Category — Música
Meus 50 discos brasileiros de todos os tempos
Se você já se propôs a fazer uma lista assim alguma vez na vida, sabe que no minuto seguinte a gente muda de ideia, e de que se fosse outro dia a lista também seria outra. Dito isso, atendi ao convite do amigo Ricardo Alexandre, que convidou 162 especialistas de diferentes áreas ligadas à produção musical (jornalistas, youtubers, podcasters, músicos, produtores etc), para contribuir com uma lista pessoal dos 50 melhores álbuns de todos os tempos.
A tabulação completa do podcast Discoteca Básica com o resultado derivado das escolhas dos 162 votantes será publicada no livro “Os 500 Maiores Álbuns Brasileiros de Todos os Tempos” – mas o Top 10 já foi revelado aqui – já em campanha de financiamento coletivo: podcastdiscotecabasica.com/livro
Estava tentando lembrar se eu já havia votado em uma lista parecida, e a memória, falha, não traz nenhum registro. Em 2009, porém, colaborei com a lista das 100 melhores músicas da MPB da revista Rolling Stone Brasil, listando as minhas canções escolhidas (relembre aqui). Abaixo, você confere a minha lista pessoal de 50 melhores álbuns de todos os tempos. A primeira é a versão cronológica. A segunda é a versão que eu havia mandado pro Ricardo Alexandre no final do ano – mas não tinha salvo comigo. Quando fiz esse post em maio, sem lembrar da ordem de dezembro, reorganizei a lista, o que diz muito sobre a mutabilidade e is humores que movem essas escolhas.

LISTA CRONOLÓGICA
01. Chega de Saudade (1959), João Gilberto
02. Show Opinião (1965), Nara Leão, João do Vale e Zé Kéti
03. Os Afro-Sambas (1966), Baden Powell e Vinicius de Moraes
04. Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura (1967), Roberto Carlos
05. A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970), Os Mutantes
06. Tim Maia (1970), Tim Maia
07. Carlos, Erasmo (1971), Erasmo Carlos
08. Construção (1971), Chico Buarque
09. Fa-Tal – Gal A Todo Vapor (1971), Gal Costa
10. A Dança da Solidão (1972), Paulinho da Viola
11. Acabou Chorare (1972), Novos Baianos
12. Clube da Esquina (1972), Milton Nascimento & Lô Borges
13. Expresso 2222 (1972), Gilberto Gil
14. Jards Macalé (1972), Jards Macalé
15. Transa (1972), Caetano Veloso
16. Pérola Negra (1973), Luiz Melodia
17. Secos & Molhados (1973), Secos & Molhados
18. A Tábua de Esmeralda (1974), Jorge Ben
19. Elis & Tom (1974), Elis Regina e Tom Jobim
20. Lóki? (1974), Arnaldo Baptista
21. Fruto Proibido (1975), Rita Lee & Tutti Frutti
22. Novo Aeon (1975), Raul Seixas
23. Cartola (1976), Cartola
24. Estudando o Samba (1976), Tom Zé
25. Alucinação (1976), Belchior
26. Passarinho Urbano (1976), Joyce
27. Cabeça Dinossauro (1986), Titãs
28. Dois (1986), Legião Urbana
29. Selvagem? (1986), Os Paralamas do Sucesso
30. Adeus Carne (1987), Os Inocentes
31. Papapaparty (1987), DeFalla
32. Psicoacústica (1988), Ira!
33. Brasil (1989), Ratos de Porão
34. Supercarioca (1989), Picassos Falsos
35. O Disco Dos Mistérios (1991), Sexplicito
36. Chaos A.D. (1993), Sepultura
37. Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994), Marisa Monte
38. Afrociberdelia (1996), Chico Science & Nação Zumbi
39. A Sétima Efervescência (1997), Júpiter Maçã
40. Sobrevivendo no Inferno (1997), Racionais MC’s
41. Carnaval na Obra (1998), Mundo Livre S/A
42. Bloco do Eu Sozinho (2001), Los Hermanos
43. Ruído Rosa (2001), Pato Fu
44. A Farsa do Samba Nublado (2004), Wado e Realismo Fantástico
45. Nadadenovo (2004), Mombojó
46. Grandes Infiéis (2005), Violins
47. Nó na Orelha (2011), Criolo
48. Antes Que Tu Conte Outra (2013), Apanhador Só
49. A Mulher do Fim do Mundo (2015), Elza Soares
50. Duas Cidades (2016), BaianaSystem
LISTA POR ORDEM DE PREFERÊNCIA – DEZEMBRO 2021
01. Os Afro-Sambas (1966), Baden Powell e Vinicius de Moraes
02. Show Opinião (1965), Nara Leão, João do Vale e Zé Kéti
03. Chega de Saudade (1959), João Gilberto
04. Acabou Chorare (1972), Novos Baianos
05. Construção (1971), Chico Buarque
06. Clube da Esquina (1972), Milton Nascimento & Lô Borges
07. A Tábua de Esmeralda (1974), Jorge Ben
08. Elis & Tom (1974), Elis Regina e Tom Jobim
09. Transa (1972), Caetano Veloso
10. Pérola Negra (1973), Luiz Melodia
11. Cartola (1976), Cartola
12. Expresso 2222 (1972), Gilberto Gil
13. Jards Macalé (1972), Jards Macalé
14. Tim Maia (1970), Tim Maia
15. Sobrevivendo no Inferno (1997), Racionais MC’s
16. Chaos A.D. (1993), Sepultura
17. A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970), Os Mutantes
18. Lóki? (1974), Arnaldo Baptista
19. Novo Aeon (1975), Raul Seixas
20. Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura (1967), Roberto Carlos
21. Carlos, Erasmo (1971), Erasmo Carlos
22. Fa-Tal – Gal A Todo Vapor (1971), Gal Costa
23. Passarinho Urbano (1976), Joyce
24. Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994), Marisa Monte
25. A Mulher do Fim do Mundo (2015), Elza Soares
26. Alucinação (1976), Belchior
27. Estudando o Samba (1976), Tom Zé
28. Secos & Molhados (1973), Secos & Molhados
29. A Dança da Solidão (1972), Paulinho da Viola
30. Bloco do Eu Sozinho (2001), Los Hermanos
31. Duas Cidades (2016), BaianaSystem
32. Papapaparty (1987), DeFalla
33. Supercarioca (1989), Picassos Falsos
34. Afrociberdelia (1996), Chico Science & Nação Zumbi
35. Nadadenovo (2004), Mombojó
36. Dois (1986), Legião Urbana
37. Selvagem? (1986), Os Paralamas do Sucesso
38. Fruto Proibido (1975), Rita Lee & Tutti Frutti
39. Adeus Carne (1987), Os Inocentes
40. Carnaval na Obra (1998), Mundo Livre S/A
41. Psicoacústica (1988), Ira!
42. Cabeça Dinossauro (1986), Titãs
43. A Sétima Efervescência (1997), Júpiter Maçã
44. Antes Que Tu Conte Outra (2013), Apanhador Só
45. A Farsa do Samba Nublado (2004), Wado e Realismo Fantástico
46. O Disco Dos Mistérios (1991), Sexplicito
47. Brasil (1989), Ratos de Porão
48. Nó na Orelha (2011), Criolo
49. Grandes Infiéis (2005), Violins
50. Ruído Rosa (2001), Pato Fu
LISTA POR ORDEM DE PREFERÊNCIA – MAIO 2022
01. Chega de Saudade (1959), João Gilberto
02. Show Opinião (1965), Nara Leão, João do Vale e Zé Kéti
03. Os Afro-Sambas (1966), Baden Powell e Vinicius de Moraes
04. Transa (1972), Caetano Veloso
05. Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura (1967), Roberto Carlos
06. Elis & Tom (1974), Elis Regina e Tom Jobim
07. Sobrevivendo no Inferno (1997), Racionais MC’s
08. Chaos A.D. (1993), Sepultura
09. Fa-Tal – Gal A Todo Vapor (1971), Gal Costa
10. Papapaparty (1987), DeFalla
11. Construção (1971), Chico Buarque
12. Clube da Esquina (1972), Milton Nascimento & Lô Borges
13. Pérola Negra (1973), Luiz Melodia
14. Acabou Chorare (1972), Novos Baianos
15. Alucinação (1976), Belchior
16. Tim Maia (1970), Tim Maia
17. Expresso 2222 (1972), Gilberto Gil
18. Novo Aeon (1975), Raul Seixas
19. Cartola (1976), Cartola
20. Jards Macalé (1972), Jards Macalé
21. A Tábua de Esmeralda (1974), Jorge Ben
22. A Mulher do Fim do Mundo (2015), Elza Soares
23. Passarinho Urbano (1976), Joyce
24. A Dança da Solidão (1972), Paulinho da Viola
25. A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970), Os Mutantes
26. Lóki? (1974), Arnaldo Baptista
27. Fruto Proibido (1975), Rita Lee & Tutti Frutti
28. Secos & Molhados (1973), Secos & Molhados
29. Afrociberdelia (1996), Chico Science & Nação Zumbi
30. Carnaval na Obra (1998), Mundo Livre S/A
31. Bloco do Eu Sozinho (2001), Los Hermanos
32. Nó na Orelha (2011), Criolo
33. Duas Cidades (2016), BaianaSystem
34. Antes Que Tu Conte Outra (2013), Apanhador Só
35. Supercarioca (1989), Picassos Falsos
36. Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994), Marisa Monte
37. Selvagem? (1986), Os Paralamas do Sucesso
38. Nadadenovo (2004), Mombojó
39. Brasil (1989), Ratos de Porão
40. Dois (1986), Legião Urbana
41. Psicoacústica (1988), Ira!
42. Adeus Carne (1987), Os Inocentes
43. Cabeça Dinossauro (1986), Titãs
44. Estudando o Samba (1976), Tom Zé
45. Carlos, Erasmo (1971), Erasmo Carlos
46. A Sétima Efervescência (1997), Júpiter Maçã
47. O Disco Dos Mistérios (1991), Sexplicito
48. A Farsa do Samba Nublado (2004), Wado e Realismo Fantástico
49. Ruído Rosa (2001), Pato Fu
50. Grandes Infiéis (2005), Violins

maio 9, 2022 12 Comments
Top 25 discos mais ouvidos Abril 22

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:
TOP 25 de Abril de 2022
01) “Destroyer (45th Anniversary Deluxe), Kiss
02) “MOTOMAMI”, Rosalía
03) “BBC Radio Theatre, London, June 27, 2000”, David Bowie
04) “O Tempo Não Para – O Show Completo (Ao Vivo)”, Cazuza
05) “200 Motels”, Frank Zappa
06) “Angel Dream: Songs And Music From The Motion Picture ‘She’s The One'”, Tom Petty
07) “Transmission Impossible”, The Velvet Underground
08) “Tattoo You (Deluxe)”, The Rolling Stones
09) “Damage and Joy”, The Jesus and Mary Chain
10) “Sweet Oblivion”, Screaming Trees
11) “Blondie At The BBC”, Blondie
12) “Once Twice Melody”, Beach House
13) “Eat to the Beat”, Blondie
14) “Transatlanticism”, Death Cab for Cutie
15) “Promises”, Floating Points
16) “Clube Da Esquina”, Milton Nascimento
17) “Accelerate”, R.E.M.
18) “OK Computer OKNOTOK 1997/2017”, Radiohead
19) “Future Nostalgia (The Moonlight Edition)”, Dua Lipa
20) “The Mothers 1971”, Frank Zappa
21) “Vespertine”, Björk
22) “Todo Veneno Vivo (Ao Vivo No Rio De Janeiro / 1998)”, Cássia Eller
23) “Bleeding Heart”, Jimi Hendrix
24) “Colossal Head”, Los Lobos
25) “Erosão”, Mariá Portugal
maio 2, 2022 No Comments
Top 25 discos mais ouvidos Março 22

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:
TOP 25 de Março de 2022
01) “Stage Fright (Deluxe Edition / 2020 Remix)”, The Band
02) “American Poet” (Deluxe Edition), Lou Reed
03) “Transmission Impossible”, The Velvet Underground
04) “Zappa ’88: The Last U.S. Show”, Frank Zappa
05) “B-Sides & Rarities, Pt. II”, Nick Cave
06) “The Frenz Experiment (Expanded Edition)”, The Fall
07) “Simple Pleasure (Expanded Edition)”, Tindersticks
08) “Metallica (Remastered Deluxe Box Set)”, Metallica
09) “A Arca De Noé 2”, Various Artists
10) “Miles at the Fillmore – The Bootleg Series Vol. 3”, Miles Davis
11) “KID A MNESIA”, Radiohead
12) “Curtains” (Expanded Edition)”, Tindersticks
13) “Wise Up Ghost (Deluxe Edition)”, Elvis Costello & The Roots
14) “Promenade (2020 Reissue)”, The Divine Comedy
15) “Dust (Expanded Edition)”, Screaming Trees
16) “Fernando Catatau”, Fernando Catatau
17) “Cold Metal”, Iggy Pop
18) “The Last Concert”, Jimi Hendrix
19) “Sob o Signo do Amor”, Dulce Quental
20) “Misery Is a Butterfly”, Blonde Redhead
21) “Suave Coisa Nenhuma”, Biba Meira
22) “Sweet Oblivion”, Screaming Trees
23) “Bomber”, Motörhead
24) “Elis & Tom”, Elis Regina & Tom Jobim
25) “Daddy’s Home”, St. Vincent
Pouca novidade, muita reedição…
abril 1, 2022 No Comments
Top 25 discos mais ouvidos Fev 22

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:
TOP 25 de Fevereiro de 2022
01) “El Cancionero: Mas y Mas”, Los Lobos
02) “Singles Collection, B-sides & Rarities”, The Coral
03) “The White Album [50th Anniversary Super Deluxe Edition]”, The Beatles
04) “(What’s the Story) Morning Glory?” Deluxe Edition, Oasis
05) “Be Here Now” Deluxe Edition, Oasis
06) “Live USA”, The Clash
07) “Live at The Royal Albert Hall”, Arctic Monkeys
08) “London Calling”, The Clash
09) “Matador At Fifteen”, Various Artists
10) “Rust Never Sleeps”, Neil Young
11) “Harvest Moon”, Neil Young
12) “Live in Buenos Aires”, Coldplay
13) “Happiness Is You”, Johnny Cash
14) “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
15) “I Don’t Want to Let You Down”, Sharon Van Etten
16) “A Barata Oriental”, Nenung
17) “I Learned the Hard Way”, Sharon Jones and the Dap-Kings
18) “Jards Macalé”, Jards Macalé
19) “Psychedelic Pill”, Neil Young
20) “QVVJFA?”, Baco Exu do Blues
21) “Gilberto Gil (1968)”, Gilberto Gil
22) “Honolulu”, Lulu Santos
23) “Welcome 2 America”, Prince
24) “Pérola Negra”, Luiz Melodia
25) “Portas”, Marisa Monte
março 2, 2022 No Comments
Mark Lanegan, 1964 / 2022

Um arrepio percorreu meu braço inteiro assim que li que Mark Lanegan morreu…
Chocado. Mark Lanegan era daqueles que a gente sabia que vivia com a saúde debilitada, mas que sempre dava um jeito de ir empurrando a vida pra frente e que a gente esperava ouvir cantando com aquele vozeirão aos 90 anos… Todas as vezes que o vi ao vivo foram especiais…
Meu show favorito do Lanegan foi um no Studio SP (imagina você ver um ídolo ali, coladinho no palco, na rua vizinha da sua casa) e outro em um festival em Bruges, na Bélgica, com (outro amado aqui em casa) Greg Dulli, em que ele cantou uma das minhas favoritas do Screaming Trees, “Sworn and Broken”.

Teve uma época, começo dos anos 90, morando em Taubaté (meio isolado do resto do mundo), que comecei a comprar CDs diretamente de selos indies americanos, escrevendo pros caras e mandando grana. As duas primeiras compras foram na SST (uma coleta e um EP dos Trees) e na Sub Pop (o primeiro solo do Lanegan e um EP)…
Eu tava tão viciado em Lanegan na época que ele foi o primeiro a me fazer entrar nessa de comprar direto do selo (pensando bem, até hoje só devo ter comprado nos sites do Wilco, Decemberists, Billy Bragg e essas compras na Sub Pop e na SST pra pegar esses discos da foto)…

Aliás, a estreia solo do Lanegan, “The Winding Sheet” (1990) traz a versão dele para “Where Did You Sleep Last Night”, do Leadbelly, com o Kurt na guitarra e o Novoselic no baixo… Kurt faz backing em outra nesse disco…
Lanegan lançou uma biografia pesadona (como não poderia deixar de ser) em 2020, “Sing Backwards and Weep”, que a essencial Editora Terreno Estranho lançou no Brasil em 2021, traduzida pelo amigo Carlos Messias, que escreveu para o Scream & Yell sobre os shows de Mark Lanegan em São Paulo em 2010 e 2012. A Janaina Azevedo escreveu sobre o livro e sobre o show do Lanegan em São Paulo em 2018… eu escrevi sobre uns discos…
Em 2021, ele lançou “Devil in a Coma”, em que ele relatava sua luta contra a Covid-19, que o deixou surdo em alguns momentos e o colocou em coma algumas vezes. O Leonardo Tissot leu, mas eu não sei se nesses dias pesados de pandemia eu teria força pra ler…
O Leonardo também entrevistou o Gary Lee Conner (Screaming Trees) em 2019: “Não tenho falado com Mark. É estranho. Teve uma época em que escrevíamos canções juntos, num ponto em que ele era a coisa principal da minha vida e agora é completamente… nada!”
Dizer pra você que eu esperei / desejei muito por uma turnê de reunião dos Screaming Trees (escrevi apaixonado sobre o “Dust” na primeira edição em papel do Scream & Yell, 1997), e essa entrevista com o Gary sepultou esse sonho, mas bateu um orgulhozinho do Lanegan não querer viver do passado.
Lanegan colaborava com amigos (Josh Homme, Greg Dulli), mas sempre se metia em projetos meio sem pé nem cabeça, como os discos lindos com a Isobel Campbell (Belle & Sebastian) ou a pequena pérola que é o segundo disco do Soulsavers. E vai fazer uma falta danada…
fevereiro 22, 2022 No Comments
A autobiografia de Dave Grohl

Pra mim, o Foo Fighters já deu o que tinha que dar faz tempo (ao vivo então eu fujo deles!). Eles nunca mais vão igualar “The Colour and The Shape” (1997) e “There Is Nothing Left To Lose” (1999) e foram os primeiros a saber disso.
Mas Dave Grohl anda fazendo bons filmes (“Sound City” e a série “Sonic Highways“, tirando as músicas, e amigos ainda recomendam “What Drives Us” e “From Cradle To Stage”) e, surpresa boa demais, livros. A autobiografia “O contador de histórias: Memórias de vida e música“, recem-lançada no Brasil pela Intrínseca, é coisa fina.
Nesse texto que escrevi a pedido da editora sobre o livro, falo um pouco sobre como Dave acompanhou as mudanças da música nas últimas décadas, da banda Scream aos seus projetos (como o Them Crooked Vultures, que ele montou com Josh Homme, do QOTSA, e o ex-Led Zeppelin John Paul Jones – disco do ano no Scream & Yell na época).
Mas o que realmente me emocionou no livro (sim, eu chorei e ri bastante, em doses quase iguais) foi sua relação dele com a mãe (como não amar uma professora que diz pro filho: “Nem todo mundo foi feito pra escola. Pode abandonar. Espero que você seja bom na bateria”) e as filhas (paternidade tá à flor da pele aqui).
O livro segue o formato de pequenos contos levemente amarrados, sem ordem obrigatória de acontecimentos, e Dave evitar se repetir, então histórias que ele já contou em outros lugares (como essa maravilhosa sobre Bob Dylan no Storytellers), ele não repete no livro – os contos seguem o tom do Storytellers!
Da mesma forma, tudo que vão conseguir arrancar dele sobre “In Utero” e Steve Albini está no episódio “Chicago”, do “Sonic Highways”. Sinceramente, eu achei que ele fosse falar menos de Nirvana no livro – é preciso lembrar que as filhas dele também vão ler o livro… logo. Talvez por isso ele tenha evitado alguns temas tensos.
Mas, sim, tem histórias do começo (o jeito que ele entra no assunto “bateria” é antológico), de sua fase no Scream, dos tempos do Nirvana (principalmente “Nevermid”), do começo do Foo Fighters além daquilo que se espera: exibicionismo de um moleque que amava Beatles e Motorhead, e ficou amigo dos caras. Foi uma leitura leve e bastante agradável. Recomendo. E leia o texto!
fevereiro 9, 2022 No Comments
Qual o melhor álbum de Neil Young?

Não é uma pergunta fácil de responder, e a resposta muitas vezes vai dizer mais sobre quem responde do que, necessariamente, sobre o disco escolhido. Isso não só porque Neil Young tem uma discografia extensa (são mais de 40 álbuns de estúdio e incontáveis discos ao vivo), mas, principalmente, porque ele tem diversos melhores álbuns.
A Rolling Stone USA crava “Harvest” (1972) na 1ª posição, o disco que deu um single número 1 para o homem (“Heart of Gold”) e fez com que muitos fixassem na mente aquele visual violão e gaita, meio que aprisionando Neil no formato, o que fez com que ele passasse as décadas seguintes desesperadamente tentando destruir essa imagem. Clássico!
A Rate Your Music vai de “Everybody Knows This Is Nowhere” (1969), o segundo disco de Neil Young, que (como acontece com Lou Reed) soa com sua verdadeira estreia, não apenas pelo fato de Neil elevar sua banda de estúdio e shows, a Crazy Horse, a posição de destaque, mas por encapsular crueza, emoção e entrega.
Para a Ultimate Classic Rock (para mim e Thom Yorke), o número 1 é “After The Gold Rush” (1970), terceiro disco de Neil, em que ele tenta chocar a sonoridade que havia conseguido com a Crazy Horse com aquela que ele tinha com o supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young (ainda em atividade) – com a Crazy Horse recebendo o acréscimo de Nils Lofgren, Jack Nitzsche e Stephen Stills – enquanto tenta entender a década que passou e sonhar com que a que virá.
Para mim, tudo que Neil irá fazer de 1973 em diante tem um pouco desses três discos, e ainda que “On the Beach” (74), “Tonight’s the Night” (75), “Zuma” (75) e “American Stars ‘n Bars” (77), sejam obras primas incontestes, apenas desenvolvem ideias antecipadas naqueles três discos.
O Guardian (ahh, sempre os ingleses), por sua vez, coloca “Rust Never Sleeps” (1979) no topo, o disco que constrói (com influência do movimento punk – sempre ele) a persona Neil Young que conhecemos hoje. Decididamente um ponto marcante na carreira do homem.
Daí que se você quer saber qual é o melhor disco de Neil Young, qualquer um dos 8 citados aqui honram a posição com justiça. A dica: comece do início e vem descendo…
fevereiro 3, 2022 No Comments
Top 25 discos mais ouvidos Jan 22

Segundo a minha LastFM em contagem da Tap Music:
TOP 25 de Janeiro de 2022
01) Feel Flows – The Sunflower & Surf’s Up Sessions 1969-1971, The Beach Boys (Super Deluxe)
02) The Beach Boys On Tour: 1968 (Live)
03) The Beach Boys 1967 – Live Sunshine
04) Plastic Ono Band: The Ultimate Mixes, John Lennon
05) Carnegie Hall 1970, Neil Young
06) Imagine: The Ultimate Collection, John Lennon
07) Directions, Miles Davis
08) Queen (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen
09) A Paixão De V Segundo Ele Próprio, Vitor Ramil
10) Zuma, Neil Young
11) SOUR, Olivia Rodrigo
12) Parklife (Special Edition), Blur
13) Delta Estácio Blues, Juçara Marçal
14) Transformer, Lou Reed
15) Os Afro-Sambas, Baden Powell e Vinícius de Moraes
16) Vespertine (Live), Björk
17) The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars. David Bowie
18) A Night At The Opera (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen
19) Love Songs For Patriots, American Music Club
20) Mighty Joe Moon, Grant Lee Buffalo
21) João Gilberto (1973), João Gilberto
22) Tambong (em Espanhol), Vitor Ramil
23) Sheer Heart Attack (Deluxe Edition 2011 Remaster)
24) The Colour and the Shape (Deluxe Edition), Foo Fighters
25) Queen II (Deluxe Edition 2011 Remaster), Queen
fevereiro 1, 2022 No Comments
“Times Square” e “Freedom”, Neil Young

Em sua carreira, Neil Young desistiu de lançar vários discos que já estavam prontos (uma descoberta recente foi o maravilhoso “Homegrown“, de 1975, que depois de gravado e mixado foi arquivado por Neil que só o lançou em 2020!). Daí que após cumprir seu contrato com a Geffen em 1987 lançando (o bom) “Life” (com um aceno ao pré-grunge que ele viria a abraçar), Neil gravou o álbum “Times Square” (1988) com uma formação que ele apelidou de The Restless (Chad Cromwell, Rick Rosas e Frank Sampedro) somando duas sobras do álbum de blues “This Note’s For You”. O disquinho de nove faixas chegou a ser distribuído para algumas rádios quando Neil decidiu engavetar o álbum.
Das nove faixas de “Times Square” (que começou a circular em versão bootleg nos anos 90), cinco foram parar no EP “Eldorado”, que só saiu oficialmente em abril de 1989 pela Reprise na Austrália e no Japão (a poderosa e densa “Heavy Love” e tb “Cocaine Eyes” só existem nesse EP), e seis se juntaram (levemente alteradas) a outras seis faixas em “Freedom”, que saiu em outubro do mesmo ano no mundo todo (Brasil em vinil incluso). Uma única faixa de “Times Square” ficou inédita, “Box Car”, que apareceria em um lançamento futuro (“Chrome Dreams II”, de 2007).
“Freedom” é aberto e encerrado com “Rockin’ in the Free World” (em versões acústica e elétrica), que se transformaria em um dos últimos grandes sucessos da carreira de Neil e um dos grandes momentos de seus shows (e dos shows do Pearl Jam), mas a alma do disco é o coração batendo do álbum “Times Square” com as estupendas “Eldorado” (sonho em ouvir essa ao vivo) e “Crime in the City” mais as tempestades sônicas de “On Broadway” e “Don’t Cry” (quando uma guitarra soa como a turbina de um Boeing).
O discaço “Freedom” seria sucedido por outro discaço, “Ragged Glory” (1990), e pelo complemento sônico triplo ao vivo “Weld” / “Arc” – o primeiro é um tradicional disco duplo de rock barulhento de Neil (com “Like a Hurricane”, “Cortez the Killer”, “Cinnamon Girl”, “Powderfinger”, “Hey, Hey, My My”, cover de Bob Dylan e faixas então recentes) e o segundo é uma colagem de 35 minutos de microfonia, noise e feedback captados durante a turnê. Que fase!
janeiro 30, 2022 No Comments
“Mirrorball” / “Merkinball”, Neil Young e Pearl Jam

A discografia de Neil Percival Young é tão maravilhosamente errática que quando David Geffen o tirou da Reprise Records para sua companhia, no começo dos anos 80, se achou no direito de processar Neil após dois discos (de um contrato de cinco!) alegando que havia contratado Neil Young, mas os discos que ele tinha lançado (o kraftwerkiano “Trans” e o rockabilly “Everbody’s Rockin”, de 1982 e 1983, respectivamente) não eram “comerciais” e não “pareciam Neil Young”. Em contrapartida, Neil processou a Geffen (em US$ 21 milhões!) pq seu contrato trazia uma cláusula que lhe dava total liberdade criativa – David, então, teve que se desculpar pessoalmente com Young, que ganhou o processo e fez um acordo!
Neil Young sempre se sentiu livre criativamente tendo uma banda para momentos acústicos (a Stray Gators), uma para momentos noise (a Crazy Horse) e o desejo de gravar com quem quiser, a hora que quiser, quando quiser. “Trans”, o disco “eletrônico” de Neil, é a tentativa de um pai de se comunicar (via vocoder) com um filho que tinha paralisia cerebral, já que a tecnologia vinha sendo bastante usada na terapia da criança. Para “Everbody’s Rockin”, Neil montou uma banda de rockabilly, passou gel no topete e foi emular Elvis e o rock dos anos 50 – o disco seguinte na Geffen, “Old Ways”, é country rural…
Neil voltaria para a Reprise em 1988 com um disco de blues, “This Note’s for You”, em que ele acrescentaria metais na Crazy Horse e a batizaria de The Bluenotes, e um EP, o maravilhoso “Eldorado”, que seria o embrião de “Freedom” (1989), o álbum que colocaria sua carreira nos eixos e o aproximaria da cena grunge. Seis anos depois, ele iria entrar em um estúdio em Seattle tendo o Pearl Jam como banda de apoio acompanhado do produtor Brendan O’Brien para compor “Mirrorball”, seu 21º álbum de estúdio! Young escreveu todas as faixas do álbum, exceto “Peace and Love”, co-escrita por Young e Eddie Vedder – duas faixas de Vedder (“I Got Id” e “Long Road”) saíriam no EP “Merkinball”, do Pearl Jam (com Neil na guitarra e nos backings).
Gosto bastante de “Mirrorball”, e minha faixa favorita é o single de maior sucesso do álbum, “Downtown” (“Jimi’s playin’ in the back room / Led Zeppelin on stage”). “Esse álbum é um comentário das diferenças entre a minha geração paz e amor dos anos 60 e a geração mais cínica dos anos 90”, comentou Neil na época.
Detalhe: com exceção de Eddie, o Pearl Jam e o produtor Brendan O’Brien seguiram Neil como banda de apoio para uma turnê de 11 datas na Europa e Oriente Médio tocando o repertório do álbum e clássicos da carreira de Young. “Foi um sonho tornando-se realidade”, disse Mike McCready. “Nós tocamos um monte de músicas de Neil Young com o próprio Neil Young”. Canções como “Rockin’ in the Free World” e “Fuckin’ Up” passaram a fazer parte do repertório de shows do Pearl Jam…
Ps. Um documentário sobre essa turnê do Pearl Jam com Neil Young em 1995 estava prometido para ser lançado em 2021, e deve ser lançado em 2022…
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