Category — Cervejas
Uma pequena grande cerveja: Duvel
A Duvel Moortgat Brewery é uma cervejaria que foi fundada na região flamenga da Bélgica em 1871, mais propriamente em Breendonk, meio do caminho entre a central Bruxelas e a portuária Antuérpia. O carro chefe da casa é a loira Duvel, uma cerveja absolutamente encantadora cujo nome tem origem no dialeto Brabant (pronuncia Dyvel), uma mistura de holandês, francês e alemão, cujo significado é… Diabo. Não pense em brincar com ela.
Lançada na década de 20 para comemorar o fim da Primeira Guerra Mundial, a Duvel no início se chamava Victory Ale, mas a família Moortgat decidiu mudar o nome quando um bebedor a descreveu como um diabo real. A garrafa, baixinha e gordinha, lhe dá um aspecto fofo, mas é bom levar muito à sério essa que é considerada por muitos a versão definitiva do estilo Belgian Strong Golden Ale, versão turbinada e altamente saborosa das ales tradicionais.
O aroma complexo e viciante destaca uvas verdes, maçã e frutas cítricas, e também algo picante que se aproxima de cravo e pimenta do reino (mas mantendo o adocicado). Há, ainda, mel (provavelmente derivado da mistura do malte belga com açúcar branco) e, claro, álcool, afinal são 8,5% de graduação alcoólica distribuídos de forma exemplar no conjunto (que ainda recebe lúpulo da Bohemia com leveduras de origem escocesa).
Já o paladar não fica atrás em complexidade. Lúpulo e malte travam um duelo interessante que consegue aconchegar o paladar distanciando a presença do álcool – que não aparece, mas está ali, inserido de forma tão caprichada que você só sentirá o efeito após duas ou três garrafinhas. Ainda assim, o malte consegue se sobressair marcando o céu da boca e deixando apenas o trecho final – e seco – para o lúpulo, que não chega a marcar de amargor o conjunto. Simplesmente fantástica.
Exportada para mais de 40 países, a Duvel é facilmente encontrada no Brasil em qualquer bom empório, embora o preço não seja nada convidativo: entre R$ 18 e R$ 24 a garrafa de 330 ml (na Europa custa até 4 euros, cerca de R$ 10). Vale cada centavo. Além da Duvel, a Moortgat Brewery é dona da Maredsous (fabricada sob licença dos monges da abadia de mesmo nome desde 1963) e, desde de 2006, da excelente Brasserie d’Achouffe.
Duvel
– Produto: Belgian Strong Golden Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8,5%
– Nota: 4,35/5
Leia também:
– Top 500 Cervejas, por Marcelo Costa (leia aqui)
– Do capítulo “cerveja também é cultura”: La Achouffe (aqui)
Ps. O copo tradicional é presente do amigo Carlos Soares, ganho em uma feira de cervejas, a Gentse Feesten 2009, em Gent. Valeu, amigo!
outubro 19, 2011 No Comments
Opinião do Consumidor: Warsteiner
A pequena cidade de Warstein, localizada no Estado da Renânia do Norte-Vestfália (a menos de 1h30 de Düsseldorf e Dortmund), entrou no mapa cervejeiro em 1753, quando a cervejaria Arnsberg Forest Nature Park foi fundada. Com menos de 30 mil habitantes, Warstein (ao contrário de muitas outras cervejarias) não deixou de fabricar cerveja nem durante a guerra, e a Arnsberg Forest Nature Park segue ainda hoje nas mãos da propriedade privada.
Atualmente, a Arnsberg produz quatro rótulos: Warsteiner Premium Verum, Warsteiner Premium Dunkel, Warsteiner Premium Fresh e König Ludwig Weiss, sendo que apenas as três primeiras estão disponíveis no mercado brasileiro. A Verum é uma tradicional pilsen alemã, bastante leve e refrescante (que poderá agradar o paladar médio nacional). O aroma maltado se destaca, e o lúpulo – ainda que em quantidade moderada – marca o paladar com um leve amargor. Lembra Heineken – tão tradicional quanto normal.
A Warsteiner Premium Dunkel, no entanto, se sai melhor. A Arnsberg tenta unir a leveza da pilsen clássica com o sabor de uma dunkel, e o resultado é interessante. No aroma, o malte tostado é suave e sugere chocolate e café (mas com bastante leveza). Já no paladar, o malte tostado chega com mais intensidade (embora ainda distante de um dunkel tradicional) encobrindo o lúpulo. A sensação de café sobrepõe a do chocolate e a nota final é bastante agradável em uma cerveja que consegue ser saborosa e leve.
A Warsteiner vem sendo exportada internacionalmente desde a década de 1980, e a empresa também adquiriu ações de outras cervejarias internacionais, como a Isenbeck na Argentina e cervejarias na África. Para o Brasil, ela vem sendo trazida da Alemanha pelo pessoal da Bier & Wien, o que não impede você de encontrá-la com fabricação argentina. Segundo consta, a versão alemã é superior (e sai entre R$ 6 e R$ 9 a garrafa de 330 ml em vários empórios e lojas online – há ainda versões de 1 litro).
Teste de Qualidade: Warsteiner Premium Verum
– Produto: Pilsen
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 2,38/5
Teste de Qualidade: Warsteiner Premium Dunkel
– Produto: Dunkel
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 2,93/5
Leia também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (leia aqui)
– Primeiro Beer Experience, em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
outubro 3, 2011 No Comments
Opinião do Consumidor: Einbecker
A Einbecker Brauhaus foi aberta na baixa Saxônia, Alemanha, em 1378 e segue desde então fabricando cervejas – sendo uma das responsáveis pela popularização do estilo Bock, uma lager muito mais encorpada, ruiva, maltada e até um pouco doce. Bock é uma corruptela de “Ein Beck”, a cidadezinha natal da Einbecker (com pouco mais de 25 mil habitantes e uma paisagem que, ainda em 2011, não parece ter saído do século 15), e nasceu da necessidade de ser transportada para a Itália (numa história bem próxima a das Indian Pale Ales). A Einbecker produz atualmente onze rótulos de cerveja.
A versão Ur-Bock Dunkel da Einbecker Brauhaus é marcada pela forte presença de malte de caramelo tostado no aroma – e um bocadinho de álcool, bem suave, e também mel. O paladar começa bastante agradável com o malte de caramelo se apresentando em um conjunto denso que valoriza o lúpulo enquanto se desmancha levemente deixando um amargor suave no céu da boca e no começo da garganta. Porém, o final, longo e amargo, deixa a impressão de um conjunto pouco harmonioso (doce demais no começo, amargo demais no final).
Já a Ur-Bocok Hell é uma versão loura da Bock Dunkel da casa. O aroma maltado e levemente adocicado surpreende abrindo espaço também para o lúpulo. O paladar é refrescante e o conjunto disfarça de forma exemplar os 6,5% de graduação alcoólica – que em nenhum momento chega a agredir. O malte novamente chama pra si a atenção deixando uma marca suave no céu da boca enquanto o lúpulo se encarrega de caprichar no final levemente amargo – mas de um leve surpreendente. Uma excelente representante do estilo.
Teste de Qualidade: Ur-Bock Dunkel
– Produto: Bock
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 2,1/5
Teste de Qualidade: Ur-Bock Hell
– Produto: Bock
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 6,5%
– Nota: 3,75/5
Leia também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (leia aqui)
– Primeiro Beer Experience, em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
setembro 21, 2011 No Comments
Opinião do Consumidor: Bourganel Brewery
Inaugurada no sul da França em 1997, a Bourganel Brewery especializou em cervejas exóticas e aromáticas mantendo um nível de graduação alcoólica padrão de 5% em suas lagers, que, porém, desaparece no conjunto variado que inclui adição de castanhas portuguesas, mirtilo, mel e verbena. O foco é o paladar feminino, e tem dado resultados. A cervejaria – que começou artesanal – aumentou o maquinário em 2004 e lançou novas experiências nos últimos anos. São cervejas para poucos, mas vale a curiosidade.
Como o nome e o rótulo entregam, a Bourganel Au Miel de Châtaignier leva em sua formulação mel de abelha. O aroma dulcíssimo impressiona logo de cara. O mel vem à frente com o malte floral em segundo plano, distante, sem conseguir competir em balanço. O paladar segue o que aroma adianta com mel e caramelo se destacando bastante, mas com um bocadinho de amargo marcando presença – principalmente no final. No fim das contas até que a Au Miel de Châtaignier se prova interessante.
Já a versão Nougat da Bourganel é absolutamente estranha. Você consegue imaginar uma cerveja com aroma e sabor de… torrone? Parece que esqueceram uma barrinha do doce dentro de um copo da cerveja. O aroma tradicional de cerveja desaparece com amêndoas, chocolate e torrone encobrindo o malte, que desaparece na fórmula (apesar dos 5% de graduação). O sabor é enjoativo e lembra um suco aguado de amêndoas (talvez misturando horchata com uma pilsen tradicional você chegue ao mesmo resultado). Decepcionante.
Partimos então para a terceira representante da casa, a boa Bourganel aux marrons de l’Ardèche, uma cerveja com castanha portuguesa em sua formulação. O aroma interessante remete não só a castanha, mas também a chocolate, caramelo e nozes. O paladar, entre o aguado e o pastoso, é despido quase que totalmente de amargor, sem que apele excessivamente para a doçura – o final, inclusive, fica no meio termo. Eis uma cerveja extremamente leve com a característica Bourganel de não parecer uma cerveja.
Está achando tudo meio exótico? Imagine então uma cerveja verde. É a Bourganel Bière à la Verveine Velay, que ganha essa cor devido à inserção de extrato alcoólico de verbena, uma flor da região da cervejaria com poder de calmante contra nervosismo e distúrbios gastrointestinais relacionados ao estresse. É sério! O aroma não traz nada de álcool, mas sim uma disputa entre menta e erva cidreira. No paladar, esqueça o amargor. Ele até chega a tocar o céu da boca, só que desaparece em fração de segundos. O malte, no entanto, faz um charme maior, mas no fim a Verveine parece mais chá que cerveja.
Fechando o lote francês, a Bourganel Aux Myrtilles, uma especial de blueberry, uma pouquinho menor do que uma uva cuja característica principal é seu suco… azul. A versão Boruganel que traz o suco da fruta fica entre o azul e o vinho. O aroma é adocicado e muito frutado (que lembra o que, para nós, seria amora). Nada de malte nem de álcool. O paladar é levíssimo, com o amargor suave (remetendo a limão) manchando o adocicado do mirtilo. Parece um suco de uva que passou da validade.
Os cinco rótulos acima foram apresentados no 1º Beer Experience e estão sendo trazidos ao Brasil pelo bar Melograno, de São Paulo, custando entre R$ 20 e R$ 24 (a garrafa de 750 ml). Localizada no Vals-les-Bains, na região das Ardenhas, nos Alpes Franceses, a cervejaria fica a quase três horas de Marselha (sete horas de Paris) e recebe, anualmente, cerca de 4 mil visitantes. Não é uma cerveja para todos os momentos nem paladares, mas vale dar uma chance (principalmente se você não gosta do amargor tradicional).
Ps. as garrafas são lindas…
Teste de Qualidade: Bourganel Au Miel de Châtaignier
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: França
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,60/5
Teste de Qualidade: Bourganel Nougat
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: França
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 1/5
Teste de Qualidade: Bourganel aux marrons de l’Ardèche
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: França
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 2,67/5
Teste de Qualidade: Bourganel Bière à la Verveine Velay
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: França
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 1,75/5
Teste de Qualidade: Bourganel Aux Myrtilles
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: França
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 1,55/5
Leia também:
– Que tal uma cerveja de banana? E de manga? (leia aqui)
– Wells Banana Bread: uma cerveja que merece ser provada (aqui)
– Bacuri Beer, uma cerveja com fruto amazônico (aqui)
– Primeiro Beer Experience, em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
setembro 12, 2011 No Comments
De Belém, Amazon River e Bacuri Beer

Criada em 2000, na Estação das Docas, em Belém, a Amazon Beer é a única cervejaria 100% artesanal do Pará e aproveitou sua localização para investir em um rótulo bastante exótico, a Forest Bacuri, cerveja levíssima que leva na formulação um dos frutos mais populares da região amazônica. Além da Forest Bacuri, a Amazon Beer produz outros cinco rótulos mais tradicionais (mantendo a leveza como padrão).
A Forest Bacuri (3,8% de graduação – a versão em chopp, vendida na Estação das Docas, tem apenas 1,8%) já mostra sua personalidade no aroma, com o fruto amazônico se destacando entre o ácido e o adocicado – e remetendo a algo próximo a lichia. O paladar é bastante especial mantendo certa acidez que duela com o forte dulçor, que conquista num primeiro momento, mas pode enjoar numa segunda ingestão seguida. Ainda assim, uma cerveja muito boa, belo representante nacional das Fruit Beers.
Entre as outras produções da casa (em chopp) estão a Amazon Red (Vienna Lager de 5,8%), a Amazon Weiss (4,5%), a Amazon Black (uma Munich Dunkel de 5,5%), a Amazon Forest (uma american lager de 3,5%) e a River Lager (4,8%), que também começa a circular em garrafa (assim como a Bacuri e a Forest), e é uma Premium tipo exportação, encorpada e bem característica com forte presença de malte no aroma e no paladar, marcado ainda pelo amargor do lúpulo. Uma boa surpresa.
Os chopps, vendidos na Estação das Docas, em Belém (na beira do rio Guajará), que podem ser acompanhados de um vasto cardápio de tapas (confira o site oficial aqui), saem entre R$ 4 e R$ 6. Já as versões em garrafa (Bacuri, Forest e River) saem entre R$ 9 e R$ 15.
Teste de Qualidade: Bacuri Beer
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 3,8%
– Nota: 3,11/5
Teste de Qualidade: River Lager
– Produto: Premium Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4,8%
– Nota: 2,95/5
Leia também:
– Que tal uma cerveja de banana? E de manga? (leia aqui)
– Wells Banana Bread: uma cerveja que merece ser provada (aqui)
– Kriek Boon: Pode rolar romance, por Marcelo Costa (aqui)
agosto 31, 2011 No Comments
Primeiro Beer Experience, em São Paulo

Texto por Marcelo Costa (http://twitter.com/screamyell)
Fotos por Liliane Callegari (http://lilianecallegari.com.br)
Com aproximadamente 25 estandes montados em uma grande área do Shopping Frei Caneca, em São Paulo, mais de 130 cervejas na carta, um total de 20 pratos combinados com a estrela do dia e, ainda, shows e áreas para alimentação e diversão (incluindo mesas de bilhar e pebolim), a 1ª Edição do Beer Experience, em São Paulo, confirmou o status de vedete do momento das cervejas especiais no Brasil.

Estrela de um mercado antes restrito aos admiradores, as cervejas especiais vem conquistando um espaço cada vez maior no paladar cervejeiro brasileiro ampliando seu alcance com cervejarias artesanais localizadas em dezenas de estados brasileiros e a importação de rótulos transformando-se em negócio lucrativo – embora o preço final para o consumidor ainda esteja em um patamar elevado.

No Beer Experience, no entanto, havia cerveja – literalmente – para todos os gostos e bolsos. De R$ 5 (da Colorado Cauim, a Klein Tchec e Pilsen, Estrella e Weiss Damn, a Backer Pilsen) até R$ 200 (uma Falke Monasterium de 750 ml) e R$ 400 (uma Brewdog Sink the Bismarck com 41% de álcool) além de exemplares especiais apenas para sorteio como o da Brooklyn Black Ops (de produção de apenas mil garrafas/ano).

O preço da entrada intimidou vários consumidores (R$ 60 na hora ou R$ 40 com 1kg de alimento não perecível), que ainda teriam que pagar à parte para comer e beber no evento. Mesmo assim, um ótimo público (que aumentou consideravelmente na parte da tarde) marcou presença. Entre os destaques, velhas conhecidas do público, vários lançamentos e pequenas aulas de cultura cervejeira.

Ok. Então você está ali em um paraíso de cervejas buscando experimentar algumas das melhores cervejas do mundo (sim, as cervejas de abadia belgas também marcaram presença), por onde começar? Decidi ir atrás de cervejas que não conhecia abrindo os trabalhos com a exótica Bacuri, cerveja docinha e leve (apenas 3,8% de álcool) de Belém do Pará feita com o fruto amazônico de mesmo nome. Aprovada.

Antes de encarar o segundo rótulo, uma parada no estande do Empório Alto dos Pinheiros para forrar o estômago. A pedida: um Guiness Pie simplesmente delicioso (que a fotógrafa achou muito melhor do que o provado em Londres). Após arriscar um rótulo novo, hora de jogar em território conhecido com a mineiríssima Wals Quadruppel, a melhor cerveja nacional (ao menos para este que bebe).

A terceira do dia foi uma inenarrável Sauber Beer de… abóbora. Produzida em Mogi Mirim, interior de São Paulo, a Sauber Pumpkin Ale (4,7%) impressionou com um paladar que alternou com categoria malte, lúpulo e doce de abóbora. O cara do estande garantiu que a Sauber Honey Beer era ainda melhor (eles ainda tem uma de gengibre além dos rótulos tradicionais), mas achei prudente deixar para a próxima.

A coisa começa a ficar meio turva, mas o bonde não para. O quarto título da noite, uma francesa Bourganel Myrtilles (5%) de cor azul (leva suco de Mirtilo na receita) decepcionou. Apesar de o teor alcoólico ser o de uma pilsen tradicional nacional, o paladar – bastante aguado – lembrava suco. Não bastasse ter experimentado ela, ainda levei outros quatro rótulos da Bourganel pra casa (todos frutados). Ahhh, bêbados…

A quinta cerveja da noite foi dividida em partes iguais com os companheiros Leonardo Dias e Bruno Dias, do Urbanaque: uma linda Local 1, Belgian Strong Golden Ale altamente personal da sensacional Brooklyn Brewery. Do mesmo modo dividimos outra excelente Belgian Strong Golden Ale, uma italiana Baladin Elixir (10%). Para terminar, uma Strong Scotch Ale escocesa Traquair House Ale (7,2%).

Além das cinco Bourganel, consegui levar para casa as quatro cervejas dos Mestres das Poções (cada uma delas produzida em uma fase da lua), dois rótulos da paraense Amazon Beer e três da Antares, a maior menor cervejaria argentina. E nem falei da ótima Backer 3 Lobos Bravo – uma American Imperial Porter mineira envelhecida em barril de umburana (que o Leonardo dividiu conosco) – e da coxa de pernil que salvou o fim da noite.

O saldo foi extremamente positivo e demonstra que o mercado de cervejas artesanais e especiais no Brasil está em amplo crescimento. A organização do evento já planeja uma 2ª Edição do Beer Experience em São Paulo para 2012, mas provoca no twitter @beer_experience: “Nesse meio tempo para onde vamos? Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Porto Alegre?” Fique atento ao próximo brinde.

Informações
As argentinas Antares são distribuídas no Brasil pelo Clube do Malte, de Curitiba, que ainda comercializa molho e geleia feitos à base de cerveja (41) 8818-4038
A Bacuri, da Amazon Beer – (11) 3092-2337 – de Belém do Pará, e as Baladin italianas chegam ao resto do país com distribuição da Tarantino. (11) 3092-2337
A Bourganel, a Traquair e a St. Peters (que não provei, mas queria muito) foram destaques da cervejaria Melograno, de São Paulo. O cardápio deles é extenso e vale muito a visita, (11) 3031-2921
A Wals já pode ser encontrada facilmente em vários locais do país, mas quem ainda tiver dificuldade, vale entrar em contato com os mineiros: (31) 3443-2811
Tanto as cervejas esotéricas dos Mestres das Poções quanto a Sauber de abóbora (de mel e de gengibre) foram compradas no estande da Cervejoteca, de São Paulo (11) 5084-6047
A Brooklyn é importada pelo pessoal do Beer Maniacs (41) 3022-0740.
A Backer é uma estilosa micro-cervejaria mineira que começa a ganhar cada vez mais espaço no país (11) 2268-4203 ou 2268-3154
Vale ainda conhecer o trabalho do pessoal da Bierboxx (que entrega cervejas especiais em casa) e também da confraria Have a Nice Beer, esta última um clube que mediante uma taxa mensal envia cervejas especiais aos associados todo o mês.

Leia também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Cinco pubs de cervejarias nos EUA, por Marcelo Costa (aqui)
– Sábado em Nova York: Brooklyn Brewery e Sebadoh (aqui)
– Um ogro bebendo o champagne mais caro do mundo (aqui)
– As cervejas da Wals (aqui), da Backer (aqui) e da Brooklyn (aqui)
agosto 23, 2011 1 Comment
Opinião do Consumidor: Liefmans Fruitesse
As Fruit Beers são uma verdadeira febre na Europa (que de dois anos para cá também se rendeu a Sidra). Um resumo rápido diria que uma cerveja frutada é aquela de conjunto harmonioso em que o sabor da fruta é balanceado com o da cerveja. Mas nem sempre é assim: na sul-africana Pineapple Fruit Beer, por exemplo, o sabor de abacaxi se perde em meio ao álcool. Na brasileira Göttlich Divina!, o guaraná está presente, mas fica em segundo plano. Estes elementos estão ali para causar um charme no conjunto.
O oposto, em que o sabor da fruta compete em igualdade com o malte, é muito mais comum. Da excelente Wells Banana Bread até a seleção caprichada da holandesa Mongozo (coco, banana, manga, quinua e palmnut – esta última, segundo o fornecedor, “uma experiência espiritual”) chegando até o extenso cardápio de Fruit Beers de cereja e framboesa, que destacam as belgas Kriek Boon (em que cada litro de cerveja recebe ao menos 250 gramas de cereja) e Mort Subite (não se assuste com o nome).
A cervejaria Lifemans, da cidade de Oudenaarde, nos Flandres Orientais da Bélgica, foi fundada em 1679 especializando-se em produzir Oud Bruin (estilo de cerveja originário da região flamenca da Bélgica) e lambics, a maioria frutada (limão, pêssego e cereja). A empresa faliu em 2008, sendo adquirida pela Duvel Moortgat Brewery, que manteve a produção de algumas estrelas da casa como a própria Oud Bruin e a Liefmans Fruitesse (embora tenha perdido a Lucifer para a Het Anker Brewery).
Importada pela Beer Paradise, a Liefmans Fruitesse (com maturação de 18 meses em caves recebendo posteriormente sumos naturais de frutas vermelhas) é um ótimo exemplar do estilo fruit beer já a partir do aroma intenso de cereja, de morango e framboesa – e nada, absolutamente nada que lembre álcool. O primeiro toque na língua reforça o aroma, mas conforme a cerveja se ambienta no paladar, características de amargor a azedo marcam presença não influenciando no final, que permanece adocicado.
Apesar de não estar aparentemente presente no conjunto, a graduação alcoólica de 4,2% da Liefmans Fruitesse é próximo ao de algumas american lagers nacionais (a Skol e a Nova Schin, por exemplo, têm 4,7%; a Bavária traz 4,6%). Refrescante, cítrica, adocicada e fácil de beber (sem muita complexidade em sua fórmula), a Liefmans Fruitesse é uma boa fruit beer que se aproxima (grosseiramente) de um espumante. Para dias quentes e/ou para acompanhar sobremesas. A garrafa de 250 ml está entre R$ 8 e R$ 12.
Teste de Qualidade: Liefmans Fruitesse
– Produto: Fruit Beer
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 4,2%
– Nota: 2,35/5
Leia também:
– Que tal uma cerveja de banana? E de manga? (leia aqui)
– Wells Banana Bread: uma cerveja que merece ser provada (aqui)
– Kriek Boon: Pode rolar romance, por Marcelo Costa (aqui)
agosto 17, 2011 No Comments
Opinião do Consumidor: Carlow Brewing
Em meio a dezenas de cervejarias seculares européias temos a Carlow Brewing Company, uma das aproximadamente 16 micro-cervejarias irlandesas nascidas nos anos 90 – ela é de 1996. A Carlow leva o nome da segunda menor cidade da Irlanda (com pouco mais de 20 mil habitantes), a menos de duas horas de Dublin, e é um esforço do patriarca da família O’Hara, que sonhava em fabricar uma cerveja nos moldes indígenas antigos: “com ingredientes naturais e nenhum aditivo artificial”.
A primeira fermentação aconteceu em 1998 e, já em 2000, a cervejaria conquistaria duas medalhas de ouro no International Brewing Awards (por sua O’Hara’s Irish Stout). A produção, que foi de 1.500 litros em um tanque em 1998, passou para 6.500 litros em 2009 marcando assim o nascimento de outras cervejas da compania, que agora soma sete rótulos: O’ Hara’s Leann Follain, Curim, O’ Hara’s Irish Stout, O’ Hara’s Irish Red, Seasonal Brews/Limited Editions, O’ Hara’s Irish Wheat e O’ Hara’s Irish Pale Ale.
O tour pessoal começa pela O’ Hara’s Irish Red, uma “traditional red ale” de um vermelho tão intenso que chega a parecer negro em alguns momentos. O aroma é levemente frutado com destaque para o caramelo enquanto o paladar é marcado pela lembrança reconhecível de cervejas britânicas, sem ser tão picante. Aqui o malte levemente tostado impressiona ora lembrando caramelo, ora lembrando café – e o bom conjunto vai se tornando amargo (e ainda mais britânico) no final do copo. Intrigante.
“Quando se pensa em cerveja irlandesa, se pensa em Stout”, diz o site da cervejaria, e é quase impossível não ligar Stout ao nome Guiness (a representante mais famosa do estilo). A Carlow tenta fugir da comparação/competição produzindo uma O’ Hara’s Irish Stout muito mais leve, mas não sem personalidade. As características estão todas presentes – a cor negra profunda e o aroma forte de café e chocolate amargo, que se estende ao paladar – criando uma ótima cerveja (plenamente irlandesa).
Lançada em 2009 e feita no sistema dry hopping, a O’ Hara’s Irish Pale Ale já em 2010 foi eleita a cerveja do ano pelo IrishCraftBrewers.com, e o título não foi à toa. O aroma lupulado é extremamente marcante e encantador – com algo de floral. O paladar destaca o malte de caramelo, um pouco de cítrico e muito de lúpulo revelando um leve amargor picante que se pronuncia no final e vai ficando, ficando e ficando – excepcional. Provável melhor rótulo da cervejaria, uma daquelas cervejas para se ter sempre em casa.
Com seu nome que homenageia antigas rotas celtas, a Curim Gold é uma surpresa (boa ou negativa, depende do bebedor): uma cerveja de trigo que troca a Bavária (aquele paladar forte de banana) pela República Tcheca (terra das pilsens clássicas). Quem for esperando beber algo próximo a uma Weiss irá se decepcionar, mas quem gosta das pilsens tem um bom representante, melhor do que muita coisa do estilo, com aroma leve (ameixa, pão fresco, mel) e paladar refrescante. Interessante.
Fechando o pacote da cervejaria Carlow, a Leann O’Hara Folláin, uma Extra Stout irlandesa que deve ser proibida para fãs brasileiros do estilo: vocês vão querer mais e mais. Aroma carregadissimo de chocolate (doce, não amargo) e café – talvez ameixa. O paladar segue nitidamente o aroma com forte presença de chocolate (aqui um bocadinho mais amargo, mas ainda assim suave) e café, que se prolonga no final. Praticamente coloca no banco de reservas a stout tradicional da casa.
As cinco cervejas acima podem ser compradas em packs de três rótulos no… aeroporto de Dublin ao preço de 6 euros. Se você for à Irlanda, vale pensar no tour pela casa (infos aqui).
Teste de Qualidade: O’ Hara’s Irish Red
– Produto: Red Ale
– Nacionalidade: Irlanda
– Graduação alcoólica: 4,3%
– Nota: 3,14/5
Teste de Qualidade: O’ Hara’s Irish Stout
– Produto: Stout
– Nacionalidade: Irlanda
– Graduação alcoólica: 4,3%
– Nota: 3,23/5
Teste de Qualidade: O’ Hara’s Irish Pale Ale
– Produto: Pale Ale
– Nacionalidade: Irlanda
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 3,88/5
Teste de Qualidade: Curim Gold
– Produto: Ale
– Nacionalidade: Irlanda
– Graduação alcoólica: 4,3%
– Nota: 2,96/5
Teste de Qualidade: Leann O’Hara Folláin
– Produto: Extra Stout
– Nacionalidade: Irlanda
– Graduação alcoólica: 6%
– Nota: 3,34/5
Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Top 10 Cervejas Européias, Viagem 2008, por Marcelo Costa (aqui)
agosto 5, 2011 No Comments
Opinião do Consumidor: Pauwel Kwak
Uma das melhores cervejarias belgas (olha o nível), a Bosteels foi fundada em 1791 na cidade de Buggenhout, nos Flandres Orientais (40 minutos de Bruxelas), e continua nas mãos da família Everarist sete gerações depois (um feito em um mercado devorado pelos grandes conglomerados). Entre os destaques da Brewery Bosteels estão as indiscutíveis Tripel Karmeliet, a Pauwel Kwak e, claro, a épica DeuS.
Uma das primeiras curiosidades acerca da Pauwel Kwak é seu copo, que traz uma base de madeira que evita que você toque no vidro enquanto bebe (e, em um teatro de bonecos em Bruxelas, vi um norte-americano tentando tirar o copo de vidro da base: falhou miseravelmente e deixou o copo em pedacinhos), mas que foi criado originalmente para que os cocheiros pudessem beber enquanto “pilotavam” carruagens.
Politicamente incorreto? Isso foi na época de Napoleão. A Bosteels quis homenagear uma cervejaria famosa no período, a Hoorn’inn’, com a Pauwel Kwak, lançando essa delícia em 1980 (Hoorn’inn’ era a cerveja predileta dos cocheiros). A história da Bosteels ainda se envolve com arquitetura: a mansão sede da cervejaria foi desenhada pelo arquiteto Louis Minard em 1859 (ele também fez o teatro de Gent).
Quanto à cerveja, já no aroma a Pauwel Kwak se mostra personal: o álcool aparece timidamente sendo vencido por… caldo de cana (e também mel). No paladar, complexo, o álcool se faz mais presente (são 8,4% de graduação alcoólica), mas ainda assim surge ambientado no conjunto, não chegando a soar agressivo. O primeiro toque na língua é adocicado (mel e cana – e o dulçor retorna delicado após o fim da ingestão) e mesmo em grande quantidade, o álcool reitera um leve amargor que conquista o paladar.
A falta do copo original (foto abaixo) descaracteriza um pouco o conjunto, mas não diminui o prazer de se provar uma cerveja especialíssima, uma das melhores da Bélgica, a terra mãe das melhores cervejas do mundo. O preço (em terras brasileiras), no entanto, não é lá muito convidativo: entre R$ 16 e R$ 19 a garrafa de 330 ml. Porém vale muito a experiência. E você não irá precisar (ou conseguir) beber mais do que duas mesmo (ok, conseguir até consegue: o problema é levantar da mesa).
Teste de Qualidade: Pauwel Kwa
– Produto: Strong Belgian Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8,4%
– Nota: 4,86/5

Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Top 10 Cervejas Européias, Viagem 2008, por Marcelo Costa (aqui)
julho 29, 2011 No Comments
Opinião do Consumidor: Bock Damm

A cervejaria catalã DAMM é uma das três maiores fabricantes de cerveja espanholas (as outras duas, a saber, são a Heineken e a San Miguel/Mahou) e desde 1876 distribui para os botecos espanhóis nomes como a famosa Estrella Damm (naquela época, Estrella de Ouro), a Xibeca, a poderosa Voll-Damm Doble Malta e esta boa Bock Damm, cujo rótulo atual homenageia o rótulo de sua primeira versão – datada de 1888.
Apesar do nome, a Bock Damm está muito mais para uma Dunkel de Munique (seu sobrenome, inclusive) do que para uma Bock tradicional. A diferença começa pela cor negra (contra o avermelhado da bock). No aroma, presença suave de malte tostado, café e caramelo, que se replicam no paladar, que começa amargo no primeiro toque na língua (café é a primeira lembrança) até tornar-se adocicado e finalizar levemente amargo.
Bem gostosa e leve, a Bock Damm não prima pela complexidade, mas se porta muito bem no copo. É o tipo de cerveja que, caso fosse brasileira, teria um bom mercado a se explorar. Porém, sendo espanhola e chegando ao Brasil entre R$ 8 e R$ 12 a garrafinha (bonita) de 250 ml fica difícil. Mesmo assim, apesar da falta de personalidade, eis uma boa pedida para se procurar em terras catalãs.
Teste de Qualidade: Bock Damm
– Produto: Dunkel Munick
– Nacionalidade: Espanha
– Graduação alcoólica: 5,4%
– Nota: 2,98/5
Veja também:
– Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Top 10 Cervejas Européias, Viagem 2008, por Marcelo Costa (aqui)
– Voll-Damm, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza em Madri (aqui)
junho 28, 2011 No Comments










