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Category — Turismo

Blur, 150 pessoas e 28 músicas

O Blur fez seu primeiro show em dez anos no sábado diante de uma platéia de 150 pessoas composta por familiares, amigos e fãs na cidadezinha de Colchester, a 90 quilômetros de Londres. Daqui 18 dias estarei frente a eles no Hyde Park, e se o repertório for algo perto disso que eles tocaram no sábado estarei imensamente feliz:

“She’s So High”
“Girls and Boys”
“Tracy Jacks”
“There’s No Other Way”
“Jubilee”
“Badhead”
“Beetlebum”
“Trimm Trabb”
“Coffee & TV”
“Tender”
“Country House”
“Charmless Man”
“Colin Zeal”
“Oily Water”
“Chemical World”
“Sunday Sunday”
“Parklife”
“End of a Century”
“To the End”
“This Is A Low”
“Popscene”
“Advert”
“Song 2?
“Out of Time”
“Battery In Your Leg”
“Essex Dogs”
“For Tomorrow”
“The Universal”

junho 15, 2009   No Comments

A história do Edifício Martinelli

Lateral do Edifício Martinelli, em São Paulo

Eu adoro a história do Edifício Martinelli, cuja lateral emoldura a foto acima, tirada em meio a uma feijoada com caipirinha no Salve Jorge, do centro de São Paulo. A história, resumidamente, é a seguinte: o Edifício Martinelli, com 30 pavimentos, foi o primeiro arranha céu do Brasil. Está localizado no triângulo formado pela Rua São Bento nº405, Av. São João nº 35 e Rua Libero Badaró nº 504, no centro de São Paulo. Porém, vários percalços marcaram a sua construção até sua inauguração em 1929. Muita gente não acreditava que o prédio fosse ficar em pé por muito tempo, então o comendador Martinelli, que fez a obra assistido pelo arquiteto húngaro William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena, decidiu pelo óbvio: quando o prédio alcançou 25 andares (a primeira previsão era de apenas 10), fez uma mansão de 5 andares no topo, e foi morar lá. A história toda – bem interessante – pode ser lida aqui, mas bate um google que há outros links legais.

Ps. Em dez anos morando na cidade, ainda não visitei o topo do prédio. Vou agendar uma visita.

junho 9, 2009   No Comments

Dezenove dias para as férias

Começou a contagem regressiva. Tirando os quatro dias do próximo feriadão são apenas 14 dias de trabalho (estou de plantão na última semana antes das férias), e então 37 dias de andanças pelo Velho Mundo. Estou precisando demais disso. A vista está meio turva, o cérebro não consegue chegar a um resultado satisfatório numa soma de 2 + 2, e o frio paulistano chegou definitivamente. Hora de dar uma volta.

Ando um pouco relapso com meus textos, eu sei, mas acredite: não é por vontade própria. Algo está me bloqueando. Não tenho conseguido passar as coisas que venho sentindo para as folhas brancas do Word. Às vezes parece que ando com o coração envolto em uma bolha de plástico que o protege das coisas ruins do mundo, mas também das coisas boas. O que não quer dizer que não ando me arrepiando ultimamente. Imagina.

Por exemplo: na semana passada trouxe para o trabalho o bootleg das sessões de Elvis Costello com Paul McCartney. Assim que começou “My Brave Face”, com os dois dividindo os vocais, me arrepiei. Ainda não comentei da sessão do filme “Joe Strummer – O Futuro Não Está Escrito” (baixe aqui – com legendas toscas em português), mas sai da sessão revigorado, como se minha alma tivesse tomado uma ducha quente.

E, também, comecei a ler o sensacional “Um Ano na Vida dos Beatles e Amigos”, de Clinton Heylin (leia o prefácio aqui), cujos primeiros parágrafos serviram para voltar a me dar um norte sobre as coisas que me motivam a escrever. “Em muitos aspectos, o verão de 1967 foi o momento em que o resto do mundo alcançou os mais descolados, que haviam visto o mundo pop virar de cabeça pra baixo no ano anterior (algo muito parecido com o punk, uma década mais tarde”).

O fato é que ando em débito comigo mesmo – e com você. Vou tentar corrigir isso nos próximos dias, assim como vou atrás de um netbook para levar na viagem e relatar com mais precisão essa segunda ida ao Velho Mundo – e todos os pontos turísticos, e todos os shows, e todas as alegrias e mancadas. Saio de São Paulo em direção a Paris no próximo dia 27 voando de Airbus da Air France. Melhor não pensar muito, né. Mas que dá um friozinho no estômago, ahh dá.

27/06 – São Paulo / Paris
28/06 – Paris / Londres
29/06 – Londres
30/06 – Londres
01/07 – Londres
02/07 – Londres (Hyde Park: Blur, Foals, Friendly Fires, Crystal Castles)
03/07 – Londres / Paris
04/07 – Paris / Leuven (Rock Werchter: Nick Cave, Franz Ferdinand, Mogwai, Yeah Yeah Yeahs, Kings of Leon, Kate Perry, Social Distortion)
05/07 – Leuven / Paris
06/07 – Paris
07/07 – Paris (Leonard Cohen)
08/07 – Paris
09/07 – Paris
10/07 – Paris
11/07 – Paris / Bruges (Cactus: Paul Weller, Gutter Twins, Cold War Kids)
12/07 – Bruges (Cactus: Joss Stone, Calexico, Magic Numbers, !!!)
13/07 – Bruxelas / Berlim
14/07 – Berlim
15/07 – Berlim
16/07 – Berlim / Pisa / Firenze
17/07 – Firenze
18/07 – Firenze
19/07 – Firenze / Roma (Bruce Springsteen)
20/07 – Roma
21/07 – Roma
22/07 – Roma
23/07 – Roma / Veneza
24/07 – Veneza
25/07 – Veneza
26/07 – Veneza / Barcelona
27/07 – Barcelona
28/07 – Barcelona
29/07 – Barcelona
30/07 – Barcelona / Madri
31/07 – Madri
01/08 – Madri
02/08 – Madri / Paris / São Paulo

junho 8, 2009   No Comments

Roteiro Europa 2009 fechado

Bem, agora é economizar mais ainda nos dois próximos meses, pois todas as passagens estão compradas. Depois do casal conversar muito, debater e passar algumas noites em claro escolhendo apartamentos e albergues, o roteiro final ficou assim:

27/06 – Londres
28/06 – Londres
29/06 – Londres
30/06 – Londres
01/07 – Londres
02/07 – Londres (Hyde Park: Blur, Foals, Friendly Fires, Crystal Castles)
03/07 – Londres / Paris
04/07 – Paris / Leuven (Rock Werchter: Nick Cave, Franz Ferdinand, Mogwai, Yeah Yeah Yeahs, Kings of Leon, Kate Perry, Social Distortion)
05/07 – Leuven / Paris
06/07 – Paris
07/07 – Paris (Leonard Cohen)
08/07 – Paris
09/07 – Paris
10/07 – Paris
11/07 – Paris / Bruges (Cactus: Paul Weller, Gutter Twins, Cold War Kids)
12/07 – Bruges (Cactus: Joss Stone, Calexico, Magic Numbers, !!!)
13/07 – Bruxelas / Berlim
14/07 – Berlim
15/07 – Berlim
16/07 – Berlim / Pisa / Firenze
17/07 – Firenze
18/07 – Firenze
19/07 – Firenze / Roma (Bruce Springsteen)
20/07 – Roma
21/07 – Roma
22/07 – Roma
23/07 – Roma / Veneza
24/07 – Veneza
25/07 – Veneza
26/07 – Veneza / Barcelona
27/07 – Barcelona
28/07 – Barcelona
29/07 – Barcelona
30/07 – Barcelona / Madri
31/07 – Madri
01/08 – Madri
02/08 – Madri / Paris
03/08 – Paris / Sâo Paulo

Um amigo se animou e deve nos acompanhar no trecho Paris (Cohen), Bruges (Cactus) e Roma (Bruce). O Carlos e a Camilinha já confirmaram o Werchter. Agora começa a contagem regressiva e muito pensamento positivo para dar tudo certo. :)

maio 10, 2009   No Comments

Turismo: Buenos Aires e Deserto do Atacama

Lago Putana na região de Antofagasta, Chile

Em janeiro de 2008 comecei a escrever o que seria um roteiro da viagem que eu e Lili fizemos para Argentina e Chile em julho de 2007. Aquele primeiro post versava sobre comida (leia aqui), e fiquei de escrever depois um outro com dicas aleatórias sobre a viagem, que acabou ficando no limbo. Como um amigo está animado em fazer um roteiro parecido, lá vou eu tirar poeira da memória para relembrar os deliciosos 21 dias que passamos viajando. Do começo…

A idéia começou com a vontade de conhecer o Deserto do Atacama. Na verdade, o Chile como um todo, esse país alto e magro. Fizemos algumas pesquisas de preço e descobrimos que sairia mais barato ir de São Paulo para Buenos Aires, e lá pegar outro vôo para Santiago, do que se fossemos direto para a capital chilena. Ótimo, pois assim ganhamos de brinde alguns dias na deliciosa capital argentina. Particularmente fiquei muito tentado a esticar até Machu Picchu, no Peru, pois a passagem de Santiago para Lima era baratíssima, mas acabamos desistindo.

Repetindo a operação (com valores de hoje) seria algo assim: São Paulo para Santiago direto partindo no dia 30/06/09 e voltando no dia 21/07 via Gol daria R$ 1612. São Paulo para Buenos Aires indo no dia 30/06 e voltando no dia 21/07 via Gol daria R$ 684. E de Buenos Aires para Santiago partindo no dia 03/07 (ou seja, tiramos três dias para curtir a cidade na ida) e voltando no dia 19/07 (com um dia de folga para Bue) daria R$ 527. Ou seja: direto fica R$ 1612. Indo para Santiago por Buenos Aires fica R$ 1211, uma economia de R$ 400. \o/

Homem caminha no bairro Paris/Londres, em Santiago

Bem, decidimos o roteiro com base nessas idas e vindas e ficou assim:

30/06 – Buenos Aires
01/07 – Buenos Aires
02/07 – Buenos Aires
03/07 – Buenos Aires / Santiago
04/07 – Santiago
05/07 – Santiago
06/07 – Santiago
07/07 – Santiago / Valparaiso
08/07 – Valparaiso
09/07 – Valparaso / Santiago
10/07 – Calama / San Pedro de Atacama
11/07 – San Pedro de Atacama
12/07 – San Pedro de Atacama
13/07 – San Pedro de Atacama
14/07 – San Pedro de Atacama
15/07 – San Pedro de Atacama / Calama
16/07 – Calama / Santiago
17/07 – Santiago / Buenos Aires
18/07 – Buenos Aires
19/07 – Buenos Aires / São Paulo

O Caminito, no Bairro de La Boca, em Buenos Aires

Na verdade, houve algumas mudanças no percurso, mas isso eu relato mais abaixo. O que importa é que descemos no Aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, no dia 30, uma sexta-feira, no meio da tarde. Quem conhece, sabe: do aeroporto até o centro são 35 km, e há opções para todos os bolsos. O viajante confiante pode pegar o ônibus de linha (nº 86) que custa 1,60 pesos e o deixa no centro da cidade após uma hora, uma hora e meia. Se você estiver sozinho, uma boa pedida é o ônibus fretado Tenda de Lion (há um guichê para comprar a passagem no aeroporto), que custa uns 30 pesos e faz o trajeto em 40 minutos. O taxi sai entre 70 e 90 pesos, e pode compensar para grupos de duas ou mais pessoas, mas compre sempre o ticket nas agências de taxi, pois histórias de taxistas tentando dar golpe em estrangeiros não são poucas.

Minha idéia inicial era chegar na cidade e procurar um albergue. Tremenda bobagem. Fomos no alto inverno, e deveríamos ter reservado antes. No Hostel World (http://www.portuguese.hostelworld.com) existem várias opções, mas não custa nada perguntar para algum amigo que já esteve por lá. Eu, por exemplo, fui de pacote nas duas vezes anteriores, o que nunca mais faço. É muito bacana e econômico fazer o seu próprio trajeto. Nesta terceira, porém, sem reservar estadia, eu e Lili batemos em quatro ou cinco albergues (carregando mochilas pesadas), todos lotados, e acabamos achando um hotel de quinta categoria (ok, quarta) em San Telmo que acabou sendo uma boa economia, o que não deixou de ser cansativo e arriscado.

Vista da cidade alta, Valparaiso, Chile

Já falei sobre as comidas aqui, e sobre passeios (como era a primeira vez da Lili lá) fizemos o roteiro básico de passar pela Plaza de Maio, tirar fotos em frente à Casa Rosada, caminhar pela sensacional Calle Florida, passear em Porto Madero, ir à feirinha de San Telmo e visitar à Recoleta (e ver o túmulo de Evita Perón). Não resisti e fui mais uma vez olhar minha grande paixão, La Toilette de Venus, de William Bouguereau, no Museu Nacional de Buenos Aires. Lili, por sua vez, adorou o Malba (sim, vimos o Abaporu). E, claro, fomos à La Boca, passear pelo Caminito e entrar em La Bombonera. É uma região que não dá para bobear e nunca, nunca saia da área segurada pelos comerciantes, mas tem que ir. E eu comprei alguns CDs (veja onde comprar CDs em Bue aqui).

Três dias depois partimos para Santiago. Aprendemos com os erros de Bue e reservamos um hotel em Santiago. A idéia era ficar quatro dias na cidade, e de lá voltar (via Cordilheira passando pelo Aconcagua) de ônibus para Mendoza, na Argentina, passar três dias e então voltar para Santiago e partir em direção ao Deserto do Atacama. Descemos no Aeroporto de Santiago pós 22h. Se possível, não faça isso! É terrível chegar em um lugar que você não conhece no meio da escuridão, e no nosso caso, após alguns contratempos em Buenos Aires (um assalto em La Boca), não estávamos tão seguros e confiantes nas pessoas.

Assim que pegamos nossas malas e adentramos o saguão, vários homens com placas de taxis se colocaram em nossa frente. Fiz o cambio ali mesmo (um mínimo de dinheiro só para pagar o taxi) e escolhemos um dos senhores, que estava em um ótimo carro de passeio (sem placas de taxi) e fez um preço fechado até o centro de Santiago (que descobrimos depois ter sido 50% mais caro que um taxi normal, mas até dá para contar que era bandeira 2, ok). No caminho fomos conversando, e como dissemos que era nossa primeira vez em Santiago, o motorista (bastante educado) fez um mini-tour conosco no centro mostrando alguns pontos históricos até nos deixar na porta de nosso hostel. Bacana. Porém, vale ir para o aeroporto de ônibus. Pagamos 13 mil pesos chilenos no trajeto de taxi, e o ônibus custa apenas 1400 pesos chilenos, e é bem confortável.

San Pedro de Atacama, no Chile

 Um roteiro básico para sair do aeroporto de Santiago gastando pouco: aqui está o mapa das linhas de metrô e aqui as infos do ônibus. Você pega o ônibus CentroPuerto, desce no ponto final, Estação de metro Los Heroes. Dali você pega o metro em direção a estação Escuela Militar, linha vermelha mesmo, e duas estações depois já está no centro da cidade (local em que ficam os principais hotéis – e também alguns albergues baratos). É bom comprar uns 5 mil pesos (cerca de 20 reais) para fazer esse trajeto aeroporto/hotel. Se gasta 3 mil pesos com o ônibus (casal), mais uns mil pesos com o metro. Lá no centro existem casas de cambio, mas tem um Itaú (para quem tem cartão internacional, vale muito) atrás do palácio de La Moneda.

Não gostamos do hostel. Como tínhamos reservado (e pago) três dias no Hostel Londres, acabamos ficando, mas com a idéia de trocar (que é o que fizemos indo para o Hotel Paris) para outro ao vencer a última diária. A cidade de Santiago é bem bonita, e merece uma visita com cuidado. Pegamos uns mapas no centro de turismo e batemos perna atrás do famoso Mercado Municipal, da Plaza das Armas e de alguns museus. Na verdade, adoramos as lojas do Paseo Ahumada, com preços excelentes (olhe as jaquetas de couro!!!), vimos uma troca de guardas no Palácio de La Moneda e fizemos dois tours de vinho, um na vinícola Concha Y Toro (12 dólares por pessoa) e outro na Viña Cousiño Macul, ambos fácil de se chegar (seja de metrô ou ônibus). Por fim uma subida no Cerro San Cristobal, local que abriga o Parque Metropolitano da Cidade, que pode ser observada do alto do morro. Subimos de ascensor e descemos de teleférico. Vale.

Salar de Atacama, no Chile

Acordamos no oitavo dia de viagem com passagem comprada antecipadamente para Mendoza, mas ao chegar ao local de embarque fomos avisados que a estrada estava fechada devido à neve no Aconcagua, e que a viagem estava cancelada. Ao invés de pegarmos o dinheiro de volta, perguntamos que horas saia o primeiro ônibus para Valparaiso, o que iria acontecer em 30 minutos. Compramos passagens de ida e volta para passar o fim de semana em Valpo, visitar Vina Del Mar, olhar o por-do-sol no Pacífico e se encantar com La Sebastiana, uma das três casas do poeta Pablo Neruda no Chile. E tivemos sorte: descemos na rodoviária e fomos ao centro de atendimento ao turista, onde pedimos indicações de albergues. Indicaram-nos o El Rincón Marino (www.rinconmarino.cl), que acabou sendo o melhor albergue da viagem. E ainda assistimos “Ratatouille” dublado em espanhol no cinema (e achamos Vina Del Mar muito… Guarujá).

De volta à Santiago (em um novo hotel), começamos a nos preparar para nossa aventura no Deserto do Atacama. Visitamos o site da cidade (www.sanpedroatacama.com), anotamos vários endereços de albegues, e começamos a correr atrás de reservas. Acabamos acertando, por telefone, com um hostel torcendo para ele ser ok. Para viajar, cotamos ônibus, mas a viagem de quase 30 horas seria um gasto de tempo enorme em uma viagem de 21 dias. Optamos por um vôo de duas horas Santiago para Calama pela Lan Chile (hoje em dia em torno de 300 dólares o trecho), depois uma viagem em um ônibus até o oasis de San Pedro de Atacama. O centro da cidade é minúsculo, e pouco movimentando. O guia do centro turístico explicou com chegar a nosso hostel, e lá fomos. Bem, é claro que o hostel era mais caro que os outros, e pior, afinal estávamos no deserto, mas nada que não fosse contornável. Principal: durante o frio da madrugada (que podia chegar ao zero grau), não sentíamos nada. Isso importa (risos).

Vale da Morte, Deserto do Atacama

 San Pedro de Atacama funciona assim: a cidade é um deserto em algumas horas do dia, mas se movimenta perto dos horários dos tours. Existem várias companhias na cidade que fazem tours para os principais pontos turísticos, assim como pacotes que acabam resultando em uma economia. Pesquisamos em quatro os passeios que queríamos fazer, pechinchamos um pouco na última, e acabamos montando um pacote que – os valores são aproximados – ficou em 36 mil pesos chilenos (cerca de R$ 135 por pessoa) e que nos levava ao Valle de La Luna, Valle de La Muerte, o Parque Nacional do Geyser Del Tatio, o Salar de Atacama, as Lagunas Antiplânicas e os Pueblos Andynos. Não esperávamos gastar esse valor, mas os passeios valeram demais. No site da cidade existem preços para se ter uma média: Vale da Lua e da Morte, 5 mil pesos chilenos (R$ 20); Geysers, 12 mil pesos chilenos (R$ 45); Lagunas, 35 mil pesos chilenos (R$ 130). O pacote ajuda muito a baratear o preço. No nosso pacote não estava incluso as Termas de Puritama nem as viagens até a fronteira com a Bolívia.

Começamos por uma dobradinha: o deserto de sal do Atacama (Salar do Atacama) e as Lagunas Antiplanicas. O tour começa às 8h, passa pelo povoado de Toconao e depois segue para Salar (que é muito bonito). Ao meio-dia há uma parada no povoado de Socaire para um interessante almoço local (incluso no pacote – já comeu tomate roxo?) e depois segue em uma longa viagem cordilheira acima (28 km) para as sensacionais lagunas antiplanicas, para mim e para a Lili, as vistas mais bonitas que colocamos os olhos na América do Sul. São duas lagunas: Miscanti e Miñiques. A primeira, maior, tem 15 quilômetros quadrados e fica a uma altura de 4.200 metros acima do nível do mar. No inverno, blocos de neve se espalham pela paisagem e as lagunas estão quase congeladas. No trajeto é possível observar dezenas de vulcões ativos (o mais bonito se chama Putana – ao fundo na primeira foto) além de criações de lhamas. De todas os tours é o que mais vale a pena bela imensa beleza do local.

Lagunas Antiplanicas

O segundo dia de tour foi gasto com os Vales da Morte e da Lua. O tour deixa a cidade às 15h (o que permite ao visitante aproveitar, e bem, o centro de San Pedro). O Vale da Morte é simplesmente um longo território sem nenhuma vegetação. É um passeio ok, que cresce muito em interesse quando se parte para o Vale da Lua. Todos os tours tentam chegar no local cerca de vinte, trinta minutos antes do sol se por. Eles deixam o visitante no sopé de um morro e dizem: “Está vendo o topo da montanha? Você tem que chegar lá em 15 minutos. Bom passeio”. E lá vão todos correndo em meio a dunas de areia para pegar o melhor local para observar, facilmente, o pôr-do-sol mais bonito da América do Sul, e um dos mais bonitos do mundo. É uma confusão de cores que deixa os olhos marejados. Quando o céu já está escuro, o tour leva todos os visitantes de volta à cidade. Ai vale escolher algum dos restaurantes de renome da cidade, como o La Cave, que serve cevit de lhama, e cujo corpulento chef frances Michel é uma simpatia.

O terceiro dia de passeio foi de longe o mais cansativo – e o que mais exigia do corpo: a visita ao Parque Nacional Del Tatio. O tour pega o visitante em seu hostel às 4h da manhã, e durante duas horas e meia sobe a cordilheira até chegar ao parque. Em certo momento da viagem, o guia gritou: “Está 16º abaixo de zero”. E devia mesmo. Eu estava com três calças, três meias, três blusas, gorro, luva e o escambau, e estava com os pés congelados. Quando chegamos no parque, a temperatura já devia ter baixado para uns 9 graus, mas Lili se recusou a sair da van, e só deixou o carro quando os primeiros raios de sol deram as caras. O Tatio é um campo geotérmico que marca o encontro, em seu subsolo, dos rios gelados subterrâneos com as rochas quentes. Então, grandes colunas de vapor saem para a superfície através de fissuras na crosta terrestre, alcançando a temperatura de 85°C e 10 metros de altura. Bonito de se ver. Assim que chegamos, o guia nos mostrou uma piscina térmica e disse que quem quisesse se aventurar, à vontade. Todos riram. Ali por volta das 9h, com o tempo mais “quente” (sei lá, mas devia estar -2 ou mesmo zero grau), muita gente encarou a piscina cuja temperatura alcança 35 graus.

Tatio, Chile

Na volta do passeio paramos para lanchar no pequeno povoado de Machuca. Tomamos chá de coca, Lili comeu algumas empanadas de queijo de cabra e eu não resisti aos espetinhos de anticucho de lhama, uma delicia. Conversamos com um casal de brasileiros que estava encantando com o pais, com o ótimo vinho em excelente preço, e coisas assim. Eles estavam vindo de quatro dias de um tour que adentrava a Bolívia. Chegamos em San Pedro arrebentados por volta das 12h, e dormimos o resto do dia para eu acordar à noite e ir atrás do meu jogo de xadrez “Incas x Espanhóis”. Já sem dinheiro para algum outro tour, antecipamos nossa ida para Calama, e dormimos o último dia na região por lá, para acordar no dia seguinte e pegar um avião para Santiago (mais dois dias, que serviram para abastecer a mochila de garrafas de vinho – boa dica para compras: Supermercado Diez, Alameda Los Conquistadores, 2260, no bairro de Providencia. Detalhe: trouxemos oito garrafas de vinho e uma de Pisco, a cachaça chilena). No dia seguinte estávamos em Buenos Aires, e dois dias depois em São Paulo.

Olhando agora este calhamaço de narrativa, acho que ainda faltam dicas mais úteis, práticas, e os espaços de comentários estão ai embaixo para isso. E não só para perguntas, mas também para atualizações de coisas legais de quem esteve em Buenos Aires, Santiago, Valparaiso ou no Atacama nos últimos tempos, e quer dividir alguma dica legal com os leitores que planejam fazer essa viagem (aliás, uma boa aquisição é o Guia O Viajante Independente na América do Sul, um livro excelente para qualquer viagem por este belíssimo continente). Fiquem à vontade. A casa é nossa.

Vale da Lua, Chile

Todas as fotos por Marcelo Costa e Liliane Callegari

Foto 1: Uma parada sobre a ponte do Lago Putana. Ao fundo, o Vulcão Putana, ativo.
Foto 2: Dia de chuva em Santiago
Foto 3: O Caminito, em La Boca, Buenos Aires
Foto 4: A parte alta de Valparaiso, no Chile
Foto 5: San Pedro de Atacama
Foto 6: Salar de Atacama
Foto 7: Vale da Morte
Foto 8: Lagunas Antiplanicas
Foto 9: Complexo Turistico Tatio
Foto 10: Pôr-do-sol no Vale da Lua

Leia também:
– Onde comprar CDs em Buenos Aires, por Marcelo Costa (aqui)
– Turismo em Buenos Aires, por Marcelo Costa (aqui)
– Roteiro de Viagem: Argentina e Chile – Parte 1: Comida (aqui)

maio 7, 2009   No Comments

Blur anuncia line-up do show no Hyde Park

O Blur anunciou as bandas que vão abrir seus dois shows de volta no Hyde Park, em Londres, dias 02 e 03/07. Na quinta, quem esquenta a audiência para o grupo de Graham Coxon e Damon Albarn são Foals, Crystal Castles, Friendly Fires e Hypnotic Brass Ensemble. Na sexta sobem ao palco Vampire Weekend, Amadou & Mariam, Florence And The Machine e Deerhoof. Queria muito ir na noite de sexta, mas já está esgotada. Então… garanti a de quinta. A viagem, agora, parece que tomou rumo mesmo.

A primeira semana será toda centrada em Londres (da chegada, no domingo, até a outra sexta). Na sexta partimos para Paris, para deixar as malas em um hotel, e vamos de trem cedinho no sábado para Leuven passar o dia no Rock Werchter 2009 (com Nick Cave and The Bad Seeds, Franz Ferdinand, Mogwai, Yeah Yeah Yeahs, Kings of Leon, Regina Spektor, Grace Jones, Kate Perry, Social Distortion e 2Many Djs). Dormimos por lá, passamos o dia em Leuven e voltamos no domingo mesmo para uma semana de Paris (com direito a Leonard Cohen no dia 07/07).

Na sexta seguinte partimos para Brugges, a cidadezinha medieval mais bem conservada da Europa, para o Cactus Festival com Calexico, Cold War Kids, The Gutter Twins, Magic Numbers, !!!, Joss Stone, Lamb e Paul Weller (tiquetes comprados). Na segunda, uma passagem rápida por Bruxelas e vôo para Berlim e de lá para Roma, Milão, Turim e Genova. A parte italiana ainda precisa ser acertada por um motivo especial: Bruce Springsteen toca em Roma no dia 19/07 e em Turim no dia 21/07. Vou deixar a Lili fazer o roteiro, afinal ela é a italiana da casa.

Após a Itália teremos seis (ou sete) dias de Espanha entre Barcelona e Madri. Então Lili volta para o Brasil e eu parto para o leste europeu com passadas rápidas em Budapeste, Viena e Praga. Se tudo seguir como planejado, volto para o Brasil de Amsterdã. Ainda não temos nenhum hotel reservado, nem vôo interno comprado, mas olhei agora e encontrei opções bacanas no Homelidays e alguns vôos internos com preços bem camaradas. Quero ver se adianto boa parte dessas coisas neste fim de semana. Dedos cruzados e lá vamos nós. Resumidamente, a viagem está 90% fechada assim:

27/06 – São Paulo / Londres
28/06 – Londres
29/06 – Londres
30/06 – Londres
01/07 – Londres
02/07 – Londres (Blur)
03/07 – Londres / Leuven
04/07 – Leuven (Rock Werchter)
05/07 – Leuven / Paris
06/07 – Paris
07/07 – Paris (Leonard Cohen)
08/07 – Paris
09/07 – Paris
10/07 – Paris
11/07 – Paris / Bruges (Cactus Festival)
12/07 – Bruges (Cactus Festival)
13/07 – Bruxelas / Berlim
14/07 – Berlim
15/07 – Berlim
16/07 – Roma
17/07 – Roma
18/07 – Roma
19/07 – Milão
20/07 – Milão
21/07 – Turim (Bruce Springsteen)
22/07 – Genova
23/07 – Barcelona
24/07 – Barcelona
25/07 – Barcelona
26/07 – Madri
27/07 – Madri
28/07 – Madri
29/07 – Budapeste
30/07 – Budapeste
31/07 – Budapeste
01/08 – Viena
02/08 – Viena
03/08 – Viena
04/08 – Praga
05/08 – Praga
06/08 – Praga
07/08 – Amsterdã
08/08 – Amsterdã

abril 25, 2009   No Comments

U2 em Paris ou Berlim?

Então, na verdade não é uma escolha. O U2 havia anunciado três datas para Paris (16, 17 e 18 de julho) que esgotaram num piscar de olhos. Duas datas extras foram abertas e os ingressos começaram a ser vendidos hoje às 9h30 (horário da França, 5h30 horário de Brasília). Às 5h20, os dois sites já estavam congestionados. Às 6h, a data do dia 11 já estava esgotada. A do dia 12 já sumiu de um dos sites. No outro está disponível, mas dá erro na hora em que se seleciona o ticket. Enquanto isso, a data de Berlim, dia 19 de julho, está aberta e facinha pra comprar, mas vai dar uma trabalheira mexer no roteiro… continuo tentando Paris… vamos ver.

março 27, 2009   No Comments

U2 e Leonard Cohen em Paris

cohen_parri.jpg

Como os festivais europeus não estão lá grande coisa este ano, começo a coçar as mãos pelas apresentações solo de alguns medalhões. Tipo o Leonard Cohen, que segundo um link que o Carlos me passou e o mailing da GDP Produções, baixa na França para três shows nos dias 06/07 (Nantes), 07/07 (Paris) e 09/07 (Toulouse). Cohen também confirmou Liverpool (14/07) e deve anunciar mais sete datas nos próximos dias, porém Paris me chama, ainda mais que o U2 baixa na cidade nos dias 11 e 12/07 com abertura do Snow Patrol. Estou muito tentado. Só comprei, por enquanto, a terceira noite do Werchter, que tem Nick Cave and The Bad Seeds, Franz Ferdinand, Mogwai e Yeah Yeah Yeahs confirmados (entre outros). Na fila, Blur no Hyde Park (que espero comprar ainda esta semana) e Bruce Springsteen em Turim ou Roma (quando eu descobrir um site italiano que mostra o mapa dos assentos). Vou te dizer: Benicàssim está quase rodando.

Ps de atualização: comprei Leonard Cohen em Paris, dia 07/07

Abaixo, um rascunho do provável roteiro com as novas mudanças:

28/06 – Londres
29/06 – Londres
30/06 – Londres
31/06 – Londres
01/07 – Londres
02/07 – Londres (Blur)
03/07 – Londres / Bruxelas
04/07 – Leuven (Rock Werchter)
05/07 – Bruxelas / Bruges
06/07 – Bruges
07/07 – Bruges / Paris (Leonard Cohen)
08/07 – Paris
09/07 – Paris
10/07 – Paris
11/07 – Paris (U2 / Snow Patrol)
12/07 – Paris (U2 / Snow Patrol)
13/07 – Paris / Barcelona
14/07 – Barcelona
15/07 – Barcelona
16/07 – Barcelona
17/07 – Madri
18/07 – Madri
19/07 – Madri
20/07 – Milão
21/07 – Turim (Bruce Springsteen)
22/07 – Genova
23/07 – Roma
24/07 – Roma
25/07 – Roma
26/07 – Berlim
27/07 – Berlim
28/07 – Berlim
29/07 – Aachen
30/07 – Aachen
31/07 – Budapeste
01/08 – Budapeste
02/08 – Budapeste
03/08 – Praga
04/08 – Praga
05/08 – Praga
06/08 – Amsterdã
07/08 – Amsterdã
08/08 – Amsterdã

março 24, 2009   No Comments

Rock Werchter e Leonard Cohen

O melhor festival da Europa começa a fazer jus ao título. De uma tacada só, o Rock Werchter 2009 (que já tinha Prodigy, Oasis, Coldplay, Killers, Franz, Bloc Party, Nick Cave and The Bad Seeds e Metallica – entre outros) confirmou a presença de Mogwai, Fleet Foxes, Nine Inch Nails, Mars Volta, Flaming Lips e Social Distorction (e, Pala, Röyksopp). Com a saída do show do Wilco do calendário, começo a pensar seriamente em passar um fim de semana na Bélgica (e esticar até a mítica cidade de Bruges) para ver o Sr. Caverna. Dig, Lazarus, Dig, ele grita. Tá pintando. Veja o line-up do Werchter 2009.

Rock Werchter em tempo: comprei os tickets para o sábado. Como já tinham esgotado o de sexta (que tem Coldplay, Killers e Bloc Party), bateu um medinho de esgotar o de sábado (com Nick Cave, Mogwai, Franz, 2Many Djs e Kate Perry – por enquanto) e sobrar só os combos para os quatro dias. Então, nesse momento, a única coisa certa mesmo da viagem para a Europa em julho é que no dia 04 de julho estaremos na Bélgica. \o/ Voltando ao post…

Além disso, o Sr. Leonard Cohen, o homem que teve o dom de me fazer chorar como criança no ano passado em Benicassim, acaba de confirmar dois shows na Alemanha, 01 e 02 de julho, o segundo em Berlim. Cohen coloca nas lojas no fim de março o álbum duplo “Live in London”, registro de 26 canções de sua apresentação na capital inglesa. Tenho fé que essas duas datas vão se estender durante todo o mês de julho, e que vamos nos esbarrar em algum canto do velho mundo. Prometo: dessa vez eu levo um lenço.

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Leonard Cohen no FIB 2008 / Foto: Marcelo Costa (aqui)

março 13, 2009   No Comments

Planejando quatro dias na Bélgica

No começo de março postei o line-up do Rock Werchter, festival que irá acontecer de 03 a 06 de julho em uma cidadezinha pertinho de Bruxelas. Ontem foi anunciado que Raconteurs e Gnarls Barkley vão engrossar o line-up que já tinha R.E.M., Radiohead, Neil Young, Beck, Chemical Brothers, Soulwax, Verve, Babyshambles, Hives, Editors, Gossip e Kaiser Chiefs, entre outros. Então fui olhar novamente o line-up no site oficial, e não é que existem mais nomes que eu não sabia que já tinham sido confirmados: Vampire Weekend, Ben Folds, Slayer, My Morning Jacket e… Grinderman!!!! Abaixo, o line-up atualizado e meu pré-roteiro de viagem.

março 10, 2009   No Comments