Category — Música
A banda dos mais bem vestidos

Foto: Liliane Callegari
O Planeta Terra 2012 não foi só palco de grandes shows. Ali pelo meio da apresentação do Garbage, o amigo Eduardo Palandi manda essa: “Que belo terno desse guitarrista, hein”. E elenca uma possível banda dos mais bem vestidos do rock: Jarvis Cocker do Pulp nos vocais, Duke Erikson do Garbage na guitarra e Charlie Watts dos Stones na bateria. E no baixo, ficou a questão, que lançamos no Twitter na sequência. O nome de Paul Simonon, do Clash, chegou a ser citado, mas a vaga óbvia era de… Paul McCartney (valeu Kamille). Temos uma nova banda! E que banda!

Leia também:
– Line up mediano rende grandes shows no Planeta Terra 2012 (aqui)
– Entrevista: Duke Erikson, Garbage: “Estamos só no divertindo” (aqui)
outubro 22, 2012 1 Comment
Curadoria do Planeta Independente
Na segunda e terça desta semana estive em Belo Horizonte para participar ao lado dos amigos Carlos Eduardo Miranda, Rodrigo James e Sergio Martins da curadoria do palco Planeta Independente, do Festival Planeta Brasil, que acontece dia 01 de dezembro. Após dois dias de muitos bons papos escolhemos seis bandas – entre as que se inscreveram – para tocar no festival: Apanhador Só, Bona Fortuna, Câmera, Fábio Góes, Transmissor e Volver. Quero agradecer o convite e a confiança do pessoal da Ultra. Valeu Barral Lima e Rodrigo Brasil.
outubro 10, 2012 No Comments
As 25 músicas fundamentais dos Beatles
outubro 4, 2012 No Comments
Planeta Independente
Já pensou em tocar no Festival Planeta Brasil, em Belo Horizonte? O Planeta Independente é a sua chance de tornar isso realidade! Leia o edital, fique por dentro das regras e inscreva sua banda! Depois é só torcer : ) Infos aqui
outubro 3, 2012 No Comments
A impagável Cat Power

Entrevista divertida e surreal de Chan Marshall para Xavi Sancho, publicada no El País (leia na integra aqui), jornal que mantém um dos melhores cadernos de cultura do mundo na atualidade: Cat Power assusta um outro jornalista dizendo que ele pegou a cópia errada de “Sun”, o novo disco; encana com os sapatos dos jornalistas; reclama que sua transparência incomoda as pessoas e avisa: “Sun” não é um disco de separação, mas um disco que propiciou uma separação”. Ao fim do álbum ela terminou o relacionamento com o ator Giovanni Ribisi (o irmão da Phoebe, lembra?). E cortou o cabelo curtinho (ficou guapa, vai). Alguns momentos impagáveis da entrevista…
O jornalista, o assessor e Chan
“Ela está de humor excelente. Todas as entrevistas estão ficando muito boas… E o disco… Ouviu o disco? É magnífico, belíssimo…”. Enquanto subimos as escadas do Conservatorium Hotel de Amsterdam em direção ao quarto de Chan Marshall, o jovem assessor não consegue reprimir a emoção. “Trabalhar com ela é um sonho… Merda! Não me fode!”. O garoto acaba de abrir a porta do quarto e o cheiro de cigarro impregna todo o ambiente. “Vão-nos multar…”, informa resignado. Sugerimos-lhe que abra a porta do chuveiro e deixe correr a água quente da ducha. O vapor deve fundir-se com o cheiro da nicotina. Surpreendentemente, ela decide seguir nossas instruções. A indústria do disco não é mais o que era.
O jornalista apaixonado
De pé, em frente ao sofá, Chan Marshall, de negro, com jeans rasgado, novo corte de cabelo, cigarro entre os dedos e botas de Isabel Marant. Está guapísima.
A cantora devedora e deprimente
“Não tinha um tostão. Não tinha pago impostos durante dois anos e me despejaram. Tinha que fazer um disco. Pedi um adiantamento (para a gravadora). Disseram-me que a indústria não está para adiantamentos, de modo que tive que utilizar meu fundo de pensões. Inteiro. Mudei-me para Los Angeles e comecei a escrever. Já sabes, o típico: Cat Power com um piano e uma guitarra. Muito depressivo. Até que fiquei farta. Não podia fazer outro disco deprimente.”
O disco
A gravadora sugeriu um produtor. Se tivessem sugerido uma lipo não seria tão ruim. Quando ouviu o último álbum do Beastie Boys, sacou o que queria. Voou para Paris atrás do produtor. Ficou plantada na frente da casa dele. Confessou que não tinha dinheiro para paga-lo, e entrou em seu estúdio. Que mais: “Separei-me e cortei o cabelo”.
O assessor, o jornalista e a barriga
O assessor está nervoso porque 10 minutos atrás ela deveria ter atendido a uma entrevista por telefone, mas ela continua falando (comigo). “Quero ir a um coffee shop fumar um pouquinho de erva, só um pouquinho. E talvez beber algumas cervejas. Não posso comer batatas e nem beber uísque. Fico mau e me engorda. E é curioso porque tenho sangue irlandês. O problema é que não consigo deixar (de comer batatas e beber uísque)… Olha”. Ela levanta a camiseta e mostra a barriga. “Toca, toca, foda-se”. Ela leva a minha mão até o seu estomago. “Aperta. Tá sentindo? Isso são batatas e uísque”.
Leia mais -> “As sete vidas de Cat Power”, por Xavi Sancho (aqui)
setembro 23, 2012 No Comments
Três perguntas: Apanhador Só

Eis uma banda que me surpreendeu, e, em constante crescimento, continua surpreendendo. Um dos grandes destaques da votação dos melhores do ano Scream & Yell de 2010, (“Apanhador Só”, o álbum de estreia, apareceu em terceiro lugar entre os discos do ano), os gaúchos trabalharam o álbum com calma e apreço, tocaram muito, lançaram um projeto “sucateiro-acústico” que ganhou versão em fita cassete e shows intimistas em locais inusitados, e lançou um compacto de sete polegadas produzido por Curumin (que você pode ouvir abaixo). Agora chegou a vez de pensar no segundo álbum, e a opção escolhida foi o financiamento coletivo. “A meta do projeto foi atingida e chegou a ser ultrapassada em mais de 30%”, comemora Alexandre Kumpinski (voz e guitarra).
O sucesso da empreitada prevê um novo álbum para março de 2013 (a pré-produção começa em outubro), mas o quarteto já começou a “pagar” alguns fãs: 39 pessoas adquiriram um pacote de apoio que dava direito a um show acústico na sala da casa do comprador. “A gente chega com o violão e as sucatas, se familiariza com as pessoas e com o ambiente, se instala em quatro cadeiras e manda brasa”, explica Alexandre, que se anima em estender a brincadeira. Quem sabe? A certeza, porém, é que em 2013 teremos álbum novo do Apanhador Só. Mais um pra lista de melhores do ano? Esperamos que sim… Abaixo, Alexandre fala um pouco mais dos planos do banda e você pode ouvir trechos de três canções que podem aparecer neste novo álbum.
Parabéns pelo sucesso do financiamento coletivo. Vocês tinham certeza de que ia rolar, ou bateu um receio?
Aeee, valeu!! :)Certeza nunca! Desde o início sabíamos que seria uma briga suada, já que o valor que definimos foi um valor alto, englobando custos de quase todas as etapas de produção de um disco. Daí, durante a caminhada do projeto, receio de que não dê certo é algo incontrolável e totalmente natural. Felizmente a meta do projeto foi atingida e chegou a ser ultrapassada em mais de 30%,o que foi surpreendente inclusive pra nós. Ficamos muito felizes de saber que tem tanta gente junto, disposta a fazer as coisas acontecerem.
Como vão ser esses shows acústicos na sala de casa dos 39 fãs? Já pensaram em algo especial?
Eles já vêm acontecendo mesmo antes do encerramento do projeto e têm sido experiências incríveis. A gente chega com o violão e as sucatas, se familiariza com as pessoas e com o ambiente, se instala em quatro cadeiras e manda brasa. A proximidade das pessoas que tão ali nos assistindo cria uma lógica diferente de show, uma liga mais forte entre o público e a banda do que normalmente acontece em shows normais. Cada show sai à sua maneira, de acordo com os elementos e com as pessoas envolvidas na ocasião. Já fizemos uns 10 até agora, ainda temos uns 30 pela frente, e já existe a sensação de que essa experiência pode ser levada adiante de alguma maneira, de tão legal que tem sido.
O álbum está previsto para março de 2013, com 11 músicas. Vocês pretendem começar o processo do zero, só com músicas novas, ou alguma do baú pode aparecer?
A princípio vão ser todas músicas novas, mas nada pode ser afirmado com certeza antes da pré-produção, que vamos fazer em outubro. De qualquer maneira, temos 18 composições novas listadas, de onde pinçaremos 11 pra gravar no disco. Acho difícil que alguma música guardada no baú seja trazida à luz diante desse quadro, mas tudo pode acontecer.
setembro 23, 2012 No Comments
No Júri Especializado do Prêmio Multishow

Entre os dias 22 de agosto e 02 de setembro, o Júri Especializado selecionado pelo Prêmio Multishow votou e escolheu os melhores do ano nas seguintes categorias: Novo Hit, Versão do Ano, Clipe do Ano, Música Compartilhada e Projeto Paralelo. Das cinco categorias , cravei três. Veja quem são os finalistas selecionados pelo Júrio Especializado:
Novo Hit (A música que será sucesso no próximo verão)
– “Dois Cafés” – Tulipa Ruiz
– “É” – Tulipa Ruiz
– “Ex Mai Love” – Gaby Amarantos
Versão do Ano (O melhor “cover” visto em 2011/2012)
– “Babydoll de Nyllon” – Bonde do Rolé
– “Conversa de Botas Batidas” – Cícero
– “Rosa (Last Night)” – Banda Uó
Clipe do Ano (O melhor videoclipe de 2011/2012)
– “66” – O Terno
– “Mariô” – Criolo
– “Velha e Louca” – Mallu Magalhães
Música Compartilhada (O melhor álbum disponibilizado para download de maneira gratuita e legal em 2011/2012).
– “Canções de Apartamento” – Cícero
– “O Deus Que Devasta Mas Também Cura” – Lucas Santtana
– “Tudo Tanto” – Tulipa Ruiz
Projeto Paralelo (O melhor projeto de um artista consagrado sob outro nome ou formação de banda)
– Agridoce – Pitty e Martin
– Los Sebozos Postizos – Nação Zumbi e Bactéria (Mundo Livre S/A)
– Passo Torto – Rômulo Fróes, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral
Além da premiação do Júri Especializado ainda há a premiação do Superjúri (indicados aqui) e a do público (aqui). A premiação acontece no próximo dia 18, a partir das 21h45.
setembro 12, 2012 No Comments
Festival Casarão, Porto Velho: Dia 4

A quarta e última noite do Festival Casarão tem sido idealizada pela produção, nos últimos anos, como a noite eclética do evento. Realizada na praça em frente ao Mercado Cultural, na área central da antiga Porto Velho, de forma gratuita, a escalação de oito atrações ia do punk ao heavy metal, do regional ao pop rock de diversas regiões do país e fez pogar do metaleiro tradicional de camisa preta e coturno ao beiradeiro das margens do Rio Madeira num interessante desenho de diversidade.
A novata Ilusion Death (do não tão novato e ótimo vocalista Mario Henrique, que nos anteriores havia se apresentado com outras bandas no Casarão) estreava ao vivo, e mostrou competência com um death metal seguro e bem trabalhado. O mesmo não pode ser dito d’Os Malcriados, uma mistura de punk e bagunça que honra o estilo (não deve ser tão diferente dos Sex Pistols em 1976) e parece divertir mais quem está no palco do que aqueles que estão na plateia. Um descompromisso corajoso, mas que funciona melhor em conceito do que ao vivo.

Com 12 anos de barulho nas costas, Os Coveiros mostraram influências de metal e hardcore destacando covers de Ratos de Porão e Sepultura. O carisma do vocalista Giovanni Marini (professor, mestre e geógrafo, que dá aulas na Universidade Federal de Rondonia e é admirado pelos alunos) é contagiante. Ali pelo meio, Giovanni levou no gogó a obrigatória “Candidato Caô Caô”, sucesso com Bezerra da Silva, mandando um foda-se para os políticos ao mesmo tempo em que agradecia do pessoal do metal e do skate até a turma da Faculdade de Arquitetura. Se houvessem mais professores assim…
O metal revivalista do Bedroyt mostrou virtuose e deve ter agradado aos fãs do estilo, mas foi um bom momento para buscar a interessante mistura de sal, limonada, gelo e cerveja, chamada carinhosamente de Cerveja Suja pelos locais. Quem fez a passagem do bastão do metal para o rock foram os mineiros da Transmissor, e não poderia ter sido melhor. Alternando canções de seus dois álbuns (com versões emocionais das belas “Bonina” e “Dessa Vez”, do álbum “Nacional”, de 2011), o quinteto fez uma apresentação memorável, que conquistou de tal forma o público que uma fila imensa se fez na beira do palco para adquirir os discos dos mineiros. O grande show do festival.

O pop esquizofrênico da Tangerines and Elephants mostra que Curitiba continua tendo uma das cenas mais prolificas e criativas do país. Com uma sonoridade interessante, que num primeiro momento lembra o trabalho do Ween, o trio teve problemas de som, o que vitimou a espontaneidade, mas serviu para apresentar o grupo aos rondonienses naquele que era o primeiro show da Tangerines and Elephants fora de Curitiba. O som do trio ganha personalidade no vocal esganiçado (e retrabalhado com pedais) e na guitarra freak de Argos, e pode conquistar de indies de São Paulo até Londres e Nova York.
Forte concorrente a produto de exportação de Porto Velho, o Beradalia mostrou um som interessante que une influências regionais com Nação Zumbi, O Rappa e Planet Hemp. Foi o nome que mais empolgou a praça, e o hit “Arrudeia” fez todo mundo pular colocando no bolso a roda de pogo dos metaleiros. Fechando o evento, às 3 da manhã, Wado sofreu com o adiantado da hora, mas cumpriu o roteiro com capricho abrindo com “Tarja Preta” e encerrando com um trio de funks cariocas (“Reforma Agraria do Ar”, “11 de Setembro” e “Teta”) que fez os poucos presentes irem até o chão. Ausente do set list, “Melhor” surgiu improvisada no bis, e colocou a tampa na edição 2012 do Casarão.

Após quatro dias de evento e 21 shows, o saldo do Festival Casarão é bastante positivo. O formato, que une gente do mainstream a muitos nomes novatos, ajuda a apresentar estes novos grupos para um público distante das novidades, mostrando que, apesar da programação das rádios insistirem em provar o contrário, há uma boa cena independente sobrevivendo a trancos e barrancos no Brasil. Se por um lado, os grandes shows da Transmissor e do Cachorro Grande foram os os pontos altos do evento, boa parte do público irá reverberar o show catártico (e de arranjos duvidosos) da Pouca Vogal, mas o ponto a ser levado em conta é que esse mesmo público foi exposto aos bons shows de Os Descordantes, Sub Pop e Versalle numa das melhores noites do festival.
Há, claro, coisas que podem ser melhoradas no festival, como, por exemplo, a falta de uma identidade visual que unisse os três locais de shows (Cantina do Porto, Move Light e Praça do Mercado Cultural). É bem provável que muitos presentes não soubessem que estavam em uma noite do Festival Casarão devido à falta de faixas (nos três locais) que apresentassem o evento ao público neófito. Com 13 anos de trajetória, o Casarão precisa demonstrar o orgulho que tem de sua própria história, e fixar o nome na mente dos rondonienses, porque um festival deve ser maior que esta ou aquela atração, e 13 anos consecutivos (apoiando a boa música) devem ser valorizados. Que venha 2013.

Fotos por Marcelo Costa
Leia também:
– Cobertura completa do Festival Casarão 2012, por Mac (aqui)
– Três perguntas para Vinicius Lemos, do Festival Casarão (aqui)
– Os destaques do Festival Casarão 2010, por Tiago Agostini (aqui)
O Scream & Yell viajou para Porto Velho á convite da produção do Festival Casarão. Queria agradecer ao carinho e atenção da equipe do festival, especialmente a Dandara, Maria Luísa, Duana, Tainá, Douglas e Vinicius, e a compania prestigiosa do amigo Marcos Bragatto, que cobriu o evento (e me acompanhou nas cervejas e nas correrias – literalmente) para o Rock em Geral.
setembro 9, 2012 No Comments
Festival Casarão, Porto Velho: Dia 3

Pra começo de conversa: o calor é uma bobagem. No terceiro dia do Festival Casarão, em Porto Velho, aproveitei o dia para conhecer a Public Hals, uma cervejaria local que fabrica seu próprio chopp (razoável) e continuar bebendo a tarde inteira. Vantagem: a cerveja tradicional brasileira, leve e refrescante, evapora com rapidez (do copo e do corpo) e a gente segue noite adentro. Se no dia anterior, o rock do período paleolítico era a tônica, na sexta da independência foi a vez de boas influências de Los Hermanos serem captadas no ar.
Os locais do Jam deram o start da noite com um rock de riffs ásperos e batida funkeada que conectam o quarteto com o barulho dos anos 90. Nada de novo, mas um ponto de partida interessante se a banda souber trabalhar as referências. Na sequencia, e apesar do nome, o Sub Pop (boa surpresa da cidade de Vilhena) não deixa aparente influências de nenhuma banda do selo de Seattle, mas sim de Los Hermanos, seja no vocal de Derek Ito (próximo ao tom de Amarante), seja nos bons pop sambas do quinteto, que na maioria dos arranjos é conduzido pelo bom sax de Gustavo Closs. Pra ficar de olho.

Do Estado vizinho, Acre, surgiram Os Descordantes, um grupo com potencial para levantar a bandeira e seguir a trilha aberta pelo Los Porongas. Novamente uma vibe Los Hermanos pairou no ar, mas a força dos refrãos das canções próprias (como o ótimo hit regional “Enquanto Puder”) e cover interessantes (de uma exagerada “As Rosas Não Falam” até uma fidelíssima “Tú És o MDC da Minha Vida”) mostraram uma banda forte e segura de si. Grande show. Prejudicada pelo avançado da hora, a Versalle teve que fazer um show enxuto, de apenas cinco músicas, mas aproveitou cada segundo em uma apresentação empolgante.
A alta madrugada seguia firme quando Duca Leindecker e Humberto Gessinger (de bata e chimarrão) subiram ao palco para apresentarem o projeto Pouca Vogal, que une canções do Cidadão Quem! (de Duca), dos Engenheiros do Hawaii (de Humberto) e algumas parcerias registradas pela dupla em 2008 e 2009, todas canções cantadas (e gritadas e choradas e desafinadas) em coro por uma plateia devota e absolutamente ensandecida. Era a terceira vez de Humberto Gessinger em Porto Velho, e impressiona como ele conseguiu criar uma nova persona exatamente igual a anterior (e tocando praticamente as mesmas canções).

O apreço do engenheiro-mor por arranjos duvidosos parece ter chegado ao ápice com o Pouca Vogal, e aqui e ali podem ser flagrados vários momentos em que Humberto e Duca piscam o para o sertanejo universitário, mas nem isso, nem os vocoders, nem a gritaria cantada encobrindo a voz de Humberto (que descansa a garganta enquanto o público se esgoela) conseguem derrubar um repertório de hits que também pesca pérolas como “Pose”, do álbum “Gessinger, Licks e Maltz” (1992) e “Banco” (boa faixa do fraco “Minuano”, de 1997, cuja gancho da letra – “Deve haver alguma coisa que ainda te emocione” – trouxe de coda “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Stones.
Os hits (dos Engenheiros), claro, estiveram quase todos presentes. De “Piano Bar” a “Pra Ser Sincero”, de “Toda Forma de Poder” a “Terra de Gigantes”, de “Somos Quem Podemos Ser” a “Refrão de Bolero”, de “Era um Garoto” a “Infinita Highway”, e mesmo com a dupla tentando desarranjar as canções, é quase certo que ao menos 1200 rondonienses acordaram completamente roucos e/ou sem voz neste sábado, e vão guardar essa noite do Casarão com carinho na memória. O festival segue neste sábado com shows de Wado, Transmissor e mais seis bandas ao ar livre (e gratuito) no Mercado Cultural.

Fotos por Marcelo Costa (exceto foto 3, por Douglas Diógenes)
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setembro 8, 2012 No Comments
Festival Casarão, Porto Velho: Dia 2

Apesar de a Lícia confirmar (via comentários) a neve até o final do festival, o segundo dia em Porto Velho foi marcado novamente por um calor desértico, mas nada tão grave assim: dois dias na cidade e a gente começa a se acostumar com o sol a pino e o pouco vento. E o calor até que foi camarada com os forasteiros na noitada, graças ao ar-condicionado e às cervejas geladas. No som, uma pequena ode ao rock do período paleolítico (para o bem e para o mal).
Os Últimos foram os primeiros (piada besta, mas imperdível). De Ariquemes, uma cidade a 200 quilômetros de Porto Velho, o trio abriu o Festival Casarão com um bom show, que foi prejudicado pelo som (normal em começo do festival): só foi possível entender o que o vocalista Keverton estava cantando na última música, e por mais que ele siga a escola “vocal chorado” dos Los Hermanos, o trio tem muito potencial (com destaque para a boa pegada de Laura na bateria e o baixo seguro de Rogério). Uma banda que vale acompanhar.

Na sequencia, a local Theoria das Cordas subiu ao palco com um hippie hard rock do século passado (ou retrasado) que une vocal performático, solos metalizados de guitarra e letras messiânicas que analisam / questionam os problemas da sociedade. Também na vibe retrô, o Cassino Supernova, de Brasília, se saiu melhor com uma apresentação vigorosa que honra o lema “It’s Only Rock ‘n Roll (But I Like It)”. Saíram merecidamente ovacionados em um dos grandes shows da noite.
De Boa Vista, em Roraima, veio o Veludo Branco, um trio que honra o trinômio “mulher, álcool e rock” e tem estofo para conquistar a meia dúzia de fãs do Dr. Sin, embora corra o risco de abrir falência se tiver que pagar os royalties de todos os riffs “emprestados”. A quinta atração da noite foi a cantora Kali Tourinho acompanhada pelos Kalhordas (a Theoria das Cordas sem o guitarrista), e nada como uma mulher para colocar ordem na casa: o som que mescla MPB, pop e bossa divergiu (felizmente) do coro rock and roll numa boa promessa da cena local.

Fechando a primeira noite oficial do Festival Casarão 2012, o Cachorro Grande (em sua terceira visita a Porto Velho) fez um show potente e experiente, com os hits muito bem dispostos em um set list que visitou todas as fases do grupo. Abriram com as pedradas “Você Não sabe o Que Perdeu” e “Hey Amigo!”, cantadas em coro por uma casa cheia e entregue. “Que Loucura!”, outra da primeira fase dos gaúchos, surgiu envolvente. Impressiona o pique de Beto Bruno, responsável no palco por manter todo mundo ligado e no clima.
Ali pelo meio, com uma pegada mais psicodélica, duas novas surgiram para representar o sexto álbum, “Baixo Augusta” , enquanto o quinteto preparava o voo para o trecho final, que trouxe “Sinceramente” (que a plateia cantou e gritou quase inteira) e os hits do primeiro álbum, de 2001, “Lunático” e “Sexperienced”. No bis, “Um Dia Perfeito” e uma cover potente de “My Generation” encerraram uma noite consagradora. O Festival Casarão segue nesta sexta com mais cinco bandas (Jam, Sub Pop, Os Descordantes, Versalle e Sinais Invertidos de Um Mágico) esquentando a noite para o Pouco Vogal. Será que neva?

Fotos por Marcelo Costa (exceto foto 3, por Douglas Diógenes)
Leia também:
– Cobertura completa do Festival Casarão 2012, por Mac (aqui)
– Três perguntas para Vinicius Lemos, do Festival Casarão (aqui)
– Os destaques do Festival Casarão 2010, por Tiago Agostini (aqui)
setembro 7, 2012 No Comments


