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Category — Música

Melhores do Ano Scream Yell 2008

Aproximadamente 80 votos se acotovelam em meu e-mail aguardando apuração. E, pelo pouco que vi numa pré contagem no fim de dezembro, não existem favoritos disparados nas categorias principais. Estou começando a mexer com o especial, e a me surpreender…

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Acho que gostei do disco novo do Franz Ferdinand. Anteontem eu achava o contrário. Já o novo do Morrissey não me pegou de cara.

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E esta forte o papo da confirmação do Los Hermanos no festival que terá Radiohead e Kraftwerk. Agora esgota… rapidinho.

janeiro 13, 2009   No Comments

Discutindo o mercado de música

O Ronaldo Evangelista já havia me passado esse link no começo do mês, e na correria deixei para dar uma espiada só hoje. Coisa fina. André Bourgeois (que cuida de gente como Céu e Curumin nos States), Juliano Polimeno (que lançou o Cérebro Eletrônico), Mauricio Tagliari (toca a YB de forma artesanal), Pena Schmidt e Carlos Eduardo Miranda (além do próprio Ronaldo) marcaram encontros mensais nos estúdios da YB para discutir o mercado de música. O Ronaldo explica melhor aqui, mas você pode assistir aos sete vídeos (até o momento) do bate-papo aqui. “Estou tateando para ver o que dá”, diz Juliano Polimeno sobre as apostas de sua gravadora, a Phonobase. “Há dez anos atrás havia um modelo, hoje não”, diz Mauricio Tagliari. “A gente é louco. Estamos aqui sentados em uma sala sem ar-condicionado no verão discutindo mercado. A gente é louco. Quem é bundão vai fazer outro negócio. Vai no Big Brother para ver se tu entra. Quer? Tem que lutar, tem que inventar, ter ideia boa, achar um jeito de furar o bagulho. É isso”. Assista aos vídeos aqui.

Leia também:
– “A Nova Idade Média”, por Marcelo Costa (aqui)

dezembro 29, 2008   No Comments

O tempo amigo do Pato Fu


Texto: Marcelo Costa / Fotos: Liliane Callegari

O tempo vai, o tempo voa, a poupança Bamerindus nem existe mais e o Pato Fu continua intacto no posto de principal banda do lado debaixo do Equador. Todo ano surgem alguns grandes discos, algumas boas promessas, mas basta cruzar o Pato Fu que fica impossível não se impressionar (mais uma vez) com a qualidade do combo mineiro. Mesmo em um ano sem disco lançado e dedicado à carreira solo de Fernanda Takai, em cima do palco fica difícil não se render ao grupo.

O retorno da banda aos palcos paulistas esgotou duas noites no pequeno, estranho e especial palco do teatro do Sesc Pompéia. Dois shows com repertório clássico para encerrar o ano com chave de ouro. Canções do fundo do baú ressurgiram vivas e fortes e as apresentações solo despertaram a verve de frontwoman de Fernanda, cada vez mais falante, brincalhona e atuante no palco. Dudu Tsuda (Jumbo Elektro / Cérebro Eletrônico) debutou em casa assumindo os teclados.

Quem conhece o palco do Teatro do Sesc Pompéia sabe que ele é bastante particular. O palco fica no centro entre duas platéias e, dependendo do lado que o espectador fique, algo se perde – ou se sobressai. Quem optou por ficar na platéia impar, lado esquerdo, foi presenteado com uma massacrante atuação de Xande na bateria, que por vezes encobria os riffs de guitarra e a voz de Fernanda, mas que – verdade seja dita – era bonito de se ver (e ouvir).

“O Amor Em Carne e Osso” abriu o show de forma quase intimista emendando-se com “Spoc”. Foi quando Fernanda acalmou o público. “Pode deixar, não vamos tocar só lados b”. E então uma leva de hits seguiram-se noite adentro: “Perdendo Dentes”, “Antes Que Seja Tarde”, “Canção Pra Você Viver Mais”, “Made in Japan”, “Ando Meio Desligado”, “Eu”, “Uh Uh Uh, La La La, Lê, Lé”, “Imperfeito”, “Gimme 30” e “Anormal” além de canções do último disco como “30000 Pés”, “Tudo Vai Ficar Bem” e “Nada Original”.

Do fundo do baú (e a pedidos de Dudu) eles tiraram “Mamãe Ama o Meu Revolver”, mas os grandes momentos – como sempre – foram “Capetão” (infelizmente, sem a boa parte cantada pelo Ricardo). “Depois” (com dois convidados da platéia dançando no palco e engordando o vocal no refrão), as aceleradas “O Filho Predileto de Rajneesh” e “Dois Malucos”, e a balada corta coração “Agridoce”, com Fernanda a dedicando para uma garota do interior que reza toda noite para que Roberto Carlos grave uma versão.

Na volta para o bis, Fernanda chamou ao palco a pequena Nina (filha dela com o guitarrista e maridão John) para uma “participação especial” fofíssima em “Mamã Papá” “tocando” o Potchi (Totó em japonês), seu cachorrinho de pelúcia que emite sons de brinquedinhos infantis. Para encerrar, “Sobre o Tempo”, trazendo consigo a lembrança da metáfora bancária (que muitas pessoas nem sequer lembram ou viram a propaganda na época) do início do texto. O tempo, amigo, continua sendo legal com o Pato Fu. Vai, vai, vai, vai, vai… vai.

Leia também:
– “Daqui pro Futuro”, Pato Fu, por Marcelo Costa (aqui)
– “Onde Brilhem os Olhos Seus”, Fernanda Takai, por Marcelo Costa (aqui)
– “Toda Cura Para Todo Mal – DVD”, Pato Fu, por Marcelo Costa (aqui)
– Pato Fu ao vivo em Taubaté, 31/03/00, por Marcelo Costa (aqui)
– “Toda Cura Para Todo Mal” faixa a faixa por Fernanda Takai (aqui)

dezembro 29, 2008   No Comments

Wolfgangs Vault: um presente de natal

Para quem não sabe, o nome verdadeiro do produtor Bill Graham era Wolfgang Grajonca. Como explico no texto sobre o livro do Graham, em 2006 um site foi processado por integrantes do Doors, Led Zeppelin e Santana – entre muitos outros – por vender milhares de gravações raras de áudio e vídeo de shows coletados durante 30 anos nas casas do produtor. A coleção foi descrita por analistas como uma das mais importantes do rock reunidas em um único negócio. O site, oportunamente, se chama Wolfgangs Vault, e continua no ar com mais de 2000 concertos que podem ser ouvidos na integra pelo player do site.

Tipo: tem um show de 1h30 do Miles Davis Quintet no Fillmore East, em julho de 1970. De Bruce Springsteen são duas entrevistas e sete shows incluindo um no Winterland, em 1978, com 2h45 de apresentação. Jimi Hedrix marca presença com cinco shows. Rolling Stones com 11. Neil Young com 14. The Who com 13. David Bowie com 11. U2 com 5. Van Morrison com 5. Led Zeppelin com 3. E por ai. A lista é infinita. Mas não é só. O site ainda traz dezenas de shows para serem comprados entre US$ 5,98 e US$ 9,98 além de uma série de apresentações liberadas gratuitamente. Basta fazer o cadastro, fazer o download do player do site, e ser feliz.

Olha só o que eu baixei hoje, de graça: uma série de apresentações curtas no Daytrotter Studio de gente como …And You Will Know Us By The Trail Of Dead (03-03-2008), Aimee Mann (10-06-2008), Andrew Bird (29-10-2007), Foals (09-06-2008), Spoon (16-06-2008), National (09-07-2007) e shows inteiros do British Sea Power no Bottom of the Hill (01-03-2008), The Gutter Twins no Bimbo 365 (01-03-2008) e duas apresentações curtas de 2008 do Fleet Foxes. É muita coisa bacana. Imagina: neste momento estou ouvindo Lou Reed ao vivo no Apollo Theatre em setembro de 1973. Coisa fina. Vai lá e divirta-se. Depois, agradeça Papai-Noel. E Bill Graham.

http://concerts.wolfgangsvault.com

dezembro 25, 2008   No Comments

O documentário da loja Nuvem Nove

Já está no ar o documentário “Saudades da Nuvem Nove”, que traz gente boa como os amigos Sérgio Martins, Paulo Cavalcanti, Regis Tadeu e Fábio Massari – além do mestre Marcelo Nova – contando suas histórias dentro de uma das lojas de CDs mais bacanas da cidade, que baixou ás portas em 2008 após 17 anos de batalha. Eu apareço em uma das passagens, quando estamos posando para uma foto na frente da loja. Você pode assistir ao documentário online aqui, ou pode escrever para o Paulo Beto e solicitar uma cópia.

dezembro 24, 2008   No Comments

Os três primeiros do U2 em versão deluxe

É difícil ver Bono hoje em dia e não pensar nos álbuns recentes, medianos, nas mega-turnês zilionárias, no “cargo” de porta-voz da dívida do Terceiro Mundo e, por que não, nas fotos recentes ao lado de lolitas que caíram na web. Tudo tão anti-musical que às vezes esquecemos o quanto o U2 é foda (e “Acthung Baby” e “Zooropa” são sensacionais). Aqui, no entanto, o buraco é mais embaixo: “Boy”, “October” e “War” formam a trilogia inicial da carreira da banda e retornam ao mercado em caprichadas versões de luxo com várias faixas bônus e remasterização de The Edge.

A crueza de “Boy” (1980), o primeiro e empolgante disco do quarteto, destaca faixas brilhantes como “I Will Follow” e “The Electric Co.” do disco original e pepitas de ouro para o CD bônus como a dobradinha “11 O’ Clock Tick Tock”/”Touch”, produzidas pelo lendário Martin Hannet, os registros ao vivo de shows em fevereiro (a inédita “Cartoon World”) e setembro (“11 O’ Clock Tick Tock” e “Boy-Girl”) de 80. O CD ainda traz as três faixas do lendário single “U2 3” e duas faixas inéditas das sessões de gravação do álbum: a instrumental “Speed of Life” e a ótima “Saturday Night”.

“October” (1981) foi lançado na esteira da badalação do álbum de estréia e mostra o avanço do grupo com Steve Lillywhite, o produtor, valorizando cada vez mais os harmônicos curtos encharcados de delay da guitarra de The Edge. Brilham o hit “Gloria”, a cadenciada “Scarlet” (com uma sonoridade e arranjo que eles repetiriam em discos posteriores) além da forte faixa título. O CD bônus desta edição especial é imperdível com cinco canções ao vivo no Hammersmith Palais, em Londres, três na BBC e quatro no Paradise Theatre (todos de 1982), em Boston, que mostram a força do grupo no palco, além de três b-sides.

“War” (1983) é o álbum que apresentou o grupo para os ouvintes de rock (enquanto Live Aid, a novata MTV e “The Joshua Tree” apresentaram a banda para as massas nos anos seguintes) embalado por hits politizados como “New Year’s Day” e “Sunday Bloody Sunday”. Álbum mais badalado do pacote, “War” é responsável pelas faixas bônus mais dispensáveis. São quatro versões diferentes de “New Year’s Day”, três de “Two Hearts Beat as One”, uma canção inédita (“Angels Too Tied to the Ground”), três registros ao vivo flagrados no festival de Werchter, na Bélgica, em 1982, e dois b-sides. Agora é esperar essa onda de reedição de Bono e Cia chegar nos fundamentais “Acthung Baby” e “Zooropa”. Amém.

“Boy”, “October” e “War”, U2 (Universal)
Preço em media: R$ 60 (lançamento nacional)

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BOY SPECIAL EDITION
01) I Will Follow
02) Twilight
03) An Cat Dubh
04) Into the Heart
05) Out of Control
06) Stories for Boys
07) The Ocean
08) A Day Without Me
09) Another Time, Another Place
10) The Electric Co.
11) Shadows and Tall Trees

Additional Tracks on 2008 Release
01) I Will Follow (Previously Unreleased Mix)
02)11 O’Clock Tick Tock
03) Touch
04) Speed Of Life (Previously Unreleased Track)
05) Saturday Night (Previously Unreleased Track)
06) Things To Make And Do
07) Out Of Control
08) Boy-Girl
09) Stories For Boys
10) Another Day
11) Twilight
12) Boy-Girl (Live at The Marquee, London)
13) 11 O’Clock Tick Tock (Live at The Marquee, London – Previously Unreleased Version)
14) Cartoon World (Live at The National Stadium, Dublin – Previously Unreleased Track)

OCOTOBR SPECIAL EDITION
01) Gloria
02) I Fall Down
03) I Threw a Brick Through a Window
04) Rejoice
05) Fire
06) Tomorrow
07) October
08) With a Shout
09) Stranger in a Strange Land
10) Scarlet
11) Is That All?

Additional Tracks on 2008 Release
01) Gloria (Live at Hammersmith Palais, London)
02) I Fall Down (Live at Hammersmith Palais, London)
03) I Threw A Brick Through A Window (Live at Hammersmith Palais, London)
04) Fire (Live at Hammersmith Palais, London)
05) October (Live at Hammersmith Palais, London)
06) With A Shout (Richard Skinner BBC Session)
07) Scarlet (Richard Skinner BBC Session)
08) I Threw A Brick Through A Window (Richard Skinner BBC Session)
09) A Celebration
10) J. Swallo
11) Trash, Trampoline And The Party Girl
12) I Will Follow (Live at Paradise Theatre, Boston)
13) The Ocean (Live at Paradise Theatre, Boston)
14) The Cry/Electric Co. (Live at Paradise Theatre, Boston)
15) 11 O’Clock Tick Tock (Live at Paradise Theatre, Boston)
16) I Will Follow (Live From Hattem, Netherlands)
17) Tomorrow (Bono & Adam Clayton, Common Ground Remix)

WAR SPECIAL EDITION
01) Sunday Bloody Sunday
02) Seconds
03) New Year’s Day
04) Like a Song…
05) Drowning Man
06) The Refugee
07) Two Hearts Beat as One
08) Red Light
09) Surrender
10) 40

Additional Tracks on 2008 Release
01) Endless Deep
02) Angels Too Tied To The Ground (Previously Unreleased)
03) New Year’s Day (7″ single edit)
04) New Year’s Day (USA Remix)
05) New Year’s Day (Ferry Corsten Extended Vocal Mix)
06) New Year’s Day (Ferry Corsten Vocal Radio Mix)
07) Two Hearts Beat As One (Long Mix)
08) Two Hearts Beat As One (USA Remix)
09) Two Hearts Beat As One (Club Version)
10) Treasure (Whatever Happened to Pete The Chop)
11) I Threw A Brick Through A Window / Day Without Me (Live Rock Werchter 1982)
12) Fire (Live Rock Werchter 1982)

dezembro 9, 2008   No Comments

Always The Bridesmaid, The Decemberists

Colin Meloy está prestes a transformar sua banda, os sensacionais Decemberists, em sensação pop. Como se fosse um R.E.M. do novo milênio, o grupo estuda o próximo passo com cautela enquanto diverte-se em projetos paralelos. Após grandes elogios a “The Crane Wife” (2006), último álbum do grupo, Colin Meloy e banda sumiram e reapareceram apenas agora para apoiar a candidatura de Obama, anunciar um novo disco para 2009 e entregar três compactos duplos 12’ em vinil 180 gramas com material inédito.

“Always The Bridesmaid: A Singles Series” é composto por seis músicas, e faz um tempo que o mercado não recebe um grupo de canções tão arrebatador. “Valerie Plame”, a faixa que abre o primeiro single, é uma das mais belas canções pop feitas nessa década. São cinco minutos delirantes em que viola, acordeom, órgão, baixo, bateria e vocais levam o ouvinte aos céus. A letra conta a história da ex-espiã da CIA – que dá nome à música – cuja identidade secreta foi vazada à imprensa depois que seu marido, um ex-embaixador crítico ao governo Bush, escreveu um artigo no New York Times questionando as razões do presidente para invadir o Iraque.

No lado b, “O New England”, uma falsa balada emocional de batida limpa de violão que conta uma triste história de amor. Ele tenta conseguir um sorriso dela, e a leva para onde o amor dos dois começou, mas “esta aqui é a fábula de uma tentativa fracassada”. Para o segundo single foi escolhida “Days Of Elaine”. De batida acelerada e refrão forte que lembram Wilco, Belle and Sebastian e Smiths, “Days Of Elaine” é mais uma das histórias fantasiosas de Colin Meloy, e narra uma mãe (a tal Elaine) contando coisas para o filho. No lado B uma cover fidelíssima de “I’m Sticking With You”, do Velvet Underground, com Jenny Conlee bancando Maureen Tucker e Meloy, Lou Reed.

O volume 3 de “Always The Bridesmaid: A Singles Series” chama-se “Record Year”, que abre de forma dilacerante com violão, viola e violino: “Eu li no jornal de hoje: Tem sido um ano recorde de chuva / E você estava encostada contra a parede do banheiro / Em seu vestido solitário / Foi só o seu vestido”. A canção segue épica entre dias cinzentos. “Raincoat Song” surge no lado b, quase country, e conta a história de Caroline, uma garota de 28 anos que está com raiva porque está dormindo sozinha e tem medo de ficar solteirona. Diz o refrão: “Você usava capa de chuva quando choveu hoje, e acho que isso só fez chover mais”.

Logo após o lançamento de “The Crane Wife”, Colin Meloy, que já havia gravado EPs com canções de Morrissey e da cantora folk irlandesa Shirley Collins (“Colin Meloy Sings Morrissey”, de 2005, e “Colin Meloy Sings Shirley Collins”, de 2006), voltou com uma homenagem a Sam Cooke e também um álbum ao vivo (“Colin Meloy Sings Live CD”) que traz canções da primeira banda do compositor, Tarkio, duas faixas inéditas e citações de Smiths, Pink Floyd, e Fleetwood Mac. O baixista Chris Funk montou o projeto Flash Hawk Parlor Ensemble e o baterista John largou as baquetas e foi tocar guitarras no Perhapst. Agora todos voltam ao Decemberists.

O volume 1, “Valerie Plame / O New England”, foi lançado em 14 de outubro; O volume 2, “Days of Elaine / Sticking With You”, em 04 de novembro; e o volume 3, “Record Year / Raincoat Song”, começa a ser vendido no dia 02 de dezembro. Cada um dos três volumes está sendo lançado em edições limitadas de vinil (500 cópias) e podem ser comprados no site oficial da banda. São seis canções brilhantes, pequenas epopéias de um compositor que continua escrevendo músicas como se estivesse esculpindo diamantes. Fique atento(a): o Decemberists tem tudo para ser a maior banda do mundo nos próximos dois anos. Senão for não tem problema. Será uma de suas bandas mais queridas. Acredite.

“Always The Bridesmaid: A Singles Series”, The Decemberists (Capitol)
Preço em media: R$ 30 por single (importado)
Nota: 10
Site: http://www.decemberistsshop.com/zencart/

Leia também:
– “The Crane Wife”, The Decemberistis, por Marcelo Costa (aqui)
– Decemberists ao vivo em Columbus, Ohio, por Marcelo Costa (aqui)

Foto: Divulgação

novembro 25, 2008   No Comments

SP Noise: “Parece Glasgow nos anos 90”

Texto: Marcelo Costa / Fotos: Lili Callegari

Mais do que trazer uma escalação com nomes badalados no circuito independente, a primeira edição do SP Noise prometia uma mistureba de estilos que poderia soar, no mínimo, inusitada. A variedade abrangia o rock matemático de Helmet (confirmado na última hora) e dos belgas do Motek passando pelos inenarráveis Ambervisions, de Santa Catarina, pela surf-music dos argentinos do The Tormentos, pelo rock de clima punk flower power do Black Lips até o som climático e viajandão do Black Mountain, mas era impossível não olhar para as roupas.

Do visual adolescente e fanfarrão do Black Lips passando pelo modelo hippie adotado pelo Black Mountain, o de garçons de transatlântico exibido pelos argentinos do Tormentos, a falta de uniformidade do Vaselines (Stevie Jackson de bancário, Bobby Kilddea de camiseta de pijama gola v, Frances de qualquer coisa e Eugene de mestre de cerimônias de festa country) até chegar ao “grande momento” do fim de semana: o colete de couro com franjas e calça de oncinha de Eduardo Martinez, vocalista argentino do combo finlandês Flaming Sideburns, o SP Noise foi muito mais visual que musical.

 

O primeiro dia foi aberto pelos goianos do Black Drawing Chalks que fizeram um barulho de muita responsa. Os argentinos do Tormentos repetiram o show mediano que vi deles em Buenos Aires, quatro anos atrás. Provável que daqui a cinqüenta anos estejam fazendo um show igual. Os Ambervisions fizeram o público rir com seu vocalista, Zimmer, de cabeça enfaixada, óculos e maracas, mas o show não honrou a barulheira de seus dois álbuns. O Motek me cansou na terceira vez que multipliquei 4 x 4 alcançando um resultado de 16, mas os CDs da banda foram bem vendidos na barraquinha.

No quesito show, o festival começou mesmo quando os finlandeses do Flaming Sideburns pisaram no palco 2 jogando seu glam rock com pitadas hard no colo do público. A banda usa uniforme (que podem ser o da turnê anterior do Hives) e soa extremamente afiada. O vocalista argentino Eduardo Martinez é uma peça. Baixinho, meio fora de forma, mas de colete e sem camisa, e ostentando uma legitima calça de oncinha, Martinez é daqueles que amam os clichês do estilo. Dançou de rostinho colado com uma menina na pista, se jogou no colo de um cara que ficou alisando seu cabelo (curto) enquanto ele cantava e até plantou bananeira no palco. Fora de forma quem?

 

Fechando a primeira noite, os canadenses do Black Mountain só faltaram acender incensos no palco 1 para deixar o clima flower power contaminar o pequeno público. Enquanto rapazes suspiravam pela vocalista Amber Webber (que mais tocava maracas, pandeiro e posava do que cantava), o grupo mandava ver na sonoridade setentista com bastante propriedade num misto de psicodelia com folk e momentos de hard rock. Tudo ia bem até o show ser interrompido bruscamente pelo pessoal da casa, que devido ao avançado do horário (22h e pouco) precisava esvaziar o local para começar uma outra balada noturna. Um pecado que vitimou uma boa apresentação.

 

O segundo dia começou com um público muito maior e os paulistas do Homepie abrindo os trabalhos no palco 2 mostrando influências de Belle and Sebastian e um longo trajeto a percorrer para chegar a algum lugar. Os norte-americanos do Calumet-Hecla fizeram um barulho dos diabos no palco 1 com a ruiva Anne fazendo caras e bocas, mas não chamaram muito a atenção do público, que preferiu ficar no bar, jogando Nintendo Wii ou aproveitando os últimos resquícios de sol, antes da chuva. O Do Amor (“Cheiro do Amor?”, perguntou um amigo)  apresentou sua mistura de (indie) rock, carimbó e axé-music, mas dispersou o público, que também deixou passar os chilenos do The Ganjas.

Os moleques desajustados do Black Lips lotaram o palco 2, e o show foi melhorando progressivamente até honrar a fama conseguida com boas resenhas em grandes veículos da imprensa internacional. A rigor, o show foi menos caótico do que a apresentação no Fib, na Espanha, em julho. Mas lá eles estavam no enorme palco principal (que naqueles dias recebeu Leonard Cohen, Morrissey, Raconteurs e My Bloody Valentine) enquanto aqui sofriam com problemas no som, chegando ao ponto do vocalista e guitarrista Cole Alexander colocar uma meia no microfone para evitar choques. Outro bom show interrompido pela casa cujo melhor momento foi o arremesso de cuspe do vocalista para o alto, e que lhe beijou a testa.

O Helmet – responsável pelo aumento de vendas de ingressos para o festival assim que confirmou, na quinta passada, sua presença em São Paulo – honrou sua história. O líder e único remanescente da formação original da banda, Page Hamilton, mostrou logo de cara que não estava para brincadeiras. Assim que alguém pediu uma música, ele mandou: “Foda-se! A gente só vai tocar o que a gente quiser”. E assim foi o massacre. Teoricamente é um som que não deveria agradar a quem tem mais de 18 anos, mas é lindo ver uma roda de pogo quebrando tudo e até o segurança batendo cabeça de costas para o palco. Disparado o melhor show do festival.

Fechando o fim de semana noise, os escoceses do Vaselines subiram ao palco com muitos problemas no som e a fama de banda preferida de Kurt Cobain, que gravou três covers do grupo no Nirvana. O show abriu, inclusive, com uma delas, “Son of a Gun”, e a desordem no palco honrava a tradição tosca do grupo. O baixista Bobby Kilddea não conseguia ouvir nada no retornos, o guitarrista Stevie Jackson se enrolava com a guitarra e o microfone de backing e o baterista Michael (o Michael da música do Franz Ferdinand, que não tem nada, mas nada mesmo de sexy) descia a mão no kit básico sem nenhuma variação. Era 1, 2, 3 e vamos pular.

 

No centro do palco, Eugene Kelly e Frances McKee tentavam entreter o público em meio a tosqueira. Eugene chegou a levar um choque quando tentava testar o microfone, largou a guitarra e saiu emburrado. Voltou depois, com o microfone trocado, e apresentou “Molly’s Lips” (outra gravada por aquele grupo de Seattle), cuja temática é o sexo oral, como uma canção sobre “beijar bucetas”. Francês emendou totalmente desavergonhada: “Como se você soubesse o que é isso”. A vocalista fez várias referências a sexo durante a apresentação. O som melhorava em faixas mais roqueiras como “Dying For It”, mas capengava em números mais lentos – como “Jesus Wants Me for a Sunbeam”, o que não chegava a incomodar o público.

“You Think You’re a Man” veio no bis, tornando-se um grandes momentos da noite. “Dum-Dum” fechou o show – com os responsáveis pela casa irados e pedindo para que o show acabasse o mais rapidamente possível. Um pouco antes, em meio aos inúmeros problemas de som no palco, e a chuva lá fora, Frances brincou e praticamente resumiu o fim de semana: “Isso tudo está parecendo Glasgow nos anos 90”.

O São Paulo Noise, nos anos 00, tropeçou no apertado dos horários (não se começa um festival na cidade numa sexta-feira às 18h nem no meio de um quase feriado, pois ninguém consegue chegar) e no line-up sufocado em um horário de matinê sem chance de erros e improvisos. É ótimo sair de casa para ver um show e chegar antes da meia-noite, mas para não prejudicar as atrações principais é melhor escalar menos bandas. O saldo final é positivo, pois os tropeços desta primeira edição podem ser consertados nas próximas. E quem sabe no ano que vem São Paulo pareça um lugar melhor.

Ps. Frances, Glasgow é uma das cidades mais chatas do mundo!

Ps2. Mais fotos do SP Noise, por Lili Callegari (aqui)

novembro 23, 2008   No Comments

Titãs e Sonic Youth nas telonas

 

“A Vida Até Parece Uma Festa”, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves
Cotação: 1/5

Uma das principais formações de rock do país, o Titãs chega às telonas (via Mostra RJ e SP – estréia oficial apenas em janeiro) com um documentário caseiro que procura contar a trajetoria da banda através de imagens de programas de TV e registros que Branco Mello começou a fazer quando comprou sua primeira câmera VHS em 1986. Dividido a quatro mãos entre o titã e o diretor Oscar Rodrigues Alves, “A Vida Até Parece Uma Festa” tropeça enquanto cinema, mas fãs vão adorar.

Os melhores momentos do filme são quase que exclusivamente retirados de programas de televisão em imagens de (90%) péssima qualidade. Mesmo assim é hilário ver o grupo pulando do Barros de Alencar para o Qual é a Música de Silvio Santos, gastando adrenalina no Cassino do Chacrinha, divertindo-se no Programa do Bolinha e Perdidos na Noite, programa do Faustão na Band. E o raro flagra do Trio Mamão (Bellotto, Mello e Fromer) e as Mamonetes em um programa da TV Tupi é histórico.

Porém, se forem retiradas as imagens de TV, pouca coisa relevante sobra em “A Vida Até Parece Uma Festa”. A edição caótica também não ajuda. Não há um fio condutor que dirija a história, e sim idas e vindas que só não vão confundir quem realmente é fã da banda. As cenas extensas são outro ponto negativo. Exemplo: a cena seguinte após o caso da prisão de Arnaldo e Belloto com drogas é ilustrada com uma colagem da música “Polícia” em diversos lugares que poderia ser muuuuuito mais curta. Outra, com a banda enlameada na Chapada das Guimarães, também poderia ser cortada pela metade.

Para fazer a ligação entre alguns trechos carentes de imagens de arquivo, Alves filma o que restou da banda no ônibus de turnê a caminho de algum show, o que poderia ter sido um ótimo vértice para a história, mas é usado raramente e poderia valorizar passagens interessantes como uma em que a banda vota para escolher quais canções vão entrar num álbum (com Nando Reis frustrado diante da câmera), outra em que Charles Gavin leva um esporro do produtor Liminha ou, ainda, uma terceira, mais recente, com Arnaldo quase caindo da cadeira ao passar uma canção em casa com outros titãs.

Os pontos primordiais da história da banda ganham espaço na tela – a saída de Arnaldo Antunes e Nando Reis; a morte de Marcelo Frommer; o começo, meio e momento atual da banda; a vida na estrada – mas poderiam ser melhor explorados. No fim fica a impressão que “A Vida Até Parece Uma Festa” foi feito exclusivamente para fãs com mais foco na história musical do que no cinema. Até por isso destaca o roteiro capenga. Há bons momentos no documentário, mas uma banda do porte e trajetória do Titãs merecia muito mais. A gente não quer só comida.

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“Sonic Youth: Sleeping Nights Awake”, de Projeto Moonshine
Cotação: 3/5

Imagine a cena: sete estudantes do segundo grau têm uma “tarefa” para o fim de semana: registrar a passagem da turnê “Rither Ripped”, do Sonic Youth, por sua cidade, a pequena Reno, no estado de Nevada, Estados Unidos. O trabalho faz parte do Projeto Moonshine (http://www.projectmoonshine.org), uma organização sem fins lucrativos que visa ensinar cinema a adolescentes para que eles possam documentar importantes eventos em suas comunidades. “Sonic Youth: Sleeping Nights Awake” foi o primeiro longa do grupo, e o Projeto se saiu muito bem.

Não há nada de revolucionário no método de filmagem e roteiro de “Sonic Youth: Sleeping Nights Awake”, pressuposto correto para um grupo iniciante na arte de cinematografia. O grupo parte do básico nos registros e captações de imagens: acompanha a banda de sua chegada em Reno até a partida com reveladoras entrevistas com membros da equipe técnica e com os próprios músicos até imagens dos shows (com a integra de canções como: “Tom Violence”, “Shaking Hell”, “Mote”, “Incinerate” e “Kool Thing”).

A edição é primorosa e valoriza imensamente o resultado final. Com sete câmeras nas mãos de estudantes, o Projeto mixa várias imagens (todas em PB) estilosas que muitas vezes começam e/ou terminam desfocadas, opção que casa à perfeição com a pouca experiência do grupo de estudo e também com a sonoridade do Sonic Youth. Outro ponto alto é a relação dos integrantes – principalmente Thurston Moore – com a filmagem, agindo numa naturalidade raras vezes vista em um documentário.

“Já faz 17 anos desde a última vez que tocamos aqui, não lembro o nome do lugar”, diz Thurston em certo momento do show. Um fã, no meio da platéia, grita o nome do local, e Thurston emenda: “Esse ai. Obrigado por terem nos trazido de volta”. E começa o massacre com “Kool Thing”. O Projeto entrevista uma garota cujo pai tem o nome do grupo tatuado na perna. Minutos depois o encontra para que ele mostre a tatuagem para ás câmeras. O descompromisso toma conta e contagia.

Kim Gordon fala sobre a dificuldade de cantar, a vida na estrada e filhos, um deles trabalhando na turnê, na banca de camisetas da banda. Lee Ranaldo tenta explicar como a banda dura tanto e o ex-baixista do Pavement, Mark Ibold, fala sobre a adaptação ao grupo. Mas os melhores momentos são de Thurston, que parece não levar à sério o documentário. “Vocês são estudantes da high school? Legal. Querem Hersheys?”, pergunta no camarim. “Só tem dois. Vocês vão ter que dividir”, diz o guitarrista já de mochila nas costas enquanto Kim comenta: “Vou levar um pouco de comida para o ônibus”.

Um dos momentos reveladores do longa, porém, parte de um dos membros da equipe técnica. O entrevistador pergunta: “Como você sabe que eles estão felizes no palco, que a noite está sendo boa?”. O rapaz hesita, mas responde: “Eu sei quando eles não estão felizes. Por exemplo: na turnê do álbum ‘Sonic Nurse’, ainda com o Jim O’Rourke na banda, o clima não estava bom… então eles tocavam versões de 20 minutos de uma música, só microfonia, nenhum movimento. Eles estavam jogando sobre o público todas as suas frustrações”, diz, explicando por tabela a frustrante apresentação no Claro Que é Rock, em 2005, após a primeira passagem antológica, no Free Jazz, em 2000.

O intimismo e a espontaneidade valorizam “Sonic Youth: Sleeping Nights Awake”, um documentário jovem que flagra uma das bandas mais importantes do cenário independente mundial. Apesar de ter por base a execução ao vivo das canções do grupo – as entrevistas surgem entre uma música e outra, o documentário soa interessante também para aquele público que não conhece e/ou nem é fã do Sonic Youth, mas tenha curiosidade pelos bastidores de uma banda de rock em turnê, num registro que merece ser visto.

Leia também:
– “Sonic Nurse” exibe as cicatrizes do Sonic Youth, por Marcelo Costa (aqui)
– “Murray Street”, do Sonic Youth, faixa a faixa, por Marcelo Costa (aqui)
– Claro Que é Rock em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)

novembro 21, 2008   No Comments

A Nova Idade Média

“Você gasta um tempão e uma baita grana fazendo um disco e as pessoas pegam aquilo de graça.”
Jim Reid, Jesus and Mary Chain, na Revista Bravo (Novembro/2008) (aqui)

“Baixar a música pela internet é danosa, mas ajuda a divulgação. Música é fonte de renda para muita gente. Tem muitos profissionais por trás. O cara baixa e não vai comprar seu CD. Por outro lado, ajuda com a divulgação. Fazendo um balanço, ajuda mais do que atrapalha.
Zezé di Camargo na Folha de São Paulo (Novembro 2008) (aqui)

“No momento em que se vende menos música na história, escuta-se mais música do que nunca”.
Jesus Miguel Marcos, do Jornal Publico, de Barcelona (Julho 2008) (aqui)

A Nova Idade Média, por Marcelo Costa

A Indústria da Música está em coma, respira por aparelhos, mas continua vivendo em uma bela mansão repleta do bom e do melhor. Ela ainda sobrevive – e fatura milhões – em um mercado cujos dias estão contados, mas lamenta os dias de bonança que viveu décadas atrás, antes da Internet democratizar a distribuição da música e o MP3 derrubar o comércio de discos.

É interessante perceber que a discussão sobre a ética que envolve a distribuição de música pela Internet junta pessoas tão dispares quanto o frontman de uma das bandas britânicas mais barulhentas dos anos 80 com um dos baluartes da música brega sertaneja que dominou o mercado brasileiro no final da mesma década. Jim Reid e Zezé di Camargo simbolizam o homem desacostumado com os novos tempos, aquele que não percebe que o mundo mudou e que o passado é uma roupa que não nos serve mais.

O disco de vinil surgiu em 1948, substituindo os obsoletos discos de goma-laca de 78 rotações, que até então eram utilizados para vender música em série. A década de 50 marca o início da popularização da música de massa, mas foi nos anos 60 que o cenário tomou proporções estratosféricas. O disco mais vendido dos anos 50, “Elvis’ Christmas Album”, totalizou 7 milhões de cópias. Na década seguinte, o Álbum Branco, dos Beatles, somava quase três vezes aquele número: 19 milhões de cópias vendidas.

O que está acontecendo neste momento da história é que vivemos uma revolução sem precedentes, e muitas pessoas – principalmente as que vivem com os lucros da Indústria – ainda querem utilizar um método antigo e arcaico de comercializar e negociar música sem perceber que o mundo mudou, as ferramentas mudaram, e é preciso adaptar-se aos novos tempos. A Internet e as novas tecnologias facilitaram o ato de fazer música e distribuí-la. A cada dia que passa, a Indústria perde poder.

Mais do que qualquer coisa, é interessante observar que vinil, CD e fita K7 são suportes ultrapassados que só interessam a quem viveu os anos dourados da Indústria da Música. Adolescentes que desconhecem estes suportes e acostumaram-se a baixar músicas pela web nunca vão comprar um disco, pois aprenderam a ter isso de graça. Mais do que um problema ético, estamos diante de um símbolo de liberdade. Agora, cada pessoa ouve a música que quiser. Um disco a um clique do mouse.

“Como ganhar dinheiro com a minha arte?”, perguntam os músicos. Fazendo shows, caros amigos, fazendo shows. Estamos voltando à Idade Média. Estamos diante de um novo Renascimento. Naquela época, os artistas não tinham suportes que os permitiam vender sua música em série, e mostravam sua arte apresentando-se de cidade em cidade. Clichês repetidos a exaustão entram na pauta do dia: “O artista vai onde o povo está” ou “Quem sabe faz ao vivo”.

É por tudo isso que Matt Berninger, do grupo novaiorquino The National, agradeceu à Internet no show que fez em São Paulo, no Tim Festival. Foi ela quem possibilitou que as pessoas conhecessem sua música, e produtores os trouxessem ao Brasil, mesmo sem o grupo não ter tido nenhum de seus quatro discos lançados no país. O mesmo aconteceu com o grupo Spoon, show elogiado do Festival Planeta Terra, com nenhum disco lançado no Brasil, mas o público cantando em coro várias canções. Novos tempos.

Vivemos um momento extraordinário da história, um momento em que as novidades surgem todos os dias e qualquer coisa pode acontecer. É perfeitamente entendível que algumas pessoas queiram continuar vivendo como viviam há dez, vinte, trinta anos atrás, mas é preciso perceber que o mundo está mudando, e que certos dogmas precisam ser adaptados ao novo momento que está surgindo. E pensar que se a Indústria está morrendo, a Música está cada vez mais viva. O Rei está morto. Viva o Novo Rei.

novembro 16, 2008   No Comments