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Category — Música

Três vídeos: Tweedy, Mangum e Meloy

Ideia para um festival voz e violão em São Paulo

julho 16, 2012   No Comments

Três perguntas: Cris Braun

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Acompanho o trabalho de Cris Braun há um bom tempo, mais precisamente desde quando ela cantava no Sex Beatles,  banda que ouvi muito nos anos 90 (e que vez em quando resgato os dois CDs da prateleira). Seu primeiro trabalho solo (“Cuidado Com Pessoas Como Eu”, de 1998) tocou bastante em casa com “Brigas”, “Dry Martini Drama” e a cover de “Bom Conselho”, de Chico, ecoando pelas paredes. Em 2005, quando ela lançava seu segundo álbum, o delicado “Atemporal”, tivemos uma conversa animada por telefone, que rendeu essa entrevista, e agora ela retorna com “Fábula”, um disco muito bonito e maduro, que abre com duas faixas de Wado (“Ossos” e a inédita “Cidade Grande”, que remete a paisagens de “Pavão Macaco”), segue com “Tanto Faz Para o Amor”, de Lucas Santtana, e traz ainda canções de Alvin L e Marina (“Deve Ser Assim”) e parcerias com Billy Brandão e Fernando Fiuza. Cris Braun está disponibilizando “Fabula” para download tanto em seu site oficial (http://www.crisbraun.com.br/) quanto no ótimo site Musicoteca (baixe aqui). Para aproveitar o momento mandei algumas perguntinhas rápidas (inclusive sobre cervejas, uma paixão recente de ambos).

“Fábula” é seu terceiro CD solo. O que representa cada um destes três discos para você?
Existe um espaço grande entre eles, em média 7 anos. Acho que eles são mesmo um reflexo muito pessoal do momento vivido e do entorno. Percebo a maturação, a tomada de posse, a autoridade para fazer como faço. Mesmo que o retorno no sentido de grana e reconhecimento maior não seja grande, o fato de ser dona e confiar no que me proponho a fazer me mantem viva nisso. Meus discos são minha assinatura de Dali !

Se você tivesse que apresentar o “Fábula” para alguém, como você faria?
Oi “alguem”, este é o “Fábula”, um disco que a trilha sonora de um filme imaginário que trata do percurso do ser humano nesta terra. Sua pureza, suas derrotas, suas vitórias, sua iras, suas invejas, seus temores, amores, desamores, virtudes e relação com o divino. Musicalmente é contemporâneo, porque se mescla ritmos, instrumentos e arranjos com total liberdade de estilos.

Sei que você também é uma grande admiradora das boas cervejas. Quais as preferidas de Cris Braun?
Sou uma iniciante, e metódica. Por enquanto insisto mais nas Belgas, trappistas. Provei uma defumada que não lembro o nome. Mas adoro as Rochefort 8 e 10. Chimay Red. Delirium nocturna, Corsendonk Pater Dubbel.

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Leia também:
– Entrevista: “Faço música livre brasileira”, diz Cris Braun (aqui)

julho 12, 2012   No Comments

Três perguntas: TiãoDuá

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Segundo a informação do Soundcloud, “Tiãoduá é um trio de música brasileira formado por três jovens músicos proeminentes da cena musical de Minas Gerais”. Os três jovens são Juninho Ibituruna, Gustavito Amaral e Luiz Gabriel Lopes, este último músico prolífico (e obsessivo) que além de tocar na excelente Graveola e o Lixo Polifônico, mantém uma boa carreira solo (acho, inclusive, que ele me deu duas cópias de seu CD solo – quem curtir grita que envio de presente) e várias outras parcerias. Foi Luiz quem respondeu as três perguntas abaixo. O disco você pode baixar aqui

1) Quando surgiu o TiãoDuá? Apresenta o trio pros leitores 🙂
O TiãoDuá é um trio formado pelo Juninho Ibituruna, Gustavito Amaral e por mim no começo do ano passado em Belo Horizonte. No início era uma espécie de “banda autoral de buteco”, (com) a ideia de fazer um repertório de canções da galera num formato enxuto, com essa onda power trio brazuca – baixo, batera e violão. Fazíamos também um repertório de MPB dos anos 60/70, essa MPB mais roqueira da época do “Transa”, do “Expresso 2222”, etc. Daí na época pintaram uns convites pra fazer uns shows na Europa e teve a oportunidade de conseguirmos as passagens pelo Programa Música Minas, o que acabou rendendo uma turnê hercúlea de uns 30 e tantos shows entre Portugal, Holanda, Alemanha, Espanha e Inglaterra. Isso foi uma experiência ducaralho. Passamos por todo tipo de situação, tipo um dia numa livraria, outro dia num hotel de luxo, outro dia num buteco punk, outro dia num squat… daí foi surgindo um material novo de canções, fomos fazendo música juntos e daí saiu grande parte do repertório que apresentamos nesse disco de agora, que acaba sendo um retrato dessa turnê, personagens reais e tal… O Rui Macacada, por exemplo, existe mesmo, e é um amigo que vive no Haarlem, na Holanda.

2) Luiz, como você consegue tempo para se meter em tantos projetos?
Fui criado numa cidade do interior, na zona rural de Entre Rios de Minas, e quando criança tive uma pequena criação de girinos numa bacia, na varanda da minha casa, pela qual desenvolvi muito afeto. Alimentava os bichinhos todo dia, conversava com eles… Mas quando os girinos cresceram e começaram a ter perninhas de sapo, logo eles fugiram pro jardim da casa e se perderam, e isso me causou uma sensação muito grande de abandono e tristeza, foi minha primeira grande desilusão na vida. Daí fui parar em psicólogo e tal, e a única coisa que me curou foi fazer aulas de violão. Na época o cara chamava Pedrinho do Adão, me ensinava aquelas serestas, aquelas coisas tipo “quem quer pão… quem quer pão”… Depois dessa fase acabei passando parte da adolescência me dedicando a exercícios de guitarra, sweep picking, two hands, essas coisas, cheguei a ter bandas de heavy metal, era fã do Dream Theater… Acho que vem disso tudo esse perfil levemente obsessivo.

3) Disco nas praças da internet. E show? Vai rolar?
Lançamos hoje (11/7) o disco em Belo Horizonte, e temos alguns shows por aqui pra fazer, (mas) estamos agendando pra fazer show em Sampa e no Rio em breve. Acabamos de enviar uma proposta de turnê de lançamento na Zoropa também, pra dar continuidade ao processo iniciado no ano passado. No momento estamos dependendo da boa vontade do Programa Música Minas, vamos ver se rola…

julho 11, 2012   No Comments

The Man Who Invented Bossa Nova

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No Mercado Livre, o CD “O Mito”, de João Gilberto, motivo da pendenga entre o músico e a gravadora EMI no começo dos anos 90, pode ser encontrado por cerca de R$ 179 (aqui). Disponível em dezenas de compartilhadores de arquivos, o álbum que reúne em um único disco os três primeiros lançamentos da carreira de João Gilberto (“Chega de Saudade”, de 1959, “O Amor, O Sorriso e A Flor”, de 1960, e “João Gilberto”, de 1961) permanece inédito no Brasil (assim como os próprios álbuns).

Teoricamente, os três primeiros discos de João Gilberto deveriam estar embargados em todo o mundo, já que João processou a gravadora (a qual havia deixado em 1963 e rompido definitivamente em 1988) em 1993 revoltado com o descaso com que o selo lançou a compilação com os três discos em um CD (acrescidos do EP “Orfeu da Conceição”). Segundo o músico, para encaixar as 38 músicas no CD, a EMI cortou o final de algumas canções e alterou a sequencia original dos álbuns.

Nem “O Mito”, nem “Chega de Saudade”, “O Amor, O Sorriso e A Flor” e “João Gilberto” podem ser encontrados para comprar em lojas brasileiras (com exceção de algumas lojas virtuais como o Mercado Livre), mas os três primeiros álbuns de João Gilberto vêm sendo comercializados com normalidade nos Estados Unidos e na Europa, em diversos formatos (até em vinil recém prensado é possível encontrar a trilogia inicial do mestre da bossa nova).

Em 2010, a gravadora britânica Cherry Red Records (que vem se especializando em material raro brasileiro) relançou os dois primeiros álbuns sem consultar o músico. Além das canções originais, as reedições de “Chega de Saudade” (1959) e “O Amor, O Sorriso e A Flor” (1960) pela Cherry Red Records são preenchidas com dezenas de faixas bônus (14 músicas extras no primeiro disco, 23 faixas a mais no segundo). Os dois discos são facilmente encontrados na Amazon.

Em 2012 é a vez do selo Ubatuqui Records, de propriedade da empresa espanhola Blue Moon Producciones Discograficas, com sede em Barcelona, se apropriar das canções de João Gilberto lançando “The Man Who Invented Bossa Nova”, praticamente uma reedição de “O Mito”, com os três álbuns reunidos em um único CD (mais o EP “Orfeu da Conceição” e ainda uma versão diferente de “Este Seu Olhar”) totalizando 39 canções em 78 minutos (com o set list novamente bagunçado, porém completo).

Vendido na FNAC espanhola por 7 euros (aproxidamente R$ 19), “The Man Who Invented Bossa Nova” traz um trabalho informativo exemplar, com ficha técnica, datas de gravação de cada take, capas de álbuns/compactos e letras de todas as canções além de textos de Tom Jobim (retirado da contracapa de “Chega de Saudade”), Gene Lees (da contracapa de “The Warm World of João Gilberto”, lançado nos Estados Unidos em 1963), Jordi Pujol, Dave Dexter Jr. e Jack Maher, da Billboard norte-americana.

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Leia também:
– Os dois primeiros discos de João Gilberto são reeditados com faixas bônus na Inglaterra (aqui)

junho 24, 2012   No Comments

As diferenças de “Because The Night”

Parceria de Patti Smith com Bruce Springsteen (de quando os dois gravavam seus novos álbuns em um mesmo estúdio em 1978, mas em salas diferentes, e se encontraram para essa colaboração), letra tem trechos diferentes na versão de cada um dos dois (embora a versão gravada originalmente por Bruce, que veio a ser conhecida apenas com o lançamento de “The Promise” em 2010, seja idêntica a de Patti Smith, o Chefão passou a cantar outra letra nos shows, transformando em sua a versão que apareceu no álbum quíntuplo “Live 1975/1985”). Assista aos vídeos e confira as letras clicando na imagem abaixo:


Patti Smith: versão original


Patti Smith: versão ao vivo


Bruce Springsteen: versão original (lançada em 2010)


Bruce Springsteen: versão ao vivo


Bruce reverencia a versão de Patti escorado pelo U2


10.000 Maniacs

junho 19, 2012   2 Comments

Seis shows na Virada Cultural 2012

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 Com quase duas centenas de atrações musicais, mais uma seleção de filmes em quatro cinemas (com películas sobre western spaguetti, pancadaria, Boca do Lixo e uma sessão de Gene Kelly), um palco cabaré (com poledance e a presença das “rainhas” Gretchen e Rita Cadillac), outro de stand-up, um de luta livre e uma virada gastronômica com alguns chefs badalados na rua vendendo pratos de até R$ 15, a oitava edição da Virada Cultural de São Paulo movimentou o centro da cidade por mais de 24 horas.

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O tamanho do evento obriga o público a uma tarefa árdua: escolher o que fazer e, principalmente, o que deixar de fazer. Desta forma, como nos anos anteriores, listei alguns shows como meta pessoal, risquei minha agenda própria e… fui atropelado pela ansiedade. O plano inicial era ignorar as primeiras horas da festa, dormir cedo e acordar no meio da madruga, por volta das 3 da manhã, para começar a festa com Members of Morphine & Jeremy Lyons e seguir com White Denim, Pin Ups e outros. Era uma vez…

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Para a edição 2012, a produção da Virada Cultural apostou em nomes não tão populares entre o público, mas de qualidade inegável, gente como McCoy Tyner Quartet, Roy Ayers, Tony Allen, Charles Bradley e Seun Kuti (filho de Fela) & Egypt 80 além de grupos com Man Or Astro Man?, White Denim e Friends of Morphine, mas ainda havia campeões de audiência como Suicidal Tendencies, Titãs (tocando o álbum “Cabeça Dinossauro” na integra), Gilberto Gil, Guilherme Arantes, Mutantes e Maria Rita (homenageando a mãe).

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20h e eu já estava camelando pelas ruas do centro modificando meu roteiro. Segui o instinto e me deixei levar. O palco (brega) do Largo do Arouche, que já havia rendido em anos anteriores grandes shows de Odair José, Reginaldo Rossi e Wando, recebia Dalto, um cantor que no começo dos anos 80 cravou um punhado de hits em novelas da Globo e rádios do país. Com uma banda inspirada de moleques, “Espelhos d’agua”, “Leão Ferido” e, principalmente, “Muito Estranho”, vieram em versões encorpadas para embalar os casais na praça. Bonito.

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No palco da Avenida São João, o chicano Tito Larriva, acompanhado de sua potente banda Tarantula, encharcado de tequila, mostrou paixão pelo blues rock sujão com suas canções que já foram temas de filmes de Robert Rodriguez – como “A Balada do Pistoleiro” (1995) e “Um Drink no Inferno”, de 1996 (o álbum de estreia da banda, de 1997, se chama “Tarantism”, o que já dá o tom da coisa toda), e que ao vivo merecem o acompanhamento de uísque, cachaça ou mesmo o vinho barato de R$ 8 vendido pelos ambulantes.

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Um caminhada pelo centro do Arouche até o Theatro Municipal (que recebia Cauby e Angela Maria) e, após passar por meia dúzia de grupos peruanos de flautinhas, o encontro com o Man or Astro Man?. O quarteto mantém a fama de ensandecido no palco acelerando sua surf music espacial até os planetas mais distantes da galáxia. Um dos guitarristas pogou com a galera enquanto o baixista Coco the Electronic Monkey Wizard fez um stage diving atrás de… água de coco. Grifo para a guitarrista (alguém sabe o nome dela?), que deixou muito marmanjo desenhando corações roqueiros.

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Para a meia noite estava marcado o começo da distribuição dos 500 pratos preparados pelo eleito quarto melhor chef do mundo, Alex Atala, no Minhocão. Assim que entramos no Elevado Costa e Silva, Atala saia de carro deixando para trás centenas de hipsters e uma grande confusão, fruto da desinformação geral (senhas foram distribuidas antes, mas ninguém sabia), da péssima ideia da produção (distribuir comida de um chefe premiado num evento com milhões de pessoas? WTF) e o apreço do paulistano por filas e #mimimi (se são só 500 pratos, por que encarar uma fila de quase três quilômetros se a comida não atenderia a todos?). A Galinhada de Atala foi o Mico da Virada Cultural 2012.

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Já que a galinhada foi para poucos, uma pausa para jantar no ótimo restaurante O Gato Que Ri, no Arouche, seguida de oito horas de sono, que vitimou na minha lista pessoal as apresentações de Members of Morphine & Jeremy Lyons (que, segundo amigos, foi excelente) e White Denim. Acordei em tempo de rever o Defalla tocar alguns clássicos de seus primeiros discos (“It’s Fucking Boring To Death”, “Sodomia”, “Não me Mande Flores”, “Repelente”) e versões hip hop chapadas de “ (I Can’t Get No) Satisfaction”, “Help”, “Whole Lotta Love” (mixada com “Como Vovó Já Dizia”, de Raul Seixas) e “Sossego”. Baita show.

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Novamente na Avenida São João, só que agora ao meio-dia de domingo, o que restou dos Titãs (Branco Mello, Paulo Miklos, Tony Belloto e Sérgio Brito) assassinou boa parte do repertório clássico da banda em um show cantado a plenos pulmões por uma multidão. “Nós somos de São Paulo. Nós saímos desses esgotos”, foi a deixa para que Paulo Miklos entoasse “Bichos Escrotos”, um dos hinos do mítico “Cabeça Dinossauro” (1985), tocado na integra. Ainda houve espaço, no bis, para “A Verdadeira Mary Poppins”, “O Pulso”, “Televisão”, “Aluga-se”, “Lugar Nenhum”, “Flores”, “Será Que é Isso Que Eu Necessito? e uma canção nova, “Fala Renata”, em um show que reproduz um décimo do poder da banda ao vivo, mas a nostalgia agradece (e só ela).

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Enquanto isso, na Virada Gastronômica do Minhocão, desde às 8 da manhã, 20 chefs ofereciam pratos até R$ 15. O grande sucesso foi o Hamburguer de Pato com Molho Trufado: “Achei que não fosse conseguir vender tudo até às 8 da noite, mas acabou! Foram dois mil hambúrgueres”, disse o chefe Renato Carioni, que esgotou sua cota às 13h. Lanche aprovadíssimo. De sobremesa, brownie, arroz doce com doce de leite e mini quindim, de Carol Brandão, e a certeza de que esse Chefs na Rua deveria ser um evento semanal ou mensal no Minhocão. Uma ideia bem bacana.

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Para fechar a programação pessoal, carimbó. O mestre Pinduca desceu de Belém do Pará com sua orquestra para fazer o público (e músicos como Nevilton, Karina Buhr e DJ Gorky, do Bonde do Rolê) chacoalhar no Largo do Arouche ao som de “Sinha Pureza”, “Garota do Tacacá”, “O Caçador” e “Carimbo do Macaco”, entre outros sucessos, distribuindo cheiro e sorte. Ainda tinha Gilberto Gil na Praça Júlio Prestes e Jair Rodrigues relembrando clássicos do “Dois na Bossa” no Boulevard São João, mas faltavam pernas.

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Com um público estimado de 4 milhões de pessoas, a Virada Cultural de São Paulo firma-se cada vez mais como o maior, melhor e mais variado evento de entretenimento e diversão do calendário da megalópole. Tem seus problemas (pequenos arrastões em alguns palcos, desinformação de funcionários e policiais e som deficiente em alguns palcos são alguns), mas a balança pesa com facilidade do lado positivo: por mais de 24 horas, São Paulo respirou boa música, dança e entretenimento. Que continue crescendo e melhorando nos próximos anos.

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Todas as fotos por Marcelo Costa

Leia também:
– Virada 2007: Paulinho da Viola, Maria Alcina, Garotos Podres (aqui)
– Virada 2008: Luiz Melodia, Vanguart, Tom Zé, Ultraje (aqui)
– Virada 2009: Wando, Odair José, Los Sebozos Postiços (aqui)
– Virada 2010: Céu, Tulipa Ruiz, Raimundos (aqui)
– Virada 2012: Man Or Astro-Man, Defalla, Titãs, Pinduca (aqui)
– Virada 2014: Ira!, Juçara Marçal, Falcão, Pepeu Gomes (aqui)
– Virada 2015: 51 shows que o editor do Scream & Yell gostaria de ver (aqui)

maio 6, 2012   No Comments

Bob Dylan em noite inspirada em SP

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Texto e fotos: Marcelo Costa

Setenta anos de idade. Cinquenta anos desde o lançamento de seu primeiro álbum, em 1962. Bob Dylan já ganhou Grammy, Oscar, Globo de Ouro e um bom dinheiro com seus discos, e poderia passar o resto de seus dias enfurnado em uma fazenda, mas escolheu dedicar sua vida à estrada. Após quatro anos de sua última passagem pelo Brasil (tempo em que lançou dois discos – Together Through Life e Christmas in the Heart), a “Turnê Que Nunca Termina” voltou para São Paulo, no último sábado, 21, desta vez ocupando um local maior do que em 2008, o Credicard Hall, e com um repertório muito mais trabalhado, resultando em uma noite inspirada.

Ok, a voz de Dylan, ainda que muito melhor do que na última passagem, continua trovejando, falhando e dificultando o reconhecimento de algumas canções (seria interessante fazer um quiz com os espectadores para saber quais canções eles – acham que – reconheceram), e sua insistência em mudar o arranjo das músicas também não ajuda ao fã de última hora (aquele que aguarda a canção tocada igual ao CD), mas ainda assim assistir a Bob Dylan ao vivo é uma tarefa bastante agradável – principalmente para quem gosta de blues, r&b e rock clássico.

O primeiro ponto a favor desta noite surge da formação com acentuação mais roqueira do quinteto que acompanha o cantor. São dois guitarristas (Stuart Kimball, que também assume o violão, e Charlie Sexton, quase um devoto de Dylan no palco), um terceiro músico, Don Herron, que se alterna entre a steel guitar (que toca com eficiência, engradecendo números como “Make You Feel My Love”, do álbum Time Out Of Mind, de 1997), o teclado e a guitarra, mais o baterista George Receli e o parceiro Tony Garnier, baixista que acompanha Dylan desde 1989. É uma formação bluezy, que parece sentir prazer na improvisação e em escudar o músico.

Algo que chama a atenção: a banda não toca para o público, mas sim para Bob Dylan. Os cinco integrantes não se exibem para a audiência, mas sim para o cantor. Todos eles tocam levemente virados para a esquerda do palco e não tiram o olho do compositor, que fica na lateral e marca as passagens com os dedos apontando quem deve conduzir o próximo trecho. Ou seja; das quase 7 mil pessoas presentes (os ingressos mais baratos esgotaram, mas ainda haviam lugares vazios nas filas de R$ 700 e R$ 900), apenas alguns seguranças não olhavam para Bob. De resto, todo o público e a própria banda admirava a lenda desfilando clássicos de várias épocas.

Como de praxe, o show começou com duas canções antigas, dos anos 60, desta vez “Leopard-Skin Pill-Box Hat” (que também abriu a primeira noite em São Paulo, em 2008) seguida de “Don’t Think Twice, It’s All Right” (com Dylan na guitarra arriscando alguns solos ásperos). Corte para 1999 e “Things Have Changed” (a canção tema do filme Garotos Incríveis, que lhe valeu um Oscar e um Globo de Ouro,) mostra um cantor de postura totalmente diferente da passagem anterior: bancando o crooner, com a gaita microfonada em uma mão, e deitando o pedestal do outro microfone (num estilo semelhante ao de Roberto Carlos) para terminar os versos com um sorriso no rosto, Dylan parece estar se divertindo, e o público segue com ele.

“Tangled Up In Blue”, uma das canções brilhantes de um de seus melhores álbuns (Blood on the Tracks, de 1975), surge densa, forte, abrindo caminho para “Beyond Here Lies Nothin’”, single de 2009 que nesta noite conta com quatro guitarras (Dylan numa delas) encorpando a canção. O público aplaude, entusiasmado, e o miolo do show é um teste para aqueles que levaram a sério a brincadeira do quiz (“Every Grain Of Sand”, do álbum Shot of Love, de 1981, por exemplo, não era tocada desde junho do ano passado), com “The Levee’s Gonna Break” impressionando numa versão blues, quebrada e cheia de improvisos.

Outro salto na máquina do tempo e “A Hard Rain’s A-Gonna Fall” (1963) e “Highway 61 Revisited” (1965) sorriem para a plateia, que as reconhece logo nos primeiros segundos, e bate palmas. No teclado (ele diminuiu as canções que passa em frente ao instrumento desta vez: são 10 nas teclas, cinco no microfone e na gaita, e duas na guitarra), Dylan alterna-se entre mesclar as teclas brancas e pretas, conduzir a banda e se apoiar em uma das caixas de som para “ouvir” o som do quinteto – e sorrir, várias vezes.

O trecho final do show tem sido praticamente igual em todas as apresentações dos últimos dois anos: “Thunder On The Mountain”, um dos cavalos de batalha do ótimo Modern Times, de 2006, abre caminho com riffs de guitarra para uma tríade de hinos: “Ballad Of A Thin Man”, “Like A Rolling Stone” e “All Along The Watchtower”, em arranjos fiéis e perfeitamente reconhecíveis (embora difíceis de acompanhar na voz), fazem valer o ingresso, mas ainda falta o bis, e Dylan não economiza: “Blowin’ In The Wind“, em versão banda, com Bob partindo os versos no meio, e ainda assim arrancando gritos da plateia, fecha uma noite especial.

Quem esperava um repeteco dos shows de 2008 saiu ganhando com uma apresentação muito melhor. Os desconfiados, que seguiram o conselho de Beck, que certa vez escreveu que “todo mundo devia pagar ingresso só para ver o cara que escreve aquelas canções maravilhosas”, devem ter se surpreendido com a quantidade significativa de clássicos (foram oito canções dos anos 60 contra uma dos 70, uma dos 80, três dos anos 90 e quatro do novo século). Até aqueles que apenas conhecem “Blowin’ In The Wind“ e “Like A Rolling Stone” puderam se dar por satisfeitos. Se a voz do cantor incomodou em alguns momentos, a banda compensou com um dos melhores sons de um show de Dylan no Brasil.

Na portaria do Credicard Hall, alguns fãs arriscavam que esta passagem de Bob Dylan pelo Brasil seja a última turnê do cantor em solo pátrio, mas a animação do compositor e o repertório de hits faz suspeitar que Dylan está em paz com o palco, e que precisa dele porque, talvez, seja o único lugar em que se sinta realmente bem. Talvez ele esteja se escondendo do mundo enquanto peregrina por hotéis (após São Paulo, ele passa por Porto Alegre, Buenos Aires, Santiago, Monterrey, Guadalajara, Cidade do México, Berlim, Dresden… por enquanto a turnê está fechada até o final de julho com mais 23 shows!). Ou, ainda, talvez seja a única coisa que ele realmente saiba fazer (ou goste): cantar e dançar. O mito Dylan renasce todas as noites em algum palco do mundo. Enquanto puder ter isso, ele estará a salvo. E seu público também.

Set List
“Leopard-Skin Pill-Box Hat” (Blonde On Blonde, 1966)
“Don’t Think Twice, It’s All Right” (The Freewheelin’ Bob Dylan, 1963)
“Things Have Changed” (The Essential Bob Dylan, 1999)
“Tangled Up In Blue” (Blood On The Tracks, 1974)
“Beyond Here Lies Nothin’” (Together Through Life, 2009)
“Make You Feel My Love” (Time Out Of Mind, 1997)
“Honest With Me” (Love And Theft, 2001)
“Every Grain Of Sand” (Shot Of Love, 1981)
“The Levee’s Gonna Break” (Modern Times, 2006)
“A Hard Rain’s A-Gonna Fall” (The Freewheelin’ Bob Dylan, 1963)
“Highway 61 Revisited” (Highway 61 Revisited, 1965)
“Love Sick” (Time Out Of Mind, 1997)
“Thunder On The Mountain” (Modern Times, 2006)
“Ballad Of A Thin Man” (Highway 61 Revisitet, 1965)
“Like A Rolling Stone” (Highway 61 Revisitet, 1965)
“All Along The Watchtower” (John Wesley Harding, 1967)

Bis
“Blowin’ In The Wind” (The Freewheelin’ Bob Dylan, 1963)

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Leia também:
– Discografia Comentada: todos os discos de Bob Dylan (aqui)
– Bob Dylan, um retrato borrado da era de ouro do rock ‘n roll (aqui)

abril 22, 2012   No Comments

Qual música define você?

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Publicado originalmente na revista Noize #36

abril 6, 2012   No Comments

Três shows: Smiths, Echo e REM


The Smiths: The Complete Haçienda Films (1983)


Echo & The Bunnymen – Live Spain (1984)


R.E.M – Live Germany (1985)

março 30, 2012   No Comments

Graveola ao vivo em São Paulo

Em janeiro fui a Belo Horizonte conferir o show de lançamento do novo álbum do Graveola, “Eu Preciso de um Liquidificador”, no pomposo (e grande) Palácio das Artes. O público lotou o maior teatro da cidade (o mesmo em que Chico Buarque lançou seu último CD) e deu um show particular numa bela apresentação que marcava o lançamento do clipe de “Farewell Love Song” e a gravação do primeiro DVD ao vivo da banda.

Fiquei felizmente impressionado tanto com a receptividade do público, que cantou, sambou e pulou em canções como “Insensatez: a Mulher Que se Fez”, do primeiro álbum, “Graveola e o Lixo Polifonico”, tanto quanto recebeu bem as boas faixas de “Eu Preciso de Um Liquificador”, um dos grandes nacionais álbuns de 2011 (a deliciosa “Desdenha” rolou por vários dias aqui em casa).

A ideia era ter escrito um textão para o site na volta da viagem, mas o tempo atropelou o desejo, e cá está a banda se apresentando nesta terça-feira, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, um bom motivo para sair de casa e encontrar uma grande banda ao vivo. Os dois discos (mais a coletânea bootleg “Um e Meio”) estão liberados para download no site oficial dos mineiros. Baixe, ouça e tente ir ao show. Vale a pena.

http://graveola.tumblr.com/

Ps. O grupo volta a se apresentar em São Paulo no dia 12 de abril, às 21h, no Teatro do Sesc Ipiringa.

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março 25, 2012   No Comments