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Um ano em doze canções: 2016

A pedido da Polly Sjobon e do Cauê Marques listei 12 músicas de 2016 que representam o ano (tenso) para mim. A minha playlist você pode conferir (e ouvir) nesse link aqui, mas passeia pelo site do Um em Doze como um todo porque vários amigos estão por lá caprichando em playlists interessantes:

https://umemdoze.com

janeiro 13, 2017   Encha o copo

DJ Set no Razzmatazz neste sábado 14/01

Neste sábado sou convidado do grande Wilson Farina, da HEATHWAVE!, para dividir um set de canções no charmoso Razzmatazz, na Vila Madalena. Confirma presença e veja mais infos aqui e cola lá 🙂

janeiro 13, 2017   Encha o copo

Quando Woody Allen foi censurado no Brasil

“Bananas”, o segundo filme com Woody Allen atuando, dirigindo e assinando o roteiro, estreou nos EUA em abril de 1971, mas só foi liberado no Brasil (por militares e igreja) em agosto de 1975, com uma cena/piada cortada: a dos cigarros Novo Testamento. Assista:

janeiro 13, 2017   Encha o copo

A diversão de Bruce Springsteen ao vivo

Pra quem não conhece a rotina de um show tradicional de Bruce Springsteen, cerca de metade do repertório (que equivale a 1h30 de show) é retirado de cartazes que Bruce resgata do meio do público. Alguns fãs capricham em folhas de cartolina com recadinhos enquanto outros vão lá e escrevem apenas o nome da música que querem ouvir. Vale tudo. Bruce então escolhe um cartaz, vira pra banda, e “one, two, three” e lá vamos nós.

Num dos três shows que vi dele, na Itália, uma garota pedia: “Dance with my mom, please”. E durante “Dancing In The Dark” ele atendeu. No sensacional show de São Paulo em 2013, o William levantou o cartaz: “Boss, let me ask her to MARRY ME in your stage! She’s the One”. Bruce os puxou para o palco e ele pediu a Rafaela em casamento na frente de seis mil pessoas… e ainda dançou “She’s the One”, um clássico do álbum “Born to Run”. E tem o comovente vídeo da garotinha de quatro anos em Oslo.

Em Leipzig, na Alemanha, 2013, Bruce pegou um cartaz de um fã que queria ouvir “You Never Can Tell”, clássico de Chuck Berry de 1964 também conhecido como a canção que embala Vincent Vega e Mia Wallace em “Pulp Fiction”. Bruce havia tocado essa canção antes apenas três vezes na vida: uma em 1974 e duas em 2009, e o vídeo abaixo mostra ele e banda tentando lembrar acordes e o tom da canção… na frente de 45 mil pessoas. Era apenas a sexta canção do show (foram 27 no total). Assista!

Leia também:
– Bruce Springsteen ao vivo em São Paulo: Inesquecível (aqui)
– Discografia comentada: todos os discos de Bruce Springteen (aqui)

janeiro 13, 2017   Encha o copo

DJ Set com Wander Wildner na Sensorial

No próximo sábado (14/01) tem Heatwave! + Scream & Yell no Razzmatazz (https://goo.gl/XLpYWG) e no sábado seguinte (21/01) tem o grande Wander Wildner tocando na bacana Sensorial Discos comigo colocando canções (gaúchas, latinas, portuguesas e alguma cosita anglo saxã) no DJ Set. Confirma presença aqui: https://goo.gl/g9SIGo

janeiro 11, 2017   Encha o copo

Patti Smith: Só Garotos e Linha M

No final do ano, após começar lento e arrastado (mas insistir e ser premiado por isso com grandes histórias), terminei a biografia do Leonard Cohen (escrevi sobre ela aqui). Estava em Uberaba, na casa dos Callegari, e sabendo estar na reta final da bia do Leonard, levei “Só Garotos” (“Just Kids”), da Patti Smith, para ler, já que a Lili já havia lido e eu decidi presenteá-la com “Linha M”, o novo livro da Patti. Eu sei, eu já devia ter lido “Só Garotos” (aliás, entendo a tradução coloquial de “Just Kids”, mas poeticamente ficaria tão melhor “Apenas Garotos”), mas o Gabriel já tinha escrito um belo texto sobre o livro para o Scream & Yell em janeiro de 2011, e eu sempre costumo evitar ler livros que já foram resenhados pro site para tentar ler outra coisa e resenhar também. Mas, claro, um dia eu ia ter que ler “Just Kids”.

Dai comecei no embalo do livro do Cohen, e foi emocionante ler muitas das quase mesmas histórias sobre o Chelsea Hotel, o mítico hotel nova-iorquino que foi casa dos dois poetas e mais uma enorme constelação de artistas e gênios. Por exemplo: Ali pelo meio da bio do Leonard Cohen (mais precisamente, a partir da página 191), Harry Smith entra em cena. Cohen frequentava o ap de Smith (responsável por um dos tesouros da música norte-americana: “Anthology of American Folk Music”) e depois a galera se reunia no bar El Quijote. Harry é um personagem secundário bastante presente no livro de Patti, que também vai ao El Quijote com a galera. Patti não chega a citar Leonard, mas a biógrafa de Cohen conta que Leonard levou Patti para declamar poemas no Canadá nessa época. Tudo conectado.

Você deve saber, mas “Só Garotos” é o livro que Patti Smith prometeu escrever para Robert Mappelthorpe, seu amigo, amante, namorado, alma gêmea (morto no final dos anos 80, aos 46 anos, por complicações derivadas da Aids). Por isso, como era de esperar, derramei um pint de lágrimas ao final do livro (um bom tanto pela emoção das últimas páginas, sinceras, poéticas e extremamente doloridas; outro tanto, menor, de lágrimas presas pela incerteza no âmago nesses dias cinzas que estamos vivendo / sofrendo, e que aproveitaram pra descer juntas – sabe quando você desembesta a chorar por “motivo banal”? No meio da rua? Então, tipo isso). “Só Garotos” é um belíssimo atestado de amor e entrega à arte de duas pessoas incríveis. Agora é partir para “Linha M”… 💖

Ps. Nos últimos dias do ano, já em São Paulo, no dia do aniversário de 70 anos da Patti, me lembrei desse texto acima que eu havia escrito para a revista Rock Life uns 10 anos atrás. Atualizei e publiquei-o no Scream & Yell (e publiquei aqui no blog um trechinho matador do “Só Garotos”, leia).

– Um texto de apêndice (do blog da WFMU): Harry Smith: “The Paracelsus Of The Chelsea Hotel” => https://goo.gl/LLtYmp

– Outro texto de apêndice (que eu escrevi em 2003): Bob Dylan, Martin Scorsese e a História Universal => https://goo.gl/N4toCe

janeiro 10, 2017   Encha o copo

O discurso de Meryl Streep no Globo de Ouro

Ao receber o Globo de Ouro honorário Cecil B. de Mille, que reconhece o conjunto da obra e é entregue junto com o Globo de Ouro pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, Meryl Streep fez um discurso emocionado, politizado e importante, o discurso mais importante da noite. Leia.

“Muito obrigada, muito obrigada. Sentem-se, por favor. Obrigada. Amo vocês. Vocês vão ter que me desculpar. Perdi a voz gritando e me lamentando no fim de semana. E perdi a cabeça em algum momento neste ano. Então terei que ler.

Obrigada à Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood. Para seguir linha do que disse Hugh Laurie, nós, todos os presentes, pertencemos a um segmento vilipendiado da população. Pensem nisso: Hollywood. Estrangeiros. E a imprensa. Mas quem somos nós? O que é Hollywood? É um grupo de gente que vem de todas as partes. Eu nasci, cresci e me eduquei nas escolas públicas de Nova Jersey. Viola [Davis] nasceu numa cabana da Carolina do Sul e cresceu em Central Falls, Long Island. Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada por sua mãe solteira no Brooklyn. Sarah Jessica Parker era uma de sete ou oito filhos em Ohio. Amy Adams nasceu na Itália, e Natalie Portman, em Jerusalém. Onde estão suas certidões de nascimento? E a linda Ruth Negga nasceu na Etiópia, cresceu em Londres. Não, na Irlanda, me parece. Está aqui indicada por fazer o papel de uma garota de um povoado da Virgínia. Ryan Gosling, como todas as pessoas mais amáveis, é canadense. E Dev Patel nasceu no Quênia, cresceu em Londres e está aqui por fazer o papel de um indiano que vive na Tasmânia…

De modo que Hollywood está cheia de estrangeiros e forasteiros, e se querem expulsar todos nós vão ficar sem nada para ver além de futebol americano e artes marciais mistas, que NÃO são artes… Me deram três segundos para dizer isto… O único trabalho de um ator é entrar na vida de pessoas que são diferentes de nós e deixar você sentir como é isso. E houve neste ano muitas atuações poderosas que conseguiram justamente isso. Um trabalho assombroso e feito com compaixão.

Mas houve uma atuação neste ano que me impactou, que mexeu com o meu coração. Não por ter sido boa, não tinha nada de boa, mas era eficaz e funcionou. Fez a plateia a que se destinava rir e mostrar os dentes. Foi aquele momento em que a pessoa que pedia para se sentar na cadeira mais respeitável do nosso país imitou um repórter deficiente. Alguém a quem ele superava em termos de privilégio, poder e capacidade de se defender. Isso me partiu o coração. Ainda não consigo tirar aquilo da cabeça, porque não era um filme. Era a vida real.

E esse instinto de humilhar, quando modelado por alguém na plataforma pública, por alguém poderoso, se filtra na vida de todo mundo, porque de certa forma dá permissão para que outras pessoas façam o mesmo. Desrespeito atrai desrespeito. A violência incita a mais violência. Quando os poderosos usam sua posição para abusar de outros, todos perdemos…

Isto me leva à imprensa. Precisamos que a imprensa com princípios exija responsabilidade do poder, que o chame às falas por cada atrocidade que cometer. Por isso, os fundadores do nosso país protegeram a imprensa e suas liberdades na Constituição. Assim, só quero pedir à rica Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood e a todos que pertencemos a esta comunidade que se unam a mim no apoio ao comitê para a proteção dos jornalistas. Porque vamos precisar deles daqui por diante. E eles vão precisar de nos para salvaguardar a verdade.

Só mais uma coisa. Certa vez, eu estava parada num set de filmagem me queixando de alguma coisa, horas extras, algo assim. Tommy Lee Jones me disse: “Não é um privilégio, Meryl, simplesmente ser ator?”. Sim, é mesmo. E precisamos recordar uns aos outros sobre o privilégio e a responsabilidade do ato da empatia. Devemos estar orgulhosos do trabalho que Hollywood homenageia nesta noite.

Como minha querida amiga, a recém-falecida Princesa Leia, me disse certa vez: “Pegue seu coração partido e o transforme em arte”. Obrigada.”

 

janeiro 9, 2017   Encha o copo

Três canções favoritas: David Bowie

De tudo que o David Bowie gravou, a minha canção favorita, aquela que dá uma bela balançada na alma toda vez que ouço, é “Lady Stardust”, mas não versão original, e sim na versão demo que apareceu pela primeira vez no relançamento da discografia pela Rykodisc (ainda em vinil), nos anos 80, como faixa bônus do álbum “Ziggy Stardust” (que ainda trazia a faixa título também em versão demo). “Lady Stardust (Demo)” é só piano e voz (triste, vazia, aparentemente sem emoção, mas que vai crescendo com a canção). E é incrível.

No quesito canções favoritas de David Bowie acho que gosto mais de versões do que das originais, como se percebe pela escolha da segunda canção, a clássica “Heroes”, mas não na versão do álbum homônimo, de 1977, e sim na versão ao vivo no The Bridge School Concerts, festival anual organizado por Neil Young com renda revertida para a organização de mesmo nome que atende a crianças deficientes. Bowie tocou em 1996 com Reeve Gabrels (guitarra) e Gail Ann Dorsey (baixo e backing) e o resultado é essa versão abaixo de chorar de tão linda, que foi lançada oficialmente no álbum “The Bridge School Concerts – Vol. 1”, de 1997.

Escolher uma terceira é difícil, quiça impossível. Amo “Ziggy Stardust” inteiro (e só não escolho “Soul Love” ou “Five Years” porque já temos “Lady Stardust” na lista) e “Space Oditty”, “John, I’m Only Dancing” (que eu costumo tocar em baladas), “Velvet Goldmine”, “Changes”, “Life on Mars?”, “The Man Who Sold The World”, “Young Americans”, “Let’s Dance”, “China Girl”, “Rebel Rebel” e “Under Pressure” poderiam, qualquer uma delas, ser a terceira. Mas como só é possível escolher uma vou da poderosa “Modern Love”, por sua batida contagiante, por seu clima de festa, por sua letra que brinca com amor e religião… Já ouviu a versão de Greg Dulli?

Leia também:
– 11 momentos emocionantes de David Bowie (aqui)
– “Blackstar” comprova que Bowie continua genial em estúdio (aqui)
– “David Bowie”: Se todos errassem assim na primeira vez… (aqui)
– “Space Oddity 40?: Eis um cara que faturar com música (aqui)
– “Bowie Santa Monica ‘72?: o seu melhor registro ao vivo oficial (aqui)
– “50 Birthday Live in NYC”: uma longa fila pra beijar a mão de Bowie (aqui)
– “Storytellers”: David Bowie conta histórias divertidíssimas (aqui)
– “Next Day”: o trunfo de Bowie é construir algo que emociona (aqui)

janeiro 8, 2017   Encha o copo

Três novas canções de David Bowie

No dia em que completaria 70 anos, David Bowie é homenageado com o lançamento de um EP com três (belas) canções registradas durante as sessões de “Blackstar“, e lançadas anteriormente como faixas bônus do musical “Lazarus”, em 2o16 (ou seja: não há material inédito aqui): “No Plan”, que também ganhou clipe, ”Killing A Little Time” e “When I Met You”.

As três canções integravam o musical “Lazarus”, que estreou em Nova York em dezembro de 2015, e já haviam sido lançadas oficialmente no CD duplo com a trilha da peça em outubro de 2016, tanto interpretadas pelo elenco do musical quanto como faixas bônus em um segundo CD nas mesmas versões que agora reaparecem no EP “No Plan“, já disponível no Spotify.

Ainda que não se trate de canções exatamente inéditas (elas foram lançadas dois meses atrás), o EP é bastante interessante por valorizar três grandes canções que haviam passado completamente batido pelo grande público em novembro do ano passado. Assista abaixo o clipe de “No Plan” e ouça a versão da mesma música na voz de Sophia Anne Caruso para a peça “Lazarus”.

Leia também:
– 11 momentos emocionantes de David Bowie (aqui)
– “Blackstar” comprova que Bowie continua genial em estúdio (aqui)
– “David Bowie”: Se todos errassem assim na primeira vez… (aqui)
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– “Storytellers”: David Bowie conta histórias divertidíssimas (aqui)
– “Next Day”: o trunfo de Bowie é construir algo que emociona (aqui)

janeiro 8, 2017   Encha o copo

Patti Smith, CBGB e Television

Trecho do livro “Só Garotos” (“Just Kids”), de Patti Smith, lançado no Brasil pela Companhia das Letras

“Paramos na frente de um barzinho na Bowery chamado CBGB. Havíamos prometido ao poeta Richard Hell que passaríamos para ver a banda em que ele tocava baixo, o Television. Não fazíamos ideia do que esperar, mas fiquei me perguntando como seria a abordagem de outro poeta do rock and roll. Eu costumava ir àquele trecho da Bowery para visitar William Burroughs, que morava a poucos quarteirões do bar, em um lugar chamado Bunker. Era a rua dos bêbados, e eles costumavam fazer fogo em grandes latões de lixo para manter o calor, cozinhar ou acender seus cigarros. Dava para ver da rua essas fogueiras acesas perto da porta de William, como vimos naquela bela noite pascal.

O CBGB era um salão comprido e estreito com um bar do lado direito, iluminado pelos luminosos de propaganda de várias marcas de cerveja. O palco era baixo, do lado esquerdo, ladeado por murais de fotografias de beldades da virada do século em trajes de banho. Passando o palco, havia uma mesa de bilhar, e, nos fundos, uma cozinha engordurada e uma sala onde o dono, Hilly Krystal, trabalhava e dormia com seu galgo persa, Jonathan. A banda tinha um lado áspero, a música era errática, rígida e emotiva.

Gostei de tudo, dos movimentos espasmódicos, dos floreios jazzísticos do baterista, das estruturas musicais desconexas e orgásmicas. Senti uma afinidade com o estranho guitarrista da direita. Era alto, cabelo cor de palha, e seus dedos compridos e graciosos davam a volta na guitarra como se fossem estrangulá-la. Tom Verlaine definitivamente havia lido Uma temporada no inferno. Entre as entradas da banda, Tom e eu não conversamos sobre poesia, mas sobre os bosques de Nova Jersey, as praias desertas de Delaware e discos voadores pairando nos céus do Oeste. Descobrimos que havíamos sido criados a menos de vinte minutos um do outro, ouvimos os mesmos discos, vimos os mesmos desenhos animados, e ambos adorávamos As mil e uma noites.

Terminado o intervalo, o Television voltou ao palco. Richard Lloyd pegou sua guitarra e dedilhou a abertura de “Marquee Moon”. Era um mundo distante do Ziegfeld. A ausência de glamour tornava tudo mais familiar, um lugar que podíamos chamar de nosso. Quando a banda estava tocando, dava para ouvir o som do taco de bilhar espalhando as bolas, o cachorro latindo, garrafas se chocando, sons de uma cena que emergia. Sem que ninguém soubesse as estrelas estavam se alinhando, os anjos estavam chamando.”

Leia também:
– Um clássico: “Horses”, o primeiro disco de Patti Smith (aqui)
– “Só Garotos” é para todos aqueles que ainda acreditam no amor (aqui)

janeiro 7, 2017   Encha o copo