na independência.
Como você vê essa mudança de rumo no mercado fonográfico? Das grandes gravadoras para os selos… Muda algo para o consumidor?
Mudou muito porque as grandes gravadoras ainda detém o controle da distribuição e ainda detém verba de veiculação (o que faz do dial das rádios um extenso comercial). Então onde o povo irá encontrar os selos menores? Em lojas especializadas, mas nestas lojas só vai quem já sabe o que está indo procurar. A dona de casa, o cara que trabalha na obra, o bancário, as pessoas comuns, que tem uma vida comum cuja música é apenas uma trilha incidental que entra aqui e ali em alguns momentos do dia, fica dependente de canais de divulgação e distribuição que estão viciados, que não recebem o novo, apenas mais do mesmo. E isso faz com que o público entre em um marasmo, em uma zona de conforto bastante prejudicial aos novos artistas. A internet abriu um pouco esse leque, mas as coisas ainda estão engatinhando.
O selo funciona quase como uma curadoria, certo? Qual a vantagem de seguir um e quais são interessantes ficar de olho para acompanhar novidades?
Exatamente. Uma curadoria que, via de regra, segue uma linha estética. Então quando você compra um disco da Sub Pop (norte-americana) ou da Rough Trade (inglesa) ou da Monstro Discos (Brasil), você já tem uma vaga ideia do que pode estar ali, porque são selos que trabalham com nichos específicos e estão com as antenas ligadas para o mundo tentando buscar o novo, algo que continue levando a bandeira do selo estrada a frente. O investimento em um selo pequeno é menor do que é uma grande gravadora, então eles podem apostar mais e tanto acertar mais. Um acerto muitas vezes “recupera” o investimento de 10 “erros”, isso economicamente falando porque discos lançados não são erros, certo. “Velvet Underground & Nico” não vendeu absolutamente nada quando foi lançado, e é um dos discos mais importantes da história do rock. A questão é que, no mundo capitalista que vivemos, uma gravação, um lançamento de disco, uma divulgação, isso tudo custa dinheiro, e as gravadoras necessitam do lucro para continuar lançando discos.
Aliás, o selo ainda é bom filtro para identificar o que há de bom (principalmente levando em consideração o mundão da internet) em um determinado estilo musical? Ou hoje o selo virou um recurso para lançar disco?
Os selos continuam sendo o melhor filtro, sem dúvida. Se há um lugar no mundo onde a música nova pode ser surpreendente é num selo independente.
O que selos nacionais tem a aprender com gente de selo gringo como Nonesuch, Domino, OWSLA?
Curadoria, trabalho a longo prazo e não esquecer que o que importa é a música. No Brasil tudo é pra ontem, então quando um artista é lançado, não se pensa em trabalhar a carreira em longo prazo, a resposta tem que ser imediata. Se fosse assim, nomes como Bob Dylan e Bruce Springsteen teriam sido dispensados sumariamente das gravadoras brasileiras após o primeiro disco. Nonesuch, Domino e OWSLA tentam entender os artistas que contratam e traduzi-los da melhor forma para o público, sem serem agressivos. O que importa é a música, e esses selos se notabilizaram por venderem boa música. Gosto muito do trabalho da Merge, da Secretly Canadian e da YB.
Aumentou mesmo a produção por selo?
Por necessidade de mercado, sim.
É a única via para fazer música no país?
Não. As gravadoras ainda existem e, mesmo hibernando, ainda são uma via possível.
A multiplicação de selos é atestado da desnecessidade de gravadoras? Qualquer artista grava e lança fazendo um selo?
Sim e não. Qualquer artista pode gravar e lançar, mas como vai distribuir? Como vai colocar a música na rádio, na novela, como vai fazer com que seu disco chegue a um público maior? As gravadoras ainda detém esse mercado de distribuição.
O que não muda nessa lógica é a necessidade de ter empresários, certo? Eles ainda são importantes, principalmente para o mainstream…
Eles são importantes no que tange dar liberdade para o artista criar música, e fazer apenas isso. E isso é importante principalmente para os independentes, que precisam encontrar brechas na estrutura do mercado para conseguirem surgir. Um músico pode fazer isso, mas se ele tem um bom empresário, que o conhece e está de acordo com seus ideais e seus desejos, ele pode continuar criando enquanto o empresário fica detectando as oportunidades de mercado.
maio 7, 2015 Encha o copo
Jean-Luc Godard entrevista Woody Allen

Titulo: Meetin’ WA (1986)
Logo após finalizar “Hannah E Suas Irmãs”, Woody Allen se envolveu em dois projetos com o cineasta Jean-Luc Godard: o primeiro, “Rei Lear”, acabou atrasando (devido a um bloqueio criativo do francês) e sendo lançado apenas no ano seguinte. No meio do processo, porém, surgiu a ideia de fazer um curta-metragem sobre o próprio Woody para ser apresentado na tradicional conferência de imprensa com o diretor após a estreia de “Hannah e Suas Irmãs” em Cannes (já que Woody não iria ao festival). Desta forma, “Meetin’ WA” é uma entrevista com Woody Allen conduzida (e tolamente editada) por Godard, que manipula imagens, sobrepõe fotos e é um repórter fraco, mas consegue tirar de Woody algumas opiniões interessantes e exteriorizar suas diferenças. Woody acredita que o momento mágico do cinema é a ideia, e que depois (com roteiro, escalação de atores, filmagem, edição, mixagem) a obra vai perdendo força a ponto de, no final, ter ficado muito pouco daquela brilhante ideia original. Godard opina: “Ainda há salvação na sala de edição”, mas para Woody o filme já está condenado, “e nunca mais vou revê-lo porque vou me decepcionar”. Em outro trecho, Woody explica a inspiração dos intertítulos (literários) em “Hannah”, fala sobre as diferenças da fotografia de Gordon Willis e Carlo Di Palma, e ambos reclamam do poder da TV: “É um crime para mim alguém assistir ‘Cidadão Kane, ‘2001’ ou ‘Diabo a Quatro’ pela primeira vez na televisão”, desabafa Woody num bate papo repleto de momentos interessantes. Abaixo na integra.
maio 5, 2015 Encha o copo
Um sussuro de diesciseis voces
“Luis Alberto Spinetta nos enseñó que “Todas las hojas son del viento”. Si partimos de esa idea e imaginamos que las hojas son canciones, o palabras, o países, pero no tal como los conocemos, sino que los hacemos parte de una postal en la que no tengan fronteras que detengan las voces ni los barcos ni al tiempo, al tomarla en nuestras manos, vamos a poder decir que “Somos Todos Latinos”, que no tenemos solamente relaciones de diplomacia y de buena vecindad por colgar la ropa en sogas tendidas que cruzan el cielo; vamos a poder asegurar que no nos une solamente la tierra, la selva, el agua. Y si prestamos atención, en esa postal, vamos a poder escuchar el susurro de diesciseis voces que quizás no todos conocemos, pero que nos van a contar al oído, historias que alguna vez nos cantaron las guitarras y músicos entrañables de todos los tiempos. El susurro es brasileño, de músicos solistas y grupos contemporáneos emergentes convocados por Scream & Yell.” (continue lendo)
maio 5, 2015 Encha o copo
Falando sobre festivais no Jornal da Band
maio 5, 2015 Encha o copo





